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quarta-feira, 11 de março de 2009

Kenneth Roth na CNN chamando atenção para as violações dos direitos humanos de Israel em Gaza

segunda-feira, 9 de março de 2009

domingo, 1 de fevereiro de 2009

UE disposta a participar de missão de paz no Oriente Médio

Ministros do Exterior dos 25 países se encontraram em Bruxelas para avaliar postura em relação à crise no Oriente Médio. Sugestão prevê envio de tropas internacionais para monitorar fronteira meridional do Líbano.

Após encontro em Bruxelas, nesta segunda-feira (17/07), a União Européia declarou estar, em princípio, disposta a participar de uma missão no Oriente Médio, junto às tropas de paz da ONU. O ministro finlandês das Relações Exteriores, Erkki Tuomioja, anunciou que, já nesta terça-feira, conversará com o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, sobre o assunto. Tuomioja declarou: "Tenho confiança de que a União Européia e seus países-membros, que no passado participaram de missões de tipo, estarão prontos a agir, se as condições para tal forem criadas".

 

Sob o comando das Nações Unidas, os líderes da União Européia se esforçam para encontrar uma solução diplomática para o conflito armado no Oriente Médio. Previamente a uma visita do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, a Bruxelas nesta segunda-feira, os ministros do Exterior dos 25 países-membros se reuniram para avaliar sua postura em relação à crise entre Israel e o grupo guerrilheiro libanês Hisbolá.

 

O ministro finlandês do Exterior, Erkki TuomiojaO ministro finlandês do Exterior, Erkki TuomiojaO ministro finlandês das Relações Exteriores, Erkki Tuomioja, que recentemente assumiu a presidência do Conselho da UE, pediu a todos que apóiem os recentes esforços diplomáticos da ONU. Muitos dos presentes disseram temer que o conflito venha a se expandir na região.

 

Israel: defesa, mas com limites

 

No documento apresentado, Israel é intimado a "não agir de maneira desmedida" e a respeitar o Direito Humanitário Internacional. "Medidas injustificadas só piorarão o círculo vicioso de violência e retaliação", consta, embora a UE reconheça as preocupações de Israel e seu direito à autodefesa.

 

Merkel (dir.) e Blair no encontro de cúpula da UE em São PetersburgoMerkel (dir.) e Blair no encontro de cúpula da UE em São PetersburgoA UE condenou igualmente o seqüestro dos dois soldados israelenses e exigiu sua libertação imediata e incondicional pelo Hisbolá, assim como a suspensão dos bombardeios a cidades israelenses. A UE espera também que o Líbano faça o que puder para manter seu território sob controle e evitar ataques terroristas a Israel.

 

Recém-chegado de Beirute, o encarregado de Política Externa e Segurança Comum da União Européia, Javier Solana, assegurou que o governo do primeiro-ministro libanês Fuad Siniora merece todo apoio.

 

"O importante é que esse conflito não se espalhe pela região", disse o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank Walter Steinmeier – preocupação que foi compartilhada por seus homólogos europeus. "Se isso continuar assim por mais um ou dois dias, o conflito poderá tomar conta de toda a região", teme Jean Asselborn, de Luxemburgo.

 

Líder Hisbolá Hassan Nasrallah fala na TV, enquanto mísseis israelenses destroem infra-estrutura libanesaLíder Hisbolá Hassan Nasrallah fala na TV, enquanto mísseis israelenses destroem infra-estrutura libanesaTambém o chefe da diplomacia sueca, Jan Eliasson, lembra que o conflito põe em risco não só a população e o governo libanês, mas a estabilidade de toda a região. O finlandês Tuomioja advertiu ainda que "lá se encontram milhares de cidadãos europeus".

 

No entanto, Tuomioja eliminou as esperanças de que a UE pudesse contribuir com uma rápida solução do conflito.

 

G8 propõe envio de tropas de estabilização

 

Annan elogiou a reivindicação feita pelo G8, o grupo composto pelos sete maiores países industrializados do mundo e a Rússia, de que fossem enviadas tropas internacionais de estabilização para controlar a região fronteiriça entre Israel e o sul do Líbano.

 

Para o premiê britânico, Tony Blair, isso ajudaria a amortizar os conflitos, que, segundo ele, "não cessarão se não criarmos as condições necessárias". Na sua opinião, a escalada da violência na região "não é um mero acaso".

 

No domingo (16/07), os chefes de Estado e de governo do G8 conclamaram Israel, o grupo guerrilheiro libanês Hisbolá e o palestino Hamas a cessar fogo, em uma declaração que, segundo a chanceler federal alemã, Angela Merkel, "foi de extrema importância".

 

França considera ataques "aberrantes"

 

Chirac e MerkelChirac e MerkelO presidente francês, Jacques Chirac, também aprovou a solução apresentada pelo G8 e enviou o primeiro-ministro Dominique de Villepin à região como intermediador. "Não haverá solução, se Israel e Líbano não se comunicarem", disse.

 

Antes do encontro de ministros em Bruxelas, Chirac condenara os ataques israelenses como "violentos e aberrantes" e cobrara medidas diplomáticas urgentes para agilizar o cessar-fogo. Para ele, os ataques criaram uma "situação dramática" que implicará esforços custosos de reconstrução da infra-estrutura no Líbano, além de terem afetado a população civil.

 

Segundo o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, "pela primeira vez, começamos a nomear claramente as causas do conflito, ou seja, as atividades terroristas do Hisbolá".

 

Israel, no entanto, alerta que ainda é cedo para avaliar a possibilidade de tropas internacionais monitorarem a fronteira meridional do Líbano. "Por enquanto, queremos ter certeza de que o Hisbolá não ultrapassou nossa fronteira setentrional", disse o porta-voz do governo.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

União Europeia inicia missão diplomática no Oriente Médio

A presidência tcheca de UE classificou a investida terrestre de Israel na Faixa de Gaza como "defensiva, não ofensiva". Na Europa e na Alemanha, dividem-se as opiniões sobre o novo clímax do conflito no Oriente Médio.

A União Europeia iniciou sua missão de intermediação no Oriente Médio. O ministro tcheco do Exterior, Karel Schwarzenberg, partiu neste domingo (04/01) para o Cairo, acompanhado por seus colegas de pasta Bernard Kouchner e Carl Bildt, da França e da Suécia, respectivamente, assim como pela comissária de Relações Exteriores da UE, Benita Ferrero-Waldner.

Chefe da diplomacia tcheca, Karel SchwarzenbergChefe da diplomacia tcheca, Karel Schwarzenberg

A missão durará três dias, estendendo-se a Israel, Cisjordânia e Jordânia. Pouco antes da partida, Schwarzenberg – cujo país preside a UE no primeiro semestre de 2009 – voltou a atribuir a culpa da escalada ao Hamas. Antes, ele classificara a operação de Israel como "defensiva, não ofensiva". O secretário-geral da Liga Árabe, Amre Mussa, declarou-se horrorizado pelo fato de políticos europeus justificarem as investidas contra os palestinos como autodefesa israelense.

"Perigosa escalada militar"

Porém, entre os demais chefes da diplomacia europeia, a condenação à ofensiva terrestre de Israel na Faixa da Gaza é praticamente unânime.

Bernard Kouchner disse considerar esta última fase da violência "uma perigosa escalada militar", dificultando os esforços da comunidade internacional para dar fim aos combates, levar auxílio imediato aos civis e alcançar um cessar-fogo permanente. "A França condena a ofensiva terrestre contra Gaza, assim como condena a continuação dos ataques de mísseis", declarou o ministro das Relações Exteriores.

Para o ministro britânico do Exterior, David Miliband, "o desdobramento dos eventos demonstra a necessidade urgente do cessar-fogo imediato pelo qual apelamos".

Soldados israelenses marcham sobre a Faixa de GazaSoldados israelenses marcham sobre a Faixa de Gaza

Seu homólogo espanhol, Miguel Ángel Moratinos, que já representou a União Europeia no processo de paz do Oriente Médio, instou tanto o Hamas a suspender o lançamento de mísseis como Israel a cessar sua operação terrestre. O governo da Espanha declarou-se "profundamente preocupado" com a atual situação, urgindo ambos os lados a "dar ouvidos aos apelos da comunidade internacional e parar os choques".

Já antes do início da ofensiva terrestre, o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, apelara às nações islâmicas para que colaborassem para o fim dos ataques com mísseis pelo Hamas. Segundo comunicado do Ministério do Exterior, Steinmeier conversou no sábado (03/01) com seu homólogo turco antes de um encontro na Arábia Saudita, reunindo os 57 membros da Organização da Conferência Islâmica. Steinmeier reiterou seu apoio a um "cessar-fogo humanitário", que simplificaria o abastecimento da população civil em Gaza e abriria o caminho para a diplomacia.

"Interceder é tarefa dos países árabes"

Na Alemanha, as opiniões sobre a nova situação no Oriente Médio dividem até mesmo a coalizão de governo de social-democratas (SPD) e conservadores cristãos (CDU/CSU).

O porta-voz para assuntos externos da bancada da CDU/CSU no Parlamento, Eckart von Klaeden, expressou compreensão pela ofensiva israelense. De seu ponto de vista, quase não havia alternativa para o governo de Tel Aviv proteger sua população dos mísseis do Hamas. Ele considera irrealista o apelo por um armistício, enquanto o fogo dos rebeldes palestinos não cessar.

Segundo Von Klaeden, o alvo político do Hamas é aniquilar Israel. A tarefa de trazer o grupo militante à razão caberia sobretudo aos políticos e governos árabes, já que nem a Europa nem os Estados Unidos possuiriam o necessário acesso aos dois polos políticos palestinos, Hamas e Fatah, entre os quais se desenrolaria o verdadeiro conflito.

Não "Israel ou palestinos", mas sim "guerra ou negociação"

Sob bandeira palestinaSob bandeira palestina

O especialista para o Oriente Médio da bancada social-democrata, Rolf Mützenich foi bem mais crítico em relação ao procedimento de Tel Aviv, que considerou desproporcional ao dever de defender a população israelense. Mesmo que vença rapidamente a situação militar, não há garantia de que isso traga segurança a Israel, afirmou.

"No Líbano demonstrou-se que a luta contra o Hisbolá não levou a um enfraquecimento [da milícia xiita], que, pelo contrário, saiu militarmente fortalecida. E temo que o mesmo ocorrerá com o Hamas."

Num ponto, Von Klaeden e Mützenich estão de acordo: nenhum dos dois deposita grandes esperanças na missão de mediação da UE.

Por sua vez, os partidos de oposição representados na câmara baixa do parlamento alemão (Bundestag) exigem um papel mais ativo da Europa e da Alemanha no conflito. O porta-voz do partido A Esquerda para assuntos externos, Wolfgang Gehrke, enfatizou que ninguém precisa optar entre Israel ou os palestinos. A alternativa agora é: guerra ou negociações de paz.

Análise: Solução de 'dois estados' pode ser sepultada no Oriente Médio

Sem ela, Israel ficará 'murado', protegendo-se de três estados falidos. Entenda quais os desafios diplomáticos do governo Obama na região.

Thomas L. Friedman
Do New York Times

Avise-me se você já ouviu essa antes. "Rapazes entram no bar..." Não, essa não – esta: "Este é o ano mais crítico de todos para a diplomacia palestina-israelense. São cinco para a meia-noite. Se não recuperarmos a diplomacia logo, será o fim da solução dos dois estados".

Ouvi essa frase praticamente todos os dias nos últimos vinte anos, e nunca caí nessa. Bom, hoje, estou começando a acreditar.

Estamos chegando perigosamente perto de fechar a janela para a solução dos dois estados, pois os dois principais fechadores de janela – o Hamas, em Gaza, e os colonos judeus fanáticos da Cisjordânia – têm ocupado o assento do motorista. O Hamas está ocupado em tornar inconcebível a solução dos dois estados, enquanto os colonos têm trabalhado persistentemente para fazer com que ela seja impossível.

Foto: AFP
Palestinos observam moto destruída durante bombardeio de Israel a Khan Younis, na Faixa de Gaza, nesta quinta-feira (29). (Foto: AFP)


Se o Hamas continuar a obter e usar foguetes de alcance cada vez mais longo, não existe jeito de qualquer governo israelense poder ou querer tolerar o controle palestino independente da Cisjordânia, pois um foguete lançado dali pode facilmente fechar o aeroporto de Tel Aviv e acabar com a economia de Israel.

Se os colonos judeus continuarem com seu "crescimento natural" para devorar a Cisjordânia, essa solução também estará efetivamente descartada. Nenhum governo israelense juntou a disposição de remover até os assentamentos "ilegais", não-autorizados, apesar das promessas dos Estados Unidos, então fica difícil entender como os assentamentos "legais" serão alguma vez removidos. Para as eleições em Israel, em 10 de fevereiro, é necessário um governo de unidade nacional que possa resistir à intimidação dos colonos, e os partidos mais de direita que os protegem, para conseguir implementar uma solução de dois estados.

Pois, sem uma solução de dois estados estáveis, o que teremos é Israel se escondendo atrás de um muro alto, defendendo-se de um estado falido controlado pelo Hamas em Gaza, de um estado falido controlado pelo Hezbollah no sul do Líbano e de um estado falido controlado pelo Fatah em Ramallah. E bom dia para vocês.

Então, se você acredita na necessidade de um estado palestino ou se você ama Israel, é melhor começar a prestar atenção. Isso não é um teste. Estamos na curva da história.

O que faz disso algo tão desafiador para a nova equipe de Obama é que a diplomacia do Oriente Médio tem se transformado, como resultado da desintegração regional desde Oslo, de três formas principais.

Primeiro, nos velhos tempos, Henry Kissinger podia voar para três capitais, reunir-se com três reis, presidentes ou primeiros-ministros e chegar a um acordo capaz de ser mantido. Não mais. Hoje, um pacificador tem de ser tanto um construtor nacional quanto um negociador.

Os palestinos estão tão fragmentados, politicamente e geograficamente, que metade da diplomacia dos Estados Unidos será sobre como alcançar a paz entre os palestinos e erguer suas instituições, para assim haver uma entidade coerente, legítima e decisória ali – antes de alcançar a paz entre os israelenses e os palestinos.

Segundo, o Hamas agora tem um veto em relação a qualquer acordo de paz palestino. É verdade que a facção acaba de provocar uma guerra precipitada que devastou a população de Gaza. Mas o Hamas não vai embora. Ele é bem-armado e, apesar de seu comportamento suicida de ultimamente, é profundamente enraizado.

A Autoridade Palestina, liderada por Mahmoud Abbas na Cisjordânia, não fará qualquer tipo de compromisso de paz com Israel, já que teme que o Hamas a denuncie como traidora. Logo, a tarefa número dois para Estados Unidos, Israel e os estados árabes é encontrar uma forma de trazer o Hamas a um governo palestino de unidade nacional.

Como diz o especialista em Oriente Médio, Stephen P. Cohen: "Não é suficiente para Israel que o mundo reconheça que o Hamas negligenciou criminalmente sua responsabilidade para com seu povo. O interesse de longo prazo de Israel é certificar-se de que tem um aliado palestino para as negociações, que terão legitimidade suficiente entre seu próprio povo, para poder assinar acordos e realizá-los. Sem o Hamas como parte de uma decisão palestina, qualquer paz entre Israel e Palestina será sem sentido".

Porém, trazer o Hamas para um governo unificado palestino, sem minar os moderados da Cisjordânia, que hoje lideram a Autoridade Palestina, será algo difícil. Precisamos que a Arábia Saudita e o Egito comprem, persuadam e pressionem o Hamas a manter o cessar-fogo, apoiando diálogos de paz e contra os foguetes – enquanto o Irã e a Síria vão tentar convencer o Hamas do contrário.

E isso leva ao terceiro novo fator – o Irã como jogador fundamental na diplomacia palestina-israelense. A equipe de Clinton tentou cortejar a Síria ao mesmo tempo em que isolava o Irã. O presidente Bush isolou tanto o Irã quanto a Síria. A equipe de Obama, como sustenta Martin Indyk em "Innocent Abroad: An Intimate Account of American Peace Diplomacy in the Middle East", "precisa tentar trazer a Síria, o que enfraqueceria o Hamas e o Hezbollah, ao mesmo tempo em que envolve o Irã também".

Então, resumindo: são cinco para a meia-noite. Antes do relógio dar as 12 badaladas precisamos reconstruir o Fatah, fundi-lo com o Hamas, eleger um governo israelense que possa congelar os acampamentos, cortejar a Síria e envolver o Irã – ao mesmo tempo em que evita que este último se torne nuclear – para convencermos as partes a iniciar um diálogo. Quem conseguir alinhar todas as peças desse cubo mágico diplomático merece dois Prêmios Nobel.

Médio Oriente: MNE pede nova abordagem da UE ao conflito

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, disse hoje em Bruxelas que a União Europeia deve lidar de forma diferente com o conflito inter-palestiniano, acompanhando «na medida do possível» a mudança que também se adivinha nos Estados Unidos.

Amado, que falava à saída de uma reunião dos chefes de diplomacia da UE, apontou que teve oportunidade de defender perante os seus homólogos a necessidade de a Europa adaptar-se ao «novo contexto» no processo de paz no Médio Oriente, «decorrente deste conflito em Gaza mas também de eleições que se irão realizar-se muito recentemente em Israel e sobretudo de uma nova abordagem que a administração norte-americana faz dos problemas do Médio Oriente».

O ministro destacou novamente a recente abertura revelada pelos Estados Unidos para dialogar com o Irã, o que, segundo, Amado representa uma grande mudança na «forma como os EUA abordam a estabilização de todo o Grande Médio-Oriente, com implicações nas relações com Hamas, Hezbolah e Síria», considerados próximos do regime de Teerã.

No mesmo sentido, observou, «ao abrir a perspectiva de diálogo com Irão», o conflito israelino-palestiniano «não será encarado de uma forma tão restritiva» pela nova administração de Washington liderada por Barack Obama «como o foi pela anterior administração», de George W. Bush.

«A observação que fiz foi à necessidade de nós acompanharmos o que são mudanças que nós podemos antever na administração norte-americana, alinharmos na medida do possível as nossas posições com as posições americanas e com as posições que o grupo árabe da região mais assumidamente vem revelando», disse.

Apontando que, além da urgência de dar resposta à questão humanitária «absolutamente inaceitável» na Faixa de Gaza, após o recente conflito, Amado disse que a outra prioridade do momento deve ser «relançar o processo político, e para isso é preciso dar apoio às iniciativas árabes e em particular à iniciativa egípcia para que haja um governo de reconciliação nacional da parte palestiniana».

«Esse governo, do nosso ponto de vista, deve ser apoiado pela UE, e esta é a mudança que acho que se deve assumir na forma como a UE tem lidado com o problema inter-palestino», disse, acrescentando que será «saudável que a UE seja capaz de se adaptar à nova realidade».

debate de hoje sobre a situação no Médio Oriente, durante uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27, ocorreu um dia depois de um encontro extraordinário convocado pela presidência Tcheca da UE para debater com os chefes de diplomacia do Egipto, Turquia, Jordânia e Autoridade Palestina a consolidação do cessar-fogo na Faixa de Gaza.
Na passada quarta-feira, já se havia realizado idêntico encontro dos chefes de diplomacia dos 27 com a sua homóloga israelita, Tzipi Livni.

Nesse mesmo dia, o exército israelense retirou os últimos soldados na faixa de Gaza, após 22 dias de ofensiva dirigida contra o movimento islâmico Hamas, que tomou o controlo do território palestiniano em Junho de 2007.

A ofensiva causou a morte de mais de 1.300 palestinos e enormes estragos.

Diário Digital / Lusa

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Premiê turco fica furioso e abandona debate sobre Gaza em Davos

Recep Tayyip Erdogan ficou furioso por ter sido impedido de falar.
Ele queria responder a uma longa intervenção do presidente israelense.

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, ficou furioso e abandonou de repente um debate sobre o conflito de Gaza realizado durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, por ter sido impedido de falar depois de uma longa intervenção do presidente israelense Shimon Peres.

Foto: AP
Recep Tayyip Erdogan abandonou o debate sobre o conflito de Gaza realizado durante o Fórum Econômico Mundial de Davos (Foto: AP)

"Não acho que voltarei a Davos", declarou Erdogan, muito irritado, ao deixar o palanque, onde também estavam o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o secretário da Liga Árabe, Amr Mussa.


O premiê turco desejava responder a uma longa intervenção de Peres, mas o jornalista que animava o debate o interrompeu insistentemente para assinalar que o debate estava encerrado.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

BBC defende recusa em divulgar pedido de ajuda às vítimas de Gaza

LONDRES (AFP) — A emissora de rádio e televisão britânica BBC defendeu nesta segunda-feira a decisão de não divulgar um pedido de doação para ajudar as vítimas do conflito em Gaza, o que provocou protestos de organizações humanitárias, líderes políticos e religiosos, além de estrelas do próprio canal.

A empresa pública alegou que a controversa decisão de não difundir o pedido de ajuda às vítimas do conflito em Gaza, que foi imitada nesta segunda-feira pelo canal de notícias Skynews, tem por objetivo manter sua "imparcialidade".

"Defendemos com paixão a imparcialidade da BBC", afirmou nesta segunda-feira o diretor geral da emissora, Mark Thompson, que se mostrou inflexível mesmo diante da tempestade de protestos provocada pela recusa em divulgar um pedido de doações para a compra de medicamentos e comida aos habitantes de Gaza.

Nesta segunda-feira, atores famosos de programas da BBC, entre eles Samantha Morton, indicada duas vezes ao Oscar, ameaçaram nunca mais voltar a trabalhar para a empresa.
Um dos mais conhecidos jornalistas britânicos, John Humprey, apresentador do programa BBC Radio 4, afirmou que a decisão da diretoria da emissora era "um pouco hipócrita".

Mas Thompson parece irredutível. "Nossa decisão está absolutamente em acordo com o enfoque da corporação para a imparcialidade", insistiu.

"Queremos cobrir a história humanitária, queremos cobrir em nossos programas de notícias, onde possamos situá-la no contexto, de maneira equilibrada, objetiva", ressaltou.
"Não se trata de ser ou não imparcial, e sim de mostrar-se humano", respondeu o arcebispo de York, John Sentamu.

Thompson negou que a decisão tenha sido motivada pelo fato da BBC ter sido acusada no passado por Israel de apresentar um viés pró-palestino no noticiário.
"Mas nos preocupamos que seja possível opinar como se nós apoiássemos algo, que pudesse dar a impressão de que tomamos partido", admitiu.

No fim de semana, centenas de pessoas protestaram nas ruas de Londres contra a recusa da BBC a difundir o pedido do Comitê de Urgência para as Catástrofes, que reúne várias organizações não governamentais, entre elas a Cruz Vermelha britânica e a Oxfam.

"A BBC é um vergonha", gritaram os manifestantes. O ministro do Desenvolvimento Internacional britânico, Douglas Alexander, enviou uma carta aos principais canais de televisão com pedidos de que exibissem o pedido das ONGs.

"Depois de consultar os editores, chegamos à conclusão que difundir este pedido, independente da forma, poderia colocar em dúvida a confiança do público na imparcialidade do conjunto da cobertura dos acontecimentos pela BBC", respondeu Mark Thompson ao ministro.

A decisão de não exibir o pedido foi tomada na semana passada de comum acordo com outras emissoras, mas os principais canais de televisão concorrentes da BBC, como a ITV ou o Channel Four, mudaram de idéia.

O Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha, que reúne associações muçulmanas, também protestou contra a decisão da BBC por considerar que é um "grave abandono de suas obrigações para com o público".

domingo, 25 de janeiro de 2009

Ministro da Justiça dirigirá defesa por "crimes de guerra"

JERUSALÉM (AFP) — O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, confiou ao ministro da Justicia a tarefa de defender o Estado de eventuais denúncias de "crimes de guerra" relacionados à recente ofensiva militar na Faixa de Gaza.

O ministro Daniel Friedman foi designado para dirigir uma equipe interministerial que coordenará a defesa jurídica de autoridades civis e militares contra eventuais demandas judiciais, em particular em tribunais internacionais.

A censura militar já tomou a dianteira ao proibir a divulgação da identidade dos comandantes de unidades que participaram na devastadora ofensiva na Faixa de Gaza, controlada pelo grupo radical islâmico Hamas, por temer que os mesmos sejam acusados de crimes de guerra.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu na terça-feira ações judiciais contra os responsáveis pelos bombardeios israelenses, "totalmente inaceitáveis" nas palavras dele, que atingiram instalações das Nações Unidas no território palestino.

Mais de 1.300 palestinos - metade deles civis - morreram nos 22 dias de ofensiva israelense na Faixa de Gaza.

Oito organizações israelenses de defesa dos direitos humanos também pediram ao procurador-geral do Estado a abertura de uma investigação sobre a ação do Exército em Gaza.

Israel afirma que o Exército tentou evitar que a população civil ficasse exposta, em condições de combate muito difíceis em zona urbana, e acusou o Hamas e outros grupos armados palestinos de operar deliberadamente em áreas habitadas

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Brasil e China comemoram cessar-fogo em Gaza e pedem respeito à ONU

Celso Amorim lançou comunicado em conjunto com chanceler chinês

Os chanceleres do Brasil, Celso Amorim, e da China, Yang Jiechi, comemoraram hoje o anúncio de cessar-fogo na Faixa de Gaza e pediram nesse sentido respeito às resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Em comunicado conjunto, após uma reunião em Brasília, o ministro das Relações Exteriores brasileiro e seu colega chinês disseram que ambos os governos acolheram positivamente o anúncio do cessar-fogo decretado pelas partes envolvidas no conflito na Faixa de Gaza. 

"Brasil e China sublinham que é fundamental o pleno cumprimento de todas as resoluções do Conselho de Segurança e o respeito da situação na Palestina, em particular, neste momento, a Resolução 1860 de 2009", diz o texto em referência ao anúncio de Israel, que ontem declarou um cessar-fogo unilateral em Gaza. 

Antes do encontro de chanceleres, Yang Jiechi foi recebido em audiência privada pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que lhe confirmou ao chanceler sua intenção de visitar nos próximos dias ao país asiático e que o líder chinês, Hu Jintao, faça o mesmo em território brasileiro este ano. 

Em reunião de trabalho, os chanceleres avaliaram positivamente o significativo desenvolvimento da relação bilateral e ressaltaram a importância da troca de visitas de alto nível para a promoção do desenvolvimento de ambos os países na Aliança Estratégica Brasil-China e outras estâncias para fortalecer o comércio. 

A discussão de um Programa de Trabalho de Longo Prazo Brasil-China, para fortalecer a cooperação em todas as instâncias, foi outra das propostas estipuladas. O consenso em torno de temas importantes das agendas regionais e internacional, especialmente a coordenação para enfrentar a crise financeira global e as negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC), também foram temas abordados pelos chanceleres. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Ban condena ataque a escola da ONU em Gaza

BEIRUTE, LÍBANO - O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, condenou hoje o "ultrajante" ataque realizado por militares israelenses em uma escola da ONU na Faixa de Gaza. Duas pessoas morreram na operação. "Outra escola da ONU foi atingida pelas forças de defesa israelenses", disse Ban durante entrevista coletiva em Beirute. Horas antes, a escola no norte de Gaza, na cidade de Beit Lahiya, foi alvo de ataques de Israel. Havia cerca de 1.600 pessoas escondidas no local.



Foram mortas uma mulher e uma criança e pelo menos dez pessoas ficaram feridas, segundo médicos. "Eu condeno nos termos mais duros esse ultrajante ataque, na terceira vez que isso ocorre", afirmou Ban. "Importantes líderes israelenses me deram garantias há dois dias, quando estava visitando Israel, que as instalações da ONU seriam totalmente respeitadas", disse o secretário-geral, pedindo investigações sobre a violência.



A campanha militar de Israel em Gaza teve início em 27 de dezembro, em resposta a ataques com foguete lançados quase diariamente pelo Hamas contra alvos no sul do território israelense. Desde então pelo menos 1.140 pessoas - metade das quais civis - foram mortas em Gaza, segundo os palestinos.



Encontro - Os presidentes francês, Nicolas Sarkozy, e o egípcio, Hosni Mubarak, comandarão um encontro internacional amanhã para discutir a crise na Faixa de Gaza, no resort egípcio de Sharm el-Sheikh, no Mar Vermelho. A informação foi confirmada hoje pelo escritório de Sarkozy.



"Sarkozy falou hoje com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, que o convidou como codiretor, dentro da iniciativa franco-egípcia, no encontro internacional que ocorrerá no domingo, 18 de janeiro, em Sharm el-Sheikh," afirmou um comunicado. O texto aponta que a chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, também estarão presentes. Após o encontro, Sarkozy se encontrará com o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, em Jerusalém. As informações são da Dow Jones.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Chanceleres da UE se reunem com Israel e Autoridade Nacional Palestina

da Efe, em Bruxelas

Os 27 ministros de Relações Exteriores da União Europeia (UE) se reunirão na quarta-feira (21) em Bruxelas com a chanceler israelense, Tzipi Livni, e, no domingo (25), com os chefes da diplomacia da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Egito, Jordânia e Turquia.

De acordo com um comunicado da presidência tcheca da UE, estes encontros darão continuidade às reuniões realizadas no domingo em Sharm el Sheikh, no Egito, e em Jerusalém.

Nos encontros, 12 líderes internacionais destacaram a necessidade de consolidar os primeiros sinais de paz que surgem a partir de Gaza.

A agenda prevista possui três pontos: avaliar a situação após o fim das atividades militares israelenses no território palestino, estudar a possibilidade de a UE aumentar os compromissos de ajuda humanitária, e analisar as condições nas quais atualmente o auxílio é oferecido, afirmaram à agência Efe fontes da Presidência tcheca.

No domingo, o ditador egípcio, Hosni Mubarak, convocou uma conferência para redobrar os esforços internacionais para alcançar a paz na faixa de Gaza e começar a programar ações em favor da reconstrução desse território.

A cúpula ocorreu um dia após Israel anunciar uma trégua unilateral em Gaza e de o movimento palestino Hamas declarar um cessar-fogo de uma semana para dar tempo às tropas israelenses para se retirar da faixa de Gaza.

Participaram da viagem para promover uma trégua duradoura em Gaza os líderes de Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero; França, Nicolas Sarkozy; Reino Unido, Gordon Brown; Alemanha, Angela Merkel; Itália, Silvio Berlusconi; e República Tcheca, Mirek Topolanek.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Resolução do Parlamento Europeu sobre a situação na Faixa de Gaza

12 de Janeiro de 2009
PE416.183
B6‑0058/2009
apresentada na sequência de declarações do Conselho Europeu e da Comissão
nos termos do n.º 2 do artigo 103.º do Regimento
por Annemie Neyts-Uyttebroeck
em nome do Grupo ALDE
sobre a situação na Faixa de Gaza

Link: http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?type=MOTION&reference=B6-2009-0058&language=PT


B6‑0058/2009

Resolução do Parlamento Europeu sobre a situação na Faixa de Gaza

O Parlamento Europeu,

– Tendo em conta as suas anteriores resoluções sobre o Médio Oriente, em particular as de 16 de Novembro de 2006 sobre a situação na Faixa de Gaza, de 12 de Julho de 2007 sobre o Médio Oriente, de 11 de Outubro de 2007 sobre a situação humanitária em Gaza e de 21 de Fevereiro de 2008 sobre a situação na Faixa de Gaza,

– Tendo em conta a Resolução n.º 1860 do Conselho de Segurança das Nações Unidas de 8 de Janeiro de 2009,

– Tendo em conta a Quarta Convenção de Genebra (1949),

– Tendo em conta a Declaração da União Europeia de 30 de Dezembro de 2008 sobre a situação no Médio Oriente,

– Tendo em conta o n.º 2 do artigo 103.º do seu Regimento,

A. Considerando que, a 27 de Dezembro, Israel lançou uma ofensiva militar em Gaza designada "Operação chumbo fundido", em resposta à retomada do lançamento de foguetes contra alvos civis, desde que o Hamas tomou o controlo da Faixa e na sequência do fim do cessar fogo,

B. Considerando que a população de Gaza sofreu um bloqueio israelita ao movimento de pessoas e bens, incluindo à maior parte dos medicamentos, dos alimentos e do combustível,

C. Considerando que, segundo os últimas informações, a operação israelita em Gaza causou até ao momento a morte de cerca de mil pessoas, incluindo centenas de mulheres e crianças e milhares de feridos, a destruição de habitações, de escolas e de outras infra-estruturas civis importantes,

D. Considerando que a politica de isolamento da Faixa de Gaza fracassou, tanto a nível político como humanitário; considerando que o embargo à faixa de Gaza representa uma punição colectiva em contravenção da legislação humanitária internacional,

E. Considerando que o considerável apoio financeiro da União Europeia aos palestinos desempenhou um papel importante para evitar a catástrofe humanitária na faixa de Gaza e na Cisjordânia; considerando que a União Europeia continua a fornecer, também através da UNWRA, assistência humanitária à população e subsídios directos aos empregados da Autoridade Palestina na faixa de Gaza através do mecanismo de financiamento da UE PEGASE e através de outras formas de assistência internacional aos Territórios Palestinos,

1. Congratula-se com a adopção pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas da Resolução n.º 1860 de 8 de Janeiro de 2009 e lamenta que até ao momento, nem Israel nem o Hamas tenham correspondido ao apelo à cessação das hostilidades feito pelas Nações Unidas; insta, portanto, Israel e o Hamas a procederem a um cessar-fogo imediato, incluindo a suspensão do lançamento de foguetes contra Israel e a retirada imediata por Israel das suas tropas de Gaza;

2. Está convicto de que não há solução militar para a crise a avisa que prolongamento da operação só pode agravar sofrimento da população civil e aprofundar a instabilidade da região;

3. Manifesta o seu choque perante o sofrimento da população civil de Gaza devido ao uso desproporcionado da força pelas forças armadas de Israel; condena, em particular, que tenham sido atingidos objectivos civis e da ONU durante os ataques e manifesta a sua simpatia pela população civil afectada pela violência em Gaza e no Sul de Israel;

4. Acredita que, por continuar a provocar Israel através do lançamento de foguetes contra alvos civis, a liderança do Hamas é também responsável pelo trágico destino da população civil de Gaza;

5. Convida o Conselho de aumentar a sua pressão a fim de deter a violência, incentiva os esforços diplomáticos empreendidos pela comunidade internacional, incluindo o Egipto e a França, e apela a uma trégua negociada que deve ser garantida por um mecanismo, a criar pela comunidade internacional, que poderia incluir o envio de uma força multinacional;

6. Apela à realização de uma conferência internacional, promovida pelo Quarteto e com a participação de todos os actores regionais, com base no acordo anterior firmado entre israelitas e palestinos e na iniciativa da Liga Árabe;

7. Exorta Israel a pôr termo à violação das suas obrigações decorrentes do direito internacional e do direito humanitário internacional e exorta o Hamas a por fim aos ataques com foguetes e a assumir as suas responsabilidades, empenhando-se num processo político com vista a restabelecer o diálogo inter-palestino e a contribuir para as negociações em curso;

8. Insta fortemente as autoridades israelitas a autorizar a entrada na Faixa de Gaza de alimentos, de ajuda médica de emergência e de combustível, abrindo o ponto de passagem e levantando o bloqueio; insta as autoridades israelitas a permitir que a imprensa internacional acompanhe os acontecimentos no terreno;

9. Concorda com a necessidade urgente de providenciar, conforme exigido pela Resolução 1860 do CSNU, modalidades e garantias em Gaza, a fim de manter um cessar-fogo durável, incluindo assegurar a reabertura durável dos pontos de passagem e prevenir o tráfico ilícito de armas e munições;

10. Exorta o Conselho e a Comissão e outros doadores internacionais, em cooperação com as Nações Unidas e as ONGs, a fornecer a ajuda apropriada, com vista à necessária gradual retoma da actividade económica de base na Faixa de Gaza e ao restabelecimento de condições de vida decentes para os palestinos, em particular os jovens;

11. Salienta que qualquer melhoria das relações políticas entre a UE e Israel deve ser subordinada ao respeito do direito humanitário internacional, a um verdadeiro empenhamento numa solução de paz global, ao fim da crise humanitária em Gaza e nos territórios ocupados, e ao respeito da plena aplicação do Acordo Provisório de Associação UE-OLP; considera que, enquanto a situação continuar tão crítica, não pode ser concedido parecer favorável;

12. Encarrega o seu Presidente de transmitir a presente resolução ao Conselho, à Comissão, ao Alto Representante para a Política Externa e de Segurança Comum, aos governos e parlamentos dos Estados-Membros, ao Secretário-Geral das Nações Unidas, ao Enviado Especial do Quarteto ao Médio Oriente, ao Presidente da Autoridade Palestina, ao Conselho Legislativo Palestino, ao governo de Israel, à Knesset, e ao governo e ao Parlamento do Egipto.


sábado, 17 de janeiro de 2009

Navio de ONG com ajuda humanitária volta a tentar chegar a Gaza

O navio Arion, do movimento pacifista Free Gaza, voltou a zarpar nesta quarta-feira (14) com uma carga de ajuda humanitária para a Faixa de Gaza do porto cipriota de Larnaca, onde, na segunda-feira, ele teve que fazer reparos devido a uma avaria sofrida pouco após partir.

Os organizadores da viagem informaram à Agência Efe que a embarcação zarpou às 10h30 (6h30 de Brasília) e deve chegar a Gaza após uma travessia de cerca de 15 horas.


Navio com ajuda humanitária, da Ong Free Gaza, parte nesta quarta-feira (14) de Chipre em direção ao território palestino atacado por Israel.

Junto com outros 21 passageiros, incluindo médicos, jornalistas e observadores de direitos humanos de vários países ocidentais, viajam no Arion parlamentares da Grécia, Bélgica, Itália e Espanha.

Segundo a Free Gaza, apesar de Israel ter ameaçado usar "qualquer meio" para evitar que o navio chegue a Gaza, seus integrantes querem entregar à população palestina as 200 caixas de alimentos, remédios e material cirúrgico solicitados pelos médicos no local e doados pela Grécia e por outros países europeus.

ONU critica ação israelense contra hospital e edifício da organização em Gaza



O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, voltou a exigir um cessar-fogo imediato na faixa de Gaza e criticou duramente os ataques do Exército israelense que atingiram um hospital, uma área de imprensa e a sede da agência de ajuda humanitária da entidade no território nesta quinta.

Os ataques entre Israel e Hamas, que já deixaram mais 1.076 palestinos mortos, completam três semanas nesta sexta-feira, desde que a Força Aérea israelense bombardeou o território palestino contra o lançamento de foguetes do Hamas. O secretário-geral da ONU expressou sua indignação com a "inaceitável" situação de Gaza e afirmou que "o número de vítimas é alto demais".


Jornalista palestino ferido em ataque a edifício de escritórios de órgãos de imprensa "Chegou o momento do fim da violência, de mudar a dinâmica em Gaza e de buscarmos de novo o diálogo de paz para uma solução de dois Estados, o único caminho para que Israel tenha uma segurança duradoura", afirmou o máximo representante da ONU.

Israel foi obrigado a se defender de ter atingido o prédio-sede da UNRWA (a agência da ONU para refugiados palestinos), onde a ONU guardava alimentos e itens de ajuda humanitária. Por causa das explosões, houve um incêndio de grandes proporções.

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, lamentou o ataque à sede da UNRWA como um "grave erro". Já o premiê de Israel, Ehud Olmert, minimizou as desculpas alegando que o ataque foi uma resposta a disparos inimigos saídos daquele local.

Metade da população de 1,5 milhão de pessoas de Gaza depende da ajuda da ONU para sobreviver. Foi pelo menos o quarto incidente envolvendo disparos israelenses e a ONU desde o início da ofensiva. No pior deles, uma escola da organização foi atingida por Israel, num ataque que deixou pelo menos 40 mortos.

Nesta quinta-feira, além de atacar o prédio da ONU, Israel também bombardeou um hospital do Crescente Vermelho --a Cruz Vermelha dos países muçulmanos-- e um complexo com os escritórios das mídias árabes e ocidentais.

Hoje, forças do Exército israelense atacaram cerca de 40 alvos na faixa de Gaza, entre eles uma mesquita usada como armazém de armamentos, uma casa de um membro do Hamas, seis postos de comandos de milicianos armados e locais de lançamentos de foguetes contra território israelense.

O Ministério da Defesa israelense ordenou desde a noite desta quinta-feira um fechamento geral das fronteiras com os territórios palestinos --Gaza e Cisjordânia, controlada pelo grupo secular Fatah-- por motivo de segurança. A medida deve durar 48 horas.

Visita pela paz

A escalada ocorreu justamente no dia em que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, visitava Israel para pedir um cessar-fogo imediato. A possibilidade de um acordo em Gaza "depende da vontade política do governo israelense", disse ele.

Ban ainda expressou esperança em que Israel atenda ao apelo do Conselho de Segurança para não haver "mais sacrifícios nem assassinatos de população civil, nem mais destruição de infraestruturas e propriedades". "Não podemos perder mais tempo. É preciso acabar com o sofrimento dos civis", declarou.

O secretário da ONU se encontrou nesta quinta com o presidente de Israel, Shimon Peres, para quem também criticou os ataques do grupo islâmico Hamas contra o país vizinho. Nesta sexta, Ban deve se encontrar, em Ramala, com o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, e com o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad.

Cessar-fogo do Hamas

A despeito dos ataques equivocados de Israel, o Exército declarou que matou ao menos um importante líder do Hamas, no que pode ser a pressão final da ofensiva antes de o país concordar com um cessar-fogo do conflito. Nesta sexta, um canal de TV palestino mostrou o corpo de Saeed Siam, o "terceiro na liderança" em Gaza.

Ele foi atingido por um ataque da artilharia israelense no bairro de Sheikh Radwan, na Cidade de Gaza. Segundo a rede de TV CNN, Siam serviu como ministro do Interior para o governo do Hamas até 2007, quando o grupo foi democraticamente eleito na região.

Mesmo com a morte de um de seus chefes, o Hamas aceitou com reservas uma proposta de cessar-fogo, mediada pelo Egito. Em Damasco (Síria), o líder exilado do Hamas, Khaled Meshaal, reiterou as demandas do grupo para uma trégua com Israel em Gaza, afirmando, que qualquer acordo deve contemplá-las.

Fontes diplomáticas afirmaram que líderes israelenses estavam estudando as condições do grupo islâmico para um trégua. Entre elas está o cessar-fogo de um ano, passível de ser renovado, a retirada do Exército de Israel de Gaza em cinco a sete dias, e a abertura imediata de todas as fronteiras do território palestino.

"Primeiro, a agressão deve parar. Segundo, as forças israelenses devem sair de Gaza (...) imediatamente, claro. Terceiro, o cerco deve ser suspenso, e quarto, queremos todas as passagens (de fronteira) reabertas, sendo a primeira delas a de Rafah (Egito)", declara Meshaal.

Israel insiste em que o Hamas deve ser impedido de traficar armas através de túneis sob a fronteira com o Egito, e deve parar de lançar foguetes contra o território israelense a partir da faixa de Gaza.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Mais de 20 palestinos morrem nas últimas horas em Gaza, incluindo 3 crianças

Gaza, 16 jan (EFE).- Três crianças estão entre mais de 20 palestinos mortos nos últimos ataques do Exército israelense na Faixa de Gaza, e com isso o número de vítimas aumentou para 1,090 mil e os feridos, para mais de 5 mil, segundo fontes de saúde palestinas.


Uma menina morreu quando a casa onde estava refugiada foi atingida pelos disparos de um tanque israelense no campo de refugiados de Jabalya, no norte da Faixa de Gaza.


Outros dois menores palestinos morreram em outro bombardeio aéreo israelense na localidade de Rafah, no sul de Gaza, no qual ficaram feridas também outras cinco crianças, disseram as fontes.


Após a primeira incursão ontem na Cidade de Gaza desde que começou a ofensiva israelense, há três semanas, forças terrestres israelenses recuaram esta manhã do subúrbio de Tel Hawa, no sul da Cidade de Gaza.


Segundo testemunhas, os soldados retrocederam a suas posições anteriores no lugar do antigo assentamento judaico de Netzarim, situado a cerca de dois quilômetros da capital de Gaza.


Após a retirada, as equipes de resgate palestinas conseguiram se aproximar a uma área severamente bombardeada ontem por fogo de artilharia e encontraram os corpos de pelo menos 20 pessoas - civis e milicianos - sob os escombros de casas, informaram fontes de saúde locais.


A área foi tomada ontem pelos tanques e tropas de infantaria israelenses, que protagonizaram intensos bombardeios e enfrentamentos com palestinos armados, o que impediu às ambulâncias de se aproximar desse bairro de Gaza.


Durante a madrugada e a manhã de hoje, moradores de Gaza continuaram ouvindo explosões esporádicas e os bombardeios de tanques e aparelhos da Força Aérea israelense em vários pontos.


O Exército israelense atacou ontem à noite cerca de 40 alvos na Faixa de Gaza, depois de ontem ter chegado ao centro urbano da capital, em um dos dias mais duros da ofensiva militar.


Entre os alvos atacados nas últimas horas, estão uma mesquita que seria usada como armazém de armamento e que escondia um túnel subterrâneo, uma casa de um membro do movimento islâmico Hamas e seis comandos de milicianos armados, informa o boletim de rotina divulgado esta manhã pelo Exército israelense.


As Forças Armadas de Israel informaram que suspendem hoje suas ações bélicas em Gaza entre 10h e 14h (6h e 9h de Brasília) para permitir a entrada de 130 veículos com mantimentos e material médico que entrarão no território através dos cruzamentos de Kerem Shalom e Karni.

Cruz Vermelha diz que é 'intolerável' atacar hospitais

Genebra, 15 jan (EFE).- Os bombardeios israelenses contra instalações médicas e humanitárias em Gaza como os ocorridos hoje são "intoleráveis" e puseram em risco as vidas de centenas de pessoas, disse hoje o presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Jakob Kellemberger.


"É inaceitável que gente ferida que está recebendo tratamento nos hospitais seja posta em risco", disse Kellemberger, que acaba de terminar uma viagem de três dias a Gaza e Israel, incluindo uma visita ao hospital Shifa da capital da faixa palestina.


O hospital Al Quds, administrado pelo Crescente Vermelho palestino na Gaza capital foi alvejado hoje por mísseis, o que pôs em risco as vidas de cerca de 100 pacientes e de pessoal médico, contou Kellemberger em comunicado.


"O hospital sofreu pelo menos um bombardeio direto hoje, e todos os pacientes tiveram que ser transferidos às pressas pelo pânico no andar térreo", disse, por sua parte, Bashar Morad, diretor dos serviços médicos de urgência do Crescente Vermelho palestina.


O segundo andar ficou em chamas imediatamente e a farmácia do hospital também sofreu danos.


Cinco veículos de bombeiros, escoltados por equipes da Cruz Vermelha, chegaram ao local e alcançaram apagar o fogo.


Nas reuniões que teve hoje com o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, e a de Relações Exteriores, Tzipi Livni, Kellemberger insistiu em que as leis internacionais humanitárias obrigam às partes a proteger os civis assim como as instalações e o pessoal médico.


Um dos armazéns de material de emergência do Crescente Vermelho palestino em Gaza foi atingido hoje por bombardeios israelenses, assim como a sede da UNRWA.


"Estes eventos são especialmente alarmantes, pois os hospitais de Gaza já estão por si sobrecarregados de feridos e o número de vítimas está crescendo", disse Kellemberger.

Gaza: Israel recusou proposta de cessar-fogo do Hamas

O Governo israelense recusou, esta manhã de sexta-feira, o cessar-fogo proposto pelo movimento radical Hamas para a Faixa de Gaza, por não aceitar algumas das condições impostas pelos palestinianos, nomeadamente, a duração da paz e a forma como deveriam decorrer os controlos fronteiriços.

Depois do Hamas ter proposto uma trégua de 12 meses no conflito, exigindo, por outro lado, a retirada total das tropas israelitas na Faixa de Gaza e o levantamento do bloqueio imposto ao enclave, fontes israelenses e ocidentais já assumiram, a coberto do anonimato, que Israel não aceita um cessar-fogo temporário, por considerar que «um limite de tempo para qualquer período de paz é um erro. Vimos isso quando a trégua anterior acabou, tudo não passou de uma desculpa para a escalada da violência».

Recorde-se que o Governo israelense lançou a atual ofensiva contra a Faixa de Gaza uma semana depois do Hamas ter anunciado que não renovaria a trégua de seis meses implementada na região.

Israel já disse que a ofensiva tem por objetivo colocar um ponto final no lançamento de foguetes, por parte do Hamas, contra território israelense.

Entretanto, o Estado hebreu também já anunciou ter enviado Amos Gilad, uma autoridade israelita de Defesa do primeiro escalão, ao Egito, para apresentar perante a mediação egípcia a posição de Israel.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

ONGs pedem fim de violência e corredor humanitário urgente

Nações Unidas (EFE).- Várias ONGs pediram hoje o imediato fim da violência contra a população civil de Gaza e exigiram a Israel a abertura urgente de um corredor humanitário para assisti-los.

"Israel fracassou em sua obrigação legal de proporcionar alimentos e remédios à população civil em Gaza", indicou hoje o responsável da Human Rights Watch (HRW) para o Oriente Médio, Sarah Leah Witson, em entrevista coletiva nas Nações Unidas.

Essa ONG criticou assim como Oxfam International, World Vision International e Care International a operação que as forças armadas israelenses iniciaram há 12 dias contra o grupo islamita Hamas em Gaza e que ocasionaram uma crise humanitária entre a população desse território que já sofria a conseqüências de 18 meses de bloqueio.

A Oxfam International disse que "enquanto os ministros de Relações Exteriores tentam aprovar uma resolução sobre a crise do Oriente Médio, dezenas de milhares de famílias seguem sob o bloqueio em Gaza e sofrem condições de vida desesperadas com muitos feridos civis em um sistema humanitário quase quebrado".

Por sua parte, o porta-voz da Oxfam em Jerusalém, Michael Buile, afirmou que "as pessoas (em Gaza) não podem ser castigada por algo que eles não podem controlar", em referência aos radicais do Hamas que deste território bombardeiam com foguetes o sudoeste de Israel.

"Bloquear 1,5 milhão de pessoas, restringir a eletricidade, cortar a água, durante 18 meses é inaceitável; 40% da população palestina sofre esse bloqueio" de Israel, acrescentou Builey.

Além disso, Oxfam qualificou essa situação de "insuportável", pois afeta fundamentalmente as crianças de Gaza, que representam 56% dos 1,41 milhões de habitantes.

Sobre o corredor humanitário proposto pelas autoridades israelenses, Oxfam considerou que seu alcance será "limitado", devido às numerosas dificuldades por motivos de segurança para o transporte de abastecimentos.

"A escuridão se apossou de Gaza, não há comida nos mercados e faltam remédios. Não há alimentos, nem água ou eletricidade", acrescentou Yazdam Al Amawi, da Care International.
Além disso, a organização Save the Children denunciou que a crítica situação de Gaza "põe em perigo a vida de cada um de suas crianças, da mesma forma que a das crianças israelenses das áreas atacadas", pelo que exigiu a ambas partes o imediato fim de suas ações violentas.

A ONG afirmou que até agora 101 crianças palestinas morreram, e que até ontem, dos 2.550 palestinos feridos, 1.134 são menores e mulheres, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo dados da agência da ONU para os refugiados palestinos no Oriente Médio (UNRWA), 91 escolas desse território estão sendo utilizadas para abrigar 40 mil refugiados

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Diretor da Cruz Vermelha avalia crise em Gaza

Ofensiva aérea e terrestre continua; número de mortos passa de 900

O presidente da Cruz Vermelha Internacional, Jakob Kellenberger, visitou a Faixa de Gaza nesta terça-feira (13), durante uma breve trégua de três horas no conflito entre Israel e militantes palestinos, para avaliar a extensão da crise humanitária no território.
Nesta manhã, Kellenberger foi até o principal hospital do território, e também se encontrou com funcionários da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.
Ainda nesta terça-feira, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, chega ao Oriente Médio para um giro que deve incluir encontros com líderes de Israel, Egito, Jordânia e Síria, além de uma reunião com o presidente palestino Mahmoud Abbas na Cisjordânia.
Ele fez um apelo para que Israel e o movimento palestino, Hamas, suspendam os combates na Faixa de Gaza imediatamente.
"Minha mensagem é simples, direta e precisa: os combates têm que parar", afirmou. "Em Gaza, as próprias bases da sociedade estão sendo destruídas: as casas das pessoas, a infra-estrutura civil, as instalações de saúde pública e escolas."

Novos ataques

O Exército de Israel disse ter atacado mais de 60 alvos em Gaza durante a noite e na manhã desta terça-feira, inclusive túneis e locais que seriam utilizados para o lançamento de foguetes pelo grupo palestino Hamas.

Em solo, tropas israelenses continuam avançando pelos subúrbios do sul e do leste da Cidade de Gaza. A região oeste da cidade foi atacada por navios israelenses.

Já o Hamas diz ter destruído dois tanques israelenses - o que Israel negou.

Funcionários dos serviços de saúde palestinos dizem que pelo menos 920 pessoas foram mortas desde o início da ofensiva, há 18 dias - cerca de 30% delas são crianças.

O grupo palestino de defesa dos direitos humanos Al-Mizan, que atua em Gaza, afirmou que mais de 90 mil pessoas deixaram suas casas para tentar fugir dos bombardeios israelenses.