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terça-feira, 10 de março de 2009

Refugees add their footballing skills to Brazil’s rich soccer scene

BRASILIA, Brazil, March 10 (UNHCR) – Ali Abu Taha has been thriving since last year becoming the first Palestinian to play for a professional football team. And it's possible that he could be soon joined by other young refugees who have also arrived in Brazil under a UNHCR-supported resettlement scheme.

The 19-year-old striker, who was born in Iraq and lived in a desert refugee camp in Jordan for months, was signed by Brazsat Football Club in the second division of the Brasilia district championship. The team now runs a programme aimed at promoting football and other sports as a local integration and protection tool for young refugees in Brazil.

Team officials say other refugees are likely to be hired, depending on the results of technical and medical exams. "This is a new pioneering activity in Brazil to foster integration. Being a very popular sport in Brazil, football it is a way for refugees to get closer to Brazilian culture," said Javier Lopez-Cifuentes, UNHCR's representative in Brazil.

Ali honed his football skills during the four years he and his family spent in Jordan's Ruweished camp after fleeing rising intimidation, threats and violence against Baghdad's once thriving Palestinian community. "We used to play for fun. We didn't have kit or shoes, only a ball," he recalled.

His life changed forever in September 2007, when he and his family were among the first group of more than 100 Palestinians to be accepted for resettlement by Brazil. They were flown to the city of Mogi das Cruzes, but Ali has sinced moved to an apartment in Brasilia which is closer to his team's ground, while his family resides in Sao Paolo state.

He trains hard with his new teammates, determined to reach the top. "I am in better physical condition and working hard, thinking of my future," Ali confided to UNHCR visitors, while adding that he was learning Portuguese. "I am [getting] much better and have made some very nice [Brazilian] friends."

The staff and management at Brazsat are delighted to have their first Palestinian and Arab player and believe he has what it takes to one day play for his new home country." "He is an example to all of us," said Alexsander Gomes, the team's technical director, who commended Ali on his physical and technical skills.

"We are very proud of him and we are also happy to be the first professional football team in Brazil with a refugee player," said João Gilberto Vaz, the president.

Back on the pitch, Ali mused on fate. "I had planned to go back to school to study law, but now I'm fulfilling a dream of being a football player in Brazil." What odds on him becoming the first Palestinian to score a goal for Brazil in the World Cup Finals in South Africa next year?


By Luiz Fernando Godinho and Valéria Graziano
in Brasilia, Brazil

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Médio Oriente: MNE pede nova abordagem da UE ao conflito

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, disse hoje em Bruxelas que a União Europeia deve lidar de forma diferente com o conflito inter-palestiniano, acompanhando «na medida do possível» a mudança que também se adivinha nos Estados Unidos.

Amado, que falava à saída de uma reunião dos chefes de diplomacia da UE, apontou que teve oportunidade de defender perante os seus homólogos a necessidade de a Europa adaptar-se ao «novo contexto» no processo de paz no Médio Oriente, «decorrente deste conflito em Gaza mas também de eleições que se irão realizar-se muito recentemente em Israel e sobretudo de uma nova abordagem que a administração norte-americana faz dos problemas do Médio Oriente».

O ministro destacou novamente a recente abertura revelada pelos Estados Unidos para dialogar com o Irã, o que, segundo, Amado representa uma grande mudança na «forma como os EUA abordam a estabilização de todo o Grande Médio-Oriente, com implicações nas relações com Hamas, Hezbolah e Síria», considerados próximos do regime de Teerã.

No mesmo sentido, observou, «ao abrir a perspectiva de diálogo com Irão», o conflito israelino-palestiniano «não será encarado de uma forma tão restritiva» pela nova administração de Washington liderada por Barack Obama «como o foi pela anterior administração», de George W. Bush.

«A observação que fiz foi à necessidade de nós acompanharmos o que são mudanças que nós podemos antever na administração norte-americana, alinharmos na medida do possível as nossas posições com as posições americanas e com as posições que o grupo árabe da região mais assumidamente vem revelando», disse.

Apontando que, além da urgência de dar resposta à questão humanitária «absolutamente inaceitável» na Faixa de Gaza, após o recente conflito, Amado disse que a outra prioridade do momento deve ser «relançar o processo político, e para isso é preciso dar apoio às iniciativas árabes e em particular à iniciativa egípcia para que haja um governo de reconciliação nacional da parte palestiniana».

«Esse governo, do nosso ponto de vista, deve ser apoiado pela UE, e esta é a mudança que acho que se deve assumir na forma como a UE tem lidado com o problema inter-palestino», disse, acrescentando que será «saudável que a UE seja capaz de se adaptar à nova realidade».

debate de hoje sobre a situação no Médio Oriente, durante uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27, ocorreu um dia depois de um encontro extraordinário convocado pela presidência Tcheca da UE para debater com os chefes de diplomacia do Egipto, Turquia, Jordânia e Autoridade Palestina a consolidação do cessar-fogo na Faixa de Gaza.
Na passada quarta-feira, já se havia realizado idêntico encontro dos chefes de diplomacia dos 27 com a sua homóloga israelita, Tzipi Livni.

Nesse mesmo dia, o exército israelense retirou os últimos soldados na faixa de Gaza, após 22 dias de ofensiva dirigida contra o movimento islâmico Hamas, que tomou o controlo do território palestiniano em Junho de 2007.

A ofensiva causou a morte de mais de 1.300 palestinos e enormes estragos.

Diário Digital / Lusa

sábado, 17 de janeiro de 2009

ONU critica ação israelense contra hospital e edifício da organização em Gaza



O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, voltou a exigir um cessar-fogo imediato na faixa de Gaza e criticou duramente os ataques do Exército israelense que atingiram um hospital, uma área de imprensa e a sede da agência de ajuda humanitária da entidade no território nesta quinta.

Os ataques entre Israel e Hamas, que já deixaram mais 1.076 palestinos mortos, completam três semanas nesta sexta-feira, desde que a Força Aérea israelense bombardeou o território palestino contra o lançamento de foguetes do Hamas. O secretário-geral da ONU expressou sua indignação com a "inaceitável" situação de Gaza e afirmou que "o número de vítimas é alto demais".


Jornalista palestino ferido em ataque a edifício de escritórios de órgãos de imprensa "Chegou o momento do fim da violência, de mudar a dinâmica em Gaza e de buscarmos de novo o diálogo de paz para uma solução de dois Estados, o único caminho para que Israel tenha uma segurança duradoura", afirmou o máximo representante da ONU.

Israel foi obrigado a se defender de ter atingido o prédio-sede da UNRWA (a agência da ONU para refugiados palestinos), onde a ONU guardava alimentos e itens de ajuda humanitária. Por causa das explosões, houve um incêndio de grandes proporções.

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, lamentou o ataque à sede da UNRWA como um "grave erro". Já o premiê de Israel, Ehud Olmert, minimizou as desculpas alegando que o ataque foi uma resposta a disparos inimigos saídos daquele local.

Metade da população de 1,5 milhão de pessoas de Gaza depende da ajuda da ONU para sobreviver. Foi pelo menos o quarto incidente envolvendo disparos israelenses e a ONU desde o início da ofensiva. No pior deles, uma escola da organização foi atingida por Israel, num ataque que deixou pelo menos 40 mortos.

Nesta quinta-feira, além de atacar o prédio da ONU, Israel também bombardeou um hospital do Crescente Vermelho --a Cruz Vermelha dos países muçulmanos-- e um complexo com os escritórios das mídias árabes e ocidentais.

Hoje, forças do Exército israelense atacaram cerca de 40 alvos na faixa de Gaza, entre eles uma mesquita usada como armazém de armamentos, uma casa de um membro do Hamas, seis postos de comandos de milicianos armados e locais de lançamentos de foguetes contra território israelense.

O Ministério da Defesa israelense ordenou desde a noite desta quinta-feira um fechamento geral das fronteiras com os territórios palestinos --Gaza e Cisjordânia, controlada pelo grupo secular Fatah-- por motivo de segurança. A medida deve durar 48 horas.

Visita pela paz

A escalada ocorreu justamente no dia em que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, visitava Israel para pedir um cessar-fogo imediato. A possibilidade de um acordo em Gaza "depende da vontade política do governo israelense", disse ele.

Ban ainda expressou esperança em que Israel atenda ao apelo do Conselho de Segurança para não haver "mais sacrifícios nem assassinatos de população civil, nem mais destruição de infraestruturas e propriedades". "Não podemos perder mais tempo. É preciso acabar com o sofrimento dos civis", declarou.

O secretário da ONU se encontrou nesta quinta com o presidente de Israel, Shimon Peres, para quem também criticou os ataques do grupo islâmico Hamas contra o país vizinho. Nesta sexta, Ban deve se encontrar, em Ramala, com o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, e com o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad.

Cessar-fogo do Hamas

A despeito dos ataques equivocados de Israel, o Exército declarou que matou ao menos um importante líder do Hamas, no que pode ser a pressão final da ofensiva antes de o país concordar com um cessar-fogo do conflito. Nesta sexta, um canal de TV palestino mostrou o corpo de Saeed Siam, o "terceiro na liderança" em Gaza.

Ele foi atingido por um ataque da artilharia israelense no bairro de Sheikh Radwan, na Cidade de Gaza. Segundo a rede de TV CNN, Siam serviu como ministro do Interior para o governo do Hamas até 2007, quando o grupo foi democraticamente eleito na região.

Mesmo com a morte de um de seus chefes, o Hamas aceitou com reservas uma proposta de cessar-fogo, mediada pelo Egito. Em Damasco (Síria), o líder exilado do Hamas, Khaled Meshaal, reiterou as demandas do grupo para uma trégua com Israel em Gaza, afirmando, que qualquer acordo deve contemplá-las.

Fontes diplomáticas afirmaram que líderes israelenses estavam estudando as condições do grupo islâmico para um trégua. Entre elas está o cessar-fogo de um ano, passível de ser renovado, a retirada do Exército de Israel de Gaza em cinco a sete dias, e a abertura imediata de todas as fronteiras do território palestino.

"Primeiro, a agressão deve parar. Segundo, as forças israelenses devem sair de Gaza (...) imediatamente, claro. Terceiro, o cerco deve ser suspenso, e quarto, queremos todas as passagens (de fronteira) reabertas, sendo a primeira delas a de Rafah (Egito)", declara Meshaal.

Israel insiste em que o Hamas deve ser impedido de traficar armas através de túneis sob a fronteira com o Egito, e deve parar de lançar foguetes contra o território israelense a partir da faixa de Gaza.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Mais de 20 palestinos morrem nas últimas horas em Gaza, incluindo 3 crianças

Gaza, 16 jan (EFE).- Três crianças estão entre mais de 20 palestinos mortos nos últimos ataques do Exército israelense na Faixa de Gaza, e com isso o número de vítimas aumentou para 1,090 mil e os feridos, para mais de 5 mil, segundo fontes de saúde palestinas.


Uma menina morreu quando a casa onde estava refugiada foi atingida pelos disparos de um tanque israelense no campo de refugiados de Jabalya, no norte da Faixa de Gaza.


Outros dois menores palestinos morreram em outro bombardeio aéreo israelense na localidade de Rafah, no sul de Gaza, no qual ficaram feridas também outras cinco crianças, disseram as fontes.


Após a primeira incursão ontem na Cidade de Gaza desde que começou a ofensiva israelense, há três semanas, forças terrestres israelenses recuaram esta manhã do subúrbio de Tel Hawa, no sul da Cidade de Gaza.


Segundo testemunhas, os soldados retrocederam a suas posições anteriores no lugar do antigo assentamento judaico de Netzarim, situado a cerca de dois quilômetros da capital de Gaza.


Após a retirada, as equipes de resgate palestinas conseguiram se aproximar a uma área severamente bombardeada ontem por fogo de artilharia e encontraram os corpos de pelo menos 20 pessoas - civis e milicianos - sob os escombros de casas, informaram fontes de saúde locais.


A área foi tomada ontem pelos tanques e tropas de infantaria israelenses, que protagonizaram intensos bombardeios e enfrentamentos com palestinos armados, o que impediu às ambulâncias de se aproximar desse bairro de Gaza.


Durante a madrugada e a manhã de hoje, moradores de Gaza continuaram ouvindo explosões esporádicas e os bombardeios de tanques e aparelhos da Força Aérea israelense em vários pontos.


O Exército israelense atacou ontem à noite cerca de 40 alvos na Faixa de Gaza, depois de ontem ter chegado ao centro urbano da capital, em um dos dias mais duros da ofensiva militar.


Entre os alvos atacados nas últimas horas, estão uma mesquita que seria usada como armazém de armamento e que escondia um túnel subterrâneo, uma casa de um membro do movimento islâmico Hamas e seis comandos de milicianos armados, informa o boletim de rotina divulgado esta manhã pelo Exército israelense.


As Forças Armadas de Israel informaram que suspendem hoje suas ações bélicas em Gaza entre 10h e 14h (6h e 9h de Brasília) para permitir a entrada de 130 veículos com mantimentos e material médico que entrarão no território através dos cruzamentos de Kerem Shalom e Karni.

Gaza: Israel recusou proposta de cessar-fogo do Hamas

O Governo israelense recusou, esta manhã de sexta-feira, o cessar-fogo proposto pelo movimento radical Hamas para a Faixa de Gaza, por não aceitar algumas das condições impostas pelos palestinianos, nomeadamente, a duração da paz e a forma como deveriam decorrer os controlos fronteiriços.

Depois do Hamas ter proposto uma trégua de 12 meses no conflito, exigindo, por outro lado, a retirada total das tropas israelitas na Faixa de Gaza e o levantamento do bloqueio imposto ao enclave, fontes israelenses e ocidentais já assumiram, a coberto do anonimato, que Israel não aceita um cessar-fogo temporário, por considerar que «um limite de tempo para qualquer período de paz é um erro. Vimos isso quando a trégua anterior acabou, tudo não passou de uma desculpa para a escalada da violência».

Recorde-se que o Governo israelense lançou a atual ofensiva contra a Faixa de Gaza uma semana depois do Hamas ter anunciado que não renovaria a trégua de seis meses implementada na região.

Israel já disse que a ofensiva tem por objetivo colocar um ponto final no lançamento de foguetes, por parte do Hamas, contra território israelense.

Entretanto, o Estado hebreu também já anunciou ter enviado Amos Gilad, uma autoridade israelita de Defesa do primeiro escalão, ao Egito, para apresentar perante a mediação egípcia a posição de Israel.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

ONU aprova resolução que pede cessar-fogo imediato em Gaza

Documento fala em retirada das tropas israelenses do território. Texto teve 14 votos a favor e a abstenção dos EUA.

Do G1, com agências internacionais

O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta quinta-feira (8) uma resolução que pede cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza, a retirada das tropas israelenses e a entrada sem impedimentos de ajuda humanitária no território palestino.

O texto, aprovado por 14 votos a favor e a abstenção dos Estados Unidos, assinala "a urgência e faz um apelo ao cessar-fogo imediato, duradouro e plenamente respeitado, que leve à completa retirada das forças israelenses de Gaza."

A resolução "condena todo ato de violência e hostilidade dirigido contra civis e todo ato de terrorismo", sem citar diretamente os disparos de foguetes do grupo radical palestino Hamas contra Israel.

O documento defende ainda uma paz baseada na visão de uma região onde dois estados democráticos, Israel e Palestina, convivam em paz, com fronteiras seguras e reconhecidas.

Desde o início da ofensiva israelense em 27 dezembro, 763 pessoas morreram do lado palestino e 12 em Israel. Os feridos ultrapassam 3.100.

ONU suspende ajuda

A agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA) anunciou nesta quinta-feira (8) que vai suspender todas as suas operações na Faixa de Gaza por conta do "risco" causado pela presença de tropas no território palestino sob ataque.

Um ataque de um tanque israelense nesta quinta matou dois motoristas palestinos de um comboio de ajuda humanitário coordenado pela agência, segundo o porta-voz da entidade em Gaza, Adnan Abu Hasna. Ele não disse quanto tempo a suspensão vai durar.

Foto: AFP
Israelense fotografa pedaço de foguete lançado de território libanês que atingiu nesta quinta-feira (8) a cidade israelense de Nahariya. (Foto: AFP)

Richard Miron, porta-voz da ONU, disse que o Exército de Israel havia sido notificado sobre a passagem do comboio, atingido próximo à passagem de Erez, no norte de Gaza. Segundo Hasna, os caminhões estavam identificados pelo símbolo da ONU.

Depois do incidente, todos os comboios da agência pelas passagens de Erez e Kerem Shalon foram suspensos.

O Exército de Israel disse que está investigando o caso.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou os ataques, segundo seu porta-voz.

A Faixa de Gaza teve, pelo segundo dia consecutivo, um cessar-fogo de três horas para que a população civil possa obter mantimentos. A trégua ocorreu novamente entre 13h e 16h (9h e 12h de Brasília), disse Peter Lerner, porta-voz do Exército israelense para a coordenação com os territórios palestinos, que disse que a medida tem por objetivo "permitir que a população se abasteça de artigos essenciais".

A situação humanitária é grave no 13º dia da ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza. Segundo o médico Muawaiya Hassanein, foi possível recuperar vários cadáveres em escombros de prédios e em campos de batalha durante os períodos de cessar-fogo temporário. Apenas em um campo de batalha, 35 corpos foram achados, segundo ele.

O Departamento de Estado dos EUA pediu que Israel amplie o acesso da ajuda, qualificando de "desesperada" a situação humanitária no território.


Foto: Arte/G1
Bombardeios de Israel e dos palestinos nesta quinta-feira (8) (Foto: Arte/G1)


Foguetes disparados a partir do território libanês atingiram o norte de Israel na manhã desta quinta, deixando duas pessoas feridas. Israel revidou ao ataque com um bombardeio na área de origem dos ataques. O ataque despertou temores de que um "segundo front" abra-se no conflito.

Três horas depois do ataque, houve o anúncio de novos disparos, mas foi um "alarme falso". O alarme antiaéreo no norte de Israel teria sido disparado pelo estrondo de um avião ultrapassando a barreira do som, segundo o Exército. O incidente ocorreu por volta das 11h locais (7h de Brasília). O exército do Líbano confirmou a versão.

Ainda não foi confirmado quem lançou os foguetes, mas representantes do movimento islâmico palestino Hamas no Líbano negaram responsabilidade, e a milícia xiita libanesa do Hezbollah disse ao governo libanês que não está envolvida.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Israel anuncia que vai convocar 6,5 mil reservistas para ação militar em Gaza

Número de mortos pelos bombardeios a alvos do Hamas passa de 270. Ataques seguem neste domingo, e Israel concentra tropas na fronteira.

Israel vai mobilizar 6.500 reservistas do Exército para participar dos ataques contra a Faixa de Gaza, iniciados no sábado, informou neste domingo (28) o gabinete do premiê Ehud Olmert.

A decisão é mais um indício de que a ofensiva israelense ao território palestino, controlado pelo movimento islâmico Hamas, deve se ampliar e também que ela pode incluir o uso de forças terrestres, que já começam a se concentram em pontos da fronteira entre Israel e Gaza.

Foto: AFP

Palestino caminha neste domingo (28) entre destroços de prédio destruído pelo bombardeio de Israel na Cidade de Gaza. (Foto: AFP)


Já atinge 270 o número de mortos nos bombardeios a alvos militares do movimento islâmico em Gaza, informaram neste domingo os serviços de emergência palestinos. É o mais intenso ataque de Israel a alvos palestinos pelo menos desde a Primeira Intifada, em 1987.

Foto: Arte G1

Foto: Arte G1

Mapa da Faixa de Gaza localiza cidades alvejadas nos ataques deste sábado (27). (Foto: Arte G1)

O número de feridos passa de 750, 120 deles em estado grave, segundo o médico Muawiya Hassanein, responsável pelos serviços de emergência no território.

Em represália ao ataque israelense, o Hamas voltou a lançar foguetes contra Israel no sábado. Uma civil israelense morreu e quatro pessoas ficaram feridas em uma casa atingida em cheio na cidade de Netivot.

Novos bombardeios

O Hamas e testemunhas relataram novos ataques aéreos israelenses a Gaza neste domingo. Teriam sido atacadas a Cidade de Gaza, o campo de refugiados de Jabaliyah, e o norte e o sul do território, nas cidades de Khan Yunes e Rafah. Israel não confirmou oficialmente os ataques.


Um dos ataques teria ferido 10 policiais do Hamas. Outra ação teve como alvo o edifício do "conselho de ministros" do Hamas em Gaza. As ruas da cidade de Gaza estavam praticamente desertas, com lojas e escolas fechadas em sinal de luto.

Israel também começou a concentrar tanques e tropas na fronteira com a Faixa de Gaza, segundo fotógrafos da France Presse.

Na fronteira norte, próximo à passagem de Erez, havia ao menos 16 tanques, e outros chegavam, transportados por caminhões militares. Vários veículos de transporte de tropas também estavam estacionados na região.

ONU pede fim dos ataques

Também neste domingo, o Conselho de Segurança da ONU pediu o fim imediato de todas as atividades militares na Faixa de Gaza e apelou para que todos levem em conta a crise humanitária no território de 1,5 milhão de habitantes.

O embaixador da Croácia na ONU, Neven Jurica, leu um comunicado em nome dos 15 integrantes do conselho, no qual pede "o cessar imediato de toda violência" e a interrupção imediata de todas as atividades militares.

O texto não menciona explicitamente Israel nem o Hamas.

Antes da reunião em caráter de urgência, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou em comunicado que estava "profundamente alarmado" pela "dura violência e o derramamento de sangue em Gaza, assim como pela violência no sul de Israel".

Ele pediu o "fim imediato da violência" e, embora tenha reconhecido as preocupações em matéria de segurança de Israel "pelo contínuo lançamento de foguetes de Gaza", reiterou a obrigação desse país de "respeitar os direitos humanos e o direito humanitário internacional".

Ban assegurou que entraria em contato imediato com líderes regionais e internacionais, incluindo os membros do quarteto de mediadores internacionais para o Oriente Médio (ONU, Estados Unidos, União Européia e Rússia), "em um esforço para dar fim à violência".

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse neste domingo que o Hamas poderia ter impedido o ataque israelense a Gaza. "Nós falamos com eles e pedimos que não terminassem a trégua, para que pudéssemos ter evitado o que aconteceu", disse ele no Cairo.

Abbas referia-se à trégua de seis meses no território, patricinada pelo governo egípcio, e que foi rompida unilateralmente pelo Hamas no último dia 19. O fim da trégua provocou uma escalada de violência na região, com militantes palestinos lançando ataques contra território israelense. Isso levou o governo de Israel aos ataques do sábado, após alguns dias de ameaças.

O premiê de Israel, Ehud Olmert, disse neste domingo que seu governo vai agir com "sensatez, paciência e firmeza" até "alcançar os resultados desejados" na ofensiva militar. A declaração foi feita durante a reunião semanal com o conselho de ministros.

Os ministros de Relações Exteriores dos países árabes devem se reunir na próxima quarta-feira no Cairo a fim de analisar os ataques, informou o secretário-geral da Liga Árabe, Amre Moussa. Na reunião, será buscada uma posição de consenso no caso.

O chanceler do Egito, Ahmed Abul Gheit, disse que está tentando obter um novo cessar-fogo entre as partes que possa ser transformado em uma trégua.

O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, pediu à sua colega de Israel, Tzipi Livni, que "detenha urgentemente" a operação militar em Gaza, informou a chancelaria russa em comunicado.


Como foram os ataques de sábado

A Força Aérea de Israel lançou um ataque aéreo com aviões e helicópteros contra alvos do movimento islâmico Hamas em toda a Faixa de Gaza às 11h30 locais (7h30 de Brasília) do sábado. Foi o maior ataque israelense a forças palestinas desde março deste ano.

Mais de 270 pessoas morreram vítimas do ataque na Cidade de Gaza e em outras cidades e campos de refugiados, principalmente no norte do território. Os hospitais confirmam mortes na Cidade de Gaza e também em Khan Younis e Rafah, no sul do território. Muitos civis e crianças estão entre as vítimas, e os hospitais estão lotados, segundo testemunhas.

O ministério israelense da Defesa confirmou o ataque, informou que não houve baixas israelenses e disse que mais ações militares contra alvos do Hamas serão tomadas se for julgado necessário para interromper os ataques com mísseis a Israel, feitos por militantes do Hamas a partir da Faixa de Gaza.

A aviação israelense atacou 230 objetivos do Hamas, informou o Exército de Israel no domingo. Segundo o porta-voz, os alvos foram infra-estruturas militares do movimento islâmico como edifícios, arsenais e zonas de lançamento de foguetes.

O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, disse que a operação israelense no território vai ser ampliada e expandida. "Não vai ser fácil e não vai ser curto", disse Barak. "Há tempo para a calma e tempo para a luta, e agora chegou a hora de lutar."

Hamas, Jihad Islâmica e outros grupos islâmicos prometeram "vingança". O Hamas pediu a seus integrantes que "vinguem pela força" a agressão de Israel, segundo comunicado difundido por rádio.

"Todos os combatentes estão autorizados a responder à matança israelense", disse um comunicado divulgado pela Jihad Islâmica.

As declarações levaram Israel a deixar a polícia em estado de alerta em todo o território do país.

Ainda no sábado, o governo do Egito abriu a passagem de Rafah, na fronteira com Gaza, para permitir a entrada de ajuda humanitária e a saída de feridos pelo bombardeio. No domingo, o ministro egípcio de Relações Exteriores acusou o Hamas de estar impedindo a evacuação de feridos.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Hamas liberta 17 membros do Fatah em Gaza

GAZA (AFP) - O Movimento de Resistência Islâmica palestino (Hamas), que controla Gaza, libertou nesta quinta-feira 17 membros do partido rival Fatah, do presidente palestino, Mahmud Abbas, por ordem do chefe do governo islamita Ismail Haniye.
Os 17 homens, todos dirigentes do Fatah, deixaram Saraya, a principal prisão de Gaza.
Haniye anunciou a libertação de presos políticos num gesto de boa vontade antes de um diálogo de reconciliaçao interpalestino previsto no Egito para 9 de novembro.
O Hamas se apoderou do poder em Gaza em junho de 2007 expulsando as forças do partido Fatah do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.