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terça-feira, 8 de junho de 2010

Iara Lee e Giora Balash: dois brasileiros

por Marcos Guterman

Seção: América Latina

Oriente Médio

05.junho.2010 18:52:20

A cineasta Iara Lee, única brasileira a bordo da “Flotilha da Liberdade”, descreveu sua experiência durante a abordagem da Marinha israelense, em texto publicado pela Folha. Sem ter visto o confronto, ela fez suas deduções como se a tudo tivesse testemunhado. “Ouvi tiros e temi pela vida dos meus companheiros de viagem. Mais tarde vi os corpos sendo carregados para dentro. Podia esperar que os soldados atirassem para o ar, ou nas pernas das pessoas, mas em vez disso vi que tinham atirado para matar.”

A frase mostra que ela não viu os soldados atirando, apenas ouviu. Em seguida, viu os corpos de seus “companheiros” sendo carregados. Isso foi o suficiente para que ela denunciasse, com a firmeza de quem assistiu a tudo: “Vi que (os soldados) tinham atirado para matar”. O problema é que Iara Lee não viu nada, como ela mesma admite. Não viu, por exemplo, soldados israelenses sendo espancados e esfaqueados. Ela apenas ouviu tiros e tirou suas conclusões, contaminadas por sua militância. A equação, para ela, era simples: soldados israelenses + tiros + corpos de pacifistas desarmados = massacre premeditado.

Como cineasta, ofício em que a imagem é tudo, Iara Lee deveria saber bem a diferença entre ver e não ver alguma coisa. Para ela, porém, parece que basta acreditar em algo para que isso se torne verdade. Resta só o trabalho de recolher “evidências” para fundamentar a crença.

De todo modo, pelo menos Iara Lee sobreviveu para contar o que acha que viu. Deu mais sorte que outro brasileiro, Giora Balash, assassinado pelo Hamas num atentado a bomba numa pizzaria em Jerusalém, em 2001. Balash não sobreviveu para contar o que efetivamente viu: a cara do terror.

domingo, 6 de junho de 2010

Israel reitera bloqueio a Gaza e desvia navio de ajuda

AE-AP - Agência Estado

Israel reiterou o bloqueio do acesso à Faixa de Gaza ao interceptar neste sábado outro navio de ajuda e desviá-lo para o porto de Ashdod. A ação durou poucos minutos e transcorreu sem violência. Os 11 passageiros e oito membros da tripulação serão deportados. Entre eles, Mairead Corrigan, que ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1976, e o ex-coordenador de ajuda humanitária das Nações Unidas no Iraque, Denis Halliday, estavam a bordo.

A operação ocorreu quase uma semana após Israel abordar agressivamente uma frota de seis embarcações, também em águas internacionais. No confronto, forças israelenses abriram fogo contra ativistas de um navio turco, matando nove deles. Um relatório preliminar da autópsia revelou que houve um total de 30 disparos. Dentre as vítimas, cinco levaram tiros na cabeça e nas costas e um foi baleado de perto, de acordo com o relatório. Israel informou que os militares agiram em defesa própria contra o que descreveu como extremistas islâmicos.

Contudo, o incidente causou muita indignação internacional e intensificou as exigências para que o país suspenda a obstrução que confina 1,5 milhão de palestinos a um espaço mínimo de terras.

Por enquanto, os confrontos em águas marítimas devem continuar. Os organizadores da frota interceptada hoje disseram que planejam despachar mais três embarcações nos próximos meses e que quatro capitães já se dispuseram a participar das missões. "O que Israel precisa entender é que não se consegue nada com força", disse Greta Berlin, do grupo cipriano Free Gaza, que enviou o último navio de ajuda, o "Rachel Corrie".

Israel disse que bloqueará qualquer tentativa de alcançar a Faixa de Gaza pelo mar, de modo a impedir a chegada de armamentos para os militantes do grupo islâmico Hamas. "Israel...não permitirá o estabelecimento de um porto iraniano em Gaza", afirmou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Ao mesmo tempo, o país sinalizou neste sábado que considera aliviar o bloqueio, embora as autoridades não tenham fornecido detalhes sobre o assunto. Israel e Egito fecharam as fronteiras de Gaza, depois que o Hamas tomou o território do presidente palestino, Mahmoud Abbas, três anos atrás. As informações são da Associated Press.



segunda-feira, 31 de maio de 2010

Comunidade internacional critica ataque israelense à frota humanitária

Washington, EUA, 31 Mai 2010 (AFP) -O ataque de comandos israelenses contra a frota internacional que levava ajuda humanitária ao território de Gaza - no qual morreram 19 pessoas - foi alvo de críticas de toda a comunidade internacional.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou estar chocado com o sangrento ataque israelense e pediu ao Estado hebreu que realize uma investigação a fundo sobre o fato.

"Estou chocado pelas informações de que há mortos e feridos nos barcos que levavam ajuda a Gaza", declarou Ban a imprensa em Campala, capital de Uganda, onde assiste à abertura de uma conferência sobre a Corte Penal Internacional.

"Condeno estas violências. É vital que se realize uma investigação completa", enfatizou.

Os Estados Unidos também lamentaram o ocorrido.

"Os Estados Unidos lamentam profundamente a perda de vidas humanas e o saldo de feridos, e atualmente tentam entender as circunstâncias nas quais aconteceu a tragédia", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Bill Burton, em um comunicado.

A ação violenta aconteceu na véspera de um encontro em Washington entre o presidente americano Barack Obama e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

O presidente francês Nicolas Sarkozy censurou o uso desproporcional da força contra a frota humanitária em Gaza e exigiu que esta tragédia seja esclarecida.

"Toda a luz deve ser lançada sobre as circunstâncias desta tragédia, que enfatiza a urgência de reativar o processo de paz israelense-palestino", afirmou o chefe de Estado francês.

O ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador de Israel em Paris, Daniel Shek, para pedir explicações sobre o ocorrido.

Em Londres, o ministro das Relações Exteriores, William Hague, pediu ao Estado hebreu que ponha fim às "inaceitáveis e contraproducentes restrições impostas às ajudas encaminhadas ao território palestino".

"Há uma clara necessidade de que Israel atue com moderação e de acordo com as normas internacionais", declarou.

A Turquia, por sua vez, chamou para consultas seu embaixador em Israel. O vice-primeiro-ministro turco, Bulent Arinc, confirmou que a Turquia pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU e anunciou ter ordenado também que os preparativos para as manobras militares conjuntas com Israel fossem anulados.

Já a Alemanha - país que raramente critica Israel -comentou que a letal intervenção israelense contra um comboio pró-palestino é, "à primeira vista, de caráter desproporcional", segundo o porta-voz do governo, Ulrich Wilhelm, .

"Os governos da Alemanha sempre reconheceram o direito de defesa de Israel, mas este direito deve acontecer dentro de uma resposta proporcional", disse Wilhelm em uma entrevista coletiva.

O presidente palestino Mahmud Abbas qualificou a ação de massacre e decretou três dias de luto.

"Teremos que tomar algumas decisões difíceis esta tarde", disse uma fonte do gabinete palestino, mas sem revelar quais as medidas.

A Autoridade Palestina também pediu uma reunião de urgência ao Conselho de Segurança da ONU para "debater a pirataria, o crime e o massacre israelense", nas palavras do principal negociador palestino, Saeb Erakat.

Por fim, o inimigo declarado de Israel, o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, denunciou o ataque do Exército israelense como "um ato desumano do regime sionista", informou a agência oficial Irna.

"O ato desumano do regime sionista contra o povo palestino e o fato de impedir que a ajuda humanitária destinada à população chegasse a Gaza não é um sinal de força, e sim de fragilidade deste regime", declarou Ahmadinejad.

"Tudo isto mostra que o fim deste sinistro regime fantoche está mais perto do que nunca", completou.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Massacre de Sabra e Chatila

Os libaneses adoram dizer que fazem festa mesmo durante as guerras. Nos 15 anos do conflito civil (1975-90), as pessoas tomavam sol nas praias, formavam-se nas universidades, viajavam a negócios, freqüentavam cinemas e jantavam em restaurantes que eram inaugurados ao som de bombas. Alguns episódios da guerra libanesa, porém, chocaram o mundo, que passou a prestar mais atenção neste minúsculo país mediterrâneo. O maior deles foi, sem dúvida, o massacre de Sabra e Chatila, que completa hoje 25 anos.

Nos dias 16 e 17 de setembro de 1982, milícias cristãs entraram nos campos palestinos no subúrbio de Beirute matando entre 700 e 3 mil moradores – há divergência entre o número de mortos, pois muitos corpos foram jogados em valas comuns e outros queimados. A maioria dos mortos era de palestinos, mas também havia muitos muçulmanos libaneses.

Os cristãos queriam vingar-se da morte do presidente Bashir Gemayel – aliado de Israel e morto um dia antes num atentado atribuído, na época, aos palestinos – e não tiveram piedade de quem vivia em Sabra e Chatila. Mataram mulheres grávidas, idosos e crianças. Grande parte das vítimas foi assassinada a facadas.

MATANÇA

Algumas pessoas foram cortadas em pedaços. Homens chegaram a ser decapitados. Mulheres eram estupradas na frente dos maridos. Tudo isso em campos que estavam sob o controle do Exército de Israel, que – comandado pelo então ministro da Defesa Ariel Sharon – ocupava pela primeira e única vez em sua história a capital de um país árabe.

Os militares israelenses observavam os cristãos libaneses massacrando os palestinos, mas nada fizeram para impedi-los. Os portões foram ‘abertos’ para as milícias cristãs. Os militantes da Organização de Libertação da Palestina, que faziam a segurança do campo, haviam deixado Beirute semanas antes.

ÁREAS ESQUECIDAS

Hoje, os campos não ficam à mostra dos turistas que vêm visitar Beirute. Mesmo os moradores não sabem dizer onde começa Sabra e onde termina Chatila. São duas áreas miseráveis e esquecidas atrás de um estádio de futebol na beira da estrada que liga o aeroporto ao centro de Beirute.

Diferentes de outros campos palestinos, Sabra e Chatila não são controlados pelo partido Fatah ou pelo grupo radical Hamas. Há membros dos grupos rivais lá dentro, mas para entrar não é necessário mostrar passaporte ou autorização a nenhum palestino.

Tampouco existem guardas armados com bandeiras palestinas, como ocorre nos campos de Sidon e Trípoli. Imagens de líderes libaneses são mais comuns do que as de figuras palestinas nas ruelas ainda destruídas desses campos, onde crianças amontoam-se para pegar um prato de sopa servido por ONGs.

SOBREVIVENTES

Da população atual, poucos estavam vivos quando ocorreram os massacres. Na sexta-feira, a primeira do Ramadã (mês sagrado para o Islã), o Estado visitou Sabra e Chatila e conversou com alguns dos sobreviventes.

‘O alto-falante da mesquita pediu que ficássemos quietos e nos escondêssemos, pois as milícias cristãs estavam entrando nos campos’, disse Rafiza Hatib, de quase 70 anos. Ela se escondeu na mesquita e disse que, após os ataques, juntamente com outras mulheres, teve de limpar as ruelas que ficaram sujas de sangue. No meio delas, viu várias cabeças.

Sua vizinha, Fátima Islam, viu o próprio cunhado ser decapitado. ‘Eles (o cunhado e a irmã dela) passaram a noite na minha casa e, de manhã, quando tentavam ver o que aconteceu com a casa deles, foram pegos pelas milícias que arrancaram a cabeça dele’, afirmou Rafiza. ‘Minha irmã foi levada e morta em seguida. Eu consegui fugir.’

Adnam Alidawi, que hoje é um dos representantes do Fatah no campo, tinha apenas 20 anos. Perdeu vários amigos no massacre. ‘Tive de esconder-me cada hora em um lugar diferente’, disse. ‘Eles matavam com crueldade, cortando a cabeça ou o corpo em pedaços, estuprando as mulheres. Os ataques duraram dois dias e os israelenses apenas olhavam’, afirmou.

Os simpatizantes das milícias cristãs libanesas defendem-se. Evitando comentar sobre o massacre, Fouad Abu Nader, ex-líder da Falange e sobrinho de Bashir Gemayel, lembrou ao Estado que o tio era um líder carismático que havia sido eleito presidente um dia antes de ser assassinado. ‘Ele era insubstituível para os cristãos libaneses e tinha apenas 34 anos quando foi morto.’

Há um mito segundo o qual os cristãos teriam saído mais fortalecidos da guerra civil se Gemayel estivesse vivo – ele foi sucedido na presidência do país pelo irmão mais velho, Amin, considerado bem mais fraco politicamente.

ALIANÇA COM ISRAEL

Sobre a aliança com Israel, um ex-líder de milícia cristã, que preferiu não se identificar, afirmou que era a única saída para eles. ‘Os muçulmanos podiam ter amparo de vários países árabes. E nós, cristãos, a quem poderíamos recorrer a não ser aos israelenses?’, disse o ex-miliciano, que esteve quatro vezes em Israel para treinamento durante a guerra civil, e hoje mora em Mar Elias, bairro de classe média cristã de Beirute, onde muitos prédios têm a imagem de Nossa Senhora na porta.

Em Beirute, 25 anos após Sabra e Chatila, o ódio de muitos cristãos aos palestinos ainda não diminuiu. Jovens membros das Forças Libanesas – grupo radical cristão libanês – que se encontraram com o repórter do Estado, afirmaram que os palestinos não podem, de forma nenhuma, serem integrados à sociedade libanesa porque isso acabaria com o equilíbrio entre as comunidades.

PALESTINOS

Indagados sobre o que fazer com os palestinos, eles defenderam a expulsão ou até ‘mesmo coisas piores’, que eles não quiseram detalhar. Essa visão, no entanto, é de uma minoria que ainda vive no tempo das milícias. A maior parte dos libaneses não quer a integração plena dos palestinos, mas acha que a saída está em uma negociação internacional e não na eliminação sumária, como em Sabra e Chatila.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Médio Oriente: MNE pede nova abordagem da UE ao conflito

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, disse hoje em Bruxelas que a União Europeia deve lidar de forma diferente com o conflito inter-palestiniano, acompanhando «na medida do possível» a mudança que também se adivinha nos Estados Unidos.

Amado, que falava à saída de uma reunião dos chefes de diplomacia da UE, apontou que teve oportunidade de defender perante os seus homólogos a necessidade de a Europa adaptar-se ao «novo contexto» no processo de paz no Médio Oriente, «decorrente deste conflito em Gaza mas também de eleições que se irão realizar-se muito recentemente em Israel e sobretudo de uma nova abordagem que a administração norte-americana faz dos problemas do Médio Oriente».

O ministro destacou novamente a recente abertura revelada pelos Estados Unidos para dialogar com o Irã, o que, segundo, Amado representa uma grande mudança na «forma como os EUA abordam a estabilização de todo o Grande Médio-Oriente, com implicações nas relações com Hamas, Hezbolah e Síria», considerados próximos do regime de Teerã.

No mesmo sentido, observou, «ao abrir a perspectiva de diálogo com Irão», o conflito israelino-palestiniano «não será encarado de uma forma tão restritiva» pela nova administração de Washington liderada por Barack Obama «como o foi pela anterior administração», de George W. Bush.

«A observação que fiz foi à necessidade de nós acompanharmos o que são mudanças que nós podemos antever na administração norte-americana, alinharmos na medida do possível as nossas posições com as posições americanas e com as posições que o grupo árabe da região mais assumidamente vem revelando», disse.

Apontando que, além da urgência de dar resposta à questão humanitária «absolutamente inaceitável» na Faixa de Gaza, após o recente conflito, Amado disse que a outra prioridade do momento deve ser «relançar o processo político, e para isso é preciso dar apoio às iniciativas árabes e em particular à iniciativa egípcia para que haja um governo de reconciliação nacional da parte palestiniana».

«Esse governo, do nosso ponto de vista, deve ser apoiado pela UE, e esta é a mudança que acho que se deve assumir na forma como a UE tem lidado com o problema inter-palestino», disse, acrescentando que será «saudável que a UE seja capaz de se adaptar à nova realidade».

debate de hoje sobre a situação no Médio Oriente, durante uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27, ocorreu um dia depois de um encontro extraordinário convocado pela presidência Tcheca da UE para debater com os chefes de diplomacia do Egipto, Turquia, Jordânia e Autoridade Palestina a consolidação do cessar-fogo na Faixa de Gaza.
Na passada quarta-feira, já se havia realizado idêntico encontro dos chefes de diplomacia dos 27 com a sua homóloga israelita, Tzipi Livni.

Nesse mesmo dia, o exército israelense retirou os últimos soldados na faixa de Gaza, após 22 dias de ofensiva dirigida contra o movimento islâmico Hamas, que tomou o controlo do território palestiniano em Junho de 2007.

A ofensiva causou a morte de mais de 1.300 palestinos e enormes estragos.

Diário Digital / Lusa

domingo, 25 de janeiro de 2009

Ministro da Justiça dirigirá defesa por "crimes de guerra"

JERUSALÉM (AFP) — O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, confiou ao ministro da Justicia a tarefa de defender o Estado de eventuais denúncias de "crimes de guerra" relacionados à recente ofensiva militar na Faixa de Gaza.

O ministro Daniel Friedman foi designado para dirigir uma equipe interministerial que coordenará a defesa jurídica de autoridades civis e militares contra eventuais demandas judiciais, em particular em tribunais internacionais.

A censura militar já tomou a dianteira ao proibir a divulgação da identidade dos comandantes de unidades que participaram na devastadora ofensiva na Faixa de Gaza, controlada pelo grupo radical islâmico Hamas, por temer que os mesmos sejam acusados de crimes de guerra.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu na terça-feira ações judiciais contra os responsáveis pelos bombardeios israelenses, "totalmente inaceitáveis" nas palavras dele, que atingiram instalações das Nações Unidas no território palestino.

Mais de 1.300 palestinos - metade deles civis - morreram nos 22 dias de ofensiva israelense na Faixa de Gaza.

Oito organizações israelenses de defesa dos direitos humanos também pediram ao procurador-geral do Estado a abertura de uma investigação sobre a ação do Exército em Gaza.

Israel afirma que o Exército tentou evitar que a população civil ficasse exposta, em condições de combate muito difíceis em zona urbana, e acusou o Hamas e outros grupos armados palestinos de operar deliberadamente em áreas habitadas

domingo, 18 de janeiro de 2009

Turquia diz que Israel deveria ser barrado na ONU

ANCARA - O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou hoje que Israel deveria ser barrado das Nações Unidas enquanto ignorar os pedidos da entidade para interromper a ação militar na Faixa de Gaza. Erdogan fez as declarações durante visita do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a Ancara para discutir o conflito.

"Como tal país, que não implementa as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, pode passar pelos portões da ONU?", questionou Erdogan.

Os comentários refletem o crescente descontentamento da Turquia, país mais próximo de Israel no mundo muçulmano, com a operação israelense em Gaza. Erdogan acusou Israel de atacar civis sob pretexto de atingir o grupo militante islâmico Hamas, que controla Gaza.

O presidente turco, Abdullah Gul, renovou hoje os pedidos por um imediato cessar-fogo. Gul também pediu que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, trabalhe por uma solução abrangente, duradoura e justa para a tensão entre israelenses e palestinos.

AE-AP - Agencia Estado

sábado, 17 de janeiro de 2009

ONU critica ação israelense contra hospital e edifício da organização em Gaza



O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, voltou a exigir um cessar-fogo imediato na faixa de Gaza e criticou duramente os ataques do Exército israelense que atingiram um hospital, uma área de imprensa e a sede da agência de ajuda humanitária da entidade no território nesta quinta.

Os ataques entre Israel e Hamas, que já deixaram mais 1.076 palestinos mortos, completam três semanas nesta sexta-feira, desde que a Força Aérea israelense bombardeou o território palestino contra o lançamento de foguetes do Hamas. O secretário-geral da ONU expressou sua indignação com a "inaceitável" situação de Gaza e afirmou que "o número de vítimas é alto demais".


Jornalista palestino ferido em ataque a edifício de escritórios de órgãos de imprensa "Chegou o momento do fim da violência, de mudar a dinâmica em Gaza e de buscarmos de novo o diálogo de paz para uma solução de dois Estados, o único caminho para que Israel tenha uma segurança duradoura", afirmou o máximo representante da ONU.

Israel foi obrigado a se defender de ter atingido o prédio-sede da UNRWA (a agência da ONU para refugiados palestinos), onde a ONU guardava alimentos e itens de ajuda humanitária. Por causa das explosões, houve um incêndio de grandes proporções.

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, lamentou o ataque à sede da UNRWA como um "grave erro". Já o premiê de Israel, Ehud Olmert, minimizou as desculpas alegando que o ataque foi uma resposta a disparos inimigos saídos daquele local.

Metade da população de 1,5 milhão de pessoas de Gaza depende da ajuda da ONU para sobreviver. Foi pelo menos o quarto incidente envolvendo disparos israelenses e a ONU desde o início da ofensiva. No pior deles, uma escola da organização foi atingida por Israel, num ataque que deixou pelo menos 40 mortos.

Nesta quinta-feira, além de atacar o prédio da ONU, Israel também bombardeou um hospital do Crescente Vermelho --a Cruz Vermelha dos países muçulmanos-- e um complexo com os escritórios das mídias árabes e ocidentais.

Hoje, forças do Exército israelense atacaram cerca de 40 alvos na faixa de Gaza, entre eles uma mesquita usada como armazém de armamentos, uma casa de um membro do Hamas, seis postos de comandos de milicianos armados e locais de lançamentos de foguetes contra território israelense.

O Ministério da Defesa israelense ordenou desde a noite desta quinta-feira um fechamento geral das fronteiras com os territórios palestinos --Gaza e Cisjordânia, controlada pelo grupo secular Fatah-- por motivo de segurança. A medida deve durar 48 horas.

Visita pela paz

A escalada ocorreu justamente no dia em que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, visitava Israel para pedir um cessar-fogo imediato. A possibilidade de um acordo em Gaza "depende da vontade política do governo israelense", disse ele.

Ban ainda expressou esperança em que Israel atenda ao apelo do Conselho de Segurança para não haver "mais sacrifícios nem assassinatos de população civil, nem mais destruição de infraestruturas e propriedades". "Não podemos perder mais tempo. É preciso acabar com o sofrimento dos civis", declarou.

O secretário da ONU se encontrou nesta quinta com o presidente de Israel, Shimon Peres, para quem também criticou os ataques do grupo islâmico Hamas contra o país vizinho. Nesta sexta, Ban deve se encontrar, em Ramala, com o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, e com o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad.

Cessar-fogo do Hamas

A despeito dos ataques equivocados de Israel, o Exército declarou que matou ao menos um importante líder do Hamas, no que pode ser a pressão final da ofensiva antes de o país concordar com um cessar-fogo do conflito. Nesta sexta, um canal de TV palestino mostrou o corpo de Saeed Siam, o "terceiro na liderança" em Gaza.

Ele foi atingido por um ataque da artilharia israelense no bairro de Sheikh Radwan, na Cidade de Gaza. Segundo a rede de TV CNN, Siam serviu como ministro do Interior para o governo do Hamas até 2007, quando o grupo foi democraticamente eleito na região.

Mesmo com a morte de um de seus chefes, o Hamas aceitou com reservas uma proposta de cessar-fogo, mediada pelo Egito. Em Damasco (Síria), o líder exilado do Hamas, Khaled Meshaal, reiterou as demandas do grupo para uma trégua com Israel em Gaza, afirmando, que qualquer acordo deve contemplá-las.

Fontes diplomáticas afirmaram que líderes israelenses estavam estudando as condições do grupo islâmico para um trégua. Entre elas está o cessar-fogo de um ano, passível de ser renovado, a retirada do Exército de Israel de Gaza em cinco a sete dias, e a abertura imediata de todas as fronteiras do território palestino.

"Primeiro, a agressão deve parar. Segundo, as forças israelenses devem sair de Gaza (...) imediatamente, claro. Terceiro, o cerco deve ser suspenso, e quarto, queremos todas as passagens (de fronteira) reabertas, sendo a primeira delas a de Rafah (Egito)", declara Meshaal.

Israel insiste em que o Hamas deve ser impedido de traficar armas através de túneis sob a fronteira com o Egito, e deve parar de lançar foguetes contra o território israelense a partir da faixa de Gaza.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Mais de 20 palestinos morrem nas últimas horas em Gaza, incluindo 3 crianças

Gaza, 16 jan (EFE).- Três crianças estão entre mais de 20 palestinos mortos nos últimos ataques do Exército israelense na Faixa de Gaza, e com isso o número de vítimas aumentou para 1,090 mil e os feridos, para mais de 5 mil, segundo fontes de saúde palestinas.


Uma menina morreu quando a casa onde estava refugiada foi atingida pelos disparos de um tanque israelense no campo de refugiados de Jabalya, no norte da Faixa de Gaza.


Outros dois menores palestinos morreram em outro bombardeio aéreo israelense na localidade de Rafah, no sul de Gaza, no qual ficaram feridas também outras cinco crianças, disseram as fontes.


Após a primeira incursão ontem na Cidade de Gaza desde que começou a ofensiva israelense, há três semanas, forças terrestres israelenses recuaram esta manhã do subúrbio de Tel Hawa, no sul da Cidade de Gaza.


Segundo testemunhas, os soldados retrocederam a suas posições anteriores no lugar do antigo assentamento judaico de Netzarim, situado a cerca de dois quilômetros da capital de Gaza.


Após a retirada, as equipes de resgate palestinas conseguiram se aproximar a uma área severamente bombardeada ontem por fogo de artilharia e encontraram os corpos de pelo menos 20 pessoas - civis e milicianos - sob os escombros de casas, informaram fontes de saúde locais.


A área foi tomada ontem pelos tanques e tropas de infantaria israelenses, que protagonizaram intensos bombardeios e enfrentamentos com palestinos armados, o que impediu às ambulâncias de se aproximar desse bairro de Gaza.


Durante a madrugada e a manhã de hoje, moradores de Gaza continuaram ouvindo explosões esporádicas e os bombardeios de tanques e aparelhos da Força Aérea israelense em vários pontos.


O Exército israelense atacou ontem à noite cerca de 40 alvos na Faixa de Gaza, depois de ontem ter chegado ao centro urbano da capital, em um dos dias mais duros da ofensiva militar.


Entre os alvos atacados nas últimas horas, estão uma mesquita que seria usada como armazém de armamento e que escondia um túnel subterrâneo, uma casa de um membro do movimento islâmico Hamas e seis comandos de milicianos armados, informa o boletim de rotina divulgado esta manhã pelo Exército israelense.


As Forças Armadas de Israel informaram que suspendem hoje suas ações bélicas em Gaza entre 10h e 14h (6h e 9h de Brasília) para permitir a entrada de 130 veículos com mantimentos e material médico que entrarão no território através dos cruzamentos de Kerem Shalom e Karni.

Cruz Vermelha diz que é 'intolerável' atacar hospitais

Genebra, 15 jan (EFE).- Os bombardeios israelenses contra instalações médicas e humanitárias em Gaza como os ocorridos hoje são "intoleráveis" e puseram em risco as vidas de centenas de pessoas, disse hoje o presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Jakob Kellemberger.


"É inaceitável que gente ferida que está recebendo tratamento nos hospitais seja posta em risco", disse Kellemberger, que acaba de terminar uma viagem de três dias a Gaza e Israel, incluindo uma visita ao hospital Shifa da capital da faixa palestina.


O hospital Al Quds, administrado pelo Crescente Vermelho palestino na Gaza capital foi alvejado hoje por mísseis, o que pôs em risco as vidas de cerca de 100 pacientes e de pessoal médico, contou Kellemberger em comunicado.


"O hospital sofreu pelo menos um bombardeio direto hoje, e todos os pacientes tiveram que ser transferidos às pressas pelo pânico no andar térreo", disse, por sua parte, Bashar Morad, diretor dos serviços médicos de urgência do Crescente Vermelho palestina.


O segundo andar ficou em chamas imediatamente e a farmácia do hospital também sofreu danos.


Cinco veículos de bombeiros, escoltados por equipes da Cruz Vermelha, chegaram ao local e alcançaram apagar o fogo.


Nas reuniões que teve hoje com o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, e a de Relações Exteriores, Tzipi Livni, Kellemberger insistiu em que as leis internacionais humanitárias obrigam às partes a proteger os civis assim como as instalações e o pessoal médico.


Um dos armazéns de material de emergência do Crescente Vermelho palestino em Gaza foi atingido hoje por bombardeios israelenses, assim como a sede da UNRWA.


"Estes eventos são especialmente alarmantes, pois os hospitais de Gaza já estão por si sobrecarregados de feridos e o número de vítimas está crescendo", disse Kellemberger.