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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Waltz with Bashir (crítica de cinematograficamente falando)

Muitas vezes o cinema tem necessidade de afirmar, denunciar, apontar o dedo aos culpados, mostrar horrores e testemunhar consciências, a isto chama-se filme-denúncia, que tem o intuito de exibir o que de errado se passa pelo Mundo. Claro que os tempos são diferentes do outrora e no que requer a denunciar temos a televisão, nomeadamente os telejornais que sensacionalizam os temas que mais preocupam a sociedade, mas existe algo mais vulgar que um telejornal? Claro que não, e conforme seja o destaque da noticia como é o caso dos intensivos confrontos na faixa de Gaza ou das atrocidades cometidas no Médio Oriente, um simples espectador apenas o encara como uma informação daquilo que se passa, nada mais, sem o intuitivo de comover-se ou de uma futura intervenção. Uma personagem de Joaquim Phoenix no filme de Terry George, Hotel Rwanda, citou o seguinte acerca de uma reportagem de um genocídio com o intuito de ser exibido num dito telejornal “I think if people see this footage, they'll say Oh, my God, that's horrible. And then they'll go on eating their dinners”, penso que a frase não precisa de comentários.

Ao contrário dos filmes-denúncia ainda temos os testemunhos em forma de película, relatos de vivências que na actualidade parecem ser motivo para a concepção de novas animações convencionais, Waltz with Bashir de Ari Folman é um narro na primeira pessoa em forma de documentário dos massacres ocorridos em Beirute, Líbano levada a cabo por soldados falangistas cristãos e soldados israelitas, o qual Ari Folman (realizador e protagonista) integrava. O massacre foi cometido de forma barbara, matando milhares de palestinos civis e fazendo com inúmeros jovens soldados de Israel quisesse forçosamente esquecer o sucedido. Uma das nódoas da história do século XX, contada, testemunhada por um “filho de Israel” como uma confissão se tratasse. A verdade é que não haveria melhor altura deste filme ter surgido nas nossas salas, num momento em que os conflitos ena faixa de Gaza, israelita contar palestinianos parece intensificara dia-a-dia, Waltz with Bashir tem o mérito de não escolher lados, de não encaminhar o espectador para o culpado e de não sensacionalizar o sucedido, o que o documentário misto animação consegue fazer com o espectador é lançar um «BASTA”, um apelo ao fim de um confronto que parece virar rotina nos telejornais.

Poderá assemelhar-se ao aclamado Persepolis, mas ao contrário da fita da autoria de Marjane Satrapi ser um testemunho animado aos tons de preto-e-branco no que requer a denunciar, sem nunca evitar os maniqueísmos, em Waltz with Bashir não existe tempo para julgamentos. A animação é talvez das mais vivas e artísticas do novo milénio, esquecendo um pouco do lançamento em massa dos gráficos digitais, a sua narrativa via documentaria é um dos grandes exemplos que o cinema se encontra em movimento e sempre em evolução. Com cenas animadas capazes de surpreender, algum humor negro a criar mise-en-scené incontornáveis, e uma noção histórica imaculada em que qualquer pormenor não é deixado para trás. Foi com a valsa por Bashir que se encontrou a graciosidade da esperança, essa, de um dia dois povos viverem em coexistência e não em guerra. No final fiquei comovido, nunca me senti assim desde há muitos anos atrás, pela primeira vez senti triste pelo que se está a passar no Médio Oriente, encarei o conflito com outro olhar e atitude. Foi cerca de duas horas tenebrosas, nesta “A Lista de Schindler” da animação.

PS – O Bashir do título é referente a Bashir Gemayel, um comandante das forças milícias falangistas que subiu á presidência do Líbano, mas cujo seu assassinato foi catalisador dos massacres representados no filme, o título por inteiro é a referência a uma cena da película em que exibe um soldado israelita a “enfrentar” a morte, disparando sobre o inimigo em terreno aberto, e para evitar as balas dos palestinos, movimentava-se hiperactivamente para que soa-se uma dança, por outras palavras uma valsa, Bashir deve-se ao enorme cartaz que se encontrava no momento da sequência. Para finalizar só quero dizer que começamos já o ano em grande.

O melhor – A atribuição de responsabilidades levado a cabo pela fita sem nunca recorrer ao maniqueísmo


O pior –
O fato de ser uma animação e ter sido ignorado pela grande cadeia de cinemas, irá fazer com que Waltz with Bashir não encontre o seu público merecido.


Pra quem ainda não teve tempo de ver, disponibilizamos todas as partes do documentário aqui (em inglês):
























quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Massacre de Sabra e Chatila

Os libaneses adoram dizer que fazem festa mesmo durante as guerras. Nos 15 anos do conflito civil (1975-90), as pessoas tomavam sol nas praias, formavam-se nas universidades, viajavam a negócios, freqüentavam cinemas e jantavam em restaurantes que eram inaugurados ao som de bombas. Alguns episódios da guerra libanesa, porém, chocaram o mundo, que passou a prestar mais atenção neste minúsculo país mediterrâneo. O maior deles foi, sem dúvida, o massacre de Sabra e Chatila, que completa hoje 25 anos.

Nos dias 16 e 17 de setembro de 1982, milícias cristãs entraram nos campos palestinos no subúrbio de Beirute matando entre 700 e 3 mil moradores – há divergência entre o número de mortos, pois muitos corpos foram jogados em valas comuns e outros queimados. A maioria dos mortos era de palestinos, mas também havia muitos muçulmanos libaneses.

Os cristãos queriam vingar-se da morte do presidente Bashir Gemayel – aliado de Israel e morto um dia antes num atentado atribuído, na época, aos palestinos – e não tiveram piedade de quem vivia em Sabra e Chatila. Mataram mulheres grávidas, idosos e crianças. Grande parte das vítimas foi assassinada a facadas.

MATANÇA

Algumas pessoas foram cortadas em pedaços. Homens chegaram a ser decapitados. Mulheres eram estupradas na frente dos maridos. Tudo isso em campos que estavam sob o controle do Exército de Israel, que – comandado pelo então ministro da Defesa Ariel Sharon – ocupava pela primeira e única vez em sua história a capital de um país árabe.

Os militares israelenses observavam os cristãos libaneses massacrando os palestinos, mas nada fizeram para impedi-los. Os portões foram ‘abertos’ para as milícias cristãs. Os militantes da Organização de Libertação da Palestina, que faziam a segurança do campo, haviam deixado Beirute semanas antes.

ÁREAS ESQUECIDAS

Hoje, os campos não ficam à mostra dos turistas que vêm visitar Beirute. Mesmo os moradores não sabem dizer onde começa Sabra e onde termina Chatila. São duas áreas miseráveis e esquecidas atrás de um estádio de futebol na beira da estrada que liga o aeroporto ao centro de Beirute.

Diferentes de outros campos palestinos, Sabra e Chatila não são controlados pelo partido Fatah ou pelo grupo radical Hamas. Há membros dos grupos rivais lá dentro, mas para entrar não é necessário mostrar passaporte ou autorização a nenhum palestino.

Tampouco existem guardas armados com bandeiras palestinas, como ocorre nos campos de Sidon e Trípoli. Imagens de líderes libaneses são mais comuns do que as de figuras palestinas nas ruelas ainda destruídas desses campos, onde crianças amontoam-se para pegar um prato de sopa servido por ONGs.

SOBREVIVENTES

Da população atual, poucos estavam vivos quando ocorreram os massacres. Na sexta-feira, a primeira do Ramadã (mês sagrado para o Islã), o Estado visitou Sabra e Chatila e conversou com alguns dos sobreviventes.

‘O alto-falante da mesquita pediu que ficássemos quietos e nos escondêssemos, pois as milícias cristãs estavam entrando nos campos’, disse Rafiza Hatib, de quase 70 anos. Ela se escondeu na mesquita e disse que, após os ataques, juntamente com outras mulheres, teve de limpar as ruelas que ficaram sujas de sangue. No meio delas, viu várias cabeças.

Sua vizinha, Fátima Islam, viu o próprio cunhado ser decapitado. ‘Eles (o cunhado e a irmã dela) passaram a noite na minha casa e, de manhã, quando tentavam ver o que aconteceu com a casa deles, foram pegos pelas milícias que arrancaram a cabeça dele’, afirmou Rafiza. ‘Minha irmã foi levada e morta em seguida. Eu consegui fugir.’

Adnam Alidawi, que hoje é um dos representantes do Fatah no campo, tinha apenas 20 anos. Perdeu vários amigos no massacre. ‘Tive de esconder-me cada hora em um lugar diferente’, disse. ‘Eles matavam com crueldade, cortando a cabeça ou o corpo em pedaços, estuprando as mulheres. Os ataques duraram dois dias e os israelenses apenas olhavam’, afirmou.

Os simpatizantes das milícias cristãs libanesas defendem-se. Evitando comentar sobre o massacre, Fouad Abu Nader, ex-líder da Falange e sobrinho de Bashir Gemayel, lembrou ao Estado que o tio era um líder carismático que havia sido eleito presidente um dia antes de ser assassinado. ‘Ele era insubstituível para os cristãos libaneses e tinha apenas 34 anos quando foi morto.’

Há um mito segundo o qual os cristãos teriam saído mais fortalecidos da guerra civil se Gemayel estivesse vivo – ele foi sucedido na presidência do país pelo irmão mais velho, Amin, considerado bem mais fraco politicamente.

ALIANÇA COM ISRAEL

Sobre a aliança com Israel, um ex-líder de milícia cristã, que preferiu não se identificar, afirmou que era a única saída para eles. ‘Os muçulmanos podiam ter amparo de vários países árabes. E nós, cristãos, a quem poderíamos recorrer a não ser aos israelenses?’, disse o ex-miliciano, que esteve quatro vezes em Israel para treinamento durante a guerra civil, e hoje mora em Mar Elias, bairro de classe média cristã de Beirute, onde muitos prédios têm a imagem de Nossa Senhora na porta.

Em Beirute, 25 anos após Sabra e Chatila, o ódio de muitos cristãos aos palestinos ainda não diminuiu. Jovens membros das Forças Libanesas – grupo radical cristão libanês – que se encontraram com o repórter do Estado, afirmaram que os palestinos não podem, de forma nenhuma, serem integrados à sociedade libanesa porque isso acabaria com o equilíbrio entre as comunidades.

PALESTINOS

Indagados sobre o que fazer com os palestinos, eles defenderam a expulsão ou até ‘mesmo coisas piores’, que eles não quiseram detalhar. Essa visão, no entanto, é de uma minoria que ainda vive no tempo das milícias. A maior parte dos libaneses não quer a integração plena dos palestinos, mas acha que a saída está em uma negociação internacional e não na eliminação sumária, como em Sabra e Chatila.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Entrevista com o primeiro-minsitro do Líbano

A euronews entrevista Primeiro-ministro libanês numa altura decisiva. Dentro de dias acontece em Doha, a capital do Qatar, um encontro entre os países árabes. Por outro lado, no Líbano, decorre a campanha para as eleições parlamentares de 7 de Junho, decisiva para a história libanesa mas marcada por variáveis regionais e internacionais.

euronews: Dentro de alguns dias acontece em Doha no Qatar, a cimeira árabe. Depois do apelo do Rei da Arábia Saudita Abdallah a uma reconciliação dos países árabes, pensa que é realmente possível materializar-se esta reconciliação?

Fouad Siniora, Primeiro-ministro libanês: Qualquer acção que vise fortalecer as relações entre os árabes e apartar as discórdias entre eles, é benéfica para as suas causas. Porque não podemos enfrentar os desafios em relação à questão palestiniana e ao conflito israelo-árabe com uma posição dividida: especialmente quando temos à nossa frente um governo novo de falcões que sabem que o actual governo de pombas começou duas guerras sucessivas devastadoras no Líbano e em Gaza. Pergunto-me o que acontecerá com um governo de falcões.

euronews: Como vê a posição europeia em relação ao Líbano?

PM Fouad Siniora: A União europeia preocupa-se com a sua relação com o Líbano da mesma forma que o Líbano quer manter boas relações com a Europa devido ao lugar que o país ocupa e às relações que mantemos com os europeus através do Acordo de Associação.

euronews: Assistimos a uma abertura dos europeus e dos americanos em relação à Síria, teme que o Líbano pague, de uma forma ou de outra, com esta abertura?

PM Fouad Siniora: Pensamos que esta abertura à Síria é importante e apoiamo-la. Mas, ao mesmo tempo, queremos que a nossa relação com Damasco se baseie na confiança e no respeito mútuo. Por outras palavras, queremos uma relação de igual para igual. É preciso que haja vontade real para resolver as questões que estão em suspenso, que persistem há vários anos. É por isso, que pensamos que a mudança de tom da Europa e dos E.U.A. em relação à Síria não nos perturba, muito pelo contrário.

euronews: O que pensa em relação às acusações da maioria parlamentar de que está contra a Síria e que lhe atribuem um papel no assassinato do Primeiro-ministro Rafik Hariri?

PM Fouad Siniora: Não podemos, de forma nenhuma fazer acusações gratuitas. Devemos esperar as conclusões do tribunal encarregue da investigação. Confiamos nesse tribunal e ficaremos satisfeitos com as suas conclusões e decisões.

euronews: Acredita que esse tribunal irá julgar os verdadeiros culpados?

PM Fouad Siniora: Há dois objectivos principais: o primeiro é que possamos saber, finalmente, a verdade, saber quem cometeu este crime abominável, quem foi o assassino do Primeiro-ministro Hariri. O segundo objectivo também importante: É tentar descobrir o que sucedeu. Através do tribunal internacional, firmamos uma posição partilhada por todos os libaneses que não querem que o seu país continua e a ser teatro de crimes totalmente impunes.

euronews: Há quem afirme que o tribunal encarregue do inquérito ao assassinato do Primeiro-ministro Rafik Hariri está a ser instrumentalizado, que responde a isto?

PM Fouad Siniora: Comete-se um erro grosseiro quando se acusa o tribunal de ser instrumentalizado. Penso que este tribunal vai cumprir a sua missão e o mundo inteiro supervisiona o processo. As sessões são públicas por isso ninguém pode instrumentalizar ou desviar o tribunal do objectivo a que se propõe.

euronews: Como vê a relação entre Beirute e Damasco e até que ponto a Revolução do país do Cedro pode conter a hegemonia da Síria sobre o Líbano?

PM Fouad Siniora: O Líbano é um país árabe e a Síria é um país irmão, temos que manter uma relação sã entre nós. Muito já foi alcançado, nos anos passados, e o Líbano continua a afirmar a sua soberania sem se desvincular do mundo árabe.

euronews: Sabemos que o apoio do Irão ao Líbano passa pelo Hezbollah, como vê o papel de Teerão no seu país?

PM Fouad Siniora: Os árabes devem ter uma relação de igual para igual com o Irão. Não queremos interferir nos assuntos internos do Irão e, ao mesmo tempo, não queremos que o Irão interfira nos nossos assuntos. Temos uma responsabilidade e o Irão tem uma ainda maior, a de conseguir que as nossas relações sejam entre estados e não entre um estado e uma organização. Parece-me que isso não é útil. Imagine que um país árabe tenta estabelecer uma relação com uma organização iraniana, qual será a atitude do Irão, aceitará? Penso que não.

euronews: A cimeira árabe de 2002 viu nascer a iniciativa que propõe terras pela paz. O que poderá acontecer a esta iniciativa com a chegada ao poder da direita e da extrema-direita a Israel?

PM Fouad Siniora: Esta iniciativa constitui uma aproximação vanguardista e civilizada para pôr fim à violência na região mas depende de Israel que, de qualquer maneira, nunca se mostrou muito entusiasmado com essa proposta. Até agora os governos de Israel não deram nenhum passo nesse sentido, nem as pombas nem os falcões.
É necessário que aproveitem esta ocasião para que esta iniciativa possa ganhar vida e avançar.

euronews: Em que é que a Finul contribuiu para dissuadir Israel e como vê as relações com o Hezbollah?

PM Fouad Siniora: As forças da Finul são bem-vindas ao Líbano e consideramos que têm um papel primordial na manutenção da paz e na protecção do país. E, em colaboração com o exército libanês, a Finul garante a segurança a sul do rio Litani. Da nossa parte, seguimos de perto todos os acontecimentos e queremos prestar homenagem a esta colaboração séria e construtiva entre o exército libanês e as forças da Finul.

sábado, 28 de março de 2009

Síria diz que paz com Israel só com retirada do Líbano e da Palestina

Cairo, 22 mar (EFE).- O ministro de Assuntos Exteriores da Síria, Walid al-Moualem, disse que não haverá uma paz global com Israel se as Colinas de Golã ou os territórios libaneses e palestinos não forem desocupados.

Moualem fez estas declarações numa entrevista à rede de TV "Al Jazira", exibida ontem à noite e retransmitida hoje.

"Mesmo se este Governo (israelense) disser que se retira totalmente (dos territórios sírios ocupados) e que estabelecerá a paz, diremos a ele com toda clareza que esta paz não pode ser global sem a retirada dos territórios libaneses e palestinos ocupados, e sem um Estado palestino com Jerusalém como capital", afirmou Moualem.

Israel e Síria já se enfrentaram militarmente três vezes: na guerra de 1948-49, após a fundação do Estado israelense; na dos Seis Dias, em 1967, e na do Yom Kippur, em 1973.

Durante a Guerra dos Seis Dias, Israel ocupou a Cisjordânia e Gaza (territórios palestinos), as Colinas de Golã (Síria), a Península do Sinai (Egito) e a parte oriental de Jerusalém.

"Israel sabe desde o princípio quais são os requisitos para a paz. A Síria não renunciará a uma polegada de seu território. Eles sabem disso desde 1991", acrescentou o ministro sírio.

Síria e Israel começaram a negociar um acordo de paz após a Conferência de Madri de 1991, mas os contatos foram suspensos em 2000.

Em maio do ano passado, as conversas foram retomadas, mas de forma indireta e com a mediação da Turquia. Porém, foram novamente congeladas após a ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza entre 27 de dezembro e 18 de janeiro.

Sobre as relações entre os países árabes e as tentativas de uma reconciliação, Moualem ressaltou que é preciso superar a divisão entre os que assinaram a paz com Israel (Egito e Jordânia) e os que mantêm uma postura mais dura, como a Síria e o Catar.

"É preciso respeitar as diferenças e levar em conta o lugar geográfico do país e sua particularidade política", argumentou o chanceler.

"Não se pode comparar a situação do meu país, em guerra com Israel, com a de outro Estado árabe que tem um acordo de paz com Israel", disse Moualem em alusão ao Egito, que em 1979 normalizou suas relações com o Estado judeu. EFE

sexta-feira, 27 de março de 2009

Milhares assistem a enterro de líderes da OLP assassinados no Líbano

Beirute, 25 mar (EFE).- Milhares de pessoas assistiram hoje, em Beirute, ao enterro do "número dois" da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Kamal Medhat, assassinado na segunda-feira junto com outro dirigente e dois seguranças.

Representantes de todas as facções palestinas e, entre eles, o líder máximo da OLP no Líbano, Zaki Abbas, acompanharam os quatro caixões, cobertos com a bandeira palestina.

Kamal Medhat - mão direita de Zaki Abbas no Líbano - e Akram Daher - responsável de Esportes -, além de dois seguranças, morreram na segunda-feira quando uma bomba explodiu na passagem de seu veículo, perto do campo de refugiados palestino de Mieh Mieh, nos arredores da cidade de Sidon.

Todos os grupos palestinos condenaram os assassinatos, que ocorrem enquanto acontecem as tentativas de reconciliação política entre palestinos.

A imprensa libanesa afirmou que o atentado pode ser "um acerto de contas" entre palestinos, mas alguns indicam Israel como responsável.

O jornal "As Safir" afirmou hoje - citando fontes das forças de segurança - que o atentado foi preparado no campo de refugiados de Ein el-Hilweh, o maior do Líbano e próximo ao de Mieh Mieh.

Segundo as primeiras investigações, a bomba foi colocada para explodir na passagem do carro de Medhat e foi ativada à distância, minutos depois de Zaki Abbas passar, segundo o jornal "L'Orient-Le Jour".

O movimento palestino Fatah afirmou na segunda-feira que a bomba era destinada contra Zaki Abbas, e não contra Medhat.

Tanto Abbas quanto Medhat tinham ido separadamente ao campo de Mieh Mieh apresentar suas condolências às famílias das vítimas - dois mortos e três feridos - de uma recente briga entre palestinos.

O "As Safir", citando também fontes de segurança, advertiu sobre o risco de que o acampamento de Ein el-Hilweh se transforme em um novo Nahr al-Bared - campo que foi cenário de enfrentamentos no passado. EFE

quinta-feira, 26 de março de 2009

BAN CONDEMNS LEBANON TERRORIST ATTACK

New York, Mar 23 2009 6:10PM

Secretary-General Ban Ki-moon condemned today’s terrorist attack that killed Kamal Medhat, the deputy head of the Palestine Liberation Organization in Lebanon, and several of his bodyguards.

“He hopes that the perpetrators of this crime will be brought to justice promptly,” his spokesperson said in a <"statement'>http://www.un.org/apps/sg/sgstats.asp?nid=3749">statement.

“Such actions must not be allowed to endanger the climate of calm that currently prevails in Lebanon,” the statement added.

According to media reports, a roadside bomb exploded as Mr. Medhat’s convoy was leaving a Palestinian refugee camp in southern Lebanon.

There are more than 200,000 Palestinian refugees living in 12 camps throughout Lebanon.

They are assisted by the UN Relief and Works Agency for Palestine Refugees in the Near East (<"http://www.un.org/unrwa/english.html">UNRWA), which provides education, health and relief and social services to some 4.6 million Palestinian refugees in Jordan, Lebanon, Syria, the Gaza Strip and the West Bank, including East Jerusalem.

Mar 23 2009 6:10PM

terça-feira, 3 de março de 2009

Líbano acusa Israel de violar resolução da ONU após disparos

Beirute, 3 mar (EFE).- O Exército do Líbano acusou Israel de continuar violando a resolução 1.701 do Conselho de Segurança da ONU, que colocou fim ao conflito de 2006 entre o Estado judeu e a milícia xiita libanesa do Hisbolá, depois que soldados israelenses dispararam hoje contra um muro em território libanês.

"Israel continua violando a resolução 1.701 e hoje uma das patrulhas inimigas disparou, por volta das 10h30 (5h30 de Brasília), em direção a um muro de uma aldeia fronteiriça em território libanês, a cerca de 20 metros da cerca de separação, sem vítimas", informou o Exército, em comunicado.

A nota acrescentou que foram enviados reforços ao local do incidente, um muro situado junto a um caminho na localidade libanesa, onde há investigações.

A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul) publicou outro comunicado no qual confirmou que foram "informados de um tiroteio israelense".

Imediatamente, a Finul entrou em contato com ambas as partes e enviou um grupo de investigação ao terreno.

"Agora, as patrulhas da Finul e do Exército libanês se encontram no lugar do incidente", afirma o texto. EFE

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Ban condena ataque a escola da ONU em Gaza

BEIRUTE, LÍBANO - O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, condenou hoje o "ultrajante" ataque realizado por militares israelenses em uma escola da ONU na Faixa de Gaza. Duas pessoas morreram na operação. "Outra escola da ONU foi atingida pelas forças de defesa israelenses", disse Ban durante entrevista coletiva em Beirute. Horas antes, a escola no norte de Gaza, na cidade de Beit Lahiya, foi alvo de ataques de Israel. Havia cerca de 1.600 pessoas escondidas no local.



Foram mortas uma mulher e uma criança e pelo menos dez pessoas ficaram feridas, segundo médicos. "Eu condeno nos termos mais duros esse ultrajante ataque, na terceira vez que isso ocorre", afirmou Ban. "Importantes líderes israelenses me deram garantias há dois dias, quando estava visitando Israel, que as instalações da ONU seriam totalmente respeitadas", disse o secretário-geral, pedindo investigações sobre a violência.



A campanha militar de Israel em Gaza teve início em 27 de dezembro, em resposta a ataques com foguete lançados quase diariamente pelo Hamas contra alvos no sul do território israelense. Desde então pelo menos 1.140 pessoas - metade das quais civis - foram mortas em Gaza, segundo os palestinos.



Encontro - Os presidentes francês, Nicolas Sarkozy, e o egípcio, Hosni Mubarak, comandarão um encontro internacional amanhã para discutir a crise na Faixa de Gaza, no resort egípcio de Sharm el-Sheikh, no Mar Vermelho. A informação foi confirmada hoje pelo escritório de Sarkozy.



"Sarkozy falou hoje com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, que o convidou como codiretor, dentro da iniciativa franco-egípcia, no encontro internacional que ocorrerá no domingo, 18 de janeiro, em Sharm el-Sheikh," afirmou um comunicado. O texto aponta que a chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, também estarão presentes. Após o encontro, Sarkozy se encontrará com o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, em Jerusalém. As informações são da Dow Jones.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

ONU aprova resolução que pede cessar-fogo imediato em Gaza

Documento fala em retirada das tropas israelenses do território. Texto teve 14 votos a favor e a abstenção dos EUA.

Do G1, com agências internacionais

O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta quinta-feira (8) uma resolução que pede cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza, a retirada das tropas israelenses e a entrada sem impedimentos de ajuda humanitária no território palestino.

O texto, aprovado por 14 votos a favor e a abstenção dos Estados Unidos, assinala "a urgência e faz um apelo ao cessar-fogo imediato, duradouro e plenamente respeitado, que leve à completa retirada das forças israelenses de Gaza."

A resolução "condena todo ato de violência e hostilidade dirigido contra civis e todo ato de terrorismo", sem citar diretamente os disparos de foguetes do grupo radical palestino Hamas contra Israel.

O documento defende ainda uma paz baseada na visão de uma região onde dois estados democráticos, Israel e Palestina, convivam em paz, com fronteiras seguras e reconhecidas.

Desde o início da ofensiva israelense em 27 dezembro, 763 pessoas morreram do lado palestino e 12 em Israel. Os feridos ultrapassam 3.100.

ONU suspende ajuda

A agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA) anunciou nesta quinta-feira (8) que vai suspender todas as suas operações na Faixa de Gaza por conta do "risco" causado pela presença de tropas no território palestino sob ataque.

Um ataque de um tanque israelense nesta quinta matou dois motoristas palestinos de um comboio de ajuda humanitário coordenado pela agência, segundo o porta-voz da entidade em Gaza, Adnan Abu Hasna. Ele não disse quanto tempo a suspensão vai durar.

Foto: AFP
Israelense fotografa pedaço de foguete lançado de território libanês que atingiu nesta quinta-feira (8) a cidade israelense de Nahariya. (Foto: AFP)

Richard Miron, porta-voz da ONU, disse que o Exército de Israel havia sido notificado sobre a passagem do comboio, atingido próximo à passagem de Erez, no norte de Gaza. Segundo Hasna, os caminhões estavam identificados pelo símbolo da ONU.

Depois do incidente, todos os comboios da agência pelas passagens de Erez e Kerem Shalon foram suspensos.

O Exército de Israel disse que está investigando o caso.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou os ataques, segundo seu porta-voz.

A Faixa de Gaza teve, pelo segundo dia consecutivo, um cessar-fogo de três horas para que a população civil possa obter mantimentos. A trégua ocorreu novamente entre 13h e 16h (9h e 12h de Brasília), disse Peter Lerner, porta-voz do Exército israelense para a coordenação com os territórios palestinos, que disse que a medida tem por objetivo "permitir que a população se abasteça de artigos essenciais".

A situação humanitária é grave no 13º dia da ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza. Segundo o médico Muawaiya Hassanein, foi possível recuperar vários cadáveres em escombros de prédios e em campos de batalha durante os períodos de cessar-fogo temporário. Apenas em um campo de batalha, 35 corpos foram achados, segundo ele.

O Departamento de Estado dos EUA pediu que Israel amplie o acesso da ajuda, qualificando de "desesperada" a situação humanitária no território.


Foto: Arte/G1
Bombardeios de Israel e dos palestinos nesta quinta-feira (8) (Foto: Arte/G1)


Foguetes disparados a partir do território libanês atingiram o norte de Israel na manhã desta quinta, deixando duas pessoas feridas. Israel revidou ao ataque com um bombardeio na área de origem dos ataques. O ataque despertou temores de que um "segundo front" abra-se no conflito.

Três horas depois do ataque, houve o anúncio de novos disparos, mas foi um "alarme falso". O alarme antiaéreo no norte de Israel teria sido disparado pelo estrondo de um avião ultrapassando a barreira do som, segundo o Exército. O incidente ocorreu por volta das 11h locais (7h de Brasília). O exército do Líbano confirmou a versão.

Ainda não foi confirmado quem lançou os foguetes, mas representantes do movimento islâmico palestino Hamas no Líbano negaram responsabilidade, e a milícia xiita libanesa do Hezbollah disse ao governo libanês que não está envolvida.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O Massacre de Sabra e Shatila




Sharon pode ser julgado na Bélgica quando deixar o poder

Mulher palestina protesta durante funeral em 1982

A maior corte de apelações da Bélgica decidiu que o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, pode ser julgado por crimes de guerra, mas apenas quando deixar o cargo.A decisão foi o resultado de uma apelação apresentada por um grupo de 23 palestinos que sobreviveram a um massacre no Líbano, em 1982, quando Sharon era o ministro da Defesa israelense.As mortes nos campos de refugiados de Sabra e Shatila foram provocadas por uma milícia cristã libanesa apoiada pelo governo de Israel, que ocupou o sul do Líbano na época.O governo israelense retirou o seu embaixador na Bélgica "para consultas" após o anúncio da decisão da corte de apelações.Jurisdição universalO processo contra Sharon foi aberto graças à lei de "jurisdição universal" criada na Bélgica em 1993. A legislação permite que pessoas acusadas de cometer crimes de guerra sejam julgadas, independente do local onde as infrações foram cometidas.Há alguns meses, uma corte em instância inferior havia decidido que Sharon não poderia ser julgado porque ele não estava na Bélgica.

Sharon expressou pesar por "terrível tragédia"Uma investigação israelense conclui que Sharon foi "indiretamente responsável" pelos massacres em Sabra e Shatila por falhar em evitar a morte de um número entre 800 e 2 mil refugiados.Na época, Sharon foi forçado a abandonar o cargo de ministro da Defesa, mas o atual primeiro-ministro de Israel nunca foi julgado pelos massacres.Em 2001, durante uma campanha eleitoral, Sharon expressou pesar pela "terrível tragédia" em Sabra e Shatila, mas negou qualquer responsabilidade.Além de Sharon, outras importantes figuras do cenário político internacional correm o risco de enfrentar um julgamento na Bélgica.A Justiça belga já registrou pedidos de abertura de processo contra o líder palestino Yasser Arafat, o presidente de Cuba, Fidel Castro, o presidente do Iraque, Saddam Hussein, e o presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo.