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segunda-feira, 2 de março de 2009

Rodada Doha: Entenda o impacto do fracasso das negociações

Depois de mais de uma semana de reuniões em Genebra, na Suíça, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, confirmou nesta terça-feira o fracasso das negociações para um acordo de liberalização do comércio mundial no âmbito da Rodada Doha.

A reunião em Genebra era considerada decisiva para a Rodada Doha, que foi lançada há sete anos com o objetivo de diminuir os entraves ao comércio internacional, mas estava paralisada devido a divergências sobre o nível de abertura em setores de interesse de países ricos e pobres. Entenda o que está em jogo nas discussões em Genebra e as conseqüências de um fracasso nas negociações.

Há quanto tempo as negociações da Rodada Doha vêm sendo realizadas? A Rodada Doha da OMC foi lançada em novembro de 2001, na capital do Catar, com o objetivo de obter maior liberalização do comércio mundial. Quase sete anos depois, os países envolvidos nas discussões ainda não conseguiram chegar a um acordo.

Até agora, as discussões têm esbarrado principalmente no tamanho dos cortes de subsídios à agricultura por parte dos países desenvolvidos e no quanto o comércio de serviços pode ser liberalizado. Nos últimos dias, representantes de mais de 30 países participaram das discussões em Genebra.

Quais as principais dificuldades nas negociações? Um dos pontos mais polêmicos é o quanto os países ricos aceitam remover suas barreiras a produtos agrícolas exportados pelos países pobres. Também há divergências sobre o quanto as nações em desenvolvimento aceitam abrir seus mercados para bens manufaturados e serviços.

Os países em desenvolvimento criticam o que consideram políticas protecionistas, principalmente por parte dos Estados Unidos e da União Européia. Eles querem provas concretas de que os países desenvolvidos estão dispostos a abrir seus mercados com cortes expressivos em suas tarifas de importação e nos subsídios à agricultura.

O principal problema é que o livre comércio em agricultura tem se mostrado bem mais difícil de ser negociado do que em bens manufaturados. Em que ponto estão as negociações agora?

O fracasso das negociações em Genebra foi anunciado pelo diretor-geral da OMC, Pascal Lamy. Segundo fontes diplomáticas, o principal motivo do fracasso foi a falta de consenso entre China, Índia e Estados Unidos sobre um mecanismo de salvaguarda que permitiria aos países em desenvolvimento voltar a subir tarifas frente a um aumento excessivo nas importações.

Na semana passada, as negociações pareciam estar à beira de um colapso, mas na noite de sexta-feira Lamy conseguiu uma proposta de acordo entre o Grupo dos Sete (Brasil, Índia, Estados Unidos, União Européia, Japão, China e Austrália).

A proposta prevê reduzir em 80% o limite de subsídios à agricultura e em 70% os subsídios americanos, para cerca de US$ 14,5 bilhões.

No entanto, isso não significaria que os Estados Unidos teriam de reduzir seu gasto real em subsídios aos agricultores, que totalizou US$ 9 bilhões no ano passado.

A proposta também prevê cortes nas tarifas de importação de produtos agrícolas e em bens industriais.

No entanto, países em desenvolvimento como a China e a Índia afirmam que esta proposta obriga os emergentes a oferecer condições especiais em determinados setores estratégicos, enquanto os países ricos mantêm o direito de proteger produtos agrícolas sensíveis.

Alguns países desenvolvidos, como a França, também manifestaram descontentamento com a proposta.

Qualquer acordo fechado em Genebra teria de ser aprovado por todos os 153 países-membros da OMC.

Qual o prazo final para se obter um acordo? Há uma corrida contra o relógio para se chegar a um consenso. Os envolvidos nas negociações gostariam de fechar um ajuste antes que o novo presidente americano assuma o poder, em 2009. O novo presidente dos Estados Unidos pode querer fazer mudanças na política comercial do país, e qualquer aliança sem a participação da maior economia do mundo seria bastante enfraquecido - ou mesmo inútil, segundo analistas.

Os atuais problemas na economia mundial afetam as negociações? A saúde da economia global se deteriorou desde a última reunião para discutir a Rodada Doha, com desaceleração no crescimento nos países desenvolvidos e aumentos do custo de vida. A alta mundial dos preços dos alimentos, que dobraram desde o ano passado, teve efeito maior sobre os países mais pobres, onde uma proporção maior da renda familiar é gasta em comida. Segundo analistas, isso levou a um aumento do protecionismo nos países exportadores de alimentos.

Os defensores de um acordo afirmam que ele iria ajudar a reduzir a pobreza e a criar empregos nos países em desenvolvimento, enquanto os países ricos podem se beneficiar se conseguirem exportar mais bens e serviços. Calcula-se que um acordo poderia injetar US$ 100 bilhões por ano na economia mundial.

Quais as conseqüências de um fracasso nas negociações? Um fracasso nas negociações significa o fim da Rodada Doha, já que as eleições americanas devem dominar a agenda política mundial a partir de agora. Isso enfraqueceria a realização de acordos multilaterais, já que os países negociariam acordos comerciais individuais entre si, o que colocaria os países menores em desvantagem.

Os maiores países em desenvolvimento, como Brasil e Índia, também perderiam com o fracasso nas negociações, porque precisam de mercados abertos para suas crescentes exportações. No entanto, algumas ONGs (organizações não-governamentais) afirmam que é melhor que não haja nenhum acordo do que um acordo que seja desfavorável aos países mais pobres.

Para a OMC, o fracasso em obter um acordo depois de sete anos de negociações significaria o maior revés de sua história.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Entenda os pontos polêmicos da nova Constituição da Bolívia

Os bolivianos votam no próximo domingo (25) em um referendo sobre a nova Constituição do país.

Segundo o presidente Evo Morales, a nova Carta Magna vai representar a "refundação" da Bolívia, mas a oposição alega que o texto tem passagens vagas sobre a posse de terras e pode dividir a sociedade boliviana ao estabelecer novos direitos para os povos indígenas.

Cerca de 4 milhões de eleitores devem ir às urnas para escolher entre o "sim", defendido pelo governo Morales, e o "não", apoiado pela oposição.

A BBC Brasil destacou alguns dos pontos mais polêmicos do projeto constitucional que será votado neste domingo.

Questão indígena

Mais de 80 dos 411 artigos da nova Constituição proposta pelo governo tratam da questão indígena no país.

Pelo texto, os 36 "povos originários" (aqueles que viviam na Bolívia antes da chegada dos europeus), passam a ter participação ampla efetiva em todos os níveis do poder estatal e na economia.

Se a nova Carta for aprovada, a Bolívia passará a ter uma cota para parlamentares oriundos de povos indígenas, que também passarão a ter propriedade exclusiva sobre os recursos florestais e direitos sobre a terra e os recursos hídricos de suas comunidades.

Em um de seus pontos mais polêmicos, o texto também estabelece a equivalência entre a justiça tradicional indígena e a justiça ordinária do país.

Cada comunidade indígena teria seu próprio "tribunal", com juízes eleitos entre os moradores. As decisões destes tribunais não poderiam ser revisadas pela Justiça comum.

Ao mesmo tempo, em épocas eleitorais, os representantes dos povos indígenas poderiam ser eleitos a partir das normas eleitorais de suas comunidades.

Também seria criado um Tribunal Constitucional plurinacional, que teria membros eleitos pelo sistema ordinário e pelo sistema indígena.

Membros da oposição argumentam que os direitos estabelecidos para os povos indígenas dividiriam o país ao criar duas classes distintas de cidadãos.

Terra

A questão da divisão agrária é outro ponto polêmico do texto que será votado.

Além de votarem no "sim" ou no "não" à nova Constituição, os eleitores ainda terão que decidir se querem que as propriedades rurais no país tenham limite de 5 mil hectares ou 10 mil hectares.

Assim, aqueles que, no futuro, adquirirem uma quantidade de terra maior que a aprovada, poderão perdê-la.

Depois de negociações com setores da oposição, o governo decidiu que, no entanto, a medida não será retroativa, ou seja, não afetará os atuais proprietários.

Mas há outro ponto que preocupa os fazendeiros bolivianos. O novo texto estabelece que a terra tenha uma "função social", termo considerado vago pelos oposicionistas.

Alguns acreditam que o termo vago pode permitir que o governo confisque terras quando bem entender.

Reeleição

O projeto ainda estabelece a possibilidade de o presidente concorrer a dois mandatos consecutivos, o que é proibido pela atual Constituição.

Assim, a aprovação do texto no referendo abrirá caminho para que Morales convoque novas eleições e concorra novamente ao cargo de presidente.

O texto também prevê a instituição do segundo turno em eleições. Atualmente, quando nenhum dos candidatos consegue atingir mais da metade dos votos, é o Congresso quem decide quem será o novo presidente entre os dois mais votados.

Também se estabelece a possibilidade da convocação de referendos revogatórios de mandatos.

Divisão territorial

O texto constitucional que passará pelo referendo também muda o mapa político da Bolívia.
Embora a atual Constituição do país já estabeleça níveis de descentralização política, o novo texto prevê a divisão em quatro níveis de autonomia: o departamental (equivalente aos Estados brasileiros), o regional, o municipal e o indígena.

Pelo projeto, cada uma dessas regiões autônomas poderia promover eleições diretas de seus governantes e administrar seus recursos econômicos.

A oposição alega que isto dividiria o país em 36 territórios e diminuiria as autonomias dos Departamentos (Estados).

No ano passado, quando o país esteve à beira de uma guerra civil, os principais líderes da oposição a Morales eram os prefeitos (governadores) dos Departamentos de Santa Cruz, Tarija, Chuquisaca, Beni e Pando, a regiões mais ricas do país e que poderiam ter seu poder diminuído.
Recursos naturais

Pelo projeto constitucional, os recursos naturais passam a ser "propriedade" dos bolivianos e não mais do Estado, como diz a Constituição atual.

Segundo o artigo 349 do projeto, "caberá ao Estado administrar (os recursos naturais) em função do interesse público".

O texto também estabelece que recursos como o gás não podem ser privatizados e que recursos energéticos só podem ser explorados pelo Estado.

Recursos hídricos também não poderão ser privatizados e está inclusive proibida a sua exploração por meio de concessão.

Coca

O cultivo da coca, vegetal típico da Bolívia e que pode ser usado para a produção de cocaína, recebe proteção especial no novo projeto constitucional.

O texto diz "que o Estado protege a coca originária e ancestral como patrimônio cultural, recurso natural renovável e fator de coesão social".

O projeto também estabelece que a produção, comercialização e industrialização da folha de coca serão regidas por lei.

Política externa

A Bolívia perdeu sua única saída para o mar após a chamada Guerra do Pacífico (1879-84), quando, ao lado do Peru, lutou contra o Chile.

O novo projeto constitucional, no entanto, estabelece "o direito irrenunciável e imprescritível sobre o território de acesso ao Oceano Pacífico", o que pode causar desavenças com o país vizinho.

Além disso, o texto estabelece que tratados internacionais sobre temas sensíveis sejam submetidos a referendo e proíbe a instalação de bases militares estrangeiras em seu território.

Religião

O projeto constitucional do governo Morales estabelece que o Estado seja laico e destitui o catolicismo da condição de religião oficial da Bolívia.

Mas outros artigos também preocupam a Igreja e os católicos do país.

A proposta de Constituição estabelece o "direito à vida", mas sem especificar se ele tem início desde o momento da concepção, o que, para os católicos, pode abrir uma porta para a aprovação do aborto no país.

O texto também fala em "direitos sexuais e reprodutivos", mas sem especificar a que se referem.
Isto, junto com uma definição ambígua de "família", pode, segundo os católicos, abrir caminho para o casamento entre homossexuais.

Para mais notícias, visite o site da BBC Brasil

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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

BBC defende recusa em divulgar pedido de ajuda às vítimas de Gaza

LONDRES (AFP) — A emissora de rádio e televisão britânica BBC defendeu nesta segunda-feira a decisão de não divulgar um pedido de doação para ajudar as vítimas do conflito em Gaza, o que provocou protestos de organizações humanitárias, líderes políticos e religiosos, além de estrelas do próprio canal.

A empresa pública alegou que a controversa decisão de não difundir o pedido de ajuda às vítimas do conflito em Gaza, que foi imitada nesta segunda-feira pelo canal de notícias Skynews, tem por objetivo manter sua "imparcialidade".

"Defendemos com paixão a imparcialidade da BBC", afirmou nesta segunda-feira o diretor geral da emissora, Mark Thompson, que se mostrou inflexível mesmo diante da tempestade de protestos provocada pela recusa em divulgar um pedido de doações para a compra de medicamentos e comida aos habitantes de Gaza.

Nesta segunda-feira, atores famosos de programas da BBC, entre eles Samantha Morton, indicada duas vezes ao Oscar, ameaçaram nunca mais voltar a trabalhar para a empresa.
Um dos mais conhecidos jornalistas britânicos, John Humprey, apresentador do programa BBC Radio 4, afirmou que a decisão da diretoria da emissora era "um pouco hipócrita".

Mas Thompson parece irredutível. "Nossa decisão está absolutamente em acordo com o enfoque da corporação para a imparcialidade", insistiu.

"Queremos cobrir a história humanitária, queremos cobrir em nossos programas de notícias, onde possamos situá-la no contexto, de maneira equilibrada, objetiva", ressaltou.
"Não se trata de ser ou não imparcial, e sim de mostrar-se humano", respondeu o arcebispo de York, John Sentamu.

Thompson negou que a decisão tenha sido motivada pelo fato da BBC ter sido acusada no passado por Israel de apresentar um viés pró-palestino no noticiário.
"Mas nos preocupamos que seja possível opinar como se nós apoiássemos algo, que pudesse dar a impressão de que tomamos partido", admitiu.

No fim de semana, centenas de pessoas protestaram nas ruas de Londres contra a recusa da BBC a difundir o pedido do Comitê de Urgência para as Catástrofes, que reúne várias organizações não governamentais, entre elas a Cruz Vermelha britânica e a Oxfam.

"A BBC é um vergonha", gritaram os manifestantes. O ministro do Desenvolvimento Internacional britânico, Douglas Alexander, enviou uma carta aos principais canais de televisão com pedidos de que exibissem o pedido das ONGs.

"Depois de consultar os editores, chegamos à conclusão que difundir este pedido, independente da forma, poderia colocar em dúvida a confiança do público na imparcialidade do conjunto da cobertura dos acontecimentos pela BBC", respondeu Mark Thompson ao ministro.

A decisão de não exibir o pedido foi tomada na semana passada de comum acordo com outras emissoras, mas os principais canais de televisão concorrentes da BBC, como a ITV ou o Channel Four, mudaram de idéia.

O Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha, que reúne associações muçulmanas, também protestou contra a decisão da BBC por considerar que é um "grave abandono de suas obrigações para com o público".

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Entenda o conflito em Gaza

A operação militar de Israel na Faixa de Gaza foi iniciada no dia 27 de dezembro e já deixou centenas de palestinos e mais de 10 israelenses mortos.

Israel afirma que a ofensiva tem o objetivo de impedir que militantes palestinos continuem lançando foguetes contra o território israelense.

A BBC elaborou uma série de perguntas e respostas sobre o conflito em Gaza.

Por que Israel iniciou os ataques contra a Faixa de Gaza?

Os israelenses afirmam que lançaram os ataques para impedir que grupos militantes palestinos continuem lançando foguetes contra seu território.

Israel quer que o lançamento de foguetes seja interrompido e que sejam tomadas medidas para impedir o rearmamento do Hamas, grupo que controla a Faixa de Gaza.

Para atingir esse objetivo, Israel está tentando destruir ou reduzir a capacidade de combate do Hamas e tomar controle de seus estoques de armas.

Os ataques israelenses foram iniciados em 27 de dezembro, pouco depois de o Hamas anunciar que não iria renovar um acordo de cessar-fogo que estava em vigor desde junho de 2008.

Por que o Hamas não renovou o cessar-fogo com Israel?

O acordo de cessar-fogo, que havia sido mediado pelo Egito, foi quebrado diversas vezes na prática.

Havia um círculo vicioso. O Hamas reclamava do bloqueio econômico por terra, ar e mar imposto por Israel sobre Gaza. Israel reclamava que o Hamas estava contrabandeando armas para dentro do território por meio de túneis subterrâneos na fronteira com o Egito, além de lançar foguetes contra o território israelense.

O Hamas dizia que o lançamento de foguetes é uma forma justificada de resistência e de chamar a atenção para o sofrimento população de Gaza. Israel afirmava que seu bloqueio a Gaza se justifica como forma de tentar forçar o Hamas a observar o cessar-fogo.

A tensão aumentou depois que os israelenses realizaram uma incursão no sul de Gaza, no início de novembro, para destruir túneis que, segundo eles, eram usados para contrabando de armas. Esse episódio levou a uma nova onda de foguetes lançados contra Israel pelo Hamas e, em conseqüência, a um endurecimento do bloqueio israelense em Gaza.

Como condição para renovar o cessar-fogo, encerrado após seis meses de duração, o Hamas exigia a suspensão do bloqueio israelense em Gaza.

Por que o Hamas lança foguetes contra Israel?

Hamas é uma abreviatura de Movimento de Resistência Islâmica. O grupo considera toda a Palestina histórica terra islâmica e, portanto, vê o Estado de Israel como um ocupante, apesar de ter oferecido uma "trégua" de dez anos em troca da retirada de Israel para as fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, em 1967.

O Hamas geralmente justifica suas ações contra Israel, que incluem ataques suicidas e lançamento de foguetes, como sendo uma forma legítima de resistência.

No caso particular de Gaza, o grupo argumenta que o bloqueio israelense justifica um contra-ataque com todos os meios possíveis.

Quantas vítimas os foguetes lançados pelo Hamas contra Israel já deixaram?

Desde 2001, quando os foguetes começaram a ser lançados, mais de 8,6 mil atingiram o sul de Israel, cerca de 6 mil deles disparados a partir da retirada de Israel de Gaza, em agosto de 2005.

Os foguetes já mataram 28 pessoas e feriram centenas de outras. Na cidade israelense de Sderot, perto de Gaza, 90% dos moradores dizem que já houve explosão de foguetes na rua em que vivem ou nas cercanias.

O alcance dos foguetes lançados pelo Hamas vem aumentando. O Qassam (batizado assim em homenagem a um líder palestino dos anos 1930) tem alcance de cerca de 10 Km.

No entanto, recentemente a cidade israelense de Beer Sheba, a 40 Km de Gaza, foi atingida por artefatos mais avançados, incluindo versões do antigo sistema soviético Grad, também conhecido como Katyusha, provavelmente contrabandeadas para Gaza e que colocam cerca de 800 mil israelenses em risco.

Fontes médicas palestinas dizem que mais de 700 pessoas foram mortas na Faixa de Gaza na atual operação militar israelense.

Quais os efeitos do bloqueio israelense na Faixa de Gaza?

Os efeitos foram severos. A atividade econômica já era baixa quando os ataques israelenses começaram. A agência das Nações Unidas para refugiados palestinos (UNWRA, na sigla em inglês) presta assistência alimentar para cerca de 750 mil pessoas em Gaza. Em novembro, quando o bloqueio foi reforçado, o diretor da agência, John Ging, disse que a UNWRA estava ficando sem comida para distribuir aos palestinos.

Desde que a atual operação militar começou, Israel tem afirmado que vai permitir a passagem de ajuda humanitária, mas o volume tem sido menor do que costumava. O território também enfrenta falta de medicamentos e de combustível.

Qual é a história da Faixa de Gaza?

Gaza era parte da Palestina quando o território estava sob administração britânica, em um mandato garantido pela Liga das Nações, após a Primeira Guerra Mundial.

Em combates depois que Israel declarou sua independência, em 1948, o Egito capturou a Faixa de Gaza.

Refugiados palestinos das cidades costeiras do norte se abrigaram lá. Esses refugiados, ou seus descendentes, ainda vivem em campos da Organização das Nações Unidas (ONU) em Gaza.

Israel conquistou o território na guerra de 1967 e posteriormente deslocou cerca de 8 mil colonos israelenses para lá. No entanto, todos os colonos e soldados israelenses deixaram a Faixa de Gaza em 2005.

A Faixa de Gaza tem uma população de 1,5 milhão de pessoas, das quais 33% (cerca de 490 mil) são classificadas como refugiados. O território tem 40 Km de comprimento e cerca de 6 Km a 12 Km de largura.

Como o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza?

Depois da retirada israelense em 2005, a Autoridade Palestina assumiu o controle de Gaza.

A Autoridade Palestina é formada principalmente por nacionalistas palestinos seculares do partido Fatah que, ao contrário do Hamas, acredita ser possível um acordo definitivo com Israel sobre uma solução que inclua dois Estados - Israel e Palestina.

Em janeiro de 2006, o Hamas venceu eleições parlamentares nos territórios palestinos e formou um governo na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Um governo de união nacional entre o Hamas e o Fatah foi formado em março de 2007.

No entanto, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que é um líder do Fatah eleito diretamente em um pleito anterior, dissolveu o governo.

Em junho de 2007, alegando que forças do Fatah estavam planejando um golpe, o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza à força. A Cisjordânia, porém, permaneceu sob o controle do Fatah.

O Hamas foi boicotado pela comunidade internacional, que exige que o grupo renuncie à violência e reconheça Israel.

Como o conflito deve acabar?

Diplomatas esperam que possa ser firmado um novo acordo de cessar-fogo. Um acordo assim teria de se basear em três princípios.

Dois desses princípios são exigidos por Israel - um comprometimento do Hamas de que não vai mais lançar foguetes contra o território israelense e uma maneira (talvez algum tipo de barreira física) de impedir o contrabando de armas para dentro da Faixa de Gaza.

O outro princípio é exigido pelo Hamas (além, é claro, da retirada das forças israelenses): o alívio do bloqueio a Gaza.

Caso não haja acordo, Israel deverá tentar impor suas condições à força, o que será contestado pelo Hamas.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Places That Don't Exist: South Ossetia, Abkhazia

There are almost 200 official countries in the world. But there are dozens more breakaway states which are determined to be separate and independent.The breakaway states have their own rulers, parliaments or warlords, and are home to millions of people, but they're not officially recognised as proper countries by the rest of the world.Several have their own armies and police forces, and issue passports and even postage stamps which the rest of the world ignores.

All of the breakaway states have declared independence after violent struggles with a neighbouring state. Some now survive peacefully, but others are a magnet for terrorists and weapons smuggling, and have armies ready for a fight. Several could be at the centre of future wars which threaten their regions and the wider world.In a world of easy adventure tourism, Simon visits breakaway states & unrecognized nations which don't usually feature on the tourist trail: Somaliland, Transniestria, South Ossetia, Taiwan, Abkhazia, Ajaria and Nagorno-Karabkh

Welcome to Places That Don't Exist...Georgia, South Ossetia, Abkhazia and AdjariaThe former Soviet state of Georgia has a particular problem with breakaway states. After independence from Moscow three parts of the country -- South Ossetia, Abkhazia and Adjaria, broke away from Georgia. Conflicts broke out, thousands were killed, and the whole region has suffered ever since. The new President of Georgia, who Simon meets in a lift, is trying to re-unify the country, but he faces a difficult task.Simon travels across the frontline to visit South Ossetia -- a self-declared country which has had its own flag, army and government for 12 years. The Ossetian people speak a different language to Georgians, and their government has vowed to fight to the death rather than rejoin the Georgian fold.

Simon persuades a tough Ossetian Foreign Ministry official to let him have a look around. Tensions are high between Georgia and South Ossetia, and the Ossetians are suspicious of foreigners, particularly when a government guide tells locals in the market that Simon's from London, America. After his nationality is explained people become friendlier, although locals are tense because everyone has someone they love on the dangerous Georgian frontline and war is imminent.

Everywhere Simon goes he's followed by state security.Back in Georgia proper Simon realises war is close when he finds a troop train packed with soldiers and tanks. He's chased away by armed guards.Heading west to the former breakaway region of Adjaria, Simon visits the palatial home of the former dictator. His son used to race a Lambourghini along the main street of the region, much to the anger of locals earning an average £15 a month.

Elsewhere in Georgia, Simon and his BBC crew are the first film unit ever allowed inside a major former Soviet military base. In a chilling scene, they find thousands of tonnes of explosives unguarded and huge working missiles, any of which could be stolen by criminals or terrorists, and which are capable of destroying skyscrapers.














sexta-feira, 5 de setembro de 2008

600 MIL precisam de ajuda no Haiti, segundo a ONU

A cidade de Gonaives foi uma das mais afetadas pela tempestade
O coordenador de ajuda humanitária das Nações Unidas (ONU) para o Haiti, Joel Boutroue, disse que 600 mil pessoas precisam de auxílio no país, por causa de inundações causadas pela tempestade tropical Hanna.

Em entrevista à BBC, Boutroue advertiu que a situação pode se agravar nos próximos dias em áreas como a cidade de Gonaives, no nordeste do país, onde 70 mil pessoas estão vivendo em abrigos temporários.

O nível das águas atinge de dois a três metros em Gonaives e é difícil para os soldados de paz da ONU resgatar vítimas e levar suprimentos para a população.

Muitas pessoas estão há três dias sobre o telhado de suas casas aguardando socorro.

Descrevendo a situação do Haiti como "catástrofe", o presidente René Préval advertiu que a verdadeira extensão dos danos e o número de mortos pela tormenta só serão conhecidos quando o nível das águas baixar.

Pelo menos 136 pessoas morreram em conseqüência da passagem de Hanna - a terceira tempestade tropical a atingir o país caribenho nas últimas semanas.

O Haiti e os demais países da região agora se preparam para a possível passagem do furacão Ike, que traz ventos de mais de 200 quilômetros por hora.