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sábado, 6 de junho de 2009

Paris deve engajar-se na proteção de civis no Congo

Paris - A França deve "impulsionar" a União Europeia e as Nações Unidas a "engajarem-se" para a segurança dos civis congoleses na ocasião da visita relâmpago do presidente francês, Nicolas Sarkozy , hoje (quinta-feira) à República Democrática do Congo (RDC), estima a Oxfam France.


Num comunicado, a "Oxfam Oxfam France-Agir " apela a Sarkozy no sentido de "fazer do compromisso francês em prol do retorno à paz e à estabilidade na região dos Grandes Lagos um exemplo a seguir para a União Europeia e as Nações Unidas que devem contribuir mais para a protecção das populações civis congolesas".


"Esta visita é um sinal político forte e bem-vindo que a França envia às populações congolesas em aflição", acrescenta Luc Lamprière, director desta ONG, sublinhando que após uma renovação do interesse há alguns meses, a RDC "não é mais hoje manchete dos meios de comunicação social ou das prioridades diplomaticas" visto que "a situação no terreno continua crítica" no leste do país com o prosseguimento das pilhagens e violações, bem como das dezenas de milhares de deslocados no Kivu-Norte.


"Esperam que Nicolas Sarkozy saberá testemunhar a urgência desta crise humanitária junto dos seus parceiros do G20 na próxima semana, em Londres", prosseguiu.


O desdobramento dos 3.000 capacetes azuis suplementares prometidos em Outono passado é "uma urgência vital", estima Lamprière, "assim como a tradução, por último, nos factos da obrigação de protecção das populações civis" que vivem "com medo" face às exacções dos rebeldes e das forças armadas da RDC.


Sarkozy deve efectuar quinta-feira e sexta-feira curtas visitas na RDC, no Congo e no Níger.




domingo, 31 de maio de 2009

Missão cumprida entre nuvens negras e diamantes

Thalif Deen

Nações Unidas, 06/01/2006, (IPS) - Quando os 1.700 soldados das forças de paz da Organização das Nações Unidas abandonaram Serra Leoa, no dia 31 de dezembro, a ONU qualificou essa missão como um enorme êxito em meio a um continente arrasado pelos conflitos étnicos e pelas guerras.

"A missão foi capaz de superar uma serie de importantes desafios políticos e militares e realizar uma operação de paz efetiva que deixa Serra Leoa muito melhor do que estava há cinco anos", orgulhou-se o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan.

Porém, os méritos políticos da missão podem ser ofuscados por uma onda de graves problemas econômicos que afetam esta pequena nação da África ocidental, com 5,5 milhões de habitantes, que ocupa o último lugar no Índice de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). "A pobreza continua sendo a principal ameaça à estabilidade neste país", disse o embaixador Daudi Mwakawago, representante especial da ONU em Serra Leoa. "Com desemprego de 70%, que afeta principalmente a juventude, os riscos para a segurança são evidentes", afirmou o diplomata no Conselho de Segurança, na semana passada.

Somente através de maior poupança nacional, do desenvolvimento do setor privado e dos investimentos estrangeiros diretos é possível compensar a previsível drástica queda das doações, por causa da maior competição mundial por esses recursos, disse Mwakawago. "A previsível redução da ajuda externa uma vez terminada a crise humanitária e o processo de recuperação do país, bem como o alto grau de corrupção que se percebe poderiam resultar em uma substancial escassez de capitais estrangeiros", advertiu Annan em um informe apresentado ao Conselho de Segurança. "Isto terá um impacto negativo na balança de pagamentos, na habilidade de manter a estabilidade macroeconômica e nos investimentos que o país necessita para seu crescimento econômico", disse o secretário-geral em seu informe.

Segundo o Fundo de População das Nações Unidas, a proporção da população de Serra Leoa abaixo da linha de pobreza era de 68% em 1990 (um ano antes do início da guerra) e 57% viviam com menos de um dólar por dia. Mas de acordo com o informe de Annan, que apresenta uma imagem mais detalhada da intensidade e profundidade da crise, "a brecha da pobreza" nacional (um indicador que mede a diferença entre renda média dos pobres e a linha de pobreza) é de 29%. A pobreza, segundo esse estudo, é muito mais profunda nas áreas rurais.

Marcus Thompson, diretor para Serra Leoa da organização humanitária internacional Oxfam, mostra-se um pouco mais otimista. "Confiamos que Serra Leoa continuará sendo um país pacífico, com ambiente estável e seguro que lhe permita continuar se desenvolvendo em sociedade com a comunidade internacional", disse Thompson à IPS. O país "tem agora a oportunidade de provar ao mundo seu compromisso com a paz, os direitos humanos e seu próprio destino como membro produtivo e apto da comunidade global", disse o ativista.

Ao cessar a Missão da ONU em Serra Leoa (Unamsil, sigla em inglês), as Nações Unidas citaram entre seus muitos sucessos o efetivo desarmamento, desmobilização e reintegração à vida civil de mais de 75 mil ex-combatentes envolvidos na guerra civil que atingiu o país entre 1991 e 2002. A força de paz da ONU, que chegou a ter 17.500 soldados, também teve papel preponderante na preparação e realização das eleições de 2002 e 2004, em ajudar o governo a recuperar o controle da exploração das jazidas de diamantes e em dar proteção ao Tribunal Especial para Serra Leoa encarregado de julgar os militares e combatentes acusados de crimes de guerra.

Os ganhos proporcionados pelas minas de diamantes aumentaram fabulosamente nos últimos anos, disse Mwakawago, principalmente devido à revisão e à reforma geral dessa indústria. A exportação de diamantes passou de US$ 10 milhões, em 2000, para US$ 130 milhões em 2004. De janeiro a novembro do ano passado, Serra Leoa exportou diamantes no valor de US$ 131 milhões, segundo dados da ONU. "O que ainda é necessário é reforçar a segurança, revisar o sistema de licenças, combater o contrabando e o trabalho infantil, distribuir os benefícios obtidos com a mineração de maneira eqüitativa, e também resolver as disputas limítrofes entre as comunidades", disse Mwakawago.

Com vistas às eleições presidenciais marcadas para 2007, a ONU espera ver a reestruturação da Comissão Nacional Eleitoral e a delimitação dos distritos eleitorais. "Estou convencido de que a realização de eleições livres e com credibilidade no ano que vem será um marco fundamental no processo para conseguir uma estabilidade duradoura em Serra Leoa", acrescentou o diplomata. No começo deste mês foi aberto o novo Escritório Integrado da ONU em Serra Leoa, que supervisionará a etapa de consolidação da paz. O governo do país também herdou a quase totalidade do equipamento militar que foi recolhido pela força de paz, incluindo 25 veículos leves e centenas de equipamentos de comunicação.

A comunidade internacional se ofereceu para ajudar esse país a reconstruir suas forças armadas. A Suíça enviou caminhões, os Estados Unidos três lanchas-patrulha, a China uma quarta lancha e a Holanda veículos militares. Annan disse que esse triunfo da Unamsil será usado como modelo a ser seguido em outras missões de paz em andamento. O secretário-geral também pediu a "todos os cidadãos de Serra Leoa que aproveitem esta oportunidade histórica única construída com o esforço de todos e a ajuda da Unamsil" e que "o futuro do país lhes pertence". Thompson afirmou que "a Oxfam tem toda a intenção de permanecer em Serra Leoa e continuar trabalhando por seu desenvolvimento".

Segundo Thompson, "temos um compromisso de ajudar o povo através de programas de direitos humanos, redução da pobreza, saúde, abastecimento de água, e continuaremos os trabalhos que fazemos desde 1961 junto aos nossos sócios, tanto nas tarefas de socorro como de assistência ao desenvolvimento. Agradecemos à Unamsil por seu árduo trabalho para manter a paz e temos confiança em que a Oxfam continuará fazendo sua parte para construir um ambiente estável e pacífico", acrescentou. (IPS/Envolverde)

domingo, 17 de maio de 2009

terça-feira, 12 de maio de 2009

Número de vítimas de desastres pela mudança climática aumentá 54% até 2015

MADRI, Espanha (AFP) — As vítimas de desastres naturais provocados pela mudança climática aumentarão 54% em seis anos, alertou nesta terça-feira a organização Intermon Oxfam, que pediu aos países ricos que diminuam suas emissões poluentes e deem mais ajuda aos países mais afetados.

"Em apenas seis anos o número de pessoas afetadas pelos desastres naturais derivados da mudança climática aumentará em 54%, o que significa 133 milhões de indivíduos, que alcancará um total de 375 milhões em 2015, alerta a Oxfam.

No informe "O direito de sobreviver", apresentado nesta terça-feira, adverte que "o atual sistema internacional de resposta humanitária será incapaz de fazer frente a estas novas crises, a menos que os países ricos realizem o investimento necessário para fortalecê-lo, o que implica 25 bilhões de dólares anuais".

A organização alega que o mundo dedica uma parte ínfima de sua riqueza à assistência humanitária e que as resposta humanitárias são muitas vezes baseadas em prioridades políticas.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Banco Mundial falha em um terço dos programas

A pressão de muitos países emergentes por uma reforma do Banco Mundial ganhou reforço extra. Relatório produzido por uma auditoria interna da instituição concluiu que um terço dos programas de ajuda do banco para garantir melhor qualidade de vida, saúde e educação no mundo na última década não funcionaram ou até pioraram a situação original.

70% dos programas de combate à aids do Banco Mundial não deram os resultados esperados. Pior: apenas metade do dinheiro gasto chega até as populações mais pobres.

Desde a eclosão da crise financeira, em 2008, países emergentes, como Brasil, Índia e China, vêm pressionando por alterações na forma que o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) atuam. No centro do debate está a capacidade dos países emergentes de também influenciarem as decisões. Mas a aplicação de programas também é delicada.

A partir dos anos 90, o Banco Mundial decidiu adotar uma estratégia de atuar diretamente no setor social, como forma de lutar contra a pobreza. Mas, segundo a auditoria interna, US$ 6 bilhões em programas de luta contra a fome, saúde ou qualidade de vida foram simplesmente desperdiçados entre 1997 e 2008. No total, o Banco Mundial usou US$ 17 bilhões nesse período nas áreas sociais.

De acordo com a auditoria, falta de avaliação sobre os riscos, falta de monitoramento e falta de transparência no uso dos recursos são os principais problemas. A avaliação de programas seria praticamente inexistente.

Na África, apenas 27% dos programas implementados deram algum resultado satisfatório. Uma das conclusões do estudo foi apontar que parte substancial do dinheiro do Banco Mundial acaba beneficiando apenas os 20% mais ricos das populações dos países que receberam recursos. Os mais pobres, portanto, continuam excluídos dos benefícios.

O setor de saúde é o mais questionado. O alerta aponta que alguns dos programas acabaram enfraquecendo os sistemas públicos de saúde de governos, promovendo terceirização de algumas áreas. Sete de cada dez projetos financiados pelo Banco Mundial não chegaram aos resultados esperados no combate à aids. Na África, onde a epidemia afeta mais de 20 milhões de pessoas, 80% dos programas fracassaram.

Outro problema é que, nos últimos anos, a atenção especial dada à aids fez com que o volume de recursos para garantir a alimentação das populações despencasse. "Concordamos que, muitas vezes, nossos objetivos são ambiciosos demais dada a capacidade dos governos e a nossa própria", afirmou Julian Schweitzer, diretora de Saúde do Banco Mundial.

Mas a falta de controle do destino do dinheiro também é algo levantado pela auditoria. "A falta de controle levou os projetos a terem objetivos irrelevantes, metas irrealistas e são incapazes de saber se foram eficientes", diz a auditoria.

O Banco Mundial, assim como a auditoria, apontaram que parte da culpa também é dos governos que recebem os recursos. O relatório foi saudado pelas ONGs que há anos criticam o Banco Mundial por sua ineficiência. Para a Oxfam, está claro que o Banco Mundial, ao menos como está, não pode ser um ator principal na luta pela saúde.

Emma Seery, representante da Oxfam, afirmou que a conclusão da auditoria deve ser estudada por governos que querem transformar o Banco Mundial no centro de reformas do setor de saúde no mundo.

Rachel Baggaley, diretora do programa de aids da entidade Christian Aid, também é crítica em relação ao papel do Banco Mundial. "O relatório nos mostra que 82% dos projetos contra a aids do Banco Mundial na África não tiveram sucesso", afirmou.

Para ela, governos europeus devem parar de dar dinheiro aos programas sociais do Banco Mundial e destinar os recursos para outras instituicões, como o Fundo Global contra aids, malária e tuberculose.

domingo, 10 de maio de 2009

Campanha da Oxfam

Live your life, change the world:

sábado, 11 de abril de 2009

Cinquenta blogueiros acompanharão cúpula do G20 ao vivo

Cinquenta blogueiros de várias partes do mundo vão acompanhar ao vivo a cúpula do G20 - grupo dos países ricos e principais emergentes - no próximo dia 2, em Londres. Eles receberam credenciais em virtude de um acordo entre o governo do Reino Unido e uma coalizão internacional de ONGs intitulada G20Voice.

Em comunicado, a ONG Oxfam (que faz parte do G20Voice) informou que este é um fato "sem precedentes" e que "dará aos blogueiros e a seu público a possibilidade de se comunicar e de influir nos líderes mundiais em temas como o desenvolvimento, a mudança climática e os direitos das mulheres". Segundo a Oxfam, cerca de 700 blogueiros foram escolhidos pelos leitores para fazer o acompanhamento da cúpula, dos quais 50 foram escolhidos para representar de forma equilibrada diferentes regiões do mundo.

A América Latina será representada pela mexicana Jessica Uribe, blogueira que escreve no site vivirmexico.com. O brasileiro Rodrigo Alvares, do blog A Nova Corja também está entre os selecionados.

Por meio da g20voice.org, os blogueiros credenciados poderão ser contatados por milhares de internautas, com os quais farão debates ao vivo.

O comunicado garante que, no dia da cúpula, os blogueiros terão acesso às coletivas de imprensa oferecidas pelos dirigentes do G20 e seus assessores, os quais também foram convidados a compartilhar na web o desenvolvimento das discussões. Além da Oxfam, integram o G20Voice as ONGs Comic Relief, Save the Children, ONE e Blue State Digital.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Jean Charles é lembrado no "Put People First"

Thiana Biondo
Especial para Terra Magazine


Carregar faixas e ir às ruas parece antiquado. Aprendemos que todos nós devemos almejar a nossa ascensão social e que somos responsáveis pelo nosso sucesso ou infortúnio. Assim, as manifestações públicas se tornaram desnecessárias e ineficazes. Mas, com a crise financeira global, na qual banqueiros e industriais pedem em coro socorro do Estado, protestar voltou a ser visto como uma maneira eficaz e moderna de pressionar governantes, para que ponham as pessoas em primeiro lugar (Put People First, em inglês), em vez de multinacionais e estatísticas.

E foi essa idéia que deu nome aos protestos que ganharam as ruas de Londres (http://www.putpeoplefirst.org.uk/), às vésperas da cúpula do G-20. No fim de semana, a marcha reuniu cerca de 35.000 pessoas e contou com o apoio de 150 organizações civis, entre elas Oxfam, Greenpeace, Fairtrade Foundation, Save the Children. As principais exigências: trabalho, justiça e responsabilidade com o meio ambiente. No site, algumas sugestões de mudanças: "os investidores devem seguir os Princípios de Responsabilidade das Nações Unidas e incluírem cálculos de risco sobre impactos sociais, ambientais e de governança em suas práticas de investimento". Ou constatações, como: "São os pobres que estão segurando o peso da crise, e não deve ser esquecido que 70% dos mais pobres no mundo são mulheres".



Família participa da marcha: Alex Freeman, Lurian Kai Phoenix (criança)
e Shiri Shalmy

Cidade e circunstância mais do que oportunos, com a chegada dos líderes das 20 maiores potências econômicas do mundo para o G-20, na quinta-feira, em Docklands, parte leste da capital, bem afastado do centro; o comentário é que a polícia deve fechar todas as rotas de transporte para as manifestações não chegarem até lá, mas já tem gente acampada na área.

No sábado, tudo foi bem pacífico. Na marcha que começou na área de Embankment, à beira do Tamisa e foi até o Hyde Park Corner - mais de 6 quilômetros -, a sensação era de que sabemos o que queremos, temos até sugestões para dar aos poderosos, e sentimos fé e insegurança de que algo irá realmente mudar na sociedade global.

Em meio aos grupos de socialistas, ambientalistas, sindicatos de trabalhadores e pessoas sem filiação nenhuma, todos os manifestantes exigiam "um mundo melhor". Entre eles, os moradores da região Norte da cidade, Shiri Shalmy, Alex Freeman e o filho deles, Lurian Kai. "Minha maior preocupação é com as próximas gerações, e o que iremos deixar para ela. A forma como a indústria produz precisa ser mais responsável com o meio ambiente", comentou a mãe do pequeno quando deixávamos a vista do Rio Tamisa e chegávamos em Westminster.



O sindicato belga CSC viajou de navio para participar da passeata

"A produção de alimentos Fair Trade deve ser incentivada, é uma das formas em que justiça e melhores condições de vida podem chegar aos países em desenvolvimento", falou Sarah, funcionária da empresa de chocolate "Divine Chocolate", que compra cacau do Gana (África). De peruca vermelha, ela distribuía adesivos mais ousados: "Ovo nos políticos. Mantenha-se 'Fair Trade' na reunião de cúpula do G-20".

Nunca tinha ouvido falar nessa expressão, até chegar do lado de cá do Oceano. Às vezes as pessoas perguntam: "É fair trade (comércio justo)?" Ou seja, foi produzido seguindo os critérios da fundação Fairtrade; entre eles, não colocar as pessoas em condições de trabalho escravo nas fazendas.

Caso Jean Charles

Antes de chegar ao parque, ainda encontrei três freiras indianas, Jasmim, Punithein e Virginia carregando cartazes: "Largue o hábito do Carbono" e "Crie um clima com justiça". Uma delas foi direto ao assunto: "Queremos que os governantes façam da pobreza História". Reencontrei minha amiga Paula e deixando o evento juntas, ela me relembrou de Daniel Obachike, que havíamos encontrado no momento da saída.

Obachike, com o nome de Jean Charles de Menezes, pedia justiça no caso do assassinato do brasileiro. "Eu sou sobrevivente do atentado a bomba que aconteceu no dia 7 de Setembro (2005)." No seu panfleto, ele conta sua versão: "Não havia nenhum asiático carregando mochila nas costas, dentro do ônibus que explodiu. O MI5 (Serviço de Inteligência Britânico) fez isso." Obachike pedia justiça no caso de Jean Charles, no qual nenhum policial foi considerado culpado. A essa altura, a multidão já ocupava o parque.

Cruz Vermelha sensibiliza populações sobre HIV/AIDS e malária

Luena - Cerca de 30 mil populares serão sensibilizados em matérias de VIH/Sida e malária no município dos Bundas, província do Moxico, com o início, este mês, do projecto da Cruz Vermelha de Angola (CVA), indica uma nota daquela instituição humanitária entregue hoje a Angop.

O documento esclarece que o projecto, que terá a duração de quatro anos, é financiado pela organização não-governamental britânica (OXFAM - GB) e será direccionado, principalmente, a jovens, mulheres, comerciantes, militares e polícias.

Palestras, sessões de aconselhamento e sensibilização porta-a-porta serão as metodologias a aplicar na fase da implementação
das acções que visam mobilizar a população para fazer voluntariamente o teste de VIH/Sida, como forma de prevenir-se da infecção por aquela doença.

A nota reforça que os ativistas da CVA apresentarão peças teatrais retardando a forma ideal de combate a pandemia e o tratamento a dar às pessoas infectadas (seropositivos).

Desencorajar o estigma e descriminação contra os seropositivos e encorajar o uso de preservativos na relação sexual ocasional e mosquiteiros tratados, são entre outros objetivos do projeto, refere a nota da CVA.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Colin Firth desafia Berlusconi

Vera Gonçalves de Araújo


Me preparo para a coletiva com o ator Colin Firth como uma namorada para o encontro decisivo. Cumpro à risca todos os ritos femininos do caso, inclusive o de trocar de roupa no último minuto.

Minha paixão por Colin sobreviveu até ao seu triste papel no "Diário de Bridget Jones", e começou na telinha, quando a Rai transmitiu em 1996 a série "Orgulho e Preconceito", produzida pela BBC, em que ele era o mais fascinante mr. Darcy da história.

A entrevista não tinha nada a ver com cinema. O Colin é embaixador da Oxfam, uma das maiores confederações de OnGs presentes em mais de 100 países para encontrar soluções efetivas para a pobreza e a injustiça social. Estava em Roma para jantar com o Berlusconi, e tentar influenciar a atitude do chefe do governo italiano na próxima reunião do G-8.

Chegando, tive pelo menos uma notícia boa: o Colin fala um italiano fluente, e o meu inglês enferrujado não ia ser um obstáculo para o nosso amor. A notícia ruim é que ele fala tão bem o italiano porque é casado com uma italiana ¿ que estava lá. A sortuda cineasta Livia Giuggioli, que além de ter dois filhos lindos dele (Luca e Matteo), está passando férias com o Colin na casa dos seus pais, num dos lugares mais lindos da Itália, a medieval Città della Pieve, na Umbria.

Como sempre, quando você encontra gente famosa de perto, a primeira sensação é de decepção. De óculos, meio descabelado, o cara parece tímido, apesar de falar com grande segurança e emoção da sua experiência na Etiópia, visitando lugares de miséria absoluta. Alguém lhe pergunta se chorou, ao ver tanta pobreza. Ele responde:

- Enquanto estava lá, não chorei. Chorei quando voltei para a Europa, e senti a diferença.

A missão romana de Colin é difícil. Ele precisa convencer Berlusconi a botar na pauta da próxima reunião do G-8 a campanha mundial contra a pobreza. A estratégia que o ator explicou aos jornalistas é simples: desafiar Berlusconi a se transformar num herói global, defendendo a luta contra a miséria na mesa dos poderosos que irão se reunir na Sardenha, em julho. Um colega italiano comenta que "herói" é uma palavra que vai agradar muito a Berlusconi, e Colin toma nota.

Á pergunta - inevitável mesmo se tratando da fome no mundo - sobre o que acha da sua profissão de ator, Colin retruca:

- Procuro não refletir muito sobre o que faço no cinema, pois acho que me faz mal. Aliás, devo confessar que - quando me vejo no telão - me odeio um pouco. Fico pensando: quem é esse cara? É muito parecido com minha mãe...

Voltando ao assunto sério, lhe pergunto qual é o seu objetivo concreto no jantar com Berlusconi. Ele explica que vai tentar convencer o primeiro ministro italiano a fazer "una bella figura", no G-8 de julho, mantendo a promessa (dele e de outros líderes internacionais) de aumentar as ajudas internacionais para 50 bilhões de dólares até 2010. Uma missão quase impossível em tempos de crise economica, a tarefa que a Oxfam encomendou ao seu embaixador.

50 bilhões de dólares - repete Colin Firth, com a voz de mr. Darcy. Comigo, funciona. Com os líderes do G-8, não sei.

Conheça... Oxfam International

A Oxfam International é uma confederação de 13 organizações e mais de 3000 parceiros, que atua em mais de 100 países na busca de soluções para o problema da pobreza e da injustiça, através de campanhas, programas de desenvolvimento e ações emergenciais.

Sob o nome de Oxford Committee for Famine Relief (Comitê de Oxford de Combate à Fome), foi fundada em Oxford, Inglaterra, em 1942, por um grupo liderado pelo cônego Theodore Richard Milford (1896-1987) e constituído por intelectuais quakers, ativistas sociais e acadêmicos de Oxford. Seu objetivo inicial foi o de convencer o governo britânico a permitir a remessa de alimentos às populações famintas da Grécia, então ocupada pelos nazistas e submetida ao bloqueio naval dos aliado.

Sua primeira filial internacional foi fundada no Canadá, em 1963. A organização mudou seu nome para o seu endereço telegráfico, OXFAM, em 1965.

Além do combate à fome, atualmente a Oxfam atua nas seguintes frentes:

* Comércio justo
* Educação
* Saúde
* HIV/AIDS
* Inclusão social
* Democracia e direitos humanos
* Guerras e desastres naturais

A 13 organizações confederadas estão sediadas na Austrália, Bélgica, Canadá, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Hong Kong, Irlanda, Países Baixos, Nova Zelândia, Quebec, Espanha e Estados Unidos.
Caixa de coleta da Oxfam, para roupas reutilizáveis.Bruxelas, Bélgica.

A Oxfam da Grã-Bretanha ainda se mantém sediada em Oxford.

Declarações de Papa sobre uso de preservativos repercutem na Europa

ROMA - As declarações feitas pelo papa Bento XVI sobre o uso e a distribuição de preservativos tiveram ampla repercussão entre instituições e personalidades italianas, francesas, alemãs e britânicas.

- O Papa é Papa, portanto, não se pode contestar a sua afirmação. O problema é que (ele) faz demagogia e lança uma mensagem errada - opinou a presidente da associação italiana Soropositivos, Rosaria Iardino.

Segundo Iardino, "o preservativo é um instrumento cientificamente válido se usado corretamente", mas ela concorda que a educação sexual seria a maneira mais adequada para prevenir o contagio.

Na Alemanha, a ministra do Desenvolvimento, Heidemarie Wieczorek-Zeul, e a ministra da Saúde, Ulla Schmidt, explicaram que "os preservativos têm um papel decisivo, pois salvam vidas tanto na Europa quanto nos outros continentes".

"Na África Subsaariana, 22 milhões de homens são portadores da Aids. A cooperação para o desenvolvimento dos países do Terceiro Mundo deve colocar a disposição dos mais pobres os meios de planejamento familiar. E os preservativos fazem parte destes meios", ressaltaram as ministras alemãs.

Nesta quarta-feira, o jornal francês "Le Monde" publicou uma matéria com o título "Preservativo: Bento XVI é mais integralista que João Paulo II".

A primeira página da publicação trouxe uma charge do desenhista Plantu retratando Cristo e a "multiplicação dos preservativos", em referência à passagem da Bíblica em que há a multiplicação dos pães.

Na mesma imagem, o chargista desenhou o bispo Richard Williamson, polêmico por ter negado a existência do Holocausto, dizendo "a Aids nunca existiu".

O ex-primeiro-ministro francês, Alain Juppé, afirmou, por sua vez, que "este Papa começa a ser um verdadeiro problema, dado que ele vive em uma situação de total autismo".

Já o diretor-executivo do Fundo Mundial da Luta contra a Aids, a Tuberculose e a Malária, Michel Kazatchkine, pediu que o Papa "retire suas afirmações", definindo-as como "inaceitáveis".

Na Grã-Bretanha, a associação beneficente britânica Christian Aid afirmou que as palavras de Bento XVI "emitem uma mensagem que pode criar confusão em uma terra como a África, onde há países em que a Igreja Católica tem uma importante influência".

Representantes da ONG Oxfam também ressaltaram que "a distribuição de preservativos é crucial na luta contra a Aids e se quisermos evitar novos casos de infecção entre os jovens, devemos aumentar a difusão dos preservativos".

Na terça-feira, a bordo do avião que o levava para a África, o Pontífice afirmou que a Aids "é uma tragédia que não pode ser superada com o dinheiro e nem com a distribuição de preservativos, os quais podem aumentar os problemas", defendendo que a doença só pode ser curada com uma renovação moral no comportamento humano.

As informações são da Ansa.

sábado, 4 de abril de 2009

Cinquenta blogueiros acompanharão cúpula do G20 ao vivo

Londres, 24 mar (EFE).- Cinquenta blogueiros de várias partes do mundo estão credenciados para acompanhar ao vivo a cúpula do Grupo dos Vinte (G20, países ricos e principais emergentes) no próximo dia 2, em Londres, em virtude de um acordo entre o Governo do Reino Unido e uma coalizão internacional de ONGs entitulada G20Voice.



Em comunicado, a ONG Oxfam (que faz parte do G20Voice) informou que este é um fato "sem precedentes" e que "dará aos blogueiros e a seu público a possibilidade de se comunicar e de influir nos líderes mundiais em temas como o desenvolvimento, a mudança climática e os direitos das mulheres".



Segundo a Oxfam, cerca de 700 blogueiros foram escolhidos pelos leitores para fazer o acompanhamento da cúpula, dos quais 50 foram escolhidos para representar de forma equilibrada diferentes regiões do mundo.



A América Latina será representada pela mexicana Jessica Uribe, blogueira que escreve no site www.vivirmexico.com.



Por meio da página www.g20voice.org, os blogueiros credenciados poderão ser contatados por milhares de internautas, com os quais farão debates ao vivo.



O comunicado garante que, no dia da cúpula, os blogueiros terão acesso às coletivas de imprensa oferecidas pelos dirigentes do G20 e seus assessores, os quais também foram convidados a compartilhar na web o desenvolvimento das discussões.



Além da Oxfam, integram o G20Voice as ONGs Comic Relief, Save the Children, ONE e Blue State Digital. EFE

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Oxfam pede ao G20 publicação de lista negra de paraísos fiscais

A organização não-governamental (ONG) Oxfam França apelou hoje aos dirigentes do G20 para que publiquem uma lista negra dos paraísos fiscais, considerando que "sem lista, nenhuma sanção é possível", uma questão amplamente debatida na cimeira de Londres.

"A publicação de uma lista de paraísos fiscais e judiciários é indispensável: sem lista, nenhuma sanção é possível", disse Sebastien Fourmy da Oxfam França, antes da divulgação do comunicado final sobre as resoluções do G20.

A organização não governamental lamentou que o G20 pareça disposto a "renunciar a esta publicação", quando uma lista é necessária para "definir o conjunto dos paraísos fiscais segundo as diferentes formas de opacidade que oferecem, único meio de aplicar uma série de sanções eficazes".

Antes, o secretário do Tesouro britânico, Stephen Timms, garantiu que, na altura certa, o G20 iria produzir "uma lista de países que não cooperam" mas reconheceu que as discussões continuavam sobre a "altura desta publicação".

Na terça-feira, dez paraísos fiscais ou similares comprometeram-se com as autoridades de outros países a partilhar informações sobre eventuais evasões fiscais, noticiou o Daily Telegraph.

O jornal britânico acrescentou que o anúncio vai ser feito hoje em Londres pelo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, durante a cimeira do G20 e o compromisso para uma maior transparência abrange Suíça, Liechtenstein, Luxemburgo, Mónaco, Andorra, Bélgica, Singapura, Hong Kong e Macau.

O acordo faz parte de um conjunto mais amplo de medidas destinadas a "limpar" o sistema financeiro mundial.

Os países e territórios em causa aceitaram partilhar informação com as autoridades fiscais de outros países quando lhes seja solicitado, mas sem que seja de forma automática.

O projecto do comunicado da cimeira do G20 indica que o sistema financeiro global deve ser protegido desse tipo de jurisdições.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Substituição de ONGs expulsas do Sudão pode durar anos, diz ONU

Nações Unidas, 24 mar (EFE).- O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, disse hoje que a substituição das ONG expulsas de Darfur pelo Governo do Sudão pode demorar entre um ou dois anos, devido à grave situação humanitária da região.



Holmes baseou sua informação em um relatório elaborado junto ao Governo do Sudão sobre as consequências das expulsões para essa região sudanesa.



"Acho que vai demorar entre um ou dois anos para voltar aos níveis de (atividade humanitária) que havia antes", assegurou o diplomata britânico em entrevista coletiva.



Cartum anulou as permissões de 13 ONGs internacionais e três locais, depois de o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitir, no dia 4 de março, uma ordem de detenção contra o presidente do Sudão, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, por sua suposta implicação em crimes de guerra e de lesa-humanidade em Darfur.



Entre as entidades expulsas estão a Save the Children (seções de Reino Unido e EUA), a Médicos Sem Fronteiras (seções de França e Holanda) e a Oxfam.



As 16 ONGs afetadas contavam com 201 voluntários internacionais e outros 3.142 funcionários locais.



O relatório elaborado entre 11 e 18 de março assinala que a ausência destas organizações causou a aparição de grandes lacunas na entrega de ajuda humanitária aos 4,7 milhões que dependem de ajuda para sobreviver em Darfur

terça-feira, 31 de março de 2009

Jovens debatem crise alimentar na Assembléia Geral

Conferência anual de alunos da Escola Internacional das Nações Unidas, Unis, foi aberta pelo Secretário-Geral, Ban Ki-moon.


Por Mônica Villela Grayley
Da Rádio ONU

Cerca de 800 estudantes estiveram reunidos na Assembléia Geral da ONU para debater os efeitos da crise mundial alimentar. Os participantes do evento, que ocorreu até 06 de março, são alunos da Escola Internacional das Nações Unidas, Unis, e representam seis continentes.


Sobrevivência


De acordo com o Programa Mundial de Alimentos, PMA, pelo menos 923 milhões de pessoas estão passando fome no mundo. Um número inaceitável, como afirmou o Secretário-Geral da ONU, no discurso de abertura do evento.

Ban Ki-moon lembrou que a comida não é somente uma mercadoria e que a agricultura não se resume a um negócio. Ambas são fundamentais à sobrevivência. Segundo ele, a compreensão de que toda pessoa tem direito à alimentação é um imperativo de ordem humanitária.

Filme

A ONG Oxfam Internacional afirma que as crises alimentar e financeira lançaram mais 119 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza.

Os jovens e adolescentes que participam do encontro na Assembléia Geral vão apresentar ainda um filme sobre as causas e efeitos da crise alimentar mundial.

domingo, 15 de março de 2009

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Coletânea de vídeos da Oxfam sobre Comércio Justo