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quarta-feira, 3 de junho de 2009

Idade média da ”criança soldado” entre os 13 e os 17 anos

9/03/2004



A organização sediada nos Estados Unidos ”Human Rights Watch” revelou que a idade média da ”criança soldado” encontra-se entre os 13 e os 17 anos, mas algumas são jovens de oito ou nove anos. Utilizam armas em combate, servem de detectores humanos de minas, participam em missões suicidas, e agem como espiões, mensageiros ou vigias.

Jo Becker, responsável da Human Rights Watch, indica que ”milhares de crianças tem sido raptadas de suas casas e das suas comunidades, e sujeitas às piores formas de violência”. Acrescenta a mesma fonte que, citamos, ”as crianças fazem soldados obedientes, pois são vulneráveis e facilmente intimidáveis”. São forçadas a cometer atrocidades contra elementos da sua própria comunidade, algumas vezes contra elementos da sua própria família, acrescenta ainda Jo Becker.

As raparigas são utilizadas com frequência como esposas dos comandantes e submetidas essencialmente à escravatura sexual.

O estudo realizado por especialistas belgas demonstra que estes jovens ficam com graves cicatrizes do foro psicológico. Os especialistas entrevistaram mais de trezentas antigas crianças soldado que foram capturadas pelo movimento rebelde do norte do Uganda, o Exército da Resistência do Senhor.

A quase totalidade dos jovens - 97 por cento - sofreu desordens traumáticas após terem servido uma média de dois anos. Os problemas eram tipicamente a persistência de pesadelos, problemas de sono e dificuldade de concentração.

O estudo adianta que uma grande percentagem das crianças soldado testemunhou, ou participaram em assassinatos. Sete por cento foram forçadas a matar um elemento da família. Muitas raptaram outras crianças e participaram em actos de pilhagem e incendiaram habitações. Cerca de metade foram severamente espancadas. Um terço das raparigas foi abusada sexualmente, e um quinto delas deu à luz durante o cativeiro.

Os autores do estudo indicam que as crianças sofrem menos trauma se os país ainda forem vivos, e especial se a mãe ainda for viva. A reunião com as respectivas famílias e os anteriores ambientes sociais ajudam a recuperar a saúde psicológica, mas muitas crianças não têm a mesma sorte. Muitas das crianças já não têm pais, ou um dos pais já morreu, e tendo cometido muitas atrocidades contra os próprios vizinhos, torna difícil a sua re integração na comunidade .

A comunidade internacional tem centrado as atenções nos últimos anos no problema das crianças soldado. A “Convenção de 2002 sobre os Direitos da Criança”, a “Organização Internacional do Trabalho”, a “Acta Africana sobre Direitos e Bem Estar da Criança” proíbem o uso de crianças como soldados. O Tribunal Internacional Criminal define o recrutamento militar de crianças como sendo um crime de guerra.

Um editorial da revista médica ”Lancet”, que publica o estudo que estamos a referir, lamenta que o Conselho de Segurança das Nações Unidas não tenha punido os violadores, apesar dos debates anuais sobre a questão, desde 1998 e as condenações das partes envolvidas.

Jo Becker considera existirem alguns passos positivos, sublinhando que o Fundo das Nações Unidas para a Criança tem trabalhado com governos e organizações privadas para a desmobilização e a reabilitação de milhares de crianças na Serra Leoa, no sul do Sudão, no Afeganistão e ainda outros países. Um tribunal especial na Serra Leoa acusou 11 pessoas do crime de recrutamento de crianças durante o conflito.

Jo Becker concorda com o editorial da ”Lancet” ao referir que as sanções devem ser alargadas através de acções concretas para que não se fique apenas pelo mundo das palavras, nomeadamente uma actuação decidida do Conselho de Segurança da ONU para impor medidas contra os responsáveis.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Think Again: Child Soldiers

What human rights activists never tell you about young killers.

"Child Soldiering Is a Human Rights Issue."
MUSTAFA ABDI/AFP/Getty Images
Exploited and dangerous: Child soldiers are more than just a moral hazard.

It's much more than that. It is also a geostrategic and development issue. Child soldiers are usually depicted as victims. That's accurate: Exploited, torn from their families, deprived of their education, and forced into battle, child soldiers are truly casualties of war.

But they're also assailants. Child soldiers are cheap and efficient weapons in asymmetric warfare. Accounts from the field tell of soldiers who are near free to recruit, cheap to feed, and quick to follow orders. They aptly learn how to employ brutal tactics. The Revolutionary United Front (RUF), a rebel group operating in Sierra Leone from 1991 to 2002, for example, was notorious for raping and mutilating the civilian population. It was often coerced children, and often high or drunk ones, who perpetrated the acts. The Liberation Tigers of Tamil Eelam, fighting for independence from Sri Lanka, relied on children for their suicide bombing missions during their decades-long campaign. At times, they found that children could much more easily penetrate targets than their adult counterparts.

Trained and educated in the ways of guerrilla war, many child combatants grow up in a world where brutality is the norm. The result is a violent gift that keeps on giving -- today's Taliban leaders reputedly cut their teeth in the field as child soldiers fighting the Soviets. In addition to inducing psychological trauma, a violent childhood reduces healthy educational opportunities, leaving militancy the only viable career path in later years. War becomes a way of life.

"There Are 300,000 Child Soldiers in the World."

Who knows? No one has ever made a serious attempt at surveying the world's child soldier population. This popularly cited number was touted by members of several child advocacy groups in the mid-1990s as a way to attract attention to the plight of child soldiers. But if this figure was ever true, it isn't now. Wars employing child soldiers, such as those in Angola, Liberia, and Nepal, have ended; the numbers have surely shrunk to match.

What would be more useful than a global number, however, would be an individual assessment by country -- through which local and international policymakers could assess the associated needs and threats. Having 300,000 child soldiers in a world of 6.8 billion matters far less than having 15 percent of a particular country's adolescent population engaged in soldiering. Child soldiers have constituted more than a quarter of all belligerents in many conflicts, including at least nine in Africa over the last two decades.

Not even close. You can forget about the popular image that the phrase "child soldier" evokes: a pre-adolescent African boy, perhaps doped, wielding an AK-47 with anger burning in his eyes. Many child soldiers are not armed combatants. They include messengers, porters, spies, and sex slaves. So great is the diversity of tasks that many advocates now prefer the less punchy but more accurate term, "children associated with fighting forces."

Nor does the gender distinction hold water. Recent studies estimate that girls represent as high as 40 percent of fighters in some armed groups. Girls have fought in nearly 40 wars in the last two decades. Like their male counterparts, girls do at times serve as combatants, just as both genders are recruited for sexual enslavement.

Certainly, child soldiering is a global phenomenon, not simply an African one. More than 70 military organizations in 19 countries around the world recruited and used them in armed hostilities between 2004 and 2007. Burma is among the largest users of child soldiers, with the government and rebel groups recruiting tens of thousands of children between them. In Colombia, Nepal, and Sri Lanka, child soldiers have taken to the battlefield. In fact, both Britain and the United States also recruit 17-year-olds, technically still children, on the grounds that they are not allowed into combat (though both have admitted to putting under-18s on the front lines in Afghanistan and Iraq). Australia, Austria, Canada, Luxembourg, the Netherlands, and New Zealand all have similar policies.

"Globalization Created Child Soldiering."

Wrong. Child soldiering is often portrayed as something new -- a product of the post-Cold War flow of cheap guns and money to the world's most failed states. In fact, child soldiers have been around for millennia. The Spartans of ancient Greece, for example, relied heavily on boys as young as seven. Later, the British Navy recruited young lads to serve as cabin boys and cannon-prepping "powder monkeys" throughout the 18th and 19th centuries. Large numbers of children fought on both sides in the U.S. Civil War.

What has changed is our awareness of child soldiers, boosted by monitoring, reporting, and even Hollywood spectacle. And this has coincided with a dramatic change in the perception of childhood, at least in the industrialized West, where early years are seen as a sacred time reserved for innocence, learning, and play. The West's view of children as needing nurture is an outlier in much of the rest of the world, where children are also an economic resource -- on farms and in households, markets, and factories.

As for the role of the small-arms trade, although an adolescent brandishing an AK-47 is certainly terrifying, most child soldiers never touch a weapon. Besides, in many recent wars the old-fashioned machete was preferred to the gun.

"Child Soldiers Are No Match for Western Militaries."

Only in conventional combat. Asymmetrical conflicts, however, are another story. Take suicide bombing, which child soldiers have carried out in the Palestinian territories, Iraq, Sri Lanka, and Chechnya. There is little that trained soldiers can do other than guess that a nearby child is in fact a suicide bomber. In Afghanistan, a 14-year-old was responsible for the first killing of a NATO soldier -- likely just one of the estimated 8,000 child soldiers who do or have worked as part of the Taliban's forces.

Face to face with child soldiers in battle, Western military forces are often befuddled as to what to do. Should they engage, retreat, surrender, or attempt to disarm? The U.S. Army's war manual, for example, offers no guidance on rules of engagement. The British Army only recognized the problem after one of its patrols was captured by child RUF soldiers in Sierra Leone, having been hesitant to attack the under-15-year-olds. Britain later used pyrotechnics and loud explosions in that conflict to induce panic among the ill-trained youngsters, many of whom would simply run away.

"Our Current Approach to Ending Child Soldiering Is Working."

You wish. The international community primarily deals with child soldiers through deterrence (prosecuting the adult recruiters) and demobilization (taking away the children's guns and sending them home). Neither approach goes far enough.

In the first case, prosecutors hope to set an example for future would-be offenders. But most recruiters think they will not get caught. Others, knowing that only those who lose the fight get hauled before international courts, desperately employ child soldiers to avoid defeat. Still others assume they will be granted amnesty after a cease-fire. The Lord's Resistance Army in Uganda is a perfect example. Elusive warlord Joseph Kony has employed child soldiers since the 1990s without being captured, and Ugandan officials privately admit that they might need every carrot they can get (including amnesty) to negotiate a successful peace agreement.

Sending children home via disarmament, demobilization, and reintegration (DDR) programs is another favorite method of post-conflict planners. These programs are meant to get children and adolescents out of armies and back where they belong -- in schools or in jobs. But here again, results are mixed. Many organizers make the mistake of excluding girls from their programs. They often fail to understand the local economy and therefore train children for the wrong professions. In Liberia, for example, too many ex-combatants were educated as carpenters and hairdressers. Nor do the programs target the roots of intergenerational violence that will long outlast the active fighting. DDR initiatives are often too short term to do much more than superficial training, as even officials from the U.S. Agency for International Development will admit.

The biggest challenge of all in ending child soldiering lies in the types of conflicts that employ the young. Children tend to be recruited in brutal, long-running civil wars, the kind that simmer for years or even decades. Unfortunately, these wars constitute the main form of armed conflict today. Until they stop, the recruitment of children never will.


Scott Gates is director of the Centre for the Study of Civil War at the International Peace Research Institute, Oslo, and a professor at the Norwegian University of Science and Technology.
Simon Reich is director of the Division of Global Affairs at Rutgers University. They are coeditors of the forthcoming book Child Soldiers in the Age of Fractured States.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Hamas matou dezenas de opositores, aponta entidade

CISJORDÂNIA - O Hamas ordenou que militantes eliminassem opositores políticos e supostos colaboradores, aproveitando a ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza, matando 32 pessoas e ferindo dezenas nesse tipo de ataque, desde dezembro. A denúncia foi feita hoje pela ONG internacional de direitos humanos Human Rights Watch (HRW). A entidade, sediada em Nova York, pediu aos novos governantes da Faixa de Gaza que interrompam o que descreveu como prisões arbitrárias, torturas e execuções sumárias por parte do grupo islâmico. Durante a guerra, "as autoridades do Hamas adotaram medidas extraordinárias para controlar, intimidar, castigar e às vezes eliminar rivais políticos internos, assim como pessoas suspeitas de colaborar com Israel", acusa o grupo humanitário.



O HRW afirmou que os ataques foram a pior onda de violência interna desde que o Hamas passou a controlar Gaza, em junho de 2007, expulsando as forças do Fatah, encabeçado pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Atualmente, Abbas controla apenas partes da Cisjordânia, onde há uma forte presença israelense e dezenas de milhares de colonos judeus em assentamentos. Segundo o HRW, as práticas do Hamas estão destinadas, em parte, a sufocar a dissidência em Gaza.



Segundo estimativa da ONG, 18 palestinos foram assassinados por pistoleiros vinculados ao Hamas durante a guerra de 22 dias com os militares israelenses, encerrada em 18 de janeiro. Outras 14 pessoas foram assassinadas após a ofensiva de Israel. Além disso, 49 moradores de Gaza foram baleados nas pernas por homens mascarados entre 28 de dezembro e 31 de janeiro e 73 sofreram fraturas nos braços ou nas pernas, de acordo com o grupo humanitário.



A Human Rights Watch apontou que a repressão também se intensificou na parte da Cisjordânia controlada por Abbas. Forças de segurança de Abbas têm reprimido simpatizantes do Hamas na Cisjordânia desde que o Hamas capturou Gaza, segundo o documento. Em janeiro e fevereiro, segundo a HRW, um detido morreu na prisão e 31 denunciaram maus tratos.

sábado, 2 de maio de 2009

Comentário: Infiltrando-se entre os 'criminosos' em Mianmar

Ditadura birmanesa endurece contra ativistas de direitos humanos.
Repórter fala com ex-presos políticos que dizem correr risco de morrer.


Nicholas D. Kristof
Do New York Times, em Myawaddy, Mianmar


Antes de entrar em Mianmar vindo da Tailândia, você limpa suas malas de qualquer pista de envolvimento em algum mal pernicioso, como espionagem, jornalismo ou pregação de direitos humanos.

Depois, você deixa a cidade tailandesa de Mae Sot e atravessa a cintilantemente branca "ponte da amizade" até o posto da imigração birmanesa no outro lado. Entrando em Mianmar (antes conhecida como Birmânia), você ajusta seu relógio: Mianmar está adiantada em 30 minutos – e, ao mesmo tempo, 50 anos atrasada.

O governo da cidade já era um dos mais brutais do mundo, e nos últimos meses conseguiu se tornar ainda mais repressivo.

Um blogueiro, Nay Phone Latt, foi condenado a vinte anos na prisão. Um conhecido comediante, Zarganar, foi sentenciado a uma pena de 59 anos. Um ex-líder estudantil, Min Ko Naing, sobrevivente de anos de tortura e confinamento em solitárias, recebeu penas de 65 anos até agora, e enfrenta sentenças adicionais que podem atingir um total de 150 anos.

"Politicamente, as coisas estão piorando", disse David Mathieson, especialista em Mianmar do grupo Human Rights Watch, que vive na fronteira entre Tailândia e Birmânia. "Eles acabaram de sentenciar centenas de pessoas que deveriam ser agentes de mudança a longas penas na prisão."


Encontrei dificuldades para entrevistar as pessoas de Mianmar, porque viajava como turista com dois de meus filhos (minha esposa está cansada de eu sempre arrastar nossos filhos comigo para conhecer ditaduras). Porém, fomos parar no hospital Myawaddy, que tinha a equipe tão desfalcada que ninguém nos impediu de caminhar através de alas de pacientes negligenciados.

O negócio mais próspero que vimos no lado birmanês pertencia a um encantador de serpentes que montou uma loja temporária do lado de fora de um templo. No momento que se formou uma multidão, um soldado armado correu alarmado – e então relaxou, ao ver que a única ameaça à ordem pública era uma cobra.

Em Mae Sot, na Tailândia, visitei ex-prisioneiros políticos birmaneses, como o corajoso Bo Kyi. Eles estão sob risco de serem mortos por assassinos do governo birmanês, e mesmo assim continuam sua agressiva campanha por mudanças.

Igualmente inspiradores são os Free Burma Rangers (algo como Soldados pela Libertação da Birmânia), que arriscam suas vidas ao se infiltrarem nas profundezas do país durante meses, para providenciar cuidados médicos e documentar abusos de direitos humanos.

Um corajoso americano trabalhando com o grupo, que pediu que seu nome não fosse usado por razões de segurança, se comunicou comigo por um telefone via satélite, de seu esconderijo no centro de Mianmar. Ele sabe que o governo birmanês o matará caso o capture, e ainda assim permanece em busca de fotos e outras evidências de como os soldados birmaneses arrastam aldeões étnicos karen para trabalhos forçados e estupram mulheres e meninas. Um caso recente, descrito pelos Free Burma Rangers, envolvia uma menina de sete anos estuprada e morta.

A coragem dessas pessoas que buscam uma nova Mianmar é contagiante e inspiradora. Nesta nova administração, vamos ajudá-los – e ver se, com novas abordagens, poderemos finalmente derrubar um dos regimes mais odiosos do mundo.







A verdade é que a abordagem ocidental a Mianmar fracassou. A junta birmanesa governa despoticamente desde 1988, ignorando as eleições democráticas. Desde então, sanções tiveram efeito nulo em moderar o regime.

Tenho um grande respeito por Aung San Suu Kyi, a extraordinária mulher que ganhou um Prêmio Nobel da Paz por enfrentar os criminosos do país. Porém, o melhor uso de sua coragem agora seria aceitar que as sanções comerciais que ela defendia não conseguiram nada além de empobrecer ainda mais seu próprio povo. Assim como aconteceu em Cuba e na Coreia do Norte, isolar um regime corrupto geralmente atinge os inocentes e ajuda os criminosos a permanecer no poder.

Em vez disso, a melhor alternativa seria sanções financeiras que mirem especificamente indivíduos próximos ao regime – e, ainda mais, uma quebra na importação de armas de Mianmar.

"Seria muito difícil conseguir um embargo de armas através do Conselho de Segurança, mas isso é algo que atinge realmente ao coração de qualquer regime militar", diz Mathieson. "Você os priva das ferramentas de seu próprio auto-engrandecimento e da repressão."

O então presidente George W. Bush tentou ajudar os dissidentes de Mianmar, mas não teve nenhum capital internacional. A administração Obama, por sua vez, tem chances de liderar uma iniciativa global para conter as importações birmanesas de armas e trazer o regime à mesa de negociações.

As armas de Mianmar chegam através da China, Rússia, Ucrânia, Israel e Cingapura, e a Rússia está vendendo até mesmo um reator nuclear aos ditadores de Mianmar, diz Mathieson.

Ao atravessar da Tailândia a Mianmar, você cruza uma linha do tempo. Deixa o dinamismo e agitação da Tailândia e encontra uma estagnação de carros antigos e cabanas ao lado de esgotos abertos.

sábado, 25 de abril de 2009

HRW lança campanha contra utilização de crianças-soldado

Nações Unidas, 12 fev (EFE).- A ONG Human Rights Watch (HRW) lançou hoje a Campanha Mãos Vermelhas, na qual pede aos países e à ONU que aumentem seus esforços para acabar com a utilização de crianças-soldado em conflitos.



A HRW lembrou hoje que há um tratado na ONU, ratificado por 126 países, que proíbe o recrutamento e o uso forçado de menores de 18 anos em conflitos armados.



"Jovens de todo o mundo uniram forças para manifestar sua indignação porque meninos e meninas continuam sendo usadas para combater em guerras", disse uma das organizadoras da campanha na HRW, Jo Becker.



A especialista ressaltou que a iniciativa busca "um maior compromisso dos líderes mundiais com o fim desta prática", que ainda ocorre em 15 países ou territórios, inclusive em alguns daqueles que ratificaram o tratado.



Os países ou territórios nos quais crianças ainda combatem são: Afeganistão, Mianmar, Chade, Colômbia, Filipinas, Índia, Iraque, República Centro-Africana, República Democrática do Congo (RDC), Somália, Sri Lanka, Sudão, Tailândia, territórios palestinos ocupados e Uganda.



Além disso, oito Governos - Mianmar, Chade, Índia, RDC, Ruanda, Sri Lanka, Sudão e Uganda - assinaram o tratado, mas continuam utilizando crianças em suas forças armadas ou apóiam grupos armados que recrutam menores em seus territórios ou em Estados vizinhos.



Em apoio à campanha, um grupo de ex-crianças-soldado e outros jovens de diferentes partes do mundo apresentaram hoje milhares de "mãos vermelhas" simbólicas ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, de quem cobraram ações mais contundentes contra o problema.



"O recrutamento forçado e o uso de crianças-soldado é um dos mais horríveis abusos dos direitos humanos hoje em dia", disse Ban, que lamentou o fato de milhares de crianças serem exploradas e se verem obrigadas a suportar a violência.



A HRW informou que jovens de 101 países recolheram mais de 250 mil "mãos vermelhas", o símbolo dos esforços internacionais pela erradicação das crianças-soldado, para apoiar a campanha. EFE

quarta-feira, 15 de abril de 2009

“Milhões de pessoas estão ameaçadas”

Entrevista: Serena Brewer, ESPECIALISTA EM ÁFRICA DO HUMAN RIGHTS WATCHAs entidades internacionais de defesa de direitos humanos estão em plena campanha para ajudar 2,7 milhões de pessoas em risco de vida em Darfur pela escassez de alimentos, água e remédios, após a expulsão de 13 ONGs humanitárias pelo presidente sudanês, Omar al-Bashir. Serena Brewer, especialista em África da ONG de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, alerta sobre o risco de um genocídio:

Zero Hora – Qual é a situação dos direitos humanos no Sudão, depois da decisão de Omar al-Bashir de expulsar 13 ONGs?

Serena Brewer – É incrivelmente precária. As pessoas são extremamente vulneráveis e não têm opção, a não ser confiar nas doações de alimentos, água e material médico básico. As operações humanitárias sempre enfrentaram enormes desafios, mas até aqui haviam sido capazes de contornar problemas e evitar uma catástrofe de grandes proporções causada pela fome e por epidemias.

ZH – Como a ONU pode ajudar a melhorar o respeito aos direitos humanos na África?

Serena – De muitos modos, mas o melhor deles é ajudar a formalizar e a implementar esse compromisso por parte dos governantes. O Conselho de Segurança tem a oportunidade de pressionar decisivamente Cartum para cumprir suas obrigações legais internacionais e prover assistência humanitária às vítimas do conflito em Darfur. Infelizmente, o Conselho está dividido quanto a que decisão tomar diante do mandado de prisão expedido contra Al-Bashir.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Sri Lanka bombardeia indiscriminadamente áreas civis, diz HRW

Nova York, 24 mar (EFE).- O Exército do Sri Lanka bombardeia indiscriminadamente as chamadas "áreas seguras" nas quais se refugiam milhares de civis retidos no norte do país pelos rebeldes tâmeis, assegurou hoje a ONG Human Rights Watch (HRW).



A organização de direitos humanos assinalou em comunicado de imprensa que cerca de 2.700 civis perderam a vida nos dois últimos meses por causa dos combates entre o Exército e a guerrilha dos Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE).



"Recebemos denúncias de que todos os dias civis morrem e ficam feridos nas áreas seguras, enquanto o Governo cingalês continua negando estes ataques", disse o diretor para a Ásia da HRW, Brad Adams.



O uso dos civis como escudo humano contribui para esse derramamento de sangue, acrescentou.



Segundo o comunicado, um médico de um hospital improvisado em Putumattalan, uma das regiões declaradas seguras pelo Governo, informou à HRW que recebem diariamente dúzias de civis mortos e feridos.



A HRW ressaltou que é muito difícil receber informações precisas sobre a situação na área de conflito, porque o Governo impede o acesso da imprensa e de observadores independentes.



A ONG denunciou também que os LTTE continuam impedindo a fuga de cerca de 150 mil civis presos na frente de combate, e que são usados como escudo contra os ataques do Exército.



A HRW afirmou ainda que os civis apanhados pelo conflito também encontram muita dificuldade para conseguir alimentos e água, além de serviços sanitários e atendimento médico. EFE

sábado, 28 de março de 2009

Israel nega que uso de armas com fósforo branco seja crime de guerra

JERUSALÉM, Israel (AFP) — O Exército de Israel negou nesta quinta-feira que as munições com fósforo branco, usadas pelas Forças Armadas na recente ofensiva contra a Faixa de Gaza, constitua um crime de guerra, como afirma a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch.

"Com base nos dados obtidos até agora, é possível concluir que o Exército israelense utilizou obuses fumígenos de acordo com a lei internacional", afirma um comunicado militar.

"Estes obuses foram usados para responder apenas às necessidades operacionais específicas conforme o direito internacional. As afirmações de que estes obuses foram utilizados de forma indiscriminada ou para ameaçar a população civil não têm fundamento", completa a nota.

A Human Rights Watch, que tem sede em Nova York, afirma em um relatório que os bombardeios de Israel com munições que continham fósforo branco sobre zonas densamente povoadas de Gaza, durante a operação de 27 de dezembro a 18 de janeiro, poderiam ser consideradas crimes de guerra.

"O Exército israelense disparou reiteradamente munições com fósforo branco sobre zonas povoadas, matando e ferindo civis e danificando infraestruturas civis, incluindo uma escola, um mercado, um depósito de armazenamento de ajuda humanitária e um hospital", destacou a ONG.

As munições com fósforo branco, que acende em contato com o oxigênio e queima em temperatura muito elevada, não são proibidas por nenhum tratado internacional. Mas o uso está regulamentado pelo protocolo III da Convenção de Armas Clássicas de 1980 "sobre a proibição ou limitação de armas incendiárias", ao qual Israel não aderiu.

Em três semanas de confrontos na Faixa de Gaza, com o objetivo oficial de acabar com os disparos de foguetes contra o sul de Israel por grupos palestinos, em especial o Hamas, morreram 1.330 palestinos e 13 israelenses.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Israel usou fósforo branco em Gaza

Substância em contato com a pele provoca queimaduras e pode causar danos mortais no fígado, rins e coração

A organização internacional de defesa dos direitos humanos Humans Rights Watch (HRW) acusou Israel de ter cometido «crimes de guerra» ao utilizar fósforo branco contra a população de Gaza na última operação militar no território em Dezembro e Janeiro.

A organização não governamental (ONG) apresentou, em Jerusalém, o relatório «Chuva de fogo: o uso ilegal de fósforo branco em Gaza por parte de Israel», onde vários testemunhos confirmam o uso desta arma na ofensiva militar de 27 de Dezembro a 18 de Janeiro de 2009, em Gaza.

«O uso de fósforo branco não está proibido per se, mas há normas básicas internacionais que exigem que se tomem todas as precauções possíveis para proteger os civis, algo que não se fez com estas armas em Gaza», declarou Bill Van Esveld, advogado da HRW e um dos autores do relatório, citado pelo jornal espanho «El País».

Em contacto com a pel, este químico, provoca queimaduras e pode causar danos mortais no fígado, rins e coração. Van Esveld considera que «prejudicar deliberadamente civis de forma desnecessária constitui um crime de guerra porque assim determina o protocolo adicional da Convenção de Genebra»

A HRW encontrou mais de vinte fragmentos de bombas de fósforo branco de 155 milímetros em ruas residenciais, telhados de casas, numa escola da ONU, num hospital, num mercado e noutras instalações civis.

Habitualmente, os militares usam fósforo branco para ocultar as operações debaixo de uma capa de fumo, mas também para incendiar determinadas áreas, com os mais de 800 graus centígrados que atingem estas bombas. Apesar de em ambos os casos o uso ser permitido, segundo a HRW, Israel usou repetidamente em áreas densamente povoadas, provocando pelo menos «umas doze mortes» entre a população civil palestina.

O relatório da ONG indica que «Israel, numa primeira fase, negou o uso do fósforo branco em Gaza, mas, perante as numerosas provas que demonstram o contrário, afirmou que foi usado em concordância com a legalidade internacional». «Mais tarde, anunciaram uma investigação interna para averiguar se tinha havido um uso inapropriado desta substância», acrescenta o estudo.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Resenha de Filme - "Waltz for Bashir"

Massacre de Sabra e Chatila pode ter matado mais de 1.500 em 1982

Ataque israelense é mostrado na animação 'Valsa com Bashir'.
Filme estreia nesta sexta-feira.


As estimativas mais conservadoras dizem que 800 pessoas morreram no massacre de Sabra e Chatila. Centenas de mulheres, crianças e idosos que estavam no campo de refugiados palestinos no Líbano durante a invasão israelense de 1982 foram assassinados por antigos rivais do grupo libanês Falange, que tiveram a entrada no local liberada pelas Forças Armadas de Israel. Grupos independentes dizem que o número de mortos ultrapassa 1.500. Por mais que militares israelenses não tenham agido diretamente no massacre, o então ministro de Defesa do país, Ariel Sharon, é visto pela comunidade internacional como o principal responsável pelas mortes.


Pouco tempo depois de Israel invadir o Líbano, em junho de 1982, as forças israelenses cercaram Beirute. Um acordo de cessar-fogo foi negociado dois meses depois, permitindo que uma força internacional, incluindo soldados norte-americanos, entrasse na cidade - o que fez com que os soldados da Organização pela Liberação da Palestina deixassem a região.

O presidente do Líbano, Bashir Gemayel, foi assassinado no dia 14 de setembro. No dia seguinte, Israel enviou tropas na parte oeste de Beirute, onde cercaram os dois campos de refugiados palestinos. Sharon permitiu que milicianos do partido Falange, inimigo histórico dos palestinos, entrassem no campo para "limpar" o que chamou de "dois ou três mil terroristas que ficaram para trás".

Bashir era filho de Pierre Gemayel, fundador do partido libanês Kataeb, mais tarde conhecido como Falange. O grupo foi criado em 1936 como uma organização de jovens paramilitares cristãos maronitas. Gemayel pai teria se inspirado em organizações fascistas a que assistiu durante as Olimpíadas de Berlim. Era uma organização autoritária e centralizada.



Julgamento


A comunidade internacional condenou a ação israelense, e até mesmo dentro do Estado judeu houve protestos contra o governo de Menachem Begin, cobrando um inquérito judicial. Uma comissão presidida pelo presidente da Suprema Corte de Israel, Yitzhak Kahan, decidiu que oficiais israelenses foram "indiretamente responsáveis", porque permitiram que inimigos mortais dos palestinos entrassem nos campos e continuassem lá mesmo depois de receberem relatos das atrocidades que estavam sendo cometidas.

Uma comissão internacional julgou que, pela lei internacional, Israel foi diretamente responsável, porque os campos estavam sob sua jurisdição como força ocupante do Líbano, e porque militares do país planejaram a entrada dos milicianos, evitaram que houvesse fugas de sobreviventes e não interromperam o assassinato em massa depois de saberem de sua existência.

Em 2001, a Anistia internacional e o Human Rights Watch pediram uma investigação de Sharon por seu papel nos massacres.

Na época, Sharon foi forçado a abandonar o cargo de ministro da Defesa, mas acabou se tornando primeiro-ministro do país e nunca foi julgado pelos massacres. Em 2001, durante uma campanha eleitoral, Sharon expressou pesar pela "terrível tragédia" em Sabra e Chatila, mas negou qualquer responsabilidade.


'Valsa com Bashir' retrata pesadelos de um jovem soldado

Animação israelense venceu Globo de Ouro e foi indicada ao Oscar.
Versão em HQ do drama de Ari Folman também chega ao Brasil.


Nem sempre as vítimas de uma guerra são só aquelas que estiveram do lado derrotado. Para os milhares de jovens convocados a vestir a farda e empunhar um rifle por seu país, a experiência no campo de batalha pode provocar traumas irreparáveis. "Valsa com Bashir", filme de animação israelense que estreia no Brasil nesta sexta, conta a história de um deles.

Ari Folman, diretor e personagem principal do longa, tinha 19 anos quando participou de um dos episódios mais sangrentos da Guerra do Líbano, em 1982, conhecido como o massacre de Sabra e Chatila. Duas décadas depois, ele não consegue se lembrar de praticamente nada daqueles dias, à exceção de alguns flashes soltos que rondam sua mente.


Premiado com um Globo de Ouro e indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro - vencido pelo japonês "Okuribito" -, "Valsa com Bashir" é o resultado da busca de Folman para tentar reconstituir sua memória. Por mais estranho que possa soar, o filme é um documentário em animação, no qual as cenas são desenhadas a partir de depoimentos reais gravados por Folman em conversas com amigos que combateram a seu lado no exército israelense, muitos deles igualmente traumatizados.

Menos superficial do que uma simples reconstituição com atores de carne e osso, o formato animado e a trilha sonora de punk rock ajudam a criar uma atmosfera jovem para a história. A intenção, no entanto, passa longe de glamourizar a experiência, como esclareceu em entrevista ao G1 no ano passado o diretor Ari Folman. "Este é um filme antiguerra. Em filmes americanos, mesmo nos que criticam a guerra, você sempre vai ter um certo glamour em torno da guerra: a glória, a amizade entre os soldados, a masculinidade, a bravura. Você vê e fala: 'sim, é um filme antiguerra, mas eu quero ser um desses caras'. Com 'Bashir', quero que os jovens vejam e não queiram se sentir parte disso."

Já descrito como uma mistura de "Persépolis", a graphic novel da quadrinista Marjane Satrapi sobre sua infância na Revolução Iraniana, com "Nascido para matar", filme de Stanley Kubrick sobre o impacto psicológico do serviço militar na mente dos jovens americanos, "Valsa com Bashir" é capaz de sensibilizar e perturbar o espectador mesmo que não traga necessariamente todos os lados da delicada situação no Oriente Médio.

Aproveitando o lançamento nos cinemas, a editora L&PM coloca nas prateleiras do Brasil a história em quadrinhos do filme. Publicada em cores e em formato de livro, a HQ foi produzida diretamente com os frames do longa-metragem, reproduzindo em papel os desenhos de David Polonsky e o roteiro escrito por Folman.

domingo, 22 de março de 2009

ONGs expressam satisfação com ordem de detenção contra Bashir

Nova York, 4 mar (EFE).- A ordem de detenção ditada hoje pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o presidente do Sudão, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, é uma vitória para as vítimas de Darfur, afirmou a organização Human Rights Watch (HRW).



A entidade ressaltou ainda que a decisão é uma mostra de que os governantes também são responsáveis se, em seu mandato, foram cometidas violações ou torturas.



"Com a ordem de detenção, o Tribunal Penal Internacional fez de Omar al-Bashir um homem procurado" pela Justiça, disse hoje o diretor do programa de Justiça Internacional da organização de defesa dos direitos humanos, Richard Dicker.



O tribunal ordenou hoje a detenção de presidente do Sudão por cinco crimes de guerra e dois de lesa-humanidade na região sudanesa de Darfur, mas rejeitou a acusação de genocídio formulada pelo promotor Luis Moreno Ocampo.



"Nem mesmo os presidentes têm garantido seu passe livre perante delitos hediondos", ressaltou Dicker.



Após lembrar que "provar as acusações de genocídio é extremamente difícil", o representante da HRW explicou que, sob o estatuto do TPI, o promotor pode pedir uma emenda à ordem de detenção se obtiver provas adicionais que respaldem a acusação.



Também hoje, a Anistia Internacional (AI) afirmou que a decisão do TPI demonstra que "ninguém está acima da lei".



"Se você é acusado de um crime, deve fazer frente e encarar as acusações perante uma corte de Justiça. O presidente terá a oportunidade de fazer isso diante do Tribunal Penal Internacional", ressaltou a Anistia em comunicado.



A AI lembra que a Constituição do Sudão concede imunidade ao chefe do Estado enquanto está no cargo, mas acrescenta que "não há nenhum instrumento internacional que tenha reconhecido a imunidade frente aos crimes de guerra ou contra a humanidade". EFE

sábado, 7 de março de 2009

The world looks away as Burma mocks democracy

Dictatorships are not known for their sense of humour, nor do they appreciate being laughed at. It came as no surprise then when the ruling military regime in Burma recently sentenced the country’s best known comedian, named Zarganar, to 59 years in prison.

Zarganar (which means pliers in Burmese — he was a practising dentist) was arrested in June for staging private relief operations for survivors of Burma’s devastating cyclone in May, and for speaking out about the poor response by the authorities. These efforts, and his unique blend of sardonic wit and absurd reflections about the crushing repression of the military government, landed him in prison for his third stretch in the past 15 years.

Zarganar’s sentencing is part of an astonishingly brutal campaign by the ruling State Peace and Development Council (SPDC) in Burma to eradicate all political opposition in the country ahead of planned elections in 2010. In recent months, hundreds of prominent activists, Buddhist monks and nuns, journalists, labour activists, bloggers and hip-hop artists havebeen sentenced to lengthy jail terms. Some of them are facing between 100 and 150 years back in prison, many for their third or fourth times. Even some of the lawyers representing these activists have been imprisoned, for speaking out about the grossly unfair secret trials held in jail or in closed courthouses.

The activists include a brave labour rights representative named Ma Su Su Nyay, who was handed more than 12 years, and Min Ko Naing, the leader of Burma’s 1988 student-led uprising who has already received more than 65 years just on a few charges; his sentencing will probably land him 150 years back in jail, where he spent most of the time between 1988 to 2004 in solitary confinement. Both of them have been past recipients of Canada’s John Humphrey Freedom Award.

The past several months have constituted Phase Two of the SPDC’s crackdown on peaceful dissent, following on from August and September, 2007, when many of the activists were arrested for their parts in protests against military rule, which saw thousands of Buddhist monks march through the streets to carve out space for larger demonstrations. When the SPDC finally cracked down, dozens of people were killed and thousands were arrested, Zarganar included. He was held in a tiny cell, and when finally released cracked jokes about police dogs and which parts of his anatomy they tried to bite off. Grim humour.

The SPDC has been sentencing these activists for two reasons. The first is to decapitate any possibility of challenge to a tightly scripted and controlled political reform process, by locking away the leadership and spiritual and artistic supporters of resistance to military rule. The second is to instill fear in an already fearful and beaten down population; by targeting a cross-section of Burma’s resurgent civil society, the regime is stating clearly that resistance is futile.
Future military rule with a civilian façade is the end goal, and Burma’s recently released constitution ensures just that. The planned elections had their prelude in a ruthlessly orchestrated referendum just a week after the cyclone, conducted while the SPDC was blocking urgently needed international assistance. The result? A 98% voter turnout and 92% approval, laughably improbable even by Burma’s low standards.

As this despicable process proceeds, the world has shrugged its shoulders in exasperation. The United Nations’ muted response to the sentencing rounds is in contrast to the outrage the world expressed after the 2007 demonstrations were met with violence. The UN’s efforts at mediation inside Burma are, unfortunately, in tatters. That diplomatic solutions have been elusive is clear:
The West and Asia have been at loggerheads over divergent approaches to Burma for years; both quiet persuasion andbusiness investments, over loud human rights moralizing and sanctions, have been equally ineffective in shifting this implacable and shady regime. As China’s heavy investments show, especially recently announced plans to build two massive oil and gas pipelines through Burma into Yunnan, the SPDC is content to maintain control over a resentful population as long as they can survive on the proceeds of natural resource sales and the diplomatic cover provided by China, Russia, India and Burma’s Southeast Asian neighbours.

The world must speak out, now more than ever, to deny legitimacy to a military reform process that mocks the very idea of democracy and fundamental freedoms. The regime thrives on frustration and lack of attention, happily repressing its people in quiet. If we do not loudly and strongly condemn this draconian process, hundreds of Burma’s leading thinkers and performers will disappear into the country’s squalid gulag, and the ephemeral promise of a liberal and free Burma could well be lost to another generation.

David Scott Mathieson is Burma consultant for Human Rights Watch.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Ken Roth

Diretor Executivo do Human Rights Watch explica como os abusos ao meio-ambiente têm causado violações de direitos humanos em Darfur, na Nigéria, na Indonésia e em Angola na primeira da série de palestras do Instituto B. Kroc para Paz & Justiça da Universidade de San Diego.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Ossétia do Sul: Rússia criticou relatório da HRW sobre conflito com a Geórgia

Moscovo, 27 Jan (Lusa) - A Rússia criticou segunda-feira o relatório da organização Human Rights Watch sobre "os crimes de guerra" cometidos durante o conflito russo-georgiano de Agosto passado pelo controlo da Ossétia do Sul, afirmando que se baseia "em argumentos sem fundamento".

No seu relatório tornado público sexta-feira, a organização, com sede em Nova Iorque, acusou a Rússia e a Geórgia de terem atingido civis em ataques cegos e as milícias da Ossétia de terem levado a cabo "uma limpeza étnica" contra os Georgianos do território independentista.

"O relatório baseia-se em lugares comuns e argumentos sem fundamento" já referidos pelos meios de comunicação social, afirmou o ministério russo dos Negócios estrangeiros.

O ministério recusa a maneira como a HRW fala na "responsabilidade da Rússia nas acções das forças da Ossétia do Sul e na resposta desproporcionada (das forças russas) à agressão georgiana".

Mas, segundo o comunicado do ministério, "o relatório não menciona praticamente os estragos colossais sofridos pela Ossétia do Sul na sequência da agressão georgiana".

A Rússia enviou soldados para a Geórgia no início de Agosto, após o desencadeamento por Tbilissi de uma ofensiva para tentar reassumir o controlo da Ossétia do Sul.

LMP

Lusa/fim

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

ONGs pedem fim de violência e corredor humanitário urgente

Nações Unidas (EFE).- Várias ONGs pediram hoje o imediato fim da violência contra a população civil de Gaza e exigiram a Israel a abertura urgente de um corredor humanitário para assisti-los.

"Israel fracassou em sua obrigação legal de proporcionar alimentos e remédios à população civil em Gaza", indicou hoje o responsável da Human Rights Watch (HRW) para o Oriente Médio, Sarah Leah Witson, em entrevista coletiva nas Nações Unidas.

Essa ONG criticou assim como Oxfam International, World Vision International e Care International a operação que as forças armadas israelenses iniciaram há 12 dias contra o grupo islamita Hamas em Gaza e que ocasionaram uma crise humanitária entre a população desse território que já sofria a conseqüências de 18 meses de bloqueio.

A Oxfam International disse que "enquanto os ministros de Relações Exteriores tentam aprovar uma resolução sobre a crise do Oriente Médio, dezenas de milhares de famílias seguem sob o bloqueio em Gaza e sofrem condições de vida desesperadas com muitos feridos civis em um sistema humanitário quase quebrado".

Por sua parte, o porta-voz da Oxfam em Jerusalém, Michael Buile, afirmou que "as pessoas (em Gaza) não podem ser castigada por algo que eles não podem controlar", em referência aos radicais do Hamas que deste território bombardeiam com foguetes o sudoeste de Israel.

"Bloquear 1,5 milhão de pessoas, restringir a eletricidade, cortar a água, durante 18 meses é inaceitável; 40% da população palestina sofre esse bloqueio" de Israel, acrescentou Builey.

Além disso, Oxfam qualificou essa situação de "insuportável", pois afeta fundamentalmente as crianças de Gaza, que representam 56% dos 1,41 milhões de habitantes.

Sobre o corredor humanitário proposto pelas autoridades israelenses, Oxfam considerou que seu alcance será "limitado", devido às numerosas dificuldades por motivos de segurança para o transporte de abastecimentos.

"A escuridão se apossou de Gaza, não há comida nos mercados e faltam remédios. Não há alimentos, nem água ou eletricidade", acrescentou Yazdam Al Amawi, da Care International.
Além disso, a organização Save the Children denunciou que a crítica situação de Gaza "põe em perigo a vida de cada um de suas crianças, da mesma forma que a das crianças israelenses das áreas atacadas", pelo que exigiu a ambas partes o imediato fim de suas ações violentas.

A ONG afirmou que até agora 101 crianças palestinas morreram, e que até ontem, dos 2.550 palestinos feridos, 1.134 são menores e mulheres, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo dados da agência da ONU para os refugiados palestinos no Oriente Médio (UNRWA), 91 escolas desse território estão sendo utilizadas para abrigar 40 mil refugiados

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

A difícil sobrevivência das mulheres-girafa

Discriminadas em sua terra natal, as paudangs, como são conhecidas, refugiam-se na Tailândia onde se transformaram em atração turística


Em janeiro do último ano, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) recomendou aos turistas que não visitassem os povoados dos padaung na Tailândia por considerarem que são "zoológicos humanos". No entanto, milhares de turistas visitam todos os anos as "mulheres-girafa", que posam indiferentes enquanto são fotografadas de forma incessante. Vestidas com blusas brancas e bombachas, as mulheres padaung (que significa "pescoço longo" ) ganham um sustento com a venda de lenços, braceletes e de figuras confeccionadas por elas próprias.

Os homens do povoado, que ficam desocupados a maior parte do tempo, são os encarregados de cobrar as entradas de 500 bats (cerca de US$ 14 ou 11 euros) aos turistas estrangeiros - um pouco menos aos tailandeses. Os lucros se dividem entre os líderes da tribo, os guias turísticos e as "mulheres-girafa", que podem chegar a ganhar cerca de 3 mil bats (US$ 80 ou 68 euros) mensais. Luank, que chegou há cinco anos à Tailândia, explicou que o dinheiro que ganha com o turismo é sua única fonte de renda, já que não podem trabalhar na Tailândia por sua condição de refugiados. "Nossos filhos vão ao colégio e temos provisão de luz e água, mas nossa única fonte de renda é o turismo, porque não temos licença para realizar outros trabalhos fora da aldeia", relata a mulher, que deu à luz seus dois filhos em território tailandês.

Carecendo de terras para o cultivo de arroz, também precisaram abandonar a agricultura, sua principal atividade econômica quando viviam em Mianmar. "Não me importa que tirem fotos e, embora sinta saudade do meu país, estou contente com a vida que levo aqui", insiste Luank, em uma mistura de resignação e complacência. Conflitos - A maioria dos habitantes de Meta Man não acompanha a atualidade política de seu país, onde a Junta Militar atua impunemente contra as minorias tribais, com as quais mantém um conflito bélico há quatro décadas.

Segundo os relatórios da ONG Anistia Internacional e Human Rights Watch, o exército birmanês obrigou centenas de milhares de pessoas a se refugiar, dentro e fora de seu país.Várias testemunhas relatam que os soldados violam sem hesitação as jovens das tribos e capturam os homens para que trabalhem em condições de semi-escravidão na construção de estradas, pontes e outras obras públicas.

Muitos fogem para a Tailândia, onde sobrevivem com dificuldades porque o governo não reconhece a eles o status de refugiados, embora ceda terras para que vivam. Luank reconhece que no povoado-reserva da Tailândia tem a oportunidade de conservar seus costumes e raízes, apesar de ao preço de se exibir como atração turística.

"Em Mianmar, muitas têm que emigrar às cidades pelas duras condições nas zonas rurais e precisam tirar os aros do pescoço", explica. Muitos turistas negam-se a visitar estas aldeias, mas outros alegam que contribuem para a sobrevivência das mulheres-girafa graças ao dinheiro das entradas e à compra de souvenirs. As mulheres realizam as tarefas domésticas, comercializam seus produtos artesanais com os turistas ebrincam e correm pelo povoado sem que os acirrados aros lhe representem nenhum obstáculo.

Saiba mais

As "mulheres-girafa" recebem este apelido pelos aros de cobre que colocam no pescoço para alongá-lo, o que lhes confere um aspecto esbelto ao pressionar para baixo os ombros e elevar a mandíbula, como se mostrassem uma curiosidade perpétua por observar o que lhes rodeia.

No total, há cerca de 15 aldeias padaung espalhadas pelo norte tailandês. Existem cerca de 7 mil mulheres birmanesas que utilizam estes aros. No entanto, muitas fugiram para a Tailândia fugindo da guerra e da repressão que às quais estavam submetidas em seu país de origem.

Fonte: Diário de Pernambuco

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

HRW pede que se evite fazer civis de alvo no conflito em Gaza

NOVA YORK (AFP) — A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) pediu nesta terça-feira a Israel e ao Hamas evitar tomar civis como alvo em seu conflito.

"Israel e o Hamas devem ambos respeitar as leis da guerra que proíbem os ataques deliberados e indiscriminados contra civis", informou a HRW em comunicado.

Human Rights Watch acrescentou que os projetis do Hamas contra cidades israelenses não discriminam entre alvos civis e militares, destacando também que o bombardeio israelense em Gaza é "ilegal"; denunciou três incidentes que provocaram a morte 18 civis, entre eles pelo menos sete crianças.

Mais de 370 palestinos - dos quais a sexta parte eram civis - e quatro israelenses morreram desde sábado passado nos combates.