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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Análise: Solução de 'dois estados' pode ser sepultada no Oriente Médio

Sem ela, Israel ficará 'murado', protegendo-se de três estados falidos. Entenda quais os desafios diplomáticos do governo Obama na região.

Thomas L. Friedman
Do New York Times

Avise-me se você já ouviu essa antes. "Rapazes entram no bar..." Não, essa não – esta: "Este é o ano mais crítico de todos para a diplomacia palestina-israelense. São cinco para a meia-noite. Se não recuperarmos a diplomacia logo, será o fim da solução dos dois estados".

Ouvi essa frase praticamente todos os dias nos últimos vinte anos, e nunca caí nessa. Bom, hoje, estou começando a acreditar.

Estamos chegando perigosamente perto de fechar a janela para a solução dos dois estados, pois os dois principais fechadores de janela – o Hamas, em Gaza, e os colonos judeus fanáticos da Cisjordânia – têm ocupado o assento do motorista. O Hamas está ocupado em tornar inconcebível a solução dos dois estados, enquanto os colonos têm trabalhado persistentemente para fazer com que ela seja impossível.

Foto: AFP
Palestinos observam moto destruída durante bombardeio de Israel a Khan Younis, na Faixa de Gaza, nesta quinta-feira (29). (Foto: AFP)


Se o Hamas continuar a obter e usar foguetes de alcance cada vez mais longo, não existe jeito de qualquer governo israelense poder ou querer tolerar o controle palestino independente da Cisjordânia, pois um foguete lançado dali pode facilmente fechar o aeroporto de Tel Aviv e acabar com a economia de Israel.

Se os colonos judeus continuarem com seu "crescimento natural" para devorar a Cisjordânia, essa solução também estará efetivamente descartada. Nenhum governo israelense juntou a disposição de remover até os assentamentos "ilegais", não-autorizados, apesar das promessas dos Estados Unidos, então fica difícil entender como os assentamentos "legais" serão alguma vez removidos. Para as eleições em Israel, em 10 de fevereiro, é necessário um governo de unidade nacional que possa resistir à intimidação dos colonos, e os partidos mais de direita que os protegem, para conseguir implementar uma solução de dois estados.

Pois, sem uma solução de dois estados estáveis, o que teremos é Israel se escondendo atrás de um muro alto, defendendo-se de um estado falido controlado pelo Hamas em Gaza, de um estado falido controlado pelo Hezbollah no sul do Líbano e de um estado falido controlado pelo Fatah em Ramallah. E bom dia para vocês.

Então, se você acredita na necessidade de um estado palestino ou se você ama Israel, é melhor começar a prestar atenção. Isso não é um teste. Estamos na curva da história.

O que faz disso algo tão desafiador para a nova equipe de Obama é que a diplomacia do Oriente Médio tem se transformado, como resultado da desintegração regional desde Oslo, de três formas principais.

Primeiro, nos velhos tempos, Henry Kissinger podia voar para três capitais, reunir-se com três reis, presidentes ou primeiros-ministros e chegar a um acordo capaz de ser mantido. Não mais. Hoje, um pacificador tem de ser tanto um construtor nacional quanto um negociador.

Os palestinos estão tão fragmentados, politicamente e geograficamente, que metade da diplomacia dos Estados Unidos será sobre como alcançar a paz entre os palestinos e erguer suas instituições, para assim haver uma entidade coerente, legítima e decisória ali – antes de alcançar a paz entre os israelenses e os palestinos.

Segundo, o Hamas agora tem um veto em relação a qualquer acordo de paz palestino. É verdade que a facção acaba de provocar uma guerra precipitada que devastou a população de Gaza. Mas o Hamas não vai embora. Ele é bem-armado e, apesar de seu comportamento suicida de ultimamente, é profundamente enraizado.

A Autoridade Palestina, liderada por Mahmoud Abbas na Cisjordânia, não fará qualquer tipo de compromisso de paz com Israel, já que teme que o Hamas a denuncie como traidora. Logo, a tarefa número dois para Estados Unidos, Israel e os estados árabes é encontrar uma forma de trazer o Hamas a um governo palestino de unidade nacional.

Como diz o especialista em Oriente Médio, Stephen P. Cohen: "Não é suficiente para Israel que o mundo reconheça que o Hamas negligenciou criminalmente sua responsabilidade para com seu povo. O interesse de longo prazo de Israel é certificar-se de que tem um aliado palestino para as negociações, que terão legitimidade suficiente entre seu próprio povo, para poder assinar acordos e realizá-los. Sem o Hamas como parte de uma decisão palestina, qualquer paz entre Israel e Palestina será sem sentido".

Porém, trazer o Hamas para um governo unificado palestino, sem minar os moderados da Cisjordânia, que hoje lideram a Autoridade Palestina, será algo difícil. Precisamos que a Arábia Saudita e o Egito comprem, persuadam e pressionem o Hamas a manter o cessar-fogo, apoiando diálogos de paz e contra os foguetes – enquanto o Irã e a Síria vão tentar convencer o Hamas do contrário.

E isso leva ao terceiro novo fator – o Irã como jogador fundamental na diplomacia palestina-israelense. A equipe de Clinton tentou cortejar a Síria ao mesmo tempo em que isolava o Irã. O presidente Bush isolou tanto o Irã quanto a Síria. A equipe de Obama, como sustenta Martin Indyk em "Innocent Abroad: An Intimate Account of American Peace Diplomacy in the Middle East", "precisa tentar trazer a Síria, o que enfraqueceria o Hamas e o Hezbollah, ao mesmo tempo em que envolve o Irã também".

Então, resumindo: são cinco para a meia-noite. Antes do relógio dar as 12 badaladas precisamos reconstruir o Fatah, fundi-lo com o Hamas, eleger um governo israelense que possa congelar os acampamentos, cortejar a Síria e envolver o Irã – ao mesmo tempo em que evita que este último se torne nuclear – para convencermos as partes a iniciar um diálogo. Quem conseguir alinhar todas as peças desse cubo mágico diplomático merece dois Prêmios Nobel.

Hamas confirma em Damasco trégua oferecida a Israel

Damasco, 26 jan (EFE).- Fontes do Hamas em Damasco confirmaram hoje à Agência Efe que o movimento islamita ofereceu um ano de trégua a Israel em troca do fim do bloqueio à Faixa de Gaza e da reabertura de suas fronteiras.

Em uma conversa por telefone, a fonte, que pediu para não ser identificada, explicou que a oferta foi apresentada ontem às autoridades egípcias, que trabalham como mediadoras nas conversas indiretas entre o Hamas e Israel.

Fontes do grupo na Faixa de Gaza tinham informado mais cedo à Efe sobre a proposta de trégua.
O Hamas aceitará uma trégua "que garanta que Israel se comprometa a interromper o bloqueio e abrir totalmente os cruzamentos fronteiriços", declarou à Efe um representante do Hamas que pediu para não ser identificado.

"A delegação que está no Cairo está autorizada não apenas a abordar assuntos da trégua e a reabertura dos cruzamentos, mas também outros como a reconciliação interna palestina", declarou.

As negociações que acontecem na capital egípcia são lideradas pelo enviado do Ministério da Defesa israelense, Amos Gilad, pelo chefe da Inteligência egípcia, Omar Suleiman, e pelo representante do Hamas, Ayman Taha.

A imprensa palestina disse que o Hamas poderia se comprometer a um período de cessar-fogo temporário de até 18 meses, enquanto Israel estaria apostando em uma calma de até dez anos.
Segundo informações dadas por Taha à emissora "Al Arabiya", o objetivo das conversas é conseguir uma trégua que tenha "melhores garantias" que a que se desenvolveu nos últimos seis meses de 2008.

"Israel sugeriu que poderia aceitar uma trégua de 18 meses em troca de reabrir as passagens fronteiriças e interromper parcialmente o bloqueio, mas o Hamas o rejeita: o bloqueio deve terminar completamente", declarou Taha.

O líder do Hamas Ismail Raduan disse ontem aos jornalistas em Gaza que "as conversas no Cairo têm por objetivo conseguir um cessar-fogo limitado que não exceda um ano".

"Não aceitaremos uma trégua longa que acabe com a resistência armada, pois a resistência é um direito legal do povo palestino enquanto existir a ocupação", declarou Raduan.

O Hamas também não aceitará "nada menos que a reabertura de todos os postos fronteiriços entre Gaza e Israel e também da passagem de Rafah entre Egito e Gaza. Simplesmente, não aceitaremos uma trégua que não acabe com a agressão (israelense)", declarou.

Por outro lado, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse hoje: "Acho que estamos ante o início de um longo período de calma no sul (de Israel), que é resultado da dissuasão que alcançamos".

Barak também expressou sua confiança de que "haverá um estímulo no processo para trazer Gilad Shalit (soldado israelense preso em Gaza desde junho de 2006) para casa".

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Gaza: Israel recusou proposta de cessar-fogo do Hamas

O Governo israelense recusou, esta manhã de sexta-feira, o cessar-fogo proposto pelo movimento radical Hamas para a Faixa de Gaza, por não aceitar algumas das condições impostas pelos palestinianos, nomeadamente, a duração da paz e a forma como deveriam decorrer os controlos fronteiriços.

Depois do Hamas ter proposto uma trégua de 12 meses no conflito, exigindo, por outro lado, a retirada total das tropas israelitas na Faixa de Gaza e o levantamento do bloqueio imposto ao enclave, fontes israelenses e ocidentais já assumiram, a coberto do anonimato, que Israel não aceita um cessar-fogo temporário, por considerar que «um limite de tempo para qualquer período de paz é um erro. Vimos isso quando a trégua anterior acabou, tudo não passou de uma desculpa para a escalada da violência».

Recorde-se que o Governo israelense lançou a atual ofensiva contra a Faixa de Gaza uma semana depois do Hamas ter anunciado que não renovaria a trégua de seis meses implementada na região.

Israel já disse que a ofensiva tem por objetivo colocar um ponto final no lançamento de foguetes, por parte do Hamas, contra território israelense.

Entretanto, o Estado hebreu também já anunciou ter enviado Amos Gilad, uma autoridade israelita de Defesa do primeiro escalão, ao Egito, para apresentar perante a mediação egípcia a posição de Israel.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Israel e Hamas rejeitam resolução da ONU de cessar-fogo

O governo israelense disse que vai continuar sua campanha militar na Faixa de Gaza, apesar da resolução do Conselho de Segurança da ONU que pede um cessar-fogo imediato e durável. O grupo palestino Hamas também rejeitou a proposta da ONU.

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse que é impossível negociar sob a resolução do Conselho de Segurança, já que, segundo ele, as "organizações palestinas assassinas" não vão aderir a ela.

A resolução, esboçada pela Grã-Bretanha e aprovada por 14 dos 15 membros do órgão, pede, além do cessar-fogo, o livre acesso de agências de auxílio humanitário a Gaza e que os países-membros intensifiquem os esforços para fazer com que se alcance uma trégua duradoura.

Este foi o primeiro posicionamento oficial do Conselho de Segurança da ONU em relação ao conflito desde o início da ofensiva israelense, em 27 de dezembro.

Na noite de quinta-feira e na manhã desta sexta-feira, mais de 50 ataques israelenses atingiram a Faixa de Gaza. Os palestinos continuaram lançando foguetes contra Israel.

Uma trégua de três horas foi decretada na Faixa de Gaza, para permitir que ajuda humanitária entre na região.

As estimativas são de que, em quase duas semanas, o conflito tenha matado 770 palestinos e 14 israelenses.

Investigação

A Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, está defendendo uma investigação independente de violações do direito internacional durante o conflito na Faixa de Gaza.

Em um discurso durante uma reunião de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU, Pillay pediu acesso irrestrito de equipes de ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

Na reunião, a ONU expressou preocupação especial com um ataque de Israel nesta semana que deixou 30 mortos.

Testemunhas dizem que mais de cem palestinos foram colocados por soldados israelenses em um prédio. Os soldados teriam pedido que as pessoas não deixassem o local. No dia seguinte, o prédio foi atacado.

Ajuda humanitária

Nesta sexta-feira, a ONU anunciou que irá retomar suas operações de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, após ter recebido garantias do governo israelense sobre a segurança de seus funcionários.

Na quinta-feira, a ONU havia decidido interromper suas operações no território devido ao perigo que seus funcionários correm com os bombardeios israelenses, depois que um motorista da agência foi morto em um ataque contra um comboio.

"A ONU recebeu garantias de que a segurança de seu pessoal, suas instalações e operações humanitárias será totalmente respeitada", disse a porta-voz Michelle Montas, em Nova York.

Segundo a porta-voz, a ONU recebeu a garantia de que haverá uma "coordenação interna mais eficaz" dentro do Exército israelense.

"Com base nisso, a movimentação de pessoal das Nações Unidas, suspensa ontem (quinta-feira), será retomada o mais rápido possível", afirmou Montas.

A porta-voz disse ainda que a ONU irá manter as condições de segurança de seus funcionários em Gaza sob constante avaliação.

Brasil e Irã têm pensamentos semelhantes sobre Gaza, diz iraniano

Abbasi foi enviado pelo governo do Irã para discutir conflito. País asiático deseja julgamento de Israel por crimes de guerra.

Eduardo Bresciani
Do G1, em Brasília

O representante do Irã enviado ao Brasil para debater o conflito na Faixa de Gaza, Mohammad Abbasi, afirmou que os dois países têm pensamentos semelhantes sobre o tema. Abbasi se encontrou com o assessor de assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, e com o secretário-geral do Ministério de Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, nesta sexta-feira (9) em Brasília e entregou a eles uma carta do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

Foto: Janine Moraes/ABr
O iraniano Mohammad Abbasi, que foi enviado pelo Irã ao Brasil para discutir o conflito na Faixa de Gaza (Foto: Janine Moraes/ABr)


Para Abbasi, a situação internacional é contra a posição de Israel. “Atualmente, a situação internacional é contra o sionismo. O que é importante em nossas conversas mostrou posição semelhante do Brasil e do Irã."

De acordo com o representante iraniano, os dois países estão trabalhando juntos para o fim do conflito. Abbasi espera que sejam abertas as fronteiras de Gaza para a entrada de ajuda internacional. Ele afirma que Israel não permitiu a instalação de hospitais e clínicas próximos à fronteira de Gaza para dar assistência medica aos feridos no conflito.

O Irã deseja também que Israel seja julgado por crimes de guerra. “Desejamos que o violador seja condenado na corte internacional”, disse o representante iraniano.

Sobre o Hammas, Abbasi afirma que o grupo está apenas defendendo o povo palestino. “Com certeza eles têm direito de apoiar seu povo. Quem votou para eles está esperando que os defenda. Como vocês sabem, o Hamas é um governo legítimo e tem direitos legais."

Além do Brasil, outros países latino-americanos recebem a visita de representantes iranianos. Venezuela, Cuba, Bolívia e Equador são alguns dos países-alvo da diplomacia iraniana.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Especialista fala sobre bombardeio na Faixa de Gaza

O professor de Relações Internacionais da PUC-Rio, Márcio Scalercio, acredita que seria necessária uma ação internacionail para acabar com o conflito entre palestinos e isrealenses na Faixa de Gaza.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Israel e a Faixa de Gaza

O Professor Marcio Scalercio, da PUC-Rio, dá sua perspectiva sobre o conflito.



terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Israel anuncia que vai convocar 6,5 mil reservistas para ação militar em Gaza

Número de mortos pelos bombardeios a alvos do Hamas passa de 270. Ataques seguem neste domingo, e Israel concentra tropas na fronteira.

Israel vai mobilizar 6.500 reservistas do Exército para participar dos ataques contra a Faixa de Gaza, iniciados no sábado, informou neste domingo (28) o gabinete do premiê Ehud Olmert.

A decisão é mais um indício de que a ofensiva israelense ao território palestino, controlado pelo movimento islâmico Hamas, deve se ampliar e também que ela pode incluir o uso de forças terrestres, que já começam a se concentram em pontos da fronteira entre Israel e Gaza.

Foto: AFP

Palestino caminha neste domingo (28) entre destroços de prédio destruído pelo bombardeio de Israel na Cidade de Gaza. (Foto: AFP)


Já atinge 270 o número de mortos nos bombardeios a alvos militares do movimento islâmico em Gaza, informaram neste domingo os serviços de emergência palestinos. É o mais intenso ataque de Israel a alvos palestinos pelo menos desde a Primeira Intifada, em 1987.

Foto: Arte G1

Foto: Arte G1

Mapa da Faixa de Gaza localiza cidades alvejadas nos ataques deste sábado (27). (Foto: Arte G1)

O número de feridos passa de 750, 120 deles em estado grave, segundo o médico Muawiya Hassanein, responsável pelos serviços de emergência no território.

Em represália ao ataque israelense, o Hamas voltou a lançar foguetes contra Israel no sábado. Uma civil israelense morreu e quatro pessoas ficaram feridas em uma casa atingida em cheio na cidade de Netivot.

Novos bombardeios

O Hamas e testemunhas relataram novos ataques aéreos israelenses a Gaza neste domingo. Teriam sido atacadas a Cidade de Gaza, o campo de refugiados de Jabaliyah, e o norte e o sul do território, nas cidades de Khan Yunes e Rafah. Israel não confirmou oficialmente os ataques.


Um dos ataques teria ferido 10 policiais do Hamas. Outra ação teve como alvo o edifício do "conselho de ministros" do Hamas em Gaza. As ruas da cidade de Gaza estavam praticamente desertas, com lojas e escolas fechadas em sinal de luto.

Israel também começou a concentrar tanques e tropas na fronteira com a Faixa de Gaza, segundo fotógrafos da France Presse.

Na fronteira norte, próximo à passagem de Erez, havia ao menos 16 tanques, e outros chegavam, transportados por caminhões militares. Vários veículos de transporte de tropas também estavam estacionados na região.

ONU pede fim dos ataques

Também neste domingo, o Conselho de Segurança da ONU pediu o fim imediato de todas as atividades militares na Faixa de Gaza e apelou para que todos levem em conta a crise humanitária no território de 1,5 milhão de habitantes.

O embaixador da Croácia na ONU, Neven Jurica, leu um comunicado em nome dos 15 integrantes do conselho, no qual pede "o cessar imediato de toda violência" e a interrupção imediata de todas as atividades militares.

O texto não menciona explicitamente Israel nem o Hamas.

Antes da reunião em caráter de urgência, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou em comunicado que estava "profundamente alarmado" pela "dura violência e o derramamento de sangue em Gaza, assim como pela violência no sul de Israel".

Ele pediu o "fim imediato da violência" e, embora tenha reconhecido as preocupações em matéria de segurança de Israel "pelo contínuo lançamento de foguetes de Gaza", reiterou a obrigação desse país de "respeitar os direitos humanos e o direito humanitário internacional".

Ban assegurou que entraria em contato imediato com líderes regionais e internacionais, incluindo os membros do quarteto de mediadores internacionais para o Oriente Médio (ONU, Estados Unidos, União Européia e Rússia), "em um esforço para dar fim à violência".

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse neste domingo que o Hamas poderia ter impedido o ataque israelense a Gaza. "Nós falamos com eles e pedimos que não terminassem a trégua, para que pudéssemos ter evitado o que aconteceu", disse ele no Cairo.

Abbas referia-se à trégua de seis meses no território, patricinada pelo governo egípcio, e que foi rompida unilateralmente pelo Hamas no último dia 19. O fim da trégua provocou uma escalada de violência na região, com militantes palestinos lançando ataques contra território israelense. Isso levou o governo de Israel aos ataques do sábado, após alguns dias de ameaças.

O premiê de Israel, Ehud Olmert, disse neste domingo que seu governo vai agir com "sensatez, paciência e firmeza" até "alcançar os resultados desejados" na ofensiva militar. A declaração foi feita durante a reunião semanal com o conselho de ministros.

Os ministros de Relações Exteriores dos países árabes devem se reunir na próxima quarta-feira no Cairo a fim de analisar os ataques, informou o secretário-geral da Liga Árabe, Amre Moussa. Na reunião, será buscada uma posição de consenso no caso.

O chanceler do Egito, Ahmed Abul Gheit, disse que está tentando obter um novo cessar-fogo entre as partes que possa ser transformado em uma trégua.

O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, pediu à sua colega de Israel, Tzipi Livni, que "detenha urgentemente" a operação militar em Gaza, informou a chancelaria russa em comunicado.


Como foram os ataques de sábado

A Força Aérea de Israel lançou um ataque aéreo com aviões e helicópteros contra alvos do movimento islâmico Hamas em toda a Faixa de Gaza às 11h30 locais (7h30 de Brasília) do sábado. Foi o maior ataque israelense a forças palestinas desde março deste ano.

Mais de 270 pessoas morreram vítimas do ataque na Cidade de Gaza e em outras cidades e campos de refugiados, principalmente no norte do território. Os hospitais confirmam mortes na Cidade de Gaza e também em Khan Younis e Rafah, no sul do território. Muitos civis e crianças estão entre as vítimas, e os hospitais estão lotados, segundo testemunhas.

O ministério israelense da Defesa confirmou o ataque, informou que não houve baixas israelenses e disse que mais ações militares contra alvos do Hamas serão tomadas se for julgado necessário para interromper os ataques com mísseis a Israel, feitos por militantes do Hamas a partir da Faixa de Gaza.

A aviação israelense atacou 230 objetivos do Hamas, informou o Exército de Israel no domingo. Segundo o porta-voz, os alvos foram infra-estruturas militares do movimento islâmico como edifícios, arsenais e zonas de lançamento de foguetes.

O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, disse que a operação israelense no território vai ser ampliada e expandida. "Não vai ser fácil e não vai ser curto", disse Barak. "Há tempo para a calma e tempo para a luta, e agora chegou a hora de lutar."

Hamas, Jihad Islâmica e outros grupos islâmicos prometeram "vingança". O Hamas pediu a seus integrantes que "vinguem pela força" a agressão de Israel, segundo comunicado difundido por rádio.

"Todos os combatentes estão autorizados a responder à matança israelense", disse um comunicado divulgado pela Jihad Islâmica.

As declarações levaram Israel a deixar a polícia em estado de alerta em todo o território do país.

Ainda no sábado, o governo do Egito abriu a passagem de Rafah, na fronteira com Gaza, para permitir a entrada de ajuda humanitária e a saída de feridos pelo bombardeio. No domingo, o ministro egípcio de Relações Exteriores acusou o Hamas de estar impedindo a evacuação de feridos.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Hamas liberta 17 membros do Fatah em Gaza

GAZA (AFP) - O Movimento de Resistência Islâmica palestino (Hamas), que controla Gaza, libertou nesta quinta-feira 17 membros do partido rival Fatah, do presidente palestino, Mahmud Abbas, por ordem do chefe do governo islamita Ismail Haniye.
Os 17 homens, todos dirigentes do Fatah, deixaram Saraya, a principal prisão de Gaza.
Haniye anunciou a libertação de presos políticos num gesto de boa vontade antes de um diálogo de reconciliaçao interpalestino previsto no Egito para 9 de novembro.
O Hamas se apoderou do poder em Gaza em junho de 2007 expulsando as forças do partido Fatah do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.