Paris - A França deve "impulsionar" a União Europeia e as Nações Unidas a "engajarem-se" para a segurança dos civis congoleses na ocasião da visita relâmpago do presidente francês, Nicolas Sarkozy , hoje (quinta-feira) à República Democrática do Congo (RDC), estima a Oxfam France.
Num comunicado, a "Oxfam Oxfam France-Agir " apela a Sarkozy no sentido de "fazer do compromisso francês em prol do retorno à paz e à estabilidade na região dos Grandes Lagos um exemplo a seguir para a União Europeia e as Nações Unidas que devem contribuir mais para a protecção das populações civis congolesas".
"Esta visita é um sinal político forte e bem-vindo que a França envia às populações congolesas em aflição", acrescenta Luc Lamprière, director desta ONG, sublinhando que após uma renovação do interesse há alguns meses, a RDC "não é mais hoje manchete dos meios de comunicação social ou das prioridades diplomaticas" visto que "a situação no terreno continua crítica" no leste do país com o prosseguimento das pilhagens e violações, bem como das dezenas de milhares de deslocados no Kivu-Norte.
"Esperam que Nicolas Sarkozy saberá testemunhar a urgência desta crise humanitária junto dos seus parceiros do G20 na próxima semana, em Londres", prosseguiu.
O desdobramento dos 3.000 capacetes azuis suplementares prometidos em Outono passado é "uma urgência vital", estima Lamprière, "assim como a tradução, por último, nos factos da obrigação de protecção das populações civis" que vivem "com medo" face às exacções dos rebeldes e das forças armadas da RDC.
Sarkozy deve efectuar quinta-feira e sexta-feira curtas visitas na RDC, no Congo e no Níger.
A organização sediada nos Estados Unidos ”Human Rights Watch” revelou que a idade média da ”criança soldado” encontra-se entre os 13 e os 17 anos, mas algumas são jovens de oito ou nove anos. Utilizam armas em combate, servem de detectores humanos de minas, participam em missões suicidas, e agem como espiões, mensageiros ou vigias.
Jo Becker, responsável da Human Rights Watch, indica que ”milhares de crianças tem sido raptadas de suas casas e das suas comunidades, e sujeitas às piores formas de violência”. Acrescenta a mesma fonte que, citamos, ”as crianças fazem soldados obedientes, pois são vulneráveis e facilmente intimidáveis”. São forçadas a cometer atrocidades contra elementos da sua própria comunidade, algumas vezes contra elementos da sua própria família, acrescenta ainda Jo Becker.
As raparigas são utilizadas com frequência como esposas dos comandantes e submetidas essencialmente à escravatura sexual.
O estudo realizado por especialistas belgas demonstra que estes jovens ficam com graves cicatrizes do foro psicológico. Os especialistas entrevistaram mais de trezentas antigas crianças soldado que foram capturadas pelo movimento rebelde do norte do Uganda, o Exército da Resistência do Senhor.
A quase totalidade dos jovens - 97 por cento - sofreu desordens traumáticas após terem servido uma média de dois anos. Os problemas eram tipicamente a persistência de pesadelos, problemas de sono e dificuldade de concentração.
O estudo adianta que uma grande percentagem das crianças soldado testemunhou, ou participaram em assassinatos. Sete por cento foram forçadas a matar um elemento da família. Muitas raptaram outras crianças e participaram em actos de pilhagem e incendiaram habitações. Cerca de metade foram severamente espancadas. Um terço das raparigas foi abusada sexualmente, e um quinto delas deu à luz durante o cativeiro.
Os autores do estudo indicam que as crianças sofrem menos trauma se os país ainda forem vivos, e especial se a mãe ainda for viva. A reunião com as respectivas famílias e os anteriores ambientes sociais ajudam a recuperar a saúde psicológica, mas muitas crianças não têm a mesma sorte. Muitas das crianças já não têm pais, ou um dos pais já morreu, e tendo cometido muitas atrocidades contra os próprios vizinhos, torna difícil a sua re integração na comunidade .
A comunidade internacional tem centrado as atenções nos últimos anos no problema das crianças soldado. A “Convenção de 2002 sobre os Direitos da Criança”, a “Organização Internacional do Trabalho”, a “Acta Africana sobre Direitos e Bem Estar da Criança” proíbem o uso de crianças como soldados. O Tribunal Internacional Criminal define o recrutamento militar de crianças como sendo um crime de guerra.
Um editorial da revista médica ”Lancet”, que publica o estudo que estamos a referir, lamenta que o Conselho de Segurança das Nações Unidas não tenha punido os violadores, apesar dos debates anuais sobre a questão, desde 1998 e as condenações das partes envolvidas.
Jo Becker considera existirem alguns passos positivos, sublinhando que o Fundo das Nações Unidas para a Criança tem trabalhado com governos e organizações privadas para a desmobilização e a reabilitação de milhares de crianças na Serra Leoa, no sul do Sudão, no Afeganistão e ainda outros países. Um tribunal especial na Serra Leoa acusou 11 pessoas do crime de recrutamento de crianças durante o conflito.
Jo Becker concorda com o editorial da ”Lancet” ao referir que as sanções devem ser alargadas através de acções concretas para que não se fique apenas pelo mundo das palavras, nomeadamente uma actuação decidida do Conselho de Segurança da ONU para impor medidas contra os responsáveis.
Thalif Deen Nações Unidas, 06/01/2006, (IPS) - Quando os 1.700 soldados das forças de paz da Organização das Nações Unidas abandonaram Serra Leoa, no dia 31 de dezembro, a ONU qualificou essa missão como um enorme êxito em meio a um continente arrasado pelos conflitos étnicos e pelas guerras.
"A missão foi capaz de superar uma serie de importantes desafios políticos e militares e realizar uma operação de paz efetiva que deixa Serra Leoa muito melhor do que estava há cinco anos", orgulhou-se o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan.
Porém, os méritos políticos da missão podem ser ofuscados por uma onda de graves problemas econômicos que afetam esta pequena nação da África ocidental, com 5,5 milhões de habitantes, que ocupa o último lugar no Índice de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). "A pobreza continua sendo a principal ameaça à estabilidade neste país", disse o embaixador Daudi Mwakawago, representante especial da ONU em Serra Leoa. "Com desemprego de 70%, que afeta principalmente a juventude, os riscos para a segurança são evidentes", afirmou o diplomata no Conselho de Segurança, na semana passada.
Somente através de maior poupança nacional, do desenvolvimento do setor privado e dos investimentos estrangeiros diretos é possível compensar a previsível drástica queda das doações, por causa da maior competição mundial por esses recursos, disse Mwakawago. "A previsível redução da ajuda externa uma vez terminada a crise humanitária e o processo de recuperação do país, bem como o alto grau de corrupção que se percebe poderiam resultar em uma substancial escassez de capitais estrangeiros", advertiu Annan em um informe apresentado ao Conselho de Segurança. "Isto terá um impacto negativo na balança de pagamentos, na habilidade de manter a estabilidade macroeconômica e nos investimentos que o país necessita para seu crescimento econômico", disse o secretário-geral em seu informe.
Segundo o Fundo de População das Nações Unidas, a proporção da população de Serra Leoa abaixo da linha de pobreza era de 68% em 1990 (um ano antes do início da guerra) e 57% viviam com menos de um dólar por dia. Mas de acordo com o informe de Annan, que apresenta uma imagem mais detalhada da intensidade e profundidade da crise, "a brecha da pobreza" nacional (um indicador que mede a diferença entre renda média dos pobres e a linha de pobreza) é de 29%. A pobreza, segundo esse estudo, é muito mais profunda nas áreas rurais.
Marcus Thompson, diretor para Serra Leoa da organização humanitária internacional Oxfam, mostra-se um pouco mais otimista. "Confiamos que Serra Leoa continuará sendo um país pacífico, com ambiente estável e seguro que lhe permita continuar se desenvolvendo em sociedade com a comunidade internacional", disse Thompson à IPS. O país "tem agora a oportunidade de provar ao mundo seu compromisso com a paz, os direitos humanos e seu próprio destino como membro produtivo e apto da comunidade global", disse o ativista.
Ao cessar a Missão da ONU em Serra Leoa (Unamsil, sigla em inglês), as Nações Unidas citaram entre seus muitos sucessos o efetivo desarmamento, desmobilização e reintegração à vida civil de mais de 75 mil ex-combatentes envolvidos na guerra civil que atingiu o país entre 1991 e 2002. A força de paz da ONU, que chegou a ter 17.500 soldados, também teve papel preponderante na preparação e realização das eleições de 2002 e 2004, em ajudar o governo a recuperar o controle da exploração das jazidas de diamantes e em dar proteção ao Tribunal Especial para Serra Leoa encarregado de julgar os militares e combatentes acusados de crimes de guerra.
Os ganhos proporcionados pelas minas de diamantes aumentaram fabulosamente nos últimos anos, disse Mwakawago, principalmente devido à revisão e à reforma geral dessa indústria. A exportação de diamantes passou de US$ 10 milhões, em 2000, para US$ 130 milhões em 2004. De janeiro a novembro do ano passado, Serra Leoa exportou diamantes no valor de US$ 131 milhões, segundo dados da ONU. "O que ainda é necessário é reforçar a segurança, revisar o sistema de licenças, combater o contrabando e o trabalho infantil, distribuir os benefícios obtidos com a mineração de maneira eqüitativa, e também resolver as disputas limítrofes entre as comunidades", disse Mwakawago.
Com vistas às eleições presidenciais marcadas para 2007, a ONU espera ver a reestruturação da Comissão Nacional Eleitoral e a delimitação dos distritos eleitorais. "Estou convencido de que a realização de eleições livres e com credibilidade no ano que vem será um marco fundamental no processo para conseguir uma estabilidade duradoura em Serra Leoa", acrescentou o diplomata. No começo deste mês foi aberto o novo Escritório Integrado da ONU em Serra Leoa, que supervisionará a etapa de consolidação da paz. O governo do país também herdou a quase totalidade do equipamento militar que foi recolhido pela força de paz, incluindo 25 veículos leves e centenas de equipamentos de comunicação.
A comunidade internacional se ofereceu para ajudar esse país a reconstruir suas forças armadas. A Suíça enviou caminhões, os Estados Unidos três lanchas-patrulha, a China uma quarta lancha e a Holanda veículos militares. Annan disse que esse triunfo da Unamsil será usado como modelo a ser seguido em outras missões de paz em andamento. O secretário-geral também pediu a "todos os cidadãos de Serra Leoa que aproveitem esta oportunidade histórica única construída com o esforço de todos e a ajuda da Unamsil" e que "o futuro do país lhes pertence". Thompson afirmou que "a Oxfam tem toda a intenção de permanecer em Serra Leoa e continuar trabalhando por seu desenvolvimento".
Segundo Thompson, "temos um compromisso de ajudar o povo através de programas de direitos humanos, redução da pobreza, saúde, abastecimento de água, e continuaremos os trabalhos que fazemos desde 1961 junto aos nossos sócios, tanto nas tarefas de socorro como de assistência ao desenvolvimento. Agradecemos à Unamsil por seu árduo trabalho para manter a paz e temos confiança em que a Oxfam continuará fazendo sua parte para construir um ambiente estável e pacífico", acrescentou. (IPS/Envolverde)
What human rights activists never tell you about young killers.
"Child Soldiering Is a Human Rights Issue."
MUSTAFA ABDI/AFP/Getty Images
Exploited and dangerous: Child soldiers are more than just a moral hazard.
It's much more than that. It is also a geostrategic and development issue. Child soldiers are usually depicted as victims. That's accurate: Exploited, torn from their families, deprived of their education, and forced into battle, child soldiers are truly casualties of war.
But they're also assailants. Child soldiers are cheap and efficient weapons in asymmetric warfare. Accounts from the field tell of soldiers who are near free to recruit, cheap to feed, and quick to follow orders. They aptly learn how to employ brutal tactics. The Revolutionary United Front (RUF), a rebel group operating in Sierra Leone from 1991 to 2002, for example, was notorious for raping and mutilating the civilian population. It was often coerced children, and often high or drunk ones, who perpetrated the acts. The Liberation Tigers of Tamil Eelam, fighting for independence from Sri Lanka, relied on children for their suicide bombing missions during their decades-long campaign. At times, they found that children could much more easily penetrate targets than their adult counterparts.
Trained and educated in the ways of guerrilla war, many child combatants grow up in a world where brutality is the norm. The result is a violent gift that keeps on giving -- today's Taliban leaders reputedly cut their teeth in the field as child soldiers fighting the Soviets. In addition to inducing psychological trauma, a violent childhood reduces healthy educational opportunities, leaving militancy the only viable career path in later years. War becomes a way of life.
"There Are 300,000 Child Soldiers in the World."
Who knows? No one has ever made a serious attempt at surveying the world's child soldier population. This popularly cited number was touted by members of several child advocacy groups in the mid-1990s as a way to attract attention to the plight of child soldiers. But if this figure was ever true, it isn't now. Wars employing child soldiers, such as those in Angola, Liberia, and Nepal, have ended; the numbers have surely shrunk to match.
What would be more useful than a global number, however, would be an individual assessment by country -- through which local and international policymakers could assess the associated needs and threats. Having 300,000 child soldiers in a world of 6.8 billion matters far less than having 15 percent of a particular country's adolescent population engaged in soldiering. Child soldiers have constituted more than a quarter of all belligerents in many conflicts, including at least nine in Africa over the last two decades.
Not even close. You can forget about the popular image that the phrase "child soldier" evokes: a pre-adolescent African boy, perhaps doped, wielding an AK-47 with anger burning in his eyes. Many child soldiers are not armed combatants. They include messengers, porters, spies, and sex slaves. So great is the diversity of tasks that many advocates now prefer the less punchy but more accurate term, "children associated with fighting forces."
Nor does the gender distinction hold water. Recent studies estimate that girls represent as high as 40 percent of fighters in some armed groups. Girls have fought in nearly 40 wars in the last two decades.Like their male counterparts,girls do at times serve as combatants, just as both genders are recruited for sexual enslavement.
Certainly, child soldiering is a global phenomenon, not simply an African one. More than 70 military organizations in 19 countries around the world recruited and used them in armed hostilities between 2004 and 2007. Burma is among the largest users of child soldiers, with the government and rebel groups recruiting tens of thousands of children between them. In Colombia, Nepal, and Sri Lanka, child soldiers have taken to the battlefield. In fact, both Britain and the United States also recruit 17-year-olds, technically still children, on the grounds that they are not allowed into combat (though both have admitted to putting under-18s on the front lines in Afghanistan and Iraq). Australia, Austria, Canada, Luxembourg, the Netherlands, and New Zealand all have similar policies.
"Globalization Created Child Soldiering."
Wrong. Child soldiering is often portrayed as something new -- a product of the post-Cold War flow of cheap guns and money to the world's most failed states. In fact, child soldiers have been around for millennia. The Spartans of ancient Greece, for example, relied heavily on boys as young as seven. Later, the British Navy recruited young lads to serve as cabin boys and cannon-prepping "powder monkeys" throughout the 18th and 19th centuries. Large numbers of children fought on both sides in the U.S. Civil War.
What has changed is our awareness of child soldiers, boosted by monitoring, reporting, and even Hollywood spectacle. And this has coincided with a dramatic change in the perception of childhood, at least in the industrialized West, where early years are seen as a sacred time reserved for innocence, learning, and play. The West's view of children as needing nurture is an outlier in much of the rest of the world, where children are also an economic resource -- on farms and in households, markets, and factories.
As for the role of the small-arms trade, although an adolescent brandishing an AK-47 is certainly terrifying, most child soldiers never touch a weapon. Besides, in many recent wars the old-fashioned machete was preferred to the gun.
"Child Soldiers Are No Match for Western Militaries."
Only in conventional combat. Asymmetrical conflicts, however, are another story. Take suicide bombing, which child soldiers have carried out in the Palestinian territories, Iraq, Sri Lanka, and Chechnya. There is little that trained soldiers can do other than guess that a nearby child is in fact a suicide bomber. In Afghanistan, a 14-year-old was responsible for the first killing of a NATO soldier -- likely just one of the estimated 8,000 child soldiers who do or have worked as part of the Taliban's forces.
Face to face with child soldiers in battle, Western military forces are often befuddled as to what to do. Should they engage, retreat, surrender, or attempt to disarm? The U.S. Army's war manual, for example, offers no guidance on rules of engagement. The British Army only recognized the problem after one of its patrols was captured by child RUF soldiers in Sierra Leone, having been hesitant to attack the under-15-year-olds. Britain later used pyrotechnics and loud explosions in that conflict to induce panic among the ill-trained youngsters, many of whom would simply run away.
"Our Current Approach to Ending Child Soldiering Is Working."
You wish.The international community primarily deals with child soldiers through deterrence (prosecuting the adult recruiters) and demobilization (taking away the children's guns and sending them home). Neither approach goes far enough.
In the first case, prosecutors hope to set an example for future would-be offenders. But most recruiters think they will not get caught. Others, knowing that only those who lose the fight get hauled before international courts, desperately employ child soldiers to avoid defeat. Still others assume they will be granted amnesty after a cease-fire. The Lord's Resistance Army in Uganda is a perfect example. Elusive warlord Joseph Kony has employed child soldiers since the 1990swithout being captured, and Ugandan officials privately admit that they might need every carrot they can get (including amnesty) to negotiate a successful peace agreement.
Sending children home via disarmament, demobilization, and reintegration (DDR) programs is another favorite method of post-conflict planners. These programs are meant to get children and adolescents out of armies and back where they belong -- in schools or in jobs. But here again, results are mixed. Many organizers make the mistake of excluding girls from their programs. They often fail to understand the local economy and therefore train children for the wrong professions. In Liberia, for example, too many ex-combatants were educated as carpenters and hairdressers. Nor do the programs target the roots of intergenerational violence that will long outlast the active fighting. DDR initiatives are often too short term to do much more than superficial training, as even officials from the U.S. Agency for International Development will admit.
The biggest challenge of all in ending child soldiering lies in the types of conflicts that employ the young. Children tend to be recruited in brutal, long-running civil wars, the kind that simmer for years or even decades. Unfortunately, these wars constitute the main form of armed conflict today. Until they stop, the recruitment of children never will.
Scott Gates is director of the Centre for the Study of Civil War at the International Peace Research Institute, Oslo, and a professor at the Norwegian University of Science and Technology.
Há quem fale na queda de titãs. Há quem fale no declínio dos leviatãs políticos. Ou simplesmente em fragmentação partidária. Use-se a expressão que se usar, as legislativas que estão em andamento na Índia salientaram que o Partido do Congresso e o Bharatiya Janata Party (BJP, nacionalista hindu) não só não aguentam sozinhos um governo, como lutam cada vez mais pela própria sobrevivência.
Desde a última década que nenhum dos partidos nacionais consegue governar o país sem negociações e casamentos de conveniência. Desta vez, e se os resultados das legislativas - que serão anunciados a 16 de Maio - não trouxerem surpresas, nem as tradicionais alianças chegarão para garantir a formação de um executivo. Quer este calhe ao Congresso, como parece mais provável, quer ao BJP. Os dois parecem estar a pagar erros cometidos desde há décadas.
O mesmo homem que ajudou o país a caminhar para a independência, e que o levou para a democracia, não conseguiu fazer em casa o que fez na segunda nação mais populosa do mundo. O Partido do Congresso, que Jawaharlal Nehru criou, continua a escolher os seus líderes tendo em conta o apelido - Nehru-Gandhi à frente de qualquer outro.
"A Índia começou a viagem para a independência apenas com um partido genuinamente nacional", escreve Edward Luce no livro In Spite of The Gods. O Congresso pretendia representar todas as castas, religiões, línguas e raças. Mas na verdade "foi esmagadoramente dominado pelas elites urbanas e rurais vindas sobretudo das castas mais altas... Esta cultura persiste até hoje".
A favor do Governo
Mas o Congresso sabe também que sem o voto das castas mais baixas não se mantém no poder. Alguns indicadores poderão ajudar os eleitores a renovar a confiança que inesperadamente depositaram no partido em 2004, quando todas as previsões apontavam para uma nova vitória dos nacionalistas hindus.
"Houve programas de emprego muito importantes, aplicados em regiões rurais", afirmou ao PÚBLICO o analista Sanjay Kumar, do Centro de Estudos das Sociedades em Desenvolvimento de Nova Deli, para comentar as principais medidas tomadas pelo Governo do Congresso. Trata-se de uma forma de dar emprego pelo menos durante 100 dias por ano a qualquer indiano das zonas rurais que esteja sem trabalho. Ou seja, a dezenas de milhões de pessoas.
Apesar dos casos de corrupção que gerou, a medida foi louvada pelo Banco Mundial e o director para a Índia da agência Action Aid considerou-a "uma das leis mais progressistas que a Índia alguma vez teve", cita a Reuters.
Sanjay Kumar realça outra das gran-des vitórias do executivo de Manmohan Singh: "O direito à informação oficial, que criou mais confiança no Governo. Se queremos saber alguma coisa, o Governo tem a obrigação de informar. É um aspecto revolucionário. Pode não fazer diferença para a população rural, mas faz muita nos meios urbanos".
Mas isto não será o suficiente para devolver ao Congresso a confiança que já recebeu dos indianos.
Mais semelhanças
Do ponto de vista económico, Congresso e BJP não diferem muito, comenta Constantino Xavier, do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI). "Ambos são a favor do liberalismo económico", diz. O BJP realça, no entanto, que "o desenvolvimento não deve estar submetido aos valores ocidentais".
Em relação à política externa, "o BJP opôs-se ao acordo nuclear com os EUA [que permite a Deli adquirir material e tecnologia nuclear], mas foi o Governo do BJP que o iniciou. O Congresso só deu o último passo".
Mais do que contestar a situação económica da Índia - que cresceu oito por cento nos últimos quatro anos e que deve manter-se em segundo na lista de países em maior aceleração económica -, os nacionalistas hindus têm atacado as respostas ao terrorismo, sobretudo depois dos atentados de Novembro em Bombaim. "O BJP ameaçou o Paquistão com ataques preventivos, mas ninguém acredita nisso; ninguém no BJP com ambições de poder terá essa linha radical. Interessa à Índia aproximar-se do Paquistão."
Sendo o BJP um partido de tecnocratas e de poder, é também um partido moderado, continua o investigador do IPRI. "Mas tem também um handycap: as várias organizações da família nacionalista hindu." Como é o caso do Vishwa Hindu Parishad (VHP, Conselho Mundial Hindu) e de organizações não governamentais como o RSS, "que estão no terreno quando acontecem as coisas" - leia-se confrontos intercomunais - e dão as respostas mais radicais. "O BJP depende destas organizações para as eleições, mas ao mesmo tempo perde o eleitorado mais moderado."
O partido "transita constantemente entre conquistar eleitorado urbano e moderado e os canais de propaganda e retórica das organizações radicais hindus, servindo-se delas quando se quer demarcar do Congresso". Resta ao candidato a primeiro-ministro, Lal Krishna Advani, tentar fazer a ponte entre uns e outros.
Não se elegem anjos
Congresso e BJP "são partidos com liderança fraca, fragmentados ideologicamente, que sofrem pressões externas [da esquerda, no caso do Congresso, e dos nacionalistas no BJP] e estão ambos em erosão acelerada", resume Constantino Xavier.
O cenário favorece a proliferação dos partidos regionais - sendo que "regional" é um termo relativo: o estado Uttar Pradesh, por exemplo, tem 190 milhões de pessoas, tantas como o Brasil, lembra o historiador Mahesh Rangarajan num artigo na BBC.
"O declínio do Congresso data do fim da década de 1980. Foi então que deixou de atrair uma vasta gama de classes baixas, especialmente as minorias religiosas que sentiram que estava a fazer compromissos sobre o pluralismo em detrimento da sua segurança", explica o historiador. O BJP também nunca conseguiu acomodar o sentimento regional, com excepção do estado do Gujarat.
Rangarajan adianta que a Terceira Frente que entretanto emergiu, associando vários partidos regionais e de esquerda, é composta por grupos que defendem uma política mais descentralizada, inclinam-se mais para os eleitores rurais do que urbanos e vêem como positiva uma intervenção maior do Estado para garantir mais segurança social.
A formação de partidos regionais, de castas ou linguísticos (há 22 línguas oficiais na Índia) está a aproveitar-se do declínio dos dois partidos nacionais. E de certa forma a sua existência é mais representativa da diversidade indiana. Mas tornam difícil prever o desfecho destas eleições. Fortalecidos nas urnas, terão de ser tidos em conta na hora de formar governo.
"A democracia parlamentar na sua variante britânica foi uma planta estranha ao solo indiano... Sobreviveu devido a uma grande dose de tolerância entre as pessoas face às suas distorções evolutivas", escreve o analista e diplomata Pavan K. Varma, no livro Being Indian. "Os indianos não esperavam eleger anjos." E certamente não o farão nestas legislativas.
Mais de 800 milhões de pessoas passam fome; estima-se que a fome mata todos os dias 25.000 dessas pessoas, ou seja, uma pessoa de 3,5 em 3,5 segundos, que se acrescentam aos 400 milhões que morreram já de fome nestes últimos 50 anos (o equivalente à soma das populações dos EUA, da Alemanha e da França). Isto significa que morre 1 criança de 5 em 5 segundos, em lugares no mundo, ao mesmo tempo que são desperdiçadas perto de 12 toneladas de comida.
Essas são as histórias de Massud, Agnes, Kadiatu e Khaliq. Só levará meia hora para lê-las, mas durante esse tempo mais de 500 pessoas terão morrido de fome.
RIO - A polícia do Rio de Janeiro foi criticada pela Anistia Internacional, em seu relatório anual, divulgado nesta quinta-feira. Segundo o documento preparado pela organização não governamental que investiga violações de direitos humanos em todo o mundo, as autoridades fluminenses continuam promovendo "um policiamento linha dura", marcado por grandes operações em favelas.
O relatório cita uma série de operações policiais que resultaram em grande número de mortes na cidade do Rio, como as ações nas favelas da Coréia, na zona oeste, e Vila Cruzeiro, na Zona Norte, ambas em abril de 2008, que deixaram 20 mortos.
O documento afirma que, apesar do número de homicídios no Rio de Janeiro em 2008 ter sido menor do que o registrado em 2007, a quantidade de mortes causadas por policiais continua elevada, representando cerca de 15% do total de mortes violentas no estado.
A Anistia Internacional chama a atenção também para a atuação das milícias, que são formadas em grande parte por policiais e que subjugam comunidades carentes no estado do Rio de Janeiro. Para o pesquisador Tim Cahill, responsável pelo relatório sobre o Brasil, o envolvimento de agentes da lei em grupos ilícitos é resultado da política truculenta das autoridades de segurança dos estados.
- O resultado final dessa política de repressão e de direitos humanos usada por muitos estados tem sido a consequente criação de grupos criminosos pelos próprios policiais, sejam eles esquadrões de morte, sejam eles as milícias que estamos vendo no Rio de Janeiro - afirma Cahill.
O relatório destaca ainda o alto número de mortes pela polícia em São Paulo, em 2008, e a formação de um grupo de extermínio integrado por policiais militares, chamado de "os highlanders", que atua no município de Itapecerica da Serra.
Grupos de extermínio continuam também agindo na Região Nordeste do Brasil, em estados como Pernambuco, onde, segundo o relatório, 70% dos homicídios são provocados por esses grupos criminosos.
CARTUM, Sudão, 6 Mar 2009 (AFP) - Mais de um milhão de pessoas podem passar fome no Sudão, com a morte de milhares, em consequência da expulsão de 13 organizações não governamentais (ONGs) de Darfur, advertiu a ONU.
"Com a saída das ONGs, e se o governo não reconsiderar sua posição, 1,1 milhão de pessoas ficarão sem comida, 1,5 milhão ficarão sem cuidados médicos e mais de um milhão sem água potável", explicou a porta-voz do gabinete de coordenação para Assuntos Humanitários da ONU, Elizabeth Byrs.
Pelo menos 13 organizações foram obrigadas a abandonar o Sudão depois que a Corte Penal Internacional (CPI) de Haia emitiu uma ordem de prisão por crimes de guerra e contra a humanidade para o presidente sudanês, Omar al-Bashir.
A expulsão das ONGs de Darfur coloca em dúvida o envio de uma ajuda humanitária vital para as população desta região do oeste do Sudão em guerra civil. No total, 2,7 milhões de pessoas dependem da ajuda das organizações.
A Ação contra a Fome (ACF), que está entre as ONGs expulsas, afirmou nesta sexta-feira em Pari que as crianças atendidas por desnutrição aguda em Darfur "estão ameaçadas de morte".
"As crianças internadas atualmente em nossos centros de nutrição estão ameaçadas de morte", anunciou a ONG.
"A situação é difícil agora. Não sabemos o que acontecerá no futuro", declarou um dos refugiados de Darfur nesta sexta-feira.
"Sem ajuda e sem alimentos teremos grandes problemas", acrescentou à AFP no acampamento de Ardamat, que abrita 27.000 pessoas no oeste de Darfur.
Bashir voltou a criticar a ordem de prisão emitida contra ele e afirmou que em nada mudará a política do governo.
"A decisão da CPI não mudará os planos e programas do governo", declarou Bashir aos membros de seu partido e da oposição em uma reunião na quinta-feira, informa a agência oficial Suna.
"O governo continuará as gestões para a paz e organizará eleições livres e justas", completou o chefe de Estado, que pretende visitar no fim de semana Darfur, região devastada desde 2003 por uma guerra civil que já deixou 300.000 mortos segundo a ONU e 10.000 de acordo com Cartum.
"Apesar desta fachada de confiança, o regime está muito nervoso e há tensões no partido no poder", relata um diplomata que pediu para não ser identificado.
"Tomaram uma decisão muito severa em relação às ONGs", afirmou à AFP Fuad Hikmat, analista do International Crisis Group.
"Esta decisão não é nada mais que uma represália contra milhões de pessoas em Darfur", completa Georgette Gagnon, da Human Rights Watch.
Para Katherine Bragg, diretora adjunta das operações humanitárias da ONU, a decisão está em contradição com as garantias que a organização havia recebido.
Bashir, 65 anos, chegou ao poder em 1989 em um golpe de Estado militar. Em 2000 ganhou a eleição presidencial com 87% dos votos, em uma votação considerada uma farsa pela oposição.
Este ano deveriam ser celebradas novas eleições gerais, mas a data não foi determinada até o momento. Segundo vários analistas, Bashir vai concorrer a um novo mandato, apesar da ordem de prisão da CPI.
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