Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Posição de Obama rechaça apontar de dedo de Chávez

The New York Times
Simon Romero
Em Caracas (Venezuela)

Desde o instante em que ocorria o golpe em Honduras no fim de semana, o presidente Hugo Chávez estava com seu manual preparado. Ele disse que as mãos de Washington estavam por toda parte, alegando que os americanos tinham financiado os oponentes do presidente Manuel Zelaya e insinuando que a CIA tinha promovido uma campanha de desinformação para estimular os golpistas.

Mas o presidente Barack Obama condenou firmemente o golpe, desarmando as acusações de Chávez. Em vez de se envolver em uma troca de acusações, Obama descreveu calmamente o golpe como "ilegal" e pediu pelo retorno de Zelaya à presidência. Apesar de Chávez ter continuado retratando Washington como responsável pelo golpe, outros na América Latina não viam dessa forma.

"Obama Lidera Reação a Golpe em Honduras", dizia na terça-feira a manchete de capa de "O Estado de São Paulo", um dos mais influentes jornais do Brasil, cujos laços com Washington estão ficando mais estreitos.

Nos últimos anos, Chávez frequentemente parecia superar Washington nestas questões. Ele explorou o baixo prestígio do governo Bush após a guerra no Iraque e sua aprovação tácita ao breve golpe que o derrubou em 2002, culpando os Estados Unidos pelos males na Venezuela e por toda a região.

Agora essas táticas podem perder força, já que o governo Obama busca uma solução multilateral à crise em Honduras ao se voltar à Organização dos Estados Americanos. Ao fazê-lo, Obama se distancia das políticas que isolaram os Estados Unidos em partes do hemisfério.

"Com Honduras, o governo Obama seguiu a rota mais em sintonia com os demais países na região", disse Peter DeShazo, diretor do programa para as Américas do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington.

Honduras, que há muito mantinha laços estreitos com Washington, recentemente despontou como alvo dos interesses tanto da Venezuela quanto dos Estados Unidos. Com petróleo subsidiado, Chávez atraiu Honduras para sua aliança esquerdista, a ALBA (Alternativa Bolivariana para as Américas). Por sua vez, os Estados Unidos não cortaram sua ajuda militar e de desenvolvimento a Honduras, em uma tentativa de manter a influência no país.

Mas enquanto Chávez tem aliados na Bolívia e no Equador que tiveram sucesso em mudar as Constituições para permanecerem mais tempo no poder -seguindo seu exemplo na Venezuela- sua intervenção em Honduras acentuou a tensão naquele país. Relatos de que a Venezuela enviou um avião para Honduras na semana passada, contendo material eleitoral para o referendo no centro do choque de Zelaya com a Suprema Corte, provocaram considerável desconforto no país.

Chávez retrata seu apoio a Zelaya como outro exemplo da defesa de seu estilo de democracia, que reforça as presidências às custas dos outros poderes do governo. Mas alguns países estão resistindo à tendência de permitir que seus líderes estendam sua permanência no poder.

Na Colômbia, por exemplo, o presidente Álvaro Uribe, um conservador populista e aliado americano, está enfrentando dificuldades no esforço para permitir que concorra a um terceiro mandato. E na Argentina, o antes popular ex-presidente, Néstor Kirchner, reconheceu a derrota nesta semana nas eleições parlamentares, colocando em dúvida as esperanças dele e de sua esposa, a presidente Cristina Fernández de Kirchner, de prorrogarem sua dinastia na próxima eleição presidencial.

Enquanto isso, Obama está buscando um envolvimento mais profundo do Brasil, ao supostamente apoiar a nomeação de Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente esquerdista brasileiro, como chefe do Banco Mundial. A medida quebraria a tradição de indicação de um americano ao posto e poderia reforçar o apoio às instituições multilaterais sediadas em Washington, minando as tentativas de Chávez de usar a receita do petróleo para criar suas próprias instituições rivais.

Fazer tudo isso e ao mesmo tempo ignorar as provocações de Chávez traz certos riscos para Obama, particularmente se surgir informação mostrando que há alguma verdade por trás das alegações de Chávez.

O presidente venezuelano nunca esquecerá que a CIA tinha conhecimento do golpe que o derrubou em 2002, mas mesmo assim não fez nada para impedi-lo, e que Washington tem uma história recente de fornecer ajuda a grupos que criticam seu governo, deixando os Estados Unidos abertos às acusações de interferência e até mesmo desestabilização.

Além disso, a retórica antiestablishment de Chávez, voltada contra as elites em Washington e outros lugares, ainda tem apelo junto a muitas pessoas aqui na Venezuela e na América Latina.

Mas por ora, pelo menos, a diplomacia de não-confronto parece ter pego Chávez desprevenido. "Chávez está começando a entender que está lidando com alguém com uma abordagem muito diferente daquela de seu antecessor", disse Michael Shifter, vice-presidente da Diálogo Interamericano, um grupo de pesquisa de políticas em Washington.

O papel exagerado de Chávez na crise em Honduras, que envolveu ameaças de guerra caso a embaixada da Venezuela em Honduras fosse revistada, esconde as limitações da influência da Venezuela no hemisfério, à medida que os Estados Unidos reajustam suas políticas de uma forma que lembra a diplomacia pragmática de outro poder na região, o Brasil.

Depois que a poeira assentar em Honduras, a aliança de Chávez ainda incluirá alguns dos países mais pobres e tomados por conflitos da região, como a Bolívia e a Nicarágua, com os países maiores optando por outros caminhos de desenvolvimento.

Enquanto isso, as ameaças de Chávez de beligerância na América Central levaram um partido de oposição daqui, o Acción Democrática, a emitir uma declaração cheia de ironia na segunda-feira: "Hugo Chávez se transformou no George Bush da América Latina".

Quem está limpando o relógio de quem?

The New York Times
Thomas L. Friedman

No decorrer dos últimos dez anos, todas as vezes que fui à China e conversei com os chineses sobre os problemas deles referentes a poluição e energia, inevitavelmente fui abordado por algum jovem que me dizia: "Ei. Vocês, norte-americanos, fizeram uma sujeira durante 150 anos usando carvão e petróleo baratos. Agora é a nossa vez".

É difícil refutar tal argumento. Finalmente, eu decidi que a única maneira de responder seria com alguma variação do seguinte raciocínio: "Vocês têm razão. É a sua vez. Sujem o quanto quiserem. Não se apressem. Porque eu acho que os Estados Unidos precisam de apenas cinco anos para inventar todas as tecnologias de energia limpa das quais vocês, chineses, necessitarão quando começarem a morrer sufocados pela poluição. A seguir, nós viremos até aqui e venderemos essas tecnologias para vocês. E vocês irão limpar o seu relógio* - como se diz 'limpar o seu relógio' em chinês? - na próxima grande indústria global: as tecnologias de energia limpa. Então, se vocês quiserem nos proporcionar uma dianteira de cinco anos, isso será ótimo. Eu preferiria dez. Portanto, não se apressem. Sujem o quanto quiserem".

Sempre que a questão é abordada desta maneira, os chineses mostram-se a princípio irônicos, mas depois compreendem totalmente: Uau! Esta questão de energia não diz respeito apenas ao aquecimento global! Em um mundo que tem um acréscimo populacional de um bilhão de pessoas a aproximadamente cada 15 anos - dos quais uma quantidade cada vez maior terá condições de contar com um estilo de vida caracterizado pelo alto consumo de energia -, as demandas por energia e recursos naturais dispararão. Portanto a E.T. (sigla, em inglês, de tecnologias de energia) - tecnologias energéticas que produzem energia limpa e eficiente - será a próxima grande indústria global, e a China precisa estar a bordo.

Bem, a China embarcou - em grande estilo. Agora eu temo que a China irá, ouso dizer, "limpar o nosso relógio" na área de E.T.

Sim, poder-se-ia pensar que a China só estaria interessada em seguir poluindo rumo à prosperidade. Isto já foi verdade, mas não é mais. A China está descobrindo cada vez mais que precisa abraçar o verde devido à necessidade, já que, em inúmeros locais, a sua população não consegue mais respirar, pescar, nadar, dirigir ou sequer enxergar devido à poluição e à alteração climática. Bem, há uma coisa que sabemos a respeito da necessidade: ela é a mãe da invenção.

E é isso o que a China está fazendo, inovando mais e mais a sua eficiência energética e sistemas de energia limpa. E quando a China começar a fazer isso em grande escala - quando ela começar a desenvolver tecnologias para energia solar e eólica, baterias, instalações nucleares e eficiência energética a partir da sua plataforma de baixo custo -, prestem atenção. Você não estará comprando apenas os seus brinquedos, mas também o seu futuro energético, da China.

"A China está se mexendo", afirma Hal Harvey, diretor-executivo da Climate-Works, que distribui ideias sobre energia limpa pelo mundo. "Eles desejam ser líderes em tecnologia verde. A China já adotou o programa de eficiência energética mais agressivo do mundo. Ela está decidida a reduzir a intensidade energética da sua economia - a quantidade de energia utilizada por dólares de bens produzidos - em 20% nos próximos cinco anos. Eles estão fazendo isso por meio da implementação de padrões de consumo de combustível que superam em muito os nossos e da imposição de metas de eficiência bastante agressivas às suas milhares de indústrias mais importantes. E eles contam com o mais agressivo sistema de energia renovável do mundo, incluindo energia eólica, solar e nuclear, e já estão superando as suas metas".

Esta é a questão-chave relativa à energia no relatório presidencial do Painel de Assessoria para Recuperação Econômica: "Se os Estados Unidos forem incapazes de adotar um programa de redução de carbono no âmbito de toda a economia, nós continuaremos a ceder a nossa liderança em novas tecnologias energéticas". Os Estados Unidos contam atualmente com apenas dois dos dez maiores produtores de células fotovoltaicas do mundo, dois dos dez maiores produtores de turbinas eólicas e um dos dez principais fabricantes de baterias avançadas. Ou seja, somente um sexto dos principais fabricantes de equipamentos de energia renovável do mundo encontra-se nos Estados Unidos... Tecnologias sustentáveis nas áreas de energia solar, energia eólica, veículos elétricos, usinas nucleares e outras inovações ditarão o rumo da futura economia global. Ou nós investimos nas políticas para construir a liderança norte-americana nessas novas indústria e empregos agora, ou continuaremos na mesma rota, e mais tarde compraremos usinas eólicas da Europa, baterias do Japão e painéis solares da Ásia.

De fato, quem examinar essas listas das principais empresas, compiladas pelo banco de investimentos Lazard, verá que as companhias japonesas lideram, e são seguidas pela Europa e pela China. Só depois desses três é que nós aparecemos.

Este é um dos principais motivos pelos quais eu sou favorável à aprovação da legislação de energia e clima pela câmara. Se não impusermos a nós mesmos a necessidade de implementar inovações na área de tecnologias limpas - impondo os preços certos para as emissões de carbono e as regulações corretas para a promoção de eficiência energética -, seremos os retardatários da próxima grande indústria global.

E é por isso que eu descordo do presidente Barack Obama quando este indica que precisa se concentrar na ampliação do sistema de saúde e colocar a lei de energia e clima - atualmente no senado - em plano secundário.

O sistema de saúde e a lei de energia e clima andam de braços dados. Neste momento precisamos de ambas. Imaginem como seríamos pobres hoje em dia se as firmas dos Estados Unidos não dominassem as dez principais companhias da Internet. Bem, se nós não dominarmos as dez principais posições no setor de E.T., não haverá como sermos capazes de sustentar um sistema de saúde decente para todos os norte-americanos. De jeito nenhum.

Costa Rica é o lugar mais feliz e mais verde do mundo

Financial Times
Simon Briscoe
Em Londres (Reino Unido)

A Costa Rica, o país com menos de 5 milhões de habitantes ensanduichado entre o Panamá e a Nicarágua, ficou no topo do ranking global de combinação de vida longa e feliz com limitada degradação ambiental.

  • Reuters Pássaros sobrevoam plantações em Tierra Blanca, Costa Rica
O país mistura um belo interior, uma grande diversidade de espécies e há muito tempo se livrou de seu exército. A fusão de seus ministérios da energia e meio ambiente reverteu o desmatamento e ajudou o país a produzir 99% de sua energia a partir de fontes renováveis. Ela também apresentou altas notas, em relação a outros países em desenvolvimento, nas pesquisas sobre pobreza, liberdade de imprensa e democracia.

O Índice Planeta Feliz ("Por que uma boa vida não precisa custar o planeta") publicado na sexta-feira pela New Economics Foundation, com sede no Reino Unido, combina medições de expectativa de vida, felicidade e pegada ecológica para avaliar a sustentabilidade do crescimento em 143 países.

O fato dos 10 mais da lista dos países "mais verdes e mais felizes" ser dominado pela América Latina pode gerar alguma desconfiança, já que a região é mais conhecida na imaginação ocidental por suas favelas, desigualdade e golpes de Estado. O Zimbábue ficou em último lugar, juntamente com uma dúzia de outros países do sul, leste e centro da África.

Mas os latino-americanos marcam muitos pontos, sugere o relatório, devido a aspirações não-materiais e forte capital social entre amigos e parentes. O desempenho ruim do mundo desenvolvido também pode levar alguns ocidentais a duvidarem do valor do relatório. Entre os países ricos, o mais bem colocado é a Holanda - mas apenas em 43º lugar. O Reino Unido fica na metade inferior do ranking - em 74º, atrás da Alemanha, Itália e França, mas à frente do Japão e da Irlanda. Os Estados Unidos se saem particularmente mal, em 114º lugar. Os países ocidentais apresentam longa expectativa de vida e as pessoas são razoavelmente felizes, mas os países sofrem no ranking devido à sua fraqueza ecológica, refletindo o nível elevado de consumo.

O desafio para o Ocidente, diz o relatório, não é continuar elevando a renda, mas buscar vidas mais significativas e laços sociais mais fortes. Essa pode ser uma meta distante a curto prazo, mas o índice está sendo divulgado em um momento em que os autores de políticas estão explorando medições mais amplas de progresso em vez de um desejo de apenas promover o crescimento. A "Comissão para Medição do Desempenho Econômico e Progresso Social" do presidente da França, Nicolas Sarkozy, deverá apresentar seu relatório em breve.

Os críticos dessas medições e índices dizem que são baseados em cálculos e dados arbitrários, mas a maioria aprecia sua contribuição para o debate das políticas.

"O Índice Planeta Feliz é uma das várias tentativas de 'ir além do PIB' e chamar atenção para aspectos importantes de nossa vida", disse Enrico Giovannini, estatístico chefe da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (Ocde). Mas, ele acrescentou, "é impossível capturar em um único indicador a complexidade de nossa sociedade".

DIRETO DE HONDURAS - Oriente Médio x América Latina (Parte 1)

por Gustavo Chacra

A América Central teve golpes militares durante a Guerra Fria. Possuía governos e milícias apoiadas tanto pelos Estados Unidos quanto pela União Soviética; guerras civis que deixaram dezenas de milhares de mortos na Guatemala e em El Salvador; e ditadores sanguinários governavam estes países, como Trujillo na República Dominicana.

Duas décadas mais tarde, a democracia impera em quase todos os países e um golpe como o de Honduras provoca repúdio e surpresa internacional. Poucos imaginavam que este episódio ainda pudesse ocorrer nesta região.

O Oriente Médio teve golpes militares durante a Guerra Fria. Possuía governos e milícias apoiadas tanto pelos Estados Unidos quanto pela União Soviética; guerras deixaram dezenas de milhares de mortos no Líbano, Irã e Iraque; e ditadores sanguinários governavam estes países, como Saddam Hussein no Iraque.

Duas décadas mais tarde, os regimes autoritários ainda imperam em quase todos os países e eleições livres como as do Líbano provocam elogios e surpresa internacional. Poucos imaginavam que este episódio pudesse ocorrer nesta região.

Enfim, a América Latina avançou e hoje discute democracia. O Oriente Médio está bem mais atrasado e ainda engatinha na hora de debater democratização. O mundo árabe parece os latino-americanos nos anos 1970.

Iraq and the Kurds: Trouble Along The Trigger Line

International Crisis Group
Middle East Report N°88
8 July 2009

EXECUTIVE SUMMARY AND RECOMMENDATIONS

As sectarian violence in Iraq has ebbed over the past year, a new and potentially just as destructive political conflict has arisen between the federal government and the Kurdistan regional government in Erbil. This conflict has manifested itself in oratory, backroom negotiations and military manoeuvres in disputed territories, raising tensions and setting off alarm bells in Washington just as the Obama administration is taking its first steps to pull back U.S. forces. A lasting solution can only be political – involving a grand bargain on how to divide or share power, resources and territory – but in the interim both sides should take urgent steps to improve communications and security cooperation, run joint military checkpoints and patrols in disputed territories and refrain from unilateral steps along the new, de facto dividing line, the so-called trigger line.

The conflict is centred on disputed territories, especially Kirkuk, which not only hosts a mix of populations – Arabs, Kurds, Turkomans and smaller minorities (which in some districts are dominant) – but also contains untold reserves of oil and gas. In the security vacuum of post-invasion Iraq, Kurdish forces rushed across the Green Line, the de facto boundary separating the Kurdistan region from the rest of Iraq between 1991 and 2003, to assert their claim to areas they deem part of their historic patrimony. A range of local and national actors challenged this claim, with the government of Prime Minister Maliki starting to push back against Kurdish influence in these areas since August 2008.

The result has been a steady rise in tensions along a new, undemarcated line that in military circles is referred to as the trigger line – a curve stretching from the Syrian to the Iranian border, where at multiple places the Iraqi army and Kurdish fighters known as peshmergas are arrayed in opposing formations. The deployment of the army’s 12th division in Kirkuk in late 2008, in particular, enraged the Kurds and emboldened their Arab and Turkoman rivals.

Given growing tensions and the proximity of forces, as well as unilateral political moves by both sides in the form of contracts for oil and gas extraction, altercations have occurred along the trigger line on several occasions. Poor communication could cause such local events to escalate inadvertently into broader conflict that neither party might find easy to contain. The Obama administration responded to the 12th division’s arrival by sending an extra brigade into Kirkuk, which may have prevented a very tense situation from turning into open warfare. But U.S. influence inevitably is on the wane.

Given President Obama’s repeated and unequivocal pledge to withdraw all U.S. forces by the end of 2011, with combat troops departing as early as August 2010, there is little time left for effective U.S. mediation: both the Kurdistan regional government and the federal government will be averse to compromise on fundamental issues ahead of legislative elections scheduled for January 2010; and some Iraqis, including Kurdish leaders, anticipating Iraq’s collapse, could seek outside protection, thus potentially regionalising the conflict.

If the U.S. administration wishes to leave Iraq without being forced either to maintain a significant military presence or, worse, to return after the country disintegrates, it should craft an exit strategy that both encourages and pressures Iraqis to reach a series of political bargains. These deals, as Crisis Group has consistently argued, concern a federal hydrocarbons law, a settlement over Kirkuk and other disputed territories and agreement over the division of powers that jointly would pave the way for consensus on amending the constitution. In the interim, it should take urgent steps to help Baghdad and Erbil improve their mutual communications and security cooperation in disputed territories and persuade them to engage in substantive negotiations on the status of these areas. At the same time, it cannot exclude finding itself, against U.S. military commanders’ better judgment, standing between the two sides to prevent armed escalation.

Along with its own efforts, the U.S. should provide full support to the United Nations Assistance Mission in Iraq (UNAMI), whose report on disputed internal boundaries, issued in April 2009, could offer an important platform for negotiations on disputed territories and, in a grand bargain strategy, on the interlocking issues of power and resources as well. UNAMI is best placed to mediate the complex discussions that will be required but cannot succeed without U.S. muscle, if Iraqi stakeholders are to be pushed to reach a durable settlement.

Whatever the final terms of deals and however difficult it may be to reach them, forgoing them is no option. Without the glue that U.S. troops have provided, Iraq’s political actors are otherwise likely to fight all along the trigger line following a withdrawal, emboldened by a sense they can prevail, if necessary with outside help. The Obama administration should make sure that the peace it leaves behind is sustainable, lest Bush’s war of choice turn into its own war of necessity. The president’s late June decision to appoint Vice President Joseph Biden as his informal special envoy for Iraq, Biden’s focus on helping Iraqis reach political deals and support for UNAMI, as well as his subsequent visit to Iraq all point in the right direction. The test is whether there will be sufficient determination, persistence and follow-through.

RECOMMENDATIONS

To the Government of Iraq and the Kurdistan Regional Government:

1. Restart negotiations over issues of key concern, including:

a) unfreeze the five leadership committees in Baghdad and resume discussions on the questions under their remit concerning disputed territories, power sharing and constitutional reform, security and peshmergas, foreign policy and economics and oil/gas;

b) hold discussions on disputed territories as part of the task force established under UN auspices and institute confidence-building steps in individual districts, as per UNAMI’s recommendations in its April 2009 report on disputed internal boundaries; and

c) support political actors in Kirkuk in negotiations, mediated by UNAMI, in furtherance of the objectives of Article 23 of the September 2008 provincial elections law concerning power sharing, voter rolls and property issues in Kir­kuk, with a view to holding elections in Kirkuk governorate at the earliest opportunity.

2. Agree to take no further unilateral steps in disputed territories, such as issuing new oil and gas contracts, and give clear instructions to military forces on the ground to remain in designated separate areas, except in those cases when both sides agree to joint operations against violent groups outside the political process.

3. Refrain from inflammatory rhetoric concerning mutual relations, the status of disputed territories and the issuance of oil and gas contracts in these areas, especially in the run-up to elections in the Kurdistan region on 25 July 2009 and in all of Iraq on 30 January 2010.

4. Agree to open channels of communication and coordinated action, including:

a) a channel for frequent communication between Iraqi Prime Minister Nouri al-Maliki and Kurdistan region President Masoud Barzani or their designated senior representatives;

b) the appointment of a non-voting official from each side to, respectively, the Iraqi cabinet and the KRG’s council of ministers to promote early flagging of disputes.

c) a joint military coordination centre for non-urban areas in Kirkuk governorate for early warning and fact-based communications along the trigger line (to work in co-operation with the already existing joint police coordination centre in Kir­kuk city); and

d) joint army-peshmerga checkpoints and patrols in all disputed territories, based on the Diyala experiment, guided by a joint security committee in each governorate and coordinated by a joint committee that includes political representatives of the KRG and federal government.

To the United Nations Assistance Mission in Iraq:

5. Support negotiations between Iraqi stakeholders on disputed internal boundaries by providing technical expertise and political advice at all levels where such negotiations are taking place (see above).

6. Move Iraqi stakeholders through these negotiations, and especially should they threaten to reach a dead end on their individual tracks, toward a grand bargain combining the issues of power, resources and territories, as proposed in the UN’s report on disputed internal boundaries.

To the U.S. Government:

7. Exercise strong pressure on Iraqi parties and deploy political, diplomatic, military and financial resources to ensure a responsible troop withdrawal from Iraq that leaves behind a sustainable state, including through a peaceful and durable accommodation of its Arab and Kurdish populations.

8. Provide, in particular, full backing to UNAMI in mediating between Iraqi stakeholders on these key issues.

9. Continue to apply pressure on Iraqi army and pesh­merga units not to take unilateral steps in disputed territories, and strengthen mechanisms aimed at improving communications and security cooperation to reduce chances of violent conflict.

Baghdad/Erbil/Brussels, 8 July 2009

Full report: http://www.crisisgroup.org/library/documents/middle_east___north_africa/iraq_iran_gulf/88_iraq_and_the_kurds___trouble_along_the_trigger_line.pdf

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Brasil começou a ser levado a sério pelo mundo, diz 'FT'

BBC

O Brasil começou a ser levado mais a sério pela comunidade internacional desde o ano passado, afirma o jornal britânico Financial Times, nesta terça-feira, em um suplemento especial de quatro páginas dedicado ao país.

"As ambições globais do Brasil frequentemente foram atrapalhadas no passado... Mas a estabilidade de seu sistema bancário e de seus mercados de capitais diante da crise mundial fizeram órgãos reguladores em outros países se interessarem por suas opiniões", diz uma das reportagens do caderno, lembrando que autoridades brasileiras hoje integram organismos como o Fórum de Estabilidade Financeira e a Comissão da Basiléia para Supervisão Bancária, por exemplo.

Ainda segundo o jornal, muitos aspectos da política monetária e fiscal brasileira têm mais em comum com os países desenvolvidos do que com os emergentes. "Isso sem falar na força de suas instituições e na diversidade de sua economia", completa a reportagem.

"Da maneira como as organizações multilaterais mundiais estão se modificando em um ritmo acelerado pela crise global, a posição do Brasil só deve se fortalecer", diz o diário.

O jornal menciona ainda que o episódio em que o presidente americano, Barack Obama, foi flagrado dizendo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que ele "é o cara" significou um "reconhecimento de fato" para os brasileiros.

'Velho Brasil'

Em outra reportagem do mesmo suplemento, intitulada "Driblando a crise econômica", o Financial Times comenta como o governo brasileiro e o setor privado têm enfrentado com certo sucesso a atual crise econômica global.

"Trata-se de uma democracia madura, com uma economia diversificada e uma população jovem e adaptável, fazendo a festa com cada vez mais empregos estáveis e melhores salários", afirma o jornal.

"O Brasil é também uma potência em ascensão nos setores de alimentos e indústria, um futuro grande exportador de petróleo e o quarto mercado do mundo de ações e derivativos."

Mas o diário lembra que existe ainda "um velho Brasil", com "estradas e infra-estrutura dilapidadas, motoristas 'barbeiros', crimes violentos e a aceitação de que a corrupção é algo normal".

"É também um Brasil onde os velhos e maus hábitos perduram e onde os políticos ainda se contentam em empurrar os problemas fiscais com a barriga", diz a reportagem.

O Financial Times destaca, no entanto, que o fato de o Brasil estar saindo da crise mais rápido que o esperado "não significa que não tenha havido estragos, nem que ele esteja imune a novas reviravoltas mundiais".

"Duas nuvens negras ameaçam estragar o cenário ensolarado do Brasil: uma é o perigo de mais problemas trazidos pela crise global; a outra é o risco de este ou de um futuro governo, animado pelo desgosto mundial pelos livres mercados, desvie do caminho da reforma e adote um caminho de mais intervenção estatal na economia."

Mas o jornal acrescenta que o Brasil vem seguindo as mesmas políticas econômicas nos últimos 15 anos, ainda que com governos de diferentes correntes.

Sucessão presidencial

O Financial Times também dedica um artigo à situação política do Brasil, citando a polêmica em torno do senador e ex-presidente José Sarney, e escândalos de corrupção envolvendo deputados no passado.

"É difícil conciliar uma ganância e uma corrupção tão antiquadas com o Brasil moderno que está emergindo no cenário mundial como exemplo de governo de sucesso. Mas esses dois Brasis coexistem", afirma o jornal.

O diário diz, no entanto, que a mentalidade de alguns políticos está mudando, mencionando o fato de alguns governos estaduais e municipais terem buscado ajuda de empresas de consultoria para administrar melhor suas finanças.

Isso, segundo o FT, terá um reflexo nas eleições presidenciais de 2010, em que a habilidade administrativa dos candidatos será levada em conta pelos eleitores.

"Os dois mais prováveis candidatos serão o governador de São Paulo, José Serra, e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Como nenhum deles tem muito carisma e ambos são vistos como 'espinhentos', eles esperam que os eleitores prestem mais atenção nas suas realizações do que na simpatia de seus sorrisos", conclui o jornal.

Morre Robert McNamara, o secretário de Defesa que questionou a guerra

The New York Times
Tim Weiner

Robert S. McNamara, o poderoso e cerebral secretário de Defesa que ajudou a conduzir os Estados Unidos ao redemoinho do Vietnã e passou o resto de sua vida lidando com as consequências morais da guerra, morreu na segunda-feira (6) em sua casa em Washington. Ele tinha 93 anos.

McNamara foi o mais influente secretário de Defesa do século 20. Tendo servido aos presidentes John F. Kennedy e Lyndon B. Johnson de 1961 a 1968, ele supervisionou centenas de missões militares, milhares de armas nucleares e bilhões de dólares em gastos militares e vendas de armas para o exterior. Ele também ampliou o papel do secretário de Defesa, cuidando da diplomacia internacional e do envio de tropas para garantir o cumprimento dos direitos civis no Sul.

"Ele é como uma britadeira", disse Johnson. "Nenhum ser humano pode suportar o que ele suporta. Ele crava fundo. Ele é perfeito demais."

Meio milhão de soldados americanos foram à guerra durante o mandato de McNamara. Mais de 16 mil morreram; outros 42 mil tombariam nos sete anos posteriores.

A guerra se transformou em seu pesadelo pessoal. Nada do que fez, nenhuma das ferramentas ao seu comando - o poder das armas americanas, as forças da tecnologia e da lógica ou a força dos soldados americanos- conseguiu deter os exércitos do Vietnã do Norte e seus aliados sul-vietnamitas, os vietcongues. Ele concluiu muito antes de deixar o Pentágono que a guerra era fútil, mas ele não compartilhou esse entendimento com o público até mais tarde em sua vida.

Em 1995, ele assumiu uma posição contra sua própria condução da guerra, confessando em um livro de memórias que foi "errada, terrivelmente errada". Em resposta, ele enfrentou uma tempestade de desprezo.

Na época ele exibia a expressão de um homem assombrado. Ele podia ser visto nas ruas de Washington -inclinado, sua fralda de camisa balançando ao vento- entrando e saindo de seu escritório a poucas quadras da Casa Branca, usando tênis gastos e com um olhar distante.

Ele passou décadas pensando nas lições da guerra. A maior delas foi conhecer o inimigo - e ter "empatia com ele", como McNamara explicou no documentário de Errol Morris de 2003, "Sob a Névoa da Guerra".

"Nós temos que tentar nos colocar dentro da pele deles e nos olharmos pelos olhos deles", ele disse. O fracasso americano no Vietnã, ele disse, foi ver o inimigo pelo prisma da Guerra Fria, como um dominó que derrubaria as nações da Ásia se caísse.

A idéia dos Estados Unidos perderem a guerra parecia impossível quando McNamara chegou ao Pentágono em janeiro de 1961, como o oitavo secretário de Defesa do país. Ele tinha 44 anos e tinha sido nomeado presidente da Ford Motor Company apenas 10 semanas antes. Kennedy o chamava de o homem mais inteligente que já tinha conhecido.

Em 1962, a União Soviética começou a enviar mísseis nucleares para Cuba, estabelecendo uma ameaça direta e nivelando a balança de poder com os Estados Unidos, que tinham colocado seus próprios mísseis perto da fronteira soviética, na Turquia.

No auge da crise, em 27 de outubro de 1962, o Estado-Maior das Forças Armadas recomendou que Cuba fosse invadida em 36 horas. Enquanto o sistema de gravação em áudio da Casa Branca registrava suas palavras, McNamara estabeleceu as perspectivas para a guerra.

"O plano militar é basicamente invasão", ele disse. "Quando atacarmos Cuba, teremos que realizar um ataque total."

Ele prosseguiu: "A União Soviética pode, e eu acho que provavelmente irá, atacar os mísseis turcos". Os Estados Unidos então teriam que atacar os navios e bases soviéticos no Mar Negro, ele disse. As chances de uma escalada descontrolada eram altas.

"E eu diria que é altamente perigoso", ele disse. "Agora, eu não sei ao certo se podemos evitar algo assim se atacarmos Cuba. Mas eu acho que deveríamos fazer todos os esforços para evitar isso. E uma forma de evitarmos é desarmar os mísseis turcos antes de atacarmos Cuba."

Esta idéia - um acordo secreto no qual Kennedy ofereceu retirar os mísseis americanos da Turquia se os soviéticos removessem suas ogivas de Cuba- resolveu a crise. "No final, tivemos sorte -foi sorte que impediu a guerra nuclear", disse McNamara em "Sob a Névoa da Guerra".

Sob McNamara, o orçamento do Pentágono aumentou de US$ 48 bilhões em 1962 para US$ 74,9 bilhões no ano fiscal de 1968. O número de 1968 equivale a atuais US$ 457 bilhões. Esse foi basicamente o custo da guerra no Sudeste Asiático.

Quando Johnson se tornou presidente após o assassinato de Kennedy em 1963, McNamara descobriu que o novo presidente dependia dele para vencer a guerra, que logo se transformou em um conflito pleno para os Estados Unidos.

Em 1965, dezenas de milhares de soldados americanos chegaram ao Vietnã e aviões de guerra americanos começaram a atacar o inimigo. Mas em fevereiro de 1966, quando McNamara realizou um briefing privado para os repórteres, ele não mais possuía a confiança radiante que sempre exibia em público. Ele disse com convicção: "Nenhuma quantidade de bombardeio pode colocar um fim à guerra".

Em 26 de agosto de 1966, McNamara leu um estudo da CIA chamado "A Vontade dos Comunistas Vietnamitas de Persistir", que concluiu que nada do que os Estados Unidos estavam fazendo poderia derrotar o inimigo. Ele chamou um analista da CIA, George Allen, que passou 17 anos trabalhando na questão do Vietnã.

"Ele queria saber o que eu faria se estivesse no seu lugar", escreveu Allen em seu livro de memórias de 2001 sobre o Vietnã, "None So Blind". "Eu decidi responder francamente."

"Pare de aumentar as forças americanas", ele contou ter dito a McNamara. "Pare o bombardeio ao Norte e negocie um cessar-fogo com Hanói."

McNamara então disse aos seus assessores que começassem a compilar uma história confidencial da guerra - conhecida posteriormente como "Os Documentos do Pentágono"- e ele começou a se perguntar o que Estados Unidos estavam fazendo no Vietnã. Muitos americanos estavam se perguntando o mesmo.

O momento da virada ocorreu em 19 de maio de 1967, quando McNamara enviou um longo e cuidadosamente argumentado documento para Johnson, pedindo que negociasse a paz em vez de promover a escalada da guerra.

Johnson anunciou em 29 de novembro de 1967 que McNamara deixaria seu posto na Defesa para dirigir o Banco Mundial. McNamara deixou o Pentágono dois meses depois, sem nunca compreender, em suas próprias palavras, "se me demiti ou fui demitido". Foi claramente o segundo.

McNamara analisou por muito tempo que os Estados Unidos não podiam vencer a guerra. Na aposentadoria, ele listou os motivos: um fracasso em entender o inimigo, um fracasso em ver os limites das armas de alta tecnologia, um fracasso em dizer a verdade ao povo americano e um fracasso em entender a natureza da ameaça do comunismo.

Robert Strange McNamara nasceu em 9 de junho de 1916, em San Francisco, filho de Robert e Clara Nell McNamara. Ele se formou com mérito em economia pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, em 1937. Após dois anos na Escola de Administração e Negócios de Harvard, ele se tornou professor assistente de negócios lá.

Ele se casou com Margaret Craig em 1940. Ela criou o Leitura é Fundamental, um programa de alfabetização para crianças pobres, enquanto ele estava no Pentágono. Quando ela morreu em 1981, o programa já tinha atendido 3 milhões de crianças.

McNamara se casou com Diana Masieri Byfield, sua segunda esposa, em 2004.

Ele deixa sua esposa; um filho, Robert Craig McNamara, de Winters, Califórnia; duas filhas, Margaret Elizabeth Pastor e Kathleen McNamara, ambas de Washington, e seis netos.

Na Segunda Guerra Mundial, McNamara ensinou métodos estatísticos para jovens oficiais da Força Aérea, visando orquestrar a guerra aérea na Europa ao determinar quantos aviões podiam voar a cada dia em cada teatro de operações.

Após a guerra, McNamara e nove outros estatísticos de guerra foram contratados pela Ford Motor Company para reorganizar a empresa má administrada. Em novembro de 1960, um dia após a eleição de Kennedy, McNamara foi nomeado presidente da empresa. Cinco semanas depois, Kennedy o convidou para dirigir o Pentágono.

O tempo de McNamara no Pentágono quase quebrou seu espírito. Mas após essa provação, ele trabalhou por 13 anos como presidente do Banco Mundial. Ele buscou expandir o poder do banco e combater a pobreza mundial.

Como fez no Pentágono e na Ford, McNamara buscou remodelar o banco. Quando chegou em 1º de abril de 1968, o banco emprestava cerca de US$ 1 bilhão por ano. Esse número cresceu até chegar a US$ 12 bilhões quando ele o deixou em 1981. Àquela altura, o banco supervisionava cerca de 1.600 projetos no valor de US$ 100 bilhões em 100 países, incluindo hidrelétricas, autoestradas e siderúrgicas.

Em 1995, McNamara publicou sua condenação à Guerra do Vietnã e ao seu papel nela: "In Retrospect: The Tragedy and Lessons of Vietnam" (em retrospecto: a tragédia e lições do Vietnã, em tradução livre, Times Books/Random House), pelo qual foi criticado.

Diferente de qualquer outro secretário de Defesa, McNamara lutou em público com a moralidade da guerra e com o uso do poder americano.

"Nós somos atualmente a nação mais forte do mundo", ele disse em "Sob a Névoa da Guerra", lançado na época da invasão ao Iraque, em 2003. "Eu não acredito que devemos aplicar esse poder econômico, político e militar unilateralmente. Se tivéssemos seguido essa regra no Vietnã, nós não teríamos estado lá."

"A guerra é tão complexa que está além da capacidade de compreensão da mente humana", concluiu McNamara. "Nosso julgamento, nosso entendimento, não são adequados. E matamos pessoas desnecessariamente."

Obama pede a Rússia respeito às regras democráticas

Presidente disse que EUA querem 'uma Rússia forte, pacífica e próspera'. Obama também pediu que país respeite a soberania de Geórgia e Ucrânia.

Da France Presse

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu nesta terça-feira (7) que a Rúsia que respeite as regras do Estado de direito e da democracia, em um esperado discurso sobre as relações entre os dois países em sua primeira visita a Moscou desde que chegou à Casa Branca.

"A História nos mostra que os governos que estão a serviço do povo sobrevivem e prosperam e não os governos que estão a serviço apenas de sua própria força", declarou Obama no discurso feito na Nova Escola Econômica de Moscou.

Diante dos alunos da instituição, o presidente americano reiterou sua visão da Rússia."Que as coisas fiquem claras desde o princípio: os Estados Unidos querem uma Rússia forte, pacífica e próspera."

No discurso, em que apresentou sua ideia das futuras relações entre Rússia e Estados Unidos - que nos últimos anos foram complexas e difíceis -, Obama expôs uma série de interesses comuns e de campos de cooperação possíveis.

"Estes desafios exigem uma cooperação mundial e esta última será mais forte se a Rússia ocupar o espaço de grande potência que lhe corresponde", completou.

Obama pediu a Moscou que se una ao esforço de Washington diante dos desafios nucleares representados por Irã e Coreia do Norte.

"Nem Estados Unidos, nem Rússia seriam beneficiados por uma corrida armamentista nuclear no leste da Ásia ou no Oriente Médio", destacou, antes de afirmar que por este motivo Washington e Moscou deveriam estar unidos contra os esforços da Coreia do Norte de se transformar em uma potência nuclear e para prevenir que o Irã adquira armamento atômico.

Obama também reiterou a posição americana de que a Rússia deve respeitar a soberania de Geórgia e Ucrânia, dois aliados dos Estados Unidos que desejam aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). "A soberania dos Estados é a pedra angular da ordem internacional", disse.

"Todo sistema que abandona tais direitos leva à anarquia. É por isto que este princípio deve ser aplicado a todos os países, incluindo Geórgia e Ucrânia", afirmou, antes de ressaltar que "a ideia de esferas de influência pertenceu ao século XIX".

Obama pediu ainda ao governo russo que lute contra a corrupção e assegure o respeito às leis na economia.

Discordâncias

Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos elogiou em Novo Ogarevo, região de Moscou, o trabalho de Vladimir Putin no Kremlin e, desde maio de 2008, como premiê, além de admitir que os dois países não concordam em tudo.

"Tenho consciência do trabalho extraordinário que realizou como presidente nos últimos anos e em seu atual cargo de primeiro-ministro", declarou em um café da manhã na residência de Putin de Novo Ogarevo, depois de ter qualificado o ex-presidente em uma entrevista de homem do passado.

"Temos uma excelente oportunidade de estabelecer bases mais sólidas nas relações russo-americanas. Não estamos, talvez, de acordo em tudo, mas mantemos consultas respondendo ao interesse do povo russo e do povo americano", completou.

Obama celebrou ainda as "excelentes discussões" de segunda-feira no Kremlin com o colega russo Dmitri Medvedev.

Vladimir Putin se mostrou cordial, ao destacar que conta com Obama para a retomada das relações Rússia-EUA. "Associamos seu nome à esperança do desenvolvimento de nossas relações", disse Putin.

O premier russo se esforçou para distender a atmosfera um pouco tensa. Ele afirmou ao presidente americano: "Preparamos um café ao estilo russo."

"Agradeço pelo bom tempo", completou Obama, já que a temperatura subiu e parou de chover, ao contrário do frio de segunda-feira, dia em que o presidente americano desembarcou em Moscou.

EUA e Rússia fecham pré-acordo para reduzir arsenal nuclear

Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Dmitry Medvedev, chegaram, nesta segunda-feira, a um acordo preliminar para a redução dos arsenais nucleares dos dois países.

O “entendimento conjunto”, assinado durante a visita de Obama a Moscou, prevê que os dois países reduzam seus arsenais de ogivas nucleares para um número inferior a 1,7 mil no prazo de sete anos após o tratado, cujos detalhes ainda serão negociados, entrar em vigor.

O novo acordo deve substituir o Tratado Estratégico de Redução de Armas (Start 1, na sigla em inglês), assinado em 1991 e que expira no próximo mês de dezembro.

O entendimento também prevê uma redução no número de mísseis nucleares e bombardeiros dos dois países.

“Sete anos após este acordo entrar em vigor e no futuro, o limite de unidades de sistemas de lançamento (mísseis e bombardeiros) deve ser entre 500 e 1,1 mil e (o limite) de ogivas deve ser entre 1,5 mil e 1.675 unidades”, diz o entendimento inicial assinado pelos dois presidentes.

Pelas regras do tratado atualmente em vigor, cada um dos países pode possuir no máximo 2,22 mil ogivas posicionadas e 1,6 mil unidades dos chamados “veículos de lançamento”.

Segundo correspondentes, no entanto, mesmo com estas reduções, tanto Rússia quanto os Estados Unidos continuariam tendo capacidade nuclear para destruírem um ao outro por diversas vezes.

Acordos

Um comunicado divulgado pela Casa Branca afirma que o novo acordo deve “incluir medidas efetivas de verificação” da redução dos arsenais.

“O novo acordo vai aumentar a segurança tanto dos Estados Unidos quanto da Rússia, assim como dar estabilidade às forças ofensivas estratégicas”, diz o comunicado.

O acordo preliminar sobre a redução dos arsenais nucleares foi um dos oito assinados nesta segunda-feira, durante o encontro entre Obama e Medvedev.

Em relação aos planos dos Estados Unidos de construir um sistema de defesa antimísseis nos territórios da República Checa e da Polônia, aos quais Moscou se opõe, os dois países concordaram em elaborar um estudo conjunto a respeito das ameaças dos mísseis balísticos.

Afeganistão

Também nesta segunda-feira, a Rússia concordou em permitir que aviões militares norte-americanos transportando soldados e armamentos para o Afeganistão utilizem seu espaço aéreo.

O acordo vai permitir com que os militares americanos evitem as rotas pelo Paquistão, alvos constantes de ataques de insurgentes.

“Este acordo vai permitir que os Estados Unidos diversifiquem as rotas utilizadas para transportar soldados e equipamentos para abastecer as forças internacionais no Afeganistão”, diz um comunicado divulgado pela Casa Branca.

Segundo o governo americano, o tratado permitirá aos Estados Unidos uma economia anual de US$ 133 milhões.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

North Korea: Getting Back to Talks

International Crisis Group
Asia Report N°169
18 June 2009

EXECUTIVE SUMMARY AND RECOMMENDATIONS

The motivations for North Korea’s second nuclear test are, as with many of its actions, mostly impenetrable. It may be the latest step in an unrelenting drive to become a permanent nuclear state or it could be advertising nuclear wares to potential buyers. It may be driving up the price others will pay for the North to give up its weapons or it might be about ensuring that the military will accept whatever decision Kim Jong-il has made on his successor. Most likely, North Korea’s nuclear weapons program serves multiple purposes for the leadership. Whatever the rationale, there are no good options in response. Finding a way to resume talks on ending the nuclear program may appear to reward Pyongyang’s bad behaviour, but diplomacy is still the least bad option. At the same time, the UN Security Council’s strong and united condemnation of the test in Resolution 1874 must be enforced, while containment of proliferation and deterrence of North Korean provocations need to be boosted.

Getting the North Koreans back to the table may not be easy; not only have they tested nuclear explosive devices and missiles, but they have said that the Six-Party Talks are dead, they will no longer respect the Korean War armistice, and any sanctions imposed by the UN will be treated as a declaration of war. Much of this is the normal overheated rhetoric that Pyongyang often produces, but it would be a mistake to put the issue on the back burner. Getting North Korea back to talks will require significant changes in the way the portfolio is handled in Washington, including a high-level approach by the U.S., if and when there appears to be a prospect, however uncertain, that the North is willing to engage seriously.

The trip to key capitals undertaken in the first week of June by Deputy Secretary of State James Steinberg and Special Representative for North Korea Policy Ambassador Stephen Bosworth suggests Washington may be seriously reviewing its assessments of Pyongyang’s objectives and its own alternatives. The need to do so was underlined on 8 June, when the North, in another provocative action, sentenced two U.S. journalists it had detained in its border area three months earlier to twelve years hard labour.

The temptation will be to punish North Korea with mostly ineffectual multilateral sanctions and then wait for the crisis to blow over, but there are good reasons to take up the challenge now:

  • A likely succession in North Korea could unleash instability, or it could result in a much more belligerent or isolated military regime. The transfer of power after Kim Jong-il is far less clear than when his father died in 1994.
  • An isolated North Korea under sanctions will be more, not less, likely to sell weapons or technology for hard currency. Given that its clients have been in the Middle East and South Asia, this is likely to create further problems in highly insecure areas.
  • The nuclear test may have narrowed the cracks that were appearing among the countries in the Six-Party Talks, with China and Russia more likely to press the North on coming to an agreement.
  • The longer the issue is left to fester, the greater the strains on the alliances, the risk to the balances that have kept the peace in North East Asia for decades, the advances the North will make in developing warheads and missiles and the likelihood proliferation will occur.

The Six-Party Talks faltered in December 2008 on issues of sequencing and verification. These issues can be resolved, and the talks need to resume and address them. But a bolder approach is also needed that will be less likely to become enmeshed in the bilateral concerns that participants have with the North. While still preserving the Six-Party framework, not least because of its potential utility as a mechanism for addressing North East Asian security issues more generally, the U.S. needs to talk to Pyongyang directly at the highest levels. At best this could result in a deal; at worst it might shed some light on North Korea’s motivations and aspirations. High-level engagement may seem to be rewarding bad behaviour, but it is also the only way any agreement is likely to be reached.

While any direct bilateral talks should continue the “actions for actions” model established in the multilateral forum, a U.S. negotiator should not be entirely limited by that approach. The views of North Korea’s leadership, both military and civilian, are shaped by the Korean War and by a deep insecurity about the U.S. in particular and the outside world in general. Assuaging that insecurity by formally ending the Korean War, establishing liaison offices and eventually diplomatic relations and providing greater humanitarian aid would cost little but would build significant confidence. Bilateral contacts in the realm of education, sports, arts and sciences would also be helpful.

The U.S. administration needs to avoid the pitfalls of its predecessors. Interminable battles over policy, with the hesitations and mixed signals they produce, will only undermine diplomacy. Putting implementation on hold while waiting for North Korea to collapse has always been a mistake. Any strategy will need to be sold to Congress but not at the price of giving any primacy to a military response. It needs to coordinate closely with Japan and South Korea, but it must also persuade its allies that solely bilateral concerns cannot be allowed to hold up the key issue of North Korea’s denuclearisation. While diplomacy needs to be backed up by the most effective possible deterrence and containment, it is still the best option.

This Policy Report is published simultaneously with two Crisis Group Background Reports, North Korea’s Nuclear and Missile Programs and North Korea’s Chemical and Biological Weapons and should be read in conjunction with them.

RECOMMENDATIONS

To the Government of the Democratic People’s Republic of Korea:

1. Return to the Six-Party Talks, implement commitments under the Six-Party “Statement of Principles”, and specifically allow inspectors from the International Atomic Energy Agency (IAEA) and other Six-Party participants to verify its nuclear declaration submitted in June 2008.

2. Implement commitments under the 1992 Joint Declaration on the Denuclearisation of the Korean Peninsula, which prohibits the production or possession of nuclear weapons, the enrichment of uranium, and the reprocessing of spent reactor fuel.

3. Abide by UN Security Council Resolutions 1695, 1718 and 1874, which demand that the DPRK not conduct another nuclear test or ballistic missile test and return to the Nuclear Non-Proliferation Treaty (NPT) and IAEA safeguards.

To the Government of the United States:

4. Be prepared, if and when there appears a prospect, however uncertain, of engaging seriously (and after consulting with China, Russia, Japan and South Korea), to send a high-level special envoy to Pyongyang, to discuss how to break the deadlock in the Six-Party Talks in a way that alleviates the security concerns of both North Korea and the international community.

5. Improve coordination in the Six-Party process by revitalising the Trilateral Coordination and Oversight Group, which has languished in recent years.

6. Maintain a strong policy of deterrence and stepped up containment, and encourage China, Russia, Japan and South Korea to do likewise.

7. Reconsider, with South Korea, so as to reinforce the deterrence and containment message, the termination of the U.S.-South Korea Combined Forces Command scheduled for April 2012.

8. Give strong weight in the current Nuclear Posture Review to the impact of a clear change in U.S. doctrine – to “no first use”, or at least a declaration that the only role of nuclear weapons is to deter others using them – in undermining the DPRK argument that it needs a nuclear deterrent.

To the Government of the Republic of Korea:

9. Maintain the separation of humanitarian assistance and denuclearisation in inter-Korean relations.

10. Deploy limited missile defence, but refrain from joining a fully integrated regional missile defence system with Japan and the U.S. unless diplomacy fails.

To the Government of the People’s Republic of China:

11. Press Pyongyang by all available diplomatic means to accept and engage seriously with a high-level U.S. special envoy, return to the Six-Party Talks, implement its previous commitments and abide by relevant Security Council resolutions.

12. Consider suspending the “Treaty on Friendship, Cooperation and Mutual Assistance between China and the DPRK” until North Korea returns to the Six-Party Talks.

To the Government of Japan:

13. Separate the issues of denuclearisation and North Korean abductions of Japanese citizens and be prepared to restart cooperation on humanitarian aid and fuel supplies.

To the Government of the Russian Federation:

14. Provide technical expertise if needed to verify the DPRK’s nuclear declaration.

Seoul/Brussels, 18 June 2009

Full Report: http://www.crisisgroup.org/library/documents/asia/north_korea/169_north_korea___getting_back_to_talks.pdf