sábado, 22 de maio de 2010
Combates na fronteira de Darfur com o sul do Sudão deixam 55 mortos
Outras 85 ficaram feridos em combate entre exército do Sudão e nômades. Segundo líder tribal, disputa por terra em fronteira provocou enfrentamentos.
Pelo menos 55 pessoas morreram e 85 ficaram feridas em combates entre o exército do sul do Sudão e árabes nômades da região ocidental de Darfur, anunciou um líder tribal.
"Temos 55 mortos e 85 feridos em nosso campo. Há atualmente um grande número de (membros da tribo dos) 'rezeigat' que se deslocam à região com o objetivo de ajudar os seus. Também há reforços do exército sulista que vêm das cidades de Raja, Aweil e Wau. Há uma grande tensão", declarou Mohamed Isa Aliu, líder da tribo árabe rezeigat, estabelecida principalemente em Darfur.
Segundo Aliu, os combates começaram quando os nômades árabes buscavam terrenos para pastorear e água para seu gado, perto da fronteira com o estado de Bahr al-Ghazal Ocidental.
O exército do sul do Sudão informou no sábado (24) que havia sido atacado na área de Bahr al-Ghazal Ocidental, mas que acreditava que os agressores não eram membros das tribos nômades rezeigat, e sim soldados do exército do norte do Sudão.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Responsável descarta adiamento do referendo no Sul-Sudão
Cartum - O presidente da missão de avaliação do acordo de paz Norte-Sul, Derek Plumbly, descartou hoje (terça-feira) o adiamento do referendo da independência do Sul-Sudão, previsto para Janeiro de 2011, como foram as recentes eleições nacionais.
Plumblu apelou sempre a formação "rápida" da comissão referendária, a sua composição antes de ser anunciada pelas autoridades, sete meses desse voto chave para o futuro do maior país de África.
O Sudão realizou de 11 a 15 de Abril de 2010 as suas primeiras eleições, desde 1986, um escrutínio inicialmente previsto para Julho de 2009, mas que foi adiado várias vezes.
"Não penso que esse tipo de cenário possa acontecer com o referendo", afirmou Derek Pulmbly, durante uma entrevista à AFP.
O responsável disse que deseja a nomeação rápida de membros da comissão referendária, e julga impossível estabelecer uma data. Isso não deverá levar muito tempo".
Nenhuma das partes nega um acordo de princípio para a conclusão de um acordo sobre a nomeação de membros da futura instância.
A comissão deverá estabelecr uma lista de eleitores que poderão votar no referendo da independência do Sul-Sudão, não recuperando os dados que foram utilizadas nas eleições.
O processso de registo dos eleitores foi então vivamente criticado pela oposição, que havia acusado o partido do Presidente, Omar el-Bechir de ter aumentado artificialmente as listas a seu proveito e utilizado meios do Estado para facilitar a inscrição dos seus apoiantes.
Os adultos que vivem no Sul-Sudão assim como os sulistas que vivem no Norte ou no estrangeiro poderão votar no referendo.
Mas nesses dois últimos casos, será delicado determinar quem é originário do Sul-Sul e quem não é, de onde há dimensão étnica ligada ao registou, explicou Plumbly.
O diplomata britânico afirmou que os duas grandes formações do Norte e do Sul-Sudão - respectivamente o Partido do Congresso Nacional (NCP) do presidente Bechir e o Movimento Popular de Libertação do Sul (EPLS) de Salva Kiir - entenderam-se sobre a lista dos elementos pós-referendo a tratar antes da realização do voto.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Sudão acusa Chade de 'ato de guerra' e ameaça resposta militar
CARTUM - O Sudão acusou o Chade nesta sexta-feira, 15, de organizar ataques aéreos contra seu território, onde se encontram rebeldes chadianos, e advertiu sobre uma possível resposta militar. "Dois aviões chadianos realizaram ataques aéreos em zonas situadas a 60 quilômetros dentro do Sudão", afirmou em comunicado o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Ali Sadiq, alertando que o Exército sudanês está "pronto para responder e está esperando apenas instruções do governo."
Os bombardeios foram classificados como "ato de guerra". A acusação aparece uma semana depois do Chade acusar o Sudão de enviar forças rebeldes para a fronteira, aumentando os temores de um possível rompimento de um recente acordo de paz. O governo do Chade ainda não respondeu as declarações.
"Eles bombardearam e há feridos", acrescentou o porta-voz. "A liderança sudanesa e o Exército estão analisando a situação. O Sudão tem o direito de defender seu território", concluiu. Os dois países costumam trocar acusações sobre apoio a insurgentes que tentam derrubar seus respectivos governos. O ministério sudanês também convocou o embaixador do Chade para explicações sobre os ataques.
Os dois países reataram suas conturbadas relações diplomáticas em novembro do ano passado, após ter suspendido os laços em maio do mesmo ano. Cartum acusava o presidente do Chade, Idriss Deby, de envolvimento em um ataque realizado por rebeldes de Darfur na capital sudanesa, em 11 de maio de 2008.
sábado, 25 de abril de 2009
HRW lança campanha contra utilização de crianças-soldado
A HRW lembrou hoje que há um tratado na ONU, ratificado por 126 países, que proíbe o recrutamento e o uso forçado de menores de 18 anos em conflitos armados.
"Jovens de todo o mundo uniram forças para manifestar sua indignação porque meninos e meninas continuam sendo usadas para combater em guerras", disse uma das organizadoras da campanha na HRW, Jo Becker.
A especialista ressaltou que a iniciativa busca "um maior compromisso dos líderes mundiais com o fim desta prática", que ainda ocorre em 15 países ou territórios, inclusive em alguns daqueles que ratificaram o tratado.
Os países ou territórios nos quais crianças ainda combatem são: Afeganistão, Mianmar, Chade, Colômbia, Filipinas, Índia, Iraque, República Centro-Africana, República Democrática do Congo (RDC), Somália, Sri Lanka, Sudão, Tailândia, territórios palestinos ocupados e Uganda.
Além disso, oito Governos - Mianmar, Chade, Índia, RDC, Ruanda, Sri Lanka, Sudão e Uganda - assinaram o tratado, mas continuam utilizando crianças em suas forças armadas ou apóiam grupos armados que recrutam menores em seus territórios ou em Estados vizinhos.
Em apoio à campanha, um grupo de ex-crianças-soldado e outros jovens de diferentes partes do mundo apresentaram hoje milhares de "mãos vermelhas" simbólicas ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, de quem cobraram ações mais contundentes contra o problema.
"O recrutamento forçado e o uso de crianças-soldado é um dos mais horríveis abusos dos direitos humanos hoje em dia", disse Ban, que lamentou o fato de milhares de crianças serem exploradas e se verem obrigadas a suportar a violência.
A HRW informou que jovens de 101 países recolheram mais de 250 mil "mãos vermelhas", o símbolo dos esforços internacionais pela erradicação das crianças-soldado, para apoiar a campanha. EFE
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Líder do Sudão critica Conselho de Segurança da ONU
Mais cedo, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, criticou o Sudão pela expulsão das agências humanitárias que atuavam em Darfur. Hoje foi a primeira vez que Bashir e Ban estiveram frente a frente desde 4 de março, quando foi expedido o mandado. O TPI é o tribunal permanente da ONU para crimes de guerra, mas é independente do Conselho de Segurança da entidade. Apesar disso, o CS poder pedir à corte que investigue denúncias.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Substituição de ONGs expulsas do Sudão pode durar anos, diz ONU
Holmes baseou sua informação em um relatório elaborado junto ao Governo do Sudão sobre as consequências das expulsões para essa região sudanesa.
"Acho que vai demorar entre um ou dois anos para voltar aos níveis de (atividade humanitária) que havia antes", assegurou o diplomata britânico em entrevista coletiva.
Cartum anulou as permissões de 13 ONGs internacionais e três locais, depois de o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitir, no dia 4 de março, uma ordem de detenção contra o presidente do Sudão, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, por sua suposta implicação em crimes de guerra e de lesa-humanidade em Darfur.
Entre as entidades expulsas estão a Save the Children (seções de Reino Unido e EUA), a Médicos Sem Fronteiras (seções de França e Holanda) e a Oxfam.
As 16 ONGs afetadas contavam com 201 voluntários internacionais e outros 3.142 funcionários locais.
O relatório elaborado entre 11 e 18 de março assinala que a ausência destas organizações causou a aparição de grandes lacunas na entrega de ajuda humanitária aos 4,7 milhões que dependem de ajuda para sobreviver em Darfur
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Situação humanitária agravou-se em quase todo o Sudão
Sima Samar, investigadora das Nações Unidas que esteve em Junho e Julho últimos no Sudão para avaliar a situação humanitária, avança no relatório que assistiu a violações das leis humanitárias não só no Darfur mas também noutras partes do país, incluindo no Sul.
“Apesar de terem sido dados alguns passos pelo Governo do Sudão, principalmente na reforma legislativa, a situação dos direitos humanos no terreno permanece desastrosa, com vários interlocutores a denunciar uma deterioração generalizada”, escreve Samar no seu trabalho.
A investigadora, antiga vice-primeira-ministra do Afeganistão, avança ainda que as forças governamentais lançaram ataques aéreos e terrestres contra civis no Darfur, tendo ainda sido registados incidentes em combates entre grupos rebeldes daquela região. Samar manifestou ainda preocupação quanto ao número crescente de agressões contra funcionários humanitários que tentam socorrer as vítimas dos conflitos.
Segundo o relatório, ocorreram “sérias violações de direitos humanos” quando um grupo revoltoso do Darfur atacou a cidade de Omdurman, em Maio, e durante combates no mesmo mês entre forças armadas nacionais sudanesas e tropas do Governo do sul do Sudão.
Perante o Conselho dos Direitos Humanos reunido numa sessão plenária em Genebra, Samar lamentou que “o Governo e os grupos rebeldes continuem a falhar na sua responsabilidade: proteger os civis nas zonas sob o seu controlo”.
Dando conta de informações recolhidas no terreno sobre mortes, tortura e detenções arbitrárias de civis, a responsável da ONU sublinhou que “a protecção e a promoção dos direitos humanos é uma responsabilidade do Estado” sudanês.
Samar denunciou também o recrutamento de crianças soldado, algumas com apenas 11 anos, “por diferentes facções, incluindo as forças armadas sudanesas”.
O representante sudanês no Conselho dos Direitos Humanos já exigiu que o mandato de Samar como relatora especial sobre o Sudão não seja renovado no final do ano, considerando que “existem outros mecanismos” para seguir a situação humanitária no país. Por sua vez, a União Europeia apresentou um projecto de resolução para renovação do mandato por mais um ano de Samar.
