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quinta-feira, 9 de abril de 2009

Quem são os Estados Unidos para Julgar?

Dando uma curta pausa na nossa programação normal, coloco aqui mais uma notícia do jornal "Oriente Médio Vivo".


O relatório anual de direitos humanos publicado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos provocou fortes críticas dos países que foram apontados como “violadores sistemáticos” de direitos humanos durante o ano de 2008. O relatório divulgado em março desse ano apresenta dados de 194 países e tece severas críticas aos países que, de alguma forma, fazem oposição aos Estados Unidos e aos interesses da Casa Branca.

Mas afinal, quem são os Estados Unidos para falar em direitos humanos? Essa pergunta é o mínimo que se espera de qualquer cabeça pensante. Obviamente, um país responsável por torturas sistemáticas de presos inocentes, sem acusação alguma, em que alguns casos levaram té a morte, como aconteceu em Guantánamo, Abu Ghraib e Bagram, não pode ditar regras de direitos humanos. Um país que mata civis diariamente no Afeganistão, Iraque e Paquistão com bombardeios indiscriminados a áreas residenciais não pode ter credibilidade nesse assunto. Uma nação não pode ser confiável após reeleger Bush para mais quatro anos no poder, mesmo depois de comprovadamente ter sido enganada pela administração dele e por ter visto com clareza os horrores da invasão ilegal ao Iraque.

Foram os mesmos eleitores que elegeram Barack Obama, mais no intuito de dar um sinal para o
mundo de que eles não são tão ruins assim do que pela vontade de “mudança”. Mas, por enquanto, Obama fez muito pouco do que vinha prometendo. Para ele, transformar Guantánamo
em um caso encerrado e passado era de extrema importância para a retórica de mudança adotada como slogan da campanha eleitoral.

Até agora a postura do novo presidente com relação à política de detenção sem causa ou quanto aos “outros Guantánamos”, como o campo de concentração de Bagram, continua a mesma do
antecessor.

Quanto ao relatório dos Estados Unidos, o informe denuncia violações das liberdades individuais em diversos países: Cuba, Venezuela, China, Egito, Irã, Sri Lanka, Zimbábue, Armênia, Mauritânia, República Democrática do Congo, entre outros. Mas ele diz algo sobre Guantánamo, Abu Ghraib ou Bagram? Ou sobre a invasão ilegal do Iraque? Os bombardeios diários contra civis no Afeganistão? Alguma linha foi escrita sobre o fornecimento de armas ilegais para Israel testar contra o povo palestino em Gaza? Não, para os estadunidenses isso simplesmente não aconteceu. Essa é a típica posição de descaso com relação ao resto do mundo que finalmente posicionou os Estados Unidos como inimigos do mundo nos últimos anos – e isso Obama parece não ter força nem caráter para mudar.

A atitude de dois pesos e duas medidas que reina nos relatórios dedireitos humanos publicados pelos Estados Unidos, em que aliados são parabenizados e inimigos são denunciados, é clara também na autoavaliação, em que os crimes que cometeu são sempre omitidos. Acontece que hoje, quando os crimes estadunidenses são claros para todos, esse relatório não serve mais para nada – não há credibilidade. Como afirmou o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores iraniano, Hassan Qashqavi, em resposta ao relatório, “os Estados Unidos, que são um dos principais violadores dos direitos humanos no mundo, não estão em posição de comentar sobre o
assunto.” Muitos países, pela primeira vez, assumiram essa postura. Entre eles estão muitos países da América do Sul, como Bolívia, Chile e Venezuela. O mundo só tem a ganhar com esse
levante contra os Estados Unidos, afinal, quem são eles para julgar?




Fonte: Oriente Médio Vivo, Nº 136, 6 de Abril de 2009


Humam al-Hamzah
Zaid Muhammad


terça-feira, 10 de março de 2009

Refugees add their footballing skills to Brazil’s rich soccer scene

BRASILIA, Brazil, March 10 (UNHCR) – Ali Abu Taha has been thriving since last year becoming the first Palestinian to play for a professional football team. And it's possible that he could be soon joined by other young refugees who have also arrived in Brazil under a UNHCR-supported resettlement scheme.

The 19-year-old striker, who was born in Iraq and lived in a desert refugee camp in Jordan for months, was signed by Brazsat Football Club in the second division of the Brasilia district championship. The team now runs a programme aimed at promoting football and other sports as a local integration and protection tool for young refugees in Brazil.

Team officials say other refugees are likely to be hired, depending on the results of technical and medical exams. "This is a new pioneering activity in Brazil to foster integration. Being a very popular sport in Brazil, football it is a way for refugees to get closer to Brazilian culture," said Javier Lopez-Cifuentes, UNHCR's representative in Brazil.

Ali honed his football skills during the four years he and his family spent in Jordan's Ruweished camp after fleeing rising intimidation, threats and violence against Baghdad's once thriving Palestinian community. "We used to play for fun. We didn't have kit or shoes, only a ball," he recalled.

His life changed forever in September 2007, when he and his family were among the first group of more than 100 Palestinians to be accepted for resettlement by Brazil. They were flown to the city of Mogi das Cruzes, but Ali has sinced moved to an apartment in Brasilia which is closer to his team's ground, while his family resides in Sao Paolo state.

He trains hard with his new teammates, determined to reach the top. "I am in better physical condition and working hard, thinking of my future," Ali confided to UNHCR visitors, while adding that he was learning Portuguese. "I am [getting] much better and have made some very nice [Brazilian] friends."

The staff and management at Brazsat are delighted to have their first Palestinian and Arab player and believe he has what it takes to one day play for his new home country." "He is an example to all of us," said Alexsander Gomes, the team's technical director, who commended Ali on his physical and technical skills.

"We are very proud of him and we are also happy to be the first professional football team in Brazil with a refugee player," said João Gilberto Vaz, the president.

Back on the pitch, Ali mused on fate. "I had planned to go back to school to study law, but now I'm fulfilling a dream of being a football player in Brazil." What odds on him becoming the first Palestinian to score a goal for Brazil in the World Cup Finals in South Africa next year?


By Luiz Fernando Godinho and Valéria Graziano
in Brasilia, Brazil

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Fahrenheit 9/11


Fahrenheit 9/11 é um documentário de 2004 escrito, estrelado e dirigido pelo cineasta estadunidense Michael Moore. Fala sobre as causas e consequências dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, fazendo referência a posterior invasão do Iraque liderada por esse país e pela Grã-Bretanha. Além disso, tenta decifrar os reais alcances dos vínculos que existiriam entre as famílias do presidente George W. Bush e a de Osama bin Laden.


O título do filme faz referência ao livro Fahrenheit 451 (233ºC, que representa a temperatura que queima o papel), escrito em 1953 por Ray Bradbury, e também aos atentados de 11 de setembro de 2001, já que "11/9" se escreve "9/11" nos países de língua inglesa.


Sugerindo "a temperatura que arde a liberdade", este documentário ressalta especificamente a relação entre a família Bush e pessoas próximas a ela, com membros de eminentes famílias da Arábia Saudíta (incluindo a família de Bin Laden) em uma relação que se estende durante mais de trinta anos, assim como a evacuação de familiares de Osama bin Laden organizada pelo governo de George W. Bush depois dos ataques de 11 de setembro. Se bem que essa relação de negócios entre os clãs Bush e Bin Laden não é discutida, a mesma não é amplamente conhecida.


A partir daí, o filme da pistas sobre as verdadeiras razões que tem impulsionado o governo Bush para invadir o Afeganistão em 2001 e Iraque em 2003, ações que, segundo Moore, correspondem mais a proteção dos interesses das indústrias petrolíferas norteamericanas que o desejo de libertar os respectivos povos ou evitar potenciais ameaças. O documentário insinua que a guerra com o Afeganistão não teria como principal objetivo capturar os líderes da Al Qaeda e sim favorecer a construção de um óleoduto, e que o Iraque não era no momento da invasão uma ameaça real para Estados Unidos senão uma fonte potencial de benefícios para as empresas norteamericanas.





terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Oriente Médio e Iraque em debate na UE

Chefes de governo e Estado da UE debatem a situação do Oriente Médio frente à morte iminente de Arafat, discutem as regras de asilo político nos países do bloco e definem o papel da Europa na reconstrução do Iraque.

eunidos em Bruxelas nesta sexta-feira (5/11), os representantes dos países-membros da União Européia contaram com uma visita extra: a do primeiro-ministro iraquiano, Iyad Allawi. Com seu pronunciamento de que "os espectadores na Europa" precisariam se envolver mais no processo de reconstrução do Iraque, Allawi esbarrou na resistência de vários governantes europeus, entre eles Gerhard Schröder.

"Estamos dispostos a conceder uma moratória substancial das dívidas do país, para que a reconstrução possa ser financiada. Vou lembrá-lo disso", afirmou o premiê alemão. Segundo ele, a Alemanha contribui intensamente na formação de forças de segurança iraquianas, capacitadas nos territórios dos Emirados Árabes.

Papel da Europa no Iraque

Primeiro-ministro iraquiano Iyad AllawiPrimeiro-ministro iraquiano Iyad AllawiDurante o encontro, os representantes da UE reafirmaram a oferta de um acordo sobre livre comércio e baixas taxas alfandegárias entre os países do bloco e o Iraque. Além disso, o país deverá receber uma ajuda no valor de 30 milhões de euros para a realização das eleições, agendadas para janeiro próximo.

Por razões de segurança, a UE se nega a enviar pessoal ao Iraque. E a Alemanha continua excluindo a possibilidade de mandar soldados ao país. "O que acontece lá não é apenas problema dos iraquianos. É uma luta mundial. É preciso combater os terroristas, para que a democracia possa ser realmente implementada", afirmou Allawi, repetindo um discurso de ataque à UE que pode ter suas origens na Casa Branca.

O premiê britânico, Tony Blair, aliado dos EUA na guerra contra o Iraque, também exigiu de seus colegas europeus que participem mais ativamente na reconstrução do país. O presidente francês, Jacques Chirac, simbolicamente ausente do encontro com Allawi, salientou a necessidade de fortalecer a influência européia nos planos de estabilização da economia do Iraque. Chirac vê a UE como o contraponto à postura defendida pelos EUA.

Oriente Médio pós-Arafat

Yasser ArafatYasser ArafatOutro assunto em debate no encontro da UE foi a situação do Oriente Médio, tendo em vista a morte iminente do líder palestino Yasser Arafat. Os 25 chefes de governo e Estado presentes em Bruxelas demonstraram preocupação frente ao vácuo no poder que se dará nos territórios palestinos. Uma situação que, segundo as previsões dos europeus, poderá facilmente provocar uma escalada da violência na região.

O encarregado do Conselho Europeu para política externa, Javier Solana, procura no momento alinhavar um pacote de medidas destinadas a manter as autoridades palestinas em atividade após a morte de Arafat. Entre as propostas, estão a capacitação da polícia local, o auxílio em caso de eleições e a ajuda financeira imediata. "O mais importante agora é o processo eleitoral, que deve acontecer para que uma nova liderança possa assumir a responsabilidade a partir das bases", analisa Solana.

Dos cofres da UE flui o maior montante de verbas em direção aos territórios autônomos palestinos. As contribuições anuais perfazem um total de 100 milhões de euros, destinados a diversos projetos de ajuda humanitária. Na opinião do premiê dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen, a morte de Arafat e o início do segundo mandato de George W. Bush devem ser vistos "como uma boa oportunidade de reavivar o processo de paz na região".

Imigração ilegal e controle de fronteiras

Imigrantes ilegais detidos na costa espanholaImigrantes ilegais detidos na costa espanholaAlém de Iraque e Oriente Médio, os chefes de governo e Estado reunidos em Bruxelas debateram ainda questões relacionadas à política interna, como a unificação do sistema de asilo político a partir de 2010, a introdução de programas de controle da imigração ilegal e das fronteiras externas dos países do bloco.

Um sistema comum de informação sobre a concessão de vistos nas 25 nações deverá "facilitar a cooperação entre a polícia e a Justiça". O presidente holandês do Conselho da UE, Jan Peter Balkenende, defendeu ainda o fim do "shopping de asilo político", uma prática que permite ao requerente optar pelo país que oferece as melhores condições para seu caso.

Novo nome na Comissão

Franco FrattiniFranco FrattiniNa noite da quinta-feira (4/11), o futuro presidente da Comissão Européia, João Manuel Durão Barroso, havia anunciado que o atual ministro italiano do Exterior, Franco Frattini, deverá assumir o cargo de comissário de Justiça e Política Interna da Comissão. Pôs desta forma um fim nas controvérsias que envolveram o nome de Rocco Buttiglione – uma escolha que não havia encontrado ressonância no Parlamento Europeu.

"Encontramos agora uma boa saída. Espero contar com o apoio de todos", afirmou Durão Barroso. Pouco antes da prevista votação pelo Parlamento, na última semana, Durão Barroso optou por retirar sua lista de nomes para a Comissão, devido às resistências desencadeadas pela indicação de Buttiglione para o cargo que deverá agora ser ocupado por Frattini.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Parlamento iraquiano vota sobre presença de tropas estrangeiras segunda-feira

BAGDÁ (AFP) — O Parlamento iraquiano vai votar na segunda-feira um mandato para que o governo assine acordos que permitam às tropas estrangeiras, exceto as americanas, permanecerem no Iraque depois de 31 de dezembro de 2008, indicaram neste domingo dois deputados iraquianos.

"O Parlamento iraquiano se pronunciará na manhã de segunda-feira sobre uma decisão que autorize o governo a assinar acordos com governos de países estrangeiros (exceto EUA), para fixar uma data de retirada que deverá ser antes de julho de 2009", declarou Ali Adib, vice-presidente da Aliança Unificada Iraquiana, o principal grupo parlamentar.

"O Parlamento votará amanhã para adotar uma decisão que dê autorização ao governo para resolver a presença de forças estrangeiras", confirmou à AFP Ahmed Nur, deputado da Aliança Curda, a segunda força parlamentar iraquiana.

O porta-voz da Frente Iraquiana da Concórdia (sunita), Salim Abdalá, explicou à AFP que a decisão já havia sido tomada, porque segunda-feira é o último dia de sessão do Parlamento.

No início, o governo iraquiano apresentou um projeto de lei sobre a retirada das tropas não americanas antes de 31 de julho de 2009. Com isso, queria cobrir legalmente a permanência dessas tropas no Iraque a partir de 31 de dezembro de 2008, data em que expira o mandato da ONU.

Mas o projeto de lei perdeu-se em confusão. Alguns deputados o rejeitaram, e outros afirmaram que a votação de segunda-feira pretende invalidar a sessão de quarta-feira, dedicada ao assunto, e na qual o presidente do Parlamento acabou insultando os deputados.

Finalmente, os deputados votarão em uma leitura um mandato que permita ao governo assinar diretamente acordos bilaterais com os países da coalizão que ainda têm tropas em solo iraquiano.

As tropas não americanas da coalizão são compostas principalmente por britânicos (4.100 soldados), embora também tenham em suas filas militares salvadorenhos, romenos, estonianos e australianos.

Os americanos, que representam 95% das forças da coalizão com seus 146.000 soldados, já assinaram um acordo bilateral com os iraquianos para permanecer no país árabe mais tempo e se retirar no final de 2011.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

EU countries pledge to host 10,000 Iraqi refugees

EU countries are to host "on a voluntary basis" up to 10,000 Iraqi refugees currently living in camps in Syria and Jordan, the bloc's interior ministers have decided at a Brussels meeting on Thursday (28 November).

The move comes after the United Nations refugee agency, the UNCHR, called upon Europe to take up to 80,000 Iraqis in the next three years, explained Brice Hortefeux, French minister for immigration, who chaired the meeting. 

He was particularly happy to have agreed on a specific figure that would be accepted, despite protests from countries such as Malta, Cyprus and Greece who have already hosted significant a number of refugees in proportion to their population.

The biggest share – 2,500 refugees - would be welcomed into Germany, interior minister Wolfgang Schauble announced after the meeting. France has already hosted 488 Iraqis, while another 981 applications will be processed in the coming weeks, Mr Hortefeux said.

At the meeting, ministers debated a report from a group of EU experts who visited refugee camps in Syria and Jordan in early November and noted that the situation was "deteriorating", EU justice commissioner Jacques Barrot told a press conference.

An estimated 1.5 million Iraqis have fled their country to live in camps in Syria and Jordan.

The report concluded that most refugees would ultimately return home, but that a significant minority, especially women and children, were in urgent need of re-settlement. Others were facing medical problems or belonged to minorities particularly targeted in Iraq.

At the same time, Mr Hortefeux noted that Iraqi officials called upon Europeans not to encourage emigration.

"On the contrary, our objective is to get people to come back to Iraq. But the UNCHR set an objective of 80,000 refugees for the next three years to be taken up by Europe," the French minister added.

The United States said Tuesday that it expects to meet the "tall order" of admitting a total of 12,000 Iraqi refugees by the end of this fiscal year. In the last fiscal year, just 3,040 were admitted.

Yet the country who welcomed most Iraqi refugees so far has been Sweden. According to official figures, 8,951 Iraqis came to Sweden in 2007. Sweden's appeal to Iraqis lies in its relative openness to refugees and in its established community of more than 82,000, who came through the last 30 years.

Mais informações: http://euobserver.com/24/27193

Fonte: EUOBSERVER

domingo, 2 de novembro de 2008

Irã e Iraque vão trocar os restos de soldados mortos durante a guerra

BAGDÁ (AFP) — O Irã e o Iraque chegaram a um consenso para trocar os restos de cerca de 250 soldados mortos durante a guerra que opôs estes dois países entre 1980 e 1988, afirmou o porta-voz do governo iraquiano, Ali Al-Dabbagh.

"O governo iraquiano através do ministério dos Direitos Humanos entrou no acordo com o governo iraniano para trocar os restos de soldados mortos durante a guerra Irã-Iraque", indicou Al-Dabbagh, em um comunicado publicado na noite de sexta-feira.

"A troca foi marcada para 15 de novembro na fronteira. Receberemos os corpos de 200 iraquianos e entregaremos os de 41 iranianos", acrescentou. A guerra deixou um milhão de pessoas mortas dos dois lados.

"O governo iraquiano dará continuidade a seus esforços junto à parte iraniana para encontrar soluções aos problemas mais graves, principalmente sobre os aspectos humanitários", disse.
O Comitê internacional da Cruz Vermelha (CICR) anunciou em agosto ter assinado um acordo com o Iraque e o Irã para esclarecer o destino dos desaparecidos, 20 anos após o fim da guerra.
"A sorte de dezenas de milhares de iraquianos e iranianos que pertenceram ao Exército, entre eles prisioneiros, continua sendo uma incógnita", disse o CICR.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Impasses do Paraíso parte 1

Márcio Scalercio



Impasses no Paraíso:
A crise do Iraque: Clausewitz pode ajudar a vencer batalhas, mas é de muito pouca valia para o trabalho de gendarme.



Como você ousa cochilar à sombra da segurança complacente,
levando uma vida tão frívola quanto as flores do jardim, enquanto
seus irmãos na Síria não têm onde morar, a não ser as selas dos
camelos e as barrigas dos abutres? Sangue foi derramado! Jovens
belas foram envergonhadas (...). Será que os valorosos árabes
devem se resignar ao insulto e os valentes persas aceitar a
desonra(...). Jamais os muçulmanos foram tão humilhados.
Nunca suas terras foram tão selvagemente devastadas (...).

(Trecho do discurso do venerável cádi Abu Saad al-Harawi, ao califa de Bagdá, anunciando a invasão da Primeira Cruzada contra a Síria e Palestina em 1099 d.C e convocando o Comandante dos Crentes a reagir. O venerável cádi exibia sua cabeça raspada, nua por causa do luto. Citado de ALI, Tariq. Confronto de fundamentalismos. Rio de Janeiro - São Paulo, Record, 2002, pp. 63) .



O discurso proferido pelo venerável Abu Saad , que procurava sensibilizar o califa e os muçulmanos contra a ação dos cavaleiros cristãos invasores, se ajusta perfeitamente ao que se passa nos corações e mentes de muitos dos milhões de muçulmanos que habitam o mundo atual. Este é um dos elementos mais candentes presentes nas crises no Iraque e na Palestina. Ambas renovam a cada dia os descontentamentos e a fúria das massas islâmicas contra o Ocidente. Ambas transtornam as relações internacionais instilando discórdias entre velhos aliados (mesmo entre países ocidentais) e instabilidade no sistema entre as nações. Além disso, contribuem para a desmoralização da ONU, (Organização das Nações Unidas), revelando seus estreitos limites de influência e capacidade de formulação de políticas concretas para solucionar conflitos e crises graves. Finalmente, e porque não ressaltar, lamentavelmente, produzem vítimas fatais e prejuízos materiais por toda a parte, de Cabul a Nova Iorque.
A tarefa dos analistas e estudiosos em momentos como esse é árdua. Se devemos manter o olhar atento aos fulminantes acontecimentos do dia a dia da crise, não podemos deixar de reservar tempo para matutar as primeiras reflexões que a seriedade dos eventos exigem. Além dos lances quotidianos, diariamente exibidos com fartura pela mídia, a produção acadêmica provocada pela crise é tão abundante que a leitura minuciosa de tal quantidade de textos é de difícil execução, mesmo para os estudiosos mais dedicados e empenhados. Portanto, vai-se fazendo o humanamente possível, obedecendo os limites do engenho e as restrições de tempo, pois este fator nem sempre nos pertence inteiramente.
A proposição deste artigo é a de apresentar ao leitor a seguinte questão: enfatizando exclusivamente o cenário da atual crise do Iraque, demonstrar que a admiravelmente bem organizada máquina de guerra norte-americana, remodelada após a Campanha do Vietnã, que obteve com alguma facilidade a desagregação das forças armadas convencionais do Iraque e obrou a ocupação dos centros mais importantes do país, não está à altura da tarefa desejada pela liderança política dos Estados Unidos nesse momento: a de servir de principal suporte para a reestruturação do Estado e sociedade iraquianos que obedeça a um enquadramento entendido como viável aos interesses das Potências Ocidentais. O que se vai fazer aqui é um exercício de reflexão centrado em estudos de res militare (coisa militar, assuntos militares), um conjunto de temas em voga desde os tempos de antanho, cujas referências remontam aos textos greco-romanos da antigüidade clássica. A tradição que nutre a relevância de tais assuntos foi reforçada em nossos dias, dentre muitas outras razões, pelo fenômeno da liderança política dos EUA insistir em usar o poder militar como ferramenta fundamental de política externa.
Para que tenhamos uma idéia inicial dessa realidade, basta perceber que, durante os 50 anos de Guerra Fria, os EUA fizeram uso de seu poder militar no exterior por 16 vezes, enquanto que desde 1990, com a desagregação da URSS, forças norte-americanas se envolveram diretamente em conflitos internacionais pelo menos em 46 oportunidades (incluímos nessa contagem a Guerra do Iraque no ano de 2003)[1].

[1] Essa contagem é de Philip Bobbit e não temos razão para desconfiarmos da mesma. O cálculo do autor deixa de fora a Guerra no Iraque porque seu livro foi publicado em 2002. Ver: BOBBIT, Philip. A Guerra e Paz entre as Nações. Rio de Janeiro, editora Campus, 2002, pp. 235.

sábado, 25 de outubro de 2008

ONU busca socorro para cristãos no Iraque

ONU busca socorro para cristãos no Iraque

Publicado em 24.10.2008, às 21h47

A agência para refugiados da Organização das Nações Unidas (ONU) informou hoje que está se agilizando para socorrer os milhares de cristãos iraquianos que fugiram da cidade de Mossul, no norte do Iraque. Cerca de 13 mil cristãos foram expulsos de Mossul por ameaças e ataques de extremistas islâmicos neste mês, disse Ron Redmond, porta-voz do alto comissariado da ONU para os Refugiados.

Os 13 mil cristãos representam mais da metade da comunidade cristã na cidade, que existe em Mossul quase desde o começo da religião cristã. "Muitos fugiram com pouco dinheiro e precisam de ajuda", disse Redmond em Genebra, onde fica o quartel-general do Alto Comissariado.

Ele contou a história de uma mulher cristã, uma enfermeira, que disse ao Alto Comissariado que as ameaças começaram há alguns meses, com chamadas por telefone, cartas e mensagens deixadas sob o batente das portas das casas. Outra mulher disse que fugiu quando ouviu dizer que um cristão havia sido assassinado. "Nós nunca queríamos deixar o Iraque, mesmo com o ambiente tenso", disse a mulher, que fugiu para a Síria, ao Alto Comissariado.

A agência entregou suprimentos a mais de 1,7 mil famílias cristãs que agora estão dispersas no norte do Iraque, disse Redmond. Muitos vivem em igrejas, mosteiros e casas de parentes em vilarejos cristãos próximos a Mossul.

Acredita-se que islâmicos sunitas extremistas estejam por trás dos ataques e das ameaças, que ocorreram após forças americanas e iraquianas terem lançado uma operação em Mossul, há alguns meses, para esmagar a Al-Qaeda na região. Mas nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelos ataques.

Fonte: AE

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Bush anuncia retirada de efetivos no Iraque e reforço no Afeganistão

Bush anuncia retirada de efetivos no Iraque e reforço no Afeganistão
BBC

WASHINGTON - Os efetivos americanos no Iraque deverão sofrer poucas alterações até o fim da presidência de George W. Bush, em janeiro de 2009, restringindo-se à retirada de cerca de 8 mil homens nos próximos meses. Nesta terça-feira, Bush anuncia planos para a retirada de homens até fevereiro de 2009 e planos para o envio de mais tropas ao Afeganistão, onde a violência vem se agravando.

Bush, cuja popularidade é seriamente afetada pelas guerras, diz repetidamente que só retira tropas do Iraque quando seus comandantes assim aconselham, baseando-se nas condições do terreno. "Embora o progresso no Iraque ainda seja frágil e reversível, o general [David] Petraeus e o embaixador [Ryan] Crocker relatam que agora parece haver um 'grau de durabilidade' nos ganhos que obtivemos", dirá Bush na Universidade Nacional de Defesa, segundo trechos divulgados previamente pela Casa Branca na segunda-feira.

Ele dirá que 3.400 soldados de combate deixarão o Iraque nos próximos meses. Um batalhão dos marines deve sair até novembro, e uma das 15
brigadas de combate do Exército sai em fevereiro, dirá Bush.

"E se o progresso no Iraque se mantiver, o general Petraeus e nossos líderes militares acreditam que as reduções adicionais serão possíveis no
primeiro semestre de 2009", dirá Bush.

Ao mesmo tempo, ele deve anunciar o envio de reforços para o Afeganistão, onde os ataques do Talibã e da Al-Qaeda vêm se intensificando.

"Em novembro, um batalhão dos marines que deveria se deslocar para o Iraque vai em vez disso se deslocar para o Afeganistão", diz o texto. "Será
seguido em janeiro por uma brigada de combate do Exército."

Os EUA têm atualmente 146 mil soldados no Iraque e 33 mil no Afeganistão. Qualquer retirada ou reforço mais dramático ficará a cargo do sucessor de Bush, que toma posse em janeiro.