sábado, 4 de abril de 2009
UE recebe Obama com uma presidência enfraquecida
A chegada do novo presidente americano e dos dirigentes de todos os países da União Europeia, após a cúpula da Otan, poderia ser para o governo de Mirek Topolanek a apoteose de sua presidência de turno do bloco dos 27 países, que termina no fim de junho.
"Porém, está em uma posição embaraçosa e com atritos potenciais" com a administração americana, resumiu Antonio Missiroli, analista do centro de reflexão Europe Policy Center.
O presidente americano, Barack Obama, chegará na noite de sábado a um país em plena turbulência política.
Ele terá como interlocutor, por um lado, um primeiro-ministro virtual, o liberal Mirek Topolanek, que apresentou sua demissão semana passada após uma moção de censura por iniciativa dos deputados da oposição social democrata.
Além disso, ele se encontrará com um chefe de Estado, o muito euroecéptico Vaclav Klaus, contrário à União Europeia, bloco que ele compara à União Soviética.
Esta situação coincide com o momento em que a Europa busca maior peso frente aos EUA na gestão da crise econômica.
"A Europa precisa de uma liderança forte nestes tempos de crise. No entanto, um governo que assume a presidência da UE e que está privado da confiança dos demais não pode assumir esta liderança", lamentou recentemente o líder dos conservadores no Parlamento Europeu, Joseph Daul.
A confusão política em Praga deu o golpe definitivo a uma presidência tcheca da UE com problemas de autoridade desde o início e cujo balanço é julgado cada vez mais severamente por seus sócios.
"Esta é uma presidência caótica que não sabe muito bem o que quer", disse um embaixador de um país da UE, sob condição de anonimato.
Os grandes países europeus, como Grã-Bretanha e França, já começaram a tomar a iniciativa, deixando a República Tcheca em segundo plano. Neste sentido, acabaram de rejeitar uma cúpula de chefes de Estado sobre o desemprego proposta pelos tchecos e a Comissão Europeia.
O governo tcheco está, efetivamente, em desacordo com seus sócios europeus sobre a questão central deste momento: a gestão da crise. "Neste momento o país que preside a UE é o único em desacordo com o resto sobre as mudanças econômicas necessárias", destacou um diplomata de alta patente.
Topolanek, um ultraliberal convencido, vê com maus olhos a volta do intervencionismo estatal na economia ilustrado pelos planos de reativação econômica, resgate de bancos e regulação dos mercados.
Ele deixou isto claro semana passada ao declarar, ante o Parlamento Europeu, que as centenas de milhares de milhões gastos por Barack Obama conduziriam os Estados Unidos ao "inferno".
Durante a cúpula de domingo com Barack Obama, a República Tcheca não parece ser a mais apropriada para defender a postura da UE em um assunto considerado uma das prioridades europeias: a necessidade de um maior compromisso por parte de Washington na luta contra a mudança climática.
Para Klaus, "o aquecimento global é um problema inexistente".
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Oriente Médio e Iraque em debate na UE
eunidos em Bruxelas nesta sexta-feira (5/11), os representantes dos países-membros da União Européia contaram com uma visita extra: a do primeiro-ministro iraquiano, Iyad Allawi. Com seu pronunciamento de que "os espectadores na Europa" precisariam se envolver mais no processo de reconstrução do Iraque, Allawi esbarrou na resistência de vários governantes europeus, entre eles Gerhard Schröder.
"Estamos dispostos a conceder uma moratória substancial das dívidas do país, para que a reconstrução possa ser financiada. Vou lembrá-lo disso", afirmou o premiê alemão. Segundo ele, a Alemanha contribui intensamente na formação de forças de segurança iraquianas, capacitadas nos territórios dos Emirados Árabes.
Papel da Europa no Iraque
Primeiro-ministro iraquiano Iyad AllawiDurante o encontro, os representantes da UE reafirmaram a oferta de um acordo sobre livre comércio e baixas taxas alfandegárias entre os países do bloco e o Iraque. Além disso, o país deverá receber uma ajuda no valor de 30 milhões de euros para a realização das eleições, agendadas para janeiro próximo.
Por razões de segurança, a UE se nega a enviar pessoal ao Iraque. E a Alemanha continua excluindo a possibilidade de mandar soldados ao país. "O que acontece lá não é apenas problema dos iraquianos. É uma luta mundial. É preciso combater os terroristas, para que a democracia possa ser realmente implementada", afirmou Allawi, repetindo um discurso de ataque à UE que pode ter suas origens na Casa Branca.
O premiê britânico, Tony Blair, aliado dos EUA na guerra contra o Iraque, também exigiu de seus colegas europeus que participem mais ativamente na reconstrução do país. O presidente francês, Jacques Chirac, simbolicamente ausente do encontro com Allawi, salientou a necessidade de fortalecer a influência européia nos planos de estabilização da economia do Iraque. Chirac vê a UE como o contraponto à postura defendida pelos EUA.
Oriente Médio pós-Arafat
Yasser ArafatOutro assunto em debate no encontro da UE foi a situação do Oriente Médio, tendo em vista a morte iminente do líder palestino Yasser Arafat. Os 25 chefes de governo e Estado presentes em Bruxelas demonstraram preocupação frente ao vácuo no poder que se dará nos territórios palestinos. Uma situação que, segundo as previsões dos europeus, poderá facilmente provocar uma escalada da violência na região.
O encarregado do Conselho Europeu para política externa, Javier Solana, procura no momento alinhavar um pacote de medidas destinadas a manter as autoridades palestinas em atividade após a morte de Arafat. Entre as propostas, estão a capacitação da polícia local, o auxílio em caso de eleições e a ajuda financeira imediata. "O mais importante agora é o processo eleitoral, que deve acontecer para que uma nova liderança possa assumir a responsabilidade a partir das bases", analisa Solana.
Dos cofres da UE flui o maior montante de verbas em direção aos territórios autônomos palestinos. As contribuições anuais perfazem um total de 100 milhões de euros, destinados a diversos projetos de ajuda humanitária. Na opinião do premiê dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen, a morte de Arafat e o início do segundo mandato de George W. Bush devem ser vistos "como uma boa oportunidade de reavivar o processo de paz na região".
Imigração ilegal e controle de fronteiras
Imigrantes ilegais detidos na costa espanholaAlém de Iraque e Oriente Médio, os chefes de governo e Estado reunidos em Bruxelas debateram ainda questões relacionadas à política interna, como a unificação do sistema de asilo político a partir de 2010, a introdução de programas de controle da imigração ilegal e das fronteiras externas dos países do bloco.
Um sistema comum de informação sobre a concessão de vistos nas 25 nações deverá "facilitar a cooperação entre a polícia e a Justiça". O presidente holandês do Conselho da UE, Jan Peter Balkenende, defendeu ainda o fim do "shopping de asilo político", uma prática que permite ao requerente optar pelo país que oferece as melhores condições para seu caso.
Novo nome na Comissão
Franco FrattiniNa noite da quinta-feira (4/11), o futuro presidente da Comissão Européia, João Manuel Durão Barroso, havia anunciado que o atual ministro italiano do Exterior, Franco Frattini, deverá assumir o cargo de comissário de Justiça e Política Interna da Comissão. Pôs desta forma um fim nas controvérsias que envolveram o nome de Rocco Buttiglione – uma escolha que não havia encontrado ressonância no Parlamento Europeu.
"Encontramos agora uma boa saída. Espero contar com o apoio de todos", afirmou Durão Barroso. Pouco antes da prevista votação pelo Parlamento, na última semana, Durão Barroso optou por retirar sua lista de nomes para a Comissão, devido às resistências desencadeadas pela indicação de Buttiglione para o cargo que deverá agora ser ocupado por Frattini.
domingo, 18 de janeiro de 2009
Desculpas Tchecas pela provocação
A República Tcheca pediu desculpas e garantiu que as ideias expressas na exposição “Entropa” não correspondem ao pensamento oficial do seu Governo.
Esta quinta-feira, o vice-primeiro-ministro checo, Alexandr Vondra aproveitou a cerimomia oficial de inauguração para, formalmente, desagravar a questão:
“Isto não é o que o governo checo, actualmente na presidência da União Europeia pensa de cada um dos estados-membros. “Entropa” é um tipo de provocação. Eu compreendo que alguns se possam sentir ofendidos e eu gostaria de lhes pedir desculpa”.
O vice-chefe do governo, ao abandonar o atrio do Conselho Europeu, cruzou-se com o autor da exposição, David Cerny e teve o cuidado de não lhe dirigir palavra.
Cerny falou, mas Alexandr Vondra já não o ouviu:
“Eu sinceramente… nós sinceramente esperamos que isto seja visto como uma brincadeira, como uma peça de arte agradável, como uma instalação agradável, e nada mais. Eu não fiz isto para ter um grande sucesso. Falamos agora das partes mais polêmicas da escultura, mas eu pensei sempre na obra, no seu conjunto”, disse o autor.
Um Reino Unido desaparecido do conjunto europeu, uma França sempre em greve, uma Itália associada ao sexo e ao futebol, uma Polônia feita de padres e homossexuais, uma Espanha de cimento armado, ou um Portugal a braços com o seu passado colonial são algumas das visões de David Cerny que já lhe valeram estes momentos da glória.
