segunda-feira, 4 de maio de 2009
Nanopartículas presentes em produtos causam danos ao meio ambiente
03/04/2009 Jingguang G. Chen
Usando micróbios aquáticos como cobaias, cientistas da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, descobriram que as nanopartículas que estão sendo adicionadas aos cosméticos, protetores solares e centenas de outros produtos, causam danos ao meio ambiente.
Produtos com nanotecnologia
Já existem centenas de "produtos nanotecnológicos" no mercado e muitos mais estão prestes a serem lançados. Mas os efeitos das nanopartículas - partículas minúsculas, capazes até mesmo de entrar no interior das células - ainda não foram adequadamente estudados e os cientistas estão correndo contra o relógio para descobrir os seus prováveis impactos sobre a saúde humana, principalmente dos trabalhadores que lidam com elas, e sobre o meio ambiente.
O estudo, conduzido pela Dra. Cyndee Gruden, focou apenas um tipo de nanopartícula - as nanopartículas de dióxido de titânio (TiO2) - que está sendo utilizado em cosméticos e outros produtos de beleza pessoal, na criação de janelas autolimpantes e em produtos bactericidas.
As nanopartículas de dióxido de titânio bloqueiam os raios ultravioleta da luz solar, sendo eficazes na melhoria das funções desses produtos. Mas, uma vez lavadas da pele ou do material onde estão aplicadas, elas seguem o mesmo caminho de todas as águas servidas, indo parar no meio ambiente.
Resultado desconhecido
"Quando elas entram em um lago, o que acontece? Será que elas entram nos microorganismos ou se ligam a eles? Será que isto poderia matá-los ou é algo inócuo?," pergunta a pesquisadora.
"Estas são questões importantes para determinar os efeitos que as nanopartículas têm no meio ambiente. Hoje, nós realmente não estamos certos das respostas," explica ela, referindo-se à falta de pesquisas exaustivas e a um melhor conhecimento na área.
Impacto veloz
Usando a bactéria Escherichia coli (E. Coli) como cobaia, a Dra. Gruden descobriu grandes reduções na sobrevivência do microorganismo em amostras expostas as concentrações mínimas das nanopartículas de titânio por períodos de menos de uma hora.
A morte das bactérias deu-se por que as nanopartículas danificam a membrana externa dos micróbios.
"A rapidez do impacto me surpreendeu," disse ela. A descoberta abre as portas para pesquisas futuras, incluindo estudos que possam determinar como esses efeitos se dão no meio ambiente. Os estudos da Dra. Gruden foram feitos em laboratório.
Biossensor
Em uma outra pesquisa relacionada, cientistas da Universidade de Utah, desenvolveram um biossensor que poderá ajudar nessas futuras pesquisas de campo - o biossensor emite luz quando entra em contato com nanopartículas presentes no meio ambiente.
O grupo da Dra. Anne Anderson fez alterações genéticas em linhagens de Pseudomonas putida (P. Putida), um micróbio benéfico encontrado no solo, para que os animais emitam luz quando entram em contato com nanopartículas de metais pesados.
"A novidade do biossensor é que nós podemos obter respostas muito, muito rapidamente," disse Anderson, argumentando que os métodos atuais podem levar até dois dias para fornecerem os resultados.
Toxicidade
O grupo de Anderson descobriu que a P. putida não tolera nanopartículas de prata, óxido de cobre e óxido de zinco. A toxicidade ocorre em níveis de microgramas por litro, o que é equivale a duas ou três gotas de água em uma piscina olímpica.
Os produtos com nanotecnologia têm chegado ao mercado com grande apelo para os consumidores, como sendo o estado da arte da tecnologia. Contudo, o público não está ciente desses riscos.
"É trabalho dos cientistas fazer boas pesquisas e deixar que as descobertas falem por si mesmas. E as promessas da nanotecnologia precisam ser melhor avaliadas. Até o momento, não está claro se os benefícios da nanotecnologia superam os riscos associados com a exposição e a liberação das nanopartículas no meio ambiente," conclui a pesquisadora.
Links desta notícia
American Chemical Society
http://portal.acs.org/portal/acs/corg/content
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Documentos da ONU com princípios para sustentabilidade
Para orientar as transformações sociais, culturais, políticas, econômicas, institucionais, tecnológicas que permitam pessoas, comunidades e povos ter um mundo ambientalmente saudável, pacifico, justo e seguro, ocorreram nas últimas décadas vários encontros da ONU – Organização das Nações Unidas nos quais seus participantes aprovaram declarações de princípios, acordos internacionais e planos de ações. Entre eles citamos:
- Declaração da ONU sobre Direitos Humanos (1948)
- Declaração da ONU sobre o Ambiente Humano (1972)
- Declaração da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1992)
- Agenda 21
- Declaração de Joanesburgo e Plano de Implementação (2002).
No âmbito da sociedade civil surgiram também documentos importantes, como os citados abaixo:
- Agenda Ya Wananchi (1991)
- Tratados das ONGs (1992).
Faça um dowload destes documentos no formato PDF:
- Carta da Terra (2000)
Faça um dowload deste documento no formato PDF [65,1KB]
Rio, Seattle, Davos, Porto Alegre e Joanesburgo: rumos da sociedade civil e globalização
Autor: Rubens H. Born – Vitae Civilis
Ano: 2001Versão resumida do texto do autor sobre o processo da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, que busca mostrar que a realização da mesma, ocorida em setembro de 2002 em Joanesburgo, é um acontecimento que não pode ser negligenciado pelas lideranças e pelas organizações da sociedade civil. Isso significa variadas posturas: da mera atenção passiva, passando pelo monitoramento sistemático até a participação crítica em mais um processo das Nações Unidas, deflagrado para uma avaliação global e re-afirmação dos compromissos em torno dos princípios e ações do desenvolvimento sustentável.
Palavras Chave: Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (WSSD), Governança, Rio+10, Rio-92 e sustentabilidade.
Rapid Assessment of Brazilian Response to the IPF Plan of Action
Autores: Vitae Civilis – Instituto para o Desenvolvimento, Meio Ambiente e Paz
Ano: 2000Este documento em Inglês é parte de uma grande iniciativa de um grupo de ONGs que trabalham com o tema floresta, particularmente com as negociações internacionais. Esta iniciativa atual lida com o monitoramento e a implementação do Plano de Ação (PA) elaborado pelo Painel Intergovernamental de Florestas (PIF), e aprovado pela Comissão de Desenvolvimento Sustentável em 1997. Além do mais, essa iniciativa objetiva contribuir para a 4ª Sessão Intergovernamental do Fórum de Florestas (FIF), que substitui a PIF, com a função de promover diálogo internacional e ações para conservar globalmente florestas, enquanto monitora a implementação do PA e identifica acordos e mecanismos institucionais internacionais.
Palavras Chave: Florestas e desenvolvimento sustentável.
Reportagens Rio+10 - Cúpula planetária para o desenvolvimento sustentável dez anos após a Eco-92Matérias publicadas no site Carta Maior em parceria com o FBOMS e o Vitae Civilis, no período de 22 de agosto a 4 de setembro de 2002, sobre a Cúpula de Joanesburgo (Rio+10).
Palavras chave: desenvolvimento sustentável, Agenda 21, Rio+10
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Ritmo de negociações climáticas desagrada países emergentes
GERARD WYNN - REUTERS
BONN, ALEMANHA - Os países em desenvolvimento disseram nesta quarta-feira estar decepcionados com a falta de uma definição sobre as metas de cortes nas emissões de gases estufa dos países industrializados, após 11 dias de conversas patrocinadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a mudança climática.
As conversações envolvendo 175 países, que se encerram em Bonn, na Alemanha, nesta quarta-feira, 8, foram as mais recentes em uma série de encontros prévios com o intuito de estabelecer as bases para um acordo em Copenhague, em dezembro, que substitua ou amplie o Protocolo de Kyoto.
As conversas em Bonn devem levar apenas a novas negociações sobre o texto de um pacto sobre o clima, um resultado decepcionante para os países em desenvolvimento, que terão de esperar pelo menos até junho para um comprometimento dos países ricos.
"Estamos muito decepcionados neste ponto dos acontecimentos", disse à Reuters o embaixador da China para o clima, Yu Qingtai.
"Viemos a Bonn desta vez esperando que finalmente fôssemos focar no mandato central deste grupo de trabalho", afirmou ele, referindo-se à observação das variações dos futuros cortes dos países desenvolvidos. "Há uma falta de interesse muito consistente em se comprometer."
Os países em desenvolvimento esperavam que o encontro de Bonn definisse metas de redução nas emissões para o grupo de países industrializados como um todo.
Mas os países ricos preferiram aguardar os resultados de um debate maior, por exemplo, sobre o quanto suas emissões podem ser compensadas e como contabilizar o efeito do plantio de árvores.
O ritmo das negociações em Bonn também decepcionou ambientalistas e organizações verdes.
"O nível de ambição proveniente de todos os países está muito distante do exigido para limitar o aquecimento a 2 graus Celsius", disse William Hare, do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre o Impacto Climático, referindo-se ao nível de aquecimento considerado pela União Européia como um possível gatilho para uma mudança "perigosa".
Já o Greenpeace qualificou como inadmissível o resultado do encontro sobre o clima e apelou "aos chefes de estado de todo o mundo que se assumam pessoalmente a responsabilidade sobre as negociações pelo clima." A ONG qualificou ainda o papel do Brasil nas negociações como fundamental, pedindo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pressione os países desenvolvidos a adotarem metas de redução de emissão.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Fórum de Meio Ambiente da ONU espera obter novo acordo ecológico mundial
PARIS, França (AFP) — Mais de 100 ministros e mil delegados de 140 países se reunem nesta segunda-feira, em Nairóbi (Quênia), no Fórum Anual do Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUE) com o propósito de buscar um novo acordo ecológico mundial que permita reativar a economia sem afetar a natureza.
Esta reunião do conselho de administração do PNUE dura até sexta-feira na sede do organismo.
Um informe sobre esse novo acordo ecológico mundial ("global green new deal") será apresentado na segunda, em Nairóbi, como resultado da "Iniciativa para uma Economia Verde" lançada em outubro pelo PNUE.
A agência da ONU lamenta que se continue elaborando políticas econômicas sem levar em conta o meio ambiente.
Com este informe, a ONU pretende demonstrar o interesse de investir nas tecnologias de meiio ambiente - energias renováveis, gestão dos resíduos, construção, transporte, agricultura sustentável - e insistir na necessária transição para uma economia austrera em termos de carbono.
O PNUE aproveitará a ocasião para apresentar também seu informe anual (Yearbook) sobre o estado do planeta.
A poluição por mercúrio será outro tema na agenda da conferência. A idéia é "lançar um processo de negociações para a implementação de uma convenção internacional" para controlar e limitar o uso de mercúrio, indica Laurent Stéfanini, embaixador da França e delegado para o Oriente Médio.
Mas a possibilidade de elaborar uma lista de recomendações ainda não está muito adiantada, adverte.
"É hora de chegar a um acordo", afirma, por sua vez, o ministro tcheco de Meio Ambiente, Martin Bursik, representante da presidência europeia.
O mercúrio, produto altamente tóxico, penetra através da alimentação e da respiração no organismo humano e se concentra principalmente nos rins.
O outro tema-chave da reunião será a criação de um grupo de especialistas mundiais sobre a biodiversidade, com base no modelo do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática.
A idéia desse "Painel sobre a Biodiversidade" surgiu durante uma conferência das Nações Unidas em Bonn (Alemanha) em maio, mas choca com a resistência de alguns países decididos a preservar sua soberania.
"A questão de criar este mecanismo persiste, mas alguns países, como a China ou o Brasil, são reticentes", explica Maxime Thibon, da Fundação Francesa para a Pesquisa sobre Biodiversidade. Preferem reforçar os organismos existentes, acresfentou.
Nairóbi poderá servir para fixar a celebração de uma nova conferência intergovernamental sobre o tema.
A Europa, por sua parte, aproveitará a reunião para se aproximar dos países africanos e preparar a decisão negociação de Copenhague em dezembro de 2009 sobre a mudança climática.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Conferência da ONU destaca plano brasileiro de redução do desmatamento
Em evento paralelo promovido pelo governo brasileiro, foi apresentado aos participantes da Conferência o Plano Nacional sobre Mudança do Clima e o Fundo Amazônia. O objetivo foi demonstrar a relação entre os dois instrumentos para a redução do desmatamento.
Durante discurso na Conferência, o ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, elogiou o fato de o Brasil ter se comprometido com metas de redução do desmatamento. “O Brasil propôs um impressionante plano para enfrentar o desmatamento", disse. Ainda no evento, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, afirmou que o Brasil "construiu uma das economias mais verdes do mundo".
Lançado em 1º de dezembro deste ano, o plano brasileiro para o clima foi elaborado por 17 ministérios e contou també4m com a participação popular. A iniciativa prevê a redução dos índices de devastação em 40% no primeiro quadriênio, 30% no segundo e 30% no terceiro, o que equivale a 4,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (Co2) a menos na atmosfera.
O plano também aponta outras medidas a serem tomadas nas áreas de produção de energia elétrica, álcool, biodiesel e carvão. A secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Suzana Kahn, destacou a importância de o País manter sua matriz energética majoritariamente renovável. "Hoje, 77,3% da nossa matriz é de hidroeletricidade".
Fundo Amazônia - O diretor do Serviço Florestal Brasileiro, Tasso Azevedo, apresentou o Fundo Amazônia, criado em agosto de 2008 com o objetivo de captar doações para investimentos em ações de combate ao desmatamento e a promoção da conservação e do uso sustentável das florestas no bioma amazônico. A expectativa é de que até 2021 o Brasil consiga captar com o fundo cerca de US$ 21 bilhões de recursos, nacionais e estrangeiros.
Em sessão promovida pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, durante a Conferência, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou que é necessário que os países desenvolvidos cheguem a um acordo com os países em desenvolvimento para definir os mecanismos de financiamento internacional de combate ao efeito estufa.“Queremos que o G-20, em sua próxima reunião, avance nesses mecanismos de financiamento".
Segundo o ministro, as transferências de recursos podem ter simultaneamente vários modelos. Um deles seria um Fundo Público Voluntário para redução de emissões por desmatamento e degradação e para conservação. Para ele, sem o aporte significativo de recursos financeiros dos países desenvolvidos é impossível reorientar o desmatamento ilegal para uma economia sustentável. Como modelo para essa iniciativa, citou o Fundo Amazônia. "Os recursos somente serão utilizados caso no ano anterior o desmatamento tenha sido reduzido em relação à média dos dez anos anteriores, e comprovado por cientistas independentes", explicou.
COP-14 - O encontro de Poznan, na Polônia, é mais uma jornada de negociações entre os países para definir um acordo substituto ao Protocolo de Kyoto - que atualmente regula as emissões de gases de efeito estufa e vence em 2012 - e pretende avançar em decisões para a próxima reunião em dezembro de 2009, em Copenhagen (Dinamarca), prazo final para se chegar a um novo acordo global sobre o clima.
Criado em 1997, o acordo de Kyoto determina que as nações industrializadas devem reduzir, até 2012, as emissões de gases de efeito estufa em aproximadamente 5% em relação aos níveis registrados em 1990. Para o próximo período de compromisso, a expectativa é de que as metas sejam mais ambiciosas.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Bispos e representantes de 170 grupos católicos em campanha pela justiça climática
“As comunidades dos países em vias de desenvolvimento foram as mais duramente atingidas pelas mudanças climáticas, apesar de serem as menos responsáveis pela sua origem”, disse René Grotenhuis, presidente da CIDSE.
Esta campanha reunirá milhares de católicos que pressionarão seus governos para negociar um acordo climático socialmente justo após 2012, que deverá incluir o apoio seguro e suficiente dos países industrializados aos países em vias de desenvolvimento. Também deverá incluir o compromisso destes países de reduzir em pelo menos 30-40% o nível das emissões de gases que geram o efeito de estufa para 2020, baseando-se nos níveis de 1990.
Redacção/Zenit

