segunda-feira, 1 de junho de 2009
CASO DOLLY
A ovelha Dolly foi o primeiro mamífero clonado por transferência nuclear de células somáticas. O Prof. Ian Wilnut, do Instituto Roslin, da Escócia, foi o pesquisador responsável por este experimento. O estudo foi publicado em 1997, mas foi realizado ao longo de 1995 e 1996.
A ovelha Dolly nasceu em 05 de julho de 1996. O nome Dolly foi uma referência a cantora norte-americana Dolly Parton. O núcleo utilizado no processo de clonagem foi oriundo de uma célula da glândula mamária de uma ovelha de seis anos denominada Bellinda, da raça Finn Dorset. Uma outra ovelha, chamada Fluffy, da raça Scottish Blackface, foi a doadora do óvulo utilizado para receber este núcleo, Finalmente, uma terceira ovelha, Lassie, da raça Scottish Blackface foi quem gestou a ovelha Dolly. Para evitar que pudessem ser misturadas características destas três fêmeas, elas eram de raças com características fenotípicas diferentes entre si. Vale lembrar que foram feitas 276 tentativas para ser obtido um animal clonado viável.
A comunicação do nascimento da Dolly gerou inúmeras reações contrárias e favoráveis à sua realização. Muitas pessoas se posicionaram imediatamente contra, pois viam neste procedimento uma ameaça contra a dignidade humana. Inúmeros países, inclusive o Brasil, estabeleceram medidas jurídicas para impedir que este processo fosse utilizado em seres humanos. Outros achavam que isto era inerente ao progresso da ciência e que não havia problema algum. Um terceiro grupo, dentre os quais inclui-se o Prof. Joaquim Clotet, reconheceu que este procedimento tinha riscos, mas que não deveria ser simplesmente banido. Segundo esta linha de pensamento, o Princípio da Precaução deveria ser utilizado neste caso.
Outra controvérsia surgida, não em termos de adequação ética, mas sim científica, foi a possibilidade da Dolly não ser efetivamente um clone de célula somática. Bellinda, a ovelha que doou o óvulo estava grávida no momento da coleta das células somáticas e já havia morrido três anos antes. O material utilizado estava congelado. No início de 1998, o próprio Prof. Wilnut admitiu a possibilidade de que tenha havido um "engano" e que a ovelha Dolly não seja de fato um clone de células típicas de um animal adulto. Alguns propuseram que poderia ter havido uma clonagem a partir de células embrionárias, que não seria uma inovação. Isto foi esclarecido apenas em junho de 1998 com a publicação de uma correspondência científica publicada na revista Nature sobre as características genéticas da Dolly.
Em 13 de abril de 1998 a Dolly teve um filhote, a ovelha Bonnie, em um cruzamento habitual com o carneiro montês da raça Welch, chamado David. Esta situação permitiu verificar que ela era fértil e capaz de reproduzir. Em 1999 a Dolly gerou mais três filhotes em uma única gestação, que tiveram problemas.
Em janeiro de 2002 outra importante questão surgiu com o diagnóstico de uma forma rara de artrite em Dolly. Esta doença não é habitual em ovelhas com cinco anos de idade. Muitos interpretaram esta doença como um sinal de envelhecimento precoce. A rigor não se tem certeza de como ocorre o processo de envelhecimento em um mamífero clonado. Foi constatado que os telômeros da Dolly eram 20% menores que o previsto para animais de sua idade. A Dolly teria cinco anos ou onze anos? Cinco de vida própria ou onze cumulativamente com a idade de Bellinda (5+6). De acordo com estudos realizados em outros animais clonados, a ovelha Dolly pode ser uma exceção, pois a maioria destes animais tem uma vida mais curta que o esperado para a sua espécie. Alguns pesquisadores levantaram a hipótese de que poderiam haver fatores ambientais que tivessem facilitado o aparecimento da doença, tais como o confinamento que o animal estava sendo submetido e o sobrepeso dele decorrente. A obesidade também foi verificada como sendo um problema em outros animais clonados.
O surgimento de uma infecção pulmonar não controlável, comum em animais velhos mantidos em confinamento, fez com que os pesquisadores do Instituto Roslin optassem por fazer a eutanásia de Dolly, as 15 horas do dia 14 de janeiro de 2003, com o objetivo de minorar o seu sofrimento.
Este final da vida de Dolly acrescentou mais dúvidas à utilização de processos de clonagem seja para fins reprodutivos ou não. Se a Dolly teve envelhecimento precoce, como indicam os sinais da redução dos telômeros, também já comprovados em outros clones, ou se a artrite e a doença pulmonar foram devidos ao estilo de vida a ela imposto é uma dúvida que ainda persistirá. O mais provável é que seja uma interação entre ambos. O que importa é que não se pode assegurar que este processo é útil e seguro, seja para o indivíduo gerado em uma clonagem reprodutiva ou para as linhagens de células embrionárias que serão utilizadas terapeuticamente. Os riscos ainda estão situados no campo das incertezas, mas já dão indícios de que o processo não seja tão promissor quanto parecia no início de sua proposta.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Histórico de Fatos Relevantes em Genética
1859 - C. Darwin publica o livro A Origem das Espécies, em que estabelece que as espécies se modificam pela ação seletiva do ambiente sobre as variações existentes na população.
1865 - G. Mendel, formula a Lei da Transmissão dos Caracteres Hereditários.
1866 - J. Down publica um artigo intitulado "Observações acerca de uma classificação étnica dos idiotas", onde afirma que o traços mongolóides presentes em indivíduos com Síndrome de Down eram produto de uma degeneração que determinava o surgimento de características típicas de raças inferiores.
1871 - J.F. Miescher descobre a nucleína (em espermatozóide de salmão), substância que compõe o núcleo das células. Era na realidade o DNA, não visto ainda como portador da informação genética.
1879 - W. Flemming denomina cromatina o material corável do núcleo da célula. É composta em grande parte de DNA, mas não se conhece sua estrutura química. A cromatina de Flemming e a nucleína de Miescher são, na realidade, a mesma estrutura.
1883 - F. Galton se dedica ao estudo da hereditariedade biológica e cria o termo eugenia.
- Weissman demonstra a separação entre plasma somático e germinativo.
1889 - R. Altmann estabelece a natureza química do DNA : são ácidos nucleicos.
1892 - A. Weismann, primeiro no núcleo, e posteriormente T. Boveri e W. Sutton (1903) no cromossomo, individualizam os elementos responsáveis pela transmissão hereditária, que em 1909, W. Johansen chamará gene.
1899 - International Conference of Hybridization and on Cross-Breeding of Varieties, Londres, é o primeiro congresso internacional de genética.
1900 - H. de Vries, botânico holandês, publica seus trabalhos onde menciona os resultados de Mendel.
- Landsteiner descreve o primeiro polimorfismo genético em humanos, os tipos sangüíneos A, B e O.
1902 - A. Garrod publica "The Incidence of Alkaptonuria", primeiro relato de um erro inato do metabolismo e primeira vez em que o conceito mendeliano de gene é aplicado a uma característica humana.
1906 - W. Bateson propõe o uso do termo genética.
1908 - Hardy (matemático inglês) e Weinberg (médico alemão) publicam o teorema fundamental da genética de populações, conhecido como Equilíbrio de Hardy-Weinberg.
- Fundação da Eugenics Society, Londres, primeira organização a defender as idéias da eugenia.
1909 - T. Morgan utiliza pela primeira vez a mosca das frutas Drosophila como organismo experimental em genética.
1910 - J. Herrick observa pela primeira vez as hemácias em forma de foice que caracterizam a anemia falciforme.
- T. Morgan desenvolve o conceito de gene, a unidade de transmissão da herança genética.
1918 - Fundação da Sociedade Paulista de Eugenia, a primeira sociedade eugenista do Brasil.
1920 - R. Fuelgen demonstra que os genes são agrupados nos cromossomos, mas o DNA não é visto como veículo da transmissão hereditária.
1923 - O estado americano da Virgínia (e em 1927 a Califórnia) promulga a lei eugênica para a esterilização obrigatória de pessoas com taras hereditárias ou doenças mentais.
1927 - Caso Buck vs. Bell, no estado americano de Virgínia. O juiz da Suprema Corte, Oliver Wendell Holmes, diz no seu veredicto a favor da esterilização que "três gerações de imbecis são suficientes".
1928 - G. D. Karpechenko produz a primeira planta poliplóide de maneira artificial cruzando rabanete e couve. A planta, todavia, apresenta a raiz da couve e as folhas de rabanete.
1929 - P.A. Levene demonstra que em todas as células animais e vegetais está presente DNA (ácido desoxirribinucléico) ou RNA (ácido ribonucléico), contribuindo para o conhecimento da composição química do DNA.
- I Congresso Brasileiro de Eugenismo, realizado no Rio de Janeiro.
1931 - S. Wright desenvolve uma teoria evolutiva ampla, abarcando seleção, endocruzamento, fluxo gênico e deriva genética.
1932 - O termo Engenharia Genética aparece no título de um trabalho apresentado no Sexto Congresso Internacional de Genética, em Nova York.
1933 - A Alemanha Nazista promulga uma lei eugênica para a esterilização obrigatória.
1941 - A partir desta data até 1975 está em vigor na Suécia uma lei que consente a esterilização para "higiene social e da raça".
1942 - E. Mayr elucida a natureza da variação geográfica e da especiação.
1944 - O.T. Avery, C. McLeod e M. McCarty, trabalhando com o princípio de transformação de Pneumoccocus demonstram que o responsável pelo componente hereditário é o DNA. J. Watson e F. Crick definirão sua estrutura apenas em 1953.
1946 - M. Delbruck demonstra a existência de recombinação em vírus.
1949 - L. Pauling e H. Itano identificam uma alteração na hemoglobina, detectada por uma diferença na sua mobilidade eletroforética, como a causa subjacente da anemia falciforme.
1951 - M. Wilkins e R. Franklin determinam a constante cristalográfica e interpretam as imagens de difração obtidas com cristais de DNA. Durante um congresso científico em Nápoles, Wilkins projeta a primeira fotografia de um cristal de DNA obtida com raios X.
- Desenvolvimento das células He-La, primeira linhagem celular epitelial aneuplóide mantida por longo tempo em cultura. As células foram obtidas a partir de carcinoma de cérvix de uma mulher de 31 anos e sua denominação corresponde às iniciais da paciente.
1952 - Com o experimento M. Chase e A. Hershley demonstram que o DNA transmite as características hereditárias
1953 - J. Watson e F. Crick definem a estrutura de dupla hélice do DNA: o ácido desoxirribonucleico. É a base molecular da hereditariedade, indispensável para a síntese de proteínas.
1956 - Tijo e Lavan demonstram que o número correto de cromossomos da espécie humana é 46.
- V.Ingram analisa a seqüência de aminoácidos da hemoglobina e verifica que as moléculas de pacientes com anemia falciforme possuem uma única diferença em relação ao padrão normal: a substituição de um ácido glutâmico por uma valina na posição 6 da cadeia beta.
- Briggs e King demonstram a totipotência de células embrinárias de sapo.
1957 - F. Crick formula o "dogma central" de uma nova teoria dos processos vitais: DNA à RNA à proteína
1958 - A. Kornberg isola a DNA polimerase, enzima responsável pela duplicação do DNA de Escherichia coli.
1959 - J. Lejeune determina a causa genética da Síndrome de Down, um cromossomo 21 extra.
1961 - F. Jacob e J. Monod decifram os mecanismos de regulação gênica em procariotos.
- M. Lyon propõe que a compensação de dose nas fêmeas humanas é obtida pela inativação de um dos cromossomos X, conhecido como corpúsculo de Barr.
- L. Hayflick estabelece que células normais em cultura possuem uma capcidade finita de divisões (cerca de 50). Esta observação, denominada Limite de Hayflick tem implicações com os processos de envelhecimento.
1962 - Watson e Crick recebem o Prêmio Nobel de Medicina pela descoberta da estrutura do DNA.
- Congresso CIBA - Man and his future, no qual Haldane, Muller e J. Huxley discutem sobre métodos de deliberada modificação genética, como inseminação artificial com esperma de doadores altamente qualificados geneticamente, intervenções diretas na linhagem germinativa, modificações de células somáticas e reprodução clonal.
1964 - M. Nirenberg, R. Holley e G. Khorana, decifram o Código Genético, a linguagem que permite ao DNA produzir uma proteína. Obtêm o prêmio Nobel em 1968.
- Zuckerkandl e Pauling propõem a existência de um relógio molecular, ou seja, que a taxa de evolução molecular é constante no tempo. Isto possibilita a utilização da análise de proteínas para determinar as épocas de divergência entre as espécies e reconstruir a filogenia dos organismos.
1967 - A. Wilson e V. Sarich, através da comparação da estrutura de certas proteínas sangüíneas, estimam que humanos, chimpanzés e gorilas divergiram a aprtir de um ancestral comum há 5 milhões de anos.
1968 - O New England Journal of Medicine recusa a publicação de um artigo no qual F. Anderson teoriza a possibilidade "de atacar as doenças hereditárias introduzindo no organismo o gene correto ou substituindo aquele defeituoso", uma antecipação da terapia gênica.
- M. Kimura lança a teoria neutralista da evolução, que diz que a maior parte das mutações não tem efeitos deletérios significativos e portanto não estão sujeitas a ação da seleção natural.
1969 - Edelman determina pela primeira vez a seqüência de aminoácidos de uma proteína, a Imunoglobulina G.
1970 - G. Khorana sintetiza quimicamente e constrói o primeiro gene.
- D. Baltimore descobre a existência da transcriptase reversa, capaz de transformar RNA em DNA.
- P. Ramsey, da Georgetown University, publica Fabricated man - the ethics of genetic control, onde defende a "cirurgia genética" para eliminar deficiências genéticas mas posiciona-se contra o uso de tecnologias reprodutivas.
1971 - P. Berg, Nobel em 1980, junto com W. Gilbert e F. Sander por seus estudos sobre seqüenciamento de DNA, levanta o primeiro alarme sobre a manipulação genética e suspende seus experimentos. O debate culmina em 1973 na Academia Nacional Americana de Ciência quando é criado um comitê de especialistas para avaliar os valores e riscos da manipulação genética.
1972 - Surge o DNA recombinante: P. Berg utiliza pela primeira vez enzimas de restrição para cortar e reunir pedaços de DNA de espécies diversas.
- N. Eldredge e S. J. Gould sugerem que a evolução ocorre aos saltos e não de maneira linear, numa teoria conhecida como Equilíbrio Pontuado.
1973 - O cientista russo A.M. Olovnikov propõe uma teoria de envelhecimento associada a perda de telômeros, observando que as células perdem a extremidade dos cromossomos a cada ciclo de replicação.
- S. Cohen, A.Y. Chang, H. Boyer e R.B. Helling desenvolvem a técnica de manipulação genética: a chave biológica para cortar e reunir o DNA são as enzimas de restrição, usadas como bisturi. As bactérias servem para multiplicar os pedaços ou o pedaço obtido com as enzimas.
- S. Cohen e A.Y. Chang realizam um experimento com o qual superam uma barreira biológica. Introduzem uma molécula de DNA de sapo na bactéria E. coli que começa a produzir, não obstante a distância evolutiva, o gene estranho. A possibilidade de utilizar a técnica para inserir genes de vírus tumorais em E. coli e verificar como exercem seus efeitos cancerígenos suscita o temor entre os cientistas de que a bactéria possa transformar-se em um organismo danoso.
- Na Conferência Anual Gordon, que acontece no New England College, H. Boyer descreve a sua técnica de manipulação genética e o experimento no qual o gene para a resistência a penicilina foi transferido a E. coli. A sua comunicação provoca preocupação sobre as implicações da técnica. M. Singer e D. Soll sugerem o envio de uma carta aberta a Academia Nacional de Ciência Americana para que nomeie um comitê que avalie os riscos da manipulação genética. A carta é publicada na revista Science. Inicia-se um debate que culmina na Conferência de Asilomar.
1974 - As revistas Science (EUA) e Nature (Inglaterra), publicam sob forma de carta o apelo de um grupo de cientistas por uma moratória da manipulação genética. A iniciativa leva a um convênio firmado em abril no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e a moratória é observada até a convocação, sete meses depois, da Conferência de Asilomar.
- C.W. Weinberger, secretário do Serviço de Saúde Pública Americano, poucos meses depois da publicação na Science, do carta de P. Berg, "Potential biohazards of recombinant DNA molecules", estabelece que seja instituído o RAC (Recombinant DNA Advisory Committee) que se reunirá pela primeira vez em 1975.
1975 - Em fevereiro, ocorre em Asilomar, na Califórnia, a Conferência que reúne 140 cientistas americanos e estrangeiros para regulamentar, do ponto vista de segurança, os experimentos com DNA recombinante. Ao RAC é dada a incumbência de traduzir em diretrizes as recomendações de Asilomar. Estas ficam prontas 16 meses depois, em 23 de junho de 1976.
- W. Gilbert, F. Sanger e A. Maxim desenvolvem uma técnica que permite determinar a exata seqüência das bases que compõe o gene e ler o código genético.
- Southern desenvolve o método de transferência do DNA para uma membrana, permitindo a visualização, por autoradiografia, de genes a partir de um genoma complexo.
- O. Wilson publica Sociobiology: A New Synthesis, iniciando a corrente de pesquisas que buscam bases biológicas e evolutivas para comportamentos humanos.
- Estudos de estabilidade térmica de fitas de DNA híbridas de humanos e chimpanzés, realizados por M. King e A. Wilson, indicam que somente 1,1% dos pares de bases diferem entre estes dois genomas.
- Gurdon demonstra o desenvolvimento de uma larva a partir de um núcleo de sapo adulto.
1976 - Depois da Conferência de Asilomar, o RAC traduz os princípios em um código específico de segurança, que prevê níveis de segurança física e biológica para todos os tipos de experimentos. As exigências propostas revelaram-se muito rígidas e foram sendo modificadas com o decorrer do tempo.
- Fundação da Genentech, primeira empresa de biotecnologia, por H. Boyer, cientista da Universidade da Califórnia e R. Swanson, empresário.
- Varmus e Bishop revelam a existência de oncogenes, genes dormentes capazes de causar câncer. Ganham o prêmio Nobel em 1989.
- Clonagem (isolamento) do primeiro gene humano, o gene da beta-globina.
1977 - S. Weismann identifica a mutação genética responsável pela anemia falciforme: o primeiro gene defeituoso a ser decodificado e clonado.
- E. coli é utilizada para clonar primeira vez um hormônio humano, a somatostatina, pela Genentech.
- Sanger descreve a seqüência completa de um DNA viral.
- R. Roberts e P. Sharp descobrem independentemente os íntrons, seqüências intervenientes que interrompem os genes dos organismos eucariotos. Dividem o prêmio Nobel em 1993.
- Localização de um gene humano por hibridização molecular. O gene da alfa-globina é localizado utilizando sondas construídas a partir de beta-globina.
1978 - A biotecnologia começa a dar seus frutos. Com o DNA recombinante a Genentech, indústria biotecnológica californiana, clona e sintetiza, em bactérias manipuladas em laboratórios, insulina humana. Quatro anos depois ela é comercializada.
- Construção da primeira biblioteca genômica humana, com clonagem de DNA humano em vetores.
- Utilização de métodos moleculares (RFLP e Southern) para diagnóstico pré-natal de Anemia Falciforme.
- O jornalista científico da revista Time, D. Rorvik, publica um livro no qual relata a suposta clonagem de um ser humano adulto. O livro In His Image: The Cloning of a Man é considerado uma fraude pela comunidade científica.
1979 - Genentech clona o gene do hormônio de crescimento humano.
- L. Shettles publica artigo "Diploid Nuclear Replacement in Mature Human Ova with Cleavage no American" no Journal of Obstetrics and Gynecology em que relata a transferência in vitro do núcleo de uma espermatogônia para um oócito maduro que foi mantido até o estágio de mórula (estágio pré-implantação).
1980 - Genentech, dirigida por H. Boyer, tem cotas de participação colocadas na bolsa de NY, obtendo US$ 35 milhões.
- M. Cline, oncologista americano, insere na medula óssea de dois doentes com talassemia genes de hemoglobina manipulados para corrigir o defeito gênico. Cline viola várias regras de pesquisa com seu protocolo e é obrigado a se retirar do seu posto. Uma moratória para terapia gênica passa a vigorar até 1989.
- Prusiner sugere a existência de proteínas infectantes (prions), aceitas apenas 15 anos depois e responsáveis pela Encefalopatia Espongiforme Bovina (Síndrome da Vaca Louca) e pelo Kuru e Doença de Creutzfeld-Jacob em humanos.
- A varíola é considerada erradicada pela Organização Mundial da Saúde. A primeria doença infecciosa para a qual foi descoberta uma vacina eficaz, por Jenner em 1796, teve seu último caso registrado na Somália em 1977. Um ano depois a fótografa Janet Parker, foi contaminada acidentalmente em um laboratório na Inglaterra e faleceu em conseqüência da doença.
- A Suprema Corte Americana concede a patente para a técnica de DNA recombinante a H. Boyer e S. Cohen e estabelece que os organismos criados por engenharia genética possam ser patenteados. A requisição é feita em nome da Universidade de Stanford e da Califórnia, onde os dois trabalham. Nove anos depois de ter sido apresentado o pedido, o Escritório de Marcas e Patentes (PTO) concede a A. Chakrabarty, a patente para a bactéria (Pseudomonas) manipulada geneticamente capaz de biodegradar resíduos industriais, petróleo e terrenos poluídos.
1981 - S. Anderson publica a seqüência completa do DNA mitocondrial humano.
1982 - A Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa, em Estrasburgo, vota uma série de recomendações sobre a manipulação genética: não deve ser praticada senão com o livre consentimento e aprovação dos interessados ou, em caso de embriões, fetos e menores, com o consentimento dos genitores ou tutores.
- R. Palmiter e R. Brinster (EUA) realizam o primeiro experimento de manipulação genética com células germinais animais: o gene para hormônio de crescimento de rato é inserido em camundongos, gerando um animal de dimensões gigantes. A técnica permite produzir cobaios transgênicos para estudar a doença do homem.
- A Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa (recomendação no. 294, art. 3 e 7) anuncia o veto à produção de modificações permanentes no genoma humano com manipulação de células germinais e embriões.
- Primeira localização regional de um locus humano associado a uma doença, Distrofia Muscular de Duchenne na região Xp21, cujo gene é desconhecido. A localização foi feita por estudos de ligação utilizando RFLP.
- J. Kemp e T. Hall transferem um gene de feijão em um girassol e obtém um híbrido que chamam "sunbean". Para transferir o gene foi usado como veículo a bactéria Agrobacter thumefaciens.
- Primeira droga de DNA recombinante (insulina humana) comercializada. Produzida pela Genetech e licenciada para Eli-Lilly.
1983 - Surge em Cambridge o Council for Responsible Genetics, comitê de especialistas que se propõe a controlar o desenvolvimento da biotecnologia.
- A. Jeffreys descobre que o material genético de um indivíduo contém seqüências únicas de nucleotídeos, os elementos que compõe o DNA. Quando a amostra de DNA é "digerida" por uma enzima e separada em um gel, se formam uma série de bandas segundo um padrão que muda de uma pessoa para outra, produzindo uma impressão genética, que pode ser utilizada para identificação de indivíduos.
- Primeira localização de um locus autossômico relacionado com uma doença e cujo gene e proteína são desconhecidos: Doença de Huntington no cromossomo 4.
- B. McClintock ganha o prêmio Nobel por sua descoberta dos elementos genéticos transponíveis (transposons) realizadas a partir da década de 40.
- Descoberta do gene do Retinoblastoma e formulação do conceito de anti-oncogene (genes supressores de tumor).
1984 - Nasce na Inglaterra um híbrido entre cabra e ovelha, obtido a partir da justaposição de embriões desses dois animais.
- No workshop promovido pelo Departamento de Energia dos EUA para avaliar os métodos disponíveis para detecção de mutações inicia-se a divulgação da idéia de mapear o genoma humano.
- Criação do CEPH (Centre d’Etude du Polymorsphisme) na França. O centro coleta amostras de sangue e tecidos de famílias extensas e fornece material para a elaboração de mapas de ligação (especialmente para o Généthon).
1985 - O escritório de marcas e patentes americano (PTO) decide a favor do patenteamento de plantas, sementes e tecidos de plantas. Em 1987 agregará microorganismos e animais manipulados geneticamente.
- McGrath e Solter desenvolvem a técnica de transferêcia nuclear de embriões de mamíferos.
- No braço longo do cromossoma 7 é localizado o gene da Fibrose Cística, uma doença genética devido a um erro proteico que apresenta um alto nível de heterozigotos na população caucasóide.
- Primeiro diagnóstico pré-natal, por RFLP, de uma doença cujo gene e a proteína são desconhecidos: Distrofia Muscular de Duchenne.
- K. Mullis desenvolve o método de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase). Ganha o prêmio Nobel em 1993 e cria uma empresa que comercializa jóias com DNA extraído de artistas famosos.
- Pela primeira vez é aceito um teste de DNA para determinar uma identidade em uma instância judiciária.
- O FDA (Food and Drug Administration) estabelece que o leite produzido por vaca à qual foi administrado somatotropina (hormônio de crescimento) sintética, não apresenta riscos.
- A Agência de Proteção Ambiental (EPA), agência governamental americana para o ambiente, autoriza liberação no ambiente de bactérias manipuladas geneticamente. O teste, feito em pequena escala, envolve duas bactérias: Pseudomonas siringae e Pseudomonas fluorescens, manipuladas geneticamente para prevenir o dano causado pelo gelo a plantações de morango.
1986 - A decisão de colocar no mercado americano produtos obtidos de leite de vaca a qual foi administrada somatotropina suscita a reação dos ambientalistas e de representantes de associações de consumidores. Jeremy Rifkin, o maior crítico da biotecnologia organiza uma ação de protesto. Os produtos devem conter uma indicação de que o leite usado provém de animais tratados com hormônios.
- Willadsen demonstra o desenvolvimento de uma ovelha adulta a partir de um núcleo de embrião de oito células.
1987 - Nasce em Harvard, nos EUA, o oncomouse, o camundongo manipulado geneticamente para que tenha uma maior suscetibilidade ao câncer, importante modelo animal para a pesquisa. P. Leder e T. Stuart pedem a patente que é concedida em 1988.
- Cresce nos EUA a primeira planta de tomate manipulado geneticamente e o PTO afirma ser favorável a patentear organismos viventes, mesmo multi-celulares.
- Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA aprova projeto de Terapia Gênica.
- Clonagem do gene da Distrofia Muscular de Duchenne e determinação da distrofina, a proteína por ele codificada, cuja função permanecerá desconhecida até a década de 90.
- Greider e Blackburn descobrem a telomerase, enzima responsável pelo alongamento dos cromossomos do protozoário Tetrahymena após cada divisão celular. Dois anos depois a mesma enzima é caracterizada no homem e torna-se fundamental nos estudos de câncer e de envelhecimento.
1988 - É lançado nos EUA o Projeto Genoma Humano, patrocinado pelo NIH (National Institutue of Health) e DOE (Department of Energy), que se propõe a mapear o patrimônio genético do homem. Paralelamente surge um organismo de coordenação internacional chamado HUGO (Human Genome Organization) para sintonizar o trabalho e recolher em um banco de dados centralizado, o Genome Database, o conhecimento adquirido.
- O parlamento da comunidade européia libera uma resolução com fim específico de vetar em todos os estados membros a seleção de trabalhadores com base em testes genéticos e exclui a execução de análise genética mesmo para seguradoras antes ou depois da estipulação de um contrato.
- Na Província de Gansu, China, é promulgada uma lei que "aumenta a qualidade da população", banindo o casamento de pessoas com retardo mental. Em 1991 a mesma lei é aprovada em outras províncias e endossada pelo primeiro-ministro.
- Utilização da DNA polimerase de Thermus aquaticus (Taq polimerase) possibilita a automatização da reação de PCR.
- No Brasil, o Conselho Nacional de Saúde publica as Normas de Pesquisa em Saúde (Resolução 01/88), a primeira regulamentação de pesquisa com seres humanos no país. As normas estabelecem restrições à pesquisa envolvendo ácidos nucleicos recombinantes.
1989 - L. Tsui e F. Collins identificam e decifram o gene da Fibrose Cística, uma das cerca de 5000 anomalias genéticas conhecidas. Collins obterá uma patente sobre a seqüência alterada do gene que causa a doença.
- O teste de DNA é aceito nos tribunais americanos como prova de inocência ou culpabilidade. O FBI a partir desta data usou o teste para comprovar 25% dos casos de violência sexual. Em 42 estados americanos é aprovada uma lei que prevê a coleta de amostras de sangue e saliva de prisioneiros para criar um banco de dados de DNA para unir em rede nacional com o FBI.
- A empresa farmacêutica Roche obtém a patente do uso de PCR para diagnóstico in vitro e para serviços de laboratório.
1990 - É posto em prática o diagnóstico pré-natal pré-implantação no embrião concebido com fertilização in vitro.
- Genentech é incorporada pela indústria farmacêutica suíça Roche, numa transação de US$ 2,1 bilhões.
- Suprema Corte da Justiça da Califórnia dá ganho de causa a Universidade da Califórnia no Caso Moore em que o paciente exigia uma participação nos lucros da comercialização de uma linhagem celular obtida a partir de células retiradas do seu pâncreas.
- French Anderson realiza, pela primeira vez, o tratamento de uma doença genética, deficiência de Adenosina Deaminase (ADA), por terapia gênica.
- É descrito o primeiro retrotransposon humano.
- Descoberta das mutações instáveis: repetições de trinucleotídeos que variam de tamanho entre as gerações. Surge a possibilidade de diagnóstico preditivo para doenças de início tardio como Doença de Huntington e Distrofia Muscular de Becker.
- Conselho da Europa publica recomendação sobre Diagnóstico Pré-Natal e Aconselhamento Genético, na qual reafirma a autonomia dos pais e a abordagem não-diretiva do aconselhamento.
1991 - Uma comissão especial para ética e biotecnologia é instituída pelo parlamento europeu para avaliar o impacto dos novos produtos (plantas e animais transgênicos) obtidos por manipulação genética.
- O escritório de patentes europeu se pronuncia sobre as técnicas de manipulação genética de organismos multicelulares. É sustentada a necessidade de que a patente para animais transgênicos seja conferida ou negada com base nas características de cada caso.
- Nos EUA o Congresso inicia o exame de um projeto de lei dedicado à preservação das informações concernentes ao genoma humano (Human Genome Privacy Act): é proibido difundir informações genéticas sem o prévio consentimento escrito dos interessados. A exceção é feita em situações de emergência médica ou questões criminais.
- É lançado por Cavalli-Sforza e outros geneticistas o Projeto da Diversidade do Genoma Humano, que pretende estudar e preservar a herança genética de populações humanas. Seus objetivos relacionam-se a estudos sobre as origens humanas e movimento de populações pré-históricas, adaptação a doenças e antropologia forense.
1992 - O governo americano suspende a moratória de patentes dos animais transgênicos estabelecida em 1987. O PTO concede a patente a camundongos transgênicos para pesquisa médica.
- J. Watson se retira do Projeto Genoma Humano por ser contra questões relacionadas ao patenteamento. F. Collins é o novo diretor.
- Surgem modelos animais para Fibrose Cística, criados por knock-out.
- Um menino calabrês com deficiência de Adenosina Deaminase (ADA) é submetido pela primeira vez na Europa à terapia gênica. O protocolo é o mesmo que fora efetuado nos EUA em 1990.
- O comitê nacional de bioética da Itália publica um documento com as conclusões sobre "Patenteamento dos organismos viventes". O risco do empobrecimento da biodiversidade é ressaltado.
- Obtém-se pela técnica de manipulação genética os primeiros porcos transgênicos para obter órgãos para transplantar no homem (xenotransplante).
- Na Universidade George Washington, J. Hall e R. Stillman conseguem a seguir a clonagem de embriões humanos a partir da divisão de um óvulo fecundado mas interrompem o processo em sua fase inicial.
- Declaração de Marbella, Espanha, sobre o Projeto Genoma Humano, adotada pela 44ª Assembléia da Associação Médica Mundial. Contra o patenteamento do genoma humano, garantias contra discriminação e diretrizes básicas para prevenir a estigmatização de populações em risco para doenças genéticas.
- Conferência Norte-Sul sobre o genoma humano, em Caxambu (Brasil).
- Wilson lança a hipótese da "Eva Mitocondrial".
- Blau descobre que núcleos de células não musuculares passam a produzir proteínas de músculo quando colocados em citoplasma de célula muscular.
1994 - A indústria biotecnólogica Calgene obtém do FDA a permissão de colocar no mercado tomates manipulados geneticamente, cujo processo de maturação foi retardado pela biotecnologia.
- O departamento de justiça americano, aprova o Crime Control Act para que sejam criados bancos de dados de DNA em escala nacional, como já existe para as impressões digitais.
- Uma equipe belga anuncia na revista médica americana JAMA ter conseguido fazer nascer a partir de um casal de portadores Fibrose Cística um menino portador sadio da doença. A fecundação foi feita com microinjeção de espermatozóide no ovócito e com diagnóstico pré-implantação do embrião.
- Promulgada a Lei Francesa de Respeito ao Corpo Humano que proíbe o patenteamento de genes humanos, o diagnóstico pré-implantação (pelo seu risco eugênico), limita os testes genéticos para fins médicos ou de pesquisa ou por ordem judiciária (para identificação).
- O Comitê Internacional de Bioética da UNESCO alerta para o risco do chamado reducionismo biológico, a tendência de eliminar ou discriminar aqueles que não são conforme uma norma genética.
- M. Skolnick isola o gene BRCA1, envolvido no câncer de mama e ovário. Iniciam nos EUA as primeiras testagens seguidas por "mastectomias preventivas".
1995 - O Parlamento Europeu veta a patente a todas as formas viventes originadas por manipulação genética e a genes ou técnicas genéticas. Ao contrário, o PTO concede patente a seqüências de DNA, processos genéticos e novas formas viventes.
- A empresa americana Gene Therapy Inc., em Maryland, anuncia exclusividade no direito pela patente recém concedida pelo NIH para o tipo mais comum de terapia gênica, a chamada ex-vivo (as células do paciente são retiradas, manipuladas geneticamente e depois re-inseridas). Foi a técnica utilizada por M. Cline sem sucesso em 1980 e por F. Anderson, S. Rosenberg e M. Blease em 1990 que não pediram a patente em 1989.
- A Associação Médica Mundial propõe uma regulamentação dos testes genéticos: só devem ser feitos quando há possibilidade de uma terapia para corrigir a condição genética ou se derivar em decisões que dizem respeito à procriação.
- São concedidas 269 patentes para protocolos de Terapia Gênica.
- OMS publica declaração sobre Questões Éticas em Genética Médica, abrangendo o oferecimento de serviços genéticos, aconselhamento, diagnóstico pré-natal e armazenamento e uso de DNA.
- Promulgada na China a Lei de Proteção à Saúde Materna e Infantil que proíbe a identificação do sexo fetal exceto em casos de necessidade médica mas por outro lado estabelece que o aconselhamento genético deva ser diretivo e no sentido de impedir que casais com risco para doenças genéticas sérias tenham filhos. Várias Sociedades de Genética Humana e Médica no mundo inteiro protestam.
- A Organização do Genoma Humano (HUGO) publica Declaração sobre Patenteamento de seqüências de DNA. Condena o patenteamento se seqüências descobertas sem que se saiba sua função mas é favorável ao patenteamento da descoberta das funções biológicas de novos genes ou suas aplicações.
- Brasil publica as Normas para uso das técnicas de engenharia genética e liberação no meio ambiente de organismos geneticamente modificados, na qual proíbe a manipulação genética de células germinativas e a intervenção em material genético humano in vivo, exceto para tratamento de defeitos genéticos.
- Interrompida nos EUA a moratória por tempo indefinido pedida pelos ambientalistas para a comercialização de plantas transgênicas que ofereçam uma resistência maior as agressões de insetos devastadores e de herbicidas. Ambientalistas e cientistas exprimem sua perplexidade pelo fim do embargo decidido pela Agência de Proteção Ambiental (EPA).
- É publicada a seqüência completa do primeiro organismo de vida livre, Hemophilus influenzae, com 1743 genes e 1,8 milhões de pares de bases.
1996 - O Parlamento do Conselho Europeu aprova, em Estrasburgo, as resoluções do 3º Simpósio de Bioética. Estabelece, entre outras coisas, os limites para a manipulação e experimentação genética e uso de testes genéticos. Deve ser ratificado em 1997 pelos 39 países membros.
- Pesquisadores ingleses de Edimburgo conseguem clonar ovelha utilizando a célula totipotente de embriões e cultivando-a em laboratório.
- Os verdes saem a campo na Europa contra a iminente introdução pelos EUA de soja manipulada geneticamente para que seja mais resistente a um herbicida (soja RR).
- São conhecidos 6300 genes humanos (5-10% do total estimado), a metade deles relacionados a doenças.
- Existem testes genéticos com potencial para detectar doenças genéticas em 42% da população.
- Amostras de DNA de índios brasileiros são anunciadas na Internet pela empresa americana Coriell Cell, originando um debate entre cientistas brasileiros acerca do armazenamento de DNA dos indígenas e suas possíveis repercussões comerciais.
- A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece, após dez anos de dabtes, que todos os estoques de vírus da varíola existentes no mundo devam ser destruídos até 30 de junho de 1999. Serão mantidos apenas bancos de cDNA que permitirão estudar a seqüência genômica do vírus. É o primeiro caso de extinção intencional de um organismo vivo.
- A Declaração de Manzanillo, publicada pelo Programa latino-Americano do Genoma Humano (PLAGH) no México, enfatiza a necessidade de garantia de acesso e regulamentação das técnicas utilizadas em genética humana e médica. Além disso, cria a Rede Iberoamericana de Bioética e Genoma Humano.
- A Resolução 01/88 é substituída pela Resolução 196/96, Normas para Pesquisas Envolvendo Seres Humanos, que estabelece que todas as pesquisa na área de genética humana devam ser avaliadas por um comitê nacional.
1997 - Pesquisadores do Roslin Institute, em colaboração com a PPL Therapeutics, anunciam o nascimento de uma ovelha obtida pela clonagem de células de glândula mamária de um animal adulto.
- Proibição da clonagem de seres humanos no Brasil e moratória para este tipo de atividade nos EUA.
- Criação da Clonaid, empresa de clonagem de seres humanos com sede nas Bahamas.
- A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) proíbe a manipulação genética de células germinativas ou totipotentes humanas, assim como os experimentos de clonagem em seres humanos.
- A empresa de biotecnologia PPL Therapeutics anuncia a utilização da técnica de clonagem para obtenção de uma ovelha transgênica que possui genes de uma proteína humana.
- A companhia suíça Kraft-Jacobs-Suchard é obrigada a retirar 500 toneladas de chocolate Toblerone do mercado francês após ter sido revelado que a lecitina de soja usada na sua fabricação provinha de plantas transgênicas. Desde fevereiro é obrigatório na França que os produtos mencionem na embalagem o uso de Organismos Geneticamente Modificados (OGM).
- Realizado no Rio de Janeiro, Brasil, o I Simpósio Internacional de Genética e Ética.
- Recombinant Advisory Comitee do Instituto Nacional de Saúde do EUA aprova protocolo de administração de retrovírus recombinantes em voluntários sadios para teste de vetores utilizados em terapia gênica.
1998 - Agência internacional de notícias denuncia o plantio de variedade de tabaco transgênico no Rio Grande do Sul. A planta teria sido geneticamente modificada para possuir maior teor de nicotina.
- O físico americano R. Seed, que foi pioneiro na transferência de embriões, anuncia que pretende clonar seres humanos utilizando a técnica desenvolvida na Escócia.
- J. Shay e W. Wright publicam artigo na Science intitulado Extension of Life-Span by Introduction of Telomerase into Normal Human Cells. O trabalho, realizado em cultura de células, é alardeado na imprensa leiga como uma busca da imortalidade.
- Revista The Ecologist tem sua edição (volume 28 número 5) de setembro/outubro destruída por rebater fortementre os argumentos utilizados pela empresa Monsanto.
- Liberação pelo CTNBio da utilização agrícola da soja RR, com monitoramento pelos próximos 5 anos, através da Instrução Normativa 18, de 15 de dezembro de 1988, publicada no Diário Oficial da União em 30 de dezembro de 1998.
1999 - A liberação da soja RR foi suspensa por uma sentença da Justiça Federal brasileira.
- Constatação de que a taxa de envelhecimento da ovelha Dolly é superior a esperada ("envelhecimento precoce").
- Projeto de Lei propondo a moratória para o uso agrícola de produtos transênicos no estado do Rio Grande do Sul.
- Destruição dos estoques do vírus da varíola, previsto para 30 de junho, serão mantidos até 2002.
Bibliografia:
Milano, G. Bioetica - Dalla A alla Z. Universale Economica Feltrinelli:Milano, 1997.
Strachan, T. & Read, A.P. Human Molecular Genetics. Wiley:New York, 1996.
Kaplan, J.C. & Delpech M. Biologie Moléculaire et Médecine. 2ed. Flammarion:Paris, 1996.
Old, R.W. & Primrose S.B. Principles of Gene Manipulation. 5ed. Blackwell Science:Oxford, 1994.
domingo, 24 de maio de 2009
BRIEFINGS NO AR!!!
domingo, 3 de maio de 2009
domingo, 26 de abril de 2009
Unesco analisa possibilidade de clonagem humana terapêutica
Durante dois dias, os 36 analistas internacionais que compõem o CIB, presidido pelo mexicano Adolfo Martínez Palomo, apreciarão os estudos e as diferentes opiniões sobre a questão, informou em comunicado a Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
A Declaração Universal sobre o genoma humano e os direitos humanos, aprovada pela Unesco em 1997, considera que a clonagem com fins reprodutivos é uma prática "contrária à dignidade humana".
Cinqüenta países adaptaram este princípio a suas legislações nacionais, mas no meio científico surgem vozes que pedem que a clonagem terapêutica seja tratada de forma diferente.
"A pedido do diretor-geral da Unesco, Koichiro Matsuura, um grupo de trabalho do CIB começou a refletir sobre esta questão para determinar se os últimos avanços científicos, éticos, sociais, políticos e jurídicos justificam uma nova iniciativa em escala internacional", assinalou a organização.
Na sexta-feira, os analistas do CIB manterão uma reunião conjunta com o Comitê Intergovernamental de Bioética (CIGB), composto por representantes de 36 países-membros
domingo, 19 de abril de 2009
Cientistas chineses fazem clonagem manual de porcos
São Paulo
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Os cientistas chineses clonaram oito leitões através de um método simplificado, comparado com a clonagem tradicional.
Os leitões nasceram em 30 de agosto por clonagem manual, uma alternativa à operação convencional, que requer de uma equipe de alto custo, disse o cientista do Instituto da Genomía de Beijing (BGI, sigla em inglês) em Shenzhen, Yang Huanming, que desenvolveu a tecnologia para a clonagem manual, durante uma entrevista coletiva.
A clonagem manual, que reduz os gastos e aumenta a eficiência, necessita somente de uma navalha de metal e mãos hábeis.
Yang, também um acadêmico da Academia Chinesa de Ciências, disse que os leitões poderão se reproduzir de forma natural.
Especialistas do BGI praticaram a clonagem manual com cientistas dinamarqueses em 2006. Os especialistas chineses trouxeram a tecnologia em 2007 e atingiram o êxito depois de um ano de esforços.
A clonagem de porcos poderia oferecer órgãos para transplante humano e também é uma forma importante para conservação e melhoria de espécies raras, afirmou.
Agência Xinhua
domingo, 12 de abril de 2009
Clonagem humana: algumas premissas para o debate jurídico
Doutora em Direito pela Université de Rennes - França.
Professora e pesquisadora em Bioética e Biodireito nos Programas de Pós-Graduação da UNISINOS - São Leopoldo - RS e UCS - Universidade de Caxias do Sul - RS.
Introdução
Partindo da evidência de que o conhecimento do genoma humano e suas aplicações futuras repercutirão enormemente na sociedade humana, sabe-se que muitas discussões terão lugar acerca do impacto das novas biotecnologias na vida e na natureza como um todo.
Poucas questões repercutem de modo tão intenso na sociedade moderna, gerando tanta preocupação e debate quanto as possibilidades oferecidas pela engenharia genética e sua utilização sobre as células germinais humanas, células tronco e embriões e, especialmente a possibilidade de “duplicação” do ser humano.
Se a questão da clonagem humana parece tão tormentosa, pelo menos, nunca se verificou tão evidente a urgência em se estabelecer instâncias de reflexão e discussão sobre a maneira pela qual os cientistas buscam a realização de seus intentos e, de que forma, aqueles que os financiam pretendem aplicar as descobertas no atendimento às expectativas de uma sociedade ansiosa em evitar as doenças e os males que atingem a saúde ou que, invariavelmente, repercutem na qualidade de vida das pessoas.
Reconhecendo que nem tudo que é cientificamente possível de ser realizado é, portanto, eticamente aceitável, tal linha de raciocínio nos conduz à reflexão que se consolidou a partir da necessidade em se reconhecer o valor ético da vida humana e recolher subsídios para conciliar o imperativo do desenvolvimento tecnológico e a proteção da vida e da qualidade de vida.
O grande desafio enfrentado pela Bioética é conciliar o saber humanista com o saber científico na busca da felicidade do ser humano. Afinal parece ser este o objeto de desejo que buscamos da ciência: a realização de nossas expectativas de vida longa e saudável.
A possibilidade da clonagem humana traz à discussão o papel da ciência e da engenharia genética, e as chances de que se possa estabelecer um domínio completo sobre o processo reprodutivo colocando-se em primeira ordem os interesses individuais. Interesses esses passíveis de ser realizados por uma pequena parcela da população que pensa poder satisfazer seus desejos de vida eterna ou de continuidade através da “prole cientificamente programada.”
Portanto, sendo realidade que as fronteiras biológicas estão sendo derrubadas, deve-se refletir sobre o papel do Direito na tentativa de evitar a utilização indiscriminada da ciência quando não jungida aos princípios éticos consensuais, oferecidos pela reflexão Bioética.
Esta breve abordagem tem o intuito de oferecer alguns subsídios para o debate sobre tema tão complexo e sério quanto o da possibilidade da clonagem humana, a partir dos princípios constitucionais e de normativas internacionais que visam assegurar a proteção da vida humana e de suas características intrínsecas relacionadas à dignidade, inviolabilidade, e identidade do ser humano.
Para traçar algumas considerações a partir do Direito, será abordada a proteção da pessoa humana na Constituição Federal de 1988, e, em seguida, a proteção do patrimônio genético da humanidade, demonstrando-se que a construção jurídica possui previsões que se aplicam diretamente aos avanços da ciência e, especialmente, à engenharia genética envolvendo a clonagem de seres humanos.
Considerações Finais
A simples condenação da possibilidade da clonagem humana e de qualquer investigação que tenha esta técnica como uma finalidade, representa um cerceamento ao avanço científico, movido por discursos emocionais sem que se veja objetivamente as possibilidades promissoras que podem se tornar realidade.
No entanto, deve ser considerado um “interdito bioético” a simples defesa da clonagem humana reprodutiva para buscar a produção em série de indivíduos identicamente iguais e isso, independentemente de qualquer argumento político, sanitário ou mesmo social, pois, o ser humano deve ser respeitado na sua singularidade e não deve ser instrumentalizado, no sentido de retomar-se o pesadelo da proposta de eugenismo, defendida pela ideologia nazista.
Portanto, essa condenação não se estende a possibilidade de multiplicação clonal celular de tecidos humanos que têm uma perspectiva outra que a clonagem reprodutiva. Nas experiências de clonagem reprodutiva não se poderá prever ou evitar os riscos de que as manipulações biológicas venham a repercutir sobre a saúde do indivíduo clonado, do mesmo modo que sua descendência poderá herdar seqüelas dos referidos procedimentos.
A revolução científica - através da engenharia genética, pode modificar as características do gênero humano e trazer repercussões, ainda insondáveis, em nossas gerações futuras. A contribuição da Bioética está em tentar responder a muitas questões médicas, sociais, políticas, econômicas e jurídicas que envolvem a discussão sobre a noção de humanidade, compreendida de uma forma global.
Cabe à sociedade fixar determinados limites, criando um enquadramento bem definido em matéria de práticas biomédicas, fundamentado no princípio da responsabilidade. Cabe aos cidadãos de hoje, promover a saúde e bem estar de todos e, ao mesmo tempo, defender os direitos daqueles que comporão as gerações futuras. Este é o papel do Biodireito.
Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
A Santa Sé se pronuncia contra a clonagem humana e contra a clonagem terapêutica através das células-tronco de embriões
Orlando Fedeli
Foi publicada no site do Vaticano, pela Secretaria de Estado, uma NOTA entregue a todos os embaixadores creditados junto à Santa Sé, para que a remetessem a seus respectivos governos, tratando do problema da utilização de células-tronco de embriões para clonagem reprodutiva ou terapêutica.
Nessa NOTA, fundamentada em farta documentação científica, a Santa Sé, depois de reconhecer que a Igreja não se opõe às pesquisas científicas, afirma que não só a clonagem reprodutiva é algo extremamente condenável – como é geralmente admitido pelos cientistas – mas que também a clonagem terapêutica, usando células-tronco de embriões, é mais condenável ainda, pois transforma seres humanos em meros fornecedores de órgãos de reposição.
Essa NOTA da Santa Sé exprime sua proposta à ONU – e que, agora, já foi apresentada na Assembléia Geral das Nações Unidas – para que seja proibida, em todos os países, a utilização de células-tronco retiradas de embriões, especialmente para fins terapêuticos.
A Santa Se argumenta que:
1) É imoral usar seres humanos – tirando-lhes a vida – para curar outros seres humanos;
2) Tem-se cientificamente comprovado que o uso de células-tronco de adultos é eficaz, e que elimina problemas de rejeição, quando se utilizam células-tronco da medula do indivíduo a ser curado;
3) Não há nenhuma prova científica de que a utilização das células-tronco de embriões seja eficaz;
4) Há grave risco de que a utilização de células-tronco embrionárias possa ser causadora de câncer, assim como de outros problemas patológicos.
Contra a proposta da Santa Sé à ONU, foi feita outra proposta pelo governo da Bélgica, defendendo exatamente a clonagem para fins terapêuticos.
No Brasil, se fez um grande estardalhaço propagandístico na Mídia e no Congresso em favor da aprovação da chamada Lei dos Transgênicos, na qual estava escondida, sob a questão da soja, como por contrabando, a aprovação da utilização de células-tronco embrionárias. No fundo, era uma forma velada de introduzir um princípio do qual decorreria o direito ao aborto na legislação nacional. Graças a Deus, e ao Manifesto divulgado pela Montfort, que já conta com quase 150.000 assinaturas (até esta data) contra o uso de células-tronco embrionárias, o projeto de lei i anda não foi aprovado.
Estranhamos que a Mídia, que anuncia até que um papagaio engoliu uma moedinha, e que noticia com alarde que as células-tronco embrionárias são, comprovadamente, uma panacéia, não tenha dito uma só palavra sobre essa NOTA da Santa Sé – NOTA PUBLICADA NO SITE DO VATICANO – portanto, algo de conhecimento público.
Esse silêncio da Mídia sobre o Documento emanado da Santa Sé foi tão perfeito que até mesmo autoridades católicas eminentes desconheciam a Nota da Santa Sé que já foi apresentada na ONU.
O site Montfort, então, colocando-se a serviço da Santa Sé, tem a honra de publicar, em primeira mão, a NOTA contra o uso de células tronco embrionárias, mesmo para fins terapêuticos.
Considerando, em primeiro lugar, a autoridade da Sé Apostólica, e, em seguida, a cabal fundamentação científica da NOTA citada, temos certeza de que ela esclarecerá o debate em torno do uso de células-tronco embrionárias, levando enfim os senhores congressistas brasileiros a não aprovarem aquilo que é contra a Lei de Deus, contra a Constituição Brasileira – a qual garante o direito à vida humana desde a sua concepção –, contra, enfim, os tão propalados direitos humanos.
São Paulo, 29 de Outubro de 2.004
Orlando Fedeli
Presidente da Associação Cultural Montfort.
Leia a Nota na íntegra: Documento da Santa Sé sobre a clonagem humana - O Vaticano
sábado, 28 de março de 2009
Unesco debate clonagem humana
Outra questão em debate prende-se com a responsabilidade social e a saúde
Espera-se declaração que proíba clonagem para fins reprodutivos
A clonagem humana e a possibilidade de elaboração de uma declaração que proíba a clonagem humana para fins reprodutivos vão estar em debate nos próximos dias em Paris, no âmbito da UNESCO. Segundo Ana Sofia Carvalho, que representa Portugal nas discussões, o debate segue-se à aprovação, no ano passado, de um relatório sobre clonagem humana pelo Instituto de Estudos Avançados da Universidade das Nações Unidas.
"A questão é pouco consensual, sobretudo devido à ligação entre a clonagem dita reprodutiva e a não reprodutiva", explicou a directora da Unidade de Bioética da Universidade Católica e assessora do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida.
A Declaração Universal sobre o Genoma Humano e os Direitos Humanos, em 1997, considerava a clonagem com fins reprodutivos uma prática "contrária à dignidade humana", mas a comunidade científica tem defendido desde então um tratamento diferente para a clonagem terapêutica. Em causa está saber-se se os desenvolvimentos científicos, éticos, sociais, políticos e jurídicos dos últimos anos sobre clonagem humana justificam uma nova iniciativa a nível internacional, ou, em vez disso, o lançamento de uma análise ética e científica da questão da clonagem humana.
Outra questão em debate prende-se com a responsabilidade social e a saúde, na sequência da aprovação da Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos, em 2005. Trata-se também de um tema bastante complexo, segundo Ana Sofia Carvalho, que elaborará um relatório da reunião para o Ministério da Saúde/Alto Comissariado para a Saúde. E isso porque "vivemos em sociedades multiculturais, com valores muito diferentes e que implicam a uma maior responsabilização da parte dos governos".
Estes temas serão abordados a partir de hoje pelo Comité Internacional de Bioética da UNESCO, composto por peritos independentes, a que se seguirá na sexta-feira uma reunião conjunta com o Comité Intergovernamental de Bioética, constituído por representantes de 36 países membros.
sexta-feira, 27 de março de 2009
Resenha de Filme, o Sexto Dia
No entanto, nesse mundo, a ciência transformou a ficção em fatos e a tecnologia adquiriu um papel fundamental. Embora a clonagem seja estritamente proibida pela lei do 6º dia (uma referência bíblica” Deus criou o homem no 6ºdia), um empresário ambicioso usa a tecnologia da Engenharia Genética, que permite a clonagem de seres humanos, em benefício próprio.
Quando Adam Gibson (Arnold Shwarzeneger), um pai de família, dedicado e piloto de caça ,descobre que foi clonado, vê-se perante uma situação de perigo, corrupção e fraudes de alta tecnologia. Ele é afastado da sua família, pelos agentes Marshall e Talia, encarregados de o matar, porque foi clonado o homem errado.
A luta de Adam, para recuperar a própria vida , leva-o à sede da “Replacement Technologies”, uma corporação, criada por Michael Drucker (um dos homens mais ricos do mundo), e o seu sócio, o Dr. Graham Weir, um cientista altamente respeitado.
Drucker percebe que Adam pode revelar o segredo que levaria o seu império à ruína e envia os seus homens para raptá-lo e matá-lo, antes que ele possa revelar tudo o que descobriu.
Drucker entretanto, também descobre que não clonou o homem certo, uma vez que ele não se deixará morrer facilmente.
O 6º dia leva o público a conhecer como será a vida num futuro próximo e imprevisível. Vai além da polêmica e torna a clonagem numa realidade.
Atualmente, a comunidade científica debate o uso da tecnologia, e até que ponto ela pode ser desenvolvida.
Enumeramos algumas questões sobre a clonagem que estão sendo discutidas pela comunidade científica e ao mesmo tempo relacionadas com o filme:
• É possível clonar um “herói”, uma celebridade, ou um político já falecidos?
Sim é possível. Seriam necessárias células vivas extraídas do corpo da pessoa. Estas células teriam de ser congeladas ou preservadas, de outra forma não tinham qualquer efeito.
• Os clones poderiam ser criados como fornecedores de órgãos sobresselentes para os seus “pais” ou “clones mestres”, sem o risco de rejeição dos tecidos?
É possível, porém, os cientistas ainda não sabem o bastante para afirmar que o factor de rejeição seria inteiramente eliminado. O seu clone teria de estar disposto a servir de doador. Como mostra o 6ºdia , é possível que venha a ser mais fácil e preferível clonar o corpo inteiro novamente.
• Um clone terá alma?
É possível que ninguém saiba o que é a alma. O clone poderá ter alma, mas ninguém poderia dizer se a alma do seu clone seria a sua, nem se seria idêntica à sua. No 6º dia, a ciência e a tecnologia de última geração são utilizadas na tentativa de duplicar o ser humano. O modo como a tecnologia e a ciência são retratadas no filme pode não estar muito longe dos testes que serão realizados no futuro.
• Os órgãos vitais para a vida humana poderiam ser clonados?
O nascimento da Dolly, que é citado no início do 6º dia, mostra a possibilidade da reprogramação das células de um ser vivo adulto (ou o seu genoma) para que elas reiniciem o seu desenvolvimento novamente. Será portanto possível que, um dia, isto venha a ser aplicado à clonagem de órgãos humanos.
• A clonagem poderia tornar o homem desnecessário à procriação?
A princípio sim. Todavia o clone seria necessariamente um gêmeo idêntico ao seu pai. Seria difícil reproduzir todas as combinações genéticas que ocorrem durante a reprodução sexual , através das técnicas de clonagem. O 6º dia oferece uma visão complexa do futuro da clonagem e das suas implicações. A ciência retratada no filme pode vir a tornar-se realidade num futuro não muito distante.
terça-feira, 24 de março de 2009
Resenha de Filme - A Ilha
sábado, 21 de março de 2009
Para ONU, anúncio do nascimento de clone não será aceito como fato
O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, "não enviará flores" aos raelianos, disse hoje o porta-voz da ONU, Fred Eckhard, após o anúncio do nascimento do primeiro bebê clonado, feito pela empresa Clonaid.
Eckhard afirmou que "na ausência de dados científicos, este anúncio não pode ser aceito automaticamente como um fato".
A aprovação de um texto proibindo a clonagem humana com fins reprodutivos, levantado por França e Alemanha, foi adiada há alguns meses na ONU, por causa da pressão dos Estados Unidos e do Vaticano.
Os Estados Unidos querem incluir na proposta, além da clonagem reprodutiva, restrições também à chamada clonagem terapêutica, isto é, à utilização de técnicas de clonagem para obter células em princípio capazes de proporcionar novos tratamentos para uma série de moléstias.
Ontem, a química Brigitte Boisselier, 46, diretora da empresa Clonaid, anunciou o nascimento do primeiro clone humano, uma menina chamada Eve. Os esforços dos raelianos para clonar um ser humano foram realizados em completo segredo, o que não permite confirmar a veracidade da informação.
sexta-feira, 20 de março de 2009
'A Igreja católica nunca condenou Darwin ou seus escritos'
SÃO PAULO - "Não cabe à Igreja dizer se a evolução é uma tese, uma hipótese ou qualquer outra coisa", afirmou o arcebispo italiano Gianfranco Ravasi ao Estado. Ele foi o principal responsável pelo congresso sobre darwinismo patrocinado pelo Vaticano no início do mês. Presidente do Conselho Pontifício para a Cultura - órgão da Santa Sé que promove o diálogo da Igreja católica com o mundo contemporâneo -, Ravasi comentou também o ensino do evolucionismo nas escolas, a interpretação dos textos bíblicos sobre a criação e o fenômeno contemporâneo do ateísmo.
Por que a Igreja realizou um congresso sobre evolucionismo?
As relações entre ciência e fé foram turbulentas. É justo reconhecer que houve momentos negativos. Refiro-me sobretudo ao caso Galileu. No ano 2000, João Paulo II quis pedir perdão e enterrar este passado. Agora, procuramos nos orientar para o futuro. O tema este ano é a evolução. Vale a pena lembrar que a Igreja católica nunca condenou Darwin ou seus escritos. Em 1950, Pio XII considerava compatíveis evolução biológica e doutrina católica. Em 1996, João Paulo II disse que a teoria da evolução é praticamente um consenso entre os cientistas, o que convida a um diálogo com a teologia, que naturalmente se move em um plano diferente. Por isso, patrocinamos este congresso internacional que contou com a presença de cientistas de renome que conversaram com filósofos e teólogos. Cada um segundo sua própria perspectiva.
Bento XVI fez alguma indicação concreta?
O papa deixou muito livre o debate. Participaram do congresso pesquisadores que não creem ou professam outros credos, como budistas, por exemplo. Estiveram presentes várias expressões culturais e cada uma delas pode falar. Mesmo na filosofia e na teologia estavam representadas diversas abordagens. Bento XVI quis reafirmar, como em outras ocasiões, a importância do diálogo entre razão e fé. Inspira-se em Agostinho de Hipona que dizia: "Se a fé não é pensada, não é nada." Bento XVI não deu nenhuma indicação precisa porque prejudicaria o diálogo.
O que a Igreja pensa da evolução?
A Igreja católica não deve pensar nada, porque é uma questão especificamente científica. João Paulo II disse que "novos conhecimentos levam a considerar que a teoria da evolução é mais do que uma hipótese". Foi simplesmente uma constatação, pois o papa desejava abrir o diálogo teológico. No entanto, cabe ao cientista argumentar sobre o status do darwinismo. Se a evolução é a posição dominante entre os pesquisadores, faz sentido começar a reflexão teológica sobre ela. Mas não cabe à Igreja dizer se a evolução é uma tese, uma hipótese ou qualquer outra coisa.
Como compreender a narrativa bíblica da criação?
A religião judaico-cristã não é uma religião do livro. A Palavra de Deus precede e ultrapassa a Bíblia. Por isso, na sua forma escrita final, necessita interpretação. Tradicionalmente, há dois caminhos para compreender a Escritura. O primeiro tenta distinguir os "sentidos espirituais" do texto sagrado - a mensagem divina expressa nas palavras humanas. O segundo é a análise histórico-crítica que investiga as palavras humanas - pronunciadas em idiomas concretos e ligadas a uma cultura particular, a coordenadas históricas precisas e a determinados gêneros literários. Os dois métodos precisam dialogar. É um relacionamento análogo ao que deve existir entre ciência e teologia.
Mas como interpretar os primeiros capítulos do Gênesis?
No Gênesis, fala-se da origem histórica da humanidade para revelar seu sentido profundo, que é meta-histórico. Fala-se do primeiro homem, não porque desejamos descrever o que aconteceu durante a evolução - não se pensava nisso quando a Bíblia foi escrita: as espécies são fixas na sua narrativa -, mas para compreender a humanidade. É uma realidade histórica que somos filhos de Adão - ou seja, todos descendemos da mesma linhagem humana -, mas a mensagem principal é meta-histórica. O relato do Gênesis procura identificar as três relações fundamentais: com o Criador, com a criação e com o próximo. A Bíblia coloca naquele personagem primordial o rosto de todos os homens. O nome Adão, em hebraico, confirma esta intenção: ha'-adam. Ha é o artigo definido "o". 'adam significa "aquele que tem a cor ocre da argila". É o Homem com "H" maiúsculo. Não é um nome próprio, mas uma representação. Trata-se de uma análise sapiencial, o que não significa uma análise teórica ou vaga. Procuro quem sou eu refletindo sobre minha origem. Mas a pergunta "quem sou eu" tem um caráter metafísico e meta-histórico. Não é uma indagação científica sobre a origem biológica do homem.
É possível harmonizar o relato bíblico com a teoria da evolução?
A evolução, quando lida do ponto de vista teológico, é a obra criadora de Deus que não compreende só um instante no qual tudo se constitui, mas um verdadeiro itinerário, assim como a história da salvação descrita na Bíblia é um percurso com diversas etapas. Dentro deste itinerário evolutivo, no surgimento do homem, há um selo singular de Deus, que costumamos chamar alma. A Bíblia só usa este termo em épocas mais tardias. De qualquer forma, é uma palavra para designar a especifidade da criatura humana. O genoma do homem é 97% semelhante ao do chimpanzé. Uma diferença genética de apenas 3% torna-se imensa quando consideramos a capacidade simbólica, estética e racional do ser humano. A teologia não pretende saber quando esta diferença surgiu dentro da trama evolutiva. Mas, quando o homem se constitui de forma vital, existe naquele momento a alma humana, com seu mistério, sua transcendência e sua capacidade de amar até a doação de si que vai muito além do instinto natural - às vezes, até a morte. Aqui começa aquela dimensão que é propriamente humana e se constitui objeto de estudo da filosofia e da teologia.
Na sua opinião, como deve ser ensinada a origem do homem nos colégios?
É uma questão complexa. A ciência não deve considerar a teologia ou a filosofia como discursos de um passado arqueológico, mas como reflexões necessárias que - de modo semelhante à arte - revelam dimensões secretas da pessoa. Por outro lado, a teologia não deve impor seus próprios esquemas como já aconteceu no passado. Movendo-se em planos diferentes, precisam dialogar. Nas escolas, uma não deve invadir o espaço da outra, mas mostrar que são abordagens diferentes para os mistérios do homem e da natureza. Seria conveniente que os dois professores manifestassem mutuamente seus pontos de vista e, depois, apresentassem as diferentes perspectivas aos alunos. Nos temas mais prementes, como a origem do homem ou a bioética, poderiam estar juntos para fomentar o confronto de idéias. Esta interdisciplinaridade é a linha adotada em muitas universidades. De alguma forma, fizemos isso no congresso sobre Darwin.
A Bíblia diz: "Os céus narram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos" (Sl 18, 2). Para muitas pessoas, os céus e o firmamento não dizem nada sobre Deus.
Descobrir no interior do cosmos, não a casualidade e o caos, mas uma mensagem, é um caminho espiritual. O famoso teólogo Daniélou chamava este itinerário de "revelação cósmica". Todos os homens deveriam se esforçar para compreender o pergaminho que se estende do céu até a terra - a palavra secreta da própria criação. Tiro esta imagem da tradição sinagogal. Muitos homens veem o cosmos e permanecem insensíveis porque perderam a capacidade de se admirar. Contemplam o mundo com um olhar técnico, frio. Talvez por isso, violentemos a terra e escondamos os céus atrás da poluição. Precisamos fomentar a disposição que animava Pascal. Ele olhava os espaços infinitos, considerava a fragilidade humana e ficava perplexo diante de um contraste tão grande. O escritor inglês Chesterton dizia que o mundo não perecerá por falta de maravilhas - são muitas - mas por falta de admiração. A verdadeira ciência é diferente da técnica. A técnica mede. A ciência tenta compreender o conjunto dos fenômenos. O físico Max Planck escreveu: "Ciência e religião não estão em conflito, mas se completam na mente do homem que pensa de forma integral". A verdadeira ciência ajuda-nos a compreender que estamos imersos em um mistério. A priori, não vou qualificá-lo como divino, mas seguramente transcende a razão humana e a própria humanidade. Recordo a belíssima imagem de Newton que se via como uma criança que brinca na praia e descobre conchas, seixos, pedras... contudo, diante dela, abre-se o imenso oceano da realidade.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Resenha de Filme - O Clone
Um médico, Thomas (Christopher Lambert), ao tentar ajudar uma motoqueira, Mathilde (Nastassja Kinski), faz bem mais do que isto. Ele se envolve com ela e logo estão casados. Thomas quer um filho dela, mas Mathilde, que já tivera um filho que morrera em circunstâncias trágicas, agora não pode mais ter filhos. Thomas conhece um grande especialista em clonagem e, sem saber, Mathilde acaba tendo uma filha, Manon (Jeanne Buchard), que na verdade é um clone da mãe. Através dos anos os desdobramentos desta experiência têm resultados bastante imprevisíveis.
terça-feira, 17 de março de 2009
China proíbe clonagem terapêutica com células-tronco
O Ministério da Saúde chinês impôs uma proibição "temporária" às técnicas de clonagem terapêutica que utilizam células-tronco embrionárias, segundo informa em uma circular publicada em seu site.
De acordo com o comunicado, a proibição entrará em vigor em 1º de maio e afeta a "clonagem terapêutica para uso clínico de células-tronco heterogêneas, genes heterogêneos e células do corpo humano".
A proibição temporária, que não ainda tem data para terminar, também estabelece novas limitações a outro tipo de operações, como as de mudança de sexo e transplantes.
Até agora, a China não tinha imposto limitações de caráter ético ou religioso ao uso da clonagem terapêutica e ao uso de células-tronco, embora nos últimos meses tenha sido proposto investigar técnicas para obter as ditas células a partir da pele, ao invés de embriões.
As poucas limitações tinham permitido o surgimento no país de clínicas que anunciavam revolucionários tratamentos contra doenças degenerativas, o que chegou a levar estrangeiros à China especialmente para se tratar.
segunda-feira, 16 de março de 2009
Unesco: comitê discute mudanças nas regras sobre clonagem
"Não podemos ignorar que aconteceram mudanças espetaculares" na clonagem, disse Martinez Palomo, que afirmou que a reunião do CIB iniciada na última terça em Paris pretende definir "se a caixa de Pandora será aberta" e se a Declaração Universal sobre o Genoma Humano e os Direitos Humanos, de 1997, será modificada.
Esta declaração da Unesco considera, entre outras coisas, que a clonagem com fins reprodutivos é uma prática "contrária à dignidade humana".
O presidente do CIB confirmou que foi aberto o debate sobre que tipo de experiência deve ser autorizada à luz da experiência em diversos países, mas admitiu que, por enquanto, não há consenso científico sobre se isto justifica introduzir mudanças nos textos da Unesco.
Martinez Palomo afirmou que, em Paris, está acontecendo uma "discussão muito interessante sobre a clonagem" e que ontem foram apresentados os pontos de vista de vários países, como o Brasil, onde se trabalhou notavelmente nos últimos anos.
Também foram conhecidos pontos de vista de outros países como Indonésia e Madagascar, o que, segundo Martinez Palomo, permite enriquecer a discussão, pois a concepção da vida não é a mesma do Ocidente, por exemplo, do que em lugares de cultura muçulmana e na Ásia.
O presidente do CIB contou que, "curiosamente", os países mais avançados estão entre os mais interessados em colocar mais restrições internacionais à clonagem para não se virem adiantados por outros.
Também disse que, "por enquanto", não está nesta instância a questão do "turismo de clonagem", ou seja, o deslocamento de pessoas para vários países para recorrer a alternativas não autorizadas em suas nações de origem.
No entanto, lembrou que há países que têm uma legislação mais flexível na matéria.
Um segundo ponto que concentra o trabalho dos especialistas internacionais reunidos em Paris até amanhã é a saúde e a responsabilidade social para lançar uma mensagem em escala internacional.
"Ainda não encontramos a fórmula para uma recomendação clara" que incida na idéia de que os indivíduos e a sociedade devem ser mais responsáveis sobre práticas de saúde ou sobre comportamentos que afetam diretamente a saúde, como fumar, levar uma vida sedentária ou ter uma alimentação pouco saudável, reconheceu Martinez Palomo.
O princípio de responsabilidade social é abordado na Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos, de 2005 e elaborada pela Unesco.
domingo, 15 de março de 2009
Clonagem reprodutiva divide comunidade internacional
A comunidade internacional permanece dividida a respeito da adoção de uma convenção que proíba a clonagem humana com fins reprodutivos, no momento em que o movimento raeliano anunciou o nascimento de um bebê clonado.
A comissão das Nações Unidas que devia estabelecer os itens da resolução dissolveu-se no final de setembro, em Nova York, Estados Unidos, sem conseguir um acordo sobre o texto proposto por Alemanha e França. A adoção deste texto aceleraria o processo e permitiria que a convenção fosse adotada até o fim de 2004.
O bloqueio oscila entre a oposição dos partidários de uma proibição imediata da clonagem reprodutiva e aqueles que, como Estados Unidos ou o Vaticano, querem que sejam proibidas todas as práticas de clonagem humana, seja com fins reprodutivos ou terapêuticos.
Alguns países que declararam ilegal a clonagem reprodutiva deixaram a porta aberta para a clonagem com fins terapêuticos, pois ela permitiria o tratamento de várias enfermidades até agora incuráveis.
Washington e o Vaticano são os principais defensores desta proibição, porque consideram o embrião como um ser humano. Em pesquisas com embriões, eles podem ser destruídos, como ocorre na retirada de células-tronco.
Ao contrário de outras questões referentes à reprodução humana, como aborto ou controle da natalidade, os dois Estados estão sozinhos em sua oposição.
Para os países islâmicos, por exemplo, o início da vida de um ser humano começa 40 dias depois da concepção --os embriões com fins terapêuticos, fabricados para usar algumas de suas células, são "eliminados" antes desse período.
Trinta países, de Austrália ao Japão, passando pela maioria dos países europeus e a África do Sul, adotaram a legislação que proíbe a aplicação da clonagem reprodutiva. Neste mês, o presidente francês Jacques Chirac pediu à ONU proibir "o mais rápido possível" a clonagem reprodutiva.
O Conselho da Europa adotou um protocolo que proíbe "qualquer intervenção que tenha por fim criar um ser humano geneticamente idêntico a outro ser humano vivo ou morto". Firmado por 29 Estados e ratificado por mais oito, o protocolo entrou em vigor em março de 2001.
Mas, devido à ausência de uma convenção internacional obrigatória, esses países temem ver o aparecimento de "paraísos" onde a prática se desenvolveria.
sábado, 14 de março de 2009
Resumos no ar!
UNESCO
Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura
Comitê de Bioética: o Debate sobre Clonagem Humana
Diretores:
Márcia Lima
Tamara Sbragio Ganem
Email: unesco@mirin-puc.com
Uma das mais controversas e revolucionárias novidades da história recente é a clonagem humana. Raras questões repercutem tão intensamente na sociedade, gerando tanto debate, quanto as possibilidades oferecidas pela engenharia genética.
O grande desafio enfrentado pela bioética é conciliar o saber humanista com o saber científico. Manipular o desenvolvimento de um ser humano e desvendar todos os segredos escondidos nos genes pode agredir valores de diversos grupos que duvidam de um mundo onde as leis naturais, ou as leis de Deus, podem sofrer a interferência humana. O desafio levantado pela clonagem humana coloca em choque valores considerados imutáveis por diversas culturas e a constante necessidade de se repensar convicções anteriores exigida pelo avanço científico.
Enquanto cientistas afirmam que a clonagem pode abrir caminho a novos tratamentos para doenças como os Mais de Parkinson e Alzheimer, e a diabetes, por outros grupos da sociedade civil e governos argumentam que tal prática atinge diretamente a dignidade humana, a identidade do indivíduo e, possivelmente, a diversidade genética e a própria integridade da espécie. Frente a estes argumentos, algumas perguntas tornam-se prementes: até que ponto a ciência é livre para desenvolver suas pesquisas? Valores sociais e éticos devem limitar as possibilidades da ciência?
Diante desse complexo contexto, os delegados do Comitê de Bioética da UNESCO deverão levar em conta interesses econômicos, políticos e culturais das diversas nações, a fim de estabelecer diretrizes que proporcionem equilíbrio entre a dignidade humana e a liberdade de pesquisa e o avanço da ciência. Sendo questão que ultrapassa os simples limites da técnica e da ciência e avança sobre o campo da moral e dos princípios de diversas culturas, a clonagem humana exige certo grau de governança internacional, ou seja, de coordenação das diversas políticas nacionais no campo. É neste espírito que, no desenrolar dos debates, os delegados deverão encontrar soluções concretas, preparando a sociedade para lidar com esta nova tecnologia que pode ser enorme fonte de benefícios para todos, mas que ainda encontra-se cercada de polêmica e incertezas.
sexta-feira, 13 de março de 2009
A MORALIDADE DA CLONAGEM[1]
Fermin Roland Schramm[2]
Por “moralidade da clonagem” entendo o conjunto de argumentos morais pró e contra a utilização da tecnologia clonagem com fins reprodutivos e/ou terapêuticos, ou seja, consistentes em produzir seres vivos, ou partes de seres vivos (por exemplo, órgãos e tecidos), a princípio iguais ao original do ponto de vista de alguma característica considerada essencial, ou de todas.
Uma primeira pergunta, espontânea, que surge frente a essa nova forma de reprodução e terapêutica, consiste em perguntar se o ser humano teria o direito de interferir nos processos naturais da vida ou – para utilizar a linguagem religiosa - nos desígnios divinos?
Alguns respondem que sim, outros que não. Quem responde sim o faz, via de regra, tendo em conta os possíveis benefícios para a saúde humana: seja porque permitiria a reprodução em casais que não podem recorrer, satisfatoriamente, a outros meios, seja porque a clonagem permitiria ter uma reserva de partes do corpo sadias capazes de substituir as partes doentes. Esta resposta é intuitivamente correta do ponto de vista moral, pois se baseia num benefício em prol do bem-estar humano.
Outros respondem negativamente, argumentando que os riscos, de vários tipos, seriam muito mais importantes dos benefícios potenciais, razão pela qual a clonagem deveria ser banida. Mas, respondendo assim, deveriam então responder a questão seguinte: se o Homem não pudesse interferir nos processos naturais, na realidade não haveria praticamente nenhum tipo de ciência e tampouco a Medicina. Efetivamente, o que a Medicina faz é interferir em processos naturais que não são considerados bons, ou seja, nas doenças, e ninguém pode razoavelmente contestar que a medicina é a princípio algo bom, a não ser que se acredite em alguma forma de fatalismo, o que seria completamente contrário ao imaginário contemporâneo da maioria das pessoas, que valoriza positivamente a saúde e o bem-estar humanos.
Como sanitarista e bioeticista preocupado menos com o valor da vida em si, mas com o valor da vida enquanto condição para obter bens que considero moralmente legítimos, isto é, com a qualidade de vida e os meios que permitem valorizá-la, julgo que o ser humano, embora seja também um ser natural, submetido a leis naturais compartilhadas com os outros seres vivos, deve ser considerado também como ser cultural e técnico. Como tal o ser humano é alguém que tenta interferir nos processos naturais por razões de sobrevivência ou de saúde.
Atualmente, como já mencionei no começo, fala-se em dois tipos de clonagem humana: a reprodutiva e a terapêutica.
A clonagem reprodutiva produz em tese um ser geneticamente idêntico a um indivíduo existente. Digo “em tese” porque o ser clonado compartilha só o DNA do núcleo do original, que é só uma parte do genoma de uma célula visto que existe ainda o DNA das mitocôndrias (que não é reproduzido visto que a clonagem pode ser utilizada para evitar doenças de origem mitocondrial); não conhecemos ainda bem a estrutura do genoma, nem suas funções exatas, nem como ele evolui (questões estudadas pelos emergentes âmbitos da genômica estrutural, funcional e evolutiva) e, sobretudo, não sabemos quais genes sintetizam quais proteínas e como (estudos feitos pela recém nascida proteômica). No entanto, essas não são questões morais, mas técnicas. Sendo assim, a moralidade da clonagem reprodutiva implica em ponderar se ela é lícita, ou não, tendo em conta que pode vir ao encontro do aumento da infertilidade humana: deste ponto de vista pode ser considerada um bem pois evita sofrimentos evitáveis. Este tipo de clonagem pode, por exemplo, ajudar casais que queiram ter um filho sem recorrer à reprodução assistida através de um doador externo (chamada heteróloga) ou que queiram selecionar o sexo de sua cria para evitar doenças genéticas ligadas ao sexo.
Já a clonagem terapêutica é considerada menos problemática visto que tem como finalidade a terapia contra determinadas doenças de origem genética. Atualmente conhecem-se dezenas, senão centenas, desse tipo de doenças, tais como distrofia muscular progressiva, diabetes, Alzheimer, Parkinson, doenças autoimunitárias, cânceres do sangue (leucemias), etc. Mas no futuro serão certamente milhares pois este campo de pesquisa está em pleno desenvolvimento. Portanto, a clonagem terapêutica é moralmente legítima porque permite o desenvolvimento de terapias úteis a um grande número de pessoas, evitando seu sofrimento e melhorando em princípio sua qualidade de vida.
Do meu ponto de vista, ambos os tipos de clonagem são moralmente defensáveis e não vejo uma diferença substantiva entre eles.
Uma das questões muito debatida nos últimos anos, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa, é a clonagem de embriões para fins terapêuticos, mas não considero que a clonagem de embriões traz novas questões, diferentes daquelas que dizem respeito às pesquisas sobre os embriões (nisso concordo com o bioeticista australiano Peter Singer).
Ultimamente vem se discutindo muito sobre a utilização das assim chamadas células-tronco (stem cells em inglês), que são células ainda indiferenciadas e que permitiriam fabricar qualquer tipo de tecido e órgão desejado, desde que “reparadas” em suas características portadoras de doenças. Tais células, tiradas do próprio paciente - e que são portanto geneticamente idênticas às outras células de seu organismo – têm a vantagem de não sofrer rejeição (contrariamente aos órgãos recebidos de doadores), podendo-se vislumbrar, num futuro não muito longínquo, um banco de células-tronco para cada indivíduo. Essas células-tronco, adicionadas de substâncias adequadas e, se necessário, “reparadas”, podem dar origem ao tecido desejado, regenerando portanto a parte do organismo afetada pela doença.
Atualmente, existem três fontes conhecidas de células-tronco: (1) aquelas possuídas a princípio por qualquer organismo humano, jovem ou velho que seja (mas com a tendência a diminuir com a velhice), e que estão presentes na medula óssea, no sangue e outros tecidos; tais células têm a vantagem de evitar a rejeição pelo organismo, mas a desvantagem atual de não sabermos ainda se existem em quantidade suficiente em cada organismo e se podem diferenciar-se em qualquer tipo de tecido (totipotência), além de não servirem, sem manipulação, no caso do doador ser portador de doenças de origem genética; (2) aquelas contidas no cordão umbilical, que é reconhecidamente rico em células-tronco; tais células têm também a desvantagem de não sabermos ainda com certeza se são totipotentes; (3) as embrionárias, que sabemos que são totipotentes.
Dos dois tipos de clonagem – como vimos – a terapêutica é evidentemente a mais aceitável moralmente, embora, no meu entender, existam bons argumentos também para a aceitação moral da primeira, apesar de ser quase universalmente ainda rejeitada.
A possibilidade de se clonar um ser humano existe. No entanto, várias perguntas ainda estão sem respostas: deve-se fazer a clonagem? Quem serão os beneficiados? Quais serão os problemas não previstos? Quais as possíveis e prováveis conseqüências?
Como tudo o que é novo, não se pode prever exatamente o que acontecerá, mas este não é um argumento suficiente para não tomar decisões pois o imobilismo pode ter conseqüências daninhas. Agora, muitas vezes, usa-se o argumento de que não se deve fazer nada, quando não se pode prever o que vai acontecer, aplicando assim o princípio da prudência, decorrente de uma espécie de “hermenêutica da suspeição” segundo a qual as conseqüências negativas possíveis, embora duvidosas, são tidas como certas (este argumento é defendido pelo filósofo Hans Jonas). No entanto, a prudência pode ser uma coisa muito boa em determinados casos, mas também pode ser muito ruim por poder ter conseqüências catastróficas e, neste caso, devemos justificar a omissão por sermos moralmente imputáveis tanto pelo feito como pelo omitido, o que está claramente inscrito na condenação moral e jurídica por “omissão de socorro”. Ou seja, embora a prudência possa ser considerada prima facie uma virtude moral (isto é válida a menos que existam valores julgados mais importantes), às vezes é preciso desrespeitá-la e tomar uma decisão e, para tomá-la, é preciso ter claro a justificativa ética para essa ação (ou sua omissão). Assim, se temos a possibilidade de mudar a nossa biologia em prol de uma melhor qualidade de vida e de saúde (como já permite a medicina genômica e promete a proteômica) e não o fazemos, poderemos ser declarados responsáveis, pelas gerações futuras, por não termos tomado essa decisão fundamental quando poderíamos tê-la tomada (um pouco como Pôncio Pilato). Isso implica que, do ponto de vista ético, somos responsáveis não só pelo mal que fazemos, mas também, por omissão, pelo bem que poderíamos ter feito e não fizemos.
Assim sendo, pode-se afirmar que, do ponto de vista bioético, o ser humano não só tem o direito de interferir nos processos naturais, como também tem essa necessidade vital que pode ser eticamente defendida. Caso contrário, não haveria progresso, nem civilização. Portanto, o problema não é se intervir, ou não, mas como interferir nesses processos naturais e dizer quais são as precauções que devem ser tomadas para que isso não se reverta em algo negativo.
Do ponto de vista ético, não vejo nenhuma razão sólida para não fazer a clonagem humana, seja reprodutiva ou terapêutica. Não vejo problemas, por exemplo, numa mulher, que não pode ter um bebê pelo método natural, optar por ter uma criança supostamente igual a ela ou ao seu parceiro, através da clonagem. De qualquer maneira essa “igualdade” morfológica não implica a sua “igualdade” em todas as dimensões do humano (psicológica, cultural, etc.), pois essas outras dimensões são o produto da interação com o meio ambiente, o meio cultural e social. O que faz a identidade propriamente humana é de fato o produto das intricadas interações eco-bio-psico-socio-culturais (como se diz). Portanto - costumam dizer os lógicos (e isso já era um argumento utilizado pelos escolásticos) – a identidade no sentido do “idêntico” (latim idem) não é a mesma coisa da identidade no sentido do “mesmo” (latim ipse): um clone meu pode ser idêntico a mim, mas não ser o mesmo que eu da mesma maneira que um clone de Hitler (contrariamente à mensagem passada pelo filme “meninos do Brasil”) não será necessariamente nazista nem um clone de Jesus Cristo será necessariamente cristão!
Ademais, do ponto de vista biológico, existem seres idênticos por processos naturais: os gêmeos homozigotos ou univitelinos, os quais têm o mesmo patrimônio genético mas personalidades diferentes. Se condenarmos os clones isso implicaria no fato de que criar dois seres iguais seria também moralmente reprovável, mas isso seria razoável? Mudando de linguagem: vamos dar uma reprovação moral à natureza? Pensando dessa forma, todos os gêmeos univitelinos do mundo seriam considerados uma espécie de aberração do ponto de vista moral. Acho que adotar esse caminho é muito perigoso, porque ele é discriminador. Temos que tomar muito cuidado para não sermos discriminatórios em relação aos assim chamados idênticos, o que seria tão reprovável como discriminar os “diferentes”! Para mim, a bioética, além de ser uma disciplina acadêmica, tem um papel muito importante em tentar evitar todas as formas discriminatórias possíveis: por isso é uma ética aplicada com forte preocupação democrática. Além disso, a bioética tem que aplicar valores ou princípios morais que sejam os mais gerais possíveis, para não criar éticas ad hoc, o que implicaria também em discriminação e injustiças. Portanto, se eu discrimino os clones, vou necessariamente discriminar os idênticos, como são os gêmeos.
No fundo, tanto a clonagem terapêutica como a reprodutiva são como qualquer outra técnica médica: preventivas ou reparadoras, e a prevenção é importante do ponto de vista da saúde pública. Com efeito, os testes preditivos conseguem detectar probabilidades de adoecimento, o que é positivo numa política sanitária preventiva. No entanto, deve-se ter prudência para não discriminar os eventuais portadores de doenças futuras. Para que os testes preditivos não sejam usados de modo discriminatório e abusivo, é preciso que se tenham mecanismos de controle social, como leis específicas.
Para mim, como para muitos bioeticistas, a questão mais problemática da clonagem é a sua utilização para melhorar a linhagem. Essa questão pode ter conseqüências nefastas, pois se poderia em tese querer criar uma linhagem de “super-homens”, com características muito diferentes daquelas dos demais humanos, supostamente mais adaptados a condições naturais adversas e mais performantes em termos de inteligência, força física, capacidade laboral, etc. Isso pode ser muito complicado de vários pontos de vista, uma vez que seria preciso, por exemplo, monitorar os eventuais “defeitos” implicados pelas mutações genéticas a longo prazo; evitar abusos de poder de uma “casta” sobre as demais (os “fortes” sobre os “fracos”, os “bonitos” sobre os “feios”, os “inteligentes” sobre os “burros”... ou vice-versa), etc. Para seres humanos, que têm longo ciclo de vida, seriam necessárias várias gerações para detectar, por exemplo, os aspectos negativos resultantes dessa mutação, monitorá-los e mantê-los sob controle. Portanto, isso implicaria numa espécie de “policiamento” de muito tempo, que pode implicar em formas tirânicas insuportáveis. Por outro lado, é importante refletir sobre o que significam a educação, a boa higiene, a prática de esportes e tantos outros conselhos que damos às pessoas e que, em alguns momentos, impomos a nossos filhos. Esses “conselhos” nada mais são do que uma forma de tentar melhorar o ser humano. Todos os sistemas educativos tentam, de alguma forma, melhorar o ser humano, inclusive tornando-o capaz de criar soluções criativas para antigos e novos desafios e de ser autônomo. Sem essa competência não haveria, aliás, nenhum progresso científico, nem teríamos chegado à discussão atual sobre a moralidade da clonagem! Comparativamente, hoje, vivemos melhor e temos maior expectativa de vida do que antigamente, o que não nos impede de querermos melhorar ainda, inclusive utilizando a clonagem. No entanto, devido aos problemas técnicos ainda sem respostas claras, a clonagem reprodutiva deve por enquanto ser encarada como uma possibilidade futura.
* * * * * * *
Notas
[1] Artigo publicado no jornal arte & política, ano V, número XV, de 26 de julho de 2002, pp. 4-5.
[2] PhD. Bioeticista, Pesquisador Associado da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz, ENSP/FIOCRUZ, e Consultor em bioética do Instituto Nacional do Câncer, INCA.
