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sexta-feira, 22 de maio de 2009

ONU aponta Brasil como um dos maiores devedores da organização

Nações Unidas, 21 mai (EFE).- A ONU informou hoje que o Brasil está entre as nove nações que mais devem à organização e que apenas 16 de seus 192 países-membros pagaram integralmente e dentro do prazo estabelecido as cotas referentes ao ano de 2009.

"O secretário-geral (da ONU, Ban Ki-moon) e todos nós estamos cientes da difícil situação econômica internacional que muitos países enfrentam, mas a saúde financeira desta organização depende de seus membros", disse a diretora do Departamento Administrativo da ONU, a alemã Angela Kane.

Segundo Kane, no que se refere ao orçamento regular das Nações Unidas, que é de US$ 4,171 bilhões para o biênio 2008-2009, 76 países pagaram sua cota dentro do prazo, que venceu em 7 de maio.

Entretanto, apenas 16 honraram todos os seus compromissos com a organização, que incluem ainda o financiamento de missões de paz e de tribunais internacionais.

Por conta do atraso no pagamento das cotas, a ONU trabalha atualmente com um rombo de US$ 1,5 bilhão em suas contas. E os maiores responsáveis por isso são Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Irã, Coreia do Sul, China, Noruega e México.

"Esta situação nos deixa com um panorama financeiro obscuro", disse a funcionária da ONU.

Com o orçamento regular, a organização cobre suas despesas gerais, como a manutenção de instalações e os salários do pessoal de seus quatro sedes, que ficam em Nova York, Genebra, Viena e Nairóbi.

Quanto ao financiamento das missões de paz, Kane disse "que a situação melhorou em relação ao ano passado". Porém, não apresentou números específicos. EFE

domingo, 18 de janeiro de 2009

Desculpas Tchecas pela provocação

A República Tcheca pediu desculpas e garantiu que as ideias expressas na exposição “Entropa” não correspondem ao pensamento oficial do seu Governo.

Esta quinta-feira, o vice-primeiro-ministro checo, Alexandr Vondra aproveitou a cerimomia oficial de inauguração para, formalmente, desagravar a questão:

“Isto não é o que o governo checo, actualmente na presidência da União Europeia pensa de cada um dos estados-membros. “Entropa” é um tipo de provocação. Eu compreendo que alguns se possam sentir ofendidos e eu gostaria de lhes pedir desculpa”.

O vice-chefe do governo, ao abandonar o atrio do Conselho Europeu, cruzou-se com o autor da exposição, David Cerny e teve o cuidado de não lhe dirigir palavra.

Cerny falou, mas Alexandr Vondra já não o ouviu:


“Eu sinceramente… nós sinceramente esperamos que isto seja visto como uma brincadeira, como uma peça de arte agradável, como uma instalação agradável, e nada mais. Eu não fiz isto para ter um grande sucesso. Falamos agora das partes mais polêmicas da escultura, mas eu pensei sempre na obra, no seu conjunto”, disse o autor.


Um Reino Unido desaparecido do conjunto europeu, uma França sempre em greve, uma Itália associada ao sexo e ao futebol, uma Polônia feita de padres e homossexuais, uma Espanha de cimento armado, ou um Portugal a braços com o seu passado colonial são algumas das visões de David Cerny que já lhe valeram estes momentos da glória.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Sarkozy e Brown defendem mudança no Conselho de Segurança da ONU

Por François Murphy

PARIS (Reuters) - O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse na sexta-feira que seu país e a Grã-Bretanha vão pressionar no próximo mês por uma reforma temporária do Conselho de Segurança.

Sarkozy disse que a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em fevereiro, deve estudar a questão.

O caso da reforma do órgão máximo de segurança mundial, cuja composição reflete em grande medida o equilíbrio de poder global logo após a 2o Guerra Mundial, está parado há muito tempo.
"Juntamente com o Reino Unido, a França vai pedir uma solução interina que, a meu ver, é a única capaz de desbloquear esta questão, que não apenas não vem avançando, mas vem retrocedendo", disse Sarkozy em discurso a diplomatas estrangeiros.

Atualmente o Conselho de Segurança tem cinco membros permanentes: Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia e China.

Sarkozy disse que os membros permanentes do conselho devem incluir um Estado africano, um latino-americano e a Índia, acrescentando que a participação da Alemanha e do Japão poderia ser discutida, e que uma reforma temporária possibilitaria que fossem testadas diferentes opções.

"Não me parece muito razoável que não haja um único país árabe que seja membro permanente deste organismo", disse Sarkozy, que teve um jantar reservado com o premiê britânico Gordon Brown em Paris na quarta-feira.

Sarkozy também reiterou seu chamado para que o Grupo dos Oito países industrializados (G8) seja ampliado para incluir países emergentes como China e Índia.

Num discurso que cobriu vários tópicos, Sarkozy falou de vários temas delicados, mas manteve um tom incomumente diplomático.

Ele disse que é do interesse do mundo regulamentar o preço de commodities, incluindo o petróleo, e que os países ricos devem trabalhar para garantir preços "aceitáveis" aos produtores.
"Aproveitemos o momento atual para estender uma mão aos países produtores de petróleo, enquanto o barril de Brent é vendido a 45 dólares, para lhes dizer que nós, países desenvolvidos, concordamos em discutir com eles, os países produtores, como lhes garantir um nível médio aceitável de preços do petróleo", disse Sarkozy.

Desde o pico do ano passado, quando estava a 147 dólares o barril, o preço do barril de óleo cru leve americano caiu para menos de um quarto desse valor.

Sarkozy também pediu que sejam repensadas as negociações comerciais globais da Organização Mundial do Comércio, que estão paradas mais uma vez, na espera da chegada da nova administração americana.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

ONGs pedem que Sarkozy mobilize a Europa para proteger civis na RDC

Paris, 25 nov (EFE).- Diversas ONGs solicitaram hoje ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, cujo país está na Presidência rotativa da União Européia (UE), uma urgente mobilização na Europa e na França para proteger a "população civil vítima do conflito na República Democrática do Congo (RDC)".


Em comunicado, a Federação Internacional de Direitos Humanos, a Human Rights Watch, a Anistia Internacional França, a Oxfam France e a Ação dos Cristãos pela Abolição da Tortura ressaltaram a necessidade de reforçar imediatamente a Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo (Monuc).


"O reforço da Monuc foi votado, mas levarão meses para que as tropas suplementares estejam mobilizadas no terreno de maneira efetiva", disseram as ONGs no comunicado, acrescentando que "garantir a proteção das populações civis implica em reforçar a presença militar".


As ONGs colocarão um cartaz na Esplanada dos Direitos Humanos, em Paris, com o lema: "O tempo está acabando para a população da República Democrática do Congo. O senhor Sarkozy tem que reagir já!".


Simultaneamente, membros da Anistia Internacional e da Oxfam Reino Unido se reunirão em frente ao escritório do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, para pedir a mesma mobilização. EFE

domingo, 26 de outubro de 2008

Pacto Grã-Bretanha - Jaish al-Mahdi



O pacto britânico com o Jaish al-Mahdi














Escapou essa semana a notícia de que as forças de ocupação britânicas no Iraque haviam feito um pacto secreto com a milícia xiita Jaish al-Mahdi, do clérigo Muqtada as-Sadr, símbolo da resistência xiita à ocupação estrangeira, que manteve os soldados britânicos fora da área de combate de Al-Basra nas batalhas de março desse ano. A novidade comprovou a força da milícia no Iraque, que havia expulsado os britânicos da província em setembro de 2007.
O exército do governo-fantoche iraquiano coordenou em março deste ano a sua maior ofensiva até então: o ataque a Al-Basra, a segunda maior cidade iraquiana. A operação tinha a intenção de
“expulsar todos os membros da milícia Jaish al-Mahdi”, como afirmou na ocasião o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, que visitou a região pessoalmente para avaliar a ofensiva. Oficiais britânicos descreveram a operação como “planejada, liderada e executada por forças iraquianas”, negando que as forças estrangeiras, britânicas ou estadunidenses, estivessem envolvidas.


Mas essa história foi desmentida recentemente. O jornal inglês The Times confirmou que, ao contrário do que os militares haviam declarado em março, o que manteve os soldados britânicos fora de combate em Al-Basra foi um acordo secreto com a milícia Jaish al-Mahdi. O resultado das batalhas foi a derrota das tropas iraquianas
não somente em Al-Basra, mas também em Bagdá, Kut, Amarah, Nasiriyah e Diwaniya, capitais de quatro importantes províncias no sul do país.


O Ministério da Defesa do Reino Unido rejeitou a acusação do The Times, afirmando que o único motivo pelo qual as forças britânicas se mantiveram distantes das batalhas de Al-Basra, território que supostamente controlavam, era para que a ofensiva do governofantoche
iraquiano fosse reconhecida pelo povo iraquiano como uma missão nacionalista, sem apoio estrangeiro. Mas não demorou muito até que fontes da inteligência militar britânica confirmassem para a rede de notícias BBC que as conversas com o Jaish al-Mahdi
aconteciam há alguns anos, tempos antes da ofensiva de Al-Basra, contradizendo o próprio ministério e colocando as forças britânicas sob suspeita.


Ali al-Salman, comandante do Jaish al-Mahdi na província de Al-Basra, conversou pessoalmente com a BBC e confirmou que atendeu a reuniões com “oficiais militares britânicos e contratantes
civis” entre os dias 8 e 10 de fevereiro, pouco antes da ofensiva.
Salman detalhou o acordo conseguido com os britânicos, e afirmou que “ambos pareceriam vencedores”. Segundo ele, 60 prisioneiros do Jaish al-Mahdi detidos pelos britânicos foram libertados e oficiais militares prometeram que soldados britânicos não iriam mais
patrulhar as ruas de Al-Basra, deixando a região sob controle da milícia. Em troca, o Jaish al-Mahdi, responsável por cerca de 20% das baixas invasoras no Iraque desde a invasão em 2003, havia concordado em não atacar posições britânicas. Ali al-Salman foi capaz de detalhar fatos do acordo secreto, e ainda culpou os britânicos por “não cumprirem com seu papel” por terem, nos últimos dias de batalha, apoiado as forças do governo-fantoche na
ofensiva.


Pensamos que, se saíssemos da região, removeríamos a fonte dos nossos problemas. Mas na realidade, o Jaish al-Mahdi tem nos combatido porque nós somos o único obstáculo para que eles
tenham o controle total de Al-Basra”, afirmou. A região, que conta com o principal porto do país e é rica na produção de petróleo, era a única parte do Iraque que se mantinha sob controle de forças britânicas. Após a retirada em setembro de 2007, o Jaish al-Mahdi assumiu o controle da região. Na ocasião, generais do governo fantoche criticaram o Reino Unido, afirmando que teriam deixado a milícia xiita reinar em Al-Basra.


O Ministério da Defesa do Reino Unido continua a negar que o suposto acordo tenha acontecido. Apesar da retirada britânica de Al-Basra no ano passado, mais de 4 mil soldados permaneceram
ativos na base instalada no aeroporto local. Segundo Tom Holloway, porta-voz dos militares britânicos, “pelo menos 1800 soldados estavam prontos para combate” durante a ofensiva de março. É interessante então que nenhum deles interveio a favor das
forças iraquianas quando os mesmos se mostravam derrotados
.

Apesar das recentes afirmações do governo estadunidense de que a maioria das batalhas no país acontece “entre iraquianos” – um fraco argumento para tirar a responsabilidade do caos no país dos ombros da ocupação – fontes do governo iraquiano confirmaram que aproximadamente 90% dos ataques em Al-Basra eram mesmo contra as forças britânicas. Ao que tudo indica, os britânicos secretamente negociaram com o Jaish al-Mahdi para poupar seus próprios homens de mais baixas, e abandonaram o caos de Al-Basra para o frágil governo pró-ocupação imposto pelos Estados Unidos.




Autores:
Humam al-Hamzah
Zaid Muhammad



Fonte: Jornal Oriente médio Vivo - edição 117 - 20 de outubro de 2008

sábado, 30 de agosto de 2008

Resenha: O AMERICANO TRANQÜILO

Em 1952 Saigon está em plena guerra, envolvida na luta pela libertação do local do domínio francês. É nesta época que chega Alden Pyle (Brendan Fraser), um americano idealista que é enviado para ajudar as forças locais. Lá, ele conhece Thomas Fowler (Michael Caine), um veterano correspondente do jornal London Times, que lhe apresenta Phuong (Do Thi Hai Yen), uma bela vietnamita com quem está envolvido. Logo, as intensões de Pyle com Phuong e com o próprio país ficam claras e percebemos que nem tudo é o que parece. Adaptado do livro de mesmo nome de Graham Greene.



Resenha de Filme: Gandhi

Mohandas Karamchand Gandhi, mais conhecido como "Mahatma" (grande alma) Gandhi, liderou mais de 250 milhões de hindus.

Mohandas Karamchand Gandhi nasceu no dia 2 de outubro de 1869 na Índia ocidental. Seu pai era um político local, e a mãe dele era uma Vaishnavite religiosa.

Como era costume em sua cultura nesta época, com a idade de 13 anos Mohandas foi casado através de um acordo entre as respectivas famílias com uma menina da mesma idade.

Formação na Inglaterra

Depois de um pouco de educação indistinta foi decidido que ele deveria ir para a Inglaterra para estudar Direito. Ele ganhou a permissão da mãe, prometendo se conter de vinho, mulheres e carne, mas ele desafiou os regulamentos de sua casta que proibiam a viagem para a Inglaterra. Cursou a faculdade de Direito em Londres. Procurando um restaurante vegetariano, havia descoberto na filosofia de Henry Salt um argumento para o vegetarianismo e se tornou convencido. Ele organizou um clube vegetariano e as pessoas se encontravam com teósofos e interesses altruísticos. Sua primeira leitura do Bhagavad-Gita estava em Edwin Arnold, a tradução poética: "A Canção Celestial". Esta escritura hindu e o Sermão da Montanha, se tornaram mais tarde as suas bíblias e guias de viagens espirituais. Ele memorizou o Gita em suas meditações diárias, logo após escovar os dentes e freqüentemente recitou seu sânscrito original em suas orações.

A vida na África do Sul

Gandhi em seu escritório de advocacia na África do Sul.Quando Gandhi voltou à Índia em 1891 a mãe dele houvera falecido, e ele não obteve êxito a exercer na Índia sua profissão legal como advogado devido sua timidez. Assim ele aproveitou a oportunidade de ir para África do Sul durante um ano, representando uma firma hindu em Natal durante um processo judicial naquela terra .

África do Sul, local notório para discriminação racial, deu para Gandhi os insultos que despertaram sua consciência social. Como advogado Gandhi fez o melhor para descobrir os fatos.

Depois de resolver um caso difícil, ele passou deste modo a ser "visto" e comentado. Segundo ele: "eu tive um aprendizado que me levou a descobrir o lado melhor da natureza humana e entrar nos corações dos homens. Eu percebi que a verdadeira função de um advogado era unir rivais de festas a parte".

Ele também teimou em receber a verdade dos clientes dele, e se ele descobrisse que eles tivessem mentido, ele derrubaria os casos de seus clientes. Acreditava que o dever do advogado era ajudar o tribunal a descobrir a verdade, não tentar provar o culpado inocente. Ao término do ano durante uma festa de adeus antes que ele fosse viajar para a Índia, Gandhi notou no jornal que uma lei estava sendo proposta e que privaria os hindus do voto.

Os amigos dele o insistiram: "fique e conduza a briga para os direitos de nossos compatriotas na África do Sul." Gandhi fundou em Natal o Congresso hindu em 1894, e seus esforços eram uma vigorosa advertência para a imprensa.

Gandhi e sua esposa Kasturba Gandhi em foto de 1902.Quando Gandhi retornou à África, após buscar a esposa e filhos na Índia em janeiro de 1897, os sul-africanos tentaram interromper suas atividades de maneiras sórdidas. Uma delas foi a tentativa de subornar e ameaçar o agropecuário Dada Abdulla Sheth; mas Dada Abdulla era cliente de Gandhi, e finalmente depois de um período de quarentena, Gandhi recebeu permissão para aterrissar. A turba de espera reconheceu Gandhi, e alguns brancos começaram a espancá-lo até que a esposa do Superintendente Policial veio ao salvamento dele. A turba ameaçou linchá-lo, mas Gandhi escapou usando um disfarce.

Gandhi com o "Indian Ambulance Corps" durante a "Segunda Guerra dos Boers" 1899-1900.Depois ele se recusou processar os que haviam lhe espancado, permanecendo firme ao principio de ego-restrição com respeito a uma pessoa infratora; além de que, tinha sido os líderes da comunidade e do governo de Natal que haviam causado o problema. Não obstante o acontecido Gandhi sentia o dever de apoiar o povo britânico durante a Guerra dos Boers, organizando e conduzindo um Corpo médico hindu para alimentar os feridos no campo de batalha. Quando trezentos hindus e oitocentos criados foram contratados, os brancos foram surpreendidos.

Gandhi acabou permanecendo vinte anos na África do Sul defendendo a minoria hindu, liderando a luta de seu povo pelos seus direitos. Ele experimentou o celibato durante trinta anos de sua vida, e em 1906 levou o juramento de Brahmacharya para o resto da vida dele.

Satyagraha, a força da verdade Caricatura de Gandhi representando o potencial explosivo junto à opinião pública mundial de sua desobediência civil contra o registro imposto pelo governo sul-africano.O primeiro uso de desobediência civil em massa ocorreu em setembro de 1906. O Governo de Transvaal quis registrar a população hindu inteira. Os hindus formaram uma massa que se encontrou no Teatro Imperial de Joanesburgo; eles estavam furiosos com a ordem humilhante, e alguns ameaçaram exercer uma resposta violenta a ordem injusta.

Porém, eles decidiram em grupo a se recusarem a obedecer as providências de inscrição; havia unanimidade completa, apenas alguns se registraram. Ainda, Gandhi sugeriu aos indianos que levassem um penhor em nome de Deus; embora eles fossem hindus e muçulmanos, todos acreditavam em um e no mesmo Deus. Gandhi decidiu chamar esta técnica de recusar submeter a injustiça de Satyagraha que quer dizer literalmente: "força da verdade" . Uma semana depois de desobediência, as mulheres Asiáticas foram dispensadas do registro. Quando o governo de Transvaal finalmente pôs em pratica o "Ato de Inscrição Asiático" em 1907, Gandhi e vários outros hindus foram presos.

A pena dele foi de só dois meses sem trabalho duro, dedicando-se durante esse período à leitura.

Durante a vida, Gandhi passaria um total de mais de seis anos como prisioneiro. Enquanto lendo em prisão Gandhi descobriu a "Desobediência Civil" de Thoreau e os trabalhos de Tolstoy. Logo ele começou a perceber cada vez mais as possibilidades infinitas do "amor universal".

O movimento de protesto para a conquista dos direitos indianos na África do Sul continuou crescendo; em um certo ponto foram presos 2.500 indianos dos 13,000 existentes na província, enquanto 6,000 tinham fugido de Transvaal.

Sendo civil aos oponentes durante a desobediência, Gandhi desenvolveu o uso de ahimsa que significa "sem dor" e normalmente é traduzido "não violência". Gandhi seguiu o Ódio de preceito "o pecado e não o pecador. Desde que nós vivemos espiritualmente, ferir ou atacar outra pessoa são atacar a si mesmo. Embora nós possamos atacar um sistema injusto, nós sempre temos que amar as pessoas envolvidas. Assim ahimsa é a base da procura para verdade".

Gandhi também foi atraído a vida agrícola simples. Ele começou duas comunidades rurais em Satyagrahis: "Phoenix Farm" e "Tolstoy Farm". Escreveu e editou o diário "Opinião indiana", para elucidar os princípios e a prática de Satyagraha. Três assuntos foram apontados: a indagação para direitos dos hindus na África do Sul; sobre a proibição de imigrantes Asiáticos; e por fim, sobre o invalidamento de todos casamentos não Cristãos.

Em novembro de 1913 Gandhi conduziu uma marcha com mais de duas mil pessoas. Gandhi foi preso e solto após pagar fiança. Logo após o prenderam novamente e o libertaram, e novamente foi preso depois de quatro dias de liberdade. Foi então condenado ao trabalho forçado durante três meses, mas as greves continuaram, envolvendo aproximadamente 50.000 operários e milhares de índianos foram escravizados na prisão.

Alguns missionários Cristãos doaram todo seu dinheiro para o movimento. Foram libertados Gandhi e outros líderes, e foi anunciada outra marcha. Porém, Gandhi recusou tirar proveito através de uma greve em uma estrada de ferro dos "brancos" (já que certa vez Mohandas
Gandhi havia sido expulso de um compartimento de primeira classe de um trem, ao se recusar a "ceder" o seu lugar à um branco e se mover para a terceira classe), sendo que Gandhi cancelou a marcha, apesar de estar "quebrando" o penhor de Sujeira (1908). "Perdão é o ornamento do valente", Gandhi explicou.

Finalmente através de negociação os assuntos estavam resolvidos. Todos os matrimônios independente da religião eram válidos; os impostos em atraso foram cancelados e inclusive os operários contratados; e foi concedida mais liberdade aos indianos.

Gandhi constatou o poder do método de Satyagraha e profetizou como poderia transformar a civilização moderna. "É uma força que, se ficasse universal, revolucionaria ideais sociais e anularia despotismos e o militarismo."

Enquanto isso a Índia ainda estava sofrendo debaixo de regra colonial britânica. Gandhi sugere que a Índia pode ganhar sua independência por meios não violentos e por via da ego-confianca. Ele rejeita a força bruta e sua opressão e declara que a força da alma ou amor e que se mantém a unidade das pessoas em paz e harmonia.

De volta a Índia em 1915, Gandhi passou a exercer o papel de conscientizador da sociedade hindu e muçulmana na luta pacífica pela independência indiana, baseada no uso da não violência. O uso da não violência baseava-se no uso da desobediência civil.

Gandhi estava pronto para morar nas ruas sujas com os intocáveis se necessário, mas um benfeitor anônimo doou bastante dinheiro que duraria um ano. Passa a ajudar os necessitados e as crianças carentes.

Em 1917 Gandhi ajudou as pessoas que trabalhavam em tecelagens, diante exploração injusta dos proprietários sobre esses trabalhadores. Ele foi detido, mas logo perceberam que o Mahatma era o único que poderia controlar as multidões.

Reformas foram ganhas novamente por meio da desobediência civil. Os trabalhadores têxteis de Ahmedabad também eram economicamente oprimidos. Gandhi sugeriu uma greve, e como os trabalhadores temiam as conseqüências dela, ele faz um jejum para encorajar que eles continuem a greve. Gandhi explicou que ele não jejuou para coagir o oponente, mas fortalecer ou reformar esses que o amaram. Ele não acreditou que jejuando resultaria em salários mais altos.

O primeiro desafio de Gandhi contra o governo britânico na Índia estava em resposta contra os poderes arbitrários do "Rowlatt Act" em 1919. A Índia tinha cooperado com a Inglaterra durante a guerra, no entanto estavam sendo reduzidas as liberdades civis.

Guiado por um sonho ou experiência interna Gandhi decidiu pedir um dia de greve geral. Porém, a filosofia de Mahatma não foi bem entendida pelas massas, e violências estouraram em vários lugares. O Mahatma se arrependeu declarando que tinha feito "um erro de cálculo", e ele cancelou a campanha.

Gandhi fundou e publicou dois semanários sem anúncios - a "Índia Jovem" em inglês e o "Navajivan" em Gujarati. Em 1920 Gandhi iniciou uma campanha de âmbito nacional de não cooperação com o governo britânico que para o camponês significou o não pagamento de impostos e nenhuma compra de bebida alcóolica, desde que o governo ganhou toda a renda de sua venda.

Gandhi realizou várias viagens ao longo de todo território hindu, com a função de conseguir a conscientização em massa de todas as pessoas, mostrando a necessidade da prática da desobediência civil e do uso da não violência. Durante finais dos anos 20, Gandhi escreve uma auto-biografia retratando suas experiências vividas. Ele é bastante sincero nesse livro, chegando ao ponto de se humilhar pelos erros cometidos, mostrando o esforço de os superar.

Apelo de Gandhi ao povo de Bombaim, publicado em 1919 no semanário "Índia Jovem" ("Young India").Em suas falas ele exibe através dos dedos da mão seu programa de cinco pontos:

igualdade;
nenhum uso de álcool ou droga;
unidade hindu-muçulmano;
amizade;
e igualdade para as mulheres.


Esses cinco pontos, os cinco dedos representando o sistema, estavam conectados ao pulso, simbolizando a não-violência. Finalmente em 1928, ele anunciou uma campanha de Satyagraha em Bardoli contra o aumento de 22% em impostos britânicos. As pessoas se recusaram a pagar os impostos, sendo repreendidas pelo governo britânico. No entanto os indianos continuavam não violentos. Finalmente, após vários meses, os britânicos cancelaram os aumentos, libertaram os prisioneiros, e devolveram as terras e propriedades confiscadas; e os camponeses voltaram a pagar seus tributos.

Ainda nesse ano, o congresso indiano quis a autonomia da Índia e considerou guerra aos ingleses para conseguir esse fim. Gandhi recusou a apoiar uma atitude como esta, porém declarou que se a Índia não se tornasse um Estado independente ao final de 1929, então ele exigiria sua independência.

A "Marcha do Sal"

Por conseguinte em 1930, Mahatma Gandhi informou ao vice-rei, de que a desobediência civil em massa iniciaria no dia 11 de março. "Minha ambição é nada menos que converter as pessoas britânicas à não violência, e assim lhe faz ver o mal que fizeram para a Índia. Eu não busco danificar as pessoas.". Gandhi decidiu desobedecer as "Leis do Sal" que proibiram os hindus de fazer seu próprio sal; este monopólio britânico golpeou especialmente aos pobres. Começando com setenta e oito participantes, Gandhi iniciou uma marcha de 200 milhas para o mar que duraria mais de vinte e quatro dias. Milhares tinham se juntado no começo, e vários milhares uniram-se durante a marcha. Primeiro Gandhi e, então outros juntaram um pouco de água salgada na beira-mar em panelas, deixando ao sol para secar. Em Bombaim o Congresso teve panelas no telhado; 60.000 pessoas juntaram-se ao movimento, e foram presas centenas delas.

Em Karachi onde 50.000 assistiram o sal sendo feito, a multidão era tão espessa que impedia a polícia de efetuar alguma apreensão. As prisões estavam lotadas com pelo menos 60,000 ofensores. Incrivelmente lá "não havia praticamente nenhuma violência por parte da população; as pessoas não queriam que Gandhi cancelasse o movimento.

A "Marcha do Sal" em 1930.

Gandhi foi preso antes de que pudesse invadir os "Trabalhos Dharasana Sal", mas o amigo dele Sr. Sarojini Naidu conduziu 2.500 voluntários e os advertiu a não resistir às interferências da polícia. De acordo com uma testemunha ocular, o repórter Miller de Webb, eles continuaram marchando até serem detidos abaixo do aco-shod lathis, por quatrocentos policiais, mas eles não tentaram lutar.

Tagore declarou que a Europa tinha perdido a moral e o prestígio na Ásia. Logo, mais de 100.000 hindus estavam na prisão, incluindo quase todos líderes.

Gandhi foi chamado à uma reunião com o Vice-rei Irwin em 1931, e eles firmaram um acordo em março. A Desobediência civil foi cancelada; foram libertados os prisioneiros; a fabricação de sal foi permitida na costa; e os líderes do Congresso assistiriam à próxima Conferência de Mesa Redonda em Londres. Para participar desta conferência, Gandhi viajou novamente a Londres, onde conheceu Charlie Chaplin, George Bernard Shaw, e Maria Montessori, entre outros. Em transmissão de rádio para os Estados Unidos, ele falou que a força não violenta é um modo mais consistente, humano e digno. Discutindo relações com os britânicos, ele disse que ele não quis somente a independência, mas também a interdependência voluntária baseada no amor.

Chaplin e Gandhi. Enquanto, preso em 1932, Gandhi entrou em um jejum em nome dos Harijans porque a eles tinha sido determinado um eleitorado separado. Poderia ser um jejum até morte, a menos que ele pudesse despertar a consciência hindu. O assunto estava resolvido, e até mesmo templos hindus intocáveis eram abertos pela primeira vez. No próximo ano, Gandhi fez um jejum de vinte e um dias para purificação, e os funcionários britânicos, amedrontados de que ele pudesse morrer, colocaram-no na prisão. Gandhi anunciou que não se ocuparia da desobediência civil até que sua oração fosse completada.

Mesmo com a Segunda Guerra Mundial se aproximando, Gandhi havia confirmado seus princípios pacifistas. Ele mostrou como a Abissínia (Etiópia) poderia ter usado a não violência contra Mussolini, e ele recomendou isto para os Tchecos e para os chineses. "Se é valente, como é, para morrer a um homem que luta contra preconceitos, é ainda bravo para recusar briga e ainda recusar se render ao usurpador"

Gandhi oferecendo 15 minutos de massagem diária a um leproso no "Sevagram Ashram" em 1940.Já em 1938 ele exortou os judeus para defender os direitos deles e se necessário morrer como mártires. "Um manhunt degradante pode ser transformado em um posto tranqüilo e determinado, oferecendo aos homens e mulheres desarmados, a força dada a eles por Jehovah." Mahatma recomenda o uso de Métodos não violentos aos britânicos para combater Hitler; já que não podia dar seu apoio a qualquer tipo de guerra ou matança.

O Congresso prometeu a Gandhi que ele ficaria fora da prisão, mas outros 23.223 indianos foram presos, inclusive Vinoba Bhave, Jawaharlal Nehru, e Patel. Em 1942, Gandhi sugeriu modos para resistir não violentamente aos japoneses. Ele propôs uma atração às pessoas japonesas, a causa da "federação mundial da fraternidade sem a qual não poderia haver nenhuma esperança para a humanidade".

Porém, Gandhi continuou exercendo uma revolução não violenta para a Índia, e em 1942 ele e outros lideres foram presos. Ele decidiu jejuar novamente, sendo que apenas ele sobreviveu. Quando a guerra terminou, ele afirmou da necessidade de "uma paz real baseada na liberdade e igualdade de todas as raças e nações". Nos últimos anos de sua vida, se tornou mais do que um socialista. Ele havia dito, "Violência é criada por desigualdade, a não violência pela igualdade".

Ele foi a uma peregrinação para Noakhali para ajudar aos pobres. Independência para a Índia era agora iminente, mas Jinnah o Líder muçulmano estava exigindo a criação de um estado separado: o Paquistão. Gandhi prega para unidade e tolerância, até mesmo lendo às reuniões um Alcorão de orações.

Os hindus o atacaram porque pensaram que ele era a favor dos muçulmanos, e os muçulmanos exigindo dele a criação do Paquistão. Gandhi foi para Calcutá para acalmar a discussão e a violência entre hindus e muçulmanos. Mais uma vez ele jejuou até que os lideres da comunidade assinaram um acordo para manter a paz. Antes de que eles assinassem, ele os advertiu de que se rebelassem ele jejuaria até a morte. Gandhi também, em janeiro de 1948 fez muito para acalmar os conflitos entre hindus e muçulmanos, permitindo a divisão da Índia em dois países.

O movimento pela independência indiana Caricatura de Gandhi sendo preso por Lord Willingdon, do início da década de 1930. O desenho representa a compreensão de que colocá-lo tantas vezes na prisão terminou por ser uma forma de multiplicar seus ensinamentos.Após a guerra, Gandhi se envolveu com o Congresso Nacional Indiano e com o movimento pela independência. Ganhou notoriedade internacional pela sua política de desobediência civil e pelo uso do jejum como forma de protesto.

Por esses motivos sua prisão foi decretada diversas vezes pelas autoridades inglesas, prisões às quais sempre se seguiram protestos pela sua libertação (por exemplo, em 18 de março de 1922, quando foi sentenciado a seis anos de prisão por desobediência civil, mas cumpriu apenas dois anos).

Outra estratégia eficiente de Gandhi pela independência foi a política do swadeshi - o boicote a todos os produtos importados, especialmente os produzidos na Inglaterra. Aliada a esta estratégia estava sua proposta de que todos os indianos deveriam vestir o khadi - vestimentas caseiras - ao invés de comprar os produtos têxteis britânicos.

Gandhi declarava que toda mulher indiana, rica ou pobre, deveria gastar parte do seu dia fabricando o khadi em apoio ao movimento de independência. Esta era uma estratégia para incluir as mulheres no movimento, em um período em que pensava-se que tais atividades não eram apropriadas às mulheres.

Sua posição pró-independência endureceu após o Massacre de Amritsar em 1920, quando soldados britânicos abriram fogo matando centenas de indianos que protestavam pacificamente contra medidas autoritárias do governo britânico e contra a prisão de líderes nacionalistas indianos.

Uma de suas mais eficientes ações foi a marcha do sal, conhecida como Marcha Dândi, que começou em 12 de março de 1930 e terminou em 5 de abril, quando Gandhi levou milhares de pessoas ao mar a fim de coletarem seu próprio sal ao invés de pagar a taxa prevista sobre o sal comprado.

Em 8 de Maio de 1933, Gandhi começou um jejum que duraria 21 dias em protesto à opressão Britânica contra a Índia. Em Bombaim, no dia 3 de março de 1939, Gandhi jejuou novamente em protesto às regras autoritárias e autocráticas para a Índia.

Segunda Guerra Mundial Mahadev Desai lendo para Gandhi uma carta do vice-rei, em Birla House, Mumbai, em 1939.Gandhi passou cada vez mais a pregar a independência durante a II Guerra Mundial, através de uma campanha clamando pela saída dos britânicos da Índia (Quit Índia, literalmente Saiam da Índia), que em pouco tempo se tornou o maior movimento pela independência indiana, ocasionando prisões em massa e violência em uma escala inédita.

Gandhi e seus partidários deixaram claro que não apoiariam a causa britânica na guerra a não ser que fosse garantida à Índia independência imediata.

Durante este tempo, ele até mesmo cogitou um fim do seu apelo à não-violência, de outra forma um princípio intocável, alegando que a "anarquia ordenada" ao redor dele era "pior do que a anarquia real". Foi então preso em Bombaim pelas forças britânicas em 9 de agosto de 1942 e mantido em cárcere por dois anos.

A divisão da Índia entre hindus e muçulmanos

Gandhi teve grande influência entre as comunidades hindu e muçulmana da Índia. Costuma-se dizer que ele terminava rixas comunais apenas com sua presença. Gandhi posicionou-se veementemente contra qualquer plano que dividisse a Índia em dois estados, o que efetivamente aconteceu, criando a Índia - predominantemente hindu - e o Paquistão - predominantemente muçulmano.

No dia da transferência de poder, Gandhi não celebrou a independência com o restante da Índia, mas ao contrário, lamentou sozinho a partilha do país em Calcutá.

Gandhi havia iniciado um jejum no dia 13 de janeiro de 1948 em protesto contra as violênicas cometidas por indianos e paquistaneses. No dia 20 daquele mês, ele sofreu um atentado: uma bomba foi lançada em sua direção, mas ninguém ficou ferido.

Entretanto, no dia 30 de janeiro de 1948, Gandhi foi assassinado a tiros, em Nova Déli, por Nathuram Godse, um hindu radical que responsabilizava Gandhi pelo enfraquecimento do novo governo ao insistir no pagamento de certas dívidas ao Paquistão. Godse foi depois julgado, condenado e enforcado, a despeito de que o último pedido de Gandhi ter sido justamente a não-punição de seu assassino.

O corpo do Mahatma foi cremado e suas cinzas foram jogadas no rio Ganges.
É significativo sobre a longa busca de Gandhi por seu deus o fato de suas últimas palavras serem um mantra popular na concepção hindu de um deus conhecido como Rama: "Hai Ram!" Este mantra é visto como um sinal de inspiração tanto para o espírito quanto para o idealismo político, relacionado a uma possibilidade de paz na unificação.

Princípios Mahatma Gandhi, continuou a transmitir seus ensinamentos de manifestação não-violenta até seus últimos anos de vida.A filosofia de Gandhi e suas idéias sobre o satya e o ahimsa foram influenciadas pelo Bhagavad Gita e por crenças hindus e da religião jainista. O conceito de 'não-violência' (ahimsa) permaneceu por muito tempo no pensamento religioso da Índia e pode ser encontrado em diversas passagens do textos hindus, budistas e jainistas. Gandhi explica sua filosofia como um modo de vida em sua autobiografia A História de meus Experimentos com a Verdade (As Minhas Experiências com a Verdade, em Portugal) - (The Story of my Experiments with Truth).


Estritamente vegetariano, escreveu livros sobre o vegetarianismo enquanto estudava direito em Londres (aonde encontrou um entusiasta do vegetarianismo, Henry Salt, nos encontros da chamada Sociedade Vegetariana). Ser vegetariano fazia parte das tradições hindus e jainistas. A maioria dos hindus no estado de Gujarat eram-no, efetivamente. Gandhi experimentou diversos tipos de alimentação e concluiu que uma dieta deve ser suficiente apenas para satisfazer as necessidades do corpo humano. Jejuava muito, e usava o jejum frequentemente como estratégia política.

Gandhi renunciou ao sexo quando tinha 36 anos de idade e ainda era casado, uma decisão que foi profundamente influenciada pela crença hindu do brachmacharya, ou pureza espiritual e prática, largamente associada ao celibato. Também passava um dia da semana em silêncio. Abster-se de falar, segundo acreditava, lhe trazia paz interior. A mudez tinha origens nas crenças do mouna e do shanti. Nesses dias ele se comunicava com os outros apenas escrevendo.

O título de Mahatma atribuído a Gandhi representa um reconhecimento de seu papel como líder espiritual.Depois de retornar à Índia de sua bem-sucedida carreira de advogado na África do Sul, ele deixou de usar as roupas que representavam riqueza e sucesso. Passou a usar um tipo de roupa que costumava ser usada pelos mais pobres entre os indianos. Promovia o uso de roupas feitas em casas (khadi). Gandhi e seus seguidores fabricavam artesanalmente os tecidos da própria roupa e usavam esses tecidos em suas vestes; também incentivava os outros a fazer isso, o que representava uma ameaça ao negócio britânico - apesar dos indianos estarem desempregados, em grande parte pela decadência da indústria têxtil, eles eram forçados a comprar roupas feitas em indústrias inglesas. Se os indianos fizessem suas próprias roupas, isso arruinaria a indústria têxtil britânica, ao invés de fortalecê-la.

O tear manual, símbolo desse ato de afirmação, viria a ser incorporado à bandeira do Congresso Nacional Indiano e à própria bandeira indiana.

Também era contra o sistema convencional de educação em escolas, preferindo acreditar que as crianças aprenderiam mais com seus pais e com a sociedade. Na África do Sul, Gandhi e outros homens mais velhos formaram um grupo de professores que lecionava diretamente e livremente às crianças.

Dentro do ideal de paz e não-violência que ele defendia, uma de suas frases foi: "Não existe um caminho para paz! A paz é o caminho!".