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sábado, 11 de abril de 2009

Cinquenta blogueiros acompanharão cúpula do G20 ao vivo

Cinquenta blogueiros de várias partes do mundo vão acompanhar ao vivo a cúpula do G20 - grupo dos países ricos e principais emergentes - no próximo dia 2, em Londres. Eles receberam credenciais em virtude de um acordo entre o governo do Reino Unido e uma coalizão internacional de ONGs intitulada G20Voice.

Em comunicado, a ONG Oxfam (que faz parte do G20Voice) informou que este é um fato "sem precedentes" e que "dará aos blogueiros e a seu público a possibilidade de se comunicar e de influir nos líderes mundiais em temas como o desenvolvimento, a mudança climática e os direitos das mulheres". Segundo a Oxfam, cerca de 700 blogueiros foram escolhidos pelos leitores para fazer o acompanhamento da cúpula, dos quais 50 foram escolhidos para representar de forma equilibrada diferentes regiões do mundo.

A América Latina será representada pela mexicana Jessica Uribe, blogueira que escreve no site vivirmexico.com. O brasileiro Rodrigo Alvares, do blog A Nova Corja também está entre os selecionados.

Por meio da g20voice.org, os blogueiros credenciados poderão ser contatados por milhares de internautas, com os quais farão debates ao vivo.

O comunicado garante que, no dia da cúpula, os blogueiros terão acesso às coletivas de imprensa oferecidas pelos dirigentes do G20 e seus assessores, os quais também foram convidados a compartilhar na web o desenvolvimento das discussões. Além da Oxfam, integram o G20Voice as ONGs Comic Relief, Save the Children, ONE e Blue State Digital.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Substituição de ONGs expulsas do Sudão pode durar anos, diz ONU

Nações Unidas, 24 mar (EFE).- O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, disse hoje que a substituição das ONG expulsas de Darfur pelo Governo do Sudão pode demorar entre um ou dois anos, devido à grave situação humanitária da região.



Holmes baseou sua informação em um relatório elaborado junto ao Governo do Sudão sobre as consequências das expulsões para essa região sudanesa.



"Acho que vai demorar entre um ou dois anos para voltar aos níveis de (atividade humanitária) que havia antes", assegurou o diplomata britânico em entrevista coletiva.



Cartum anulou as permissões de 13 ONGs internacionais e três locais, depois de o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitir, no dia 4 de março, uma ordem de detenção contra o presidente do Sudão, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, por sua suposta implicação em crimes de guerra e de lesa-humanidade em Darfur.



Entre as entidades expulsas estão a Save the Children (seções de Reino Unido e EUA), a Médicos Sem Fronteiras (seções de França e Holanda) e a Oxfam.



As 16 ONGs afetadas contavam com 201 voluntários internacionais e outros 3.142 funcionários locais.



O relatório elaborado entre 11 e 18 de março assinala que a ausência destas organizações causou a aparição de grandes lacunas na entrega de ajuda humanitária aos 4,7 milhões que dependem de ajuda para sobreviver em Darfur

Entenda os protestos marcados para o G20

Diversas organizações planejam realizar protestos nesta semana, às vésperas do encontro de líderes do G20, grupo formado pelas nações mais ricas e as principais economias emergentes do mundo.

A reunião está marcada para quinta-feira, em Londres. No sábado passado, uma marcha batizada de Put People First (Coloquem as Pessoas em Primeiro Lugar, em tradução livre) reuniu dezenas de milhares de pessoas no centro da capital britânica e marcou o início do que promete ser uma temporada de manifestações.

Veja abaixo os principais protestos programados, os grupos envolvidos na organização e o que eles querem dos líderes mundiais.

PUT PEOPLE FIRST (Coloquem as Pessoas em Primeiro Lugar, em tradução livre) - As principais reivindicações desse movimento são governança democrática da economia global, empregos decentes e serviços públicos para todos, o fim da pobreza global e da desigualdade e o estabelecimento de uma economia verde. Seu principal protesto foi uma marcha realizada no sábado.

ActionAid: "Os líderes do G20 que se reunirão em Londres têm uma oportunidade única de criar um sistema novo, mais justo, que coloque as pessoas em primeiro lugar. Uma maneira de começar é reformar os paraísos fiscais."

"Nós queremos que o G20 acabe com o véu de sigilo que permite que as empresas soneguem impostos. Isso permitiria que os países em desenvolvimento reivindicassem o dinheiro a que têm direito e usassem esse dinheiro para construir hospitais, cavar poços e empregar professores."

TUC (Trades Union Congress, a central sindical britânica): "Nós precisamos de um novo começo por parte de Barack Obama, Gordon Brown e os outros líderes mundiais que virão a Londres para o encontro do G20."

"Eles precisam reconhecer os erros do passado mas, mais importante do que isso, construir um futuro diferente, que combata a recessão ao fazer do mundo um lugar mais justo e mais verde."

Save the Children: "O encontro do G20 deve fazer mais do que resgatar o sistema bancário. Precisa estar também preocupado em proteger os mais pobres das graves consequências de uma crise econômica e financeira que não foi criada por eles."

"Em primeiro lugar, um pacote de estímulo econômico global deve oferecer algo muito tangível aos países mais pobres do mundo, principalmente recursos adicionais para lidar com os efeitos da crise econômica. Em segundo lugar, as propostas de reformas na governança econômica global devem incluir mais voz para os países mais pobres do mundo. Em terceiro lugar, precisa haver um novo foco em ajudar as comunidades mais pobres."

Stop Climate Chaos Coalition: "Os líderes mundiais devem aproveitar a oportunidade de combater as mudanças climáticas e a crise econômica conjuntamente."

"Somente investindo em empregos verdes e economias com baixa emissão de carbono será possível assegurar um modo de vida sustentável para as gerações futuras."

Plan: "Enquanto as pessoas estão sentindo o problema aqui na Grã-Bretanha, são os mais pobres entre os mais pobres do mundo em desenvolvimento que enfrentam as piores dificuldades, até mesmo a morte."

"Crianças e jovens representam metade da população no mundo em desenvolvimento, mas apesar disso suas vozes são raramente ouvidas. Nós acreditamos que é vital que os líderes mundiais presentes neste encontro do G20 em Londres ouçam o que os jovens têm a dizer."

Salvation Army (Exército de Salvação): "O culto religioso e a manifestação em Londres são uma oportunidade perfeita de pedir aos membros do G20 que levem em consideração o bem-estar das pessoas mais vulneráveis do mundo."

"O Exército de Salvação é um movimento internacional, parte da Igreja cristã universal, comprometido com as necessidades humanas e com o trabalho pela justiça social, sem discriminação. É um privilégio nos unirmos às vozes de tantos outros para pedir ações contra a pobreza e as mudanças climáticas."

WWF: "Nós acreditamos que a resposta dos líderes do G20 à crise econômica precisa nos levar adiante, para um novo sistema econômico e que um retorno à ideia de que tudo continuará normalmente apesar dos contratempos simplesmente não é mais uma opção."

"Medidas para reformar a economia global para alcançar segurança econômica só serão bem-sucedidas se tiverem sustentabilidade ambiental e igualdade em sua essência."

YES WE CAN (Sim, Nós Podemos, em tradução livre), coalizão com protesto marcado para a tarde de 1° de abril, quarta-feira, no centro de Londres

CND (Campaign for Nuclear Disarmament, ou Campanha para o Desarmamento Nuclear): "Nós queremos enviar ao líderes do G20 uma mensagem clara sobre guerra e paz. Eles não conseguirão combater a crise econômica corretamente sem abordar as causas fundamentais da instabilidade entre as nações - por exemplo, a desconfiança entre Estados Unidos e Rússia sobre a expansão da Otan e o sistema de defesa anti-mísseis, que impede a cooperação em outras áreas."

"Nós queremos especialmente dar as boas-vindas ao presidente Obama e dizer que a agenda de paz, e não de guerra, de trabalhar em direção a um mundo livre de armas nucleares e de criar empregos, não bombas, é uma agenda popular na maior parte do mundo."

Stop the War Coalition: "Esta é a nossa primeira oportunidade de pedir uma mudança em relação às políticas de guerra do governo Bush."

"Nossa mensagem será: Sim, Nós Podemos... encerrar o cerco a Gaza e libertar a Palestina, retirar as tropas do Iraque e do Afeganistão, criar empregos, e não bombas, abolir as armas nucleares e parar de armar Israel."

British Muslim Initiative: "Enquanto o mundo vê com horror centenas de bilhões de libras sendo despejadas para resgatar estabelecimentos financeiros fajutos e cobrir bônus milionários para seus executivos, pouca menção é feita às centenas de bilhões de libras que continuam a ser despejadas na máquina de guerra global, que tira milhares de vidas a cada dia."

"A menos que a ocupação, em todas as suas formas, seja vista como uma manifestação repugnante da ambição humana e desejo de subjugar... e a menos que cuidemos para que a pobreza, a doença, o analfabetismo e a injustiça social sejam combatidos corretamente e de maneira responsável, nós jamais seremos capazes de solucionar a crise na qual o mundo está mergulhado pelo fracasso de suas principais políticas econômicas e instituições."

CLIMATE CAMP

"Nós temos como alvo a mais séria tentativa no curto prazo por parte de líderes mundiais de colocar a ideologia econômica à frente da realidade física, o uso de complexos mercados de carbono para tentar solucionar as mudanças climáticas."

"Além disso, este ano verá um novo acordo global para limitar as emissões o qual, sem grande polêmica, será um desastre ao estilo europeu e baseado no mercado."

"Colocar a sociedade em um novo rumo vai exigir um movimento social de escala global para mudar as ideias econômicas dominantes e implementar soluções que funcionem e ao mesmo tempo sejam socialmente justas. O dia 1º de abril (data do encontro do G20) será mais um passo importante nesta direção."

G20 MELTDOWN - Os principais objetivos desse movimento são tirar os banqueiros do poder, livrar o mundo de políticos corruptos, garantir emprego, moradia e um futuro para todos, tornar as pessoas patriotas pelo planeta, e não por países, acabar com o caos climático e fazer com que o capitalismo vire história. A coalizão planeja um protesto para o meio-dia na quarta-feira na City, o centro financeiro da capital britânica.

"Nós pedimos aos ministros do G20 que confessem seus erros e admitam que seu domínio global - o domínio do capitalismo financeiro - é o problema, não a solução para a atual crise econômica, ecológica e política."

"Enquanto neste momento há 2 milhões de desempregados somente na Grã-Bretanha, os ministros do G20 ainda resistem em nacionalizar os bancos e continuam a despejar trilhões no buraco sem fundo das dívidas podres dos banqueiros."

"Esses ministros devem dar lugar a governos pelo povo, para o povo e do povo ao redor do planeta."

"Sejamos patriotas pelo único país que temos: o Planeta Terra. Somente assim poderemos responder adequadamente à mensagem dos cientistas do clima sobre o perigo para a nossa biosfera, investindo em vida para nossos netos, não em morte e em guerras por petróleo."

domingo, 19 de outubro de 2008

Crianças de favelas do Rio têm risco dez vezes maior de morrer, diz Save the Children

Crianças de favelas do Rio têm risco dez vezes maior de morrer, diz ONG
Favela da Rocinha
Crianças de favelas são mais vulneráveis a doenças, diz relatório
Crianças moradoras de favelas do Rio de Janeiro têm dez vezes mais chances de morrer antes dos cinco anos do que as que moram em outras áreas da cidade, segundo um relatório divulgado nesta terça-feira pela organização Save The Children.

De acordo com o estudo State of the World's Mother ("Situação das mães no mundo", em tradução livre), crianças brasileiras que moram nas favelas têm pouco acesso aos tratamentos de saúde.

"Altos níveis de concentração populacional em áreas urbanas tornam as crianças pobres vulneráveis a doenças contagiosas, como diarréia, problemas respiratórios e meningite", afirma o relatório.

Ainda segundo a organização, que avaliou a situação de crianças com até cinco anos em 55 países em desenvolvimento, as crianças mais pobres do Brasil têm três vezes mais chances de morrer do que as oriundas de famílias com melhores condições financeiras.

Outros 11 países estão na mesma situação: Azerbaijão, Bolívia, Camboja, Egito, Índia, Indonésia, Marrocos, Nigéria, África do Sul e Filipinas.

Sistemas de saúde

O Brasil ainda ocupa a sexta posição em um ranking que lista os dez países com maior número de crianças que não contam com tratamentos de saúde adequados.

Com base em dados de 2006, a organização aponta que a população brasileira de crianças com menos de cinco anos contabilizava cerca de 18 milhões, das quais 7,9 milhões (44%) não tinham acesso aos sistemas de saúde.

No topo da lista está a Índia, com 67 milhões de crianças sem os tratamentos médicos necessários, seguida pela Nigéria (16 milhões) e Bangladesh (62 milhões).

Ainda de acordo com as conclusões do estudo, 200 milhões de crianças em todo mundo não contam com acesso a tratamentos básicos de saúde.

Segundo a organização, os 55 países analisados contabilizam 60% da população mundial com menos de cinco anos e respondem por 83% das mortes de crianças.

A Save the Children define tratamentos de saúde como um pacote de medidas que incluem pré-natal, cuidados especiais na hora do parto, imunização e tratamentos para diarréia e pneumonia.

"A chance de uma criança comemorar seu quinto aniversário não deveria depender do país ou da comunidade onde ela nasce", disse Charles MacCormack, presidente da Save the Children.