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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Os Estados Unidos e os Subsídios Agrícolas

Pio Penna Filho*

A Organização Mundial do Comércio (OMC) deu ganho de causa ao Brasil numa disputa comercial com os Estados Unidos, autorizando que o país exerça o direito a retaliação comercial, a título de medidas compensatórias. O montante chega a 830 milhões de dólares e pode ser aplicado na forma de aumento de impostos de importação sobre uma série de produtos norte-americanos. Tal decisão da OMC e, principalmente, a atitude do governo brasileiro de colocar em prática a retaliação, chamou a atenção de diversos analistas internacionais.

A atitude brasileira, todavia, não é vista de forma positiva por vários analistas. Alguns discordam da decisão de retaliar, chamando a atenção para o risco potencial de que ela possa desencadear uma “guerra comercial” com os Estados Unidos, o que traria grandes prejuízos à economia brasileira. Noutro caminho, existem aqueles que acham mais do que justo que a retaliação seja aplicada, uma vez que quem está desrespeitando as regras liberais da economia mundial são os Estados Unidos, e não o Brasil.

No centro da discórdia entre os dois países está a usual prática norte-americana (e também européia) de utilização em larga escala da política de subsídios agrícolas, prática que afeta enormemente a economia dos países menos desenvolvidos e que tem na agricultura um dos pilares de suas economias nacionais. Nesse sentido, não é só o Brasil que se sente prejudicado pelos subsídios agrícolas. Há uma vasta legião de descontentes que, infelizmente, ainda não tiveram força suficiente para reverter essa tendência num espectro mais amplo.

É curioso, na verdade até mesmo contraditório, que os países mais ricos do mundo são aqueles que mais subsídios destinam ao setor agrícola. A contradição está no fato de pregarem a liberalização econômica global ao mesmo tempo em que estimulam a defesa do setor menos produtivo de suas economias, que no caso é o agrícola. Esses países, dentre eles os Estados Unidos, gastam bilhões de dólares anualmente para manter a competitividade de sua produção agrícola, que de outra forma não suportaria a concorrência internacional.

O caso em questão está vinculado à produção do algodão. Os norte-americanos foram acusados pelo Brasil de dificultarem e prejudicarem as exportações brasileiras ao manterem seus preços competitivos de maneira artificial.

O setor algodoeiro é seleto, uma vez que a maior parte da produção mundial está concentrada em apenas 7 países. Juntos, China, Estados Unidos, Índia, Paquistão, Uzbequistão, Brasil e Turquia respondem por cerca de 80% da produção mundial. Outros países, por sua vez, dependem muito da receita do algodão na formação do seu produto interno bruto, como é o caso de Burkina Faso, Chade, Mali e Benin na África, apenas para citarmos alguns mais pobres e que são muito prejudicados no comércio mundial por causa dos subsídios dos ricos.

No caso do Brasil é evidente a participação de Mato Grosso como grande Estado produtor de algodão. Certamente, o Estado pode sair beneficiado a longo prazo, uma vez que um dos objetivos da reivindicação brasileira junto a OMC é conseguir manter uma pressão sobre os países ricos para que mudem suas legislações nacionais e as tornem adequadas ao mundo liberal que tanto prezam.

sábado, 15 de maio de 2010

Os subsídios agrícolas, o Big Mac e a salada – Cristine Martin

Por Cristine Martin, 13 de março de 2010 2:37

Um interessante artigo do site AlterNet levanta uma questão no mínimo preocupante: nos EUA, é mais barato comer um hambúrguer do que uma salada devido aos grandes subsídios oferecidos pelo governo norte-americano aos produtores de carnes e laticínios. O gráfico abaixo mostra que esses produtos recebem 73,80% dos subsídios governamentais, enquanto cereais recebem 13,23% e frutas e vegetais, apenas 0,37%.

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Ao comparar as duas pirâmides do gráfico, vemos que a dieta saudável e ideal deveria ser composta de cereais, vegetais e frutas, e que os produtos proteicos, geralmente de origem animal, deveriam responder por uma pequena parte da dieta.

Entretanto, devido à disparidade de preços, famílias americanas com poucos recursos ingerem mais fast-food que deveriam, simplesmente porque esses alimentos são mais baratos e de fácil acesso que frutas e vegetais. Infelizmente, a diferença será gasta mais adiante, em médicos e remédios.

A procura por alimentos orgânicos e locais ainda está limitada aos que têm condições financeiras para buscar uma alimentação mais saudável; a população menos informada e com menos recursos (e tempo para cozinhar em casa) acaba ingerindo uma dieta rica em proteínas, gordura e carboidratos simples, que somados à falta de atividade física, levam aos altos índices de obesidade que afetam especialmente os menos favorecidos.

Na raiz desse problema está a legislação "Farm bill", que fornece bilhões de dólares em subsídios, cuja maior parte vai para grandes agronegócios que produzem milho, soja, trigo, algodão e arroz; os dois primeiros são usados na alimentação do gado. No final, esses subsídios "agrícolas" vão mesmo para a produção de carne.

Por outro lado, agricultores que produzem frutas e vegetais recebem menos de 1 por cento da ajuda do governo. O subsídio incluído na Farm Bill foi criado como um programa temporário em 1996, mas foi mantido pelas farm bills de 2002 e 2008.

O artigo também alerta que desde 1978 o preço dos refrigerantes caiu 33 por cento enquanto o preço das laranjas subiu 40 por cento. Não foram só esses números que mudaram desde a década de 70: o peso médio de um jovem de 18 anos hoje é 7 kg maior que o de um jovem de 18 anos no fim dos anos 70. O peso médio de uma mulher de 60 anos hoje é 9 kg maior que o de uma mulher de 60 anos no fim dos anos 70. O peso médio de um homem hoje tem 11 kg a mais. Os americanos estão ficando mais gordos e menos saudáveis.

Mas os grandes produtores de alimentos não são os únicos beneficiados pela política de subsídios governamentais norte-americanos; no capítulo mais recente da disputa entre o governo dos EUA e a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil recebeu autorização da OMC para retaliar os EUA pelos prejuízos causados pelos subsídios aos produtores de algodão. A China é o maior produtor mundial de algodão, enquanto EUA estão em segundo lugar e o Brasil é o quinto da lista.

Os subsídios têm prejudicado a exportação de algodão pelos outros países, favorecendo os EUA na concorrência, pois seus preços caem artificialmente e provocam a queda dos preços internacionais dos produtos. Com a retaliação, que deve se iniciar em abril, diversos tipos de produtos importados dos EUA terão aumento nos impostos de importação. A medida afeta principalmente artigos de luxo como automóveis, eletrônicos e cosméticos, mas também o trigo.

Antes de 1996, os produtores agrícolas recebiam subsídios com base no tipo de colheita e nos preços de mercado. Tal política fazia que os agricultores decidissem o que plantar com base mais na política do governo que nas demandas do mercado. A reforma "Freedom to Farm", aprovada naquele ano, separou os subsídios daquelas condições. A partir daí, os agricultores recebiam valores fixos, sem importar o que fosse plantado. Com o tempo, a maior porcentagem dos recursos ficou nas mãos de poucos grandes produtores.

No início de 2009 o presidente Obama havia declarado o corte dos pagamentos diretos aos produtores agrícolas mais ricos (com ganhos de mais de $ 500 mil dólares por ano), a redução de subsídios para seguro rural e a eliminação de créditos para o armazenamento de algodão para o orçamento de 2010. A decisão da OMC indica que ele não cumpriu com essas determinações.

O Congresso dos EUA rejeitou por duas vezes o veto do presidente Obama à Farm Bill de 2008. No início de março deste ano, o Senado norte-americano aprovou um aumento no teto do subsídio a ser recebido individualmente pelos agricultores. O valor aprovado é de até 360 mil dólares por ano para cada produtor.

Como comparação, o maior gasto com subsídio agrícola no Brasil é na complementação da taxa de juros devida pelo agricultor aos bancos. Essa ajuda chega a R$ 60 bilhões por ano.

Os Estados Unidos e a Europa, que seriam grandes mercados para nossos produtos agrícolas, subsidiam seus produtores e suas exportações, o que gera uma concorrência desleal com países que não têm essa ajuda de seus governos. Ao mesmo tempo, exigem a abertura de nosso mercado.

No artigo do site MX Trading, o Prof. de Economia Rural da UFP, Eugênio Stefanello, diz que "os Estados Unidos não se constrangem em violar as normas do comércio internacional quando querem beneficiar seus produtores e chama isto de segurança alimentar ou promoção do desenvolvimento econômico interno. Os americanos já anunciaram que vão continuar subsidiando a sua agricultura e que querem aumentar suas exportações do agronegócio".

O Prof Stefanello afirma que ao Brasil resta buscar, através da OMC, o cumprimento das normativas internacionais, e que a estratégia que vem sendo usada pelo nosso Ministério da Agricultura é o melhor meio de enfrentar essa concorrência. O setor privado deveria aumentar a produtividade, reduzindo custos e melhorando a qualidade de seus produtos. O setor público deveria adotar uma política agrícola baseada na estabilização da renda, reduzindo a carga tributária, facilitando o transporte e simplificando a burocracia e negociando a redução de barreiras impostas pelos outros países à importação de produtos brasileiros.

O Brasil hoje exporta principalmente para a China, EUA e Europa; com essas medidas e o combate à política de subsídios usada pelos outros países, as exportações brasileiras poderiam crescer, o que seria bom para o PIB brasileiro e, por que não, para a dieta dos norte-americanos. Afinal, um sanduíche (não necessariamente hambúrguer) acompanhado de uma boa saladinha é bem melhor e mais saudável, não?

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Agricultura em tempos de crise

Antônio Márcio Buainain é professor assistente doutor do Instituto de Economia (IE) da Unicamp e pesquisador sênior do Núcleo de Economia Agrícola e Meio Ambiente (NEA)/IE/Unicamp.
03/04/2009

Antonio Márcio Buainain

A crise parece ignorar os pacotes bilionários anunciados mundo afora pelos governantes. Enquanto as bolsas flutuam ao sabor das notícias de cada dia, as estatísticas mostram assustadora progressão do nível de desemprego, forte retração da produção industrial, quedas nas vendas de veículos e do próprio comércio mundial. O mundo, que até outro dia era plano, na imagem de Thomas Friedman sobre a nova economia, está agora encolhendo como sempre aconteceu na velha e boa economia de mercado. A extensão da crise ao agronegócio brasileiro colocaria lenha em uma fogueira que pode assar mais do que as batatas doces e milhos verdes das festas juninas. Neste contexto, cabe uma reflexão sobre os possíveis impactos da crise, assim como sobre a política para os tempos de crise.

Quando se projeta o futuro mais longínquo o cenário é promissor: a demanda por alimentos continuará crescendo junto com a população mundial e o Brasil dispõe de terras e base tecnológica para atender a essa demanda. O problema é que entre este futuro promissor e o presente interpõem-se o curto e médio prazos, cheios de incertezas e pelo menos algumas dificuldades colocadas pela crise atual.

Nenhum cenário imediato é favorável. Embora o agronegócio brasileiro seja um global trader, a economia de muitos países importadores está sendo duramente abalada pela crise e os preços das commodities agrícolas - inflados no passado recente pelo forte crescimento e pela especulação - estão em queda e deverão permanecer abaixo dos níveis pré-crise por algum tempo. A concorrência internacional deverá se acirrar, em particular nos segmentos nos quais os países desenvolvidos são grandes produtores e exportadores.

A crise acentua todas as conhecidas deficiências estruturais do setor e o gap entre demandas dos produtores e propostas do governo é grande. A questão é saber se o agronegócio brasileiro, que tem inegáveis vantagens no longo prazo, está em condições de enfrentar este cenário negativo imediato. A desvalorização do real ajuda a compensar a queda de preços, mas não sustenta a competitividade de nenhum segmento em uma economia aberta.

Uma política agrícola anticrise deveria levar em conta que a crise tem um lado destruidor e purgativo, como dizia Marx, mas que também gera oportunidades para a emergência do novo, para a recriação do velho em bases mais saudáveis, para o conserto de erros e a correção de rumos. Uma política anticrise só funcionará como ponte entre o presente e o futuro promissor se for capaz de proteger os ativos construídos no passado e que são estratégicos para conquistar o futuro. No legítimo jogo das pressões que definem as políticas, corre-se sempre o risco de preservar o velho e dispensável, sem evitar os piores efeitos da crise e nem lançar as bases para o futuro, e por isto é preciso focar nos ativos estratégicos que assegurem a sobrevivência imediata e as condições de competitividade no período pós-crise.

O principal ativo do agronegócio brasileiro, base da competitividade revelada ao longo da última década na qual o país assumiu posição de liderança mundial, foi a construção de cadeias produtivas complexas, com ramificações que começam na produção de commodities e se estendem à geração de tecnologia, redes privadas de financiamento e logística, industrialização, inovação de produtos e comercialização final. Algumas são mais coordenadas e integradas, como a da avicultura, suinocultura, tabaco, suco de laranja ou sucroalcooleiro; outras menos articuladas, como a do café, fruticultura irrigada, floricultura, carne bovina, cacau e grãos, mas ainda assim a força e/ou debilidade do vendedor final se assenta em todos os demais elos.

Embora todas compartilhem problemas comuns, a rigor não se pode falar de uma agricultura, ou de um agronegócio. São vários, com dinâmicas próprias, problemas específicos e dimensões regionais bem marcadas. Portanto, o que está em jogo é a preservação da competitividade das cadeias e clusters produtivas do agronegócio, que se assenta em pesados investimentos feitos no passado - em infraestrutura física, máquinas, know-how da produção e do mercado, logística, capacidade de gestão, instituições - e se traduz em market shares duramente conquistados, apesar das conhecidas ineficiências sistêmicas e do Custo Brasil elevado.

A crise pode debilitar, ou mesmo destruir, cadeias que demandam tempo para amadurecer. A inserção em novos e promissores mercados, como o de frutas e flores, ainda incipiente, é um exemplo. A perda dos canais de comercialização nos EUA e na UE acarretaria custos elevados. A desestabilização da cadeia da carne, caso não se contenha a crise financeira dos frigoríficos, não se resolve com a ocupação do espaço pelos sobreviventes, pois isto aumentaria ainda mais a insegurança para os produtores derivada da já acentuada assimetria de poder de mercado.

O Brasil tem hoje uma das mais completas e sofisticadas políticas agrícolas dentre os países de renda média, que atua no plano do setor e não na articulação e coordenação das cadeias, considerados esferas de regulação privada. É um equívoco. Sem voltar ao IBC ou IAA do passado, é preciso identificar gargalos, fragilidades e potencialidades em cada cadeia, e atuar politicamente para superá-los e fortalecê-los. Como se faz na indústria. Os recursos para assegurar liquidez presente deveriam ser canalizados para finalidades estratégicas, como por exemplo, a erradicação de cafezais decadentes e de baixa qualidade, a recuperação de pastos degradados e a melhoria genética do rebanho - ambos redutores da pressão ambiental -, que fortaleceriam essas cadeias para competir na crise e na pós-crise.

Sem o fortalecimento dos mecanismos de financiamento e estabilização da renda da atual política, e sem focar nas cadeias, é muito provável que o agronegócio brasileiro contribua para agravar a crise e não para aliviá-la, como ocorreu no passado.

E-mail: buainain@eco.unicam

quarta-feira, 6 de maio de 2009

SUMMIT-EUA defendem nova abordagem para resolver Rodada de Doha

WASHINGTON - Os países envolvidos precisam adotar uma nova abordagem para concluírem a Rodada de Doha de comércio global, lançada há sete anos, disse na terça-feira o representante comercial dos EUA, Ron Kirk.

Os EUA pretendem "trabalhar diligentemente rumo à conclusão bem-sucedida da Rodada de Doha, mas acredito que isso exigirá que estejamos dispostos a pensar diferente a respeito de como avançaremos para fazer isso", disse Kirk no Reuters Latin American Investment Summit.

Kirk disse que pretende fazer na semana que vem sua primeira visita à sede da Organização Mundial do Comércio, em Genebra, depois de chefiar a delegação que assiste à posse de Jacob Zuma como presidente da África do Sul, no sábado.

A Rodada de Doha foi lançada em 2001, com a premissa de que uma maior liberalização comercial ajudará os países pobres.

Concluir a Rodada de Doha é uma prioridade para o Brasil e outros países latino-americanos que consideram que suas exportações agrícolas são prejudicadas pelos generosos subsídios agrícolas dos EUA e da União Europeia.

Kirk, há seis meses no cargo, prometeu que os EUA em breve divulgarão detalhes sobre suas ideias a respeito da conclusão da Rodada de Doha.

Ele repetiu na terça-feira a posição dos EUA de que as atuais propostas em debate contêm muitos detalhes sobre os cortes norte-americanos nos subsídios agrícolas e tarifas industriais, ao passo que são vagos quando se trata da abertura de novos mercados em grandes países em desenvolvimento.

"O que buscamos é um acordo amplo e ambicioso em que os benefícios para os interesses (exportadores) agrícolas e não-agrícolas dos EUA sejam pelo menos tão definíveis quanto aquilo que esperam que cortemos", afirmou Kirk, que no entanto não quis dizer quais ideias específicas Washington tem para a negociação.

"As modalidades são horrivelmente complexas", disse Kirk, usando o jargão da OMC para se referir às fórmulas que estão sendo negociadas para o corte de subsídios e tarifas. "Ainda estamos revendo-as."

(Por Doug Palmer e Roberta Rampton)

terça-feira, 5 de maio de 2009

América Latina - Região pode ter o primeiro retrocesso econômico após seis anos de crescimento

Região deve sentir efeitos negativos da crise em 2009

Adital - Em 2009, a economia da América Latina e do Caribe pode sofrer seu primeiro retrocesso após seis anos de crescimento. Os efeitos da crise internacional serão sentidos fortemente este ano na região. Esses prognósticos foram anunciados pela secretária-executiva da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), Alicia Bárcena, durante o Fórum de Economias Emergentes da América Latina, que começou ontem (1º) em Bogotá, Colômbia. Segundo a Cepal, a economia da região deve sofrer uma redução de 0,3% em 2009. A taxa de desemprego regional aumentaria a níveis próximos aos 9%, após ter se situado em 7,5% em 2008, o que corresponderia a uma alta da pobreza. Os países mais afetados seriam México (-2,0% de crescimento), Brasil (-1,0%), Costa Rica (-0,5%) e Paraguai (-0,5%). Panamá, Peru, Cuba e Bolívia manteriam um crescimento positivo igual ou superior a 3%. Já o Equador e o Chile, registrariam aumento nulo em seu Produto Interno Bruto.

Entre os efeitos negativos, a Cepal destaca a desaceleração do comércio internacional, queda dos preços dos bens primários, forte diminuição das exportações, redução das remessas, menores rendas provenientes do turismo e diminuição dos fluxos de investimento estrangeiro direto. De acordo com a Comissão, tudo isso deve ocorrer em um cenário de crescente incerteza em âmbito regional e global, afetando as expectativas do setor privado, com consequências negativas sobre o investimento e o consumo.

A secretária-executiva da Cepal alertou ainda que a diminuição da disponibilidade de financiamento internacional e o aumento dos prêmios de risco da dívida soberana latino-americana também acarretarão consequências para a região. No entanto, Alicia frisou que as economias regionais estão tendo solidez para enfrentar os impactos, aproveitando as reservas acumuladas em anos anteriores.

A Cepal considera que a atual conjuntura provoca a necessidade de implementar políticas contracíclicas, ao mesmo tempo em que as autoridades econômicas têm a sua frente um panorama de falta de espaço macroeconômico para implementar medidas. Alicia Bárcena ressaltou que a crise pode converter-se em uma oportunidade para redefinir os paradigmas do desenvolvimento econômico dominantes.

Algumas das medidas citadas pela Cepal que têm como finalidade reduzir os impactos negativos são: evitar o protecionismo; preservar a capacidade de manter o gasto social, especialmente para aumentar o capital humano; concentrar o investimento em infraestrututa produtiva e social.

Um relatório contendo as medidas adotadas pelos governos da região frente à crise está sendo constantemente atualizado pela Cepal. O documento abrange as seguintes áreas: política fiscal, política monetária, políticas cambiais e comerciais, políticas setoriais, políticas trabalhistas e sociais.

O resumo pode ser acessado em:
http://www.eclac.cl/publicaciones/xml/9/35349/2009-121-Rev.2-Lareacciondelosgobiernos-27FEBRERO-WEB.pdf

domingo, 3 de maio de 2009

Para analistas, crise e ambiente darão a Brasil maior influência em 2020

Seja por meio de organismos internacionais ou na relação direta com outros países, há espaço para o Brasil se tornar ainda "mais influente" nos próximos dez anos, de acordo com especialistas ouvidos pela BBC Brasil.
E, em pelo menos duas áreas, essa oportunidade é maior: economia e meio ambiente.

"A crise trouxe uma chance sem precedentes para países como o Brasil", diz Marcos Vieira, professor de Relações Internacionais do King's College, em Londres.

Para ele, a inclusão dos países emergentes nas discussões sobre a recuperação econômica, por meio do G20, é "sintomática", pois já reflete "os novos polos do poder mundial".

Na avaliação de Vieira, a estabilidade econômica conquistada nos últimos anos, aliada a uma participação proativa em fóruns internacionais, reforçou a percepção de que o país tem legitimidade para estar presente nos principais debates mundiais.

"Nesse ponto temos uma grande vantagem sobre os outros BRIC", diz Vieira. "Não somos apenas uma grande economia. Somos um país democrático, pacífico e com credibilidade externa", diz.

A transferência de poder econômico dos Estados Unidos para os países emergentes também é apontada pelo historiador John Schulz, da Brazilian Business School, como um dos resultados da crise global.

Segundo ele, a participação dos países ricos no PIB mundial já vinha declinando e que a crise "deve acelerar esse processo". "O resultado é uma maior participação dos países emergentes à mesa de negociação", diz.

A eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos também é vista como ponto a favor de um sistema financeiro mundial mais democrático. "Há uma expectativa de que ele seja mais aberto ao diálogo e a uma solução conjunta para os problemas mundiais", diz Vieira.

Países como Brasil, China e Índia estão participando do debate, juntamente com os países ricos, sobre a reforma do sistema financeiro global. E o Brasil, como principal economia da América Latina, é visto como estratégico no processo de recuperação econômica.

Na opinião de Vieira, a oportunidade "está dada". Se o Brasil vai aproveitá-la ou não, diz, depende da postura do governo Lula. "O futuro do Brasil nesse sistema está diretamente ligado a respostas que vamos dar agora. É o momento de termos uma proposta clara e objetiva", diz.

Segundo ele, se o Brasil tem qualquer pretensão em reformar instituições financeiras mundiais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, essa é a hora de liderar o movimento.

"A mudança não acontece do dia para a noite, mas o processo tem de começar. E essa é uma boa hora", diz o professor.

Clima

Outra área em que o Brasil tem chances de ampliar sua influência é no debate sobre mudanças climáticas.

"Temos a maior floresta tropical, reservas de água, energia limpa. Mas infelizmente ainda somos defensivos em matéria de meio ambiente", diz o ex-embaixador Sérgio Amaral.

Segundo ele, o Brasil tem potencial para liderar esse movimento, mas para isso terá de fazer concessões. Uma delas seria aceitar compromissos obrigatórios. "Já fomos defensivos em comércio e isso mudou. O mesmo pode acontecer em meio ambiente nos próximos anos", diz Amaral.

O também ex-embaixador Rubens Ricupero diz que o Brasil já começou a mudar sua postura, como ficou claro na última reunião sobre clima, em Poznan, na Polônia.

"O Brasil apresentou metas para o desmatamento, foi elogiado. E está participando de todas as conversas que vão levar à reunião de Copenhague", diz.

América Latina

Se por um lado economia e meio ambiente oferecem oportunidades para a liderança brasileira nos próximos anos, isso não significa que temas já tradicionais para o Itamaraty serão deixados de lado.

Apontada como prioridade pela diplomacia brasileira, a América Latina vai exigir atenção especial nos próximos anos, na avaliação dos especialistas.

O Brasil terá de provar aos países vizinhos que é capaz de liderar o continente, mesmo em um momento de crise. E se o país quiser se consolidar como uma potência regional, deverá se preparar "para ceder".

Na avaliação de Vieira, existe um sentimento de "desconfiança" entre os países vizinhos sobre o real objetivo do Brasil - se é promover o interesse geral ou apenas "usar" o continente para interesses particulares do país.

"Alguns países da região têm interesses que vão de encontro ao que o Brasil defende", diz Vieira.

Um exemplo é a Argentina, que vê com restrições a Rodada Doha de comércio, uma das principais bandeiras da política externa brasileira. Além disso, o país vizinho vem adotando medidas protecionistas, mesmo tendo assinado compromisso contrário, na última reunião dos líderes do G20.

Há ainda o aspecto político. Na avaliação de Vieira, o Brasil precisa se preparar para lidar com Chávez "durante uns bons anos". "Que relação teremos com ele, é uma pergunta que deve ser feita por nossos governantes", diz.

Vieira vê dois movimentos políticos na região e que tendem a durar nos próximos anos. Um deles é a proposta venezuelana, baseada em uma visão antiamericana; a outra seria a visão brasileira, considerada por Vieira "mais pragmática e voltada para o desenvolvimento".

"Um dos desafios da diplomacia é decidir se o Brasil tem interesse em atrair para esse campo pragmático os outros países da região", diz Vieira.

terça-feira, 28 de abril de 2009

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Para Brown, domínio de países ricos na economia global acabou

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown (centro), com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (esq.) e o ex-jogador Sócrates (dir.) na capital paulista

Na passagem por São Paulo, Brown visitou o Estádio do Pacaembu

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse, em uma palestra em São Paulo nesta quinta-feira, que a era na qual os países mais ricos dominavam a economia mundial chegou ao fim, e que os países emergentes precisam ter mais influência nas decisões econômicas globais.

"O tempo em que poucas pessoas mandavam na economia mundial acabou, o próximo presidente do Banco Mundial não precisa ser americano nem o diretor do FMI, europeu. Estas instituições devem representar os países em desenvolvimento", disse o premiê.

"Temos que entender que nunca retornaremos às velhas ortodoxias do passado, mas sim construiremos uma nova sociedade ao reformular as instituições financeiras, confiando no livre comércio e nos valores que acreditamos."

"A hora do Brasil, de juntar-se à mesa para liderar também a economia mundial, chegou", afirmou.

G20

A visita do premiê britânico ao Brasil antecede a reunião de cúpula do G20 (grupo que reúne os países mais ricos e as principais nações emergentes), que acontece em Londres no próximo dia 2 e deve ser marcada por discussões sobre como combater a crise econômica mundial.

Precedendo a palestra de Brown, o ministro de Negócios, Empreendimentos e Reforma Regulatória da Grã-Bretanha, Peter Mandelson, disse que o maior desafio do encontro do G20 é tomar medidas corajosas para a recuperação do sistema financeiro global.

O ministro britânico defendeu a ideia de que a crise atual apresse a mudança no equilíbrio de forças econômicas globais.

"Em termos de liderança da economia mundial, a era do G8 acabou. O que vai substituí-lo, no final, vai nos oferecer, tanto no Brasil como na Grã-Bretanha, com um desafio político de primeira grandeza", disse ele. "O Brasil e outros países em desenvolvimento estão sendo vistos como possíveis líderes."

Mas Mandelson disse que o encontro em Londres não deve produzir "respostas em um único dia". "É um processo no qual estamos no início e não no fim. Talvez os resultados do G20 só sejam sentidos dentro de um ano."

Também em sua palestra, Gordon Brown disse que tanto ele como o presidente Lula se comprometeram em rejeitar o protecionismo e apostar no comércio para reaquecer a economia mundial.

Ele também reafirmou seu "apoio total" ao desejo brasileiro de ocupar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, como hoje ocupam Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha e França.


quarta-feira, 22 de abril de 2009

Fracasso das negociações evidencia divergências entre grandes grupos de países

O fracasso das negociações na OMC evidenciou as divergências existentes entre países ricos e os países em desenvolvimento, mas também no seio destes dois blocos, sobre como aumentar a liberalização no comércio mundial.

Depois de nove dias de negociações, os representantes dos 153 países membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) separaram-se terça-feira à noite sem acordo e praticamente sem perspectivas de conclusão do ciclo de Doha, lançado no final de 2001.

Enquanto, em nome da União Europeia, o comissário para o Comércio, Peter Mandelson, falava de "passo atrás para o sistema de comércio internacional" e dizia esperar uma retoma do processo no Outono, "após um Verão de reflexão", em Roma o ministro da Agricultura italiano, Luca Zaia, felicitava-se perante o fracasso, considerando que um acordo a "qualquer preço" teria penalizado a agricultura italiana.

Em Paris, a secretária de Estado do Comércio, Anne-Marie Idrac, questionou a viabilidade de uma organização do debate entre 153 países sobre todas as questões comerciais.

"Tornou-se inatingível", considerou, sublinhando que será preciso "ter em conta a ausência de consenso" no seio dos Estados da União Europeia sobre as negociações na OMC "nas etapas que se seguirão".

"Os membros da OMC deverão perguntar-se honestamente se desejam voltar a colar os cacos e como fazê-lo", declarou, por seu lado, o próprio director-geral da OMC, Pascal Lamy.

As discussões fracassaram no mecanismo de salvaguarda especial (SSM) que permite aos países em desenvolvimento aumentar os direitos alfandegários face uma súbita e forte subida das importações agrícolas.

A Índia queria um patamar de desenvolvimento deste mecanismo mais baixo, os Estados Unidos um mais alto.

A discussão em torno do SSM abriu também uma brecha no grupo dos países em desenvolvimento, fazendo renascer os antagonismos entre os grandes exportadores agrícolas (Brasil, Uruguai ou Paraguai) e os que desejam proteger os pequenos agricultores (Índia, Indonésia e Filipinas).

Mas as divergências de interesse entre os países em desenvolvimento não se limitam ao sector agrícola.

Ao aceitar as propostas postas na mesa pelo director-geral da OMC, Pascal Lamy, no grupo das potências comerciais mundiais (EUA, UE, Índia, Brasil, China, Austrália e Japão), o Brasil, que dirige o G-20 dos países emergentes, entrou também em conflito com os seus parceiros do Mercosul, no que respeito à liberalização do comércio dos bens industriais.

A Argentina acusou Brasília de provocar "uma tensão" no seio do Mercosul, a união alfandegária que reúne os dois países e e ainda Paraguai e Uruguai.

Sobre os bens transformados, a Argentina, mas também a África do Sul, que procuram proteger as suas jovens indústrias das reduções acentuadas dos direitos alfandegários, fizeram claramente saber que estavam contra as propostas apresentadas neste campo por Pascal Lamy.

Outras crispações apareceram também entre os países menos desenvolvidos (PMD) que se dividiram sobre o acesso ao mercado americano.

Enquanto o conjunto dos PMD beneficia de um acesso sem quotas nem direitos alfandegários ao mercado da União Europeia, os Estados Unidos só concedem este privilégio aos países africanos.

O Bangladesh e o Camboja, que fazem parte dos PMA, desejariam obter o mesmo estatuto para exportar os seus têxteis para os Estados Unidos, o que é contestado pelo Lesoto, ele próprio exportador de vestuário, que receia esta concorrência.

terça-feira, 14 de abril de 2009

ActionAid - ONG internacional propõe criação de fundo para apoio a países em desenvolvimento

2 de Abril de 2009 - 16h36

Alana Gandra

Rio de Janeiro - A organização não-governamental ActionAid pediu hoje (2), em Londres, a criação de um pacote de estímulo global para os países em desenvolvimento de, pelo menos, US$ 400 bilhões anuais, uma espécie de fundo que seria usado para compensar o impacto da crise financeira internacional.

A ONG defende que esse fundo possa ser utilizado pelos países emergentes para gerar emprego, salvar suas economias e criar políticas sociais.

A Action Aid pediu também que o fundo não tenha condicionalidades, isto é, que os países não sejam obrigados a cumprir as regras que costumam ser impostas por organismos de fomento, como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

“Que eles tenham efetivamente liberdade para usar esses recursos para o desenvolvimento interno”, disse à Agência Brasil o coordenador do Programa de Segurança Alimentar da ONG, Celso Marcatto.

Em relatório divulgado hoje (2) durante reunião do G20 na capital do Reino Unido, a ActionAid reivindicou que as medidas urgentes para controlar a crise financeira mundial, visando reduzir seus efeitos sobre os países em desenvolvimento, devem ser tomadas pelo conjunto dos países desenvolvidos e emergentes que integram o G20, e não de modo individual.

“Não cabe neste momento, que os países do primeiro mundo, que criaram a crise e que têm recursos, pensem apenas em salvar as suas economias e deixar os outros países, que não têm recursos nem criaram a crise, sendo responsáveis por lidar com esse problema”, observou Marcatto.

A ActionAid teme que os investimentos que os países industrializados estão fazendo em suas economias acabem amplificando a desigualdade, “porque a capacidade de investimento desses países é muito diferenciada”.

A ActionAid trabalha há 35 anos, em 40 países, no combate à pobreza no mundo.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Commanding Hights: a batalha pela Economia Global

Durante as próximas semanas, colocaremos trechos do documentário de 6 horas, dividido em 3 capítulos, "Commanding Hights: the Battle for World Economy". Quem quiser ver tudo de uma vez, pode ver as versões completas em:

Episódio 1: http://www.pbs.org/wgbh/commandingheights/hi/story/ch_f01_01.html
Episódio 2: http://www.pbs.org/wgbh/commandingheights/hi/story/ch_f02_01.html
Episódio 3: http://www.pbs.org/wgbh/commandingheights/hi/story/ch_f03_01.html

sábado, 4 de abril de 2009

Combate ao aquecimento pode gerar barreiras

Bloomberg

As políticas de combate ao aquecimento global que estão sendo avaliadas pelos Estados Unidos e pelo Japão correm o risco de gerar barreiras comerciais, disseram altos funcionários dos governos chinês e indiano.

As discussões travadas pelo Congresso dos EUA sobre a potencial imposição de tarifas de importação a artigos provenientes de países como a China, que se recusam a regulamentar a emissão de gases de estufa, poderão desencadear retaliações comerciais, disse Su Wei, o principal negociador da China nas conversações internacionais sobre o clima.

"Se houver a imposição de uma tarifa interfronteiras, isso envolve muito o perigo de desencadear uma guerra comercial", disse Su em entrevista por telefone a partir de Pequim. "Não é algo que gostaríamos de ver", disse ele antes do início das conversações da ONU que se estenderão até 8 de abril em Bonn, na Alemanha.

A China e os Estados Unidos, os maiores produtores mundiais de gases geradores do efeito estufa, estão negociando um novo tratado de proteção climática com 190 países. A Índia e a China rejeitam a imposição de limites às emissões para países em desenvolvimento, dizendo que os países ricos devem tomar providências primeiro.

"Temos de ter muito cuidado para que as mudanças climáticas não se tornem um bom pretexto para começarmos a dar vazão às tendências protecionistas", disse Shyam Saran, o enviado especial do governo indiano às discussões sobre mudanças climáticas, em entrevista concedida em Nova Déli dois dias atrás.

terça-feira, 31 de março de 2009

Comércio mundial terá retração de 9%, diz OMC

SÃO PAULO - O comércio mundial cairá 9% por causa da crise econômica em 2009, sua maior baixa desde a Segunda Guerra Mundial, segundo um relatório divulgado ontem pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

" A contração nos países desenvolvidos será particularmente severa e haverá uma queda de 10% nas exportações " , disse o relatório.

Para os países em desenvolvimento, o retrocesso será entre 2% e 3%, embora a OMC informe que o crescimento destas nações depende muito mais do comércio que o das economias desenvolvidas.

Nos últimos meses de 2008, começaram a aparecer sinais de uma forte deterioração do comércio, com a desaceleração da demanda e o ritmo mais lento da produção, segundo o estudo.

Por isso, embora o comércio mundial tenha aumentado 2% em volume no ano de 2008, nos seis últimos meses seu crescimento caiu, ficando muito abaixo dos 6% de aumento no mesmo período de 2007.

Em 2008, o valor em dólares (que inclui variações dos preços e oscilações das taxas de câmbio) das exportações mundiais de mercadorias cresceu 15%, para US$ 15,8 trilhões, enquanto as exportações de serviços comerciais aumentaram 11%, aos US$ 3,7 trilhões.

" O esgotamento dos fundos disponíveis para financiar o comércio contribuiu para a forte queda dos fluxos comerciais, especialmente nos países em desenvolvimento " , afirmou o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy.

O relatório assegura que " um aspecto notável da atual desaceleração do comércio mundial é seu caráter sincronizado, porque os números mensais das exportações e importações das principais economias desenvolvidas e em desenvolvimento caíram paralelamente desde setembro de 2008 " .

Embora destaque como exceção a esta queda generalizada algumas economias da Ásia, onde foram registrados números positivos do crescimento mensal das importações em países como China, Cingapura, Taiwan e Vietnã.

(Valor Econômico, com agências internacionais)