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terça-feira, 31 de março de 2009

Comércio mundial terá retração de 9%, diz OMC

SÃO PAULO - O comércio mundial cairá 9% por causa da crise econômica em 2009, sua maior baixa desde a Segunda Guerra Mundial, segundo um relatório divulgado ontem pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

" A contração nos países desenvolvidos será particularmente severa e haverá uma queda de 10% nas exportações " , disse o relatório.

Para os países em desenvolvimento, o retrocesso será entre 2% e 3%, embora a OMC informe que o crescimento destas nações depende muito mais do comércio que o das economias desenvolvidas.

Nos últimos meses de 2008, começaram a aparecer sinais de uma forte deterioração do comércio, com a desaceleração da demanda e o ritmo mais lento da produção, segundo o estudo.

Por isso, embora o comércio mundial tenha aumentado 2% em volume no ano de 2008, nos seis últimos meses seu crescimento caiu, ficando muito abaixo dos 6% de aumento no mesmo período de 2007.

Em 2008, o valor em dólares (que inclui variações dos preços e oscilações das taxas de câmbio) das exportações mundiais de mercadorias cresceu 15%, para US$ 15,8 trilhões, enquanto as exportações de serviços comerciais aumentaram 11%, aos US$ 3,7 trilhões.

" O esgotamento dos fundos disponíveis para financiar o comércio contribuiu para a forte queda dos fluxos comerciais, especialmente nos países em desenvolvimento " , afirmou o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy.

O relatório assegura que " um aspecto notável da atual desaceleração do comércio mundial é seu caráter sincronizado, porque os números mensais das exportações e importações das principais economias desenvolvidas e em desenvolvimento caíram paralelamente desde setembro de 2008 " .

Embora destaque como exceção a esta queda generalizada algumas economias da Ásia, onde foram registrados números positivos do crescimento mensal das importações em países como China, Cingapura, Taiwan e Vietnã.

(Valor Econômico, com agências internacionais)

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O FRACASSO DA RODADA ANTI-DESENVOLVIMENTO DE DOHA

Organizações da sociedade civil brasileira e do mundo comemoram o colapso das negociações para a conclusão da Rodada de Doha da OMC. Desde que a OMC foi criada, no auge do neoliberalismo dos anos 90, estas organizações vêm questionando a validade das premissas da instituição e denunciando as graves conseqüências que o fechamento desta Rodada poderia causar para os povos das diversas partes do mundo.

Essas conseqüências dizem respeito, principalmente, a liberalização do comércio de bens industriais e serviços por parte dos países do Sul, em troca da abertura de mercados no Norte para exportações agrícolas. Isto significaria a cristalização de um modelo em que os países em desenvolvimento continuariam como exportadores de commodities agrícolas e os países desenvolvidos como fornecedores de tecnologia e bens e serviços de maior valor agregado. Significaria também o aprofundamento da abertura comercial e financeira proposta pelo modelo neoliberal. E por último, seria um golpe contra os direitos dos povos e a soberania dos países em relação à capacidade de formularem suas políticas públicas e industriais.

Durante o último fim de semana, alguns pouquíssimos membros da OMC, o chamado G-6 – formado por Estados Unidos, União Européia, Brasil, Índia, Austrália e Japão – se reuniu em Genebra para tentar destravar mais uma vez as negociações da Rodada de Doha. A tentativa de acertar os ponteiros sobre as negociações agrícolas, especialmente, sobre apoio interno, não teve êxito, e não há previsão para as negociações serem retomadas.

Para Fátima Mello, da FASE e da secretaria executiva da Rede Brasileira pela Integração dos Povos (REBRIP), “um possível acordo na OMC significaria uma ameaça para as políticas públicas e para o desenvolvimento dos países”. Segundo Fátima, “o movimento global está em festa e está mais que provado que o modelo imposto pela OMC caducou. O momento agora é pensar alternativas para o sistema multilateral e isso não necessariamente passa pela OMC, mas pela integração regional e por novas instâncias globais voltadas para os interesses dos povos”.

Gonzalo Berrón, membro da coordenação da REBRIP e da secretaria da Aliança Social Continental, disse que “a Rodada de Doha nunca foi em prol do real desenvolvimento dos povos e sim uma estratégia dos países ricos e das empresas transnacionais para conseguir mais e mais mercados”. Para Berrón, “a suspensão das negociações é uma grande vitória para as organizações e movimentos sociais que resistiram à ALCA e ao livre comércio no Brasil, nas Américas e no mundo e que temos que sair nas ruas para comemorar”.

Edélcio Vigna, do INESC e coordenador do GT de Agricultura da REBRIP, afirma que “o principal tema das negociações, ou seja, a agricultura, nunca pautou questões como segurança e soberania alimentar, temas essenciais para os países em desenvolvimento. Ao contrário, no caso brasileiro, a abertura em agricultura sempre serviu aos setores produtivos hegemônicos, o chamado agronegócio, que determinam a balança comercial e tem a exportação primária de produtos agrícolas como âncora econômica exclusiva”. Ele completa, “a queda de Doha implica a suspensão dessa agenda prejudicial para a agricultura familiar e camponesa do mundo”.

Chegou o momento de construirmos um sistema de comércio verdadeiramente voltado para o desenvolvimento e não para os interesses das transnacionais.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Pobreza, meio ambiente e instabilidade global

Mais pobreza = mais degradação ambiental = mais violência. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), nos países pobres do hemisfério sul, um bilhão de pessoas não dispõe de água potável, 1,3 milhão está exposto à fuligem e à fumaça. Quase um quarto da população mundial se alimenta a um custo de três dólares por dia e essa situação tem se agravado. Em 1982, havia trinta países pobres; no ano de 2000, esse número chegou a 47.

A incapacidade do mundo de reduzir os níveis de pobreza está contribuindo para a instabilidade global, na forma de terrorismo, guerras, doenças contagiosas e degradação ambiental. Trata-se de um ciclo vicioso: a degradação ambiental exacerba a pobreza, contribuindo ainda mais para a instabilidade global. É quase impossível assegurar paz duradoura e estabilidade quando existem desigualdades imensas e os sistemas naturais que nos sustentam permanecem sob ameaça. Pouco se pode avançar em termos de conservação do meio ambiente e dos recursos naturais, se bilhões de pessoas não têm esperança ou chance de se importar com isso, pois necessitam buscar sua sobrevivência a qualquer custo, sendo esse custo geralmente ambiental.

Segundo o Instituto Worldwatch, as doenças infecciosas – muitas delas relacionadas à qualidade da água – atualmente matam duas vezes mais do que câncer. A falta de água limpa ou saneamento mata 1,7 milhões de pessoas por ano, 90% das quais são crianças. Boa parte das guerras ou conflitos armados dos últimos anos é ligada ao controle de minorias econômicas ou étnicas sobre recursos naturais valiosos, sejam eles minérios, pedras preciosas, petróleo, água ou madeira, como foi o caso de Angola. Os gastos militares de 2001 foram estimados em 839 bilhões ou 2,3 bilhões por dia (segundo PNUD). Os Estados Unidos respondem por 36% deste total mundial.

Na Eritréia, Burundi e Paquistão, as despesas militares equivalem ou superam a soma das despesas com educação e saúde. Desastres naturais – causados ou agravados por desmatamentos, ocupação territorial desordenada e mudanças climáticas – provocam o deslocamento de grandes contingentes populacionais, já chamados de refugiados ambientais. Inundações forçam a migração de habitantes de Bangladesh para a Índia, num movimento que já dura há 10 anos e tem deslocado cerca de 10 milhões de pessoas. E ainda existem outros 40 milhões de refugiados ambientais no mundo, calculando-se apenas quem saiu do país de origem, sem considerar as migrações internas e os 12 milhões de refugiados políticos, oficialmente reconhecidos como tais.

O modelo de globalização
A atual realidade brasileira chama a atenção para a enorme concentração do excedente gerado pela atividade econômica nas mãos de poucos, em detrimento de amplas camadas da população. Pressionadas pela pobreza e a necessidade instintiva de sobrevivência, essas minorias econômicas atuam de forma predatória sobre o meio ambiente, ocasionando desmatamentos de ecossistemas para moradia, alimentação, ou mesmo produção de energia. Exemplares da fauna silvestre, por exemplo, tornam-se fonte de alimentação para os excluídos. Hoje, o modelo de globalização vigente no mundo é uma das principais causas da deterioração ambiental, pois hipoteca o caráter sustentável do Planeta.

Os sistemas de livre mercado, que buscam o lucro a qualquer custo, permitem facilmente o desrespeito à natureza, cujos recursos são “gratuitos”. Os critérios que regem os sistemas de industrialização dos países desenvolvidos criaram as condições que afetam adversamente o ambiente. Desta forma, as causas da pobreza e da degradação ambiental nos países em desenvolvimento estão diretamente relacionadas com o modelo de desenvolvimento dos países industrializados, imposto aos países pobres, via FMI. Esse modelo causa danos ao meio ambiente por contribuir diretamente ao aquecimento global e a destruição da camada de ozônio e fomentar a desigualdade e a pobreza no mundo.

O desequilíbrio afeta diretamente a competitividade no comércio internacional. Os países em desenvolvimento enfrentam, em média, duas vezes mais barreiras comerciais, para seus produtos, do que os países desenvolvidos. A par disso, graças a subsídios que somam US$ 300 bilhões anuais, os produtos agropecuários dos países desenvolvidos são vendidos a preços entre 20 e 50% abaixo do custo de produção, desestruturando os produtores dos países em desenvolvimento. Aumentam, assim, os índices de desemprego e, por conseguinte, a pobreza. Quando os países pobres reclamam na OMC (Organização Mundial do Comércio) dificilmente conseguem um resultado justo a seu favor.

As diferenças também se manifestam na outra ponta do consumo, a dos resíduos. Um novo tipo de transferência de rejeitos começa a se revelar, com a descoberta de depósitos especializados em resíduos tóxicos da indústria informática, na China e na Índia. Os Estados Unidos exportam algo entre 50 e 80% do que produzem deste tipo de rejeito, apelidado de ex-lixo. É quase impossível preservar o meio ambiente se continuamos com um enorme desnível de renda, desnível alimentar, desnível de valores e desnível de educação. Não se conseguiu uma sensível diminuição em nenhum desses desníveis. Nem os esforços da ONU, nem os grandes investimentos de capital, sob a forma de ajuda externa por parte das nações ricas, surtiram efeito.

Na verdade, os desníveis de renda e de valores pioraram durante as últimas décadas. Isso, porque a transferência de tecnologia industrial das nações ricas para as pobres, nas raras vezes que ocorre, acaba beneficiando um pequeno setor industrializado, e não as massas pobres. O desequilíbrio revela-se também em relação ao mercado de petróleo e derivados. Com menos de 5% da população mundial, os Estados Unidos consomem 26% do petróleo, 25% do carvão mineral e 27% do gás natural mundial. Os automóveis, que rodam nos Estados Unidos, representam um quarto da frota mundial e emitem mais carbono do que todas as fontes – indústria, transporte, agricultura, energia – do Japão, o quarto país na lista mundial de emissões de poluentes.

As conseqüências destas emissões, porém, recaem sobre os países pobres, mais vulneráveis às mudanças climáticas. Dos 700 desastres naturais registrados em 2002, 593 foram relacionados a eventos climáticos. As tragédias humanas por trás das estatísticas nos lembram que o progresso social e ambiental não é um luxo a ser posto de lado quando o mundo tem que enfrentar problemas econômicos e políticos. As oscilações da economia mundial e o vasto esforço necessário para restaurar a paz no Oriente Médio podem desviar os recursos necessários para enfrentar as causas e conseqüências da pobreza. É relevante assinalar que, em situação de extrema pobreza, o indivíduo marginalizado da sociedade e da economia nacional não tem nenhum compromisso para evitar a degradação ambiental, uma vez que a sociedade não impede sua própria degradação como pessoa.

Fonte: Edison Barbieri - Portal do meio ambiente

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Comércio global cai pela primeira vez desde 2001


Depois de anos em plena expansão, o comércio mundial vai sofrer retração em 2009. Essa será a terceira vez em 32 anos que as exportações mundiais terão queda. Em 2008, o comércio entre as grandes potências já está no vermelho diante da recessão nas economias ricas e os dados positivos apenas estão sendo mantidos no total mundial graças aos mercados emergentes.


Para 2009, dados preliminares da Organização Mundial do Comércio (OMC) apontam uma retração das exportações mundiais. Se a queda se confirmar, ela será a primeira em sete anos. Desde 1976, o comércio mundial sofreu uma retração em apenas outras duas ocasiões: 1982 e 2001. Os fluxos de bens entre Estados Unidos, Europa e Japão já estão menores do que em 2007, algo que não ocorria desde o início da atual década. Para especialistas, o Brasil não escapará e as exportações nacionais serão afetadas.


A recessão na Europa, por exemplo, faz desabar as importações dos 27 países do bloco e a previsão é de que o mercado europeu esteja em seu pior momento em seis anos. As perspectivas são uma ameaça suplementar às exportações brasileiras para um de seus principais mercados no mundo para bens agrícolas. Já em outubro, a taxa de crescimento das vendas brasileiras para o mercado europeu caiu em relação aos meses anteriores. Dados divulgados no fim de semana pelo principal instituto de pesquisas sobre comércio na Europa, o Escritório Holandês de Avaliação Econômica, apontam que as importações vão aumentar apenas 3% em 2008. Para 2009, o fraco desempenho será mantido, afetando as exportações dos países emergentes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.