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sexta-feira, 29 de maio de 2009

Eleições na Índia: termina hoje a votação que dura há mais de um mês

Há quem fale na queda de titãs. Há quem fale no declínio dos leviatãs políticos. Ou simplesmente em fragmentação partidária. Use-se a expressão que se usar, as legislativas que estão em andamento na Índia salientaram que o Partido do Congresso e o Bharatiya Janata Party (BJP, nacionalista hindu) não só não aguentam sozinhos um governo, como lutam cada vez mais pela própria sobrevivência.

Desde a última década que nenhum dos partidos nacionais consegue governar o país sem negociações e casamentos de conveniência. Desta vez, e se os resultados das legislativas - que serão anunciados a 16 de Maio - não trouxerem surpresas, nem as tradicionais alianças chegarão para garantir a formação de um executivo. Quer este calhe ao Congresso, como parece mais provável, quer ao BJP. Os dois parecem estar a pagar erros cometidos desde há décadas.

O mesmo homem que ajudou o país a caminhar para a independência, e que o levou para a democracia, não conseguiu fazer em casa o que fez na segunda nação mais populosa do mundo. O Partido do Congresso, que Jawaharlal Nehru criou, continua a escolher os seus líderes tendo em conta o apelido - Nehru-Gandhi à frente de qualquer outro.

"A Índia começou a viagem para a independência apenas com um partido genuinamente nacional", escreve Edward Luce no livro In Spite of The Gods. O Congresso pretendia representar todas as castas, religiões, línguas e raças. Mas na verdade "foi esmagadoramente dominado pelas elites urbanas e rurais vindas sobretudo das castas mais altas... Esta cultura persiste até hoje".

A favor do Governo

Mas o Congresso sabe também que sem o voto das castas mais baixas não se mantém no poder. Alguns indicadores poderão ajudar os eleitores a renovar a confiança que inesperadamente depositaram no partido em 2004, quando todas as previsões apontavam para uma nova vitória dos nacionalistas hindus.

"Houve programas de emprego muito importantes, aplicados em regiões rurais", afirmou ao PÚBLICO o analista Sanjay Kumar, do Centro de Estudos das Sociedades em Desenvolvimento de Nova Deli, para comentar as principais medidas tomadas pelo Governo do Congresso. Trata-se de uma forma de dar emprego pelo menos durante 100 dias por ano a qualquer indiano das zonas rurais que esteja sem trabalho. Ou seja, a dezenas de milhões de pessoas.

Apesar dos casos de corrupção que gerou, a medida foi louvada pelo Banco Mundial e o director para a Índia da agência Action Aid considerou-a "uma das leis mais progressistas que a Índia alguma vez teve", cita a Reuters.

Sanjay Kumar realça outra das gran-des vitórias do executivo de Manmohan Singh: "O direito à informação oficial, que criou mais confiança no Governo. Se queremos saber alguma coisa, o Governo tem a obrigação de informar. É um aspecto revolucionário. Pode não fazer diferença para a população rural, mas faz muita nos meios urbanos".

Mas isto não será o suficiente para devolver ao Congresso a confiança que já recebeu dos indianos.

Mais semelhanças

Do ponto de vista económico, Congresso e BJP não diferem muito, comenta Constantino Xavier, do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI). "Ambos são a favor do liberalismo económico", diz. O BJP realça, no entanto, que "o desenvolvimento não deve estar submetido aos valores ocidentais".

Em relação à política externa, "o BJP opôs-se ao acordo nuclear com os EUA [que permite a Deli adquirir material e tecnologia nuclear], mas foi o Governo do BJP que o iniciou. O Congresso só deu o último passo".

Mais do que contestar a situação económica da Índia - que cresceu oito por cento nos últimos quatro anos e que deve manter-se em segundo na lista de países em maior aceleração económica -, os nacionalistas hindus têm atacado as respostas ao terrorismo, sobretudo depois dos atentados de Novembro em Bombaim. "O BJP ameaçou o Paquistão com ataques preventivos, mas ninguém acredita nisso; ninguém no BJP com ambições de poder terá essa linha radical. Interessa à Índia aproximar-se do Paquistão."

Sendo o BJP um partido de tecnocratas e de poder, é também um partido moderado, continua o investigador do IPRI. "Mas tem também um handycap: as várias organizações da família nacionalista hindu." Como é o caso do Vishwa Hindu Parishad (VHP, Conselho Mundial Hindu) e de organizações não governamentais como o RSS, "que estão no terreno quando acontecem as coisas" - leia-se confrontos intercomunais - e dão as respostas mais radicais. "O BJP depende destas organizações para as eleições, mas ao mesmo tempo perde o eleitorado mais moderado."

O partido "transita constantemente entre conquistar eleitorado urbano e moderado e os canais de propaganda e retórica das organizações radicais hindus, servindo-se delas quando se quer demarcar do Congresso". Resta ao candidato a primeiro-ministro, Lal Krishna Advani, tentar fazer a ponte entre uns e outros.

Não se elegem anjos

Congresso e BJP "são partidos com liderança fraca, fragmentados ideologicamente, que sofrem pressões externas [da esquerda, no caso do Congresso, e dos nacionalistas no BJP] e estão ambos em erosão acelerada", resume Constantino Xavier.

O cenário favorece a proliferação dos partidos regionais - sendo que "regional" é um termo relativo: o estado Uttar Pradesh, por exemplo, tem 190 milhões de pessoas, tantas como o Brasil, lembra o historiador Mahesh Rangarajan num artigo na BBC.

"O declínio do Congresso data do fim da década de 1980. Foi então que deixou de atrair uma vasta gama de classes baixas, especialmente as minorias religiosas que sentiram que estava a fazer compromissos sobre o pluralismo em detrimento da sua segurança", explica o historiador. O BJP também nunca conseguiu acomodar o sentimento regional, com excepção do estado do Gujarat.

Rangarajan adianta que a Terceira Frente que entretanto emergiu, associando vários partidos regionais e de esquerda, é composta por grupos que defendem uma política mais descentralizada, inclinam-se mais para os eleitores rurais do que urbanos e vêem como positiva uma intervenção maior do Estado para garantir mais segurança social.

A formação de partidos regionais, de castas ou linguísticos (há 22 línguas oficiais na Índia) está a aproveitar-se do declínio dos dois partidos nacionais. E de certa forma a sua existência é mais representativa da diversidade indiana. Mas tornam difícil prever o desfecho destas eleições. Fortalecidos nas urnas, terão de ser tidos em conta na hora de formar governo.

"A democracia parlamentar na sua variante britânica foi uma planta estranha ao solo indiano... Sobreviveu devido a uma grande dose de tolerância entre as pessoas face às suas distorções evolutivas", escreve o analista e diplomata Pavan K. Varma, no livro Being Indian. "Os indianos não esperavam eleger anjos." E certamente não o farão nestas legislativas.

domingo, 24 de maio de 2009

sábado, 25 de abril de 2009

HRW lança campanha contra utilização de crianças-soldado

Nações Unidas, 12 fev (EFE).- A ONG Human Rights Watch (HRW) lançou hoje a Campanha Mãos Vermelhas, na qual pede aos países e à ONU que aumentem seus esforços para acabar com a utilização de crianças-soldado em conflitos.



A HRW lembrou hoje que há um tratado na ONU, ratificado por 126 países, que proíbe o recrutamento e o uso forçado de menores de 18 anos em conflitos armados.



"Jovens de todo o mundo uniram forças para manifestar sua indignação porque meninos e meninas continuam sendo usadas para combater em guerras", disse uma das organizadoras da campanha na HRW, Jo Becker.



A especialista ressaltou que a iniciativa busca "um maior compromisso dos líderes mundiais com o fim desta prática", que ainda ocorre em 15 países ou territórios, inclusive em alguns daqueles que ratificaram o tratado.



Os países ou territórios nos quais crianças ainda combatem são: Afeganistão, Mianmar, Chade, Colômbia, Filipinas, Índia, Iraque, República Centro-Africana, República Democrática do Congo (RDC), Somália, Sri Lanka, Sudão, Tailândia, territórios palestinos ocupados e Uganda.



Além disso, oito Governos - Mianmar, Chade, Índia, RDC, Ruanda, Sri Lanka, Sudão e Uganda - assinaram o tratado, mas continuam utilizando crianças em suas forças armadas ou apóiam grupos armados que recrutam menores em seus territórios ou em Estados vizinhos.



Em apoio à campanha, um grupo de ex-crianças-soldado e outros jovens de diferentes partes do mundo apresentaram hoje milhares de "mãos vermelhas" simbólicas ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, de quem cobraram ações mais contundentes contra o problema.



"O recrutamento forçado e o uso de crianças-soldado é um dos mais horríveis abusos dos direitos humanos hoje em dia", disse Ban, que lamentou o fato de milhares de crianças serem exploradas e se verem obrigadas a suportar a violência.



A HRW informou que jovens de 101 países recolheram mais de 250 mil "mãos vermelhas", o símbolo dos esforços internacionais pela erradicação das crianças-soldado, para apoiar a campanha. EFE

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Década de 2020 deve consolidar poder dos BRICs

Os anos 20 deste século podem marcar a consolidação do fortalecimento de países emergentes como potências econômicas e políticas, em um mundo cada vez mais multipolar. Segundo acadêmicos e instituições de pesquisa, os chamados BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) serão peças-chave dessa nova ordem.

Para investigar que desafios cada país do BRIC terá pela frente, no caminho para se tornar uma potência em 2020, a BBC Brasil produziu uma série especial que começa a ser publicada nesta segunda-feira, reunido reportagens multimídia de nossos repórteres no Brasil e enviados especiais a Rússia, Índia e China.

Em 2020, com 3,14 bilhões de habitantes (40% da população mundial naquele ano, segundo projeções da ONU), eles devem chegar mais perto das economias do G-7, após terem crescido a taxas muito superiores às de nações ricas.

O National Intelligence Council, entidade do governo americano ligada a agências de inteligência, prevê que já em 2025 todo o sistema internacional - como foi construído após a Segunda Guerra Mundial - terá sido totalmente transformado.

"Novos atores - Brasil, Rússia, Índia e China - não apenas terão um assento à mesa da comunidade internacional, mas também trarão novos interesses e regras do jogo", afirma a instituição

"Muito provavelmente, por volta de 2020 vamos nos dar conta de que existe um equilíbrio muito maior no mundo em termos econômicos e políticos com o fortalecimento de países emergentes como China, Índia, Brasil e Rússia. Com um maior poder econômico, virá também um maior poder político e uma participação ativa desses países em organismos internacionais", disse à BBC Brasil Stepháne Garelli, professor da Universidade de Lausanne, na Suíça, e autor de um estudo que traça cenários para 2050.

Conceito complexo

O conceito de sistema multipolar é complexo e, ainda que boa parte dos analistas concorde que o mundo caminha para isso, o tempo que levará para que a China tenha voz no Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil tenha um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU ou o Banco Mundial seja dirigido por um russo ou indiano variam muito.

Mas a discussão já não se limita mais ao meio acadêmico. Diferentes aspectos do que pode vir a ser um mundo multilateral (ou multipolar) já começam a aparecer em discursos de autoridades que estão no centro do processo de tomada de decisões internacionais.

Um exemplo recente vem de Gordon Brown, o primeiro-ministro britânico, que, às vésperas do encontro do G-20, em Londres, declarou no Brasil que "o tempo em que poucas pessoas mandavam na economia acabou".

Também às vésperas do encontro, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse em entrevista a uma TV francesa que "soluções globais supõem que a governança de instituições como o FMI seja mais legítima, mais democrática, com espaço para os países emergentes e pobres".

Reunião do G-20

A reunião do G-20, grupo que une países emergentes aos países-membros do G-8, pode ser vista como um sinal dessas mudanças. A voz dos emergentes no cenário de crise ganha especial relevância.

Segundo boa parte dos analistas ouvidos pela BBC Brasil, eles não apenas serão menos afetados do que os países desenvolvidos pela crise, como também podem se recuperar mais rapidamente.

Essa possível recuperação mais rápida se baseia em alguns pilares que serão também propulsores do crescimento de longo prazo.

"A situação das economias desses países é muito diferente. Mas, de maneira geral, os BRIC estão mais bem posicionados para a recuperação do que muitas outras economias", disse Markus Jaeger, responsável por análises de longo prazo no Deutsche Bank.

Para Alfredo Coutinho, analista mexicano da agência Moody's nos Estados Unidos, a crise revela ainda a vulnerabilidade das economias desenvolvidas e deixa clara a necessidade de equilíbrio na economia global.

"É uma oportunidade para as economias emergentes, que devem liderar a recuperação", disse Coutinho.

Crise

Em entrevista à BBC Brasil, Jim O'Neill, economista-chefe do Goldman & Sachs, que criou a sigla BRIC em 2001, prevê que a crise até mesmo acelere a escalada dos emergentes, e diz que já em 2020 a economia desses quatro países encoste nas dos países do G-7, o grupo das atuais nações mais ricas do mundo.

Não faltam céticos em relação à projeção de O'Neill. John Bowler, diretor do Serviço de Risco por País (CRS na sigla em inglês) da Economist Intelligence Unit é um deles.

"Acho que esse processo será mais demorado. Há uma série de obstáculos à confirmação dessas projeções tanto no campo econômico quanto político", disse Bowler.

Apesar das ressalvas feitas por muitos dos ouvidos pela BBC Brasil, o "otimismo" de O'Neill não é isolado.

Um relatório da consultoria Ernst&Young, Global Megatrends 2009, por exemplo, afirma que "a fome de crescimento, junto com a rápida industrialização das economias e populações em expansão, põe os emergentes no caminho da recuperação mais rapidamente, e os países do BRIC são claramente os atores principais".

Essa fome de crescimento vem, em parte, da nova classe média que tem revolucionado o consumo nesses países. Segundo o Banco Mundial, 400 milhões de pessoas se encaixavam nessa categoria em 2005 nos países em desenvolvimento. Em 2030, deverão ser 1,2 bilhão de pessoas.

"A classe média, principalmente dos países do BRIC, será o novo motor da economia mundial", prevê Stepháne Garelli, da Universidade de Lausane e diretor do índice de competitividade, publicado pelo Institute of Management Development, que avalia 61 países em 312 critérios.

"É uma classe média ávida por comprar seu primeiro carro, seu primeiro celular de última geração. Não é conservadora como a classe média do atual mundo rico. Ela quer 'comprar felicidade'", acrescentou.

Padrão de vida

O valor do PIB dará posição de destaque a esses países no ranking global de economias, mas não será suficiente para levar as populações desses países a padrões de vida próximos ao dos países hoje considerados ricos.

O PIB per capita da Índia, por exemplo, deverá praticamente dobrar num período de 15 anos até 2020, segundo um estudo do departamento de pesquisas do Deutsche Bank. Ainda assim, representará apenas 40% da renda per capita nos Estados Unidos.

De olho em indicadores como o PIB per capita, Françoise Nicolas, economista do Instituto Francês de Relações Internacionais, prevê a ascensão das "superpotências pobres".

"Será um mundo multipolar bizarro. Os BRIC serão superpotências pobres com mais peso econômico, mas o discurso ainda não estará no mesmo nível dos países ricos", prevê Nicolas.

Além da pobreza, esses países enfrentam outros desafios, como a proteção ao meio ambiente.

"Eles querem ter maior poder de decisão e, ao mesmo tempo, em certas questões como o meio ambiente, querem continuar a ser tratados como países emergentes, que não podem cumprir as mesmas exigências dos ricos", disse Thomas Klau, chefe do escritório de Paris do Council of Foreign Relations.

*Colaboraram nesta reportagem: Bruno Garcez, da BBC Brasil em Washington, Daniela Fernandes, de Paris para a BBC Brasil, e Marina Wentzel, de Hong Kong para a BBC Brasil

sábado, 4 de abril de 2009

Combate ao aquecimento pode gerar barreiras

Bloomberg

As políticas de combate ao aquecimento global que estão sendo avaliadas pelos Estados Unidos e pelo Japão correm o risco de gerar barreiras comerciais, disseram altos funcionários dos governos chinês e indiano.

As discussões travadas pelo Congresso dos EUA sobre a potencial imposição de tarifas de importação a artigos provenientes de países como a China, que se recusam a regulamentar a emissão de gases de estufa, poderão desencadear retaliações comerciais, disse Su Wei, o principal negociador da China nas conversações internacionais sobre o clima.

"Se houver a imposição de uma tarifa interfronteiras, isso envolve muito o perigo de desencadear uma guerra comercial", disse Su em entrevista por telefone a partir de Pequim. "Não é algo que gostaríamos de ver", disse ele antes do início das conversações da ONU que se estenderão até 8 de abril em Bonn, na Alemanha.

A China e os Estados Unidos, os maiores produtores mundiais de gases geradores do efeito estufa, estão negociando um novo tratado de proteção climática com 190 países. A Índia e a China rejeitam a imposição de limites às emissões para países em desenvolvimento, dizendo que os países ricos devem tomar providências primeiro.

"Temos de ter muito cuidado para que as mudanças climáticas não se tornem um bom pretexto para começarmos a dar vazão às tendências protecionistas", disse Shyam Saran, o enviado especial do governo indiano às discussões sobre mudanças climáticas, em entrevista concedida em Nova Déli dois dias atrás.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Índia e Myanmar para expandir cooperação de segurança


First Published : 24 Nov 2008 09:12:00 PM IST

Nova Delhi


A Índia pediu a Myanmar, um país do sudeste asiático rico em gás, para avançar com os processos democráticos, mesmo quando as duas nações concordaram em expandir uma cooperação de segurança para combater grupos insurgentes e contrabando de armas.

"Ambos os países enfatizaram a necessidade para uma maior vigilância na fronteira e concordaram em aprimorar uma cooperação de segurança para combater grupos insurgentes e o tráfico de armas", disse o ministro de relações exteriores em um comunicado segunda-feita, depois de dois dias de reuniões entre os dois países.

A secretária de relações exteriores Shivshankar Menon participou das reuniões com o ministro de relações exteriores de Myanmar que duraram até domingo.

As conversas cobriram uma ampla gama de questões bilaterais, incluindo questões de segurança e de fronteiras, cooperações de comércio e econômicas, e cooperações de projetos bilaterais de desenvolvimento, energia, educação e treinamento.

Eles também reforçaram a decisão tomada em um comitê conjunto de comércio que aconteceu em Outubro, que incluia converter o comércio na fronteira dos dois países em um comércio normal, abrindo um ponto de comércio em Avakhung, em Nagaland, e expandindo os produtos comerciáveis existentes atualmente de 22 para 40.

Sob uma pressão internacional crescente para usar sua influência e persuadir Myanmar em adotar reformas democráticas, a Índia também apelou para acelerar o processo de reconciliação nacional em Myanmar, dizem fontes oficiais.

A Índia esta encorajando Myanmar a adotar reformas políticas de acordo com o caminho usado pela liderança Myamarense anos atrás;

Os laços de cooperação de energia entre os dois países estão crescendo. Ambos assinaram recentemente um acordo para o desenvolvimento dos projetos das hidroelétricas de Tamanthi e Shwezay no rio Chindwin, em Myanmar.

Outros projetos de energia incluem a renovação do projeto da hidroelétrica de Tahtaychaung, a construção de linhas de transmissão, substituição de transformadores danificados duranto o Ciclone Nargis, suprimentos de gás e energia solar.

24 de Novembro de 2008

Fonte: http://www.expressbuzz.com/

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Atentados quase simultâneos na Índia deixam mais de 60 mortos

GUWAHATI, Índia (AFP) - Pelo menos 61 pessoas morreram e 300 ficaram feridas em uma série de 12 atentados a bomba praticamente simultâneos em vários departamentos do nordeste da Índia, anunciou Subhas Das, o mais alto responsável administrativo do ministério do Interior do estado de Assam.

"Até agora, 61 pessoas morreram nas explosões e 300 outras ficaram feridas, entre elas 75 em estado crítico", declarou, por sua vez, o primeiro-ministro do Estado de Assam, Tarum Gogoi.

O balanço anterior emitido pela polícia citava pelo menos 48 mortos e mais de 100 feridos em 12 atentados ocorridos num interrvalo de uma hora em vários pontos de Assam, cuja cidade principal é Guwahati.

Ao que tudo indica 12 explosões sincronizadas afetaram, em menos de uma hora, Assam e sua principal cidade, Guwahati, segundo a agência oficial Press Trust of India.

Os canais de televisão exibiram cenas de pânico e pessoas feridas sendo levadas para hospitais em meio a veículos carbonizados.

Uma das explosões destruiu um mercado de frutas em Guwahati, muito próximo de edifícios do governo regional de Assam e da Assembléia Provincial.

O nordeste da Índia forma um enclave entre o Butão e a China pelo norte, Mianmar pelo leste e Bangladesh pelo oeste.

Os estados indianos de Manipur, Nagaland, Assam, Meghalaya, Tripura e Mizoram são, em diversos graus, cenários de insurreições separatistas e atos de violência intercomunitárias que, desde a independência da Índia em agosto de 1947, deixaram 50.000 mortos.
"Não determinamos a natureza exata das explosões, nem que poderia estar por trás dos atentados. Estamos muito ocupados com as operações de resgate", afirmou o comissário da polícia de Assam, G.P. Singh.

No estado de Assam, o grupo rebelde Frente Unida de Libertação de Assam (ULFA) luta desde 1979 pela independência. Os conflitos na região, famosa pelas plantações de chá, provocaram 10.000 mortes em 20 anos.

Os rebeldes separatistas acusados de cometer os atentados negaram participação nos ataques.

"Não estamos de nenhuma maneira envolvidos nas explosões", afirma um comunicado da ULFA.
A ministra regional de Saúde, Himanta Biswa Sarma, afirmou à imprensa que a ULFA parecia ser responsável pelas explosões em Guwahati e em outras três áreas do leste do estado de Assan.

"Tudo aponta par os rebeldes da Frente Unida de Libertação de Assam, já que no passado executaram este tipo de explosões em série no estado", afirmou Sarma.

Ao que parece, as bombas foram instaladas em bicicletas.

Mais prudente, o primeiro-ministro de Assam denunciou o "ato covarde destinado a aterrorizar e que exige uma resposta firme".

A ULFA, que antes tinha muito apoio, perdeu o respaldo da população a partir do momento em que os atentados em locais públicos passaram a provocar muitas vítimas civis.

sábado, 30 de agosto de 2008

Resenha de Filme: Gandhi

Mohandas Karamchand Gandhi, mais conhecido como "Mahatma" (grande alma) Gandhi, liderou mais de 250 milhões de hindus.

Mohandas Karamchand Gandhi nasceu no dia 2 de outubro de 1869 na Índia ocidental. Seu pai era um político local, e a mãe dele era uma Vaishnavite religiosa.

Como era costume em sua cultura nesta época, com a idade de 13 anos Mohandas foi casado através de um acordo entre as respectivas famílias com uma menina da mesma idade.

Formação na Inglaterra

Depois de um pouco de educação indistinta foi decidido que ele deveria ir para a Inglaterra para estudar Direito. Ele ganhou a permissão da mãe, prometendo se conter de vinho, mulheres e carne, mas ele desafiou os regulamentos de sua casta que proibiam a viagem para a Inglaterra. Cursou a faculdade de Direito em Londres. Procurando um restaurante vegetariano, havia descoberto na filosofia de Henry Salt um argumento para o vegetarianismo e se tornou convencido. Ele organizou um clube vegetariano e as pessoas se encontravam com teósofos e interesses altruísticos. Sua primeira leitura do Bhagavad-Gita estava em Edwin Arnold, a tradução poética: "A Canção Celestial". Esta escritura hindu e o Sermão da Montanha, se tornaram mais tarde as suas bíblias e guias de viagens espirituais. Ele memorizou o Gita em suas meditações diárias, logo após escovar os dentes e freqüentemente recitou seu sânscrito original em suas orações.

A vida na África do Sul

Gandhi em seu escritório de advocacia na África do Sul.Quando Gandhi voltou à Índia em 1891 a mãe dele houvera falecido, e ele não obteve êxito a exercer na Índia sua profissão legal como advogado devido sua timidez. Assim ele aproveitou a oportunidade de ir para África do Sul durante um ano, representando uma firma hindu em Natal durante um processo judicial naquela terra .

África do Sul, local notório para discriminação racial, deu para Gandhi os insultos que despertaram sua consciência social. Como advogado Gandhi fez o melhor para descobrir os fatos.

Depois de resolver um caso difícil, ele passou deste modo a ser "visto" e comentado. Segundo ele: "eu tive um aprendizado que me levou a descobrir o lado melhor da natureza humana e entrar nos corações dos homens. Eu percebi que a verdadeira função de um advogado era unir rivais de festas a parte".

Ele também teimou em receber a verdade dos clientes dele, e se ele descobrisse que eles tivessem mentido, ele derrubaria os casos de seus clientes. Acreditava que o dever do advogado era ajudar o tribunal a descobrir a verdade, não tentar provar o culpado inocente. Ao término do ano durante uma festa de adeus antes que ele fosse viajar para a Índia, Gandhi notou no jornal que uma lei estava sendo proposta e que privaria os hindus do voto.

Os amigos dele o insistiram: "fique e conduza a briga para os direitos de nossos compatriotas na África do Sul." Gandhi fundou em Natal o Congresso hindu em 1894, e seus esforços eram uma vigorosa advertência para a imprensa.

Gandhi e sua esposa Kasturba Gandhi em foto de 1902.Quando Gandhi retornou à África, após buscar a esposa e filhos na Índia em janeiro de 1897, os sul-africanos tentaram interromper suas atividades de maneiras sórdidas. Uma delas foi a tentativa de subornar e ameaçar o agropecuário Dada Abdulla Sheth; mas Dada Abdulla era cliente de Gandhi, e finalmente depois de um período de quarentena, Gandhi recebeu permissão para aterrissar. A turba de espera reconheceu Gandhi, e alguns brancos começaram a espancá-lo até que a esposa do Superintendente Policial veio ao salvamento dele. A turba ameaçou linchá-lo, mas Gandhi escapou usando um disfarce.

Gandhi com o "Indian Ambulance Corps" durante a "Segunda Guerra dos Boers" 1899-1900.Depois ele se recusou processar os que haviam lhe espancado, permanecendo firme ao principio de ego-restrição com respeito a uma pessoa infratora; além de que, tinha sido os líderes da comunidade e do governo de Natal que haviam causado o problema. Não obstante o acontecido Gandhi sentia o dever de apoiar o povo britânico durante a Guerra dos Boers, organizando e conduzindo um Corpo médico hindu para alimentar os feridos no campo de batalha. Quando trezentos hindus e oitocentos criados foram contratados, os brancos foram surpreendidos.

Gandhi acabou permanecendo vinte anos na África do Sul defendendo a minoria hindu, liderando a luta de seu povo pelos seus direitos. Ele experimentou o celibato durante trinta anos de sua vida, e em 1906 levou o juramento de Brahmacharya para o resto da vida dele.

Satyagraha, a força da verdade Caricatura de Gandhi representando o potencial explosivo junto à opinião pública mundial de sua desobediência civil contra o registro imposto pelo governo sul-africano.O primeiro uso de desobediência civil em massa ocorreu em setembro de 1906. O Governo de Transvaal quis registrar a população hindu inteira. Os hindus formaram uma massa que se encontrou no Teatro Imperial de Joanesburgo; eles estavam furiosos com a ordem humilhante, e alguns ameaçaram exercer uma resposta violenta a ordem injusta.

Porém, eles decidiram em grupo a se recusarem a obedecer as providências de inscrição; havia unanimidade completa, apenas alguns se registraram. Ainda, Gandhi sugeriu aos indianos que levassem um penhor em nome de Deus; embora eles fossem hindus e muçulmanos, todos acreditavam em um e no mesmo Deus. Gandhi decidiu chamar esta técnica de recusar submeter a injustiça de Satyagraha que quer dizer literalmente: "força da verdade" . Uma semana depois de desobediência, as mulheres Asiáticas foram dispensadas do registro. Quando o governo de Transvaal finalmente pôs em pratica o "Ato de Inscrição Asiático" em 1907, Gandhi e vários outros hindus foram presos.

A pena dele foi de só dois meses sem trabalho duro, dedicando-se durante esse período à leitura.

Durante a vida, Gandhi passaria um total de mais de seis anos como prisioneiro. Enquanto lendo em prisão Gandhi descobriu a "Desobediência Civil" de Thoreau e os trabalhos de Tolstoy. Logo ele começou a perceber cada vez mais as possibilidades infinitas do "amor universal".

O movimento de protesto para a conquista dos direitos indianos na África do Sul continuou crescendo; em um certo ponto foram presos 2.500 indianos dos 13,000 existentes na província, enquanto 6,000 tinham fugido de Transvaal.

Sendo civil aos oponentes durante a desobediência, Gandhi desenvolveu o uso de ahimsa que significa "sem dor" e normalmente é traduzido "não violência". Gandhi seguiu o Ódio de preceito "o pecado e não o pecador. Desde que nós vivemos espiritualmente, ferir ou atacar outra pessoa são atacar a si mesmo. Embora nós possamos atacar um sistema injusto, nós sempre temos que amar as pessoas envolvidas. Assim ahimsa é a base da procura para verdade".

Gandhi também foi atraído a vida agrícola simples. Ele começou duas comunidades rurais em Satyagrahis: "Phoenix Farm" e "Tolstoy Farm". Escreveu e editou o diário "Opinião indiana", para elucidar os princípios e a prática de Satyagraha. Três assuntos foram apontados: a indagação para direitos dos hindus na África do Sul; sobre a proibição de imigrantes Asiáticos; e por fim, sobre o invalidamento de todos casamentos não Cristãos.

Em novembro de 1913 Gandhi conduziu uma marcha com mais de duas mil pessoas. Gandhi foi preso e solto após pagar fiança. Logo após o prenderam novamente e o libertaram, e novamente foi preso depois de quatro dias de liberdade. Foi então condenado ao trabalho forçado durante três meses, mas as greves continuaram, envolvendo aproximadamente 50.000 operários e milhares de índianos foram escravizados na prisão.

Alguns missionários Cristãos doaram todo seu dinheiro para o movimento. Foram libertados Gandhi e outros líderes, e foi anunciada outra marcha. Porém, Gandhi recusou tirar proveito através de uma greve em uma estrada de ferro dos "brancos" (já que certa vez Mohandas
Gandhi havia sido expulso de um compartimento de primeira classe de um trem, ao se recusar a "ceder" o seu lugar à um branco e se mover para a terceira classe), sendo que Gandhi cancelou a marcha, apesar de estar "quebrando" o penhor de Sujeira (1908). "Perdão é o ornamento do valente", Gandhi explicou.

Finalmente através de negociação os assuntos estavam resolvidos. Todos os matrimônios independente da religião eram válidos; os impostos em atraso foram cancelados e inclusive os operários contratados; e foi concedida mais liberdade aos indianos.

Gandhi constatou o poder do método de Satyagraha e profetizou como poderia transformar a civilização moderna. "É uma força que, se ficasse universal, revolucionaria ideais sociais e anularia despotismos e o militarismo."

Enquanto isso a Índia ainda estava sofrendo debaixo de regra colonial britânica. Gandhi sugere que a Índia pode ganhar sua independência por meios não violentos e por via da ego-confianca. Ele rejeita a força bruta e sua opressão e declara que a força da alma ou amor e que se mantém a unidade das pessoas em paz e harmonia.

De volta a Índia em 1915, Gandhi passou a exercer o papel de conscientizador da sociedade hindu e muçulmana na luta pacífica pela independência indiana, baseada no uso da não violência. O uso da não violência baseava-se no uso da desobediência civil.

Gandhi estava pronto para morar nas ruas sujas com os intocáveis se necessário, mas um benfeitor anônimo doou bastante dinheiro que duraria um ano. Passa a ajudar os necessitados e as crianças carentes.

Em 1917 Gandhi ajudou as pessoas que trabalhavam em tecelagens, diante exploração injusta dos proprietários sobre esses trabalhadores. Ele foi detido, mas logo perceberam que o Mahatma era o único que poderia controlar as multidões.

Reformas foram ganhas novamente por meio da desobediência civil. Os trabalhadores têxteis de Ahmedabad também eram economicamente oprimidos. Gandhi sugeriu uma greve, e como os trabalhadores temiam as conseqüências dela, ele faz um jejum para encorajar que eles continuem a greve. Gandhi explicou que ele não jejuou para coagir o oponente, mas fortalecer ou reformar esses que o amaram. Ele não acreditou que jejuando resultaria em salários mais altos.

O primeiro desafio de Gandhi contra o governo britânico na Índia estava em resposta contra os poderes arbitrários do "Rowlatt Act" em 1919. A Índia tinha cooperado com a Inglaterra durante a guerra, no entanto estavam sendo reduzidas as liberdades civis.

Guiado por um sonho ou experiência interna Gandhi decidiu pedir um dia de greve geral. Porém, a filosofia de Mahatma não foi bem entendida pelas massas, e violências estouraram em vários lugares. O Mahatma se arrependeu declarando que tinha feito "um erro de cálculo", e ele cancelou a campanha.

Gandhi fundou e publicou dois semanários sem anúncios - a "Índia Jovem" em inglês e o "Navajivan" em Gujarati. Em 1920 Gandhi iniciou uma campanha de âmbito nacional de não cooperação com o governo britânico que para o camponês significou o não pagamento de impostos e nenhuma compra de bebida alcóolica, desde que o governo ganhou toda a renda de sua venda.

Gandhi realizou várias viagens ao longo de todo território hindu, com a função de conseguir a conscientização em massa de todas as pessoas, mostrando a necessidade da prática da desobediência civil e do uso da não violência. Durante finais dos anos 20, Gandhi escreve uma auto-biografia retratando suas experiências vividas. Ele é bastante sincero nesse livro, chegando ao ponto de se humilhar pelos erros cometidos, mostrando o esforço de os superar.

Apelo de Gandhi ao povo de Bombaim, publicado em 1919 no semanário "Índia Jovem" ("Young India").Em suas falas ele exibe através dos dedos da mão seu programa de cinco pontos:

igualdade;
nenhum uso de álcool ou droga;
unidade hindu-muçulmano;
amizade;
e igualdade para as mulheres.


Esses cinco pontos, os cinco dedos representando o sistema, estavam conectados ao pulso, simbolizando a não-violência. Finalmente em 1928, ele anunciou uma campanha de Satyagraha em Bardoli contra o aumento de 22% em impostos britânicos. As pessoas se recusaram a pagar os impostos, sendo repreendidas pelo governo britânico. No entanto os indianos continuavam não violentos. Finalmente, após vários meses, os britânicos cancelaram os aumentos, libertaram os prisioneiros, e devolveram as terras e propriedades confiscadas; e os camponeses voltaram a pagar seus tributos.

Ainda nesse ano, o congresso indiano quis a autonomia da Índia e considerou guerra aos ingleses para conseguir esse fim. Gandhi recusou a apoiar uma atitude como esta, porém declarou que se a Índia não se tornasse um Estado independente ao final de 1929, então ele exigiria sua independência.

A "Marcha do Sal"

Por conseguinte em 1930, Mahatma Gandhi informou ao vice-rei, de que a desobediência civil em massa iniciaria no dia 11 de março. "Minha ambição é nada menos que converter as pessoas britânicas à não violência, e assim lhe faz ver o mal que fizeram para a Índia. Eu não busco danificar as pessoas.". Gandhi decidiu desobedecer as "Leis do Sal" que proibiram os hindus de fazer seu próprio sal; este monopólio britânico golpeou especialmente aos pobres. Começando com setenta e oito participantes, Gandhi iniciou uma marcha de 200 milhas para o mar que duraria mais de vinte e quatro dias. Milhares tinham se juntado no começo, e vários milhares uniram-se durante a marcha. Primeiro Gandhi e, então outros juntaram um pouco de água salgada na beira-mar em panelas, deixando ao sol para secar. Em Bombaim o Congresso teve panelas no telhado; 60.000 pessoas juntaram-se ao movimento, e foram presas centenas delas.

Em Karachi onde 50.000 assistiram o sal sendo feito, a multidão era tão espessa que impedia a polícia de efetuar alguma apreensão. As prisões estavam lotadas com pelo menos 60,000 ofensores. Incrivelmente lá "não havia praticamente nenhuma violência por parte da população; as pessoas não queriam que Gandhi cancelasse o movimento.

A "Marcha do Sal" em 1930.

Gandhi foi preso antes de que pudesse invadir os "Trabalhos Dharasana Sal", mas o amigo dele Sr. Sarojini Naidu conduziu 2.500 voluntários e os advertiu a não resistir às interferências da polícia. De acordo com uma testemunha ocular, o repórter Miller de Webb, eles continuaram marchando até serem detidos abaixo do aco-shod lathis, por quatrocentos policiais, mas eles não tentaram lutar.

Tagore declarou que a Europa tinha perdido a moral e o prestígio na Ásia. Logo, mais de 100.000 hindus estavam na prisão, incluindo quase todos líderes.

Gandhi foi chamado à uma reunião com o Vice-rei Irwin em 1931, e eles firmaram um acordo em março. A Desobediência civil foi cancelada; foram libertados os prisioneiros; a fabricação de sal foi permitida na costa; e os líderes do Congresso assistiriam à próxima Conferência de Mesa Redonda em Londres. Para participar desta conferência, Gandhi viajou novamente a Londres, onde conheceu Charlie Chaplin, George Bernard Shaw, e Maria Montessori, entre outros. Em transmissão de rádio para os Estados Unidos, ele falou que a força não violenta é um modo mais consistente, humano e digno. Discutindo relações com os britânicos, ele disse que ele não quis somente a independência, mas também a interdependência voluntária baseada no amor.

Chaplin e Gandhi. Enquanto, preso em 1932, Gandhi entrou em um jejum em nome dos Harijans porque a eles tinha sido determinado um eleitorado separado. Poderia ser um jejum até morte, a menos que ele pudesse despertar a consciência hindu. O assunto estava resolvido, e até mesmo templos hindus intocáveis eram abertos pela primeira vez. No próximo ano, Gandhi fez um jejum de vinte e um dias para purificação, e os funcionários britânicos, amedrontados de que ele pudesse morrer, colocaram-no na prisão. Gandhi anunciou que não se ocuparia da desobediência civil até que sua oração fosse completada.

Mesmo com a Segunda Guerra Mundial se aproximando, Gandhi havia confirmado seus princípios pacifistas. Ele mostrou como a Abissínia (Etiópia) poderia ter usado a não violência contra Mussolini, e ele recomendou isto para os Tchecos e para os chineses. "Se é valente, como é, para morrer a um homem que luta contra preconceitos, é ainda bravo para recusar briga e ainda recusar se render ao usurpador"

Gandhi oferecendo 15 minutos de massagem diária a um leproso no "Sevagram Ashram" em 1940.Já em 1938 ele exortou os judeus para defender os direitos deles e se necessário morrer como mártires. "Um manhunt degradante pode ser transformado em um posto tranqüilo e determinado, oferecendo aos homens e mulheres desarmados, a força dada a eles por Jehovah." Mahatma recomenda o uso de Métodos não violentos aos britânicos para combater Hitler; já que não podia dar seu apoio a qualquer tipo de guerra ou matança.

O Congresso prometeu a Gandhi que ele ficaria fora da prisão, mas outros 23.223 indianos foram presos, inclusive Vinoba Bhave, Jawaharlal Nehru, e Patel. Em 1942, Gandhi sugeriu modos para resistir não violentamente aos japoneses. Ele propôs uma atração às pessoas japonesas, a causa da "federação mundial da fraternidade sem a qual não poderia haver nenhuma esperança para a humanidade".

Porém, Gandhi continuou exercendo uma revolução não violenta para a Índia, e em 1942 ele e outros lideres foram presos. Ele decidiu jejuar novamente, sendo que apenas ele sobreviveu. Quando a guerra terminou, ele afirmou da necessidade de "uma paz real baseada na liberdade e igualdade de todas as raças e nações". Nos últimos anos de sua vida, se tornou mais do que um socialista. Ele havia dito, "Violência é criada por desigualdade, a não violência pela igualdade".

Ele foi a uma peregrinação para Noakhali para ajudar aos pobres. Independência para a Índia era agora iminente, mas Jinnah o Líder muçulmano estava exigindo a criação de um estado separado: o Paquistão. Gandhi prega para unidade e tolerância, até mesmo lendo às reuniões um Alcorão de orações.

Os hindus o atacaram porque pensaram que ele era a favor dos muçulmanos, e os muçulmanos exigindo dele a criação do Paquistão. Gandhi foi para Calcutá para acalmar a discussão e a violência entre hindus e muçulmanos. Mais uma vez ele jejuou até que os lideres da comunidade assinaram um acordo para manter a paz. Antes de que eles assinassem, ele os advertiu de que se rebelassem ele jejuaria até a morte. Gandhi também, em janeiro de 1948 fez muito para acalmar os conflitos entre hindus e muçulmanos, permitindo a divisão da Índia em dois países.

O movimento pela independência indiana Caricatura de Gandhi sendo preso por Lord Willingdon, do início da década de 1930. O desenho representa a compreensão de que colocá-lo tantas vezes na prisão terminou por ser uma forma de multiplicar seus ensinamentos.Após a guerra, Gandhi se envolveu com o Congresso Nacional Indiano e com o movimento pela independência. Ganhou notoriedade internacional pela sua política de desobediência civil e pelo uso do jejum como forma de protesto.

Por esses motivos sua prisão foi decretada diversas vezes pelas autoridades inglesas, prisões às quais sempre se seguiram protestos pela sua libertação (por exemplo, em 18 de março de 1922, quando foi sentenciado a seis anos de prisão por desobediência civil, mas cumpriu apenas dois anos).

Outra estratégia eficiente de Gandhi pela independência foi a política do swadeshi - o boicote a todos os produtos importados, especialmente os produzidos na Inglaterra. Aliada a esta estratégia estava sua proposta de que todos os indianos deveriam vestir o khadi - vestimentas caseiras - ao invés de comprar os produtos têxteis britânicos.

Gandhi declarava que toda mulher indiana, rica ou pobre, deveria gastar parte do seu dia fabricando o khadi em apoio ao movimento de independência. Esta era uma estratégia para incluir as mulheres no movimento, em um período em que pensava-se que tais atividades não eram apropriadas às mulheres.

Sua posição pró-independência endureceu após o Massacre de Amritsar em 1920, quando soldados britânicos abriram fogo matando centenas de indianos que protestavam pacificamente contra medidas autoritárias do governo britânico e contra a prisão de líderes nacionalistas indianos.

Uma de suas mais eficientes ações foi a marcha do sal, conhecida como Marcha Dândi, que começou em 12 de março de 1930 e terminou em 5 de abril, quando Gandhi levou milhares de pessoas ao mar a fim de coletarem seu próprio sal ao invés de pagar a taxa prevista sobre o sal comprado.

Em 8 de Maio de 1933, Gandhi começou um jejum que duraria 21 dias em protesto à opressão Britânica contra a Índia. Em Bombaim, no dia 3 de março de 1939, Gandhi jejuou novamente em protesto às regras autoritárias e autocráticas para a Índia.

Segunda Guerra Mundial Mahadev Desai lendo para Gandhi uma carta do vice-rei, em Birla House, Mumbai, em 1939.Gandhi passou cada vez mais a pregar a independência durante a II Guerra Mundial, através de uma campanha clamando pela saída dos britânicos da Índia (Quit Índia, literalmente Saiam da Índia), que em pouco tempo se tornou o maior movimento pela independência indiana, ocasionando prisões em massa e violência em uma escala inédita.

Gandhi e seus partidários deixaram claro que não apoiariam a causa britânica na guerra a não ser que fosse garantida à Índia independência imediata.

Durante este tempo, ele até mesmo cogitou um fim do seu apelo à não-violência, de outra forma um princípio intocável, alegando que a "anarquia ordenada" ao redor dele era "pior do que a anarquia real". Foi então preso em Bombaim pelas forças britânicas em 9 de agosto de 1942 e mantido em cárcere por dois anos.

A divisão da Índia entre hindus e muçulmanos

Gandhi teve grande influência entre as comunidades hindu e muçulmana da Índia. Costuma-se dizer que ele terminava rixas comunais apenas com sua presença. Gandhi posicionou-se veementemente contra qualquer plano que dividisse a Índia em dois estados, o que efetivamente aconteceu, criando a Índia - predominantemente hindu - e o Paquistão - predominantemente muçulmano.

No dia da transferência de poder, Gandhi não celebrou a independência com o restante da Índia, mas ao contrário, lamentou sozinho a partilha do país em Calcutá.

Gandhi havia iniciado um jejum no dia 13 de janeiro de 1948 em protesto contra as violênicas cometidas por indianos e paquistaneses. No dia 20 daquele mês, ele sofreu um atentado: uma bomba foi lançada em sua direção, mas ninguém ficou ferido.

Entretanto, no dia 30 de janeiro de 1948, Gandhi foi assassinado a tiros, em Nova Déli, por Nathuram Godse, um hindu radical que responsabilizava Gandhi pelo enfraquecimento do novo governo ao insistir no pagamento de certas dívidas ao Paquistão. Godse foi depois julgado, condenado e enforcado, a despeito de que o último pedido de Gandhi ter sido justamente a não-punição de seu assassino.

O corpo do Mahatma foi cremado e suas cinzas foram jogadas no rio Ganges.
É significativo sobre a longa busca de Gandhi por seu deus o fato de suas últimas palavras serem um mantra popular na concepção hindu de um deus conhecido como Rama: "Hai Ram!" Este mantra é visto como um sinal de inspiração tanto para o espírito quanto para o idealismo político, relacionado a uma possibilidade de paz na unificação.

Princípios Mahatma Gandhi, continuou a transmitir seus ensinamentos de manifestação não-violenta até seus últimos anos de vida.A filosofia de Gandhi e suas idéias sobre o satya e o ahimsa foram influenciadas pelo Bhagavad Gita e por crenças hindus e da religião jainista. O conceito de 'não-violência' (ahimsa) permaneceu por muito tempo no pensamento religioso da Índia e pode ser encontrado em diversas passagens do textos hindus, budistas e jainistas. Gandhi explica sua filosofia como um modo de vida em sua autobiografia A História de meus Experimentos com a Verdade (As Minhas Experiências com a Verdade, em Portugal) - (The Story of my Experiments with Truth).


Estritamente vegetariano, escreveu livros sobre o vegetarianismo enquanto estudava direito em Londres (aonde encontrou um entusiasta do vegetarianismo, Henry Salt, nos encontros da chamada Sociedade Vegetariana). Ser vegetariano fazia parte das tradições hindus e jainistas. A maioria dos hindus no estado de Gujarat eram-no, efetivamente. Gandhi experimentou diversos tipos de alimentação e concluiu que uma dieta deve ser suficiente apenas para satisfazer as necessidades do corpo humano. Jejuava muito, e usava o jejum frequentemente como estratégia política.

Gandhi renunciou ao sexo quando tinha 36 anos de idade e ainda era casado, uma decisão que foi profundamente influenciada pela crença hindu do brachmacharya, ou pureza espiritual e prática, largamente associada ao celibato. Também passava um dia da semana em silêncio. Abster-se de falar, segundo acreditava, lhe trazia paz interior. A mudez tinha origens nas crenças do mouna e do shanti. Nesses dias ele se comunicava com os outros apenas escrevendo.

O título de Mahatma atribuído a Gandhi representa um reconhecimento de seu papel como líder espiritual.Depois de retornar à Índia de sua bem-sucedida carreira de advogado na África do Sul, ele deixou de usar as roupas que representavam riqueza e sucesso. Passou a usar um tipo de roupa que costumava ser usada pelos mais pobres entre os indianos. Promovia o uso de roupas feitas em casas (khadi). Gandhi e seus seguidores fabricavam artesanalmente os tecidos da própria roupa e usavam esses tecidos em suas vestes; também incentivava os outros a fazer isso, o que representava uma ameaça ao negócio britânico - apesar dos indianos estarem desempregados, em grande parte pela decadência da indústria têxtil, eles eram forçados a comprar roupas feitas em indústrias inglesas. Se os indianos fizessem suas próprias roupas, isso arruinaria a indústria têxtil britânica, ao invés de fortalecê-la.

O tear manual, símbolo desse ato de afirmação, viria a ser incorporado à bandeira do Congresso Nacional Indiano e à própria bandeira indiana.

Também era contra o sistema convencional de educação em escolas, preferindo acreditar que as crianças aprenderiam mais com seus pais e com a sociedade. Na África do Sul, Gandhi e outros homens mais velhos formaram um grupo de professores que lecionava diretamente e livremente às crianças.

Dentro do ideal de paz e não-violência que ele defendia, uma de suas frases foi: "Não existe um caminho para paz! A paz é o caminho!".




quinta-feira, 13 de março de 2008

Mundo... Estranho Mundo... II

Alunos presos no trânsito fazem prova em ônibus

Alunos presos em engarrafamento fazem prova em ônibus na Índia. Os alunos de uma escola de Agra, no norte da Índia, tiveram de fazer as provas anuais dentro do ônibus escolar por causa de um congestionamento que os impediu de chegar à escola.O motorista fez de tudo, mas não conseguiu sair da muvuca. Motoboys tiveram de levar as provas até os alunos.O diretor admitiu que as condições em que os estudantes fizeram as provas não foram as melhores do mundo e se comprometeu a "pegar leve" na correção.Os estudantes tiveram que responder ao teste enquanto o ônibus avançava lentamente próximo do município de Khandauli, a 20 quilômetros de Agra. O congestionamento foi causado porque caminhões de transporte de batatas que fazem fila para depositar suas cargas nos armazéns.

http://noticias.uol.com.br/tabloide/tabloideanas/2008/03/12/ult1594u1164.jhtm