domingo, 17 de maio de 2009
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Fórum de Davos começa nesta quarta com crise no centro das discussões
Tem início nesta quarta-feira (28) a edição 2009 do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), encontro que reúne cerca de 2.500 dirigentes políticos e empresariais na cidade de Davos, na Suíça. Segundo analistas, o encontro deve ser dominado pelas discussões sobre a crise financeira que teve início no mercado imobiliário americano e se espalhou pelo mundo.
O presidente e fundador do WEF, Klaus Schwab, disse que o encontro terá que debater meios de "reconstruir a arquitetura financeira mundial" e "reativar a economia do planeta". "Ainda estamos no meio da crise", admitiu Schwab.
O discurso inaugural será feito pelo primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, que estará em Davos pela primeira vez. Ao seu lado, estarão alguns peso-pesados, como Jean-Claude Trichet, presidente do BC europeu, e Ban Ki-moon, secretário-general da Organização das Nações Unidas (ONU).
Também devem participar Pascal Lamy, diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC), Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, além de políticos como o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao e o inglês Gordon Brown. A chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro-ministro japonês Taro Aso também deverão estar presentes.
Ausências
No entanto, o encontro terá também algumas ausência notáveis. A mais sentida deverá ser a do novo presidente dos EUA, Barack Obama, que não tem presença prevista no evento, segundo os organizadores do Fórum Mundial.
A delegação norte-americana deve ser representada por Valerie Jarret, conselheira econômica de Obama, e por outros nomes como o do ex-presidente Bill Clinton e do ex-vice Al Gore. Outra ausência deverá ser a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a Presidência da República, até a última sexta-feira (23) não estava prevista a participação de Lula no evento. Ao invés de Davos, Lula deverá estar em Belém, onde participará do Fórum Social Mundial.
Na Suíça, a comitiva brasileira será encabeçada pelo chanceler Celso Amorim e pelo presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. Quem também deve comparecer é o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB).
Reformas financeiras
Outro tema que deverá ser discutido no evento é a reforma de instituições globais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.
A idéia, já discutida nas reuniões do G20 - grupo que reúne países ricos e em desenvolvimento - é aumentar a representatividade das nações emergentes, de modo que essas organizações ganhem mais força para tomar medidas de alcance global contra a crise.
Rodada de Doha
Também podem acontecer encontros para avançar nas negociações da Rodada de Doha – as discussões para facilitar o comércio mundial, que se arrastam há vários anos sem chegarem a uma conclusão.
A presença do chanceler brasileiro Celso Amorim pode ser um indicativo que esse tema será abordado, uma vez que ele é um dos principais incentivadores das negociações. Davos também terá a presença do ministro indiano que foi considerados um dos responsáveis pelo colapso das últimas negociações sobre Doha, no segundo semestre do ano passado.
(Com informações da France Presse)
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Lamy adia reunião ministerial sobre Rodada de Doha
Em uma carta enviada aos negociadores, Lamy adia o encontro para 17-19 de dezembro.
A decisão foi adotada ao final de uma reunião, de mais de duas horas, com cerca de 30 representantes da Organização Mundial do Comércio (OMC) para avaliar os textos de compromisso sobre os expedientes da Agricultura e dos produtos industrializados, publicados neste final de semana e que deveriam servir de base para as negociações de mais alto nível.
Três temas se mostraram particularmente delicados nesta reunião, exigindo discussões mais amplas, reconheceu Lamy na carta enviada esta noite aos chefes de delegação da OMC.
"Acredito que há três temas - a iniciativa setorial, o SSM (mecanismos de salvaguarda especial) e o algodão - que exigem um sério exame político antes que possamos fazer uma reunião ministerial".
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
OMC decide não convocar reunião ministerial sobre Doha
GENEBRA (Reuters) - O diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), Pascal Lamy, decidiu não convocar uma reunião ministerial em Genebra neste mês para buscar um avanço nas negociações da Rodada de Doha, disseram diplomatas na sexta-feira.
A decisão significa que os ministros não conseguiram responder a um pedido de líderes do G20 feito no mês passado para que um acordo fosse alcançado até o final deste ano, visando ajudar a conter a crise financeira.
A medida também promete acarretar em um período de incertezas para o comércio internacional, no momento em que o mundo enfrenta uma forte crise econômica.
Lamy claramente decidiu que as perspectivas de sucesso na reunião não são altas o suficiente para convocar os ministros neste momento. Isso formalmente deixa a Rodada de Doha ainda em progresso, mas economistas dizem que será muito mais difícil alcançar um acordo no ano que vem, quando a economia mundial já estará em uma situação muito pior do que hoje.
Mas Lamy deixou a líderes políticos, como o primeiro-ministro britânico Gordon Brown, que pressionou por um acordo, a oportunidade de salvar as negociações durante o fim de semana.
"Líderes demonstraram um desejo, mas isso não se traduziu em vontade suficiente nesta etapa", disse Lamy em uma reunião de embaixadores da OMC.
"A menos que isso mude dramaticamente nas próximas 48 horas, essa é a realidade de Genebra", disse ele segundo um participante da reunião.
Os próximos passos para negociação serão discutidos em uma reunião do conselho geral da OMC em 18 e 19 de dezembro.
Para o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, sem um avanço agora, uma conclusão para a rodada, que já tem sete anos, demorará ainda mais tempo.
"Seria mais fácil ter isso agora do que daqui a alguns meses. Acho que se esperarmos provavelmente levará anos", disse ele pouco antes do anúncio da decisão de Lamy.
Amorim, entretanto, afirmou que o trabalho continuará a ser feito em busca de um avanço nas negociações.
"Se não tivermos progresso agora... não vamos nos desesperar. Vamos continuar trabalhando aqui. Isso vai demorar mais, o mundo entrará em uma recessão mais profunda, o comércio não vai ajudar a tirar o mundo da recessão, mas vamos continuar com as negociações", completou.
TRÊS QUESTÕES
Lamy havia indicado anteriormente que uma reunião poderia ser realizada neste fim de semana. Mas na segunda-feira, depois de se reunir com embaixadores da OMC para discutir os textos revisados de negociação sobre agricultura e bens industriais divulgados no sábado, ele decidiu que são necessárias mais consultas em três questões sensíveis.
Uma delas é a proposta para criar zonas livres de impostos em alguns setores industriais como químicos. Outra é para proteger produtores de países pobres do aumento das importações, e uma terceira a respeito de subsídios ao algodão -- todos do interesse dos EUA.
Lamy disse aos embaixadores que importantes players comerciais não estão dispostos a gastar capital político para reduzir as diferenças sobre os acordos setoriais e as questões de salvaguardas agrícolas.
Lamy passou os últimos três dias em conversas pessoais e teleconferências com ministros e autoridades de Estados Unidos, China, Índia, Brasil e outras potências para tentar reduzir as lacunas dessas questões, disseram autoridades.
A Representação Comercial dos Estados Unidos informou estar desapontada por não ter havido consenso suficiente que permitisse a convocação de uma reunião ministerial.
O órgão do governo dos EUA disse que persistiam muitas lacunas entre as posições das partes nas negociações da Rodada de Doha.
"Estamos decepcionados por o diretor-geral não ter conseguido estabelecer uma base para uma reunião ministerial produtiva que levaria a um resultado ambicioso e equilibrado de Doha", afirmou em comunicado Gretchen Hamel, porta-voz da titular da Representação Comercial, Susan Schwab.
Os Estados Unidos mostraram flexibilidade durante as últimas semanas mas "muitas lacunas permaneciam e vários membros da OMC demonstraram preocupação", disse Hamel.
"Existia também mais que um punhado de questões na mesa necessitando solução, e todas elas com o potencial de travar a rodada".
(Com reportagem de Roberta Rampton, em Washington)
