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sábado, 6 de junho de 2009

Carcereiro diz que Pol Pot mandava "esmagar" prisioneiros

Por Ek Madra

PHNOM PENH (Reuters) - O carcereiro chefe de Pol Pot disse em um tribunal apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) que milhares de cambojanos foram torturados e mortos na famosa prisão S-21, sob ordens do líder do Khmer Vermelho.

Duch, o primeiro de cinco aliados de Pol Pot que irão a julgamento pelos massacres de 1975 a 1979, nos quais 1,7 milhão de cambojanos morreram, disse que o destino dos prisioneiros da S-21 foi selado em um encontro da liderança presidido pelo "Irmão Número Um", Pol Pot.

"O princípio era: quem fosse preso e interrogado, tem de ser esmagado. Isso significa ser morto", afirmou Duch, dizendo estar parafraseando minutos de um encontro em 9 de outubro de 1975.

O ex-professor de matemática, que tem 66 anos e cujo nome real é Kaing Guek Eav, era chefe da prisão também conhecida como Tuol Sleng, onde mais de 14 mil inimigos da revolução foram torturados e mortos.

Com a ausência de pena de morte no Camboja, Duch pode ser condenado a prisão perpétua se considerado culpado pelo tribunal conjunto entre ONU e o país. Ele é acusado de crimes de guerra, crimes contra a humanidade, tortura e homicídio.

Duch, que se tornou cristão após o Khmer Vemelho ter sido deposto por uma invasão vietnamita, aceitou a culpa pelas mortes, mas disse que estava apenas cumprindo ordens.

Ele descreveu nesta quinta-feira como a S-21 era estruturada. Ele se reportava ao então ministro da Defesa, Son Sen, que foi morto em 1997 sob ordens de Pol Pot, que morreu no ano seguinte.

"Pol Pot iniciou a política e Son Sen estava lá para implementá-la", afirmou Duch.

A maioria das vítimas da S-21 era torturada e forçada a confessar espionagem outros crimes antes de serem espancadas até a morte nos "Campos de Extermínio" fora da capital Phnom Penh.

Duch afirmou que encaminhava os relatórios de interrogatórios a Son Sen, e, depois, ao "Irmão Número Dois", Nuon Chea, que substituiu Son Sen como seu supervisor.

Nuon Chea e outros militares que enfrentarão julgamento - o ex-presidente Khieu Samphan, o ex-ministro das Relações Exteriores Ieng Sary e sua mulher - negaram ter conhecimento das atrocidades.

sábado, 30 de maio de 2009

Camboja julga Khmer Vermelho

Regime, dos anos 1970, teria matado centena de milhares de pessoas.

Mônica Valéria Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

Um tribunal no Camboja realizou nesta terça-feira sua primeira audiência no processo contra acusados de participação no regime do Khmer Vermelho.

O primeiro a comparecer, no tribunal apoiado pela ONU, foi o ex-chefe de uma das prisões mais infames do regime, que durou de 1975 a 1979.

Kang Kek Ieu, também conhecido como Duch, é um dos cinco líderes-sêniores presos e indiciados pelo tribunal.

Ele era o responsável pela prisão Tuol Slang, na capital Phnom Penh. Segundo relatos, milhares de pessoas teriam morrido após sofrer maus-tratos na cadeia.

Trabalho Forçado

O julgamento de Kek Ieu começa um dia após a polícia cambojana ter prendido o ex-chefe de Estado do regime, Khieu Samphan.

O regime do Khmer Vermelho, liderado por Pol Pot, é acusado de matar centenas de milhares de pessoas. A maioria por maus tratos, fome e trabalho forçado.

O tribunal internacional conta com juízes e funcionários estrangeiros.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Cambodia: Evidence at the Khmer Rouge Tribunal

Posted By Chhunny Chhean On 2009-03-31 @ 21:06 pm In Cambodia, East Asia, English, History, Human Rights, Law, TOPICS, Weblog | No Comments

VOA Khmer [1]interviewed former Khmer Rouge rebels who doubt there will be sufficient evidence to convict the five leaders waiting to stand trial at the Khmer Rouge Tribunal [2]. Sok Pheap, a general in the army who had defected from the Khmer Rouge in 1996, challenges,

I didn’t know [who the killers were]; I was the soldier in the forest, and when I came back home also my relatives had gone missing, killed, and most of villagers had died.

Another former Khmer Rouge member, Meas Mouth, states that:

For instance, the skull bones that have been displayed: the court must know which skull belonged to a person killed by the Vietnamese, which belonged to a person killed by B-52 bombers, or any of the Khmers who did not die by the Khmer Rouge.

A lawyer from the Cambodian Defenders Project [3] agreed that because the events occurred 30 years ago, evidence and witnesses could be hard to come by.

However, Youk Chhang of the Documentation Center of Cambodia [4], stated there are hundreds of thousands of documents to link the accused to the war crimes.

In addition to documentary evidence, testimonies of survivors are being gathered, including in Long Beach, California [5], where many Cambodians resettled after the genocide.

Victims and their relatives have the right to file complaints through the Victims Unit of the Extraordinary Chambers in the Courts of Cambodia. Instructions on how to file a complaint are found here [6].

[7]
Photo capturing faces of the Tuol Sleng [8] prison by Yarra64 [9]and licensed through Creative Commons [10].


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Article printed from Global Voices Online: http://globalvoicesonline.org

URL to article: http://globalvoicesonline.org/2009/03/31/cambodia-evidence-at-the-khmer-rouge-tribunal/

URLs in this post:

[1] VOA Khmer : http://www.voanews.com/khmer/2009-03-26-voa1.cfm

[2] Khmer Rouge Tribunal: http://globalvoicesonline.org/2009/03/31/cambodia-trial-begins-for-khmer-rouge-leader/

[3] Cambodian Defenders Project: http://www.cdpcambodia.org/default.asp

[4] Documentation Center of Cambodia: http://www.dccam.org/

[5] Long Beach, California: http://www.presstelegram.com/news/ci_12016405

[6] here: http://www.eccc.gov.kh/english/victims_unit.aspx

[7] Image: http://www.flickr.com/photos/yarra64/3390059182/

[8] Tuol Sleng: http://www.tuolsleng.com/

[9] Yarra64 : http://www.flickr.com/photos/yarra64/

[10] Creative Commons: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/deed.en

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Duch, líder do Khmer Vermelho, começa a ser julgado

PHNOM PENH - Um dos líderes do Khmer Vermelho, Kaing Guek Eav, conhecido como Duch, começará a ser julgado na segunda-feira por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, tortura e homicídio.



Este será o primeiro julgamento de genocídio relacionado ao violento regime do grupo comunista Khmer Vermelho, que governou o Camboja entre 1975 e 1979. Nesse período, cerca de 1,7 milhão de cambojanos morreram executados, de fome, por trabalhos forçados e por negligência médica. Duch comandou a principal prisão do Khmer Vermelho, conhecida como S-21 ou Tuol Sleng, aonde, acredita-se, até 16 mil homens, mulheres e crianças foram enviados para a morte depois de terem sido torturados.



O tribunal, administrado pelo Camboja e pela Organização das Nações Unidas (ONU), irá julgar outros quatro líderes do Khmer Vermelho ao longo do próximo ano. O líder do grupo, Pol Pot, morreu em 1998. "O povo cambojano finalmente verá um dos mais notórios líderes do Khmer Vermelho ser julgado", disse o grupo de direitos humanos Anistia Internacional em comunicado. "Mas muitos outros precisam enfrentar o tribunal para que realmente seja feita justiça às milhões de vítimas desses crimes horríveis."



Críticos dizem que o governo do Camboja limitou o alcance do tribunal porque outros potenciais suspeitos são hoje leais ao primeiro-ministro Hun Sen, e prendê-los seria politicamente embaraçoso. As informações são da Associated Press.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

EUA contribuíram com ascensão de Pol Pot, diz réu do Khmer

Por Ek Madra

PHNOM PENH (Reuters) - O torturador-chefe do regime cambojano do Khmer Vermelho disse nesta segunda-feira a um tribunal especial que as políticas norte-americanas da década de 1970 no Sudeste Asiático contribuíram com a ascensão daquela cruel ditadura.

Kaing Guek Eav, o Duch, primeiro de cinco dirigentes do Khmer Vermelho a ser julgado pelas atrocidades cometidas durante o regime (1975-79) que matou 1,7 milhão de cambojanos, disse que o grupo do ditador Pol Pot teria sumido se os EUA não tivessem se envolvido no Camboja.

"(O presidente dos EUA) Richard Nixon e (o secretário de Estado) Henry Kissinger permitiram que o Khmer Vermelho agarrasse oportunidades de ouro", disse Duch, de 66 anos, no início da segunda semana do seu julgamento, em um tribunal promovido conjuntamente pela ONU e pelo governo do Camboja.

O réu dirigiu a célebre prisão S-21, onde mais de 14 mil "inimigos da revolução" foram torturados e mortos.

Na semana passada, ele pediu perdão por seus crimes. Acusado de crimes contra a humanidade, crimes de guerra, tortura e homicídio, Duch pode ser condenado à prisão perpétua.

Questionado pelo juiz sobre como aderiu ao Khmer Vermelho, Duch deu uma longa e errática explicação, que incluiu as referências a Nixon e Kissinger.

O Camboja se tornou um campo de batalha da Guerra Fria em 1969, quando o governo Nixon começou a bombardear rotas no leste do país que os norte-vietnamitas (pró-soviéticos) usavam para levar homens e suprimentos para seus combates no Vietnã do Sul, que tinha um governo aliado dos EUA.

Em 1970, o príncipe (hoje "rei-pai") do Camboja, Norodom Sihanouk, foi deposto por um golpe comandado pelo general pró-americano Lon Nol, que entrou em guerra contra os comunistas do Vietnã e do próprio Camboja.

Sihanouk posteriormente estabeleceu aliança com o Khmer Vermelho e conclamou os cambojanos a lutarem contra o regime de Lon Nol, derrubado em 1975 pelo Exército de Pol Pot.

"O príncipe Sihanouk convocou o povo cambojano a aderir ao Khmer Vermelho comunista na selva, e isso permitiu que o Khmer Vermelho acumulasse suas tropas entre 1970 e 75," disse ele.

Sem isso, alegou Duch, "acho que o Khmer Vermelho teria sido demolido."

O regime do Khmer Vermelho foi derrubado por uma invasão vietnamita em 1979. Após a morte de Pol Pot, em 1998, Kissinger defendeu a decisão de bombardear o Camboja como sendo parte da Guerra do Vietnã, e disse que o fato não teve relação com as atrocidades cometidas posteriormente no país.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Torturador cambojano diz que nunca matou, só "mandava executar"

O chefe torturador do Khmer Vermelho, Kaing Guek Eav, admitiu hoje ao Tribunal Internacional para o Genocídio do Camboja, que ordenou milhares de execuções como oficial no comando das prisões criadas pela organização, mas disse que nunca matou ninguém; "mandava matar".

Eav, conhecido como "Duch", compareceu ao tribunal, pelo segundo dia consecutivo, para ser interrogado sobre seu papel como diretor da prisão M-13, montada em 1971 pelo Khmer Vermelho durante a guerra civil anterior à tomada do poder pelo grupo comunista inspirado no dirigente chinês Mao Tsé Tung, em abril de 1975.

Interrogado pelo promotor Robert Petit, "Duch", também ex-chefe do centro de torturas de Tuol Sleng (S-21), por onde 14 mil pessoas passaram, entre 1975 e 1979, antes de serem executadas, negou que tenha matado qualquer pessoa por suas próprias mãos.

"Nunca matei ninguém, nem no M-13 nem no S-21, mas sempre dava as ordens quando um preso devia ser executado".

"Duch", que confirmou sua "plena autoridade" no M-13, explicou que nesta prisão as execuções eram uma missão, sobretudo, dos jovens, que "assimilavam melhor a doutrina revolucionária".

"Todas as execuções eram feitas batendo com uma barra de ferro na nuca do preso", relatou.

Além de diplomatas, estrangeiros e até ministros do próprio regime, cerca de 2 mil crianças passaram pelo S-21, para serem torturadas e assassinadas em seguida, no campo de extermínio de Choeung Ek, a 15 quilômetros da cidade.

"A tortura era inevitável" disse Duch, lembrando que elas tinham como objetivo extrair dos presos informação sobre atividades "contrarrevolucionárias", embora tenha admitido, no tribunal, que poucas vezes achou que as confissões contivessem mais de 40% de verdade.

Elas incluíam asfixias, queimaduras e a introdução de objetos pontiagudos sob as unhas, entre outras técnicas.

"Duch" é acusado de crimes contra a humanidade, de guerra, torturas e homicídio premeditado, podendo ser condenado à prisão perpétua.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Críticos veem politicagem no esforço para limitar julgamentos do Khmer Rouge

Governo do Camboja tenta refrear tribunal da ONU, dizem críticos.Acusados de matar mais de 1,7 milhão começam a ser julgados dia 17.

Em uma rápida olhada, parece ser só um jogo de números: julgar cinco, dez ou mais réus pelas mortes de aproximadamente 1,7 milhão de pessoas pelas mãos do Khmer Rouge, três décadas atrás.

Porém, enquanto um tribunal respaldado pelas Nações Unidas se prepara para realizar sua primeira audiência de julgamento este mês, a discussão envolvendo esses números está fortalecendo preocupações antigas em relação à justiça e à independência do tribunal.

O governo do Camboja, afirmam os críticos, está tentando limitar o escopo dos julgamentos por suas próprias razões políticas, um limite que, segundo os críticos, comprometeria a justiça e poderia desacreditar todo o processo.

"Para mim, é a credibilidade do tribunal que está em jogo, sua integridade e, portanto, sua credibilidade", afirmou Christophe Peschoux, diretor do escritório em Camboja do Alto Comissariado das Nações Unidas pelos Direitos Humanos.

O primeiro acusado é o homem com talvez o passado mais terrível: Kaing Guek Eav, conhecido como Duch, comandante do local de tortura Tuol Sleng, em Phnom Penh, onde pelo menos 14 mil pessoas foram mortas. Seu julgamento deverá ser aberto com uma audiência processual, marcada para 17 de fevereiro, durante a qual sessões mais sólidas, envolvendo testemunhas e provas, deverão ser agendadas.

Quatro outros acusados, todos membros do Comitê Central Khmer Rouge, também estão sob custódia, esperando sua vez de enfrentar as acusações por crimes ocorridos enquanto eles estavam no topo da hierarquia do comando, de 1975 a 1979. Cerca de um quarto da população cambojana morreu vítima de doenças, fome ou excesso de trabalho, ou foram executadas sob o domínio comunista brutal do Khmer Rouge.

Esses cinco acusados são o suficiente, afirmam oficiais do governo do Camboja.

No entanto, especialistas jurídicos estrangeiros rebatem o argumento, afirmando que, dentro dos limites razoáveis, o processo judicial não deve ser arbitrariamente limitado.

Após uma década de negociações difíceis e nem sempre amigáveis entre as Nações Unidas e os cambojanos, um tribunal híbrido foi estabelecido, composto por co-promotores estrangeiros, cambojanos e um grupo de co-juízes, uma tentativa de equilíbrio político e legal.

Agora, mesmo antes do início do julgamento de Duch, esse equilíbrio está sendo testado.

No mês passado, o co-promotor estrangeiro, um canadense chamado Robert Petit, sugeriu seus outros nomes para a investigação do tribunal, afirmando ter coletado provas suficientes para respaldar possíveis acusações. O equivalente cambojano de Petit, Chea Leang, protestou – não só através de bases legais, mas também por razões que parecem refletir a posição do governo em relação aos julgamentos.

Acusações adicionais, disse a promotora cambojana, podem ser desestabilizadoras. Tais adendos custariam muito dinheiro, durariam muito tempo e violariam o espírito do tribunal que, segundo ela, vislumbra "somente um número pequeno de julgamentos".

O primeiro-ministro Hun Sem, grande negociador frente às Nações Unidas em relação ao formato e ao escopo do tribunal, disse que julgar "quatro ou cinco pessoas" seria suficiente, apesar de não haver nenhum limite formal sobre esse número.

De fato, Peter Maguire, autor de "Facing Death in Cambodia", ("Enfrentando a Morte no Camboja", em tradução livre), sugere que o plano de Hun Sem pode ser julgar somente a Duch – "um criminoso de guerra comum" – e esperar a morte dos outros réus antes de serem julgados.

Os nomes adicionais sugeridos por Petit ainda não foram divulgados. Porém, pessoas próximas do tribunal afirmam que nenhum deles possui uma posição significativa no atual governo do Camboja.

Hun Sem e vários membros mais velhos de seu governo fizeram parte do quadro de oficiais do Khmer Rouge, porém especialistas afirmam que eles não se encaixam no escopo do tribunal e não possuem risco de sofrer acusações.

A ordem do tribunal é processar a alta liderança do Khmer Rouge e "os mais responsáveis" pelos crimes – isto é, gente como Duch, acusado de supervisionar a tortura e matar milhares de pessoas.

No entanto, no Camboja, os tribunais não caminham em suas próprias direções sem o estrito controle de Hun Sem ou de seus assessores. Alguns defensores do tribunal, chamados de Câmaras Extraordinárias dos Tribunais de Camboja, ou ECCC em inglês, o veem como desafiador do controle político exercido de cima para baixo no país, ao oferecer ao Camboja um modelo de um judiciário mais independente.

"Algumas pessoas em Phnom Penh aparentemente estão desesperadas pelo fato de que a ECCC pode, de fato, ter sucesso. Isso pode servir como um exemplo de responsabilidade, capaz de ser aplicado de forma mais ampla", disse James A. Goldston, diretor executivo da Open Society Justice Initiative, uma organização sediada em Nova York que busca a reforma das leis.

"Com a proximidade do início primeiro julgamento, no dia 17, este é o momento de mostrar que o tribunal não é uma ferramenta para o governo cambojano", ele disse. "A credibilidade do tribunal está em jogo".

A maioria dos cambojanos está ansiosa para ver os líderes do Khmer Rouge sendo julgados, de acordo com uma pesquisa publicada pelo Centro de Direitos Humanos da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

No entanto, as pesquisas de opinião descobriram que cerca de um terço dos respondentes tinha dúvidas em relação à neutralidade e à independência do tribunal, talvez devido à experiência dos entrevistados com seu próprio judiciário corrupto e politicamente manipulado.

A confiança no tribunal também tem sido prejudicada por alegações de corrupção política, familiar ao sistema de tribunais cambojano.

As alegações deixaram as Nações Unidas diante da embaraçosa escolha de investigar seus próprios investigadores e juízes, ou arriscar serem vistos como tolerantes da corrupção.

Agora, com a disputa entre os dois co-promotores em aberto tornada pública, a separação dos poderes no tribunal híbrido irá enfrentar seu primeiro grande teste.

A disputa deve agora se dirigir a um painel de juízes conhecido como câmara anterior ao julgamento, cuja formação reflete a estrutura majoritária do tribunal – três juízes cambojanos e dois estrangeiros. Um dos juízes estrangeiros da câmara anterior ao julgamento deve se juntar aos cambojanos, em uma maioria de quatro votos, para que uma decisão prevaleça. Se o painel acaba em um impasse de três contra dois, segundo regras do tribunal, o julgamento deve continuar.

Porém, observadores do tribunal disseram que ainda teremos de esperar para ver o quão cooperativa será a equipe cambojana, caso o governo não queira ver esses casos seguirem adiante.

Até o momento, não existe nada sugerindo que esse processo não andará como deveria, disse David J. Scheffer, professor de direitos humanos da Northwestern University School of Law, participante das negociações para a criação do tribunal.

O verdadeiro teste, disse Scheffer em recente artigo publicado no jornal The Phnom Penh Post, será se os juízes da câmara anterior ao julgamento "enfrentarão a situação e cumprirão sua obrigação com o mais alto nível de integridade judiciária".

"Quando a decisão for divulgada, todos nós poderemos avaliar a situação", concluiu.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Dith Pran morre aos 65 anos, vítima de câncer

Foto: Reuters/The New York Times/Handout
Reuters

O fotógrafo cambojano Dith Pran, cuja experiência de vida sob o regime do Khmer Vermelho inspirou o filme "Os gritos do silêncio", morreu neste domingo (30) em Nova Jersey devido a um câncer de pâncreas.


A notícia foi comunicada publicamente por seu amigo e antigo correspondente de guerra do "New York Times", Sydney Schanberg, que também foi representado no filme, que estreou em 1984.


Dith Pran trabalhava para Schanberg como assistente e intérprete no Camboja em 1975, quando o país passou para as mãos do Khmer Vermelho.


Após cobrir a chegada ao poder deste regime marxista, as autoridades não deixaram Pran sair. Mas deram mais liberdade ao jornalista americano, que sempre se lamentou de ter tido que abandonar Pran.


Após quatro anos de torturas e castigos, Pran conseguiu escapar para a Tailândia e ali enviou uma mensagem a seu antigo companheiro, que saiu imediatamente dos Estados Unidos para encontrá-lo, em um emotivo reencontro.


"Durante quatro anos busquei sem sucesso qualquer prova de vida de Pran. Já estava perdendo toda a esperança. Mas sua ligação de emergência foi como um milagre para mim. Devolveu-me a vida", confessou pouco depois o correspondente do "New York Times".


Em 1980, Schanberg escreveu em uma reportagem, e posteriormente em um livro, o sofrimento de seu companheiro, relato que serviu de inspiração para o filme, que ganhou três estatuetas do Oscar.


O artigo, que recebeu o título de "The death and Life of Dith Pran" (A Morte e Vida de Dith Pran, em tradução livre) deu a Schanberg um Prêmio Pulitzer, em 1976.


Após escapar do Camboja, Pran se instalou nos Estados Unidos e começou a trabalhar para o "New York Times" como assistente do departamento de fotografia, onde aprendeu a mexer nas câmaras nas ruas de Nova York.


Dith Pran, que no momento de sua morte tinha 65 anos, fundou uma organização para conscientizar o mundo sobre o regime do Khmer Vermelho, que governou o Camboja entre 1975 e 1979, e que foi responsável pela morte de mais de um milhão de pessoas.


Além disso, foi embaixador de Boa Vontade do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur).


Quando o líder dos Khmer Vermelho, Pol Pot, morreu em 1998, Pran lamentou que o ditador nunca tivesse sido julgado perante a Justiça pelos crimes cometidos, entre eles a morte de seus três irmãos.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Acusado de torturar sob o Khmer Vermelho vai a julgamento no Camboja

'Duch' chefiou centro de detenção pelo qual passaram 16 mil. Preso desde 1999, ele será julgado por crimes contra a humanidade.

O tribunal que cuida das causas das matanças cometidas pelo regime do Khmer Vermelho no Camboja (1975-1979) ordenou nesta terça-feira (12) o julgamento do ex-suposto torturador Kaing Guek Eav, o "Duch", por crimes contra a humanidade e crimes de guerra.


Cerca de 16 mil homens, mulheres e crianças transitaram no centro de detenção S-21, sob sua responsabilidade e onde foram submetidos a torturas atrozes antes de serem executados pelo regima ultracomunista do lider khmer vermelho Pol Pot, falecido em 1998.


"Duch", de 65 anos, foi preso em 1999 e transferido em julho de 2007 para o tribunal da ONU, fazendo parte de um grupo de cinco dirigentes do Khmer Vermelho presos por genocídio.


Cerca de dois milhões de pessoas morreram sob esse regime.