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sábado, 24 de janeiro de 2009

Mulheres sem paz

Todos os 30 grandes conflitos que acontecem hoje no mundo ameaçam e dizimam populações, e mulheres e crianças são cruelmente afetadas. Estupradas, seqüestradas e traficadas, são usadas como mais uma arma no fogo cruzado. Precisam contar com a sorte para sobreviver em campos de refugiados, onde a vida fica por um fio por falta de tudo. E são elas, adultas ou ainda meninas, que têm mais dificuldade em obter asilo em outros países. O clima de tensão mundial, alimentado pelos Estados Unidos e Iraque, remete aos horrores das guerras.

Por Maria Brant *

Mulheres e crianças num campo de refugiados na Albânia

As guerras atuais causam mais mortes de civis do que de militares. Enquanto no início do século passado só 5% dos mortos em guerra eram civis, na década de 90, pessoas desarmadas representaram 75% das baixas. Essa inversão assustadora se deve a vários fatores. Em primeiro lugar, nos últimos cem anos a linha de batalha se moveu das fronteiras para o interior dos países. Esses conflitos internos ocorrem, quase sempre, em áreas urbanas e populosas, onde é difícil distinguir combatentes e civis. E uma bomba lançada em um alvo civil, deliberada ou acidentalmente, mata hoje muito mais gente do que há 50 anos.

A população civil sente as conseqüências da guerra antes de ela começar. O ataque e a defesa custam dinheiro, e dedicar verba a despesas militares significa deixar de gastar em outras áreas. Saúde, educação e programas sociais e ambientais costumam entrar nos cortes. Nos países pobres, essa transferência de dinheiro pode significar uma ausência total de serviços básicos.

Segundo a ONG internacional Global Policy Forum, a ONU gasta US$ 10 bilhões por ano com programas de desenvolvimento, educação e manutenção da paz. Os gastos militares, de acordo com o Instituto de Pesquisas Sobre a Paz de Estocolmo, Suécia, somam US$ 840 bilhões anuais. 

No meio do fogo cruzado, mulheres e crianças são atingidas em cheio. Perdem pessoas amadas e vivem sob a constante ameaça da agressão. Quem foge da linha de tiro e consegue abrigo num campo de refugiados tem de ter sorte para sobreviver. Mulheres, algumas ainda meninas, acabam se prostituindo em troca de comida ou dinheiro. Radhika Coomaraswamy, relatora especial da ONU para Questões Relacionadas à Violência, escreveu: "Na guerra, o corpo das mulheres se torna um campo de batalha, no qual forças adversárias combatem". No texto a seguir, algumas atrocidades cometidas contra mulheres e crianças em tempos de guerra, os motivos pelos quais um conflito afeta a vida de todos e o que se pode fazer para ajudar.

O ESTUPRO COMO ARMA 

O estupro é praticado como forma de humilhação ou método de "limpeza étnica". No primeiro caso, mulheres chegam a ser violentadas diante do marido e até dos filhos. Nas sociedades em que a etnia é transmitida pelo homem, são, muitas vezes, engravidadas à força. Crimes assim ocorreram na Bósnia, Ruanda, Libéria e Uganda.

Em Ruanda, África, estima-se que até 500 mil mulheres tenham sido estupradas em 1994, ano que marcou o conflito entre as etnias hutu e tutsi. "Podíamos ouvir os gritos", diz Aloisea Inyumba, contando, à Marie Claire americana (novembro de 2002), como era viver ali. "Dormíamos entre galhos de árvores, enquanto as lutas aconteciam." Quando o genocídio acabou, o país estava com 400 mil órfãos e pelo menos 800 mil mortos. 

Mulher de Serra Leoa carrega seu bebê em campo de refugiados

Serra Leoa, que viveu dez anos de guerra civil até 2002, registrou mais de 30 mil mortos e, segundo a ONG americana Médicos Pelos Direitos Humanos, 94% das mulheres que tiveram de deixar suas casas sofreram agressões sexuais. Além de estupradas, muitas são rejeitadas pelos maridos ou forçadas a casar com quem quer que as aceite -às vezes, com seus estupradores. Em Burundi, África, 25% dos casamentos num campo de refugiados ocorreram por pressão das famílias, que temiam represálias ou sentiam vergonha da situação.

Uma garota de 13 anos, que trabalhou como soldado em Serra Leoa, contou um pouco de sua vida à Marie Claire americana. Segundo ela, o comandante pediu para que cada criança pegasse um pedaço de papel, que continha uma das palavras: mãos, pés, nariz. O que quer que estivesse escrito tinha de ser amputado no próximo prisioneiro. Quem desobedecia era morto.

Outra garota de Serra Leoa diz: "Vi pessoas terem suas mãos cortadas, vi uma menina de 10 anos ser estuprada e morta e vi homens e mulheres sendo queimados vivos. Chorava, mas só dentro do meu coração. Não ousava chorar de verdade".

Segundo a publicação, essas crianças se preocupam com a vida após a morte. Marie de la Soudiére, diretora do Comitê do Programa de Resgate Internacional das Crianças Afetadas por Conflitos Armados, diz que "um garoto de 10 anos estava apavorado com a idéia de que os mortos estariam esperando por ele". Ele fala: "Talvez Deus me perdoe. Mas os mortos não vão me perdoar". Marie negocia a liberdade das crianças-soldados e coordena programas de reabilitação em Serra Leoa. "Elas são tão vítimas quanto as pessoas que mataram."


Para ler a reportagem toda clique aqui.

Reportagem da Revista Marie Claire

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

África obtém avanços na solução de problemas regionais por meio de coordenação autônoma em 2008

A África é um ator importante no palco político mundial. Em 2008, o desenvolvimento econômico e o aumento do peso internacional da maioria dos países africanos reforçaram a determinação e confiança acerca da solução dos problemas regionais por meio de coordenação autônoma. Exemplos disso foram Quênia e Zimbábue, que superaram desafios políticos. Ouça agora a reportagem.

"Quero dizer aos membros do grupo 'celebridades africanas', ao ex-presidente da Tanzânia e a todos os quenianos que hoje concluímos as negociações da 3ª regra do acordo quadro assinado previamente, para encerrar a crise política do Quênia."

A declaração, do ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, foi feita no ato de fundação do governo de coalizão, após a coordenação do grupo de "celebridades africanas" liderado por ele no primeiro semestre deste ano. Logo depois, com a mediação do presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, os líderes dos principais partidos do Zimbábue assinaram o acordo de compartilhamento do poder e estabeleceram um governo de união nacional.

A solução dos problemas regionais por meio de coordenação autônoma é um sonho antigo da África. A solução das questões de Quênia e Zimbábue mostra um grande avanço do continente africano em direção à realização deste sonho. Entre os primeiros passos desse processo de solução das questões regionais, a União Africana (UA) desempenha um papel importante e demonstra firme decisão de defender e impulsionar a paz e a estabilidade do continente na promoção do diálogo político entre diferentes forças políticas de Quênia, Zimbábue e Congo e nas ações de manutenção de paz na Somália e no Sudão. O representante especial para a questão da Somália da UA, Nicolas Bwakira, disse:

"O continente africano já está dando mostras de sua união. Aproveitando nossa capacidade limitada, vamos a Somália, Congo para criar condições de paz, mas não para a manutenção de paz."

O desenvolvimento da África precisa do apoio da comunidade internacional, no entanto, isto não significa ignorar as particularidades dos vários países africanos. Annan chegou no dia 22 de janeiro a Nairóbi, capital do Quênia, para mediar a crise política do país. Ele afirmou:
"Não trazemos uma proposta conosco, mas vamos encontrar uma solução para o Quênia, o povo queniano e a África. Viemos aqui para ouvir, aprender e cooperar com as partes competentes e buscar uma saída justa e permanente para a atual crise."

O conselheiro da ONU para os assuntos humanitários e representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Quênia, Aneneas Chuma, considera que, na ajuda ao continente, a comunidade internacional deve focalizar a elevação da capacidade da África para resolver seus próprios problemas.

"Acho que, antes de tudo, os problemas africanos devem ser resolvidos pelo próprio continente. As personalidades estrangeiras, a ONU, os países doadores e as organizações internacionais devem ser as últimas escolhas. A comunidade internacional deve oferecer ajuda e trazer mudanças para a África."

Desde organização para a reunificação da África e o projeto de novos parceiros do desenvolvimento africano, até o mecanismo de segurança comum, líderes africanos de várias gerações se dedicaram a construir uma África unificada e forte e reforçar a capacidade do continente na solução dos assuntos internos. Em 2008, o sucesso da solução das questões regionais africanas por meio de coordenação autônoma mostra um sinal de esperança para os países africanos e o mundo todo. O professor da Universidade de Nairóbi, Patrick Maluki, assinalou:

"Quando falamos de conflitos, a África não é especial. O problema é como nós tratamos isto. Por isso, temos de reforçar a construção da própria capacidade. Temos recursos humanos, pessoas experientes neste aspecto, excelentes mediadores e negociadores. O sucesso de Annan no Quênia é bom exemplo para nós e vemos esperança nisso. De fato, a África é uma esperança para o mundo."

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

CrisisWatch N°65, 5 January 2009

Four actual or potential conflict situations around the world deteriorated and two improved in December 2008, according to the new issue of the International Crisis Group’s monthly bulletin CrisisWatch, released today. 

As CrisisWatch went to press, a series of diplomatic efforts were underway to secure a ceasefire between Israeli forces and Hamas, after an Israeli ground incursion into Gaza entered its third day. Israel launched a massive air raid on Gaza on 27 December after an intensification of Palestinian rocket fire into Israel and the expiration of a six-month ceasefire. The Israeli operation has killed hundreds of Palestinians, while retaliatory rocket fire by Hamas extended deep into Israel. Crisis Group’s report, Ending the War in Gaza, published today, provides full analysis of the situation, which threatens to escalate further.  

In Guinea, the death of long-standing President Conté on 22 December was quickly followed by a military coup led by previously little-known Captain Moussa Dadis Camara, whose troops have since consolidated control over government and military command. The new leadership has pledged to work towards democratic elections and appointed a new civilian prime minister, but the coup raised fears of renewed regional instability.

The situation also deteriorated in Kashmir, where tensions between India and Pakistan continued to escalate in the wake of November attacks in Mumbai and alleged involvement by Pakistan-based militants. Pakistan reported airspace violations by Indian military jets and redeployed some troops to the Line of Control as the composite dialogue between the two countries was put on hold. Official rhetoric has however remained measured, and both sides also shared nuclear information in a rare goodwill gesture as the new year began. The situation also deteriorated further in December in the Democratic Republic of Congo.

The situation improved in Bangladesh, where largely peaceful polls on 29 December saw some 70 per cent of those eligible participate after the government lifted the state of emergency. A new government is due to be sworn in on 6 January, bringing a return to civilian rule after two years under a military-backed caretaker government. And relations further warmed across the Taiwan Strait, as China and Taiwan signed new economic cooperation agreements and Chinese President Hu Jintao offered Chinese support for Taiwan’s membership of international organisations.

For January 2009, CrisisWatch identifies the situation in Somalia as both a Conflict Risk Alert and a Conflict Resolution Opportunity. The resignation of President Yusuf and the withdrawal of Ethiopian troops from the country may further undermine stability and hasten the government’s collapse. But Yusuf’s departure, which followed international pressure on him to step down after he came to be regarded as an obstacle to peace, and the exit of Ethiopian troops may yet promote movement towards inclusive peace in the country.

The situation in the Central African Republic also presents a Conflict Resolution Opportunity, following a 20 December peace accord on formation of a new unity government, as does the situation in Burundi, where rebel group Palipehutu-FNL’s decision to drop its ethnic name may open the door for long-awaited progress on implementation of the 2006 peace deal. 

A Conflict Risk Alert is also identified for the situation in Israel/Occupied Palestinian Territories.

December 2008 TRENDS

Deteriorated Situations
Democratic Republic of Congo, Guinea, Israel/Occupied Palestnian Territories, Kashmir

Improved Situations
Bangladesh, Taiwan Strait

Unchanged Situations
Afghanistan, Algeria, Armenia, Azerbaijan, Bahrain , Basque Country (Spain), Belarus, Bolivia, Bosnia, Burundi, Cameroon, Central African Republic, Chad, Chechnya (Russia), Colombia, Côte d’Ivoire , Cyprus, Ecuador, Egypt, Ethiopia, Georgia, Guinea-Bissau, Haiti, Indonesia, Iran, Iraq, Kazakhstan, Kenya, Kosovo, Kyrgyzstan, Lebanon, Liberia, Macedonia, Mali, Mauritania, Moldova, Morocco, Myanmar/Burma, Nagorno-Karabakh (Azerbaijan), Nepal, Nicaragua, Niger, Nigeria, North Caucasus (non-Chechnya), North Korea, Pakistan, Philippines, Rwanda, Serbia, Sierra Leone, Somalia, Somaliland, Sri Lanka, Sudan, Syria, Tajikistan, Thailand, Timor-Leste, Turkey, Turkmenistan, Uganda, Ukraine, Uzbekistan, Venezuela, Western Sahara, Yemen, Zimbabwe

January 2009 OUTLOOK

Conflict Risk Alert
Israel/Occupied Palestnian Territories, Somalia

Conflict Resolution Opportunities
Burundi, Central African Republic, Somalia

*NOTE: CrisisWatch indicators - up and down arrows, conflict risk alerts, and conflict resolution opportunities - are intended to reflect changes within countries or situations from month to month, not comparisons between countries. For example, no "conflict risk alert" is given for a country where violence has been occurring and is expected to continue in the coming month: such an indicator is given only where new or significantly escalated violence is feared.

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