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domingo, 12 de abril de 2009

Lésbicas são alvo de estupradores na África do Sul

Nesta sexta, 13, a agência NGO Action Aid, que atua na defesa de direitos homossexuais na África, divulgou um relatório que aponta o alto número de estupros cometidos contra lésbicas na África do Sul. Gangs do país estariam forçando relações sexuais com mulheres que gostam de mulheres para tentar transformá-las em héteros.

"Somos insultadas todos os dias, espancadas quando estamos na rua e constantemente lembradas de que devemos ser estupradas. Eles dizem que precisamos aprender a ser mulher de verdade", declarou uma africana lésbica ao NGO Action Aid. O depoimento foi acrescentado no relatório.

Segundo dados da NGO, cerca de 500 mil mulheres são estupradas na África do Sul a cada ano

sexta-feira, 20 de março de 2009

Meninas viram soldados na África

Segundo estimativas, as meninas são cerca de 30% dos guerrilheiros infantis.
Soldados-mirins assumem papéis de espiões, desarmadores de minas e concubinas


Aos 12 anos, Lucy Aol segurava firme um rifle e se preparava para uma emboscada contra soldados do governo. Aos 13 anos, um comandante rebelde uma década mais velho casou-se com ela. Aos 16, ela já era mãe.

Aos 21, com o rosto renovado e radiante, usando uma camiseta limpa e com o cabelo cuidadosamente trançado, Aol é uma estudante universitária de saúde ambiental na capital de Uganda, e planeja usar seu conhecimento para melhorar a saúde de seu país massacrado pela guerra.


Aol teve uma trajetória surpreendente de soldado-mirim a jovem mulher de futuro, mas outras milhões de crianças em toda África continuam vítimas da guerra – órfãs, forçadas a sair de casa, sem oportunidade de educação e, como Aol, forçadas a lutar em conflitos iniciados por seus ancestrais.

Todavia, lentamente, a campanha mundial contra o horror dos soldados-mirins, e a perseguição dos responsáveis como criminosos de guerra, começou a trazer resultados.
Segundo estimativas, as meninas são cerca de 30% dos guerrilheiros infantis. Elas enfrentam dificuldades que os garotos não, como o estupro e o estigma que ele traz, tornando difícil para que essas garotas voltem a suas comunidades.

Aol tinha 12 anos quando foi seqüestrada por um temido grupo rebelde de Uganda, forçada a andar centenas de quilômetros até um acampamento no vizinho Sudão, onde a ensinaram a usar uma arma de fogo.

“Fomos usados como escravos”, diz Aol, olhando para a parede do apertado dormitório na Faculdade de Medicina Mulago, de Kampala. “Costumávamos trabalhar na roça ou coletar madeira para fogo das sete horas da manhã até às cinco da tarde sem nenhum alimento. Se você cometesse um erro ou se recusasse a trabalhar, eles nos batiam... as três garotas que foram tiradas da minha cidade morreram espancadas”, disse ela.

Aol foi capturada pelo Exército de Resistência do Senhor, um grupo rebelde sediado no norte de Uganda que estima-se ter seqüestrado 25 mil crianças durante os seus 20 anos de rebelião contra o governo. Negociações de paz estão em andamento, mas os pedidos para libertação de crianças são refutados com a negação de que elas estão sendo coagidas a se tornarem soldados.

De acordo com o Human Rights Watch, os soldados-mirins assumem diversas funções, como espiões, porteiros, desarmadores de campos minados, concubinas e também como combatentes ativos, freqüentemente servindo nas frentes de batalha e sustentando um dos conflitos mais longos e sangrentos da África.

O número de soldados-mirins – definidos pela lei internacional como crianças menores de 18 anos – não pode ser estimado, dizem os grupos humanitários. E apesar de a maioria ser recrutada à força, muitos se juntam a eles por desespero. Para os órfãos ou os que estão separados de suas famílias, o alistamento pode ser a única forma de conseguir abrigo, comida e companhia.

As crianças são facilmente manipuláveis e podem ser criadas desde a tenra idade para obedecer ordens sem questionamento. Funcionários de proteção às crianças citam numerosas táticas usadas pelos cruéis comandantes para coagir seus jovens cativos à obediência. Em Serra Leoa, soldados-mirins recebiam um coquetel de pólvora e cocaína antes da batalha. Na Libéria, eles eram forçados a fazer coisas que os isolariam permanentemente da comunidade, como matar membros da família.

Algumas crianças que passaram pelo Exército de Resistência do Senhor, um grupo pseudo-religioso com uma plataforma política muito vaga, contam que eles passavam óleo nos jovens guerrilheiros para fazê-los acreditar que eram à prova de balas.

“Fui somente uma vez par ao campo de batalha”, diz Aol. “Preparamos uma emboscada para os soldados do governo e esperamos. Mas depois de três dias eles não vieram, então voltamos e outro grupo tomou nosso lugar. Os soldados vieram e houve uma batalha. Eles mataram 16 membros do ERS. Todos eram crianças e alguns eram meus amigos.”

Aol disse que a maior parte dos guerrilheiros do ERS em seu acampamento tinha entre 10 e 15 anos.

“Você recebe treinamento em armas por uma ou duas semanas, então é mandado para uma batalha mas a maioria não sabe como lutar, então são mortos”, diz ela.

“Fico triste porque jovens como eu morrem não por causa de algo em que acreditam, mas por que são forçados a lutar. Os rebeldes dizem: ‘Não desista – não corra’ ou então eles o matam.”

Aos 13 anos Aol tornou-se a terceira mulher de um comandante do ERS. Ela disse que sofreu “abuso sexual” e apanhava com regularidade das outras esposas mais velhas. Ela considerou o suicídio.

Após três anos de sofrimento, Aol decidiu fugir. Ela conseguiu convencer seu “marido” rebelde que uma vida melhor esperava por eles em casa. Uma manhã, temendo por suas vidas, voltaram para o Sudão.

Levou três semanas para eles chegarem a Uganda. Uma vez lá, foram cercados por soldados do governo. Aol foi capturada e seu marido, o comandante, foi morto a tiros. Ela foi levada para um centro de ex-combatentes onde recebeu aconselhamento e descobriu que estava grávida. Ela deu à luz a uma menina, Winifred Bianca, quatro meses depois.

Voltar à vida normal foi difícil. Ela não tinha dinheiro para continuar seus estudos, e apesar de sua família lhe dar as boas vindas, os vizinhos – cuja filha foi morta pelos rebeldes – não a aceitavam assim tão bem.

“Eles perguntavam por que eu estava viva e sua filha não. Eles diziam que eu havia matado pessoas e que eu poderia matar meus pais”, disse ela.

As jovens mães têm seus filhos levados ao ostracismo como “crianças Kony”, em referência a Joseph Kony, o auto-proclamado profeta que lidera o Exército de Resistência do Senhor.

“As pessoas dizem que temos fantasmas que nos seguem porque matamos... eles apontam para nós e falam mal de nós”, diz Aol.

É mais difícil para as guerrilheiras meninas que retornam, de acordo com Susan McKay, professora de Estudos da Mulher e Internacionais na Universidade de Wyoming, que estuda o assunto.

“As garotas que retornam a suas comunidades são vistas como tendo violado mais normas sociais do que os garotos”, diz ela. “Elas têm dificuldade em se casar e seus filhos são freqüentemente estigmatizados.” A pobreza leva muitas à prostituição, diz ela, e até mesmo de volta ao exército de rebeldes do qual fugiram.

Acordos de paz feitos recentemente, incluindo os do Sudão, Costa do Marfim e Burundi, incluíram uma estrutura para ajudar as crianças a voltar para a sociedade. Radhika Coomaraswamy, representante das Nações Unidas para Crianças e Conflitos Armados espera ver parágrafos padronizados em todos os acordos que terminam com as guerras das quais crianças participam.

Apesar de ela enfatizar que ainda há muito trabalho a ser feito, Coomaraswamy acredita que o mundo já deu alguns passos significativos. Mais de 100 países ratificaram um tratado da ONU banindo o alistamento de crianças, e um grupo de trabalho que se reporta diretamente ao Conselho de Segurança da ONU sobre situações envolvendo os soldados-mirins tem tido sucesso.

Parte desse sucesso foi a decisão tomada pelos rebeldes da Costa do Marfim de entrar em diálogo com as equipes da ONU e aceitar um plano para libertar as crianças.

A lei também teve resultados. Em 20 de junho, a corte apoiada pela ONU que julga crimes cometidos na guerra civil de Serra Leoa condenou três ex-líderes da junta que usavam soldados-mirins – o primeiro veredito desse tipo, de acordo com Corinne Dufka do Human Rights Watch. Cada um deles foi sentenciado à prisão por 45 a 50 anos.

O Tribunal Penal Internacional (TPI) trata o recrutamento de crianças com menos de 15 anos para forças armadas como um crime de guerra. O primeiro caso antes da corte de Haia, que começou esse ano, foi o de um ex-líder de milícia no Congo, Thomas Lubanga, e focou no uso de soldados-mirins.

O caso de Lubanga já está agindo como uma contenção na África, diz Coomaraswamy. Muitos analistas acreditam que a decisão por parte do Exército de Resistência do Senhor de entrar em negociações de paz no ano passado foi forçada pela condenação de seus cinco líderes principais, incluindo Kony, por acusações de forçar o alistamento e usar soldados-mirins. Acredita-se que o ERS não seqüestrou mais nenhuma criança desde que os diálogos de paz produziram um cessar-fogo em agosto.

Enquanto isso, Lucy Aol é hoje uma moça eloqüente e inteligente de 21 anos de idade. Com a ajuda da mãe, de uma pequena herança de seu pai – que morreu no ano passado – e de seu próprio trabalho duro e determinação, ela guardou dinheiro suficiente para entrar na Faculdade de Medicina Mulago, situado no hospital de maior prestígio de Uganda.

Sua filha, hoje com 5 anos, fica com a mãe de Aol enquanto ela estuda.

“Não tenho dinheiro para mandar Winifred para a escola enquanto eu estiver estudando, então ela tem de esperar. Eu tenho mais um ano, então poderei arrumar um emprego e ela irá para a escola”, diz Aol, radiante. “Quero que minha filha tenha todas as oportunidades que eu nunca tive. Sua educação é muito importante para mim. Acho que ela pode se tornar uma advogada.”

Aol balança a cabeça e sorri quando questionada se ela imaginava que teria um final feliz enquanto estava com os rebeldes.

“Agora, quando olho para mim, vejo uma pessoa completamente diferente da que estava lá no campo”, diz ela. “Minha filha e eu temos um futuro a despeito de tudo o que aconteceu.”

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

AFRICAN YOUTH TO CLIMB KILIMANJARO, JOINING UN CAMPAIGN FOR CLIMATE CHANGE

group of young people from impoverished urban areas in Kenya, Tanzania and Ghana, will set off on a gruelling trek to the top of Mount Kilimanjaro under the United Nations banner to draw attention to the effects of climate change.

Ten underprivileged youth will join 25 other people from the private and public sectors in the fourth annual ascent to the “rooftop of Africa” organized by the Kilimanjaro Initiative, a Nairobi-based non-governmental organization (NGO), in partnership with the “UNite to Combat Climate Change” global campaign.

“This year’s climb will highlight – with the melting ice of Mount Kilimanjaro as a backdrop – how global warming has a direct impact on the living conditions of individuals and communities throughout the world,” said Wilfred Lemke, Special Adviser to the UN Secretary-General on Sport for Development and Peace.

“By raising awareness about the impact of global warming, including in populated urban areas, the Kilimanjaro Initiative will assist in the achievement of <"http://www.un.org/millenniumgoals/">MDG [Millennium Development Goal] 7 of ‘ensuring environmental sustainability,’” he added.

The UN Environment Programme (<"http://www.unep.org/Documents.Multilingual/Default.asp?DocumentID=562&ArticleID=6092&l=en">UNEP) warned that rising temperatures, increased rainfall and extreme weather conditions will dramatically change where and how people live in cities.

The change in climate does untold damage to economic and public infrastructure and stretches the ability of urban centres to accommodate displaced populations, leading to unemployment, deteriorating educational facilities, inadequate health care systems and a possible rise in crime in urban centres, according to the agency.

At the top of Kilimanjaro, the group will use a satellite telephone to call Secretary-General Ban Ki-Moon, who is currently on the South African leg of a tour that will take him to Tanzania, the Democratic Republic of the Congo (DRC), Rwanda and Egypt.

Mr. Ban is also due to fly over the receding ice cap of Mount Kilimanjaro, Africa’s highest peak, on his way to the city of Arusha to visit the International Criminal Tribunal for Rwanda.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

África obtém avanços na solução de problemas regionais por meio de coordenação autônoma em 2008

A África é um ator importante no palco político mundial. Em 2008, o desenvolvimento econômico e o aumento do peso internacional da maioria dos países africanos reforçaram a determinação e confiança acerca da solução dos problemas regionais por meio de coordenação autônoma. Exemplos disso foram Quênia e Zimbábue, que superaram desafios políticos. Ouça agora a reportagem.

"Quero dizer aos membros do grupo 'celebridades africanas', ao ex-presidente da Tanzânia e a todos os quenianos que hoje concluímos as negociações da 3ª regra do acordo quadro assinado previamente, para encerrar a crise política do Quênia."

A declaração, do ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, foi feita no ato de fundação do governo de coalizão, após a coordenação do grupo de "celebridades africanas" liderado por ele no primeiro semestre deste ano. Logo depois, com a mediação do presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, os líderes dos principais partidos do Zimbábue assinaram o acordo de compartilhamento do poder e estabeleceram um governo de união nacional.

A solução dos problemas regionais por meio de coordenação autônoma é um sonho antigo da África. A solução das questões de Quênia e Zimbábue mostra um grande avanço do continente africano em direção à realização deste sonho. Entre os primeiros passos desse processo de solução das questões regionais, a União Africana (UA) desempenha um papel importante e demonstra firme decisão de defender e impulsionar a paz e a estabilidade do continente na promoção do diálogo político entre diferentes forças políticas de Quênia, Zimbábue e Congo e nas ações de manutenção de paz na Somália e no Sudão. O representante especial para a questão da Somália da UA, Nicolas Bwakira, disse:

"O continente africano já está dando mostras de sua união. Aproveitando nossa capacidade limitada, vamos a Somália, Congo para criar condições de paz, mas não para a manutenção de paz."

O desenvolvimento da África precisa do apoio da comunidade internacional, no entanto, isto não significa ignorar as particularidades dos vários países africanos. Annan chegou no dia 22 de janeiro a Nairóbi, capital do Quênia, para mediar a crise política do país. Ele afirmou:
"Não trazemos uma proposta conosco, mas vamos encontrar uma solução para o Quênia, o povo queniano e a África. Viemos aqui para ouvir, aprender e cooperar com as partes competentes e buscar uma saída justa e permanente para a atual crise."

O conselheiro da ONU para os assuntos humanitários e representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Quênia, Aneneas Chuma, considera que, na ajuda ao continente, a comunidade internacional deve focalizar a elevação da capacidade da África para resolver seus próprios problemas.

"Acho que, antes de tudo, os problemas africanos devem ser resolvidos pelo próprio continente. As personalidades estrangeiras, a ONU, os países doadores e as organizações internacionais devem ser as últimas escolhas. A comunidade internacional deve oferecer ajuda e trazer mudanças para a África."

Desde organização para a reunificação da África e o projeto de novos parceiros do desenvolvimento africano, até o mecanismo de segurança comum, líderes africanos de várias gerações se dedicaram a construir uma África unificada e forte e reforçar a capacidade do continente na solução dos assuntos internos. Em 2008, o sucesso da solução das questões regionais africanas por meio de coordenação autônoma mostra um sinal de esperança para os países africanos e o mundo todo. O professor da Universidade de Nairóbi, Patrick Maluki, assinalou:

"Quando falamos de conflitos, a África não é especial. O problema é como nós tratamos isto. Por isso, temos de reforçar a construção da própria capacidade. Temos recursos humanos, pessoas experientes neste aspecto, excelentes mediadores e negociadores. O sucesso de Annan no Quênia é bom exemplo para nós e vemos esperança nisso. De fato, a África é uma esperança para o mundo."