Médicos Sem Fronteiras (MSF) dá início a um projeto quando é identificada a existência de uma crise humanitária, ou quando a organização é convidada pelo governo de um determinado país ou por uma agência das Nações Unidas. Em ambos os casos, uma equipe de avaliação, formada por profissionais de MSF com experiência no campo, vai até o país ou Diagnosticar e tratar pessoas com problemas de saúde é a atividade prioritária de Médicos Sem Fronteiras. As ações são realizadas, em sua maioria, por profissionais do próprio país, recrutados por MSF, e também por expatriados. Profissionais com experiência de campo coordenam o trabalho, oferecem apoio e treinamento e asseguram que medicamentos e outros recursos médicos estejam sempre disponíveis. Quando necessário, MSF cria programas especiais para combater doenças específicas, como, por exemplo, a leishmaniose, tuberculose, doença do sono e malária. As principais ações de MSF são: | |
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Conheça melhor a atuação do MSF
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Conheça... Médicos Sem Fronteiras (MSF)
Enquanto trabalhavam para socorrer as vítimas do conflito, eles perceberam que as limitações da ajuda humanitária internacional da época eram fatais. Para tratar dos doentes e feridos era preciso esperar por um entendimento entre as partes em conflito ou pela autorização oficial das autoridades locais. Além das dificuldades burocráticas, os grupos de ajuda humanitária não se manifestavam diante dos fatos testemunhados.
Em 1971, o sentimento de frustração desse grupo e a vontade de assistir às populações mais necessitadas de modo rápido e eficiente deram origem a Médicos Sem Fronteiras.
A organização surgiu com o objetivo de levar cuidados de saúde para quem mais precisa, independentemente de interesses políticos, raça, credo ou nacionalidade. No ano seguinte, MSF fez a sua primeira intervenção, na Nicarágua, após um terremoto que devastou o país.
Hoje, mais de 15 mil profissionais trabalham com Médicos Sem Fronteiras em cerca de 70 países.
Carta dos Médicos Sem Fronteiras
"A organização Médicos Sem Fronteiras leva socorro às populações em perigo e às vítimas de catástrofes de origem natural ou humana e de situações de conflito, sem qualquer discriminação racial, religiosa, filosófica ou política."
"Trabalhando com neutralidade e imparcialidade, os Médicos Sem Fronteiras reivindicam, em nome da ética médica universal e do direito à assistência humanitária, a liberdade total e completa do exercício da sua atividade”.
"Eles empenham-se em respeitar os princípios deontológicos da sua profissão e em manter uma total independência em relação a todo poder, bem como a toda e qualquer força política, econômica ou religiosa”.
"Voluntários, eles medem os riscos e perigos das missões que realizam e não reclamam qualquer compensação que não seja aquela oferecida pela organização”.
Principais ações dos Médicos Sem Fronteiras
Campanhas de vacinação;
Ações de prevenção de doenças;
Assistência a campos de refugiados;
Nutrição terapêutica e suplementar;
Distribuição de alimentos em regiões em situação de fome aguda;
Distribuição de medicamentos;
Assistência médica dentro de instalações públicas pré-existentes;
Reforma de estruturas de saúde - reabilitação de hospitais e clínicas;
Cirurgias;
Construção de hospitais e postos de saúde;
Projetos de saneamento e provisão de água;
Campanhas de sensibilização da opinião pública;
Formação de agentes comunitários;
Formação de pessoal de saúde;
Apoio à reinserção social;
Acompanhamento epidemiológico de um país ou região.
Nos últimos 30 anos, a organização Médicos Sem Fronteiras tornou-se conhecida mundialmente pelo seu trabalho em situações
de emergência. Entretanto, muitas vezes, MSF permanece junto às populações atingidas mesmo depois de controlados os problemas que motivaram a sua presença em determinada região. O trabalho continua na reconstrução de estruturas de saúde, nas atividades de prevenção, nas campanhas de vacinação ou na assistência a refugiados.
Com o passar do tempo, Médicos Sem Fronteiras sentiu a necessidade de intervir com projetos de longo prazo, não apenas para atender as situações pós-emergenciais, como também para levar cuidados de saúde a pessoas afetadas pela exclusão social.
Uma outra característica essencial do trabalho de Médicos Sem Fronteiras é tornar público aquilo que observa em campo. Em circunstâncias extremas, MSF entende que a melhor maneira de proteger a população de desastres humanitários, como genocídios, fome e limpeza étnica, é falar sobre as suas motivações políticas e económicas, mesmo que esta posição comprometa a presença da organização no país.
Principais factos que marcaram a actuação dos Médicos Sem Fronteiras
1972: Primeira intervenção em catástrofe natural, após terremoto na Nicarágua.
1975: Primeira intervenção em zona de guerra, no Vietnam.
1976: Primeiro grande projeto para refugiados, na Tailândia. As equipas assistem os refugiados do Vietnam e do Camboja.
1980: Primeiro projeto de longo-prazo, no Afeganistão.
1984: Grande projeto de nutrição intensiva para vítimas da fome na Etiópia.
1985: MSF é expulsa da Etiópia depois de ter denunciado o desvio da ajuda humanitária e a migração forçada das populações locais.
1987: Primeiros projetos médico-sociais em países desenvolvidos, começando pela França.
1989: Lançamento de programas de saúde na Europa Oriental, depois do colapso do bloco comunista.
1991: Primeira intervenção no Brasil, para conter uma epidemia de cólera na Amazônia.
Médicos Sem Fronteiras denuncia a limpeza étnica e crimes contra a humanidade, na Bósnia-Herzegovina.
1993: MSF chega ao Rio de Janeiro e inicia uma avaliação de campo na comunidade carente de Vigário Geral.
1994: Presença antes, durante e depois do genocídio em Ruanda.
1996: Vacinação de 4,5 milhões de pessoas contra a meningite, na Nigéria.
1997: Intervenção em epidemia de cólera no Oeste da África.
1998: Assistência e envio de medicamentos e de material médico para as vítimas do furacão que varreu a América Central (Honduras, Nicarágua e Guatemala).
1999: Assistência humanitária aos refugiados durante a guerra em Kosovo.
MSF recebe o Prémio Nobel da Paz e lança a Campanha de Acesso a Medicamentos Essenciais.
2000: MSF denuncia a negligência em relação ao povo angolano em meio à guerra entre governo e rebeldes.
2001: MSF critica a operação pão e bombas durante ataque dos EUA ao Afeganistão.
2002: MSF amplia presença em Angola, que, após o fim do conflito de anos, vive a pior crise de desnutrição da África na última década.
A união de intervenção rápida e eficiente com o compromisso de tornar conhecidas as violações de direitos humanos é a forma com que Médicos Sem Fronteiras responde a guerras mundialmente conhecidas, conflitos ignorados, falência de sistemas de saúde, epidemias mundiais como a Aids ou doenças negligenciadas como a tuberculose e a malária. Em 1999, o recebimento do Prémio Nobel da Paz consagrou internacionalmente o trabalho da organização.
É por assumir a sua missão como um desafio permanente que Médicos Sem Fronteiras se mantém presente nos 5 continentes, nas regiões mais remotas.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
MSF confirma ataque do Exército de Resistência do Senhor
16/03/2009 – Médicos Sem Fronteiras (MSF) confirma que, neste domingo, o Exército de Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês) realizou ataques em Banda, um vilarejo em Haut Uélé, no norte da República Democrática do Congo (RDC). MSF oferece tratamento para pacientes com a doença do sono há quase um ano em Banda, um vilarejo a 150 quilômetros ao sudoeste de Doruma.
"A maioria da equipe de MSF, incluindo todos os expatriados, está a salvo", contou Marc Poncin, diretor do programa de MSF para a RDC, baseado em Genebra. "No entanto, ainda não sabemos o que de fato está acontecendo em Banda ou o que aconteceu com nossa equipe congolesa e a população que continua no lugar, especialmente os pacientes hospitalizados. Essa é a nossa principal preocupação".
Durante as primeiras horas do ataque, foi perdido o contato com a equipe de MSF. Somente mais tarde MSF recebeu a notícia de que todos seus expatriados estavam seguros.
MSF trabalha na República Democrática do Congo (RDC) desde 1981. O projeto de doença do sono em Haut Uélé teve início em 2007 em Doruma. No início de 2008, MSF transferiu o centro de saúde para doença do sono para Banda devido à insegurança na região, provocada por ataques do LRA.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
MSF por MSF
Nos últimos 30 anos, a organização Médicos Sem Fronteiras tornou-se conhecida mundialmente por seu trabalho em situações de emergência. Entretanto, muitas vezes, MSF permanece junto às populações atingidas mesmo depois de controlados os problemas que motivaram sua presença em determinada região. O trabalho continua na reconstrução de estruturas de saúde, nas atividades de prevenção, nas campanhas de vacinação ou na assistência a refugiados. Com o passar do tempo, Médicos Sem Fronteiras sentiu a necessidade de intervir com projetos de longo prazo, não apenas para atender as situações pós-emergenciais, como também para levar cuidados de saúde a pessoas afetadas pela exclusão social.
Uma outra característica essencial do trabalho de Médicos Sem Fronteiras é tornar público aquilo que observa em campo. Em circunstâncias extremas, MSF entende que a melhor maneira de proteger a população de desastres humanitários, como genocídios, fome e limpeza étnica, é falar sobre suas motivações políticas e econômicas, mesmo que esta posição comprometa a presença da organização no país.
MSF é independente de governos. A maioria dos recursos da organização vem de contribuições privadas, o que permite a MSF atuar com agilidade e independência, e proporciona a liberdade de que MSF precisa para falar sobre indivíduos, organismos e governos que estejam infringindo os direitos humanos. Essas declarações públicas são um ato de proteção às populações em perigo que impedem a cumplicidade com os abusos testemunhados pelos profissionais da organização.
A união de intervenção rápida e eficiente com o compromisso de tornar conhecidas as violações de direitos humanos é a forma com que Médicos Sem Fronteiras responde a guerras mundialmente conhecidas, conflitos ignorados, falência de sistemas de saúde, epidemias mundiais como a Aids ou doenças negligenciadas como a tuberculose e a malária. Em 1999, o recebimento do Prêmio Nobel da Paz consagrou internacionalmente o trabalho da organização. É por assumir sua missão como um desafio permanente que Médicos Sem Fronteiras se mantém presente nos 5 continentes, nas regiões mais remotas.
foto1: Pedro Martinelli
foto2: Marleen Daniels
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Zimbábue: cólera ainda atinge áreas urbanas
27/03/2009 - Apesar da tendência de queda relatada no número de casos e de mortes em todo o Zimbábue, MSF chama a atenção para um aumento de pacientes de cólera em algumas zonas urbanas do país.
"A capital Harare e as cidades de Chitungwiza e Kadoma ainda são locais preocupantes", diz o Coordenador de Emergência, Markus Bachmann. "Estes lugares estão sendo outra vez afetados pela deterioração do serviço de abastecimento de água e o saneamento básico insuficiente". A fim de tentar impedir o surto de infecções, atividades preventivas estão sendo aumentadas. Isso inclui maior atenção para os cuidados de higiene, distribuição e limpeza da água, bem como distribuição de kits de higiene nas áreas mais afetadas.
Chitungwiza, uma cidade de 350 mil habitantes 35 km ao sul de Harare, merece atenção especial. Ela foi o foco inicial do surto, em agosto de 2008. O Centro de Tratamento Cólera (CTC) de Chitungwiza foi o primeiro CTC de MSF no país e foi aberto em 2 setembro. "Apesar de várias semanas de queda no número de casos, agora novamente temos quatro semanas consecutivas com um número crescente de pacientes", disse Bachmann. Com 301 pacientes tratados por MSF na semana passada, o número quase atingiu a taxa mais alta desde o início de janeiro. A equipe identificou áreas de alto risco e prepararou um sistema de distribuição de água, promoção da higiene e cloração doméstica. Apesar do risco evidente de um novo surto, porém, as autoridades não deram autorização para aplicar realmente as propostas de medidas preventivas. Atualmente, a equipe está fazendo pressão sobre todos os níveis para avançar neste processo.
Nos subúrbios densamente povoados de Harare o número de pacientes está aumentando ou permanecendo em níveis elevados. O abastecimento de água se tornou extremamente instável e traduz-se imediatamente no aumento do número de pacientes. A equipe de MSF em Harare está continuamente aumentando a cloração e a higiene nas áreas mais preocupantes. Na semana passada, a equipe começou a distribuição de kits de higiene, incluindo itens de transporte, armazenamento e desinfecção de água, sabão e material didático para 7.900 famílias em Glen View.
Em Kadoma, MSF conseguiu responder a um surto que levou o número total de novos casos tratados para 123 na semana passada. Uma segunda Unidade de Tratamento de Cólera (CTU, na sigla em inglês), foi aberta para o tratamento de pacientes no local. Este é um aumento de 50% em comparação com a semana anterior. Além disso, a equipe tratou 75 pacientes em dois CTCs no distrito Chegutu.
Quatro equipes de rápida avaliação / resposta / vigilância monitoram e respondem a surtos em três províncias de Mashonaland. O foco das atividades de resposta centram-se nos distritos de Bindura, Shamva e MT. Darwin em Mashonaland Central e Chinhyoi em Mashonaland Oeste, onde o número de pacientes continua sendo alto. Além da gestão dos casos as equipes se concentram na água e no saneamento a fim de reduzir a propagação da cólera. Esta semana, todas as equipes móveis reuniram-se em Harare para um seminário para examinar as atividades, estratégias e os ensinamentos e para preparar uma estratégia futura. O aumento de atividades preventivas, bem como preparação e planejamento de contingência foram identificados como fundamentais para manter este surto sob controle.
quinta-feira, 12 de março de 2009
Médicos Sem Fronteiras são alvo de sequestro em Darfur
CARTUM (Reuters) - Três funcionários da seção belga da ONG Médicos Sem Fronteiras foram sequestrados na região de Darfur, complicando ainda mais os trabalhos humanitários no Sudão, disseram autoridades na quinta-feira.
Os três trabalhadores foram levados junto com dois sudaneses, liberados pouco depois, no momento em que aumentam as tensões no Sudão por causa do mandado internacional de prisão em vigor contra o presidente Omar Al Bashir, acusado de crimes de guerra em Darfur.
"Isso representará mais um golpe para a prestação de assistência humanitária naquela área, de modo que as consequências são extremamente preocupantes para a população, os civis de Darfur", disse Christopher Strokes, diretor geral da MSF Bélgica, a jornalistas em Bruxelas.
"Podemos confirmar que um grupo de homens armados foi ao local e ordenou que cinco pessoas os seguissem. Eram três funcionários internacionais e dois funcionários nacionais", disse Kemal Saiki, diretor de comunicações da força de paz Unamid.
O MSF na Bélgica disse que os dois sudaneses foram rapidamente libertados, mas os três estrangeiros permaneciam detidos. A organização disse que os reféns são uma enfermeira canadense, um médico italiano e um coordenador francês.
A agência de notícias missionária católica Misna os identificou como sendo Laura Archer, Mauro D'Ascanio e Raphael Meonier, respectivamente.
"O MSF está profundamente preocupado com a segurança (dos reféns) e está fazendo tudo o que pode para descobrir seu paradeiro e assegurar seu retorno seguro e tranquilo", disse a organização em um comunicado.
Cartum fechou 16 entidades humanitárias depois da decisão do Tribunal Penal Internacional, alegando que elas haviam ajudado a corte da ONU em Haia.
Duas filiais dos Médicos Sem Fronteiras foram convidadas a se retirar do Sudão, mas não foi o caso do MSF-Bélgica.
O MSF disse que retirará a maior parte de seus funcionários do Sudão, onde o conflito chegou a um ponto crítico depois que rebeldes não-árabes pegaram em armas contra o governo, em 2003.
Especialistas internacionais dizem que pelo menos 200 mil pessoas foram mortas na região, enquanto Cartum confirma a morte de 10 mil pessoas.
O Ministério das Relações Exteriores do Sudão condenou os sequestros, e disse que os trabalhadores sequestrados estariam em boa saúde e não teriam se ferido.
"Eu prometo que essa conduta não se repetirá jamais. Eu quero confirmar que o governo do Sudão está pronto para fornecer segurança para todas as ONGs", disse o chefe da Comissão Humanitária do Sudão, Hassabo Mohamed Abd el-Rahman, a jornalistas.
Ele afirmou acreditar que o sequestro pode ter sido motivado por dinheiro.
(Reportagem de Andrew Heavens, em Cartum, Phill Stewart, em Roma, Philip Blenkinsop, em Bruxelas, e Emma Bath)
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
ONGs fizeram tráfico de remédios para pressionar Tailândia a combater Aids
Apesar dos avanços em relação à ampliação das ações de prevenção e cuidado, ainda há muito a ser feito na Tailândia para que as pessoas que vivem com HIV possam ter tratamento de forma sustentável, ou seja, com medicamentos para esquemas de primeira e segunda linha, disponibilizados de forma acessível para todos que precisam. O tema surge com força agora, tendo em conta que a próxima segunda-feira, 1º de dezembro, é o Dia Mundial de Luta contra a Aids.
Há 11 anos envolvido na luta contra HIV/Aids, o representante da Campanha de Acesso a Medicamentos Essenciais da ONG internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Tailândia,
Paul Cawthorne, foi um dos grandes envolvidos na luta travada junto com outras ONGs tailandesas para tornar o acesso ao tratamento uma realidade no país. No processo, ele revela que houve até transporte ilegal de medicamentos para pressionar o governo tailandês a lidar com a situação.
Na entrevista que vem a seguir, ele conta como foi a batalha para provar a importância da atuação da organização na questão do HIV/Aids e para mostrar às autoridades de saúde da Tailândia, onde o primeiro projeto relativo à doença foi implementado há 13 anos, como era essencial oferecer tratamento.
Pergunta - Como vocês começaram a se envolver com a questão HIV/Aids na Tailândia?
Paul Cawthorne – A MSF olhava essencialmente a situação da pandemia na África e começou a observar a situação das pessoas com HIV/Aids aqui na Tailândia somente nos meados dos anos 90. Na época, fazíamos visitas domiciliares aqui em Bangcoc e percebemos que as pessoas não tinham como tratar HIV/Aids. Não havia anti-retrovirais (ARV) e o tratamento só existia em quatro ou cinco hospitais. As pessoas tinham medo de ir aos hospitais para fazer o teste porque não existia tratamento. O médico simplesmente comunicava que o paciente estava doente e que iria morrer. Começamos então a trabalhar com ONGs locais que ajudavam esses pacientes a receber tratamento para saber por que seu acesso era difícil.
Pergunta - A falta de tratamento era um problema apenas na Tailândia?
Cawthorne – Na época, o tratamento existia nos Estados Unidos e na União Européia, nos países ricos. No Brasil, o tratamento anti-retroviral estava começando (início da década de 1990), mas ainda em pequena escala.
Pergunta - Quais eram as principais barreiras para que o paciente tivesse acesso ao tratamento?
Cawthorne – Os medicamentos eram muito caros, até mesmo para a MSF. Esse foi um dos fatores que fez com que a própria organização resistisse à idéia de abraçar a questão do HIV/Aids. Além do custo alto, o tratamento era de longa duração e a atuação da organização sempre foi em caráter emergencial. Outro problema era a falta de informação. Muitos dos pacientes sofriam infecções oportunistas, mas nem eram informados de que podiam tratá-las. A MSF-Tailândia e outras ONGs se uniram em uma campanha nacional para mostrar que esse tratamento era possível. Dessa forma, se não havia tratamento para a Aids, pelo menos as pessoas podiam lutar contra essas doenças oportunistas e ter uma maior sobrevida.
Pergunta - Como essa campanha foi recebida?
Cawthorne – Surpreendentemente tivemos uma reação muito positiva de médicos e enfermeiros, que reclamavam de não ter esses medicamentos para tratamento. As doenças oportunistas começaram a ser combatidas e MSF passou a treinar médicos e enfermeiros, em parceiria com outras ONGs como a Access Foundations e a PHP (People with HIV/Aids). Pergunta - Qual foi a reação do governo? Cawthorne – Nós começamos a pressionar o Ministério da Saúde em Bangcoc, mas os principais pacientes estavam no interior. Havia muito a ser feito. Na época, os trabalhadores do governo laboratório do governo, uma espécie de Farmanguinhos da Tailândia. Eles começaram a investir na produção. Fomos ao Brasil para ver como o país estava lidando com a questão, em busca de ferramentas para enfrentar o problema aqui na Tailândia. Em 2000, a MSF deu início a seu primeiro tratamento com tinham seguros de saúde, que variavam conforme seus cargos. Mas para o povo, o acesso a saúde era cobrado e caro para muitas doenças.
Pergunta - Como vocês conseguiram mudar essa situação?
Cawthorne – Começamos a trabalhar com o GPO (Organização Farmacêutica do Governo), anti-retrovirais em um hospital distrital perto de Bangcoc, mas apenas para 60 pacientes. Ao mesmo tempo, a MSF pagava ao GPO adiantado pelos anti-retrovirais, para que eles tivessem dinheiro para comprar substâncias para tentarem fabricá-los. Começamos também a tratar os ativistas, porque era fundamental que eles vivessem para manter essa batalha. Decidimos enviá-los para a Índia, onde anti-retrovirais genéricos já eram produzidos, e eles voltavam com malas cheias de remédios para que pudéssemos distribuir por aqui.
Pergunta - A importação era ilegal?
Cawthorne – Sim, mas fazíamos isso abertamente, de forma a pressionar o governo. Finalmente, o governo decidiu que se pudéssemos produzir esses medicamentos por um preço determinado, justo, mas que não dava para comprar remédios patenteados, por exemplo, os anti-retrovirais seriam distribuídos na Tailândia. Pergunta - Depois de tantas barreiras vencidas, como está a situação hoje? Cawthorne – Na Tailândia, quase todos os medicamentos de primeira linha têm versão genérica disponível. Apenas o efavirenz ainda é patenteado. Isso é muito bom porque o salário mínimo aqui é de cerca de 1.100 baht (US$ 32) e um genérico custa 40 baht. Se fosse um remédio patenteado, o paciente teria que pagar até cinco vezes mais. Mas ainda há a questão dos remédios de segunda linha, que custam cerca de 21.000 baht por mês.
*Juliana Braga é jornalista da ONG Médicos Sem Fronteiras
comunidade e analisa as necessidades médicas, nutricionais e sanitárias, o contexto político e ambiental, as condições de segurança e de transporte e as capacidades locais. Assim é tomada a decisão final de intervir, determinando as prioridades de saúde para a região, além da composição da equipe que atuará no país e dos recursos necessários para a missão. Em casos emergenciais, entretanto, a prioridade é a ação rápida e pontual: uma intervenção pode ser efetuada em até 48hs, do momento em que é identificada uma crise humanitária.
