sábado, 11 de julho de 2009
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Boaventura de Sousa Santos acredita que o FSM pode assumir um papel relevante na crise
Fórum – O senhor costuma sempre passar uma parte do ano nos Estados Unidos. Comemorou a eleição de Barack Obama ou chegou a se emocionar com a festa dos estadunidenses?
Boaventura de Sousa Santos – É evidente que pela minha formação marxista não estou acostumado a que os homens individualmente transformem a história e tenho reservas em relação a esperar demasiado de uma pessoa quando o sistema que a elegeu praticamente se mantém o mesmo. Mas, dito isto, não há dúvida para uma pessoa que, para lembrar José Martí, vive nas entranhas do monstro, onde este sentimento de crítica à orientação imperialista agravou-se extraordinariamente durante o governo Bush, que a vitória do Obama foi um acontecimento muito especial. Aliás, especial não apenas para os EUA como para o mundo.
Em 2009, um presidente negro vai entrar
Depois que a autoestima dos americanos foi completamente corrompida pela incompetência, avareza, belicismo inconsequente e absolutamente frustrante, esta transformação é importante para os Estados Unidos. Foram guerras ilegais e agressivas que não resolveram nenhum dos problemas apontados, exceto aquele objetivo nunca confessado, que era assegurar o controle da produção de petróleo no Oriente Médio.
Apesar de terem sido grande referência para muita gente no mundo, já que a globalização cultural é também a americanização através da grande indústria do entretenimento, a imagem dos EUA degradou-se extraordinariamente, a tal ponto que os americanos às vezes tinham vergonha de visitar alguns países, uma situação absolutamente inaudita para eles. É evidente que deste ponto de vista a eleição do Obama permitiu o orgulho de outra vez serem americanos.
Isto pode ser bom e pode ser mau. Pode trazer de volta o triunfalismo e o sensacionalismo porque foram capazes de fazer o provável pior presidente dos EUA, Bush, mas também de eleger um negro num país que teve uma situação de escravatura e discriminação racial tão fortes.
Fórum – E para além dos Estados Unidos?
Boaventura – Essa eleição também é importante para a Europa, que tem uma certa arrogância em relação aos EUA. Mas o que aconteceu nos Estados Unidos não podia acontecer lá. A Alemanha tem 800 mil cidadãos turcos, em uma população de imigrantes por volta de 3 milhões. A França também tem muitos imigrantes com cidadania. Mas quando olhamos para seus parlamentos a composição é quase totalmente branca. Na Inglaterra, de 600 membros da Casa dos Comuns, 15 pessoas não são brancas. Dá-me a impressão de que a Europa se vê em um contrapé da história, porque os EUA são capazes de eleger um presidente que não tem a história a que os europeus se habituaram como sendo as suas próprias, sobretudo depois do que temos visto com a xenofobia, as leis de imigração, os Berlusconi e Sarkozy que têm transformado a Europa em uma fortaleza, a se defender sobretudo dos imigrantes, e que tenta evitar a todo custo que eles possam se estabilizar com suas famílias, que suas culturas possam enriquecer a cultura do continente.
Não podemos minimizar em termos políticos o significado da vitória de Obama. É evidente que ela ocorre no pior período dos Estados Unidos, e talvez só por isso tenha sido possível. Não só por causa das guerras que não se pode ganhar e que foram erradas desde o primeiro momento, mas também da crise financeira que vai ter certamente as mesmas dimensões da Grande Depressão.
Nesse momento de declínio entra um homem de uma etnia que não é a eurocêntrica que sempre dominou os EUA. Ele pode ter algum êxito e ser a afirmação que a diversidade deste país enriquece politicamente. E, se as coisas correrem mal, tenho certeza de que muitos racistas deste país – que não deixou de ser racista no dia 4 de novembro – vão dizer que as coisas não deram certo porque um negro não deu conta da situação
Ele já trouxe inovações extraordinárias de campanha que foram uma vitória para a democracia liberal. Não para a democracia participativa, como a defendemos, mas com alguma virtualidade desta. Um novo conceito entrou no vocabulário político, que são os netroots, pessoas que contribuíram com seu dinheiro, percorrendo bairro a bairro, exatamente uma estratégia das organizações comunitárias, e que o levaram ao poder. Num cenário otimista, se estes grupos não se desarmarem, continuarem ligados, mantiverem a sua rede, sua lista, poderão e deverão cobrar o presidente por promessas que, sem essa cobrança, ele não viria a cumprir. E esta energia não terminaria nas eleições. É uma suspensão histórica que acontece em determinados momentos. Como eu disse, é a realidade que foi almoçar e vamos ver como regressa do almoço. E ela está a regressar.
Fórum – Há sinais de algum movimento organizado já cobrando Obama, como por exemplo o chamado feito na imprensa estadunidense pelo movimento das Liberdades Civis para que já no primeiro dia o presidente tome algumas medidas para sinalizar a disposição de mudança, entre elas a de fechar Guantánamo. Que medidas tomadas no início poderão indicar o rumo que terá esse governo?
Boaventura – De alguma forma aconteceu nos EUA algo comparável ao que aconteceu com o Lula, quando alguém de um grupo discriminado, um metalúrgico, chegou à presidência do Brasil. De alguma maneira os movimentos sociais, com exceção talvez do MST, se desarmaram um pouco no primeiro momento, porque tinham um amigo no Planalto. Não pode acontecer isso nos Estados Unidos. Os movimentos não podem se desarmar, e muito especificamente o movimento negro e o movimento dos direitos civis, que são muito grandes.
Política simbólica é algo que tem efeitos reais imediatos mas que não afeta o sistema no seu núcleo duro. Fechar Guantánamo é uma coisa que se pode fazer, não é tão difícil. São 255 detidos dos quais. São todas pessoas detidas ilegalmente e, se não há nenhuma razão para estarem lá, por que não soltá-los?
Por outro lado há os que devem ser julgados. O próprio Obama já disse que as comissões militares são tribunais fantoches, uma farsa de Justiça, e portanto devem ser julgados em tribunal convencional. Pode ser um sistema novo, porque no tribunal vão ser mostradas muitas provas consideradas secretas e se considera que isto afeta a segurança dos Estados Unidos. Isso naturalmente cria uma fricção dentro do próprio grupo de Obama. Mas fechar Guantánamo não é tão difícil. É preciso coragem para tirá-los de lá e pensar como poderão regressar aos seus países de origem. Em alguns casos, não poderão. E aí, com toda franqueza, por que os EUA não os podem aceitar se não há nada contra eles? Não cometeram nenhum crime como aquele caso escandaloso dos 17 chineses que foram detidos porque foram encontrados no Afeganistão, sem nada a ver com terrorismo. Foi um ato de autoritarismo da pior espécie, quase primitivo. Há uma possibilidade de Obama responder positivamente a esta demanda e é fácil acabar com Guantánamo porque é um tumor cancerígeno instalado dentro de Cuba.
Fórum – Com a celebração da vitória de Obama, o senhor disse que a realidade foi almoçar mas já estava voltando. Acho que a parte da realidade que já voltou tem a ver com as finanças mundiais. Pergunto qual a palavra certa: estamos vivendo uma crise ou um colapso do sistema?
Boaventura – Nós assistimos de fato a um colapso de uma parte, exatamente o sistema financeiro que existiu até agora. Dá-me a impressão que o neoliberalismo se autodestruiu. Se calhar, nem foi derrubado pelos movimentos sociais que têm lutado contra os paraísos fiscais ou defendendo a taxa Tobin. Tantas coisas que têm sido promovidas pelos movimentos sociais para por fim a este capitalismo de cassino que funcionou nos últimos 30 anos, e ele se autodestruiu. Como Marx disse, o limite do capitalismo é o próprio capital, que tem uma ambição tão grande por acumulação que acaba por destruir as fontes que poderiam lhe dar sustentabilidade, portanto entra regularmente
É difícil caracterizar essa crise. Tudo leva a crer que pelo menos nos próximos anos, se não houver uma política agressiva de promoção de emprego, teremos uma recessão. É preciso lembrar que a recessão de 1929 só chegou ao bolso das famílias em 1933, levou tempo porque o sistema tem uma certa inércia. Mas não estamos em 1929 e penso que existem muitos mecanismos internacionais que não existiam antes e que agora estão a forçar o controle da crise.
Uma reivindicação dos movimentos sociais é acabar com o Banco Mundial, FMI e OMC, e que se volte o sistema para as Nações Unidas e a Unctad e instituições onde a Assembleia da ONU tenha um papel mais democrático. O FMI foi autorizado agora a analisar a situação dos Estados Unidos, mas é ridículo, eles não vão se deixar analisar pelo FMI, tampouco pelas organizações dos direitos humanos quando as violações são óbvias neste país.
Um dos papeis fundamentais vai ser jogado pelos países que, desde o primeiro Fórum, dizemos que só se eles se unissem teríamos uma mudança no sistema. Os grandes países periféricos, de desenvolvimento intermediário, e com uma população grande, que são o Brasil, Índia, África do Sul e talvez a China; se estes países se unissem, este sistema hipócrita que impõe o liberalismo a todos, menos na Europa e nos EUA, acabaria. Para esses países, é uma janela de oportunidade para impor outras regras. Os próprios chineses estão muito divididos, porque investiram demasiado nos EUA, ao contrário do Brasil e da África do Sul, e estão muito mais dependentes do futuro da economia norte-americana. A última coisa que podem querer é o aprofundamento da crise.
Lula deixa muito claro que não pode tolerar o alinhamento total com os EUA, pelo contrário, fez um alinhamento em termos econômicos, de promoção neoliberal, mas politicamente escolheu uma certa solidariedade com os países irmãos na América Latina. Esse regionalismo a emergir na região é muito evidente também na África, com a proposta de uma unidade monetária como na Europa, e também na Ásia há sinais de um certo regionalismo que atende mais às necessidades dos países. Se assim for, poderíamos ter relações menos imperialistas e mais difusas em função de o mundo ser mais partilhado por estes grandes regionalismos que podem enfrentar Europa e EUA.
Eu, ao contrário dos que pensam que a solução tem de vir da Europa e dos EUA, penso que eles precisam ser pressionados pelo resto do mundo, porque é fora dos EUA e da Europa que hoje estão as energias transformadoras do sistema. O Brasil, por exemplo, está numa posição diferente, mas se houver uma recessão na China ela vai se refletir no Brasil. Agora, a arrogância unilateral dos EUA, a arrogância unilateral das organizações multilaterais, que são multilaterais apenas no nome, essa terminou. Portanto, vamos ver como as coisas vão se posicionar e que janelas de oportunidades existem para algumas questões no movimento social. Por exemplo, para a Via Campesina, é muito importante eliminar o capital especulativo nesta área de soberania alimentar. No momento, há aqui alguma oportunidade quando as estruturas hegemônicas estão um pouco fragilizadas. Mas não sabemos até que ponto.
Fórum – O presidente Lula, na discussão em Washington sobre a solução para a crise internacional, fala em concluir a rodada de Doha, e isso soa um pouco estranho ao movimento social depois de tanta luta para desgastar a OMC, que hoje realmente não tem mais o papel que pretendia. O que o senhor pensa disso?
Boaventura – O Brasil é a ambiguidade dos países semiperiféricos, tem uma capacidade de manobra que lhe dá uma certa arrogância neste momento. Nota-se na área da biotecnologia, porque o Brasil tem uma grande diversidade, mas tem também uma indústria biotecnológica que quer produzir e portanto as suas posições na área do patenteamento da biodiversidade são muito ambíguas.
A diplomacia brasileira é que tem sido muito boa em muitos níveis. O desgaste dos Estados Unidos e do sistema que até agora era imposto na Organização Mundial de Comércio (OMC), e contra o qual o Brasil lutava ao questionar o protecionismo na Europa e nos EUA, criou novas possibilidades para o que este grupo vinha colocando dentro da OMC. O que temos de ver é se o que é bom para o Brasil é também para os países do Quarto Mundo, os periféricos, que não estão nesta fatia intermediária do rendimento mundial. Estou falando da África e de muitos países da América Latina, da Ásia e de muitos outros que são dependentes em relação a estes países, como a Tailândia é em relação à China. Eu ainda temo que este regime seja tão viciado que as potências intermediárias, como no caso brasileiro, quando têm alguma capacidade de manobra, comportem-se como virtuais potências hegemônicas.
Aqui, o distanciamento de um Chávez é muito salutar. Ou nós temos uma lógica não-capitalista, uma lógica outra, ou não vamos a lado nenhum. E o Brasil não tem tido de modo nenhum esta posição, pelo contrário: faz desalinhamento político mas alinhamento econômico, o que funcionou até agora porque coincidiu com o grande boom da China, que resolveu muitos problemas brasileiros, se não contarmos com os indígenas e camponeses que estão sofrendo com o alargamento da fronteira agrícola e a destruição da Amazônia, que ocorre no Pará e no Mato Grosso do Sul. Mas isso obviamente permitiu ao Brasil o que até agora não tinha tido, que é uma certa autonomia em relação ao FMI e portanto houve um segundo Grito do Ipiranga: Nós podemos ditar nossa política.
Mas a burguesia nacional, altamente transnacionalizada desde a ditadura, não mudou com a democratização, está totalmente vinculada a este sistema, e quando tem qualquer margem de manobra para ter os seus lucros, não vai querer mais mexer no sistema e nem nesta ideia de que não se pode ter tratado de comércio sem direitos sociais e econômicos e sem uma outra política ambiental. Porque há uma crise econômica, energética e climática. Não podemos usar a lógica economicista do neoliberalismo, temos de usar uma lógica mais ampla, e o Brasil está relativamente atrasado porque entrou naquela onda do agrocombustível, que se chama no Brasil biocombustível, mas que é um nome errado porque não é energia renovável e é extremamente destruidor da soberania elementar. Energia renovável são os ventos, o sol e as ondas. O Brasil não tem mostrado muito interesse nisso mas sim nos combustíveis fósseis e no agrodiesel. Como vai se comportar neste momento que vai trazer as questões climáticas para o centro das discussões, mesmo nos EUA.
Foi um erro do Lula desvincular-se de algumas outras políticas ambientais que estavam em curso para uma aliança com os EUA, não se dando conta de que seria de curta duração porque não é uma energia renovável. No domínio energético e climático não vejo o Brasil muito bem equipado para uma resposta inovadora porque não foi por aí que a diplomacia se orientou. Mas vamos ver porque não acredito muito naquilo que os governos podem fazer, mas no que os movimentos podem pressionar.
Penso que o FSM pode assumir uma liderança maior, com espaço aberto. Se os movimentos sociais estivessem preparados com propostas muito concretas do que pode ser feito, neste momento de suspensão do sistema mundial devido à crise e ao novo governo dos EUA, penso que algumas alianças poderiam ser feitas com organizações e mesmo com partidos dentro do establishment que percebem que suas soluções não funcionaram.
Fórum – Então vou citar uma fala de Chomsky que não vê nessa crise o ocaso da economia dos EUA e que também não vê sinal de alternativas construídas pelo movimento para um momento destes, em um artigo bem recente. Em sendo verdade, isto significa que o processo do FSM falhou ao afirmar a possibilidade de outro mundo?
Boaventura – Estamos provavelmente em um processo de transformação que é quase simétrico a este outro que nós estamos analisando. Desde o final de 1989, quando tivemos a queda do Muro de Berlim, aquelas alternativas socialistas, pelo menos as que haviam sido desenhadas ao longo do século XX, entraram
No fundo, a busca do Fórum Social Mundial de uma sociedade alternativa começou com uma crise que agora atinge este sistema. Começou no final da década de 80 e foi um período de rejeição e um grande inconformismo com a situação de desigualdade social dos últimos anos. E também uma maturidade que ajuda a florescer um sentimento muito vago de que não temos alternativas. Por isso que a gente diz que um outro mundo é possível, é um “outro mundo” porque não sabemos qual é esse mundo.
Para muitos movimentos, falar do socialismo é um erro. Se vamos para a África ou para a Ásia vão nos dizer que o socialismo é uma armadilha eurocêntrica como qualquer outra. Não sou tão negativo como Chomsky e é curioso que um intelectual por quem temos um grande respeito possua essa ambiguidade que vem do movimento anarquista. Por um lado, fazem uma luta por todos os movimentos de base e têm uma desconfiança total dos Estados terroristas, mas todos os Estados o são, a começar pelos Estados Unidos. São grandes críticos deste sistema mas ao mesmo tempo são maximalistas.
Se quisermos uma revolução ou uma alternativa verdadeiramente pós-capitalista, não imagino que isso seja possível sem termos um Estado que seja efetivamente democrático e popular. Nunca uma ditadura de um partido único. Mas enquanto não tivermos um governo mundial, democrático, que seria o sonho do movimento social internacionalizado mas que está como uma possibilidade utópica, nós, os movimentos sociais em nível regional e internacional, poderíamos ter interlocutores fortes com quem se possa promover políticas fortes. E não conheço nenhuma instância que garanta direitos senão os Estados. Vamos entrar no domínio das religiões e da filantropia? Francamente, não é uma solução socialista.
Eu acho que o movimento de esquerda deixou-se desarmar extraordinariamente nos últimos anos, exatamente porque aquela alternativa não era possível, o marxismo deixou de estar na moda, deixou de estar na agenda, de estar nas universidades, no movimento social. Curiosamente está voltando porque a situação financeira veio a provar que Marx tinha muita razão na análise que fazia da sociedade capitalista. O marxismo regressa, mas só pode regressar parcialmente, como uma análise lúcida das crises do capitalismo e, portanto, de que é preciso uma sociedade pós-capitalista. Mas uma sociedade assim não pode ser aquela nos termos em que previu.
Edição 70, Quarta-Feira, 14 de Janeiro de 2009
http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=5874
domingo, 18 de janeiro de 2009
Análise: O fim do neoconservadorismo?
Para a BBC News
Tudo indica que a resposta deve ser "sim".
Mas o epitáfio do neoconservadorismo já foi escrito antes - e prematuramente, como acabamos descobrindo - nos anos 80. Ele aparentemente estava destinado à extinção no fim do governo Reagan, mas uma segunda geração de neoconservadores, ou "neocons", emergiu em meados dos anos 90.
Era a época da impressionante supremacia militar americana pós-Guerra Fria, que os neocons batizaram como "momento unipolar", e que serviu como a incubadora das idéias do neoconservadorismo moderno.
Ambição
As principais características do neoconservadorismo são:
- uma tendência a ver o mundo dividido entre o bem e o mal.
- pouca tolerância com a diplomacia
- prontidão para uso da força militar
- ênfase na ação unilateral dos Estados Unidos
- desprezo a organizações multilaterais
- foco no Oriente Médio
Entre os nomes de neocons proeminentes que acabaram por ter um papel importante do governo Bush estavam Paul Wolfowitz, Douglas Feith, Elliott Abrams, David Addington e Richard Perle, que ocuparam cargos no Departamento de Defesa e na Casa Branca.
Muitos dos neocons são judeus, mas não se pode dizer que o neoconservadorismo é um fenômeno exclusivamente judeu.
Os neocons encontraram voz na think tank American Enterprise Institute, com sede em Washington. Ali eles publicaram uma série de análises e estudos defendendo uma política externa mais rigorosa, cujo ponto principal era a rejeição às negociações convencionais no processo de paz entre israelenses e palestinos.
Eles também cultivavam a ambição de uma transformação democrática promovida pelos Estados Unidos em todo o Oriente Médio.
A primeira fase foi a retirada de Saddam Hussein do poder - o que, segundo eles, serviria como uma espécie de "exemplo" para a região.
No início do governo Bush, no entanto, as perspectivas para os neocons pareciam obscuras.
Muitos conseguiram cargos importantes, mas o próprio Bush havia prometido manter uma política externa "humilde" - o oposto do conceito neoconservador.
Nem o então secretário de Estado, Colin Powell, nem o secretário de Defesa na época, Donald Rumsfeld, eram neoconservadores.
Mas o grupo encontrou um aliado no vice-presidente, Dick Cheney. Apesar de não ser um neocon, ele foi signatário do Projeto para um Novo Século Americano, que se tornou o fórum favorito da ideologia neoconservadora.
Oportunidade
A oportunidade dos neoconservadores veio com os ataques de 11 de Setembro de 2001.
Mais do que ninguém, eles tinham uma estratégia muito bem preparada que casava com a necessidade de se dar uma resposta decisiva e incisiva.
De uma hora para outra, as idéias neoconservadoras de transformação democrática começaram a parecer como uma política razoável. Suas propostas de atacar o Iraque logo tomaram o centro das atenções.
Claramente, os neoconservadores não eram os únicos - nem os principais - atores na escalada para a guerra ao Iraque.
Mas foram suas idéias que garantiram que a resposta americana ao 11 de Setembro não se restringiu ao Afeganistão.
Eles foram, sem dúvida, os padrinhos intelectuais da guerra no Iraque.
As primeiras semanas do conflito representaram o auge dos neocons. No campo de batalha, tudo parecia estar indo como eles queriam; politicamente, seu protegido Ahmed Chalabi (polêmico chefe do principal partido de oposição a Saddam Hussein, mais tarde acusado de fraude no Iraque) parecia no rumo para ascender ao poder.
Mas conforme a invasão se tornou uma ocupação, e a insurgência iraquiana se intensificou, as idéias neoconservadoras de transformação democrática do Oriente Médio mostraram que eram o que sempre foram: uma fantasia fantástica.
Quando a elite e a opinião pública passaram a condenar a guerra, os neoconservadores começaram a deixar o governo.
Mudança
Em muitos aspectos, a eleição de 2008 representou uma rejeição direta ao estilo neoconservador de fazer política externa, baseado na extrapolação unilateralista e militar dos limites.
À primeira vista, o governo de Barack Obama parece ser o oposto completo do neoconservadorismo.
Seus instintos são multilateralistas, já que ele se disse comprometido em ratificar o Protocolo de Kyoto e acordos internacionais como a Convenção de Genebra.
Obama dá uma grande prioridade à diplomacia, estando aberto para negociar diretamente com países há muito ignorados, como o Irã e Cuba. O secretário de Defesa Robert Gates, que vai permanecer no cargo, já deixou claro que vê uma intervenção militar como o último recurso.
Além disso, a crise econômica e as custosas empreitadas no Iraque e no Afeganistão arranharam a proeminência do poderio americano. Hoje, é difícil afirmar que os Estados Unidos gozam de uma vantagem unipolar.
Por isso, a aposta mais segura é de que nós podemos dizer "adeus" aos neocons, e deixar que seu papel seja julgado pela História.
Eles próprios argumentam que fazem parte do mainstream da história americana. Mas é mais provável que passem a ser vistos como uma aberração.
Entretanto, duas coisas podem mudar esse cenário: primeiro, o outro lado da moeda do neoconservadorismo, o que pode ser chamado de "neo-humanitarismo". É a idéia de que o poderio militar americano poderia ser usado para intervir em crises como o genocídio em Ruanda ou a situação em Darfur.
Alguns dos futuros membros do governo Obama, como Susan Rice, na ONU, vão defender este ponto de vista. Tudo indica que o governo Obama vai ser cauteloso, mas se não for, o envio unilateral de tropas americanas pode voltar à agenda global.
Em segundo lugar, o governo Obama vai enfrentar assuntos pendentes com o Irã.
Os neoconservadores argumentam que o país é central na definição da política externa dos Estados Unidos e que, já que Teerã optou por não abandonar seu programa nuclear, os americanos terão que usar a força.
Mais uma vez, os primeiros sinais são de que o time de Obama, a força militar não está no topo da agenda e uma nova forma de relação pode estar sendo considerada.
Caso isso mude - possivelmente pela intransigência de Teerã - os neoconservadores estarão novamente na ativa e irão se gabar por terem sobrevivido mais um obituário prematuro.
* Jonathan Clarke é co-autor do livro 'America Alone: The Neo-Conservatives and the Global Order' (América Sozinha: Os Neoconservadores e a Ordem Global), ao lado de Stefan Halper.
sábado, 17 de janeiro de 2009
Chu promete política agressiva contra mudanças climáticas
Mas ele também disse aos congressistas que vê a energia nuclear e o carvão como partes críticas da composição energética do país e disse que era otimista e acreditava que se podia encontrar uma maneira de tornar o carvão uma fonte mais limpa de energia, capturando suas emissões de carbono.
Chu foi indicado pelo presidente eleito Barack Obama para chefiar o Departamento de Energia. O físico compareceu nesta terça-feira, 13, diante do Comitê de Energia e Recursos naturais do Senado, onde recebeu apoio imediato tanto de democratas quanto de republicanos.
Em um comunicado preparado anteriormente, Chu, descendente de chineses e diretor do Lawrence Berkeley National Laboratory desde 2004, qualificou as mudanças climáticas como um "problema crescente e urgente". Para ele, a manutenção da dependência do petróleo representa uma ameaça para a economia e para a segurança norte-americanas.
Sobre os riscos do aquecimento global, Chu disse: "Agora é claro que se continuarmos nesse mesmo caminho, corremos o risco de mudanças drásticas em nosso sistema climático durante o período de vida de nossos filhos e netos."
Chu disse que a energia nuclear produz um quinto da eletricidade do país e 70% da eletricidade livre de carbono, acrescentando que "será uma parte importante de nossa composição energética."
Cientista largamente respeitado que dividiu um prêmio Nobel em 1997, Chu tem defendido mais pesquisas relativas a energia, especialmente trabalhos relacionados ao avanço de biocombustíveis e energia solar. Ele disse que a pesquisa cientifica é a chave para conter o aquecimento global.
No entanto, quando pressionado por senadores, ele também disse que o carvão não pode ser abandonado como fonte primária de energia, embora tenha prometido pesquisas agressivas sobre captura de carbono.
Fonte: O Estadão
Bush defende legado em discurso de despedida
Por Matt Spetalnick e Tabassum Zakaria
WASHINGTON (Reuters) - O presidente norte-americano, George W. Bush, defendeu na quinta-feira suas ações para evitar um colapso do sistema financeiro e para proteger os Estados Unidos de outro ataque terrorista, em seu discurso de despedida do cargo que deixa na semana que vem.
Cinco dias antes de entregar a Presidência a Barack Obama, Bush fez o último discurso televisivo para a população. Ele procurou definir seu histórico na Casa Branca, que alguns historiadores já apontam como o pior da história.
Mas, apesar de tentar se concentrar no que considera seus sucessos, Bush se prepara para deixar para Obama guerras não-acabadas no Iraque e no Afeganistão, um conflito sangrento em Gaza, a economia em profunda recessão e um país com uma imagem ruim no resto do mundo.
"Enfrentando a perspectiva de um colapso financeiro, tomamos medidas decisivas para salvaguardar nossa economia", disse Bush, referindo-se a uma maciça intervenção que ele ordenou. "Poderia ser muito pior caso não tivéssemos agido."
"Juntos, com determinação e trabalho duro, vamos recolocar nossa economia no caminho do crescimento. Vamos mostrar mais uma vez ao mundo o poder de recuperação do sistema americano da livre-iniciativa."
Obama tem afirmado que lidar com a crise econômica, a pior desde a Grande Depressão, será sua principal prioridade. Bush alertou, no entanto, que o desafio mais grave a ser enfrentado pelo próximo presidente continua sendo a ameaça de um novo ataque terrorista, como o realizado pela Al Qaeda em 11 de setembro de 2001.
Ele reconheceu que algumas das decisões que tomou como resposta aos ataques de 11 de setembro foram controversas, mas as defendeu e reafirmou sua doutrina de 'ou está conosco ou está contra nós', que é amplamente criticada em todo o mundo.
"Há um debate legítimo sobre muitas dessas decisões. Mas pode haver pouco debate sobre seus resultados", disse. "A América passou por mais de sete anos sem que houvesse um ataque terrorista em nosso solo."
Discursos de despedida são uma tradição para presidentes norte-americanos que estão deixando o cargo, mas há muito em jogo para Bush nesse caso particular. Ele deixa a Casa Branca com uma das taxas mais baixas de aprovação já registradas por um presidente nos tempos modernos. A aprovação dele está na casa dos 20 por cento.
(Reportagem adicional de David Alexander)
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Eleições: Anúncio milionário
Eu só tenho a dizer que... Se até o Google te apóia... Amigo, de quem mais você precisa?
Ao longo de 30 minutos no horário nobre e em formato de documentário com música de fundo e tom épico, o candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, tratou de alguns dos temais mais relevantes da disputa eleitoral, sempre fazendo uma correlação com casos reais de famílias americanas. E prometeu, caso seja eleito: “Vamos mudar o país e mudar o mundo.”
Segundo estimativas, a campanha de Obama pagou cerca de US$ 5 milhões (mais de R$ 10 milhões) pelo comercial de meia hora em três das quatro cadeias de televisão em aberto (CBS, NBC e Fox) e também no canal a cabo MSNBC, a rede em espanhol Univisión e em dois canais orientados a uma audiência afro-americana: BET e TV One. “Nunca esquecerei que quando mandar soldados para a guerra, estou mandando filhos, maridos e pais americanos”, disse, alegando que se empenharia na manutenção da segurança nacional dos Estados Unidos e continuaria a luta contra o terrorismo no Afeganistão.
Foto: Reprodução/Reters
Barack Obama, durante comercial milionário na televisão americana, na noite desta quarta-feira (29) (Foto: Reprodução/Reuters)
O candidato falou sobre saúde pública. “Muitos -americanos não conseguem ter cuidado de saúde de que precisam”, disse Obama, apresentando mais detalhadamente uma proposta já apresentada durante os debates. Segundo ele, seu plano é oferecer seguro de saúde semelhante ao que têm os funcionários públicos, mas sem impor nada. “Me lembro todos os dias que não sou perfeito. Não vou ser um presidente perfeito, mas prometo que sempre serei honesto com vocês e vou ouvi-los quando discordarmos. Mais importante, vou abrir as portas do governo para todos os americanos”, disse. “América, a hora da mudança chegou”, disse, entrando ao vivo da Flórida ao final do anúncio de 30 minutos. “Em seis dias podemos transformar este país, podemos nos reunir como uma nação, um povo”, afirmou. “É por isso que vamos lutar. Se vocês ficarem ao meu lado, prometo que vamos vencer as eleições e juntos, consertar o país e mudar o mundo” finalizou.
Além do próprio candidato e de eleitores de todo o país escolhidos para aparecer no anúncio, a família de Obama e outros políticos do partido democrata, como o candidato a vice-presidente Joe Biden apareceram para falar de Obama. A intenção era apresentá-lo como “o melhor político da sua geração”.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Agora sabemos porque a Palin não sabia dizer qual periódico lia...
WASHINGTON (AFP) - O democrata Barack Obama inicia nesta segunda-feira uma semana crucial para sua campanha, pois, apesar da vantagens nas pesquisas e das demonstrações eufóricas de seus partidários, o republicano John McCain não dá o braço a torcer.
Um dia depois da megamanifestação de 150.000 simpatizantes em Denver, Colorado, Obama fará nesta segunda-feira um discurso na localidade de Canton, Ohio, onde pedirá aos eleitores que "escolham a esperança ao invés do temor, a unidade, ao invés da divisão", segundo um comunicado de sua equipe.
O discurso de Obama será seguido por uma propaganda paga de 30 minutos que será exibida em cadeia nacional na noite de quarta-feira.
Segundo sua agenda eleitoral, McCain começará a última semana de sua campanha com uma mesa redonda sobre economia em Cleveland antes de encabeçar na noite desta segunda-feira um comício em Ohio e outro na Pensilvânia, dois estados-chave.
O senador pelo Arizona planeja usar a ocasião para insistir em sua tese de que Obama é um socialista disfarçado, que pretende aumentar os impostos para financiar um aumento de gastos.
"O discurso de Obama é sempre mais da mesma retórica vazia diante das pesquisas parelhas e de eleitores indecisos", afirmou o porta-voz do Comitê Nacional Republicano, Alex Conant.
Apesar de McCain afirmar que ignora as pesquisas sobre intenção de voto que prevêem sua derrota e insistir em que seguirá sua luta para chegar à presidência dos Estados Unidos, os números continuam favorecendo Obama.
O democrata abriu vantagem de oito pontos sobre o rival republicano McCain, no estado chave da Virginia, segundo uma pesquisa publicada nesta segunda pelo jornal Washington Post.
A pesquisa dá ao senador por Illinois 52% da intenções de voto, contra 44% do senador pelo Arizona. No fim de setembro, a vantagem do democrata no estado era de apenas três pontos.
Dois terços dos eleitores de Virginia aprovam agora Obama, enquanto o republicano tem a simpatia de 50% dos entrevistados. Ao mesmo tempo McCain é rejeitado por 45% deles, índice 15% superior ao de opiniões desfavoráveis ao democrata, destaca o Washington Post.
A pesquisa ouviu 1.026 adultos por telefone entre 22 e 25 de outubro e tem margem de erro de 3,5%.
A Virginia, com 13 votos no colégio eleitoral, é um estado republicano desde 1964.
Quanto à imprensa, num golpe para os republicanos, o Anchorage Daily News, o maior jornal do Alasca, estado governado pela candidata a vice Sarah Palin, declarou apoio a Obama, assim como o influente Financial Times em sua ediçao desta segunda-feira.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
O que um vice-presidente faz?
Ron Paul: um republicano revolucionário
e é preciso muita coragem para falar isso... ESPECIALMENTE, quando se é um republicano...
domingo, 26 de outubro de 2008
McCain teve encontro com Pinochet nos anos 80
O senador e candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, John McCain, se encontrou em 1985, em Santiago, com o então presidente chileno Augusto Pinochet. Durante a atual campanha presidencial, o republicano tem criticado seu rival democrata, Barack Obama, por ter dito que aceitaria se encontrar incondicionalmente com líderes como o cubano Raúl Castro ou o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Ao longo da disputa, McCain procurou contrastar a sua postura com a de Obama, dizendo que não se "sentaria à mesa com ditadores". Mas, em 1985, segundo telegramas do Departamento de Estado americano, o então congressista republicano descreveu o encontro que teve com o líder do regime acusado de ser responsável pela morte de pelo menos 3 mil pessoas como "amistoso" e até "caloroso". Documentos A revelação do encontro foi publicada nesta sexta-feira pelo site noticioso Huffington Post, em um texto assinado pelo jornalista e professor da Universidade de Columbia, em Nova York, John Dinges. Dinges soube da reunião por meio de documentos sigilosos mantidos pelo Departamento de Estado que agora se tornaram domínio público. De acordo com Dinges, "a afirmação feita por McCain de que é idiotice se encontrar com ditadores é contradita pelas suas próprias ações". "Políticos se encontram com líderes estrangeiros, sem impor condições, por suas próprias razões", acrescentou o jornalista. Resposta da campanha Em um e-mail enviado à BBC, a campanha de McCain afirma que "existe uma grande diferença entre um congressista em começo de mandato se encontrar com um um ditador e um presidente manter reuniões incondicionais com ditadores". No texto, a campanha ainda realça a ironia feita por McCain em relação às posturas ultra-conservadoras de Pinochet, lembrando que o então congressista comparou conversar com o líder chileno com falar "com o presidente da John Birch Society", em referência a uma organização anticomunista americana. Os telegramas do Departamento de Estado relatam ainda que McCain destacou que a conversa entre os dois tratou basicamente dos "perigos do comunismo". Segundo o republicano, o assunto era "um tema com o qual o presidente (Pinochet) parecia obcecado". Os responsáveis pela campanha de McCain enfatizam que o político "foi um defensor-chave dentro do Partido Republicano da transição do Chile para a democracia e comandou inúmeras inciativas legislativas, entre elas a de defender financiamento americano para o plebiscito que pôs fim ao governo de Pinochet". Sem pressões Mas, segundo o jornalista John Dinges, os documentos que relatam o teor do encontro não apontam qualquer sinal de que entre os propósitos da reunião estivesse uma uma tentativa de pressionar o líder chileno a promover eleições livres ou uma transição democrática no Chile. "Ele não manteve encontros também com líderes da oposição, ativistas de direitos humanos ou representantes da Igreja, ao contrário de outros políticos, como Ted Kennedy ou o republicano Richard Lugar, que estiveram no país pouco depois de McCain", afirma Dinges. De acordo com o jornalista, os documentos da embaixada do Chile e do Departamento de Estado aos quais teve acesso mostram que McCain viajou ao país a convite das autoridades chilenas e enfatizou que desejava que o encontro tivesse um caráter privado. Hinges afirma que a reunião não foi organizada pelo governo americano, como é praxe nessas situações. Segundo os documentos do Departamento de Estado, a reunião de McCain com o líder chileno, que assumiu o poder em um golpe militar em 1974, durou 30 minutos. | |||||||
Obama e McCain trocam ataques em campanha nos EUA
O candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, John McCain, atacou novamente a política de redistribuição de riquezas de seu adversário, o democrata Barack Obama. A dez dias das eleições americanas no dia 4 de novembro, McCain disse a partidários em Albuquerque no Estado do Novo México, oeste do país, que a classe média vai sofrer com o plano de Obama. Obama propõe um aumento de impostos de 5% para contribuintes que ganham mais de US$ 250 mil por ano, e defende cortes de impostos para quem ganha menos. "Ele (Obama) acredita na redistribuição de riqueza. Isto significa tirar dinheiro de um grupo de americanos e dar a outros. Vimos esta medida antes em outros países. (O plano) Não é a América", afirmou McCain. O candidato republicano afirmou que as pequenas empresas - e seus 16 milhões de funcionários - seriam os atingidos pelo aumento de impostos proposto pelo democrata. Em resposta, durante um comício em Reno, Nevada, Barack Obama rejeitou os "comentários ofensivos" do lado republicano. Obama afirmou que os cortes de impostos serão destinados para "os bolsos de 95% das famílias trabalhadoras". "O senador McCain está jogando contra nós tudo o que ele tem, esperando que algo funcione. Ele até me chamou de socialista ao sugerir que estamos nos concentrando no corte de impostos não para as corporações e para os ricos, mas para a classe média", afirmou. Pesquisas As últimas pesquisas de opinião mostram que Obama está na frente na preferência dos eleitores. O canal de televisão NBC News informou que Obama agora lidera em um número de Estados necessários para conseguir mais dos que os 270 votos no colégio eleitoral, o número necessário para conseguir a presidência. Segundo o correspondente da BBC em Washington Justin Webb, a equipe democrata continua cautelosa, mesmo com a liderança nas pesquisas. McCain admitiu que está alguns pontos abaixo nas pesquisas de opinião, mas disse aos partidários no comício do Novo México que "não desistam da esperança". "Levantem-se para defender nosso país de seus inimigos - levantem-se e lutem. Vale a pena lutar pela América", disse o republicano. McCain também tentou se distanciar do presidente George W. Bush. "Não podemos passar os próximos quatro anos como passamos grande parte dos últimos oito, esperando que nossa sorte mude no país e em outros países", afirmou. Obama, por sua vez, destacou exemplos do apoio que McCain deu ao presidente Bush nos últimos oito anos, incluindo a menor regulamentação para empresas. O candidato pediu um "verdadeiro debate" a respeito da economia, acrescentando: "Creio que já tivemos o bastante da economia Bush-McCain". Estados estratégicos Obama passou a quinta e a sexta-feira com sua avó. Ele disse estar preocupado com a possibilidade de ela não viver até o dia da eleição. McCain passou a sexta-feira no Estado de Colorado, considerado estratégico para a campanha republicana, junto com Nevada e Novo México. Nos três Estados, Bush venceu as eleições com vantagens pequenas em 2004. Obama tem conseguido bons resultados nas pesquisas, devido ao alto número de eleitores hispânicos. A candidata à vice-presidência dos republicanos, a governadora do Alasca Sarah Palin, interrompeu sua campanha na sexta-feira para depor em um comitê no seu Estado, que investiga acusações de abuso de poder da governadora. Ela é acusada de violar códigos de ética ao demitir a principal autoridade de segurança do Estado, Walt Monegan, que teria se negado a demitir o ex-cunhado de Palin, que é policial. | ||||||||
McCain: Campanha 'vai bem' apesar de pesquisas
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O candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, John McCain, afirmou que sua campanha pela presidência americana está "indo bem" apesar de as pesquisas mostrarem que o candidato democrata Barack Obama está na frente na preferência do eleitorado. Falando no programa de televisão da rede NBC Meet the Press, a nove dias da votação, McCain afirmou que diminuiu a diferença em relação à Obama na semana passada. "Estas pesquisas me mostraram bem mais atrás do que realmente estamos. Estamos indo bem", afirmou. "Nos aproximamos na semana passada e se continuarmos próximos (de Obama) deste jeito, na próxima semana vocês ficarão acordados até bem tarde na noite da eleição", disse McCain falando de Iowa, onde está fazendo campanha durante o final de semana. "Eu escolhi confiar em meus sentidos e também nas pesquisas, e o entusiasmo durante em quase todos os eventos de nossa campanha está alto, mais do que já tinha visto." Uma pesquisa realizada pela NBC em Iowa mostrou que Obama tem 51% da preferência do eleitorado contra 40% de McCain. No entanto, uma pesquisa da Reuters, C-Span e Zogby, divulgada neste domingo, sugeriu uma corrida eleitoral um pouco menos definida, com Obama apenas cinco pontos percentuais à frente dos 44% de McCain. Elogio e defesa McCain foi perguntado se gostaria de defender sua candidata à vice-presidente, Sarah Palin, já que surgiram informações de divergências dentro da campanha republicana. "Não a defendo, eu a elogio. Ela não precisa de defesa", disse McCain. O candidato republicano também afirmou que a governadora do Alasca tem "mais experiência executiva do que (o candidato a vice-presidente dos democratas) senador (Joe) Biden e o senador Obama juntos". “Ela é uma pessoa dinâmica com experiência no executivo e liderança. Ela é exatamente o que Washington precisa.” O Partido Republicano teve que responder a informações divulgadas na semana passada, de que US$ 150 mil foram gastos com roupas, cabelo e maquiagem para Palin desde sua nomeação em setembro. "Ela tem uma vida simples, ela e a família dela não são ricos, ela e a família dela foram empurrados para isto (a campanha)", disse McCain, repetindo que as roupas compradas serão doadas para a caridade. E, respondendo à alegação do Partido Democrata, de que ele apoiou ao presidente George W. Bush 90% do tempo, McCain afirmou que ele e a própria Sarah Palin são políticos dissidentes. "Dividimos uma filosofia comum com o Partido Republicano? Claro", afirmou. "Mas eu fiquei contra meu partido, não apenas contra o presidente Bush, mas contra outros e tenho as cicatrizes para provar isto", acrescentou. | |||||
sábado, 25 de outubro de 2008
Se o voto não é obrigatório, e eles decidem o futuro do PLANETA, fazer com que outros se importem é o mínimo...
Como a gente, eles precisam se registrar para votar, mas diferentemente de nós, o voto é optativo... O sistema, como a maioria, é imperfeito, mas será que toda essa comoção de artistas fará com que as pessoas realmente se importem? É, teremos que esperar até 4 de novembro para saber!
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
PESQUISA-Obama tem 10 pontos de vantagem sobre McCain
Por Andrew Quinn
WASHINGTON (Reuters) - O democrata Barack Obama tem 10 pontos percentuais de vantagem sobre o republicano John McCain na disputa presidencial norte-americana, segundo pesquisa Reuters/C-SPAN/Zogby divulgada na sexta-feira.
Obama tem 51 por cento da preferência dos prováveis eleitores, contra 41 por cento de McCain. A pesquisa, feita junto a 1.203 pessoas, tem margem de erro de 2,9 pontos percentuais. Na quinta-feira, Obama tinha 12 pontos de vantagem.
Os números divulgados nesta sexta marcam o fim de quatro dias seguidos em que McCain vinha perdendo terreno nas pesquisas nacionais e nos Estados-chave na disputa presidencial de 4 de novembro. Mas o especialista em pesquisas John Zogby disse que o apoio a Obama, em meio a notícias econômicas desfavoráveis, continua significativo.
"McCain parou de sangrar um pouco, mas ele ainda tem muito pela frente", disse.
Obama, 47, continua a ganhar apoio entre as mulheres e os independentes, dois grupos-chave na disputa. Entre os independentes, o democrata tem 56 por cento contra 30 por cento de McCain, enquanto Obama tem 58 por cento contra 38 por cento de apoio no eleitorado feminino.
O independente Ralph Nader ficou com 2 por cento de apoio entre os prováveis eleitores, segundo a pesquisa, enquanto o libertário Bob Barr ficou com 1 por cento. Três por cento declararam-se indecisos.


