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domingo, 24 de maio de 2009
sexta-feira, 22 de maio de 2009
UN AGENCY CALLS FOR THE INCLUSION OF FARMING IN TALKS ON NEW CLIMATE CHANGE TREATY
New York, Apr 2 2009 2:10PM
The United Nations Food and Agriculture Organization (FAO) today urged policy makers gathered in Germany to include farming in their negotiations on an ambitious new international greenhouse gas reduction pact which will replace the Kyoto Protocol.
More than 2,000 delegates from government, business and industry, environmental organizations and research institutions, are meeting in Bonn, for the first of a series of three sessions designed to culminate in a draft climate change treaty for discussion at the high-level UN-backed conference in Copenhagen in December.
Crop production and livestock release large amounts of greenhouse gas into the atmosphere, including methane from cattle and wetlands, nitrous oxide from fertilizer use and carbon from deforestation and soil degradation, according to a news release issued by <"http://www.fao.org/news/story/en/item/11356/icode/">FAO.
The agency warned that annual greenhouse gas emissions from farming – already accounting of 14 per cent of the world’s discharge while another 17 per cent comes from deforestation and soil degradation – are expected to increase in coming decades due to a rise in demand for food and shifts in diet.
“But millions of farmers around the globe could also become agents of change helping to reduce greenhouse gas emissions,” said Alexander Mueller, FAO Assistant Director-General on the occasion of the ongoing UN negotiations.
By keeping higher levels of carbon in the soil – a process known as “carbon sequestration” – farmers can help reduce carbon dioxide levels in the atmosphere, enhance the soil’s resilience and boost crop yields, according to FAO.
“Agricultural land is able to store and sequester carbon. Farmers that live off the land, particularly in poor countries, should therefore be involved in carbon sequestration to mitigate the impact of climate change,” said Mr. Mueller, who also noted that farmers and their families, particularly in poorer countries, will become victims of climate change.
Farmers can alleviate agriculture’s contribution to climate change by reducing tillage, increasing organic soil matter and soil cover, improving grassland management, restoring degraded lands, planting trees, altering forage and by sustainable use of animal genetic diversity, using fertilizer more efficiently, and improving water management.
However, Mr. Mueller said, “Current global funding arrangements, like the Clean Development Mechanism [CDM] under the Kyoto Protocol, are inadequate and are not offering sufficient incentives for farmers to get involved in climate change mitigation and adaptation.
“For example, soil carbon sequestration, through which nearly 90 per cent of agriculture’s climate change mitigation potential could be realized, is outside the scope of the Clean Development Mechanism under the Kyoto Protocol. Neither climate change mitigation, nor food security, nor sustainable development, benefit from this exclusion.”
The United Nations Food and Agriculture Organization (FAO) today urged policy makers gathered in Germany to include farming in their negotiations on an ambitious new international greenhouse gas reduction pact which will replace the Kyoto Protocol.
More than 2,000 delegates from government, business and industry, environmental organizations and research institutions, are meeting in Bonn, for the first of a series of three sessions designed to culminate in a draft climate change treaty for discussion at the high-level UN-backed conference in Copenhagen in December.
Crop production and livestock release large amounts of greenhouse gas into the atmosphere, including methane from cattle and wetlands, nitrous oxide from fertilizer use and carbon from deforestation and soil degradation, according to a news release issued by <"http://www.fao.org/news/story/en/item/11356/icode/">FAO.
The agency warned that annual greenhouse gas emissions from farming – already accounting of 14 per cent of the world’s discharge while another 17 per cent comes from deforestation and soil degradation – are expected to increase in coming decades due to a rise in demand for food and shifts in diet.
“But millions of farmers around the globe could also become agents of change helping to reduce greenhouse gas emissions,” said Alexander Mueller, FAO Assistant Director-General on the occasion of the ongoing UN negotiations.
By keeping higher levels of carbon in the soil – a process known as “carbon sequestration” – farmers can help reduce carbon dioxide levels in the atmosphere, enhance the soil’s resilience and boost crop yields, according to FAO.
“Agricultural land is able to store and sequester carbon. Farmers that live off the land, particularly in poor countries, should therefore be involved in carbon sequestration to mitigate the impact of climate change,” said Mr. Mueller, who also noted that farmers and their families, particularly in poorer countries, will become victims of climate change.
Farmers can alleviate agriculture’s contribution to climate change by reducing tillage, increasing organic soil matter and soil cover, improving grassland management, restoring degraded lands, planting trees, altering forage and by sustainable use of animal genetic diversity, using fertilizer more efficiently, and improving water management.
However, Mr. Mueller said, “Current global funding arrangements, like the Clean Development Mechanism [CDM] under the Kyoto Protocol, are inadequate and are not offering sufficient incentives for farmers to get involved in climate change mitigation and adaptation.
“For example, soil carbon sequestration, through which nearly 90 per cent of agriculture’s climate change mitigation potential could be realized, is outside the scope of the Clean Development Mechanism under the Kyoto Protocol. Neither climate change mitigation, nor food security, nor sustainable development, benefit from this exclusion.”
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quinta-feira, 7 de maio de 2009
Agricultura em tempos de crise
Antônio Márcio Buainain é professor assistente doutor do Instituto de Economia (IE) da Unicamp e pesquisador sênior do Núcleo de Economia Agrícola e Meio Ambiente (NEA)/IE/Unicamp.
03/04/2009
Antonio Márcio Buainain
A crise parece ignorar os pacotes bilionários anunciados mundo afora pelos governantes. Enquanto as bolsas flutuam ao sabor das notícias de cada dia, as estatísticas mostram assustadora progressão do nível de desemprego, forte retração da produção industrial, quedas nas vendas de veículos e do próprio comércio mundial. O mundo, que até outro dia era plano, na imagem de Thomas Friedman sobre a nova economia, está agora encolhendo como sempre aconteceu na velha e boa economia de mercado. A extensão da crise ao agronegócio brasileiro colocaria lenha em uma fogueira que pode assar mais do que as batatas doces e milhos verdes das festas juninas. Neste contexto, cabe uma reflexão sobre os possíveis impactos da crise, assim como sobre a política para os tempos de crise.
Quando se projeta o futuro mais longínquo o cenário é promissor: a demanda por alimentos continuará crescendo junto com a população mundial e o Brasil dispõe de terras e base tecnológica para atender a essa demanda. O problema é que entre este futuro promissor e o presente interpõem-se o curto e médio prazos, cheios de incertezas e pelo menos algumas dificuldades colocadas pela crise atual.
Nenhum cenário imediato é favorável. Embora o agronegócio brasileiro seja um global trader, a economia de muitos países importadores está sendo duramente abalada pela crise e os preços das commodities agrícolas - inflados no passado recente pelo forte crescimento e pela especulação - estão em queda e deverão permanecer abaixo dos níveis pré-crise por algum tempo. A concorrência internacional deverá se acirrar, em particular nos segmentos nos quais os países desenvolvidos são grandes produtores e exportadores.
A crise acentua todas as conhecidas deficiências estruturais do setor e o gap entre demandas dos produtores e propostas do governo é grande. A questão é saber se o agronegócio brasileiro, que tem inegáveis vantagens no longo prazo, está em condições de enfrentar este cenário negativo imediato. A desvalorização do real ajuda a compensar a queda de preços, mas não sustenta a competitividade de nenhum segmento em uma economia aberta.
Uma política agrícola anticrise deveria levar em conta que a crise tem um lado destruidor e purgativo, como dizia Marx, mas que também gera oportunidades para a emergência do novo, para a recriação do velho em bases mais saudáveis, para o conserto de erros e a correção de rumos. Uma política anticrise só funcionará como ponte entre o presente e o futuro promissor se for capaz de proteger os ativos construídos no passado e que são estratégicos para conquistar o futuro. No legítimo jogo das pressões que definem as políticas, corre-se sempre o risco de preservar o velho e dispensável, sem evitar os piores efeitos da crise e nem lançar as bases para o futuro, e por isto é preciso focar nos ativos estratégicos que assegurem a sobrevivência imediata e as condições de competitividade no período pós-crise.
O principal ativo do agronegócio brasileiro, base da competitividade revelada ao longo da última década na qual o país assumiu posição de liderança mundial, foi a construção de cadeias produtivas complexas, com ramificações que começam na produção de commodities e se estendem à geração de tecnologia, redes privadas de financiamento e logística, industrialização, inovação de produtos e comercialização final. Algumas são mais coordenadas e integradas, como a da avicultura, suinocultura, tabaco, suco de laranja ou sucroalcooleiro; outras menos articuladas, como a do café, fruticultura irrigada, floricultura, carne bovina, cacau e grãos, mas ainda assim a força e/ou debilidade do vendedor final se assenta em todos os demais elos.
Embora todas compartilhem problemas comuns, a rigor não se pode falar de uma agricultura, ou de um agronegócio. São vários, com dinâmicas próprias, problemas específicos e dimensões regionais bem marcadas. Portanto, o que está em jogo é a preservação da competitividade das cadeias e clusters produtivas do agronegócio, que se assenta em pesados investimentos feitos no passado - em infraestrutura física, máquinas, know-how da produção e do mercado, logística, capacidade de gestão, instituições - e se traduz em market shares duramente conquistados, apesar das conhecidas ineficiências sistêmicas e do Custo Brasil elevado.
A crise pode debilitar, ou mesmo destruir, cadeias que demandam tempo para amadurecer. A inserção em novos e promissores mercados, como o de frutas e flores, ainda incipiente, é um exemplo. A perda dos canais de comercialização nos EUA e na UE acarretaria custos elevados. A desestabilização da cadeia da carne, caso não se contenha a crise financeira dos frigoríficos, não se resolve com a ocupação do espaço pelos sobreviventes, pois isto aumentaria ainda mais a insegurança para os produtores derivada da já acentuada assimetria de poder de mercado.
O Brasil tem hoje uma das mais completas e sofisticadas políticas agrícolas dentre os países de renda média, que atua no plano do setor e não na articulação e coordenação das cadeias, considerados esferas de regulação privada. É um equívoco. Sem voltar ao IBC ou IAA do passado, é preciso identificar gargalos, fragilidades e potencialidades em cada cadeia, e atuar politicamente para superá-los e fortalecê-los. Como se faz na indústria. Os recursos para assegurar liquidez presente deveriam ser canalizados para finalidades estratégicas, como por exemplo, a erradicação de cafezais decadentes e de baixa qualidade, a recuperação de pastos degradados e a melhoria genética do rebanho - ambos redutores da pressão ambiental -, que fortaleceriam essas cadeias para competir na crise e na pós-crise.
Sem o fortalecimento dos mecanismos de financiamento e estabilização da renda da atual política, e sem focar nas cadeias, é muito provável que o agronegócio brasileiro contribua para agravar a crise e não para aliviá-la, como ocorreu no passado.
E-mail: buainain@eco.unicam
03/04/2009
Antonio Márcio Buainain
A crise parece ignorar os pacotes bilionários anunciados mundo afora pelos governantes. Enquanto as bolsas flutuam ao sabor das notícias de cada dia, as estatísticas mostram assustadora progressão do nível de desemprego, forte retração da produção industrial, quedas nas vendas de veículos e do próprio comércio mundial. O mundo, que até outro dia era plano, na imagem de Thomas Friedman sobre a nova economia, está agora encolhendo como sempre aconteceu na velha e boa economia de mercado. A extensão da crise ao agronegócio brasileiro colocaria lenha em uma fogueira que pode assar mais do que as batatas doces e milhos verdes das festas juninas. Neste contexto, cabe uma reflexão sobre os possíveis impactos da crise, assim como sobre a política para os tempos de crise.
Quando se projeta o futuro mais longínquo o cenário é promissor: a demanda por alimentos continuará crescendo junto com a população mundial e o Brasil dispõe de terras e base tecnológica para atender a essa demanda. O problema é que entre este futuro promissor e o presente interpõem-se o curto e médio prazos, cheios de incertezas e pelo menos algumas dificuldades colocadas pela crise atual.
Nenhum cenário imediato é favorável. Embora o agronegócio brasileiro seja um global trader, a economia de muitos países importadores está sendo duramente abalada pela crise e os preços das commodities agrícolas - inflados no passado recente pelo forte crescimento e pela especulação - estão em queda e deverão permanecer abaixo dos níveis pré-crise por algum tempo. A concorrência internacional deverá se acirrar, em particular nos segmentos nos quais os países desenvolvidos são grandes produtores e exportadores.
A crise acentua todas as conhecidas deficiências estruturais do setor e o gap entre demandas dos produtores e propostas do governo é grande. A questão é saber se o agronegócio brasileiro, que tem inegáveis vantagens no longo prazo, está em condições de enfrentar este cenário negativo imediato. A desvalorização do real ajuda a compensar a queda de preços, mas não sustenta a competitividade de nenhum segmento em uma economia aberta.
Uma política agrícola anticrise deveria levar em conta que a crise tem um lado destruidor e purgativo, como dizia Marx, mas que também gera oportunidades para a emergência do novo, para a recriação do velho em bases mais saudáveis, para o conserto de erros e a correção de rumos. Uma política anticrise só funcionará como ponte entre o presente e o futuro promissor se for capaz de proteger os ativos construídos no passado e que são estratégicos para conquistar o futuro. No legítimo jogo das pressões que definem as políticas, corre-se sempre o risco de preservar o velho e dispensável, sem evitar os piores efeitos da crise e nem lançar as bases para o futuro, e por isto é preciso focar nos ativos estratégicos que assegurem a sobrevivência imediata e as condições de competitividade no período pós-crise.
O principal ativo do agronegócio brasileiro, base da competitividade revelada ao longo da última década na qual o país assumiu posição de liderança mundial, foi a construção de cadeias produtivas complexas, com ramificações que começam na produção de commodities e se estendem à geração de tecnologia, redes privadas de financiamento e logística, industrialização, inovação de produtos e comercialização final. Algumas são mais coordenadas e integradas, como a da avicultura, suinocultura, tabaco, suco de laranja ou sucroalcooleiro; outras menos articuladas, como a do café, fruticultura irrigada, floricultura, carne bovina, cacau e grãos, mas ainda assim a força e/ou debilidade do vendedor final se assenta em todos os demais elos.
Embora todas compartilhem problemas comuns, a rigor não se pode falar de uma agricultura, ou de um agronegócio. São vários, com dinâmicas próprias, problemas específicos e dimensões regionais bem marcadas. Portanto, o que está em jogo é a preservação da competitividade das cadeias e clusters produtivas do agronegócio, que se assenta em pesados investimentos feitos no passado - em infraestrutura física, máquinas, know-how da produção e do mercado, logística, capacidade de gestão, instituições - e se traduz em market shares duramente conquistados, apesar das conhecidas ineficiências sistêmicas e do Custo Brasil elevado.
A crise pode debilitar, ou mesmo destruir, cadeias que demandam tempo para amadurecer. A inserção em novos e promissores mercados, como o de frutas e flores, ainda incipiente, é um exemplo. A perda dos canais de comercialização nos EUA e na UE acarretaria custos elevados. A desestabilização da cadeia da carne, caso não se contenha a crise financeira dos frigoríficos, não se resolve com a ocupação do espaço pelos sobreviventes, pois isto aumentaria ainda mais a insegurança para os produtores derivada da já acentuada assimetria de poder de mercado.
O Brasil tem hoje uma das mais completas e sofisticadas políticas agrícolas dentre os países de renda média, que atua no plano do setor e não na articulação e coordenação das cadeias, considerados esferas de regulação privada. É um equívoco. Sem voltar ao IBC ou IAA do passado, é preciso identificar gargalos, fragilidades e potencialidades em cada cadeia, e atuar politicamente para superá-los e fortalecê-los. Como se faz na indústria. Os recursos para assegurar liquidez presente deveriam ser canalizados para finalidades estratégicas, como por exemplo, a erradicação de cafezais decadentes e de baixa qualidade, a recuperação de pastos degradados e a melhoria genética do rebanho - ambos redutores da pressão ambiental -, que fortaleceriam essas cadeias para competir na crise e na pós-crise.
Sem o fortalecimento dos mecanismos de financiamento e estabilização da renda da atual política, e sem focar nas cadeias, é muito provável que o agronegócio brasileiro contribua para agravar a crise e não para aliviá-la, como ocorreu no passado.
E-mail: buainain@eco.unicam
quarta-feira, 11 de março de 2009
Café, cana e laranja disputam trabalhadores
É difícil encontrar mão de obra capacitada: além da concorrência, mais jovens vão para as cidades
SÃO PAULO - Outro estímulo à mecanização total da lavoura é a falta de mão de obra. Segundo Tassinari, é difícil encontrar trabalhadores capacitados para trabalhar em áreas extensas. "Além da concorrência com cana e citros, os mais jovens estão deixando o campo rumo à cidade", diz. O produtor Costa destaca ainda que, nas épocas de colheita de café, cana e citros, os trabalhadores evitam criar vínculos empregatícios formais, como manda a lei, "para irem atrás de quem paga mais".
O pesquisador do IAC confirma que tradicionais cafeicultores vêm se queixando da piora sistemática da qualidade da mão de obra. "Isso pode ser explicado pelo fato de esses trabalhadores terem sido arrebanhados em locais onde nem há café. Portanto, não são familiarizados com a cultura. E como boa parte desse pessoal é volante, não há o aprimoramento do serviço." De acordo com Moreira, no Estado, 20% da área é totalmente mecanizada; no Brasil, o índice cai para 12%.
Vendas crescentes
A explosão das vendas de colhedoras de café começou em 2000, segundo o agrônomo Walmi Gomes Martin, da Jacto. "Nesta época, os produtores já falavam em falta de mão de obra, por causa da concorrência com a cana e da migração para a cidade", explica. De lá para cá, a venda de colhedoras tem aumentado 20% ao ano.
A escassez de mão de obra também pode ser suprida com a semimecanização, que alia mão de obra e máquinas de baixo custo, diz o professor da Ufla, Fábio Silva. "A semimecanização da derriça e abanação é tendência no sul de Minas, onde predominam pequenas e médias propriedades com topografia limitante ao uso de máquinas." A derriça é feita com derriçadoras portáteis, manualmente. Segundo ele, esse sistema melhora o desempenho operacional, supre a falta de pessoal no pico da colheita e qualifica o trabalhador.
SÃO PAULO - Outro estímulo à mecanização total da lavoura é a falta de mão de obra. Segundo Tassinari, é difícil encontrar trabalhadores capacitados para trabalhar em áreas extensas. "Além da concorrência com cana e citros, os mais jovens estão deixando o campo rumo à cidade", diz. O produtor Costa destaca ainda que, nas épocas de colheita de café, cana e citros, os trabalhadores evitam criar vínculos empregatícios formais, como manda a lei, "para irem atrás de quem paga mais".
O pesquisador do IAC confirma que tradicionais cafeicultores vêm se queixando da piora sistemática da qualidade da mão de obra. "Isso pode ser explicado pelo fato de esses trabalhadores terem sido arrebanhados em locais onde nem há café. Portanto, não são familiarizados com a cultura. E como boa parte desse pessoal é volante, não há o aprimoramento do serviço." De acordo com Moreira, no Estado, 20% da área é totalmente mecanizada; no Brasil, o índice cai para 12%.
Vendas crescentes
A explosão das vendas de colhedoras de café começou em 2000, segundo o agrônomo Walmi Gomes Martin, da Jacto. "Nesta época, os produtores já falavam em falta de mão de obra, por causa da concorrência com a cana e da migração para a cidade", explica. De lá para cá, a venda de colhedoras tem aumentado 20% ao ano.
A escassez de mão de obra também pode ser suprida com a semimecanização, que alia mão de obra e máquinas de baixo custo, diz o professor da Ufla, Fábio Silva. "A semimecanização da derriça e abanação é tendência no sul de Minas, onde predominam pequenas e médias propriedades com topografia limitante ao uso de máquinas." A derriça é feita com derriçadoras portáteis, manualmente. Segundo ele, esse sistema melhora o desempenho operacional, supre a falta de pessoal no pico da colheita e qualifica o trabalhador.
Tecnologia de difícil adoção
Café e citros são as principais culturas perenes passíveis de mecanização total. Segundo o professor Fábio Moreira da Silva, o desafio de mecanizar lavouras perenes venceu mais uma etapa com o lançamento, em 2008, da primeira colhedora de laranja. "A colheita mecanizada de laranja, porém, ainda não representa, no Brasil, quase nada em relação à colheita manual" diz o pesquisador do IAC, Cláudio Moreira. No Brasil, também não há máquina para colher manga, maçã, goiaba e uva.
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