terça-feira, 21 de abril de 2009
CRUZ VERMELHA QUER PARTICIPAR DE INTERCÂMBIO HUMANITÁRIO
"O Comitê não foi mencionado no comunicado das Farc, mas está disposto, como organização neutra, a participar de qualquer ação humanitária em relação ao conflito armado", disse o porta-voz da CICV em Bogotá, Yves Heller.
Heller se referiu, assim, ao comunicado emitido hoje pela guerrilha, de que estaria pronta para retomar as negociações pela troca de 20 reféns por guerrilheiros presos.
Em uma parte do texto, as Farc afirmam que "quando houver condições propícias", a guerrilha enviará "provas de sobrevivência de 20 militares e policiais (mantidos) prisioneiros" e os restos do major Guevara. Em troca, pedem que o governo colombiano entregue aos familiares os corpos dos chefes guerrilheiros Raúl Reyes, morto em 1º de março de 2008, e de Iván Ríos, assassinado uma semana depois.
O grupo guerrilheiro também pediu à organização humanitária Colombianos pela Paz (CPP), ao qual endereçou a carta, que forneçam "garantias efetivas" para seus porta-vozes Pablo Catatumbo, Carlos Antonio Lozada e Fabián Ramírez, que atuam na mediação, e afirmou que os diálogos necessitam da "participação da comunidade internacional".
A proposta das Farc é divulgada um dia após o presidente colombiano, Álvaro Uribe, ter descartado a possibilidade de um diálogo de paz com grupos guerrilheiros. O mandatário afirmou que sua decisão foi tomada após as mortes dos soldados do Exército, na última semana, atribuídas às Farc.
Assim que soube da possibilidade de receber os restos mortais de Guevara, a mãe do major, Emperatriz de Guevara, afirmou que irá "aonde quer que seja" para buscar o corpo de seu filho.
Guevara faleceu no fim de janeiro de 2006, quando tinha 41 anos, após permanecer sete anos em poder da guerrilha. Ele havia sido sequestrado durante um combate com a guerrilha, junto a outros 42 reféns. Ao anunciar sua morte, as Farc afirmaram que ele havia contraído uma "estranha doença". (ANSA)
29/03/2009 18:00
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Uribe dá garantias ao CICV para libertar reféns e propõe apoio do Vaticano
Bogotá, 12 jan (EFE).- O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, ofereceu hoje garantias ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) para receber seis reféns que serão libertados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e anunciou que aceitará um fiador designado pela Igreja Católica colombiana ou pelo Vaticano para conseguir essa libertação.
Uribe fez o anúncio antes de viajar a Washington, onde será condecorado amanhã pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, junto com outras personalidades estrangeiras.
"O Governo dará todas as facilidades para que o Comitê Internacional da Cruz Vermelha possa fazer uma contribuição eficaz", disse o líder, em uma breve declaração aos jornalistas na casa presidencial de Nariño, antes de ir para os EUA.
"Se a Igreja Católica em nível nacional, ou inclusive o Vaticano, a Secretaria de Estado do Vaticano, ou a pessoa ou instituição que designar Sua Santidade (Bento XVI), pode ajudar para que ocorra a libertação dos seqüestrados, o Governo autoriza e dará as boas-vindas", disse.
As Farc anunciaram em 21 de dezembro que libertarão, como gesto unilateral, seis pessoas seqüestradas, entre elas dois políticos, mas ainda não deram detalhes do local ou data.
Para essa libertação, o grupo guerrilheiro escolheu a senadora opositora Piedad Córdoba, que há mais de um ano realizou gestões semelhantes, com o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, enquanto a parte logística ficará a cargo do CICV.
"O tempo todo, o Governo autorizou e deu as boas-vindas às gestões de paz de libertação de seqüestrados realizados pela Igreja Católica", ressaltou Uribe hoje.
Os dois políticos que serão entregues são o ex-governador de Meta Alan Jara, seqüestrado em 2001, e Sigifredo López, um dos 12 deputados de Valle del Cauca retidos em 2002, cujos companheiros foram assassinados em 2007.
As seis pessoas que serão liberadas fazem parte do grupo de 28 seqüestrados, a maioria militares ou policiais, que as Farc querem trocar por cerca de 500 membros da guerrilha presos, se houver um acordo humanitário.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Anistia denuncia aumento de execuções extrajudiciais na Colômbia
Há 6 horas
MADRI (AFP) — A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional (AI) denunciou o aumento de "execuções extrajudiciais pelas forças de ordem na Colômbia e as violações de direitos humanos cometidas por grupos paramilitares", segundo documento publicado nesta terça-feira em Madri.
No documento "Deixei-nos em paz" obtido pela AFP, a ONG destaca que, segundo o governo colombiano, no país há um "renascimento irreversível de uma paz relativa, um rápido recuo dos índices de violência, a desmobilização com sucesso de milhares de combatentes paramilitares e uma justiça efetiva para as vítimas de abusos".
"Sem dúvida, é certo que nos últimos anos a incidência de alguns abusos caiu", continua a AI em seu relatório de 85 páginas. "Mas outros, no entanto, aumentaram, particularmente as execuções extrajudiciais cometidas diretamente pelas forças de segurança e os deslocamentos forçados das populações", continua.
"Além disso, o aumento recente da violência contra os defensores dos direitos humanos e os sindicalistas também é motivo de preocupação", enfatizou a AI.
"Os grupos paramilitares continuam ativos e cometendo violações dos direitos humanos, apesar de o governo afirmar o contrário", diz o relatório, insistindo em particular na existência de um conflito que envolve o Exército, os paramilitares e as guerrilhas, e que não é só a guerra contra o terrorismo como afirma o governo do presidente colombiano Alvaro Uribe.
Este conflito custou a vida de mais de 70.000 pessoas em 20 anos, a maioria civis.
Segundo a ONG, entre 15.000 e 30.000 pessoas desapareceram desde o início do conflito, há 40 anos.
A AI denuncia também as guerrilhas de esquerda, em particular as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), pelos seqüestros, deslocamentos forçados da população, entre outros crimes.
O número de seqüestros caiu, de 3.570 em 2000 para 520 em 2007, mas a Colômbia continua sendo um país em que milhões de civis são castigados pelo conflito violento e prolongado, afirma a AI.
domingo, 26 de outubro de 2008
Político refém das FARC é libertado na Colômbia
| De Caracas para a BBC Brasil |
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| Óscar Tulio Lizcano foi levado pelas Farc em agosto de 2000 |
Durante a operação militar, nove guerrilheiros teriam sido mortos e outros seis capturados, de acordo com a imprensa local.
Lizcano, que foi encontrado na selva do departamento (Estado) de Chocó, noroeste do país, estaria doente e foi levado a um hospital no departamento de Cali, de acordo com o Ministério da Defesa.
O ex-congressista, de 62 anos, era o político que mais tempo havia permanecido seqüestrado pela guerrilha. Lizcano fazia parte do grupo de reféns considerados pelas Farc passíveis de troca por guerrilheiros presos em um eventual acordo com o governo colombiano.
Deste grupo, 28 pessoas ainda estão em cativeiro. As negociações entre governo e as Farc estão paralisadas.
O resgate do ex-congressista ocorre três meses depois da libertação da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt e de mais 14 reféns, durante uma operação militar que o governo qualificou de "cinematográfica" e a guerrilha de "traição" por parte dos rebeldes responsáveis pela segurança do cativeiro.
Ao receber a notícia, Ingrid Betancourt disse que se sentia "libertada outra vez", em entrevista ao canal de TV Caracol.
"Estou tão emocionada, é um momento muito forte. Estou dando graças a Deus por este milagre (...) Obrigada ao Exército uma vez mais, é outra coisa extraordinária", afirmou Betancourt, que voltou a pedir às Farc que libertem todos os seqüestrados em seu poder.
Resgate
Segundo as autoridades colombianas, a operação de resgate começou a ser planejada há três meses, depois que um guerrilheiro desmobilizado informou ao Exército a localização do cativeiro do ex-congressista.
Na última prova de vida revelada em novembro de 2007, Lizcano pediu à Uribe que "não insista tentando conosco (os reféns) uma vitória militar. Busque uma solução humana o mais rápido possível".
Os familiares de Lizcano eram contrários à realização de um resgate militar, devido ao risco de morte do seqüestrado implicado neste tipo de operação.
O ex-senador Luis Eladio Pérez, libertado pelas Farc em fevereiro, recomendou que Lizcano passe por atendimento psicológico.
"Não se imagina o choque que representa estar seqüestrado de uma maneira infame e, do dia para a noite, encontrar-se em liberdade. A assistência psicológica é prioritária", afirmou Perez a um canal de televisão local.
Político do partido Conservador, Oscar Tulio Lizcano foi seqüestrado pela guerrilha em 5 de agosto de 2000
Colômbia demite militares suspeitos de executar jovens
| Jeremy McDermott Da BBC News em Medellin |
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| Há suspeitas que a prática de execuções seja comum no Exército |
Os três coronéis pertencem à 15ª Brigada Móvel, que opera na província Norte de Santander, próximo à fronteira da Venezuela. Eles foram destituídos pelo comandante do Exército da Colômbia, o general Mario Montoya.
Há indícios que sugerem que jovens desempregados e pobres de favelas de Bogotá eram seqüestrados e mortos, para serem apresentados como combatentes derrotados no conflito armado na Colômbia, o que teria rendido promoções aos oficiais.
A demissão dos coronéis pode ser o começo de um escândalo dentro das forças de segurança do governo do presidente Álvaro Uribe.
Eles foram demitidos em conexão com 11 casos sob investigação do Ministério Público. Mas há relatos de ações semelhantes que teriam acontecido em outras regiões do país.
O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, tentou se distanciar do escândalo, afirmando que alguns militares estão no Exército apenas interessados em provocar mortes na guerra contra guerrilhas, mas que essa não é a política do governo.
Uribe, que também se manifestou sobre as possíveis execuções extrajudiciais, admitiu que existe indícios de graves abusos de direitos humanos no Exército colombiano.
Fontes do escritório do Ministério Público afirmam que centenas de militares estão sendo investigados por casos semelhantes, e que o assassinato de jovens para criação de estatísticas artificiais na luta contra as guerrilhas pode ser uma prática generalizada no Exército.


