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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Líder de oposição em Mianmar nega acusações em julgamento

A líder da oposição de Mianmar, Aung San Suu Kyi , negou no tribunal ter violado os termos de sua prisão domiciliar quando um americano visitou sua casa, em Yangun.

Suu Kyi, que foi levada a uma prisão no último dia 14 para aguardar o julgamento, disse que não se deu conta imediatamente da presença do intruso, mas foi informada mais tarde por uma assistente.

Numa rara concessão, o regime birmanês permitiu a presença de alguns diplomatas e jornalistas locais no tribunal.

A expectativa é de que Suu Kyi, detentora do Nobel da Paz em 1991, seja condenada a até cinco anos de prisão. O julgamento começou há pouco mais de uma semana.

O processo vem sendo criticado como sendo uma forma encontrada pelos militares para manter a líder da oposição presa até depois das eleições programadas para o ano que vem.

Esta foi a primeira vez que Suu Kyi prestou depoimento no processo. Ela foi acusada pelo governo militar depois que o americano John Yettaw passou a noite em sua casa, onde ela passou a maior parte dos últimos 19 anos em prisão domiciliar.

"Não fiquei sabendo (da visita) imediatamente. Fui informada às 05h00. Minha assistente me disse que um homem havia chegado", disse Suu Kyi no tribunal.

Ela contou ter dado "abrigo temporário" ao intruso, e disse que não informou as autoridades. Segundo Suu Kyi, o homem deixou sua casa às 23h45, no dia 5 de maio.

"Só sei que ele foi para o lado do lago. Não sei que direção ele tomou porque estava escuro."

Mas os generais do regime afirmam que o incidente foi planejado para constranger o governo.

Veredicto

Há sinais de que as autoridades querem dar um fim rápido ao julgamento.

O advogado de Suu Kyi, Nyan Win, disse na segunda-feira que a promotoria cancelou as últimas testemunhas, para que sua cliente fosse chamada a depor, mesmo sem ter tido a chance de conversar com ele antes.

Nyan Win disse ter "absoluta certeza" de que as autoridades estão tentando apressar o julgamento e que "pode ser que elas já tenham escrito o veredicto".

Há informações conflitantes sobre se o governo birmanês pensa ter o direito de manter Aun San Suu Kyi detida independente do resultado do julgamento.

Em um comunicado, o governo militar disse que a líder pró-democracia passou apenas quatro anos e meio em prisão domiciliar de um máximo de cinco anos, e por isso o regime pode legalmente estender sua pena por mais seis meses.

Mas um alto oficial da polícia disse que as autoridades vinham considerando libertar Suu Kyi, como um gesto humanitário, antes da visita do americano.

Já os advogados da líder da oposição dizem que sua sentença de cinco anos expira nesta semana.

Para mais notícias, visite o site da BBC Brasil

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Aung San Suu Kyi: The lady's not for Turning




Aung San Suu Kyi rarely receives visitors. Apart from the regular visits by her doctor and Special Branch police officers, there is only the occasional United Nations envoy, and on a rainy day in September 2007, hundreds of Buddhist monks who walked to her house chanting prayers in her honour before leading the biggest uprising in Burma since 1988.

Suu Kyi’s latest visitor came uninvited and, unwittingly, cast her from seclusion back into the center of Burma’s long drawn out political drama. An American called John William Yettaw swam across Inya Lake in Rangoon, spending two days as an unwelcome house guest with Suu Kyi. Authorities arrested Yettaw on his return journey on May 6. This bizarre incident became the pretext for the ruling military government to file charges against Suu Kyi for breaching conditions of her house arrest order, in force since 2003.

On May 14 Burmese authorities arrested the pro-democracy leader and 1991 Nobel Peace prize winner, along with her two maids. They are currently detaining the three in Rangoon’s squalid Insein prison. On May 18, she went on trial and faces a potential prison term of three to five years, even though many Burmese expected her house arrest to be extended for another year anyway. International condemnation was immediate and widespread, including from some of Burma’s southeast Asian neighbors and usual protectors.

Burmese authorities last detained Suu Kyi in Insein Prison in May 2003, after a pro-government mob attacked her motorcade in Depayin in upper Burma. Scores of Suu Kyi’s supporters were killed in what was clearly a ham-fisted attempt to murder her. After several weeks in Insein prison, authorities sent Su Kyi to her Rangoon home where she has remained in isolation for the last six years.

Suu Kyi’s party, the National League for Democracy (NLD), has been eviscerated by government repression --offices closed, members forced to resign, many thrown in prison or forced into exile, only the old leaders, the ”uncles” allowed to speak to the outside world. Burma’s prisons hold more than 2,100 political activists, a cross section of society incarcerated as an example to deter broader dissent.

The military government continues to deny the NLD freedom to function as a normal opposition. Widespread scepticism is the attitude towards elections that are scheduled for 2010 as part of a tightly scripted sham political process - the generals’ ”Road Map to Disciplined Democracy.” But what role does ‘The Lady’, as she is popularly referred to, have in this sham process of reform designed to ensure future military rule with a civilian veil?

The question of Aung San Suu Kyi’s relevance to Burma’s political future has been clearly answered by the military government’s latest move. If the generals did not think she still embodied a challenge to their rule, they would have released her long ago. Suu Kyi’s remains the symbol of defiance to a rotten system of military rule.

The generals aren’t the only ones impatient with her principles. Lately, some diplomats, aid workers and journalists have criticized Su Kyi’s ”hard-line” approach and lack of compromise in dealing with the generals, and bemoan her support of Western sanctions. But sanctions are hardly to blame for the paranoia and xenophobia of Burma’s generals and socio-economic atrophy. Burma’s dire poverty is a direct result of four decades of military rule, political instability, and economic mismanagement. It cannot be blamed on a woman held in isolation for 14 of the past 20 years.

Su Kyi’s unflinching commitment to peaceful change and rights for all in Burma explains her popularity inside and outside the country and fuels the military’s enmity against her. The generals have proved once again Suu Kyi’s pivotal personification of freedom in Burma. The military government can go through the motions of legal proceedings, but it only shows their mendacity, and boosts her popularity. Burma’s rulers should set her free, and start learning from her example.

David Scott Mathieson is the Burma Researcher for Human Rights Watch

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Diplomata diz que Suu Kyi 'estala de energia' em tribunal

Julgamento de líder pró-democracia acusada de violar prisão domiciliar está sendo realizado a portas fechadas.

- A líder pró-democracia de Mianmar, Aung San Suu Kyi, parecia "calma" e "estalando de energia" na audiência de seu julgamento nesta quarta-feira, na capital do país, Yangun, segundo um diplomata britânico que conseguiu permissão para assistir aos procedimentos.

Suu Kyi que passou os últimos quase 20 anos de sua vida é acusada de ter violado os termos de sua prisão domiciliar, depois que um americano, John Yettaw, atravessou a nado um lago para chegar à casa em que ela estava confinada.

Pelas normas da Constituição do país, Suu Kyi deveria ser libertada no dia 27 de maio, depois de seis anos consecutivos de prisão domiciliar. Mas, na semana passada, ela foi presa depois do incidente e levada ao presídio de Insein, na capital.

As autoridades birmanesas permitiram que um pequeno grupo de jornalistas locais e diplomatas estrangeiros pudessem participar do julgamento iniciado na segunda-feira. Não foi autorizado, entretanto, que fossem feitas imagens dos procedimentos.

O diplomata da Grã-Bretanha em Mianmar, Mark Canning, foi um dos que obteve permissão para observar os procedimentos no caso de Aung San Suu Kyi,

"Ela estava contida, ereta, estalando de energia, no comando de sua equipe de defesa. Os procedimentos foram um policial fornecendo várias provas contra o americano que teve acesso ao complexo onde ela estava", disse.

"Após a conclusão da sessão, ela falou rapidamente com os diplomatas que estavam lá, dizendo esperar encontrá-los em uma ocasião melhor", afirmou.

Canning elogiou a decisão do governo de permitir que jornalistas e diplomatas acompanhem o julgamento, que está sendo realizado a portas fechadas. Mas ele afirma que não acredita que o resultado será justo.

"Toda a parafernália de um julgamento está lá, os juízes, a promotoria, a defesa. Mas acho que esta é uma história na qual a conclusão já foi escrita. Então, não tenho nenhuma confiança no resultado", afirmou.

Defesa

O advogado de Suu Kyi insiste que o americano John Yettaw não havia sido convidado para uma visita.

Se for condenada, Aung San Suu Kyi pode ser sentenciada a até cinco anos de prisão - período que abrange eleições planejadas para o ano que vem.

A duração do julgamento é imprevisível. Correspondentes dizem que pode durar poucos dias ou várias semanas - o governo deve chamar até 22 testemunhas de acusação.

Na audiência desta quarta-feira, Suu Kyi se encontrou com três autoridades estrangeiras, o embaixador de Cingapura, e representantes da Rússia (que ocupa a presidência do Conselho de Segurança da ONU), e da Tailândia.

A líder pró-democracia, que tem 63 anos de idade, tem saúde frágil e está detida sem acusação formal por mais de 13 dos últimos 19 anos. Seu julgamento gerou críticas da comunidade internacional.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

EUA exigem que opositora birmanesa possa ver seu médico

WASHINGTON (AFP) — Autoridades americanas exigiram nesta segunda-feira que Aung San Suu Kyi, líder da oposição birmanesa em prisão domiciliar, possa ver "imediatamente" seu médico particular, atualmente preso, e se disseram preocupadas com a saúde da ganhadora do Nobel da Paz.

"Os Estados Unidos estão preocupados com as informações segundo as quais Aung San Suu Kyi está precisando de um acompanhamento médico, e as autoridades birmanesas prenderam Tin Myo Win, seu médico particular", declarou o novo porta-voz do departamento de Estado, Ian Kelly.

"Conclamamos o regime de Mianmar a permitir que Aung San Suu Kyi receba imediatamente cuidados de seu médico particular", acrescentou Kelly durante uma entrevista coletiva.

"Também pedimos ao regime que autorize Aung San Suu Kyi a se encontrar com seu advogado particular imediatamente", prosseguiu.

"Num momento em que está se aproximando o aniversário de sua detenção, tudo isso nos lembra que a prisão domiciliar de Aung San Suu Kyi é injusta", destacou o porta-voz.

"Nós nos unimos aos apelos da comunidade intermacional para pedir sua libertação imediata, assim como a de pelo menos 2.000 prisioneiros políticos do regime birmanês", finalizou.

Aung San Suu Kyi, 63 anos, "não está bem", não consegue se alimentar, está desidratada e com pressão baixa, avisou sábado à AFP Nyan Win, porta-voz da Liga Nacional pela Democracia (LND), o partido da opositora birmanesa.

Prêmio Nobel da Paz em 1991, esta mulher de olhar doce e silhueta frágil, sempre advogou pela não-violência em um país que vem sendo governado por juntas sucessivas a partir de 1962.

Nascida em 19 de junho de 1945, Suu Kyi, filha de Aung San, herói da independência birmanesa assassinada em 1947, teve acesso às melhores escolas de Rangun, prosseguindo seus estudos na Índia - país onde sua mãe foi nomeada embaixadora - e depois seguiu para Oxford.

Assistente da Escola de Estudos Orientais de Londres, ele se casou em 1972 com o britânico Michael Aris, universitário especialista em Tibete e budismo, com quem teve dois filhos.

De volta à Birmânia em abril de 1988 para cuidar de sua mãe doente, Aung San Suu Kyi fez um discurso público pela primeira vez.

Em um país submetido à lei marcial, ele reivindicava a formação de um governo interino e eleições livres antes de fundar, com outros militantes, a Liga Nacional pela Democracia (LND).

Em maio de 1990, seu partido foi muito votado nas eleições pluralistas. A junta, mesmo com o resultado, se negou a deixar o governo. Até hoje os generais continuam no poder.

Mas a líder da oposição birmanesa sempre se disse convencida de ter "o povo ao seu lado", apesar da repressão promovida pela junta.

Suu Kyi teve a prisão domiciliar decretada de 1989 até meados de 1995. Depois disso, chegou a ter um breve período de "liberdade" até 2000. Neste ano, porém, ela foi novamente confinada entre as quatro paredes de sua residência por mais 19 meses.

Presa novamente em maio de 2003, depois de um ataque assassino contra seu carro, ela foi condenada a um terceiro período de prisão domiciliar e, a partir desse momento, sua pena não parou de ser prolongada.

Certa de sua causa e com o apoio ocidental, em particular o norte-americano e o europeu, Aung San Suu Kyi abandonou a queda-de-braço com o governo depois da abertura, no fim de 2000, de discussões históricas sobre a "reconciliação nacional".

Comparada no Ocidente com figuras como Mandela ou Gandhi, Suu Kyi sempre se mostrou confiante de que o tempo jogaria em favor da democracia.