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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Tropa especial russa invade petroleiro tomado por piratas somalis

Forças especiais da Rússia invadiram um petroleiro russo que tinha sido sequestrado por piratas da Somália na costa do Iêmen em uma dramática operação de resgate.

Os soldados russos foram para a região no navio de guerra Marechal Shaposhnikov e se aproximaram do petroleiro sequestrado com um helicóptero.

Assim que eles se aproximaram os piratas dispararam, iniciando um tiroteio. Além dos piratas também estavam no petroleiro 23 tripulantes russos.

As forças russas então invadiram o petroleiro libertando a tripulação, que tinha se trancado em uma das salas seguras do navio.

Dez piratas foram presos e um morreu durante o tiroteio. De acordo com um porta-voz do Ministério da Defesa russo, coronel Alexei Kuznetzov, os piratas estão detidos no próprio petroleiro e serão transferidos depois para Moscou, onde serão julgados.

O petroleiro "Universidade de Moscou" foi tomado por piratas na quarta-feira, no Golfo de Áden, no Oceano Índico, uma das rotas marítimas mais movimentadas e perigosas do mundo.

O navio fazia um carregamento para a China, levando uma carga de mais de 80 mil toneladas de petróleo cru, avaliadas em cerca de US$ 50 milhões.

O Marechal Shaposhnikov foi enviado na quarta-feira resgatar o petroleiro sequestrado.

Resgate raro

Russos, europeus e americanos enviaram para o Golfo de Áden destacamentos da Marinha, depois do aumento do número de ataques de piratas contra cargueiros comerciais, de acordo com o correspondente da BBC em Nairóbi, no Quênia, Will Ross.

Mas, mesmo com a presença de forças de tantos países, os piratas somalis estariam mantendo mais de 20 navios estrangeiros com quase 400 tripulantes.

Segundo Will Ross, é rara a realização de uma operação de resgate depois que piratas tomam um navio, pois muitos especialistas avaliam que uma intervenção iria pôr os reféns em risco.

Mas, no caso do petroleiro Universidade de Moscou, a tripulação tinha se trancado em uma sala segura, com porta reforçada.

Esta tática de se trancar em uma sala segura, de acordo com Ross, já evitou duas tentativas de sequestro anteriores, em outros cargueiros.

Para mais notícias, visite o site da BBC Brasil



Infográfico elaborado pela Editora Abril:

http://veja.abril.com.br/educacao/piratas-somalia/piratas-somalia.html

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Piratas da Somália prosperam em nação sem lei

País atravessa caos, com crianças passando fome na capital, Mogadíscio. Mas quem lucra com a pirataria não faz questão de esconder sua riqueza.


Jeffrey Gettleman Do New York Times, em Boosaaso (Somália)


Esta pode ser uma das cidades mais perigosas da Somália, um local onde você pode ser seqüestrado mais rápido do que se pode secar o suor da testa. Mas também é uma das mais prósperas.

Cambistas perambulam com maços de notas de cem dólares. Novas mansões são construídas ao lado de barracos com telhado de lata. Homens na prisão padecem, com um brilho nos olhos, pensando no dia em que viviam como reis.

Foto: Jehad Nga

Farah Ismail Eid, pirata capturado, em Mandhera, Somália, em 15 de outubro. (Foto: Jehad Nga)

Esta é a história da expansão não muito escondida da economia pirata da Somália. O país está um caos, com inúmeras crianças passando fome e pessoas se matando por uma porção de comida nas ruas de Mogadíscio, a capital.

Mas uma linha de trabalho em especial – a pirataria – parece estar se beneficiando abertamente com essa falta de leis e com o desespero. Só neste ano, segundo oficiais somali, os lucros da pirataria chegarão a US$ 50 milhões, tudo sem pagar imposto.

"Esses caras estão fazendo uma matança”, diz Mahamud Muse Hirsi, alto oficial somali em Boosaaso, que é suspeito de trabalhar com os piratas, mas nega veementemente.

Mais de 75 barcos foram atacados este ano, um número bem maior do que qualquer ano recente. Cerca de uma dúzia apenas neste último mês, inclusive um cargueiro ucraniano cheio de tanques artilharia antiaérea e outras armas pesadas, que foi audaciosamente tomado em setembro.

Os piratas usam lanchas rápidas, estacionam ao lado da vítima e invadem o barco com escadas e às vezes ganchos enferrujados. Quando estão no deck, eles dominam os tripulantes com armas até que um resgate seja pago, normalmente US$ 1 milhão ou US$ 2 milhões.

Na Somália, parece que o crime compensa. Na verdade, é uma das únicas industrias que compensam.

Foto: The New York Times

Piratas presos em cadeia da cidade somali de Boossaso. (Foto: The New York Times)

"Você precisa somente de três homes e um barquinho, e no próximo dia você está milionário”, diz Abdullahi Omar Qawden, um ex-capitão da extinta marinha somali.

As pessoas em Garoowe, uma cidade ao sul de Boosaaso, descrevem a pinta de qualquer pirata famoso. Cheio de dinheiro, os piratas dirigem os maiores carros, são donos de muitos dos comércios locais – como hotéis - e dão as melhores festas, dizem os residentes. Fatuma Abdul Kadir disse que foi à festa de casamento de um pirata em Julho que durou dois dias, com dança e carne de carneiro ininterruptos, e uma banda que foi trazida de avião do vizinho Djibouti.

"Foi maravilhoso”, Fatuma, de 21 anos diz. "Agora estou namorando um pirata.


É muito para os homens somalis resistirem, e criminosos de todas as áreas da redondeza estão se aglomerando em Boosaaso e em outras áreas notórias da rochosa costa do país. Eles tornaram essas águas, que podem tem uma coloração azul-safira como as de qualquer paraíso tropical, em um dos lugares mas perigosos para navegação no mundo.

Com a situação claramente fora de controle, navios de guerra de Estados Unidos, Rússia, Otan, União Européia e Índia estão indo para as águas da Somália como parte de um novo plano mundial para acabar com os piratas.

Mas não será fácil. Os piratas entendem do mar. Eles não têm medo. Eles são ricos e estão ficando mais ricos, com as mais avançadas tecnologias em mãos, como GPS portátil. Os clãs antigos que por muito tempo jogaram os somalis uns contra os outros por décadas não são mais um problema aqui. Muitos piratas capturados foram entrevistados na cadeia principal de Boosaaso e disseram que tem cruzado fronteiras de clãs para abrir franquias novas, lucrativas e envolvendo diversos clãs.

"Nós trabalhamos juntos”, diz Jama Abdullahi, um pirata preso. “É bom para os negócios, não é?”

E mesmo se os navios da marinha prenderem piratas no ato, não está claro o que eles podem fazer. Em setembro, um navio de guerra dinamarquês capturou 10 homens suspeitos de serem piratas no Golfo de Aden com foguetes lança granada e uma longa escada. Depois de segurar os suspeitos por quase uma semana, os dinamarqueses concluíram que não tem jurisdição para processá-los, então eles soltaram os piratas na praia, sem as armas.

Não é claro nem se as autoridades somalis querem que a pirataria pare. Enquanto muitos piratas foram presos, diversos pescadores, pesquisadores ocidentais e mais de meia dúzia de piratas enjaulados falaram sobre a relação entre as companhias de pesca, seguranças privados terceirizados e oficiais do governo, especialmente aqueles trabalhando para o governo regional semi-autônomo de Puntland, que é no canto nordeste do país.

“Acredite, muito de nosso dinheiro vai diretamente para os bolsos do governo”, diz Farah Ismail Eid, um pirata que foi capturado próximo a Berbera e sentenciado a 15 anos de prisão. Ele diz que sua equipe normalmente divide o dinheiro dessa maneira: 20% para os chefes, 20% para missões futuras (para cobrir os essenciais, como armas, combustível e cigarros), 30% para os homens armados no navio e 30% para funcionários do governo.

Abdi Waheed Johar, diretor geral do ministério da pesca e porto de Puntland, reconheceu abertamente em uma entrevista nesse ano que “existem pessoas do governo trabalhando com os piratas.”

Mas ele rapidamente completou, “Só que não somos nós.”

O que ocorre na costa da Somália é basicamente uma extensão da violenta e inconseqüente corrupção que assombra a terra há 17 anos, desde que o governo central implodiu em 1991. A vasta maioria dos somalis saem perdendo. Jovens brutamontes dispostos a trabalhar usando forca braçal conseguem um emprego, abrem mão de empregos que não pagam bem e reduzem significativamente a expectativa de vida. E alguns poucos chefões, que sentaram para descobrir como lucrar na anarquia, fazem fortuna.

Poucos navios cargueiros passam por aqui, tirando do governo legítimo a oportunidade de operações que trariam taxas portuárias. Os únicos navios que arriscam a viagem são pequenos barcos de madeira da Índia, basicamente jangadas de outra época.

“Nós não podemos sobreviver disso”, diz Bile Qabowsade, um oficial de Puntland.

Os problemas portuários tem contribuído com falta de alimentos, inflação nas alturas e menos trabalho para estivadores que perambulam pelas praias de Boosaaso todas as manhãs e ficam olhando para o horizonte em vão, pés descalços plantados na areia quente, esperando que um navio se materialize para que possam juntar alguns centavos carregando sacos de açúcar nas costas.

E ainda, suspeitosamente, tem havido muita construção em Boosaaso. Há um bairro emergente chamado Nova Boosaaso com casas enormes surgindo por cima das cabanas em forma de bolha dos refugiados e dos barracos de metal que os pescadores chamam de casa. Essas novas casas custam centenas de milhares de dólares. Muitas são pintadas de cores exuberantes e protegidas com muros altos.

Mas, claro, nenhum oficial do governo somali admitiria abertamente que os castelos de Nova Boosaaso foram construídos com lucro dos piratas. Mas muitas pessoas, inclusive oficiais das Nações Unidas e diplomatas ocidentais, suspeitam que esse seja o caso.

Toda vez que um navio tomado ancora, significa farra dos piratas. Ovelhas, cabras, água, combustível, arroz, macarrão, leite e cigarros – os piratas compram tudo isso, em grandes quantidades, de pequenas cidades pela costa da Somália.

Os marinheiros ladrões somalis não são como os piratas bárbaros que aterrorizaram cidades da costa Européia centenas de anos atrás e que tratavam seus reféns como prisioneiros de bordo amarrados ao leme. Os piratas somalis são conhecidos por serem bons anfitriões, normalmente não batem em seus reféns e os mantém bem alimentados até o dia do pagamento.

“Eles são pessoas normais”, diz Said Farah, 32, dona de uma loja em Garoowe. “Mas muito, muito ricos.”

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Cerca de 300 estrangeiros combatem governo da Somália, diz ONU

NAIRÓBI - Centenas de estrangeiros, tanto africanos como de fora do continente, estão lutando contra o governo da Somália (que tem apoio do Ocidente), no pior confronto dos últimos meses, disse na sexta-feira o enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) ao país situado no Chifre da África.

Uma das preocupações das agências de inteligência é de que a Somália - com suas fronteiras porosas, grupos islâmicos ligados à Al Qaeda e o governo fraco -- torne-se uma cabeça-de-ponte para militantes que tentam ampliar sua influência na região e além.

Alguns observadores minimizam o risco, dizendo que a maioria dos somalis segue uma forma moderada do Islã e nutre forte desconfiança pelos estrangeiros e pela interpretação rigorosa da lei islâmica defendida por grupos como o Al Shabaab.

"Não há dúvida de que há um número significativo de combatentes estrangeiros na Somália provenientes do próprio continente e de fora", disse o enviado da ONU Ahmedou Ould-Abdallah a jornalistas na capital do Quênia.

"Vi os números constando em documentos do Conselho de Segurança da ONU apresentados pelos EUA, nos quais eles estimam que sejam entre 280 e 300", afirmou ele.

Os combates entre militantes do Al Shabaab - que admitem contar com estrangeiros em suas fileiras - e combatentes pró-governo mataram ao menos 139 pessoas e provocaram a fuga de cerca de 27 mil pessoas da capital desde o fim da semana passada.

Pelo menos 16 pessoas morreram na região central da Somália na sexta-feira em confrontos entre soldados do Shabaab e combatentes do grupo islâmico moderado Ahlu Sunna Waljamaca nas cidades de Mahas e Wabho, informaram moradores e um porta-voz do Ahlu Sunna.

A organização multinacional independente International Crisis Group disse que havia "uma batalha se avolumando entre muçulmanos ditos moderados e extremistas, como o Al Shabaab".