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terça-feira, 26 de maio de 2009

Histórico de Fatos Relevantes em Genética

Biol. Ursula Matte
1859 - C. Darwin publica o livro A Origem das Espécies, em que estabelece que as espécies se modificam pela ação seletiva do ambiente sobre as variações existentes na população.

1865 - G. Mendel, formula a Lei da Transmissão dos Caracteres Hereditários.

1866 - J. Down publica um artigo intitulado "Observações acerca de uma classificação étnica dos idiotas", onde afirma que o traços mongolóides presentes em indivíduos com Síndrome de Down eram produto de uma degeneração que determinava o surgimento de características típicas de raças inferiores.

1871 - J.F. Miescher descobre a nucleína (em espermatozóide de salmão), substância que compõe o núcleo das células. Era na realidade o DNA, não visto ainda como portador da informação genética.

1879 - W. Flemming denomina cromatina o material corável do núcleo da célula. É composta em grande parte de DNA, mas não se conhece sua estrutura química. A cromatina de Flemming e a nucleína de Miescher são, na realidade, a mesma estrutura.

1883 - F. Galton se dedica ao estudo da hereditariedade biológica e cria o termo eugenia.
- Weissman demonstra a separação entre plasma somático e germinativo.

1889 - R. Altmann estabelece a natureza química do DNA : são ácidos nucleicos.

1892 - A. Weismann, primeiro no núcleo, e posteriormente T. Boveri e W. Sutton (1903) no cromossomo, individualizam os elementos responsáveis pela transmissão hereditária, que em 1909, W. Johansen chamará gene.

1899 - International Conference of Hybridization and on Cross-Breeding of Varieties, Londres, é o primeiro congresso internacional de genética.

1900 - H. de Vries, botânico holandês, publica seus trabalhos onde menciona os resultados de Mendel.
- Landsteiner descreve o primeiro polimorfismo genético em humanos, os tipos sangüíneos A, B e O.

1902 - A. Garrod publica "The Incidence of Alkaptonuria", primeiro relato de um erro inato do metabolismo e primeira vez em que o conceito mendeliano de gene é aplicado a uma característica humana.

1906 - W. Bateson propõe o uso do termo genética.

1908 - Hardy (matemático inglês) e Weinberg (médico alemão) publicam o teorema fundamental da genética de populações, conhecido como Equilíbrio de Hardy-Weinberg.
- Fundação da Eugenics Society, Londres, primeira organização a defender as idéias da eugenia.

1909 - T. Morgan utiliza pela primeira vez a mosca das frutas Drosophila como organismo experimental em genética.

1910 - J. Herrick observa pela primeira vez as hemácias em forma de foice que caracterizam a anemia falciforme.
- T. Morgan desenvolve o conceito de gene, a unidade de transmissão da herança genética.

1918 - Fundação da Sociedade Paulista de Eugenia, a primeira sociedade eugenista do Brasil.

1920 - R. Fuelgen demonstra que os genes são agrupados nos cromossomos, mas o DNA não é visto como veículo da transmissão hereditária.

1923 - O estado americano da Virgínia (e em 1927 a Califórnia) promulga a lei eugênica para a esterilização obrigatória de pessoas com taras hereditárias ou doenças mentais.

1927 - Caso Buck vs. Bell, no estado americano de Virgínia. O juiz da Suprema Corte, Oliver Wendell Holmes, diz no seu veredicto a favor da esterilização que "três gerações de imbecis são suficientes".

1928 - G. D. Karpechenko produz a primeira planta poliplóide de maneira artificial cruzando rabanete e couve. A planta, todavia, apresenta a raiz da couve e as folhas de rabanete.

1929 - P.A. Levene demonstra que em todas as células animais e vegetais está presente DNA (ácido desoxirribinucléico) ou RNA (ácido ribonucléico), contribuindo para o conhecimento da composição química do DNA.
- I Congresso Brasileiro de Eugenismo, realizado no Rio de Janeiro.

1931 - S. Wright desenvolve uma teoria evolutiva ampla, abarcando seleção, endocruzamento, fluxo gênico e deriva genética.


1932 - O termo Engenharia Genética aparece no título de um trabalho apresentado no Sexto Congresso Internacional de Genética, em Nova York.

1933 - A Alemanha Nazista promulga uma lei eugênica para a esterilização obrigatória.

1941 - A partir desta data até 1975 está em vigor na Suécia uma lei que consente a esterilização para "higiene social e da raça".

1942 - E. Mayr elucida a natureza da variação geográfica e da especiação.

1944 - O.T. Avery, C. McLeod e M. McCarty, trabalhando com o princípio de transformação de Pneumoccocus demonstram que o responsável pelo componente hereditário é o DNA. J. Watson e F. Crick definirão sua estrutura apenas em 1953.

1946 - M. Delbruck demonstra a existência de recombinação em vírus.

1949 - L. Pauling e H. Itano identificam uma alteração na hemoglobina, detectada por uma diferença na sua mobilidade eletroforética, como a causa subjacente da anemia falciforme.

1951 - M. Wilkins e R. Franklin determinam a constante cristalográfica e interpretam as imagens de difração obtidas com cristais de DNA. Durante um congresso científico em Nápoles, Wilkins projeta a primeira fotografia de um cristal de DNA obtida com raios X.
- Desenvolvimento das células He-La, primeira linhagem celular epitelial aneuplóide mantida por longo tempo em cultura. As células foram obtidas a partir de carcinoma de cérvix de uma mulher de 31 anos e sua denominação corresponde às iniciais da paciente.

1952 - Com o experimento M. Chase e A. Hershley demonstram que o DNA transmite as características hereditárias

1953 - J. Watson e F. Crick definem a estrutura de dupla hélice do DNA: o ácido desoxirribonucleico. É a base molecular da hereditariedade, indispensável para a síntese de proteínas.

1956 - Tijo e Lavan demonstram que o número correto de cromossomos da espécie humana é 46.
- V.Ingram analisa a seqüência de aminoácidos da hemoglobina e verifica que as moléculas de pacientes com anemia falciforme possuem uma única diferença em relação ao padrão normal: a substituição de um ácido glutâmico por uma valina na posição 6 da cadeia beta.
- Briggs e King demonstram a totipotência de células embrinárias de sapo.

1957 - F. Crick formula o "dogma central" de uma nova teoria dos processos vitais: DNA à RNA à proteína

1958 - A. Kornberg isola a DNA polimerase, enzima responsável pela duplicação do DNA de Escherichia coli.

1959 - J. Lejeune determina a causa genética da Síndrome de Down, um cromossomo 21 extra.

1961 - F. Jacob e J. Monod decifram os mecanismos de regulação gênica em procariotos.
- M. Lyon propõe que a compensação de dose nas fêmeas humanas é obtida pela inativação de um dos cromossomos X, conhecido como corpúsculo de Barr.
- L. Hayflick estabelece que células normais em cultura possuem uma capcidade finita de divisões (cerca de 50). Esta observação, denominada Limite de Hayflick tem implicações com os processos de envelhecimento.

1962 - Watson e Crick recebem o Prêmio Nobel de Medicina pela descoberta da estrutura do DNA.
- Congresso CIBA - Man and his future, no qual Haldane, Muller e J. Huxley discutem sobre métodos de deliberada modificação genética, como inseminação artificial com esperma de doadores altamente qualificados geneticamente, intervenções diretas na linhagem germinativa, modificações de células somáticas e reprodução clonal.

1964 - M. Nirenberg, R. Holley e G. Khorana, decifram o Código Genético, a linguagem que permite ao DNA produzir uma proteína. Obtêm o prêmio Nobel em 1968.
- Zuckerkandl e Pauling propõem a existência de um relógio molecular, ou seja, que a taxa de evolução molecular é constante no tempo. Isto possibilita a utilização da análise de proteínas para determinar as épocas de divergência entre as espécies e reconstruir a filogenia dos organismos.

1967 - A. Wilson e V. Sarich, através da comparação da estrutura de certas proteínas sangüíneas, estimam que humanos, chimpanzés e gorilas divergiram a aprtir de um ancestral comum há 5 milhões de anos.

1968 - O New England Journal of Medicine recusa a publicação de um artigo no qual F. Anderson teoriza a possibilidade "de atacar as doenças hereditárias introduzindo no organismo o gene correto ou substituindo aquele defeituoso", uma antecipação da terapia gênica.
- M. Kimura lança a teoria neutralista da evolução, que diz que a maior parte das mutações não tem efeitos deletérios significativos e portanto não estão sujeitas a ação da seleção natural.

1969 - Edelman determina pela primeira vez a seqüência de aminoácidos de uma proteína, a Imunoglobulina G.

1970 - G. Khorana sintetiza quimicamente e constrói o primeiro gene.
- D. Baltimore descobre a existência da transcriptase reversa, capaz de transformar RNA em DNA.
- P. Ramsey, da Georgetown University, publica Fabricated man - the ethics of genetic control, onde defende a "cirurgia genética" para eliminar deficiências genéticas mas posiciona-se contra o uso de tecnologias reprodutivas.

1971 - P. Berg, Nobel em 1980, junto com W. Gilbert e F. Sander por seus estudos sobre seqüenciamento de DNA, levanta o primeiro alarme sobre a manipulação genética e suspende seus experimentos. O debate culmina em 1973 na Academia Nacional Americana de Ciência quando é criado um comitê de especialistas para avaliar os valores e riscos da manipulação genética.

1972 - Surge o DNA recombinante: P. Berg utiliza pela primeira vez enzimas de restrição para cortar e reunir pedaços de DNA de espécies diversas.
- N. Eldredge e S. J. Gould sugerem que a evolução ocorre aos saltos e não de maneira linear, numa teoria conhecida como Equilíbrio Pontuado.

1973 - O cientista russo A.M. Olovnikov propõe uma teoria de envelhecimento associada a perda de telômeros, observando que as células perdem a extremidade dos cromossomos a cada ciclo de replicação.
- S. Cohen, A.Y. Chang, H. Boyer e R.B. Helling desenvolvem a técnica de manipulação genética: a chave biológica para cortar e reunir o DNA são as enzimas de restrição, usadas como bisturi. As bactérias servem para multiplicar os pedaços ou o pedaço obtido com as enzimas.
- S. Cohen e A.Y. Chang realizam um experimento com o qual superam uma barreira biológica. Introduzem uma molécula de DNA de sapo na bactéria E. coli que começa a produzir, não obstante a distância evolutiva, o gene estranho. A possibilidade de utilizar a técnica para inserir genes de vírus tumorais em E. coli e verificar como exercem seus efeitos cancerígenos suscita o temor entre os cientistas de que a bactéria possa transformar-se em um organismo danoso.
- Na Conferência Anual Gordon, que acontece no New England College, H. Boyer descreve a sua técnica de manipulação genética e o experimento no qual o gene para a resistência a penicilina foi transferido a E. coli. A sua comunicação provoca preocupação sobre as implicações da técnica. M. Singer e D. Soll sugerem o envio de uma carta aberta a Academia Nacional de Ciência Americana para que nomeie um comitê que avalie os riscos da manipulação genética. A carta é publicada na revista Science. Inicia-se um debate que culmina na Conferência de Asilomar.

1974 - As revistas Science (EUA) e Nature (Inglaterra), publicam sob forma de carta o apelo de um grupo de cientistas por uma moratória da manipulação genética. A iniciativa leva a um convênio firmado em abril no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e a moratória é observada até a convocação, sete meses depois, da Conferência de Asilomar.
- C.W. Weinberger, secretário do Serviço de Saúde Pública Americano, poucos meses depois da publicação na Science, do carta de P. Berg, "Potential biohazards of recombinant DNA molecules", estabelece que seja instituído o RAC (Recombinant DNA Advisory Committee) que se reunirá pela primeira vez em 1975.

1975 - Em fevereiro, ocorre em Asilomar, na Califórnia, a Conferência que reúne 140 cientistas americanos e estrangeiros para regulamentar, do ponto vista de segurança, os experimentos com DNA recombinante. Ao RAC é dada a incumbência de traduzir em diretrizes as recomendações de Asilomar. Estas ficam prontas 16 meses depois, em 23 de junho de 1976.
- W. Gilbert, F. Sanger e A. Maxim desenvolvem uma técnica que permite determinar a exata seqüência das bases que compõe o gene e ler o código genético.
- Southern desenvolve o método de transferência do DNA para uma membrana, permitindo a visualização, por autoradiografia, de genes a partir de um genoma complexo.
- O. Wilson publica Sociobiology: A New Synthesis, iniciando a corrente de pesquisas que buscam bases biológicas e evolutivas para comportamentos humanos.
- Estudos de estabilidade térmica de fitas de DNA híbridas de humanos e chimpanzés, realizados por M. King e A. Wilson, indicam que somente 1,1% dos pares de bases diferem entre estes dois genomas.
- Gurdon demonstra o desenvolvimento de uma larva a partir de um núcleo de sapo adulto.

1976 - Depois da Conferência de Asilomar, o RAC traduz os princípios em um código específico de segurança, que prevê níveis de segurança física e biológica para todos os tipos de experimentos. As exigências propostas revelaram-se muito rígidas e foram sendo modificadas com o decorrer do tempo.
- Fundação da Genentech, primeira empresa de biotecnologia, por H. Boyer, cientista da Universidade da Califórnia e R. Swanson, empresário.
- Varmus e Bishop revelam a existência de oncogenes, genes dormentes capazes de causar câncer. Ganham o prêmio Nobel em 1989.
- Clonagem (isolamento) do primeiro gene humano, o gene da beta-globina.

1977 - S. Weismann identifica a mutação genética responsável pela anemia falciforme: o primeiro gene defeituoso a ser decodificado e clonado.
- E. coli é utilizada para clonar primeira vez um hormônio humano, a somatostatina, pela Genentech.
- Sanger descreve a seqüência completa de um DNA viral.
- R. Roberts e P. Sharp descobrem independentemente os íntrons, seqüências intervenientes que interrompem os genes dos organismos eucariotos. Dividem o prêmio Nobel em 1993.
- Localização de um gene humano por hibridização molecular. O gene da alfa-globina é localizado utilizando sondas construídas a partir de beta-globina.

1978 - A biotecnologia começa a dar seus frutos. Com o DNA recombinante a Genentech, indústria biotecnológica californiana, clona e sintetiza, em bactérias manipuladas em laboratórios, insulina humana. Quatro anos depois ela é comercializada.
- Construção da primeira biblioteca genômica humana, com clonagem de DNA humano em vetores.
- Utilização de métodos moleculares (RFLP e Southern) para diagnóstico pré-natal de Anemia Falciforme.
- O jornalista científico da revista Time, D. Rorvik, publica um livro no qual relata a suposta clonagem de um ser humano adulto. O livro In His Image: The Cloning of a Man é considerado uma fraude pela comunidade científica.

1979 - Genentech clona o gene do hormônio de crescimento humano.
- L. Shettles publica artigo "Diploid Nuclear Replacement in Mature Human Ova with Cleavage no American" no Journal of Obstetrics and Gynecology em que relata a transferência in vitro do núcleo de uma espermatogônia para um oócito maduro que foi mantido até o estágio de mórula (estágio pré-implantação).

1980 - Genentech, dirigida por H. Boyer, tem cotas de participação colocadas na bolsa de NY, obtendo US$ 35 milhões.
- M. Cline, oncologista americano, insere na medula óssea de dois doentes com talassemia genes de hemoglobina manipulados para corrigir o defeito gênico. Cline viola várias regras de pesquisa com seu protocolo e é obrigado a se retirar do seu posto. Uma moratória para terapia gênica passa a vigorar até 1989.
- Prusiner sugere a existência de proteínas infectantes (prions), aceitas apenas 15 anos depois e responsáveis pela Encefalopatia Espongiforme Bovina (Síndrome da Vaca Louca) e pelo Kuru e Doença de Creutzfeld-Jacob em humanos.
- A varíola é considerada erradicada pela Organização Mundial da Saúde. A primeria doença infecciosa para a qual foi descoberta uma vacina eficaz, por Jenner em 1796, teve seu último caso registrado na Somália em 1977. Um ano depois a fótografa Janet Parker, foi contaminada acidentalmente em um laboratório na Inglaterra e faleceu em conseqüência da doença.
- A Suprema Corte Americana concede a patente para a técnica de DNA recombinante a H. Boyer e S. Cohen e estabelece que os organismos criados por engenharia genética possam ser patenteados. A requisição é feita em nome da Universidade de Stanford e da Califórnia, onde os dois trabalham. Nove anos depois de ter sido apresentado o pedido, o Escritório de Marcas e Patentes (PTO) concede a A. Chakrabarty, a patente para a bactéria (Pseudomonas) manipulada geneticamente capaz de biodegradar resíduos industriais, petróleo e terrenos poluídos.

1981 - S. Anderson publica a seqüência completa do DNA mitocondrial humano.

1982 - A Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa, em Estrasburgo, vota uma série de recomendações sobre a manipulação genética: não deve ser praticada senão com o livre consentimento e aprovação dos interessados ou, em caso de embriões, fetos e menores, com o consentimento dos genitores ou tutores.
- R. Palmiter e R. Brinster (EUA) realizam o primeiro experimento de manipulação genética com células germinais animais: o gene para hormônio de crescimento de rato é inserido em camundongos, gerando um animal de dimensões gigantes. A técnica permite produzir cobaios transgênicos para estudar a doença do homem.
- A Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa (recomendação no. 294, art. 3 e 7) anuncia o veto à produção de modificações permanentes no genoma humano com manipulação de células germinais e embriões.
- Primeira localização regional de um locus humano associado a uma doença, Distrofia Muscular de Duchenne na região Xp21, cujo gene é desconhecido. A localização foi feita por estudos de ligação utilizando RFLP.
- J. Kemp e T. Hall transferem um gene de feijão em um girassol e obtém um híbrido que chamam "sunbean". Para transferir o gene foi usado como veículo a bactéria Agrobacter thumefaciens.
- Primeira droga de DNA recombinante (insulina humana) comercializada. Produzida pela Genetech e licenciada para Eli-Lilly.

1983 - Surge em Cambridge o Council for Responsible Genetics, comitê de especialistas que se propõe a controlar o desenvolvimento da biotecnologia.
- A. Jeffreys descobre que o material genético de um indivíduo contém seqüências únicas de nucleotídeos, os elementos que compõe o DNA. Quando a amostra de DNA é "digerida" por uma enzima e separada em um gel, se formam uma série de bandas segundo um padrão que muda de uma pessoa para outra, produzindo uma impressão genética, que pode ser utilizada para identificação de indivíduos.
- Primeira localização de um locus autossômico relacionado com uma doença e cujo gene e proteína são desconhecidos: Doença de Huntington no cromossomo 4.
- B. McClintock ganha o prêmio Nobel por sua descoberta dos elementos genéticos transponíveis (transposons) realizadas a partir da década de 40.
- Descoberta do gene do Retinoblastoma e formulação do conceito de anti-oncogene (genes supressores de tumor).

1984 - Nasce na Inglaterra um híbrido entre cabra e ovelha, obtido a partir da justaposição de embriões desses dois animais.
- No workshop promovido pelo Departamento de Energia dos EUA para avaliar os métodos disponíveis para detecção de mutações inicia-se a divulgação da idéia de mapear o genoma humano.
- Criação do CEPH (Centre d’Etude du Polymorsphisme) na França. O centro coleta amostras de sangue e tecidos de famílias extensas e fornece material para a elaboração de mapas de ligação (especialmente para o Généthon).

1985 - O escritório de marcas e patentes americano (PTO) decide a favor do patenteamento de plantas, sementes e tecidos de plantas. Em 1987 agregará microorganismos e animais manipulados geneticamente.
- McGrath e Solter desenvolvem a técnica de transferêcia nuclear de embriões de mamíferos.
- No braço longo do cromossoma 7 é localizado o gene da Fibrose Cística, uma doença genética devido a um erro proteico que apresenta um alto nível de heterozigotos na população caucasóide.
- Primeiro diagnóstico pré-natal, por RFLP, de uma doença cujo gene e a proteína são desconhecidos: Distrofia Muscular de Duchenne.
- K. Mullis desenvolve o método de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase). Ganha o prêmio Nobel em 1993 e cria uma empresa que comercializa jóias com DNA extraído de artistas famosos.
- Pela primeira vez é aceito um teste de DNA para determinar uma identidade em uma instância judiciária.
- O FDA (Food and Drug Administration) estabelece que o leite produzido por vaca à qual foi administrado somatotropina (hormônio de crescimento) sintética, não apresenta riscos.
- A Agência de Proteção Ambiental (EPA), agência governamental americana para o ambiente, autoriza liberação no ambiente de bactérias manipuladas geneticamente. O teste, feito em pequena escala, envolve duas bactérias: Pseudomonas siringae e Pseudomonas fluorescens, manipuladas geneticamente para prevenir o dano causado pelo gelo a plantações de morango.

1986 - A decisão de colocar no mercado americano produtos obtidos de leite de vaca a qual foi administrada somatotropina suscita a reação dos ambientalistas e de representantes de associações de consumidores. Jeremy Rifkin, o maior crítico da biotecnologia organiza uma ação de protesto. Os produtos devem conter uma indicação de que o leite usado provém de animais tratados com hormônios.
- Willadsen demonstra o desenvolvimento de uma ovelha adulta a partir de um núcleo de embrião de oito células.

1987 - Nasce em Harvard, nos EUA, o oncomouse, o camundongo manipulado geneticamente para que tenha uma maior suscetibilidade ao câncer, importante modelo animal para a pesquisa. P. Leder e T. Stuart pedem a patente que é concedida em 1988.
- Cresce nos EUA a primeira planta de tomate manipulado geneticamente e o PTO afirma ser favorável a patentear organismos viventes, mesmo multi-celulares.
- Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA aprova projeto de Terapia Gênica.
- Clonagem do gene da Distrofia Muscular de Duchenne e determinação da distrofina, a proteína por ele codificada, cuja função permanecerá desconhecida até a década de 90.
- Greider e Blackburn descobrem a telomerase, enzima responsável pelo alongamento dos cromossomos do protozoário Tetrahymena após cada divisão celular. Dois anos depois a mesma enzima é caracterizada no homem e torna-se fundamental nos estudos de câncer e de envelhecimento.

1988 - É lançado nos EUA o Projeto Genoma Humano, patrocinado pelo NIH (National Institutue of Health) e DOE (Department of Energy), que se propõe a mapear o patrimônio genético do homem. Paralelamente surge um organismo de coordenação internacional chamado HUGO (Human Genome Organization) para sintonizar o trabalho e recolher em um banco de dados centralizado, o Genome Database, o conhecimento adquirido.
- O parlamento da comunidade européia libera uma resolução com fim específico de vetar em todos os estados membros a seleção de trabalhadores com base em testes genéticos e exclui a execução de análise genética mesmo para seguradoras antes ou depois da estipulação de um contrato.
- Na Província de Gansu, China, é promulgada uma lei que "aumenta a qualidade da população", banindo o casamento de pessoas com retardo mental. Em 1991 a mesma lei é aprovada em outras províncias e endossada pelo primeiro-ministro.
- Utilização da DNA polimerase de Thermus aquaticus (Taq polimerase) possibilita a automatização da reação de PCR.
- No Brasil, o Conselho Nacional de Saúde publica as Normas de Pesquisa em Saúde (Resolução 01/88), a primeira regulamentação de pesquisa com seres humanos no país. As normas estabelecem restrições à pesquisa envolvendo ácidos nucleicos recombinantes.

1989 - L. Tsui e F. Collins identificam e decifram o gene da Fibrose Cística, uma das cerca de 5000 anomalias genéticas conhecidas. Collins obterá uma patente sobre a seqüência alterada do gene que causa a doença.
- O teste de DNA é aceito nos tribunais americanos como prova de inocência ou culpabilidade. O FBI a partir desta data usou o teste para comprovar 25% dos casos de violência sexual. Em 42 estados americanos é aprovada uma lei que prevê a coleta de amostras de sangue e saliva de prisioneiros para criar um banco de dados de DNA para unir em rede nacional com o FBI.
- A empresa farmacêutica Roche obtém a patente do uso de PCR para diagnóstico in vitro e para serviços de laboratório.

1990 - É posto em prática o diagnóstico pré-natal pré-implantação no embrião concebido com fertilização in vitro.
- Genentech é incorporada pela indústria farmacêutica suíça Roche, numa transação de US$ 2,1 bilhões.
- Suprema Corte da Justiça da Califórnia dá ganho de causa a Universidade da Califórnia no Caso Moore em que o paciente exigia uma participação nos lucros da comercialização de uma linhagem celular obtida a partir de células retiradas do seu pâncreas.
- French Anderson realiza, pela primeira vez, o tratamento de uma doença genética, deficiência de Adenosina Deaminase (ADA), por terapia gênica.
- É descrito o primeiro retrotransposon humano.
- Descoberta das mutações instáveis: repetições de trinucleotídeos que variam de tamanho entre as gerações. Surge a possibilidade de diagnóstico preditivo para doenças de início tardio como Doença de Huntington e Distrofia Muscular de Becker.
- Conselho da Europa publica recomendação sobre Diagnóstico Pré-Natal e Aconselhamento Genético, na qual reafirma a autonomia dos pais e a abordagem não-diretiva do aconselhamento.

1991 - Uma comissão especial para ética e biotecnologia é instituída pelo parlamento europeu para avaliar o impacto dos novos produtos (plantas e animais transgênicos) obtidos por manipulação genética.
- O escritório de patentes europeu se pronuncia sobre as técnicas de manipulação genética de organismos multicelulares. É sustentada a necessidade de que a patente para animais transgênicos seja conferida ou negada com base nas características de cada caso.
- Nos EUA o Congresso inicia o exame de um projeto de lei dedicado à preservação das informações concernentes ao genoma humano (Human Genome Privacy Act): é proibido difundir informações genéticas sem o prévio consentimento escrito dos interessados. A exceção é feita em situações de emergência médica ou questões criminais.
- É lançado por Cavalli-Sforza e outros geneticistas o Projeto da Diversidade do Genoma Humano, que pretende estudar e preservar a herança genética de populações humanas. Seus objetivos relacionam-se a estudos sobre as origens humanas e movimento de populações pré-históricas, adaptação a doenças e antropologia forense.

1992 - O governo americano suspende a moratória de patentes dos animais transgênicos estabelecida em 1987. O PTO concede a patente a camundongos transgênicos para pesquisa médica.
- J. Watson se retira do Projeto Genoma Humano por ser contra questões relacionadas ao patenteamento. F. Collins é o novo diretor.
- Surgem modelos animais para Fibrose Cística, criados por knock-out.
- Um menino calabrês com deficiência de Adenosina Deaminase (ADA) é submetido pela primeira vez na Europa à terapia gênica. O protocolo é o mesmo que fora efetuado nos EUA em 1990.
- O comitê nacional de bioética da Itália publica um documento com as conclusões sobre "Patenteamento dos organismos viventes". O risco do empobrecimento da biodiversidade é ressaltado.
- Obtém-se pela técnica de manipulação genética os primeiros porcos transgênicos para obter órgãos para transplantar no homem (xenotransplante).
- Na Universidade George Washington, J. Hall e R. Stillman conseguem a seguir a clonagem de embriões humanos a partir da divisão de um óvulo fecundado mas interrompem o processo em sua fase inicial.
- Declaração de Marbella, Espanha, sobre o Projeto Genoma Humano, adotada pela 44ª Assembléia da Associação Médica Mundial. Contra o patenteamento do genoma humano, garantias contra discriminação e diretrizes básicas para prevenir a estigmatização de populações em risco para doenças genéticas.
- Conferência Norte-Sul sobre o genoma humano, em Caxambu (Brasil).
- Wilson lança a hipótese da "Eva Mitocondrial".
- Blau descobre que núcleos de células não musuculares passam a produzir proteínas de músculo quando colocados em citoplasma de célula muscular.

1994 - A indústria biotecnólogica Calgene obtém do FDA a permissão de colocar no mercado tomates manipulados geneticamente, cujo processo de maturação foi retardado pela biotecnologia.
- O departamento de justiça americano, aprova o Crime Control Act para que sejam criados bancos de dados de DNA em escala nacional, como já existe para as impressões digitais.
- Uma equipe belga anuncia na revista médica americana JAMA ter conseguido fazer nascer a partir de um casal de portadores Fibrose Cística um menino portador sadio da doença. A fecundação foi feita com microinjeção de espermatozóide no ovócito e com diagnóstico pré-implantação do embrião.
- Promulgada a Lei Francesa de Respeito ao Corpo Humano que proíbe o patenteamento de genes humanos, o diagnóstico pré-implantação (pelo seu risco eugênico), limita os testes genéticos para fins médicos ou de pesquisa ou por ordem judiciária (para identificação).
- O Comitê Internacional de Bioética da UNESCO alerta para o risco do chamado reducionismo biológico, a tendência de eliminar ou discriminar aqueles que não são conforme uma norma genética.
- M. Skolnick isola o gene BRCA1, envolvido no câncer de mama e ovário. Iniciam nos EUA as primeiras testagens seguidas por "mastectomias preventivas".

1995 - O Parlamento Europeu veta a patente a todas as formas viventes originadas por manipulação genética e a genes ou técnicas genéticas. Ao contrário, o PTO concede patente a seqüências de DNA, processos genéticos e novas formas viventes.
- A empresa americana Gene Therapy Inc., em Maryland, anuncia exclusividade no direito pela patente recém concedida pelo NIH para o tipo mais comum de terapia gênica, a chamada ex-vivo (as células do paciente são retiradas, manipuladas geneticamente e depois re-inseridas). Foi a técnica utilizada por M. Cline sem sucesso em 1980 e por F. Anderson, S. Rosenberg e M. Blease em 1990 que não pediram a patente em 1989.
- A Associação Médica Mundial propõe uma regulamentação dos testes genéticos: só devem ser feitos quando há possibilidade de uma terapia para corrigir a condição genética ou se derivar em decisões que dizem respeito à procriação.
- São concedidas 269 patentes para protocolos de Terapia Gênica.
- OMS publica declaração sobre Questões Éticas em Genética Médica, abrangendo o oferecimento de serviços genéticos, aconselhamento, diagnóstico pré-natal e armazenamento e uso de DNA.
- Promulgada na China a Lei de Proteção à Saúde Materna e Infantil que proíbe a identificação do sexo fetal exceto em casos de necessidade médica mas por outro lado estabelece que o aconselhamento genético deva ser diretivo e no sentido de impedir que casais com risco para doenças genéticas sérias tenham filhos. Várias Sociedades de Genética Humana e Médica no mundo inteiro protestam.
- A Organização do Genoma Humano (HUGO) publica Declaração sobre Patenteamento de seqüências de DNA. Condena o patenteamento se seqüências descobertas sem que se saiba sua função mas é favorável ao patenteamento da descoberta das funções biológicas de novos genes ou suas aplicações.
- Brasil publica as Normas para uso das técnicas de engenharia genética e liberação no meio ambiente de organismos geneticamente modificados, na qual proíbe a manipulação genética de células germinativas e a intervenção em material genético humano in vivo, exceto para tratamento de defeitos genéticos.
- Interrompida nos EUA a moratória por tempo indefinido pedida pelos ambientalistas para a comercialização de plantas transgênicas que ofereçam uma resistência maior as agressões de insetos devastadores e de herbicidas. Ambientalistas e cientistas exprimem sua perplexidade pelo fim do embargo decidido pela Agência de Proteção Ambiental (EPA).
- É publicada a seqüência completa do primeiro organismo de vida livre, Hemophilus influenzae, com 1743 genes e 1,8 milhões de pares de bases.

1996 - O Parlamento do Conselho Europeu aprova, em Estrasburgo, as resoluções do 3º Simpósio de Bioética. Estabelece, entre outras coisas, os limites para a manipulação e experimentação genética e uso de testes genéticos. Deve ser ratificado em 1997 pelos 39 países membros.
- Pesquisadores ingleses de Edimburgo conseguem clonar ovelha utilizando a célula totipotente de embriões e cultivando-a em laboratório.
- Os verdes saem a campo na Europa contra a iminente introdução pelos EUA de soja manipulada geneticamente para que seja mais resistente a um herbicida (soja RR).
- São conhecidos 6300 genes humanos (5-10% do total estimado), a metade deles relacionados a doenças.
- Existem testes genéticos com potencial para detectar doenças genéticas em 42% da população.
- Amostras de DNA de índios brasileiros são anunciadas na Internet pela empresa americana Coriell Cell, originando um debate entre cientistas brasileiros acerca do armazenamento de DNA dos indígenas e suas possíveis repercussões comerciais.
- A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece, após dez anos de dabtes, que todos os estoques de vírus da varíola existentes no mundo devam ser destruídos até 30 de junho de 1999. Serão mantidos apenas bancos de cDNA que permitirão estudar a seqüência genômica do vírus. É o primeiro caso de extinção intencional de um organismo vivo.
- A Declaração de Manzanillo, publicada pelo Programa latino-Americano do Genoma Humano (PLAGH) no México, enfatiza a necessidade de garantia de acesso e regulamentação das técnicas utilizadas em genética humana e médica. Além disso, cria a Rede Iberoamericana de Bioética e Genoma Humano.
- A Resolução 01/88 é substituída pela Resolução 196/96, Normas para Pesquisas Envolvendo Seres Humanos, que estabelece que todas as pesquisa na área de genética humana devam ser avaliadas por um comitê nacional.

1997 - Pesquisadores do Roslin Institute, em colaboração com a PPL Therapeutics, anunciam o nascimento de uma ovelha obtida pela clonagem de células de glândula mamária de um animal adulto.
- Proibição da clonagem de seres humanos no Brasil e moratória para este tipo de atividade nos EUA.
- Criação da Clonaid, empresa de clonagem de seres humanos com sede nas Bahamas.
- A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) proíbe a manipulação genética de células germinativas ou totipotentes humanas, assim como os experimentos de clonagem em seres humanos.
- A empresa de biotecnologia PPL Therapeutics anuncia a utilização da técnica de clonagem para obtenção de uma ovelha transgênica que possui genes de uma proteína humana.
- A companhia suíça Kraft-Jacobs-Suchard é obrigada a retirar 500 toneladas de chocolate Toblerone do mercado francês após ter sido revelado que a lecitina de soja usada na sua fabricação provinha de plantas transgênicas. Desde fevereiro é obrigatório na França que os produtos mencionem na embalagem o uso de Organismos Geneticamente Modificados (OGM).
- Realizado no Rio de Janeiro, Brasil, o I Simpósio Internacional de Genética e Ética.
- Recombinant Advisory Comitee do Instituto Nacional de Saúde do EUA aprova protocolo de administração de retrovírus recombinantes em voluntários sadios para teste de vetores utilizados em terapia gênica.

1998 - Agência internacional de notícias denuncia o plantio de variedade de tabaco transgênico no Rio Grande do Sul. A planta teria sido geneticamente modificada para possuir maior teor de nicotina.
- O físico americano R. Seed, que foi pioneiro na transferência de embriões, anuncia que pretende clonar seres humanos utilizando a técnica desenvolvida na Escócia.
- J. Shay e W. Wright publicam artigo na Science intitulado Extension of Life-Span by Introduction of Telomerase into Normal Human Cells. O trabalho, realizado em cultura de células, é alardeado na imprensa leiga como uma busca da imortalidade.
- Revista The Ecologist tem sua edição (volume 28 número 5) de setembro/outubro destruída por rebater fortementre os argumentos utilizados pela empresa Monsanto.
- Liberação pelo CTNBio da utilização agrícola da soja RR, com monitoramento pelos próximos 5 anos, através da Instrução Normativa 18, de 15 de dezembro de 1988, publicada no Diário Oficial da União em 30 de dezembro de 1998.

1999 - A liberação da soja RR foi suspensa por uma sentença da Justiça Federal brasileira.
- Constatação de que a taxa de envelhecimento da ovelha Dolly é superior a esperada ("envelhecimento precoce").
- Projeto de Lei propondo a moratória para o uso agrícola de produtos transênicos no estado do Rio Grande do Sul.
- Destruição dos estoques do vírus da varíola, previsto para 30 de junho, serão mantidos até 2002.


Bibliografia:
Milano, G. Bioetica - Dalla A alla Z. Universale Economica Feltrinelli:Milano, 1997.
Strachan, T. & Read, A.P. Human Molecular Genetics. Wiley:New York, 1996.
Kaplan, J.C. & Delpech M. Biologie Moléculaire et Médecine. 2ed. Flammarion:Paris, 1996.
Old, R.W. & Primrose S.B. Principles of Gene Manipulation. 5ed. Blackwell Science:Oxford, 1994.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Cientista cria 'boneca' com células vivas de câncer

Boneca feita de células vivas

Estrutura é mais parecida com tecido humano, dizem cientistas


Um cientista japonês criou uma "boneca" feita a partir de células vivas de câncer de fígado, abrindo caminho para que remédios e tratamentos sejam testados em condições mais parecidas com as encontradas no corpo humano.

A boneca de 5 mm de altura e 2 mm de espessura foi criada usando uma técnica que molda o tecido em um formato tridimensional.

O criador da técnica, Shoji Takeuchi, do Instituto de Ciência Industrial da Universidade de Tóquio, disse que, agora, sua equipe vai tentar combinar diferentes tipos de células para criar sistemas mais complexos.

"A técnica pode criar diferentes estruturas com diferentes células. É o que vamos começar a fazer a partir de agora", disse Takeuchi à BBC Brasil.

A estrutura foi criada usando cerca de 100 mil esferas de colágeno semeadas com células cancerígenas hepáticas e colocadas em um molde semelhante à forma humana.

As esferas foram cobertas por um tipo de célula que libera proteína e colágenos, unindo todas as células e fazendo com que a estrutura possa ser movida sem se quebrar.

Como resultado, o produto final é muito mais próximo do tecido humano do que um grupo de células em um prato de laboratório.

terça-feira, 3 de março de 2009

Engenharia Genética

Já se pode escolher o sexo dos bebês e selecionar embriões sem distúrbios graves.

Daqui a algum tempo será viável até alterar as suas características genéticas. Para o bem ou mal, a humanidade está se tornando capaz de decidir como serão os novos habitantes do planeta.

Por Ivonete D. Lucírio

Daqui para a frente a vontade de ter um menino ou uma menina não é mais um mero desejo. É uma ordem. Em setembro, a clínica americana Genetics & IVF Institute anunciou ter conseguido separar os espermatozóides com o cromossomo X - que geram garotas – dos que carregam o Y e fazem nascer rapazes. Uma fecundação artificial foi feita apenas com os espermatozóides X. Aí, dos quatorze casais que haviam pedido bebês do sexo feminino, treze conseguiram. Agora a Genetics promete, em alguns meses, tornar o método acessível a todo papai e toda mamãe ansiosos por burlar a seleção natural Inclusive famílias brasileiras. Embora a empresa não divulgue quanto vai cobrar pela satisfação paterna, sabe-se que, nos testes realizados, cada par de pais desembolsou 2.500 dólares.

Isso é bom para a humanidade? “As novidades chegam tão depressa que não temos tempo de digeri-las”, disse à Super o biólogo americano Lee Silve, da Universidade de Princeton. Um dos mais respeitados microbiologistas do mundo, ele é autor de um livro importante sobre o assunto, Remaking Eden (algo como “refazendo o Éden”, ainda não traduzido para o português), no qual analisa como os novos conhecimentos da Biologia “poderão transformar a família americana”. Silver explica que a escolha do sexo é apenas o começo, pois, não demora muito, os médicos vão aprender a mexer diretamente nos genes dos embriões e, assim alterar os seus traços hereditários. Os pais vão poder decidir se querem que seus filhos nasçam mais resistentes a infecções, mais bonitos ou mais inteligentes. ”Esse tipo de manipulação genética estará disponível dentro de uns vinte anos”, avalia outro craque da microbiologia, o americano Gregory Stock, da Universidade da Califórnia. Nas próximas páginas você vai entender o que já está sendo feito o que vai ser possível fazer e os profundos dilemas éticos envolvidos nessas descobertas.


PARA ESCOLHER O SEXO, BASTA FILTRAR O SÊMEN.

Em 1993, a clínica americana Genetics & IVT Institute começou a recrutar casais que queriam escolher o sexo do bebê. Todos os inscritos estavam na faxina dos 30 anos e tinham interesse em ter uma menina. Dos catorze que fizeram o teste, só um não conseguiu o que queria, nascendo um garoto. Já se sábia, desde o início, que havia essa possibilidade de falha, pois a eficiência da técnica não é de 100% . A clínica americana chegou bem perto disso, com 92,9% de sucesso.

A margem de erro existe porque a separação dos espermatozóides depende de uma diferença muito sutil entre eles: dentro dos que carregam o cromossomo X, há 2,8% mais de DNA, em comparação com os que carregam o Y. É por trabalhar com uma disparidade tão pequena que a técnica nem sempre acerta. E a falha teria sido ainda maior se, em vez de meninas, a Genetics tentasse escolher meninos, pois é mais difícil separar os espermatozóides que têm uma quantidade muito reduzida de DNA do que aqueles que têm excesso.


VACAS E CAVALOS FORAM OS PIONEIROS.

A técnica de separação de espermatozóides já é conhecida há alguns anos. Ela foi criada por cientistas do Ministério de Agricultura americano para fazer seleção de sexo em sêmen de bois e cavalos. Nesses animais, a quantidade de DNA varia mais do espermatozóide X para o Y do que nos humanos. Portanto a separação é mais fácil. Os cientistas da clínica americana conseguiram aperfeiçoar essa técnica. Mas, por motivos comerciais, eles não revelam qual foi à alteração que levou à possibilidade de separar espermatozóides humanos com eficiência.

Dentro de alguns meses, depois de ajustes na técnica, os futuros papais interessados, em qualquer canto do mundo, terão acesso ao serviço. “Basta contratar um médico que tenha convênio com o Genetics & IVF Institute”, diz Susanne Seitz, assessora de imprensa da empresa. O esquema terá de ser congelado e enviado, por um simples malote, para Fair fax, no Estado da Virgínia. Feita a filtragem, ele toma o caminho de volta. O pacote conterá um filho virtual de sexo pré-definido que dará origem a uma criança de verdade.


DA SELEÇÃO ARTIFICIAL À ALTERAÇÃO GENÉTICA.

Não é apenas o sexo que já pode ser pré-definido. O desejo de evitar o nascimento de crianças com males incuráveis levou à criação de outras duas técnicas de escolha. Por meio da primeira, é possível enxergar os cromossomos dentro das células de um embrião. Com isso, verifica-se a presença de algum defeito causador de doença grave, como a síndrome de Down, que provoca retardamento mental. “O exame dos cromossomos também é usado para contornar males como hemofilia”, acrescenta o médico Eduardo Motta, do Huntington Centro de Medicina Reprodutiva, em São Paulo.

A doença pode ser detectada nos genes maternos e afeta apenas os filho homens. Aí, basta observar os cromossomos os cromossomos do embrião, dois dias depois da fecundação, para saber o sexo do futuro bebê. Se ficar claro que vai nascer menina, não há problema. Senão, o embrião é descartado. Aliás, só em casos terapêuticos a legislação brasileira autoriza a seleção de embriões.

A Segunda técnica consiste em examinar não os próprios cromossomos, mas a molécula de DNA que está dentro deles. Pode-se ver, dessa maneira, se há incorreções genéticas que levam a diversas enfermidades, como a fibrose cística e a adenoleucodistrofia. Se houver, corta-se o mal pela raiz. “Optamos por implantar embriões saudáveis e descartamos os que apresentam problemas”, diz o médico Thomaz Gollop, do Instituto de Medicina Fetal e Genética Humana, em São Paulo. Até agora, os médicos conseguem apenas enxergar as características dos embriões, mas estão aprendendo a modificá-las, mexendo diretamente nos genes. “Assim, vai ser possível intervir e corrigir os defeitos” anima-se o geneticista Marcos Aurélio Sampaio, da Clínica Origem, em Belo Horizonte (MG).


UM GATILHO CONTRA O CÂNCER

É a terapia genética aplicada aos que vão nascer. Ela poderá eliminar doenças de diversos tipos. O biologista molecular John Campbell, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, imagina que seria possível poupar um futuro cidadão de ter câncer quando ele ainda estiver no estágio de um ovo – que é um óvulo já fertilizado. A solução seria introduzir nesse ovo um gene capaz de interromper o crescimento de qualquer tumor. O gene ficaria desligado até o câncer se manifestar e só então seria ativado por uma substância – gatilho a ser tomada na ocasião.

A hipótese impressiona pelo benefício que traria, mas também pela complicação que acarreta. É que, ao introduzir um gene num ovo, ele passaria a agir não apenas no bebê gerado por esse ovo, mas também nos filhos dessa criança e nos filhos desses filhos. Em outras palavras, estaria dando o primeiro passo para criar uma geração de seres alterados geneticamente.

Tudo bem, Campbell está pensativo numa cura. Mas e se o objetivo fosse criar uma geração mais bonita, mais inteligente ou meramente mais adequada a certos padrões de comportamento?


O QUE DÁ PARA EVITAR.

Distrofilia de Duchenne Degeneração dos músculos.
Síndrome de Turner Mulheres com estatura baixa, pescoço curto e infeteis.
Talassemia Anemia e atraso no crescimento.
Adenoleucodistrofia Perda da visão e da coordenação muscular
Síndrome de Edwards Musculatura tensionada, dificuldade em abrir a mão e a boca.
Síndrome de Patau Cabeça grande, lábio leporino e número anormal de dedos.
Coréia de Huntington Perda precoce de memória e da coordenação motora.
Fibrose cística O pulmão e o pâncreas funcionam mal.

SÓ EMBRIÃO SAUDÁVEL TEM DIREITO DE NASCER?

Até que ponto um homem ou uma mulher devem intervir nas características dos seus filhos e filhas? Para o geneticista Osvaldo Frota Pessoa, da Universidade de São Paulo, não há limite. “Não vejo nada de errado na idéia de produzir indivíduos mais bonitos e mais saudáveis”, afirma ele. “Todo mundo quer ter filhos maravilhosos e esse será o futuro”. Em teoria, a questão parece simples. Mas, na prática, a legislação brasileira proíbe qualquer intervenção sobre o patrimônio genético sem fins terapêuticos. Imagine que você queira mexer nos genes de seu filho para torna-lo mais bonito, como disse Frota Pessoa. Não pode. Pela lei, só estão autorizadas as alterações nos genes humanos destinadas a eliminar defeitos que causem problemas à saúde.

Acontece que a lei, nesse caso, reflete a profunda preocupação que causa, em muitos setores da sociedade, o uso indiscriminado dos novos conhecimentos científicos. “Há quem considere imoral descartar embriões para evitar o nascimento de crianças doentes, da mesma forma como se acredita ser imoral fazer um aborto”, diz Tristam Engelhardt, do Centro de Ética Médica do Baylor College of Medicine, no Texas, Estados Unidos.


IGREJA É CONTRA DISPENSAR EMBRIÕES DOENTES.

É uma objeção que a Igreja Católica assina embaixo. “O fato de escolher o sexo ou a condição de saúde de uma criança significa deixar de aceitá-la encondicionalmente como pessoa”, diz o padre Márcio Fabri, diretor do instituto Alfonsianum de Ética. O seu ponto de vista se baseia nos ensinamentos da encíclica Sobre o Valor e a Inviolabilidade da Vida Humana, divulgada em março de 1995 pelo papa João Paulo II. Mas a Igreja Católica não é refratária a qualquer tipo de intervenção. A mesma encíclica aceita que se manipulem os genes do embrião para evitar um mal. Em compensação, não admite nem a fertilização de proveta nem que algum embrião mesmo se fecundado por meios naturais, seja eliminado para outro nasça perfeito. “Tal atitude seria vergonhosa e profundamente repreensível porque presume medir o valor da humana”, diz a encíclica.

Diante das várias maneiras de ver a questão, Marco Segre, presidente da Sociedade Brasileira de Bioética, parece procurar uma forma de conciliação. “Nenhuma tecnologia, em si mesma, é ética ou antiética”, argumenta ele tudo depende do uso que dermos a ela.

“E, enquanto visarmos o bem-estar da humanidade estaremos no caminho certo”.


FONTE DE CONTROVÉRSIAS

Principais argumentos contra e a favor da seleção de espermatozóides, da seleção de embriões e da manipulação genética.

ESCOLHA DO SEXO DAS CRIANÇAS
CONTRA
A FAVOR
Pode ocorrer um desequilíbrio entre homens e mulheres, aumentado o número de uns ou de outros.
Se a população de um dos gêneros começar a diminuir, ele passará a ser mais valorizado, voltando-se ao equilíbrio.
SELEÇÃO DE EMBRIÕES SAUDÁVEIS
CONTRA
A FAVOR
O sucesso da durabilidade da raça humana está na diversidade de suas características inclusive doenças.
Pouca gente opta por essa técnica (apenas 0,5% nos Estados Unidos) e, por isso, ela não vai afetar a diversidade.
As crianças pobres, em longo prazo, serão menos saudáveis porque seus pais não poderão pagar pela técnica, que é cara.
As crianças com maior poder aquisitivo têm acesso aos melhores planos de saúde e ninguém contesta esse direito.
MANIPULAÇÃO DOS GENES DOS EMBRIÕES
CONTRA
A FAVOR
Há risco de alguém tentar criar uma “raça superior”, com características que se acreditam ser melhores do que outras da espécie humana.
É uma possibilidade bastante remota, já que todas as pesquisas de hoje se voltam para questões de saúde.
Sabe-se pouco sobre a modificação dos genes Por isso, ela pode trazer conseqüências imprevisíveis para a humanidade.
Antes que a engenharia genética passe a ser usada em humanos, serão realizados exaustivos testes em animais.

Fonte: Brasil-Escola