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quarta-feira, 25 de março de 2009

Itamaraty aposta em discussão sobre reforma na ONU

Da Agência Estado


A diplomacia brasileira aposta todas as fichas em uma discreta negociação sobre a reforma do Conselho de Segurança, que começou nas Nações Unidas neste mês. Diante da oportunidade aberta, o governo trabalha para restaurar a unidade do grupo que ambiciona uma cadeira permanente - Alemanha, África do Sul, Brasil e Índia, o chamado G4 - e para aliciar os 53 países da África na montagem de uma proposta única de reforma. Nessa estratégia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá o papel de reforçar a tese da ampliação do Conselho em foros internacionais como o G20, que se reunirá em Londres no início de abril.



O desafio esteve arquivado por quatro anos, desde a fracassada tentativa do G4 de apresentar aos 193 membros da ONU sua proposta de reforma do Conselho. Desta vez, o modelo adotado pela Assembleia-Geral anima o Itamaraty. Não se trata mais da discussão de um grupo de trabalho ou de uma confraria de especialistas, mas de um debate informal no plenário da Assembleia-Geral. Esse mesmo formato resultou, em 2006, na criação do Conselho de Direitos Humanos da ONU.



A pretensão brasileira de atuar como membro permanente no Conselho tem a idade da ONU, 63 anos. O tema ganhou o topo da prioridade da política exterior nas duas vezes em que o embaixador Celso Amorim conduziu o Itamaraty - entre 1993 e 1994, no governo Itamar Franco, e desde 2003, na administração Lula. Boa parte da extensa agenda de visitas do chanceler e do próprio Lula nos últimos anos, sobretudo para a África, responde a esse objetivo.



Na história da ONU, a única reforma no Conselho de Segurança se deu em 1965, quando cadeiras não-permanentes passaram de seis para dez. Os assentos permanentes - pertencentes a Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França - ficaram intocáveis. No mundo, nenhum país contesta o fato de que essa instância não reflete mais o jogo de forças da atualidade, no qual participam países em desenvolvimento de peso nas esferas econômica e político-militar. Mas chegar a uma fórmula capaz de obter o aval de 128 países - 2/3 dos 192 sócios da ONU - é um grande desafio. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Sarkozy e Brown defendem mudança no Conselho de Segurança da ONU

Por François Murphy

PARIS (Reuters) - O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse na sexta-feira que seu país e a Grã-Bretanha vão pressionar no próximo mês por uma reforma temporária do Conselho de Segurança.

Sarkozy disse que a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em fevereiro, deve estudar a questão.

O caso da reforma do órgão máximo de segurança mundial, cuja composição reflete em grande medida o equilíbrio de poder global logo após a 2o Guerra Mundial, está parado há muito tempo.
"Juntamente com o Reino Unido, a França vai pedir uma solução interina que, a meu ver, é a única capaz de desbloquear esta questão, que não apenas não vem avançando, mas vem retrocedendo", disse Sarkozy em discurso a diplomatas estrangeiros.

Atualmente o Conselho de Segurança tem cinco membros permanentes: Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia e China.

Sarkozy disse que os membros permanentes do conselho devem incluir um Estado africano, um latino-americano e a Índia, acrescentando que a participação da Alemanha e do Japão poderia ser discutida, e que uma reforma temporária possibilitaria que fossem testadas diferentes opções.

"Não me parece muito razoável que não haja um único país árabe que seja membro permanente deste organismo", disse Sarkozy, que teve um jantar reservado com o premiê britânico Gordon Brown em Paris na quarta-feira.

Sarkozy também reiterou seu chamado para que o Grupo dos Oito países industrializados (G8) seja ampliado para incluir países emergentes como China e Índia.

Num discurso que cobriu vários tópicos, Sarkozy falou de vários temas delicados, mas manteve um tom incomumente diplomático.

Ele disse que é do interesse do mundo regulamentar o preço de commodities, incluindo o petróleo, e que os países ricos devem trabalhar para garantir preços "aceitáveis" aos produtores.
"Aproveitemos o momento atual para estender uma mão aos países produtores de petróleo, enquanto o barril de Brent é vendido a 45 dólares, para lhes dizer que nós, países desenvolvidos, concordamos em discutir com eles, os países produtores, como lhes garantir um nível médio aceitável de preços do petróleo", disse Sarkozy.

Desde o pico do ano passado, quando estava a 147 dólares o barril, o preço do barril de óleo cru leve americano caiu para menos de um quarto desse valor.

Sarkozy também pediu que sejam repensadas as negociações comerciais globais da Organização Mundial do Comércio, que estão paradas mais uma vez, na espera da chegada da nova administração americana.